Episódios de Foro de Teresina

A insensatez de Milei, o caos em Minas e o juiz no Paraná

31 de julho de 20261h3min
0:00 / 1:03:44

No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a crise diplomática entre Brasil e Argentina após os ataques de Javier Milei a Lula e a Alexandre de Moraes durante a convenção do PL, além dos desdobramentos políticos do episódio para a candidatura de Flávio Bolsonaro. No segundo bloco, o trio discute o cenário eleitoral em Minas Gerais, marcado pela indefinição em torno da candidatura de Cleitinho ao governo do estado, pelas articulações partidárias e pelos reflexos da disputa para a corrida presidencial. No terceiro bloco, os apresentadores explicam por que Ratinho Júnior ainda não conseguiu transferir seu capital político a Sandro Alex, candidato do PSD ao governo do Paraná, e analisam o cenário eleitoral no estado natal de Sérgio Moro.

Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft123

Leia "A engrenagem", reportagem de Ricardo Balthazar sobre a trajetória da WEG e os fatores que transformaram a empresa em uma das maiores potências industriais do Brasil.

https://piaui.uol.com.br/revista/238/a-engrenagem-como-a-weg-se-tornou-uma-potencia-brasileira/

Assine a piauí e tenha acesso ao melhor do jornalismo da revista: https://piaui.uol.com.br/assine

Quer anunciar no Foro de Teresina? Entre em contato com nossa área comercial: comercial@revistapiaui.com.br.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
F

Fernando de Barros e Silva

HostJornalista
A

Ana Clara Costa

Co-hostJornalista
C

Celso Rocha de Barros

Co-hostJornalista
Assuntos6
  • Crise diplomática Brasil-ArgentinaJavier Milei · Lula · Alexandre de Moraes · Convenção do PL · Itamaraty · Relações bilaterais
  • Cenário eleitoral em Minas GeraisCleitinho · Expansão do Republicanos na Alesp · Marcelo Haro · Eduardo Cunha · Eleições estaduais
  • Cenário eleitoral em São PauloRaquel Lira · João Campos · Lula · PSB · Eleições estaduais
  • Extremismo de direita globalDonald Trump e a NASA · Javier Milei · Extrema-direita
  • Interferência dos EUA nas eleições brasileirasDepartamento de Estado dos EUA · TSE · Eleições brasileiras
  • Javier MileiJavier Milei · Argentina · Rejeição popular
Transcrição137 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
ACAna Clara Costa

Rádio Piauí.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

FDFernando de Barros e Silva

Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí. La basura calva no me permitió visitar a mi amigo injustamente encarcelado cuando sé que Lula se cansó de recibir dirigentes del exterior cuando estaba preso. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!

ACAna Clara Costa

Oi, Fernando! Oi, pessoal!

CRCelso Rocha de Barros

É um monte de conversa fiada. Primeiro é falar para mim, né?

FDFernando de Barros e Silva

Ah, não, Cleitinho tá com medo de vir candidato, porque se ganhar, o que ele prometer ele não vai cumprir.

CRCelso Rocha de Barros

Eu não sou vocês, seus canalhas!

FDFernando de Barros e Silva

Vocês que prometem e não cumprem. Diga lá, Celso Casca de Bala!

CRCelso Rocha de Barros

Fala aí, Fernando, estamos aí mais uma sexta-feira.

FDFernando de Barros e Silva

E o Sandro Alex representa esse time da continuidade, a continuidade desse bom momento que vive Mais uma sexta-feira e eu quero agradecer demais em nome de todos nós do programa pela acolhida na Flip na última sexta-feira. Agradecer a Rita Palmeira, curadora da Festa Literária de Paraty, e ao público que foi lá nos assistir. Nossa estreia na Flip foi bem emocionante.

ACAna Clara Costa

É isso, Fernando. Muito obrigado a todo mundo que foi, tava lotado assim. A gente nem acredita, né, que tanta gente ouça e tanta gente vá. Nos verem. Então foi realmente assim muito, muito especial.

CRCelso Rocha de Barros

A Flip foi realmente maravilhosa. E como eu já disse pro Fernando, alguma coisa certa a gente deve estar fazendo, né? Porque foi bem legal mesmo.

FDFernando de Barros e Silva

Alguma coisa, não sabemos o quê.

CRCelso Rocha de Barros

Exato.

FDFernando de Barros e Silva

Bom, nossa próxima parada ao vivo será no Teatro Unicinos em Porto Alegre, no dia 23 de agosto, um domingo. Mais informações sobre os ingressos vocês podem acompanhar nas redes da Piauí. Logo mais estaremos lá entre os gaúchos. Agora sim, sem mais delongas, aos assuntos da semana. Javier Milei assinou na noite de quarta-feira um decreto que proíbe a entrada e autoriza a expulsão de estrangeiros que promovam ou incentivem discurso de ódio, discriminação ou violência contra a Argentina e seus cidadãos.

O texto tem validade temporária e precisa ser aprovado pelo Congresso para se tornar lei permanente. A medida, de inspiração meio fascista, é o mais recente capítulo da crise deflagrada entre Brasil e Argentina nos últimos dias. No sábado da semana passada, durante a convenção do PL, que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República, Milei, bastante histriônico e apatetado, chamou Lula de presidiário e Alexandre de Moraes de lixo careca.

Isso ao lado do filho de Jair. No meio da semana, ao ser perguntado sobre o comportamento do líder argentino, Lula reagiu: Eu? Quem é esse cara? No plano diplomático, as relações azedaram. O Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para dar explicações e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bittelli, para consulta, medida de praxe em situações de crise. Diante da reação brasileira, o porta-voz da Casa Rosada, Adrian Javier, tentou contornar as coisas e disse num pronunciamento que sempre houve insultos dos dois lados.

A performance de Milei a serviço do PL mostra a articulação internacional da extrema-direita sob a batuta de Donald Trump e expõe as fragilidades domésticas da candidatura de Flávio Bolsonaro. No segundo bloco, a gente vai tratar da indefinição política em Minas Gerais, onde o senador Cleitinho, do Republicanos, descartado pelo partido depois de muito ter de versar e faltar à convenção, veio a público para dizer que sim, vai ser candidato ao governo.

Isso depois que o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, disse que o partido iria apoiar Marcelo Haro, do PP, nome ligado a Eduardo Cunha. Sim, aquele. A situação segue incerta e os partidos têm até o dia 5 de agosto agora para definir as suas chapas. Minas, onde o PT disputará com Patrícia Ananias, é um estado decisivo para Lula e Flávio Bolsonaro. Por fim, ritmo de campanha, a gente vai para o Paraná no terceiro bloco. Vamos tratar do paradoxo de Ratinho, o Júnior, muito popular entre os eleitores.

O governador não conseguiu até agora transferir seu cacife político ao candidato do PSD, Sandro Alex, distante da liderança. Quem lidera no estado é Sérgio Moro, sim, aquele que agora está no PL, aliadíssimo de Flávio Bolsonaro. E tem cerca de 40% das intenções de voto no primeiro turno. Requi é um filho do PDT, apoiado por Lula, é o principal nome da oposição. A gente vai mergulhar nos meandros da República do Paraná com as suas escusas, ouvinte.

É isso, vem com a gente. Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Eu fiz aí um resumo do que aconteceu nessa semana, mas talvez a gente possa começar do início, né, com a convenção do PL, aquela em que o Jair compareceu e o Milei compareceu sem ar, mas poderia ter sido de ar, né? O Milei sempre me parece aquele personagem do Laranja Mecânica, lembra, né? Até hoje eu acho que ele copia aquele personagem. Não é exatamente um herói, né, Celso?

CRCelso Rocha de Barros

Aquele não.

FDFernando de Barros e Silva

Vamos lá, Ana.

ACAna Clara Costa

Vamos lá. Bom, o Milei, já se sabia que ele vinha. Os bolsonaristas estavam anunciando, o próprio Milei tava dizendo que vinha lá na Argentina. Eu confesso que passou batido pra mim, assim, me pareceu surpresa quando eu vi. Mas aí depois fui apurar e descobri que já se sabia. Inclusive, o governo brasileiro sabia. O governo de São Paulo sabia porque eles precisavam organizar ali Polícia Federal para chegada dele em São Paulo. A embaixada argentina tinha avisado.

FDFernando de Barros e Silva

O Tarcísio de Freitas precisava treinar para ser engraxate, né? Porque só faltou engraxar o sapato do Milei, deu medalha, tudo.

ACAna Clara Costa

Pois é, tava tudo pronto já. Embora se soubesse, né, da visita, quando você olha no detalhe o que aconteceu, realmente o patamar é muito mais lastimável do que se espera, né? Ele sempre consegue ir um pouco além, né, Omileia? Aquela dança, né, tudo aquilo poderia ter sido IA. E foi uma coisa inédita, né, porque até se a gente pegar os exemplos do próprio Jair Bolsonaro no governo dele, ele apoiou alguns candidatos de direita enquanto ele era presidente do Brasil e isso causou alguns desconfortos diplomáticos.

Por exemplo, no caso do Uruguai, tava tendo eleição no Uruguai e ele declarou apoio ao candidato Lacalle Pou, E aí, enfim, o Uruguai até chamou o embaixador pra conversar e tudo mais. Outra coisa que Bolsonaro fez naquele governo, ele ofereceu asilo pra aquela política boliviana, Jeanine Áñez, que tentou um golpe contra o Evo Morales e acabou presa. E o Bolsonaro ofereceu asilo. O Bolsonaro também xingou o Boric, não sei se vocês se lembram, que daí o Chile acabou convocando seu embaixador no Brasil naquela época.

Teve vários episódios, né, de declaração de preferência. Preferências do Bolsonaro enquanto ele era presidente. O Lula teve também, que foi na eleição do Trump, em que o Lula declarou preferência pela Kamala, né? Mas o Bolsonaro fez isso adoidado. Bom, o Trump faz isso com uma certa frequência, né, inclusive interferindo diretamente, mas nunca se deslocou para um país, né? Então assim, o Milei se deslocar para o Brasil para uma convenção de um partido, e nessa convenção partidária ele falar publicamente contra o governo vigente, isso assim é inédito em muitos níveis.

Né? O governo brasileiro enxergou uma certa influência dos Estados Unidos nessa atitude do Milei. E quando eu falo influência, não é que o Trump ligou para o Milei e falou, vai lá na convenção do PL e faz aquele show. Mas assim, o Milei tem se mostrado muito subordinado ao governo Trump e possivelmente foi para fazer um agrado ali ao chefe, né? Ele parece ser um ministro do Trump, né? Não presidente de um país. Então, o governo brasileiro vê muito uma coordenação, digamos.

Essa coordenação, ela não passa só pela vinda do Milei pra cá. Ela passa também por outros acontecimentos que, inclusive, a gente relatou no programa passado, né? Aquele encontro com embaixadores, que foi um pouco antes, em que o Flávio, pela primeira vez publicamente, como pré-candidato, descredibilizou as urnas. Bom, eu não vou nem falar aqui da live do Eduardo com Fernando Cerimedo, aquele marqueteiro argentino que também ajudou a divulgar as fake news sobre a não confiabilidade das urnas.

E também teve o episódio em que dois servidores do Departamento de Estado queriam vir pro Brasil pra conversar com o TSE. E na avaliação do governo, essa visita desses dois funcionários, que depois acabaram tendo o visto negado, seria pra produzir um relatório sobre as urnas. Esses funcionários do Departamento de Estado queriam vir justamente na semana da convenção. Então eles ligaram pro TSE e falaram assim: Ah, a gente quer fazer uma visita oficial ao TSE na semana do dia tal.

Que é essa semana que a gente tá agora, que começou com a convenção. E aí o TSE falou pra eles: Olha, a gente recebe vocês com o maior prazer, mas só na outra semana. Porque nessa semana ainda há o recesso, os ministros ainda não estão aqui. O tribunal volta em agosto, então a gente recebe vocês em agosto. O cara falou: Ah, não. Agosto não dá, tem que ser essa semana.

FDFernando de Barros e Silva

E o governo brasileiro negou o visto a esses sujeitos, né? Isso passou meio batido, mas certíssimo, certíssimo. Mas é sério, porque o governo americano mandando dois funcionários para vitimizar o processo político brasileiro, claramente os caras vieram para sabotar, para fazer relatório de mentirada.

ACAna Clara Costa

Já que a gente tá falando de negar visto, tem um outro fator que é relevante também. O governo americano designou um embaixador para os Estados Unidos no Brasil, né? Um embaixador, enfim, obviamente completamente alinhado ali com a turma do Steve Bannon. Só que eles fizeram de uma forma que é totalmente atípica. Quando você designa um embaixador pra um país, primeiro você oferece esse nome pra aquele país, geralmente em sigilo.

O país vai avaliar o nome que você submeteu, porque afinal vai ser uma pessoa que vai ficar ali representando uma nação dentro do teu país. Então você precisa ver se o cara é criminoso, se o cara é pedófilo, o que ele fala sobre o Brasil, etc. Você faz uma triagem desse nome. E aí você aceita esse nome ou não. O que o governo americano fez, na verdade, foi subverter essa lógica anunciando antes o nome do embaixador, meio que pressionando o governo brasileiro a aceitar, né?

Porque você imagina que se esse embaixador já tivesse no Brasil nesse momento— ele ainda não tá, porque o nome dele ainda não foi aceito pelo governo e provavelmente não será antes da eleição. Então você teria um outro elemento aqui no Brasil dentro dessa estratégia de interferência na eleição brasileira. Então eles sugerem o embaixador publicamente antes, antes de oferecer inclusive para o governo brasileiro, para depois, se o Brasil, vamos supor, negar, criar aquele factoide: governo brasileiro nega embaixador americano.

Você cria uma nova contenda diplomática, né? Então assim, essa vinda do Milei, ela vem dentro desse caldo que o governo enxerga como conectado, né? Que não foi uma coisa aleatória essa vinda dele. Só que do mesmo jeito que ele veio, ele quase que imediatamente teve que voltar atrás alguns passos Porque pegou muito mal pra ele na Argentina. Não há pesquisas sobre isso especificamente pra gente saber, né, os números, né, de quanto a opinião pública concorda ou não.

Mas nos jornais argentinos houve vários artigos de opinião sobre isso, todos contrários. Nas redes sociais, vários políticos, não necessariamente peronistas, fizeram postagens criticando Milei por isso. O chanceler Mauro Vieira, ele foi embaixador em Buenos Aires por 6 anos. Então ele conhece muita gente lá, não só da diplomacia. Ele recebeu dezenas de mensagens de pessoas da Argentina, de setores produtivos, da diplomacia, da opinião pública.

Enfim, ele recebeu uma quantidade impossível de responder de mensagens de pessoas lamentando o episódio. E aí o que aconteceu foi que o chanceler argentino, no início dessa semana, veio a público dizer que, ah, olha, as diferenças ideológicas entre os nossos presidentes não significa diferenças dos governos, né, são dos presidentes, não é uma diferença do governo. Então assim, isso não interfere em nada na relação entre os dois países.

Do lado brasileiro, as exportações para Argentina aumentaram muito mesmo com o Milei, e o Brasil até poderia retalhar Argentina depois de um papelão desse, né, porque é uma interferência, como eu falei, inédita. Mas segundo as fontes que eu conversei do governo, eles não querem. Porque pra você fazer uma retaliação nesse caso, você precisa achar um setor em que você retalhar a Argentina não prejudique o Brasil. E tá difícil achar esse setor nesse momento, sobretudo com o que tá acontecendo nos Estados Unidos com tarifação.

Então assim, a gente também precisa vender pra Argentina muita coisa. E um outro ponto, que aí tem mais a ver com o Lula, que é: ele não quer dar pro Milei o gostinho de demonstrar o seu incômodo. Ele acha que é justamente isso que o Milei quer, né? Ao afrontá-lo, diretamente, ele acha que o Milei quer uma resposta direta para ele. Exato. E o Lula não quer dar isso para ele. Então parte da estratégia é, tô reproduzindo as palavras que eu ouvi, você deixá-lo do tamanho que ele tem e não aumentar o tamanho dele com ataque direcionado a ele, né? Então o governo não vai fazer nada, basicamente é isso.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bom. Celso, eu quero te ouvir porque tem o plano do mundo real, dos negócios, das relações comerciais, etc., etc., e tem esse mundo simbólico da política. Né, que é onde as reações no primeiro momento acontecem do público e da gente, inclusive quando a gente tava lá na Flip, viu o Milei fazendo, que foi isso. Inclusive o Flávio foi com uma tesourinha ridícula lá. O Milei era mais radical, usava motosserra na campanha dele. O Flávio foi com a tesoura.

CRCelso Rocha de Barros

Já podemos falar que o Flávio é mais moderado, quer fazer um ajuste fiscal mais moderado.

FDFernando de Barros e Silva

Exato, exato.

CRCelso Rocha de Barros

Vamos lá então, Fernando. É simples, quanto menos gente no Brasil apoia o Flávio Bolsonaro, mais ele vai buscar apoio fora. Se você viu a convenção do PL, os grandes partidos de direita brasileiros não apareceram. A gente falou aqui no programa passado, o PP, União Brasil e tal vão ficar neutros na eleição, o Republicanos provavelmente também. Então ele não tinha muito apoio brasileiro para apresentar ali, nem o Carluxo foi. Ele foi visitar o Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

E a Michelle mandou um vídeo que parecia mais feito por inteligência artificial do que o vídeo do Bolsonaro, que era tecnicamente inteligência artificial.

ACAna Clara Costa

Era com bastante convicção.

CRCelso Rocha de Barros

Inteligência artificial do Bolsonaro tava mais entusiasmada do que a Michelle gravando aquele vídeo ali. Então, na falta de brasileiro para mostrar, ele mostra os estrangeiros, né? Então ele todo dia tá passando por aí com seu papai Trump. Na convenção também apareceu o titio Netanyahu. Né, que é aquele tio fascista que vai no almoço de domingo elogiar a ditadura. Mas a estrela do show mesmo foi o cunhado picareta, que é o Milei, né, cara, que é aquele cunhado sem vergonha que todo mundo tem alguém na família, que perdeu tudo no esquema de criptomoeda e agora tá endividado com a Jota, né.

Então o Milei tá aí fazendo essa palhaçada porque o AJ em questão é a Casa Branca. É bom lembrar, antes da última eleição na Argentina, a Casa Branca liberou 20 bilhões de ajuda para Argentina para ajudar o Milei a segurar a economia argentina até as eleições. Então ele tá devendo para o Trump, ele tá devendo para o Marco Rubio. Como ele não vai pagar isso nunca, né, cara? Então a maneira dele entregar alguma coisa é ficar rodando o continente e apoiando essa internacional de extrema-direita aí que o Trump lidera.

E aí é que é o aspecto preocupante, porque essa coisa de, por exemplo, a direita ganhar um monte de países na América Latina, em si isso não tem nada demais. Já teve fase em que a esquerda ganhou um monte de país na América Latina. E assim, essas ondas de opinião são normais, alternância de poder é normal. Normal, não tem nada de errado as pessoas que ficaram um tempo sendo governadas pela esquerda trocarem pela direita e vice-versa.

Isso já aconteceu algumas vezes para a gente saber que essas coisas nunca são para sempre, né? Então vai ter agora uma onda de governo direita, depois vai trocar de novo, enfim, sempre assim. O problema é que tem um aspecto que essa aliança com a Casa Branca enfatiza nesses vários movimentos de direita que ganharam eleição na América do Sul, que é o seu aspecto autoritário, né? Até para aderir ao discurso trumpista, esses caras estão embarcando em discursos mais radicais, né?

Alguns já eram radicais de saída, né? O Bukele é o caso mais clássico, né? Que enfim, El Salvador já virou uma ditadura mesmo. Argentina não virou uma ditadura, mas é um caso evidente de entreguismo no sentido antigo do termo, né, cara? O Milei de fato topa absolutamente qualquer coisa que a Casa Branca mandar. E já topava antes de darem dinheiro para ele, inclusive.

FDFernando de Barros e Silva

E o Milei é o mais histriônico. Inclusive tem um aspecto estético nesse negócio de extrema-direita que lembra o Mussolini um pouco, né?

CRCelso Rocha de Barros

O Milei é um cara com evidentes problemas psiquiátricos, né, cara? Antes dele ser uma falha do sistema político argentino, ele é uma falha do sistema de saúde pública argentino, né, cara? Entendeu? Assim, você for ali na Cracolândia, você acha uns 3 Milei ali gritando uns troço pela rua, entendeu? Assim, pô, Não sei nem se vale a pena criticar esse cara. Os outros candidatos na Argentina deviam ser muito ruins, né, cara, apesar de a gente ter escolhido essa porcaria.

Mas ele é isso aí, não adianta muito brigar. Agora, o outro lado dessa performance aí do Milei é que ele tá mal de popularidade na Argentina, né? Ele tá com 60% de rejeição. Aquele programa econômico todo dele, que enfim, tem gente razoável que defende uma abordagem liberal, enfim, tem muita gente razoável que critica a política econômica dos peronistas, etc. Eu pessoalmente não acho que o Milei seja capaz de implementar qualquer programa econômico.

Se o programa econômico for bom, vai ser desperdiçado na mão do Milei, na minha opinião. Mas as pessoas têm direito de discordar. Agora, o fato é que não tá gerando os resultados que ele esperava, entendeu? Pelo menos a tempo dele costurar um apoio político, né, essas coisas. Então tem bastante números ruins vindo da Argentina. E aí ele tá tentando ganhar uma popularidade lá explorando xenofobia, né, explorando essa rivalidade contra o Brasil.

Essa nova lei aí que diz que sim, ele vai poder expulsar da Argentina quem falar mal da Argentina, Argentina, não sei o quê. Isso é bizarro, né, cara? Eu morava em Copacabana em 2014, a final da Copa foi no Rio. O chão da minha rua era basicamente argentino deitado no chão. Eles passaram todos aqueles dias sacaneando o Brasil, que a gente tomou de 7 a 1. E tá certo, gente, é isso mesmo. Futebol é assim mesmo, todo mundo tem uma rivalidade, não tem nada demais.

Basicamente, se tivesse uma lei do Milei aqui, tinha todo mundo ir para Bangu, já todo mundo sido preso, o que seria ridículo, certo? E assim, ele tá tentando também explorar um pouco um certo choque que a Argentina teve com a reação dos outros países, né, com racismo dos torcedores argentinos na Copa, né? Sim, a gente aqui no Brasil sabe que eles fazem isso em Libertadores, essas coisas, mas o pessoal lá de fora ainda não tinha visto.

Então se você vê os ataques que eles fizeram ao influencer americano iShowSpeed, que é um influencer negro que ia em todos os jogos da Copa, parecia tá muito entusiasmado, ia lá cobrir, se filmar e tal, não sei o que lá, e os argentinos passavam o jogo fazendo gesto racista para ele, entendeu? Então assim, cara, O que tem que ter é uma campanha de educação da torcida na Argentina, né, cara? Porque isso aí é absolutamente inaceitável.

Ao invés disso, o Miller resolveu entrar na teoria da conspiração maluca de que o governo brasileiro patrocinou uma campanha de difamação da Argentina. E ele diz que tem pesquisas que provam isso. A pesquisa que ele tá citando já foi checada lá pelos fact-checkers da Argentina e não diz obviamente nada disso. Só diz que boa parte dos tweets reclamando da Argentina Era em português. Bom, cara, não precisa nem ter instituto para descobrir isso, né, cara?

Se você me perguntar, eu já te aviso. É óbvio, é grande rivalidade da Argentina no futebol, Brasil. É óbvio que o brasileiro e argentino vai se xingar quando tiver futebol mesmo, e tá tudo em casa, não tem problema nenhum. Mas não, ele chegou à conclusão que foi o Lula e o Partido Democrata. Olha só que bonito, Partido Democrata obviamente não tem nada mais para se preocupar na vida, então pode ir lá fazer campanha contra o time da Argentina na Copa do Mundo.

Enfim, ele tá já partindo para teoria da conspiração completamente. Trelelê mesmo, cara.

ACAna Clara Costa

Mas pensa o tanto que ele não deve ter projetado aquele momento de estar nos Estados Unidos ganhando a Copa, dividindo a taça com o Trump, entregando a taça para o Trump, falando assim para o Trump: pega a taça, leva para sua casa, pode levar para você, é sua, entendeu?

CRCelso Rocha de Barros

O povo da Argentina dá de presente para você, pode levar.

ACAna Clara Costa

Ele deve ter sonhado muito com aquele momento.

CRCelso Rocha de Barros

Aí você matou a charada. Bom, eu tava falando do Milei como o cunhado picareta. Outro lado do cunhado picareta é que, enfim, quanto a nossa irmã argentina Argentina tiver casada com ele, a gente tem que pelo menos fingir que tolera esse negócio, né, cara? Porque o Brasil e Argentina são economias inseparáveis. O nível de entrelaçamento das duas economias é gigante, o nível de entrelaçamento estratégico dos dois países é gigante.

Então assim, não tem como a gente ter uma briga, um rompimento com a Argentina, nem eles terem um rompimento com a gente. A gente pode brigar no futebol, mas assim, é triste que um país que tem esse nível de relação com a gente, enfim, tem uma liderança que se sujeita a botar tudo isso em risco para puxar o saco de uma superpotência.

ACAna Clara Costa

Quando Celso fala que ele é o cunhado picareta, ele é picareta, mas ele é espertalhão também. Porque o que que acontece? No acordo de livre comércio que ele fechou com os Estados Unidos, fala sobre não fazer mais comércio com a China, né? Que é isso que os Estados Unidos querem no fim, né? Que os países aliados não façam comércio com a China. E o Milei assinou esse bilhete, né? Só que na prática aconteceu o contrário, porque com essa ultraliberalização da economia, a China aumentou a participação dela na economia argentina.

E aí, para o Milei maquiar esse fato, ele intensifica também o discurso anti-Lula, anti-Brasil, para mostrar que ele tá junto. Porque na prática, se algum americano for pegar a balança comercial da Argentina e ver os números, vai se dar conta que o acordo não tá sendo cumprido à risca, conforme prometido.

CRCelso Rocha de Barros

Que Quem diria, né, que o Milei ia passar alguém para trás.

ACAna Clara Costa

Pois é. E aí o Lula fez uma ligação para o Xi Jinping nesse fim de semana, exatamente no dia seguinte à vinda do Milei na convenção do PL, né? Essa ligação que o Lula fez já tava combinada desde quinta-feira, e é uma ligação que para o Xi era segunda-feira de manhã, né? Por isso que foi domingo à noite. Obviamente no âmbito dos ataques, das novas tarifas dos Estados Unidos. Obviamente foi uma tentativa do Lula de demonstrar força ao conversar com o Xi.

Só que veio a calhar essa ligação também no domingo, porque foi no dia seguinte a palhaçada do Milei, sendo que o Milei tá até o pescoço comprometido com a China, né? Então tem a variável China também para o recuo do governo Milei depois dessa visitinha. Então assim, a gente não pode esquecer que tem esse problemita que ele precisa resolver ali com a China.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bom. Com isso encerramos o primeiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo e na volta vamos falar do Cleitinho, vamos falar na eleição em alguns estados. Cleitito, Cleitito, inacreditavelmente não se sabe ainda quem serão os candidatos em Minas Gerais. Já voltamos.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

FDFernando de Barros e Silva

See terms. Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos começar com você. A gente antecipou que em Minas a coisa tava complexa, né? Mas não imaginei que o negócio fosse chegar a esses patamares sucupirianos. Não sabemos nada, não sabemos nem se o favorito nas pesquisas será candidato ao governo. Tudo pode acontecer.

CRCelso Rocha de Barros

É isso mesmo, Fernando. Eu pessoalmente nunca tinha visto isso, o que o Cleitinho tá fazendo nessa eleição. Eu nunca tinha visto. Já teve vários casos, por exemplo, desses candidatos de fôlego curto, né, tipo Russomano ou Datena, que aparecem liderando pesquisa depois desiste. Sim, mas o Cleitinho já tava num estágio bem mais avançado que isso para ser candidato, já tava com uma vantagem nas pesquisas muito boa, era o candidato favorito para apoiar o Flávio, quer dizer.

E a coisa realmente parece ter desandado nessa semana. A direção do partido dele, o Republicanos, soltou um comunicado dizendo que, olha só, não dá mais para esperar. O Cleitinho nem foi na convenção do partido, fica enrolando os cara com esse papo, você não, você, você não, você Então eles resolveram que não vão apoiar o Cleitinho para candidato. Aí você vai dizer, bom, então é isso. Não, não é isso, porque o Cleitinho, que não dizia se era candidato ou não direito antes de dizerem que ele não é— se você está confuso, ouvinte, você tem razão de estar confuso, é assim mesmo, é para ficar, né?

Então enquanto todo mundo queria que ele fosse, ele não dizia que era. Agora que disseram que ele não pode, ele resolveu que é e declarou que vai tentar sensibilizar o partido a voltar atrás e apoiar ele na sua candidatura ao governo do estado, que agora que ele descobriu.

FDFernando de Barros e Silva

Quarta-feira, né, ele convocou uma coletiva de improviso com correligionários ali, fez um discurso todo emocionado e indignado, etc., fez um teatro ali para dizer que é candidato, né, para desautorizar a decisão do partido de ter rifado ele.

CRCelso Rocha de Barros

O pessoal de Minas disse que ele já mudou de opinião algumas vezes ao longo de um mesmo dia, que de manhã ele falou para um cara que era, depois de falou que não era, depois de noite voltou a ser. Então o negócio parece ter sido meio estranho mesmo.

FDFernando de Barros e Silva

Perto dele, o Jânio Quadros é sólido, uma espécie de Parmênides da política, né? O ser é e o não ser não é.

CRCelso Rocha de Barros

Todo mundo lembrou do Jânio, exatamente. E assim, não é só uma questão de temperamento, tem vários aspectos que as pessoas estão especulando que poderiam estar levando ele a essa dúvida. Uma delas é o seguinte: apesar da reputação do Zema de grande gestor, blá blá blá blá blá blá, Minas Gerais tem uma dívida muito grande. Então o próximo governador vai ter que fazer ajustes impopulares. E aí, se o Cleitinho entra para fazer isso, ele perde a sua posição de atiradeira e passa a ser vidraça, né?

Ele perde esse charme que ele tem, que é o que elege ele, né, de ser o cara franco-atirador, o cara antissistema, essa coisa toda. Então ele tá na dúvida se já é hora dele virar vidraça, entendeu? Um pouco como o Nicolas também por enquanto só quer ser atiradeira, né? Então eu tenho essa dúvida se ele tá a fim de assumir essa bronca que é suceder o Zema no governo de Minas Gerais. A outra possibilidade que todo mundo acha, e aí que a comparação com Jânio entra, que todo mundo acha que o Jânio fez aquela palhaçada toda de renúncia achando que ia voltar nos braços do povo, né?

Não, não renuncia não, a gente faz o que você quiser. E ninguém fez nada que ele queria. Sim, parece estar acontecendo agora também. Parece que ele queria atrasar o negócio todo para as pessoas fazerem o que ele queria, né? E aí uma hora o pessoal encheu o saco e fez suas próprias articulações lá. Ainda é possível que o Cleitinho seja candidato até o dia que fecha as candidaturas. Pode ser que ele ainda seja candidato, ninguém sabe.

Agora, por enquanto, o partido dele tá próximo do candidato Marcelo Haro, do PP. O Marcelo Haro tava mais cotado antes para se candidatar ao Senado. Quem é o Marcelo Haro? Marcelo Haro é um cunha Monroi é um daqueles caras formados pelo Eduardo Cunha quando era presidente do Congresso, daqueles caras formados não apenas no sentido de ser um aliado dele, mas um cara que aprendeu política com o Eduardo Cunha e foi inclusive o patrono da mudança do Cunha para Minas Gerais, inclusive em nome do estado do Rio de Janeiro.

Quero deixar aqui meu pedido de desculpa para o pessoal de Minas Gerais, entendeu, por ter mandado esse negócio para vocês. Então por aí você já vai vendo que o Marcelo Haro, digamos assim, dificilmente tem chance de se projetar como um ícone da ética na política, certo? Não tô dizendo que seja impossível, quem sou eu para acusar alguém, mas haveriam alguns problemas de credibilidade se ele tentasse basear sua campanha como jamais me envolvi com nada.

O Aro também é famoso que ele já apoiou o Kalil, já apoiou o Zema, já apoiou todo mundo que ele arrumasse uma boquinha, também mostrando fidelidade ao seu professor Eduardo Cunha, e traiu todo mundo novamente mostrando fidelidade ao seu professor Eduardo Cunha. Então assim, a situação atual da eleição de Minas Gerais, por incrível que pareça, tá mais confusa do que tava quando a gente fez o nosso bloco sobre Minas Gerais aqui, que já deixou um monte de gente assustado.

FDFernando de Barros e Silva

Exatamente.

CRCelso Rocha de Barros

Por outro lado, é provável que agora se consolide, porque a grande dúvida era realmente se o Cleitinho ia ser candidato, né? E aí ficava aquela incerteza toda. Se ele de fato sair o mais provável é que esses outros candidatos gravitem para alianças mais ou menos consistentes ideologicamente, né? Então alguns vão para o lado do Calil, outro lado Patrícia Ananias. Atualmente a direita tá com dois, que seria o Marcelo Haro e o Mateus Simões, o atual governador, que era o vice do Zema, que é do partido do Kassab.

Exato. O Simões é aquele que o Flávio Bolsonaro foi pego anotando num papelzinho que o Mateus Simões puxava ele para baixo, né?

FDFernando de Barros e Silva

Exatamente.

CRCelso Rocha de Barros

Mas é que assim, bem ou como é em toda eleição para governador, a gente tem que lembrar disso, o Matheus Simões tem a máquina, né? Então enfim, alguma capacidade de competir ele deve demonstrar, né, ao longo dessa campanha. Mas ele e o Aro agora começaram uma guerra. Matheus Simões já deu depoimento aí criticando o Marcelo Aro, dizendo, pô, o Zema que recebeu esse cara, ele tava, tinha perdido a eleição, tava super mal, a gente acolheu o cara, o cara ficou aqui parasitando e agora sai com esse negócio xingando Olha só, Matheus Simões, que surpresa!

Você pegou o aluno do Eduardo Cunha e ficou chocado que o cara traiu você. Olha só, ficou mais confuso, mas ao mesmo tempo as perspectivas disso ficar mais claro nas próximas semanas são maiores, porque deve reduzir esse número de candidaturas, deve ter um jogo de coalizões daqui em diante.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bem. Ana Clara, você está olhando o seu computador, tomando notas. Eu sei que você tem um monte de apuração sobre esse furdúncio mineiro. Explica para gente.

ACAna Clara Costa

Bom, o Cleitinho é um cara que, enfim, a gente já sabe, né, não é um político tradicional, é um outsider. Ou seja, a lealdade dele aos republicanos era mínima, né?

FDFernando de Barros e Silva

Esse perfil de político já tá virando tradicional também, né? O outsider já tá incorporado à política brasileira, né?

ACAna Clara Costa

Exato, exato.

CRCelso Rocha de Barros

É meio paradoxal isso, né?

ACAna Clara Costa

O outsider ser uma coisa, é, mas tá acontecendo E aí ele queria postergar a decisão dele sobre ser candidato ou não para o último minuto, justamente para conseguir capitalizar melhor essa candidatura sem ter que ceder tanto para o PL, sem ter que ceder tanto para o PP, sem ter que ceder para os partidos que possivelmente o apoiariam, né? E até para o próprio Republicanos, né, um partido com o qual ele não tem afinidade partidária, né?

E o Marcos Pereira, que é presidente do Republicanos, é um político ultra tradicional, né, assim, um dos mais hábeis ali do Então era esse o retrato. Só que daí o Cleitinho tomou uma rasteira porque o Republicanos queria uma solução para Minas, e aí a solução se deu pelo Marcelo Haro. Quem supor que talvez tenha sido Eduardo Cunha que costurou essa solução não vai estar errando muito, né? O Marcelo Haro soa como uma solução viável porque, diferente do Cleitinho, ele é um político tradicional, tradicionalíssimo, inclusive no que há de pior, no cumprimento de acordos, sejam eles quais forem.

Ele é um cara de bastidor, não é um cara popular, não é um cara carismático, mas é um cara que funciona muito no bastidor. E houve essa costura que deu uma rasteira no Mateus Simões, que era chefe do Marcelo Haro no governo, né? Era o governador em exercício e o Marcelo Haro era secretário dele. Então eles fizeram essa articulação por trás Mas o PL tem dito que só ficou sabendo depois, que preferia o Cleitinho. Mas até aí, o que o Valdemar disse se escreve? Não sei.

FDFernando de Barros e Silva

Não, eu sei, não se escreve.

ACAna Clara Costa

Pois é. Agora, o Marcelo Haro tem, assim, um telhado de vidro considerável, né, pra pouca idade que ele tem, né. Na imprensa mineira saíram notas, reportagens de ontem pra hoje falando de envolvimento dele com o Master. De envolvimento dele em operações espúrias na Semig, né, que foi a operação que o Zema inclusive conduziu ali para vender a estatal. Então os candidatos vão ter ali muito material para trabalhar contra esse Marcelo Haro.

A questão é que nenhum candidato de Minas se sobressai muito, né. Você vai ver o Kalil, ele tem algum eleitorado fiel, mas ele também tem muita gente que não gosta dele. O Patrusso é do PT, que tem uma rejeição em Minas, exceto Lula, né? O partido tem essa rejeição. O Mateus Simões é um governador sem nenhum tipo de carisma, nem brilho, nem fez um governo que marcou em nada. O Gabriel Azevedo, que tá pelo MDB, que a gente falou alguns programas atrás, é o mais neutro, digamos, de todos, mas nunca teve um cargo majoritário, né?

Ele foi vereador, Então Minas tá complicado, o direcionamento em Minas, né, assim, para onde a coisa tá indo ainda não dá para ver. E isso é preocupante tanto para o Lula quanto para o Flávio, porque Minas vai ser fundamental, até mais fundamental nessa eleição do que foi na eleição passada, principalmente para o Lula, porque há problemas em São Paulo, há problemas na Bahia, há problemas no Nordeste de uma forma geral, segundo as últimas pesquisas que têm saído, né.

O Lula obviamente nos estados do Nordeste vai ter uma vitória, não vai perder em nenhum estado, muito pelo contrário. Mas o percentual vem diminuindo ao longo das eleições, né? E sobretudo na Bahia, pela última Quest, é possível que ele perca mais de 1 ponto percentual, se a Quest estiver correta. São Paulo, o PT conta muito com a Simone Tebet e a Marina, além do Haddad, claro, mas sobretudo a Simone Tebet e a Marina com o voto feminino para trazer voto para o Lula, sobretudo no interior de São Paulo, em que o bolsonarismo é muito forte.

Mas a gente não sabe ainda até que ponto a região metropolitana de São Paulo, que foi tão importante para a vitória do Lula em 2022, tá fechada com ele de novo nessa eleição, porque muita coisa aconteceu em São Paulo nos últimos 4 anos. E uma dessas coisas que aconteceram em São Paulo tem o nome de Pablo Marçal. Que justamente teve uma votação expressiva na região metropolitana que votou no Lula. Então isso é uma incógnita. Então Minas e Rio de Janeiro, que são colégios eleitorais importantes, vão ter um papel fundamental nesse aspecto.

E a gente já falou isso milhares de vezes, você ter um palanque em Minas é importantíssimo para o Lula nesse momento. Pela Quest, a situação para o Lula estaria melhor hoje do que em 2022. Em Minas ele teria uma vantagem maior. E eu ouvi isso também conversando com políticos e com outras pessoas, que a expectativa é de que Minas funcione melhor para ele nesse governo. E Rio de Janeiro, com o palanque do Eduardo Paes, também a perspectiva é de que ele melhore consideravelmente no estado.

Tanto que a Quest prevê 48% dos votos para o Lula hoje, né, na pesquisa dessa semana, contra 43,5% na eleição de 2022. Ou seja, é um crescimento expressivo. E como Minas é o cenário mais confuso e também, né, um dos mais importantes, todas as atenções estão naquele momento para Minas, né? No caso de São Paulo, a campanha do Lula, a campanha do Haddad, eles estão contando com Tarcísio não tão alinhado com Flávio. E se o Tarcísio ganhar no primeiro turno em São Paulo, a expectativa é que ele não faça uma campanha tão, digamos, animada para o Flávio no segundo turno.

CRCelso Rocha de Barros

Até porque se o Flávio ganhar, o Tarcísio não é candidato em 2030.

ACAna Clara Costa

Exato, tem isso. Então o papel do Tarcísio ali vai ser meio coringa nessa eleição, independentemente do Haddad, né? Agora, um dos estados que vai ser interessante a gente observar é Pernambuco, que tem a Raquel Lira e o João Campos bem divididos ali, com a Raquel Lira recentemente ultrapassando ele na pesquisa de intenção de voto. O Lula foi para lá, para convenção do PSB, para apoiar o João Campos. Lembrando que o Lula teve uma amizade histórica com o pai dele, Eduardo Campos.

Foi um dos governadores com quem ele mais se entendeu quando ele foi presidente. E o Eduardo Campos foi extremamente leal a ele na época do Mensalão e as crises daquela época. Então assim, o apoio do Lula para o João Campos, ele é mais do que um apoio pragmático. Ele realmente quer E vai ser complicado ali uma briga entre os dois, porque o João Campos vai ter que modular as críticas à Raquel, que é uma governadora mulher e querida no estado, né?

Ela não é detestada no estado. E a Raquel vai ter que modular as críticas ao adversário João Campos, porque ele tem o apoio do Lula e muitos eleitores dela votam no Lula, né? Então vai ser uma campanha que vai ter que ser um pouco mais civilizada do que a média. Então eu acho que isso vai ser interessante observar.

FDFernando de Barros e Silva

A Kell Lyra, que era tucana e foi para o partido do Kassab também.

ACAna Clara Costa

Exato. Lembra quando a gente falou nos programas passados do fator constrangimento? O fator constrangimento de Pernambuco é que o Luciano Bivar, que presidia o PSL quando Bolsonaro se filiou em 2018, vai ser suplente do Humberto Costa para o Senado na eleição desse ano.

CRCelso Rocha de Barros

Esse é um constrangimento.

ACAna Clara Costa

Ele tá coligado e defendendo o Lula, Luciano Bivar, é parte da coalizão petista em Pernambuco. Durmam com essa.

CRCelso Rocha de Barros

Esse é violento.

FDFernando de Barros e Silva

Quando se fala naquele clichê da geleia geral brasileira, tá aí materializada a geleia geral brasileira, né? Não é fácil não. Bom, nós encerramos então o segundo bloco do programa. Vamos para um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar do paradoxo de Ratinho. É isso, vamos falar do Paraná. Tem notícia lá. Já voltamos.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

FDFernando de Barros e Silva

See terms. Muito bem, estamos de volta. Vamos falar do Paraná. Ratinho Júnior, aquele que seria o candidato à presidência da República, que desertou em cima da hora por razões ainda a serem esclarecidas, continua sendo um governador com alta aprovação. A pesquisa da Quest mostra que mais de 60% dos eleitores acham que ele merece fazer o sucessor. No entanto, o candidato dele, o Sandro Alex, se fosse um cavalinho do Fantástico, estaria lá atrás lutando para não cair, né, Celso?

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

FDFernando de Barros e Silva

Quem tá liderando a pesquisa é o Marreco, que agora tá no PL, Sérgio Moro, 40% no primeiro turno, né? Requião, filho do ex-governador Roberto Requião, que tá no PDT, é o líder da oposição apoiado pelo Lula. E o Rafael Greca, que tá no MDB. Enfim, Ana, você tem apuração sobre a situação do Paraná. O Moro segue como franco favorito a virar governador, certo?

ACAna Clara Costa

Sim, Franco favorito. Bom, o que acontece no Paraná é um problema de soberba do Ratinho Júnior. Ratinhos também sofrem de soberba. Ele ia pedir desculpas, nomezinho tão humilde, porque o Ratinho Júnior, dada a alta popularidade dele, ele achava que qualquer um que ele colocasse ali ele ia resolver. E lembrando que ele chegou a ser convidado pelo Rogério Marinho para ser vice do Flávio. Em dado momento da pré-campanha e não aceitou, porque ou ele seria ele o candidato ou nada, né? Então ele não topou.

FDFernando de Barros e Silva

É, isso seria amarrar o Kassab à candidatura do Flávio, né?

ACAna Clara Costa

Exato. Mas nunca isso se mostrou algo vantajoso para o Kassab, né? Em nenhum momento.

FDFernando de Barros e Silva

Exato.

ACAna Clara Costa

Até por isso não aconteceu. Mas enfim, foi naquele momento em que o Rogério Marinho filiou o O problema é que quando o Ratinho Júnior decide não concorrer, por razões ainda que não são de nosso conhecimento, à presidência da República, ele não tinha um candidato para colocar no seu lugar. Ele não fez uma sucessão. O Ratinho queria alguém um pouco mais dele do que o Greca, né? Ele não queria fazer parte de uma coligação do Greca.

Ele não tinha um nome, ele não fez sucessor. E o Sandro Alex é um cara que não anima nem jogo de ping-pong, entendeu? Ainda a mesma história do Mateus Simões em Minas, né? Não é um cara carismático, as pessoas não conhecem ele, ele sempre foi um cara meio da máquina, né? Mas o Ratinho, ele tá jurando que ele vai conseguir burlar essa falta de carisma do Sandro Alex com os acordos com os prefeitos, porque os prefeitos estão todos na mão dele.

Ocorre que Sérgio Moro é muito popular no interior do Paraná. Então, ainda que os prefeitos fechem com o Ratinho, isso não significa que a população vai fechar, ainda mais diante de um cidadão como Sandro Alex que não consegue empolgar. E o que mais me impressiona do paranaense é que ele é capaz de coisas inimagináveis, né? O repórter Felipe Aníbal escreveu para a Piauí uma reportagem no início desse mês acompanhando o Moro na pré-campanha dele lá dentro do Paraná, e ele flagrou uma situação que até teve uma certa repercussão local, mas que eu, por exemplo, não tinha visto até ler essa matéria do Felipe Aníbal, que é o seguinte: o Moro foi fazer campanha em Paranaguá, né, a cidade do Porto de Paranaguá, e ele foi questionado por uma repórter sobre os paranaguaras.

Quem são os paranaguaras? Os habitantes de Paranaguá, eles são chamados de paranaguaras. E a repórter local fez a pergunta óbvia: o que que o senhor tem a dizer para os paranaguaras e tal? O Moro não sabia o que era paranaguara. E perguntou para ela se Paranaguara era uma população indígena de lá. Eita, na verdade ele indagou, né? Paranaguara é a população indígena? E disse: ora, tem que preservar os direitos da população indígena, mas preservar esses direitos não deve ser empecilho também ao crescimento econômico.

Olha só, aí ele ouviu da repórter que Paranaguara era o nome do habitante. Então assim, ele não sabia o gentílico de Paranaguara. Que é uma das maiores cidades do estado que ele pleiteia governar. Eu achei muito emblemática essa cena que o Felipe Aníbal descreve, porque ela é o Moro, né?

FDFernando de Barros e Silva

Ela é o Moro. Isso é um pouco a diferença entre o Moro e o Bolsonaro também. O Bolsonaro não sabe quem são nossos irmãos pararaguaras, né? Que tristeza. O Moro é aquele fascismo casmurro, né? Daria uma boa dupla cômica ele e o Milei. Ele é um pouco avesso do Milei, dois patetas, um histriônico e outro melancólico. Daria uma boa dupla de ficção.

CRCelso Rocha de Barros

É foda.

ACAna Clara Costa

E ele foi juiz, ele nasceu no interior do Paraná, ele morou em vários lugares do Paraná, né? E assim, você não saber uma informação básica como essa, você fica imaginando esse cara no governo, né? O Moro é um cara que tem se mostrado fiel a algumas coisas, uma delas é ao Bolsonaro, né? Assim, eu acho que do momento em que ele aceitou ir para o governo Bolsonaro ainda em 2018 até hoje ocupando essa posição, depois de ter sido humilhado e bypassado e atacado pelo Bolsonaro e pelo bolsonarismo, ele se mostra um cara dos mais bolsonaristas fiéis hoje.

FDFernando de Barros e Silva

Sim, eu achava estranho sempre o até pela sua falta de qualidade, que não sobrasse alguma coisa dessa debacle brasileira para ele, porque ele só levou rasteira desde que ele virou ministro. Ele só empilhou vexames. Ele realmente, ele é um caso triste. E eu acho que ele representa algo realmente nessa nova economia política brasileira, assim. Ele, na minha opinião, não com meu voto, se eu fosse do Paraná, né, claro, mas ele vai virar governador.

É muito difícil que ele não vire governador. Eu não pensei que ele fosse tão ruim de serviço, na verdade, como ele acabou se mostrando ao longo do tempo.

ACAna Clara Costa

Eu acho que só a gente não pode desconsiderar a capacidade do Paraná de fazer loucuras quando a gente lembra que em 2024 a Cristina Gremling, que é uma jornalista que eu não sei se eu falei o nome dela corretamente, vocês me perdoem, que era comentarista da Jovem concorreu à prefeitura de Curitiba e quase ganhou, né?

CRCelso Rocha de Barros

Então assim, eu lembro que só a Ana dizia que isso era possível. Eu lembro disso.

FDFernando de Barros e Silva

Eu não tô subestimando a capacidade do Paraná de fazer loucuras. Isso não é exclusivo do Paraná, está espalhado pelo Brasil inteiro. O Moro já foi considerado um grande enxadrista da política brasileira.

CRCelso Rocha de Barros

Cara, só eu moro no Rio, quem sou eu para falar dos outros?

FDFernando de Barros e Silva

Exato, né? Aí São Paulo Paulo Marçal, Jânio Quadros, temos aqui, enfim, para não falar daquela direita convencional, Maluf e tal, da direita sólida. Vamos lá, Celso, vamos falar um pouco do Paraná, continuar falando do Paraná.

CRCelso Rocha de Barros

Então, essa chapa da direita no Paraná esse ano, para mim, é a síntese de tudo que tem de errado com a direita brasileira, que ela é cheia de golpe, cheia de banco master, com um cara metido a paladino da ética tava passando pano para todo mundo. Então você tem o Flávio Bolsonaro como candidato a presidente, que é golpista, comprovadamente golpista, sobre isso não resta dúvida, e tá no meio do escândalo do Banco Master. O candidato ao Senado é o meu amigo, tantas vezes citado nesse programa, o Felipe Barros, que pediu golpe no Congresso Nacional no dia 30 de novembro de 2022 e apresentou projeto para aumentar o limite do FGC para salvar o Banco aposta.

Aqui cabe um parênteses: o blog da Malu Gaspar, algum tempo atrás, fez uma apuração dizendo que quando o Felipe Barros entrou de presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara, substituindo o Eduardo Bolsonaro, o Eduardo Bolsonaro na época chegou a postar: vocês acham que minha influência acabou sobre a comissão? Vocês estão muito enganados. Ou seja, ele disse para todo mundo que o Felipe Barros ia fazer o que ele, Eduardo Bolsonaro, mandasse.

E o blog da Malu também apurou que o Felipe Barros usou a comissão para fazer intimidação contra todas as autoridades que investigavam o Banco Master. O Felipe Barros jura que não recebeu um centavo, diz que abre o sigilo bancário dele, não ganhei nada do Master. O que abre para a gente a possibilidade de, na verdade, ter sido o Eduardo Bolsonaro que tentou salvar o Banco Master usando o Felipe Barros. O que também estaria relacionado ao fato que esse dinheiro todo de Dark Horse passou pelos Estados Unidos por motivos insondáveis. Fecho parênteses.

FDFernando de Barros e Silva

Você acho que foi dos primeiros a cantar esse caminho aí?

CRCelso Rocha de Barros

Desde o começo começou a ter notícia que a Polícia Federal tava de olho nisso, né?

FDFernando de Barros e Silva

Você tava ali com a Polícia Federal.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente. Então assim, por um lado eu acho deprimente o Moro, que de fato inspirou um monte de esperança sincera nos brasileiros, né, cara? Assim, 2018, se ele fosse candidato a presidente, todo voto que não fosse do PT seria do Moro. Ele era de longe o brasileiro mais popular durante uns 2 ou 3 anos. Durante um ano e meio, mais ou menos, até o impeachment, o Brasil foi meio governado ali de Curitiba, né, cara? Ficava todo mundo esperando para ver o que que a vara de Curitiba ia fazer, quem que ia prender, quem que ia denunciar.

Quem denunciava caía na hora, não tinha nenhum benefício da dúvida nem nada. Aliás, muitos casos não era para ter mesmo. Enfim, e agora o cara terminar assim, né, cara, passando pano para esses caras aqui Ele e o Dallagnol, que é candidato ao Senado também lá.

ACAna Clara Costa

E a Cristina Grêmio também, eu vi que é pré-candidata ao Senado também.

CRCelso Rocha de Barros

É pré-candidata ao Senado ali, forte, tá animado.

FDFernando de Barros e Silva

Não é nem terminar fazendo isso, né, Celso? Ele não parou de fazer isso desde—

CRCelso Rocha de Barros

Pois é, mas aí tem um rápido intervalo assim, quando ele tentou ser candidato ao presidente. É fácil achar ele e o Dallagnol criticando o Bolsonaro por fazer aliança com Centrão.

FDFernando de Barros e Silva

Entendeu?

CRCelso Rocha de Barros

Sim, isso é procurar, você acha. Aí quando ele viu que não ia ser candidato a presidente, a minha impressão é que os dois partiram no princípio assim: a gente avacalhou na sua carreira jurídica, a gente agora é político e a gente é ruim, a gente não sabe fazer isso. Então a gente vai grudar no Bolsonaro, que é um cara que tem muito voto com o pessoal que gosta da gente, que é o pessoal que é contra o PT. A gente vai grudar no Bolsonaro e fazer o que ele mandar.

Então Dallagnol também tá nessa. Quando o Zema criticou o Flávio pelo escândalo Dark Horse, concurso, mérito do Zema inclusive. O Dallagnol foi lá reclamar dizendo que o Partido Novo, né, ao qual pertence tanto Dallagnol quanto Zema, não devia se precipitar sobre isso, que o Flávio tá dando explicações, não sei o que lá. Olha quem vira garantista numa hora dessa, né? Veja só, eu acho muito melancólico isso, cara. Onde é que terminaram Sérgio Moro e Dallagnol?

E não terminaram, né? Porque o Moro tem chances razoáveis de ser direito. Embora eu acho que aqui a gente tem que ter uma certa cautela, porque governador popular com máquina não pode ser descartado. Então o candidato do Ratinho Júnior ainda não pode ser descartado. A gente já viu em Pernambuco, por exemplo, a Raquel Lira na pesquisa recente ultrapassando João Campos, que também mostra que assim, o governador tá podendo distribuir bondades para os prefeitos do interior, né, entendeu?

ACAna Clara Costa

A oposição, ele tá contando com isso, né?

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente. Então o Ratinho Júnior certamente vai fazer isso maciçamente agora importante. Não dá para cravar que o Moro vai ganhar, mas tem chances bastante grandes. O Dallagnol tá mais enrolado porque a pesquisa para o Senado tá o Álvaro Dias, aquele ex-governador do Paraná, que aliás foi governador há muito tempo atrás, se não me engano 87, alguma coisa assim, em primeiro lugar com certa vantagem. Aí depois tem todo um pelotão ali no 11, 10, 9, 8, até a Gleisi Hoffmann tá nesse pelotão.

Inclusive a Cristina Grêmio, que é ex-comentarista da Jovem Pan, tá um pouco atrás ali com 5%, mais ou menos, dependendo do Mas assim, a gente é sempre bom lembrar da eleição do Senado desse ano, hein, gente. São duas vagas. A dinâmica da eleição de duas vagas é bem diferente, bem diferente.

FDFernando de Barros e Silva

E as pesquisas para Senado geralmente são muito distantes do resultado final, né?

CRCelso Rocha de Barros

Não tem como fazer essa conta. Exato, é muito complicado. Teria que fazer algum cientista político fazer um modelo, sei lá. Eu conheço muitos analistas que dizem que isso aconteceu com a Dilma quando ela foi candidata ao Senado. Ela teve bastante voto, voto, mas o segundo voto da Dilma era para algum dos rivais dela. Sim. Então aí você perde. Então assim, você pode estar liderando a pesquisa, mas se o segundo voto do seu eleitor for para o cara que tá concorrendo contra você e o segundo voto do seu rival não for para você, você vai perder.

Então assim, é muito arriscado, mesmo com as melhores pesquisas na mão, você cravar quem vai ganhar para o Senado. Essa aqui do Paraná eu acho completamente impossível cravar quem vai ganhar.

ACAna Clara Costa

Agora, o Moro, se ele perder, ele volta a ser senador, né?

FDFernando de Barros e Silva

Ele volta a ser senador, é Eu tava pensando aqui a respeito do Moro, idiossincrasia minha, não é esse problema dele, é claro, mas o Moro ele é completamente desprovido de humor. Para mim, a pessoa desprovida de humor já tem uma, já sai lá, isso dá a impressão mesmo, né? Você nunca viu ele rindo, ele é incapaz de entender uma piada, fazer uma piada, enfim, ele não tem essa dimensão humana na personalidade dele que o Bolsonaro tem, por exemplo, né?

CRCelso Rocha de Barros

Bolsonaro é o cara palhaço, o cara É, não só involuntariamente engraçado, mas também não que ele seja melhor que o Moro.

FDFernando de Barros e Silva

Ele é horrível em outro sentido, mas é pior que o Moro.

CRCelso Rocha de Barros

Mas ele tem esse lado.

FDFernando de Barros e Silva

Eu também não iria tão longe dizer que ele é pior que o Moro. Moro não teve chance de ser.

CRCelso Rocha de Barros

Ah, ele é pior que todo mundo, gente. Bolsonaro tem que ser comparado não com outros presidentes, mas assim, com a peste negra, com a epidemia de COVID, com, entendeu, o aquecimento global, entendeu, com as coisas assim.

FDFernando de Barros e Silva

Tá certo, aí você tá certo. Tá certo. Bom, a gente encerra o terceiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta, vingança da marifaria, Kinder Ovo. Já voltamos.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

FDFernando de Barros e Silva

See terms. Muito bem, estamos de volta. Mari Faria, pode soltar aí o Kinder Ovo.

CRCelso Rocha de Barros

O meu maior propósito é incomodar os maus, os bandidos e aqueles que, como Grace Hoffman, ficam com o cabelo. Deltan Dallagnol no Senado Federal.

ACAna Clara Costa

Ah, tá tudo na pauta do dia.

FDFernando de Barros e Silva

Ó, a idade já tá me prejudicando, minha audição, a distância também, eu, sinal da internet Então realmente é uma competição desleal essa, muito desleal.

ACAna Clara Costa

Ó o VAR, ó o VAR, chamar um VAR.

FDFernando de Barros e Silva

Casca de Bala empilhando vitórias. Essa é da sua, da sua, essa era direto, né, cara? Especialidade do Casca aqui. O pré-candidato ao Senado pelo Paraná, pelo Partido Novo, Deltan Dallagnol, entrevista à Gazeta do Povo. Muito bem, encerramos assim o Kinder Ovo. Vamos direto para as cartinhas, para o Correio Elegante, momento de vocês, o melhor momento do programa. E eu começo aqui com a mensagem do Marcelo Borba Borges: Celso e Fernando chocados com o fato de Dudu Bananinha e Flávio serem formados em Direito, mas lembrem que Brás Cubas já cantou essa pedra no século Abre aspas: cheguei à conclusão de que o direito não devia ser coisa muito séria, uma vez que eu podia ser um doutor nesse assunto. Fecha aspas.

ACAna Clara Costa

Oi, pessoal, dessa vez um adendo da diretora do programa que seleciona essas cartas. Na verdade, uma correção ao ouvinte. Ficamos sabendo que não se trata de um trecho de memórias póstumas, mas de um trecho de uma adaptação cinematográfica de palavras póstumas. Tava bom demais para ser verdade, né? De todo modo, valeu a piada. Um beijo. O Leandro Rios escreveu: o guia de observação de aves tem a habilidade de ouvir e identificar a vocalização das aves.

Já o Celso é craque em identificar os piores nomes da política no Kinder Ovo. Bora passarinhar, Celso, e canalizar seu talento para algo mais prazeroso.

CRCelso Rocha de Barros

Ah, isso é maravilhoso, eu achei sensacional, mas infelizmente Realmente cada um tem seu talento na vida e o meu é essa coisa.

ACAna Clara Costa

Eu adoraria esse negócio de observar.

CRCelso Rocha de Barros

Bom é você, Leandro, que sabe identificar os pássaros.

FDFernando de Barros e Silva

Leandro, você tá vendo que ele gosta desse negócio de ganhar Kinder Ovo, né, Leandro? Você tá vendo.

CRCelso Rocha de Barros

Sobre a ouvinte que semana passada contou que conheceu um ouvinte do forno no aplicativo, isso vai ser bom, gente. A Nádia Barbosa comentou: imagina a pressão do ouvinte que conheceu a moça por aplicativo. Esse reconheceu no comentário que ela enviou. O pobre homem deve estar tenso com a bancada querendo uma avaliação pública. Moço, se você ler meu comentário, sou psicóloga. Bora marcar uma sessão para você chegar leve nesse date. Excelente senso de marketing, parabéns, Nádia!

ACAna Clara Costa

O cara vai sair do programa com uma namorada e com uma psicóloga.

CRCelso Rocha de Barros

Pô, só vantagem.

ACAna Clara Costa

Os homens realmente têm sorte.

FDFernando de Barros e Silva

Tá muito bom escorrer elegante, utilidade pública, assuntos variados, resolvemos qualquer problema aqui. É isso então, o que é bom acaba logo, que não é tão bom também acaba. A gente vai encerrando assim o programa de hoje. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify, segue no Apple Podcast, na Amazon Music favorita, na Deezer, e se inscreva no YouTube. E você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí.

Forja Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a Revista Piauí. A coordenação geral é da Paula Escarpim, a direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Éter Rodnitzky, a edição é da Mariana Leão e do Paulo Vítor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes, a finalização e mixagem são do João Jabássi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabássi e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema.

A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana em São Paulo e no Estúdio Rastro do grande Dani J no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana!

ACAna Clara Costa

Tchau, Fernando! Tchau, pessoal!

FDFernando de Barros e Silva

Tchau, Celso!

CRCelso Rocha de Barros

Tchau, Fernando! Tchau, amigos!

FDFernando de Barros e Silva

Até semana É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

A insensatez de Milei, o caos em Minas e o juiz no Paraná | Castnews Index — Castnews Index