Episódios de Foro de Teresina

A crise do Master, o Supremo e a sucessão presidencial

13 de março de 20261h12min
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No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a constelação de crises do caso Master, que continua crescendo e envolve personagens do setor financeiro, da política e do Judiciário. No segundo bloco, o trio aprofunda as implicações do escândalo, tratando dos impactos em outras investigações, como a CPI do INSS. No terceiro bloco, o programa discute como essa crise já se conecta com a sucessão presidencial, o desgaste da imagem do STF nas pesquisas de opinião e os movimentos dos Estados Unidos para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft103

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Assuntos14
  • Salarios Ministros STFAlexandre de Moraes e contato com Vorcaro · Mensagens de WhatsApp reveladas · Contrato de 129 milhões com escritório de Viviane Barsi · Dias Toffoli e sócios da Tayaya · Suspeição e afastamento de ministros · Credibilidade do Supremo abalada
  • Investigações e CPI do MasterCPI do Master no Congresso · CPI do Crime Organizado · CPI do INSS · Julgamento da prisão de Vorcaro · Operação da Polícia Federal · Relatórios do COAF
  • Banco MasterPrisão de Daniel Vorcaro · Rombo de 52 bilhões no FGC · Envolvimento de políticos de direita · Fraude em RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social) · Operações da REAG · Desvio de dinheiro de aposentados
  • Relações entre Vorcaro, políticos e o STFPagamentos para ACM Neto · Contatos de Vorcaro com deputados · Mensagens com Rueda e Ciro Nogueira · Envolvimento de membros da Igreja da Lagoinha · Esquema de lavagem via REAG · Relações com assessores de ministros
  • Eleições PresidenciaisConsolidação de Flávio Bolsonaro como candidato · Estratégia de campanha de Flávio · Escolha do marqueteiro Paulo Vasconcelos · Desvencilhamento de Flávio em relação a Bolsonaro · Rejeição de alternativas de direita democrática · Dinâmica Lula vs Flávio
  • Comparação entre envolvimento de direita e esquerdaPredominância de políticos de direita · Diferença com escândalo de empreiteiras · Mantega e lobby pelo Master · Lewandowski e contrato imoral · Atuação do Lula · Desvios de governadores de direita
  • Crise política no São PauloDesgaste da imagem do STF · Empate entre Lula e Flávio Bolsonaro · Narrativa antissistêmica da direita · Percepção de corrupção generalizada · Voto dos eleitores independentes · Impacto na sucessão presidencial
  • Honorários do escritório de Viviane BarsiContrato de 129 milhões em 3 anos · Comparação com honorários de outros escritórios · Serviços de compliance e gestão de crise · Falta de justificativa convincente · Sigilo e divulgação tardia
  • Histórico de tentativas de salvar o MasterEmenda Master de Ciro Nogueira · Projetos de lei para aumentar FGC · Intenção de quebrar o Brasil economicamente · Tentativas de intimidar Banco Central · Tentativa do governo do DF com dinheiro público · Requerimentos de urgência no Congresso
  • Lavagem de DinheiroJoão Carlos Mansur · Envolvimento com PCC · Transações com parlamentares · Operações fora da legalidade · Depoimento na CPI do Crime Organizado · Especialização em RPPS fraudulentos
  • Criminalidade no BrasilClassificação como organizações terroristas · Comando Vermelho e PCC · Ingerência americana no Brasil · Atuação de Darren Beatty no Departamento de Estado · Contatos de bolsonaristas com diplomacia americana · Soberania nacional em risco
  • Dinâmica entre Governo, PGR, PF e STFDesequilíbrio de poderes · Atuação da PGR (Procuradoria-Geral da República) · Investigações da Polícia Federal · Sigilo imposto por André Mendonça · Hackeamento da PGR pelo grupo de Vorcaro · Falta de fiscalização do Congresso
  • Gabinete Crise GovernamentalCódigo de conduta de Fachin · PEC de mandato para ministros do STF · Dissociação do Lula em relação ao Supremo · Diplomacia para frear terrorismo de criminosos · Encontro planejado com Trump · Articulação política no Congresso
  • Evento ao vivo do Foro de TeresinaGravação em Recife · Data 25 de abril · Com plateia · Contexto cultural de Recife
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foram feitos, essas empresas estavam dentre as principais instituições financeiras do país. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda. Oi, Fernando, oi, pessoal. Não tem nada aqui que fuja do governo Bolsonaro no centro do esquema que possibilitou tanto o roubo do INSS quanto o escândalo do Banco

Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí. Mais uma sexta-feira. Mais uma sexta-feira. Mas antes dos assuntos dessa semana, a gente tem uma novidade para vocês. O Foro de Teresina vai passear por aí. Eu sairei de vez em quando da minha choupana e levarei os meus amigos para fazer alguns programas ao vivo pelo país. E a gente vai começar pela querida cidade do Recife.

Recife, dia 25 de abril. Recife da Maria Júlia, nossa produtora. Recife de Manuel Bandeira, de João Cabral de Melo Neto. Recife de quem mais, Celso? Joaquim Nabuco. Chico Sainz. Recife de Kleber Mendonça Filha, claro, e do Agente Secreto. Onde Clarice Lispector viveu 10 anos de sua infância. A gente vai fazer uma edição do programa com plateia, ao vivo. E nas próximas semanas, a gente traz mais informações sobre o local,

o horário e a venda de ingressos. Guardem então a data, dia 25 de abril, e fiquem ligados. A gente quer estar com vocês, Teresiners de Pernambuco. Agora sim, sem mais delongas, aos assuntos da semana. A gente abre o programa pela crise do caso Master, que é uma constelação de crises envolvendo personagens do setor financeiro, da política e do judiciário. A segunda turma do STF começa a julgar hoje, sexta-feira, se mantém ou não a prisão de Daniel Vorcaro.

em São Paulo no último dia 4, por determinação do ministro André Mendonça, e transferido para Brasília. O ministro Dias Toffoli, que é da segunda turma, se declarou suspeito e não vai participar do julgamento. Ex-relator do caso Master, Toffoli, deixou a função em fevereiro, num acordo entre os ministros da corte, que não o declararam formalmente suspeito, apesar da revelação de que ele, Toffoli, era sócio da empresa que vendeu uma parte do resort Tayaya a fundos de investimento ligados a Vorgaro.

de Toffoli desse julgamento sobre a prisão, o destino imediato do pirata da Faria Lima será decidido por quatro ministros. O relator Mendonça, Gilmar Mendes, Cássio Nunes Marques e Luiz Fux. Se der empate, Vorcaro será solto. Toffoli também se declarou suspeito nessa semana para analisar o pedido de instalação de uma CPI na Câmara sobre o Master. O Tayhaya alegou razões de foro íntimo, e eu tenho até aflição de imaginar o que vai pelo foro íntimo de Toffoli, e Cristiano Zanin foi sorteado

para analisar o pedido da CPI. Além do Taiaia, quem continua com o foro íntimo enrolado é Alexandre de Moraes. Na segunda-feira, o escritório de advocacia de Viviane Barsi divulgou uma extensa nota confirmando que foi contratado pelo Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Nota que, sem citar cifras, deveria justificar, entre aspas, o valor escandaloso do contrato, que era de R$ 129 milhões em três anos, conforme sabíamos já há três meses.

Ou mais. O texto, no entanto, pouco explica a respeito do essencial e as dúvidas sobre as relações entre o casal Barsi de Moraes e Daniel Vorcaro seguem intactas. Alexandre de Moraes deve ao país explicação sobre as mensagens de WhatsApp que trocou com o banqueiro no dia em que ele foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. De tudo isso e das notícias sobre a REAG, que a Ana Clara acompanha de perto, a gente vai falar nos dois primeiros blocos.

entre essa crise e a sucessão presidencial. As coisas já estão conectadas, é óbvio. O Supremo será um assunto importante da campanha eleitoral e servirá, como já está servindo, para que a direita bolsonarista alimente o discurso antissistêmico, misturando tudo para deslegitimar as instituições e vender a versão de que a prisão de Jair, o pai golpista do agora candidato a golpista júnior Flávio Bolsonaro, tudo foi uma armação de juízes corruptos ou corrompidos.

A gente vai falar ainda das pesquisas de opinião, que mostram como o desgaste da imagem do Supremo está sendo metabolizado politicamente. E vai falar também da investida do governo norte-americano

para que organizações criminosas no Brasil, como o Comando Vermelho e o PCC, sejam classificadas como terroristas ou narcoterroristas. Se isso ocorrer, o Brasil fica mais vulnerável no tabuleiro de war de Donald Trump. Depois do sequestro de Nicolás Maduro e da escalada militar contra o Irã, o próximo território à sua escolha pode acabar sendo o nosso. O Itamaraty entrou em campo para frear esse movimento.

Estado para a estratégia de segurança desenhada em Washington em ano de eleição presidencial. É isso, vem com a gente. Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. E eu passei a semana inteira curioso para tentar entender o que vai pelas entrelinhas da nota da Viviane Barsi de Moraes, já que nas linhas não entendi muita coisa, ou o que entendi não é suficiente. Explica para a gente.

entendi, mas vamos lá. Depois que as mensagens da semana passada foram reveladas, o ministro Alexandre de Moraes, ele tinha duas opções. Ou ele reconhecia a conexão com o Vorcaro e tentava explicá-la de alguma forma, ou ele podia negar tudo, né? E ele optou pela segunda opção, usando esse argumento de que aquelas mensagens não foram pra ele e como são mensagens instantâneas, elas não estão

Enfim, ele criou uma perícia made in gabinete dele pra dizer que aquelas mensagens não vieram do celular dele, coisa que todos os peritos que foram ouvidos pela imprensa depois disseram que não fazia sentido, né? Eu tô aqui mantado pela notícia de que a gente vai pra Recife e tô pensando que esse mistério é pior do que a perna cabeluda do agente secreto. O mistério das mensagens do Alexandre de Marais.

que não saíram do celular dele, mas a verdade é que as mensagens que foram enviadas para ele batem com aqueles horários daqueles inscritos no bloco de notas e há respostas dele em seguida, né? Enfim, isso aí vai criar toda uma discussão, mas vale lembrar que tanto a Folha quanto o Globo foram ouvir peritos que tiveram acesso ao mesmo material que a imprensa e esses peritos não corroboraram essa justificativa dada por ele.

continuou sem explicar nada, né? Porque se o contato com o Vorcaro era legítimo, eles eram amigos de charuto, sei lá, e tá dentro do escopo do que se espera de um ministro do STF, por que não falar sobre essa relação? Se eles só jogavam pôquer? Não sei. Você pode falar, né? Olha, a gente era amigo de pôquer, jogava pôquer no fim de semana. Você pode falar, mas aí você continua sem explicar nada. E logo o Alexandre de Moraes, que conduziu

o inquérito das fake news, que combateu a desinformação no bolsonarismo, ele usa um argumento pra descredibilizar a polícia quando ele fala que essas mensagens não foram do celular dele e tal, ele acaba jogando uma nuvem de desconfiança sobre o trabalho da investigação, né? Que é uma estratégia que é comum, né? Não é o primeiro a fazer isso. Inclusive, ele foi alvo disso, né? Quando havia o inquérito do golpe. E, de certa forma, isso que ele fez azeita um pouco essa narrativa de que há um complô contra ele,

uma conspiração contra o STF, que a direita tá fazendo uma conspiração contra o STF e tudo mais. E isso até pode colar, eu acho, pra quem tortura os fatos pra fazer caber esses fatos dentro de uma história que a pessoa quer acreditar, né? Mas o fato é que o Alexandre de Moraes é um ser humano. Os seres humanos erram. Ele fez um trabalho exemplar em um caso que ele conduziu e errou, né? Ou dois seres humanos,

Segundo um colunista suspeito também. Dr. Jack. Esse colunista aí, não sei não. Colunista duvidoso, colunista duvidoso. Verdade, dois seres humanos. Bom, enfim, a derrubada do mito não é bem digerida por todo mundo, né? Eu acho que essa explicação que ele deu não explica nada e ela joga ainda mais fumaça onde deveria haver esclarecimento.

da Viviane Barsi, que nunca havia aceitado informar os serviços prestados ao Master, como a gente falou várias vezes aqui, inclusive, diante dessas mensagens, resolveu emitir uma nota contando que serviços foram esses, né? Eles contrataram uma assessoria de gestão de crise e tal, porque realmente, né, fica complicado depois daquelas mensagens, porque havia as mensagens instantâneas trocadas no dia da prisão e haviam as mensagens em que o Vorcaro conta que iria se encontrar

Moraes conta que iria conversar com Alexandre de Moraes. Então, assim, além das mensagens instantâneas, há outras mensagens, né? E só depois que essas mensagens foram expostas é que veio a nota do escritório. Essa nota do escritório veio de charrete, né? A crise veio de foguete e a nota veio de charrete. Ah, devagar, pela estrada. Eu ia falar um negócio, mas o Fernando foi muito mais direto e... Três meses depois chega no burrico a nota. Exato. Não, mas a questão é,

Eles teriam enviado uma nota, se as mensagens tivessem continuado em sigilo, ela iria se explicar? Ela iria explicar o trabalho que foi feito? Não sei, mas a impressão é que dá é que eles só se dispuseram a explicar qualquer coisa, tô falando do escritório especificamente, porque não tinha saída. Fica pra vocês avaliarem como vocês quiserem, né? E aí, assim, a explicação, as 94 reuniões presenciais ou virtuais, 36 pareceres,

de um código de conduta e compliance do banco que claramente não foi colocado em prática. Código este que tem sido revirado pela imprensa nesses últimos dias e há trechos copiados de outros códigos, imagens da internet que são gratuitas, ou seja, a imprensa fica procurando formas de justificar o preço do contrato, né? E foi isso que foi apresentado. Ó, no manual de compliance, não sei se vocês leram, diz que não pode roubar, vocês viram? Não pode subornar autoridades públicas. Se tivessem seguido,

Guido contra o manual de compliance. Bom, só a título de comparação, um relatório de inteligência do COAF sobre o Master ao qual eu tive acesso, mostra que entre outubro de 2024 e julho de 2025, o escritório do Valfrido Vardi, que até pouco tempo atrás era o principal escritório de advocacia do Master e que coordenava inclusive a defesa do Vorcaro, fazia parte da interlocução do Master com o Banco Central, com a CVM, enfim, todos esses órgãos

o Master gostava de atuar, o escritório do Valfrido tem ex-funcionários desses órgãos no seu escritório. Bom, segundo esse relatório, o escritório do Vard recebeu do Master, nesse período de 10 meses, cerca de 40 milhões de reais, o que dá mais ou menos 4 milhões por mês. Um valor muito parecido com o que recebi o escritório da Viviane, segundo o contrato firmado com o Master, de 3,6 milhões por mês.

O mesmo valor que o principal escritório do master, por um trabalho que, enfim, não somos nós a avaliar se o trabalho merecedor desses honorários ou não, mas de fato o trabalho que foi executado pelo escritório dela não parece ser o trabalho prioritário para um escritório de advocacia no caso do master, principalmente porque está bem claro que o banco não tinha qualquer intenção de cumprir regras de compliance. Ainda falando em perspectiva, para a gente ter uma noção do que são honorários, segundo esse relatório de inteligência,

O Master era o principal cliente do Vard. Um outro grande cliente do Vard era a JBS, que pagou nesse mesmo período 2,6 milhões de reais para o escritório do Vard em 10 meses, né? Dividido por 10 meses, ou seja, 260 mil por mês se a gente dividir igualmente. O que mostra como já o valor pago pelo Master para o Vard já era uma coisa bem extravagante para o que se fala de honorários, né?

grande cliente, que é a JBS. Então, só estou falando desses números que estão nesse relatório do COAF, para colocar em perspectiva o valor vultoso que foi pago para o escritório dela. Só para a gente entender que não é banal, né? Esses honorários de quase 4 milhões por mês. E aí, depois dessa explicação do escritório, o ministro continua sem qualquer intenção de explicar nada, né? Independentemente dele ter feito algo pelo master ou não, e vamos aqui trabalhar com a presunção de inocência, né?

ele não fez nada, nesse cargo que ele tá, que carrega a Constituição nas costas, você tem que ter alguma prestação de contas, né? No final, são agentes públicos, né? Que se encontram em situações ambíguas, pra dizer o mínimo. E eles têm que dizer o que eles fizeram e por que eles fizeram, né? Tem que se declarar suspeito se há alguma relação pessoal, tem que explicar a relação pessoal. Eu não consigo entender até agora por que o ministro Dias Toffoli não se declarou suspeito desde o princípio, sabendo que ele tinha uma relação financeira,

e pessoal. Eu acho que assim, numa tentativa de se proteger individualmente, eles acabaram colocando uma bomba atômica dentro da instituição, o que não é bom pra ninguém, pro Brasil, pra democracia, pra instituição em si. E essa crise que o Supremo vive agora, ele culpa em parte o governo por ela, eu já falei aqui na semana passada. Alguns ministros da corte estão totalmente indignados com os arquivos enviados pela PF pra CPI do NSS e eles atribuem

essa atitude da PF ao governo. E eles também ficaram indignados com a visita do Andrei ao Fachin para falar do Toffoli. E essa cisão, de certa forma, entre o governo e a corte vem desde a época da lei Magnitsky. Porque naquela época o STF achou que não foi suficientemente defendido pelo governo, que o Banco Central queria mesmo que eles fechassem as suas contas sob temor de risco sistêmico. Então, assim, é uma coisa que vem desde lá atrás. E já o governo está aí apanhando

pública justamente pelas razões opostas, ou seja, por ser de certa forma visto como simpático ao Supremo. Então você tem uma situação totalmente esquizofrênica entre o que de fato está acontecendo na relação entre governo e Supremo e como a opinião pública está vendo a relação governo-Supremo, né? Bom, a gente vai falar isso no segundo bloco, mas eu acho importante colocar esse ponto aqui porque ele é fundamental para o que está acontecendo no Supremo hoje.

E o André Mendonça acabou determinando que os delegados que cuidam da investigação

investigação, não compartilhem nada com seus superiores. Ou seja, ele impôs um dever de sigilo sobre esse material que exclui superiores hierárquicos. O que é muito incomum, né? O juiz dá esse tipo de ordem para a investigação. Mas tem uma questão que é a seguinte, né? Depois da relação que se criou do ministro relator com a investigação pelo Alexandre de Moraes no caso do golpe, nas investigações que ele tocou no governo Bolsonaro, como é que o Supremo Fachin chega

e fala pro André Mendonça, olha, acho que você tá exagerando, você não pode fazer isso com a Polícia Federal. O cara vai achar que ele pode fazer também, do mesmo jeito que o outro fazia. E aqui eu não tô fazendo juízo de valor se tá certo ou errado. Era o que era possível naquele momento. E eu acho que a Procuradoria Geral da República tem uma parte importante nessa questão, porque pra você ver como o sistema de freios e contrapesos tá desequilibrado.

A dinâmica que se estabeleceu na época do Aras, no inquérito do golpe, que ele não fazia nada, né? Basicamente. Exato.

nada, convidou o Supremo a ter a conduta que ele teve, né? De certa forma, de procurador, de investigador, de tudo, porque você tinha uma PGR que não fazia nada. O Aras é o nome de resort, né? Eu chamaria, se eu tivesse um resort, eu chamaria de resort Aras. É o próprio sinônimo de ociosidade. E o Congresso também não fazia nada. Exato. Porque um monte de coisa de fiscalização contra o golpe deveria ter sido feito pelo Congresso, que estava comprado pelo Orçamento Secreto. É, e que não parecia não estar preocupado.

parecendo não estar preocupado com o golpe. Bom, e aí a gente lembra o que acontecia naquela época e hoje isso meio que se repete. Não porque o GONET queira necessariamente passar pano pro caso, mas uma vez que aquela dinâmica se alterou, você não consegue mais falar assim, olha STF, agora volta pro seu lugar, agora eu decidi atuar, entendeu? Agora tá desequilibrada a relação. E a PGR não ajuda as coisas quando a gente fica sabendo, no caso pela Folha de São Paulo,

que eles souberam em novembro que eles estavam sendo hackeados pela turma do Vorcaro e não fizeram nada. E aí depois, agora, nessa operação da semana passada, em que o André Mendonça pediu a manifestação da PGR sobre a operação que prendeu o Vorcaro, e a PGR não deu essa manifestação no prazo ali que foi dado. Enfim, a situação está, de certa forma, conflagrada ali, né? Nessa coisa PGR, Supremo Governo, as coisas não estão equilibradas.

o André Mendonça, quando ele proíbe os delegados de compartilhar as informações desse inquérito, tem a ver com a indignação dos colegas dele com o governo ou se ele não quer que o André Rodrigues, que é o diretor-geral da PF, saiba o que está sendo investigado e informe o Planalto sobre isso. Quem está acompanhando o tema em Brasília acredita que a segunda opção é mais plausível, que o André Mendonça acredita que o André possa informar o Lula e ele não quer que o Master sirva de munição para o governo.

Quem está acompanhando aqui da Choupana em São Paulo também acha que essa segunda opção é mais plausível. O Andrei Rodrigues hoje está numa situação delicada porque ele se aproximou muito do Alexandre de Moraes durante a investigação do golpe. Trabalhavam em par ali, né? E agora ele chefia o órgão que pode vir a encontrar provas que prejudiquem o Moraes. E o Andrei Rodrigues estava numa das muitas viagens ao redor do Globo. Estava.

Nessa que foi para o Hotel Península, em Londres, que a gente já mencionou em outros programas.

tomando macala e tal, não tava fumando charuto. Sim, essa degustação de uísque foi revelada essa semana. Não é moralismo barato, nada disso, mas não é um comportamento adequado para pessoas que estão... Não, não é bom. Agora, o Andrei prendeu o cara, né? Sim. O Andrei prendeu o cara, é. E tem gente, enfim, sem prova nenhuma, porque o Alexandre de Moraes não admite nem que a conversa foi com ele, mas quando o Vorcaro pergunta, conseguiu bloquear? Tem gente que fala, pra quem que ele tá falando? Só pode ser pra PF,

Enfim, estou falando aqui, suposições, né? A suspeita é essa, né? A suspeita é essa. Agora, o fato é que a PF prendeu o cara. Foram abertas brechas, e aí eu estou falando nessa relação PF, PGR, etc, que foram úteis para desarmar o golpe, mas que agora podem ser um problema diante do envolvimento desses ministros, e aí eu não estou falando de um envolvimento necessariamente lícito,

Daniel Vorcaro. Embora os ministros estejam em modo de autoproteção, eles não estão unidos no discurso, entendeu? Então, assim, você tem a Carmen Lúcio e o Fachin, que são absolutamente refratários ao jogo que tá sendo jogado ali. Você tem o Fux, que tá achando bom que não seja com ele, porque ele que foi o foco meses atrás. Enfim, cada um tem o seu calcanhar ali pra olhar, entendeu? Então, assim, não existe uma união no discurso como havia

época do golpe. Na época do golpe era o Supremo inteiro totalmente alinhado pra se defender do que tava acontecendo. Agora, isso não é a mesma coisa. As ações não tão sendo coordenadas e o desfecho é imprevisível. A gente não sabe exatamente o que o caso Master vai expor. Mesmo porque as investigações não tão só nos relatórios da PF. Elas tão alimentando a CPI do NSS, a CPI do crime organizado. Parece aquela cena de barragem que vai furando aqui e ali, né? Tem vários canais de

Você não consegue por um lado, faz pelo outro. Enfim, tá uma confusão. É difícil até pra gente acompanhar onde tá saindo o quê, né? CPI do crime organizado, CPI do INSS, coisa da PF. Enfim, tem várias frentes e você vai montando um negócio, né? Exato. As mensagens que foram divulgadas na semana passada, elas mostraram essas relações com o Supremo e também confirmaram o que a gente já sabia das relações do Vorcaro

da direita, né? E aí, essa semana já começou a sair alguma coisa sobre isso, quando o Globo revelou que pagamentos foram feitos para o ACM Neto, que não tinha cargo público, diga-se, de passagem naquele momento, a título de consultoria. E esse pagamento foi feito pela REAG, que a gente já está esquadrinhando, na verdade, que a REAG era o veículo em que as transações republicanas e não republicanas eram feitas. Então, apareceu a do ACM Neto e a

a gente, enfim, não sabe se aparecerão outros nomes. Mas o fato é que essas pessoas que estão nas mensagens, o Rueda, presidente do União Brasil, Ciro Nogueira, presidente do PP, são fregueses, né, de todos os esquemas que tem aí. O Breno Pires e o Arthur Guimarães informaram na última edição da Piauí que o Rueda trocava mensagens com esses empresários ligados ao PCC que lavavam dinheiro na REAG, em que eles falavam de movimentações financeiras de mais de 5 milhões de reais. Então, assim, são nomes que,

falta as investigações sobre a REAG mostrarem, na verdade, o que eles significam nesse esquema. Mas aqui, eu queria, com muito amor, discordar do meu amigo Celso, porque eu acho que, embora a direita seja numericamente maior nesse esquema, vou citar uma situação hipotética, né? Imagine que o senador do centrão ou da direita seja pego numa das mensagens, ou sejam capturadas transações financeiras, compras de participantes,

Participação em hotel ou coisas parecidas nesse caso. Aí esse caso chega na segunda turma, onde está o Toffoli, onde está o Nunes Marques, que tinha contato com o Vorcaro. Vamos supor que eles se declarem suspeitos, né? De julgar qualquer coisa em relação ao senador. O senador vai se perguntar, peraí, mas por que eu estou sendo julgado e os três ministros que se relacionaram com o cara estão aí só se declarando suspeitos? Isso na melhor das hipóteses, porque talvez não se declarem, né?

caso. Lembrando, Ana, que lá no início, antes do caso ser sorteado pro Toffoli, o Fachin decidiu sortear. A defesa do Vorcaro pediu pra que fosse o Cássio Nunes Marques o ministro, né? Porque os advogados têm esse direito de pedir, daí o presidente da corte acolhe o pedido ou não. Eles falaram, ah, o Cássio Nunes Marques já tá cuidando de um outro caso que tem a ver com esse negócio aqui. Enfim. É, quer dizer alguma coisa você pedir pra ser um ministro. Por que que eles queriam que fosse o Cássio Nunes

Marx. Fica essa pergunta, não vamos avançar em relação a isso, fazendo justiça ao provo Cássio Nunes Marx. É, vamos supor, você descobre que um senador tal vendeu um apartamento que vale 5 milhões por 10 milhões pro Master, via REAG. Ou seja, 5 milhões ele ganhou de corretagem, né, pra dizer, pra usar um termo. Exato. E aí, como é que você vai dizer que o caso do Tayhaya é melhor, entendeu? Então, o que tá acontecendo no Supremo é

tão grave que tem o poder de prejudicar as investigações sobre os parlamentares que pode ser que tenham sido pagos da mesma forma. Foram pagos. Né? Assim, é isso. Pode ser que tenham foram. Bom, diretora já está me cobrando aqui, a gente vai encerrar o primeiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo, na volta a gente segue falando da crise do Master. Já voltamos.

Em junho de 1987, o advogado e ex-deputado estadual pelo Pará, Paulo Fonteles, foi assassinado a tiros dentro do carro dele. Ele era conhecido por atuar na defesa dos pequenos agricultores e da reforma agrária. Nessa época, o repórter Lúcio Flávio Pinto estava trabalhando em dois jornais, o Liberal do Pará e o Estado de São Paulo. Na hora, ele começou a acompanhar as investigações do caso.

do liberal com a reportagem em mãos. A diretora ficou impressionada com o trabalho, mas disse que não iam poder publicar a matéria. Isso porque dois dos homens mais ricos do Pará e grandes anunciantes do jornal estavam envolvidos na denúncia. Foi ali que Lúcio Flávio tomou uma decisão. Para poder contar o que ele sabia, ele ia criar um jornal independente, só dele, o Jornal Pessoal. Essa história é contada na revista Piauí de Abril,

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e ao seu acervo. Além disso, são desenvolvidos programas específicos para grupos escolares e universitários. Saiba mais em evaclabin.org.br ou siga arroba casamuseuevaclabin. Bem, estamos de volta. Celso, deixa eu te ouvir. Então, Fernando, para começar, vamos falar o óbvio, né? Essas ligações aí entre o Vorcário e o Alexandre de Moraes são uma vergonha, né? Como disse o Rafael Maffei, o grande Rafael

Marfê, grande mestre Rafael Marfê. Na Piauí, assim, com essa pergunta, assim, conseguiu bloquear, não é sobre jogo de vôlei, certo? Então, assim, a gente pode não ter certeza sobre o que que é, mas sobre o que seria, certo? Me digam que pode não ser a prisão, pode ser uma outra coisa qualquer, pode ser, alguém já especulou, por exemplo, que seja alguma operação que ele tava querendo fazer pra arranjar um financiador pra cobrir o rombo do mar, sei lá, alguma coisa qualquer.

Pode ser, mas enfim, o que não tá com o cara é de ser nada bonito, certo? Então, assim, o ideal seria o

Mandão e o Toffoli se afastarem do STF, pelo menos, para responder às acusações, para ter uma investigação. Isso não vai acontecer, entendeu? O mais provável é que as instituições continuem sangrando credibilidade e o Brasil se ferre de algum jeito. Bom, o que tudo parece indicar, mas que o meu departamento jurídico interno, que é muito vagabundo, trabalha muito mal, está me dizendo aqui para não dizer com certeza, é que o Vorcaro dava dinheiro para os ministros do STF

as suas picaretagens. Não tem a menor evidência disso, tenho certeza que é mentira, entendeu? Jamais me ocorreria acusar qualquer juiz de qualquer época do mundo de ter feito uma coisa dessa. O tipo de crime em questão, por exemplo, se tem corrupção, se é advocacia administrativa, tem vários crimes possíveis para enquadrar aqui. E o quanto isso tudo pode ser provado, que é importante também, por exemplo, tem coisas aqui que a imprensa apurou em off, entendeu?

Isso para o jornalismo é 100% ok, mas não para o judiciário, certo? Assim, o judiciário não tem off. Então, enfim,

coisas aqui que podem até ser suficientes pra provar que o cara fez uma mutreta do ponto de vista da opinião pública, mas pode não se sustentar no tribunal, certo? Então, tudo isso eu deixo pros juristas discutirem. Mas o que tá claro é que o Xandão e o Toffoli se meteram em alguma coisa feia e que eles deviam ser investigados, pelo menos. Agora, se você tá impressionado com quanto o Vorcaro pagou pro escritório da esposa do Alexandre de Moraes, 129 milhões, ou pela parte lá do Toffoli no Tayayá, que pelo que tá apurado até agora pela imprensa

algo como 15 milhões. Você imagina o quanto que o Banco Master roubou, né, amigo? Porque isso tudo é pra abafar o que o Daniel Vorcaro e o Banco Master fizeram. Então você imagina o que esses caras fizeram. E aí que eu acho importante a gente colocar a história do STF em perspectiva. Até pra conversar com o que a Ana falou antes. O STF entra na história do Master no final. O Master já roubou o dinheiro de todo mundo. Os parlamentares de direita do Congresso já fizeram tudo que eles podiam pra livrar o Master de quebrar. O governo de

direita do Distrito Federal já tentou salvar o Márcia com dinheiro público, com dinheiro do Banco de Brasília e deu errado, o Banco Central não deixou, aí entra o STF na história. E o STF entra de maneira horrenda, entendeu? A atuação do STF nesse negócio foi horrorosa. Isso que a Ana falou aqui, quer dizer, o cara tá lá acusado e aí que moral que o ministro do Supremo vai julgar o cara, entendeu? Isso aí é tudo verdade, isso aí não tem o que dizer.

Não tem que passar pano pra nada do STF, não tem que passar pano pra ninguém, enfim, é isso aí. Sobre isso acho que não tem muita margem pra

discordância. Agora, o Master teve um rombo de 52 bilhões de reais, que foi o que o FGC teve que cobrir. Só o Cláudio Castro, governador do Rio, bolou quase um bilhão de dinheiro de aposentados do Rio de Janeiro no Banco Master. A escala dessas quantias de desvio do Banco Master é um dos pouquíssimos escândalos que você consegue comparar ela com grandezas macroeconômicas. Então, por exemplo, o superávit do governo em janeiro foi 86 bilhões, que é da mesma escala de número do que o

Master tirou do FGC. Isso é raríssimo. Nenhum desses cães de corrupção você consegue comparar ele com uma coisa de macroeconomia, coisa que vale. Então, assim, a gente tem que contar a história do STF fazendo merda no caso Master, se me perdoa o meu francês. Mas ele é o final da história do Banco Master. E na história do Banco Master, além de ter um picareta da Faria Lima dando golpe nos clientes e sócios, etc., tem bastante político. E aí, a oposição não é ou a direita ou o STF.

da direita e da esquerda. Então, a comparação em que a direita está muito mais envolvida que todo mundo é como com a esquerda. Mas, assim, é óbvio que é uma crise do STF também, né? Agora, eu acho muito importante a gente ter a noção de que o STF chega na história no final, por exemplo, para a gente pensar como é que vai ser essa CPI do Banco Master caso ela aconteça. Pode não acontecer, entendeu? Eu tenho altas propostas de pizza acontecendo dentro do Congresso.

Mas, para me concentrar no caso da CPI que o senador Alessandro Vieira está propondo, não tenho nada condicionado

do Alessandro Vieira, enfim, a princípio me parece ser um cara bem intencionado, até que me prove o contrário. Agora, eu tenho um certo medo dessa CPI, por dois motivos. Primeiro, eu não gosto da ideia de uma CPI do Master que seja sócio-subministro do STF. Exato, exato. Entendeu? Exatamente. Aí reforça muito a impressão. Por que não a CPI do Master? Exato, é isso que eu quero. É isso que eu quero. Eu quero uma CPI que corte na carne do Congresso, porque, cara, final do ano passado, estavam todos os partidos grandes de direita.

pegaram um projeto, que era um projeto meio de esquerda, essas coisas contra a autonomia do Banco Central, que daria autonomia para o Congresso tirar diretores do Banco Central. Os partidos de direita ressuscitaram isso no final do ano passado, enquanto o Banco Central estava decidindo sobre o Banco Master, pedindo urgência para esse troço para intimidar a diretoria do Banco Central. O Ciro Nogueira, todo mundo sabe, tentou a emenda Master, que teria quebrado o Brasil, basicamente, que seria aumentada a cobertura do FGC de 250 mil para 1 milhão. O Brasil tinha quebrado. O Felipe Barros,

ter aqui no último programa, apresentou um projeto de lei que fazia exatamente a mesma coisa. Felipe Barros é do partido do Bolsonaro. Pele do Paraná, acho que vai ser candidato a deputado, vai ser candidato ao Senado. É o que eles querem. Exato. Tem chance de ganhar, sem dúvida. E o cara basicamente tentou quebrar a economia brasileira pra salvar o Master. Então você fazer uma CPI do Master seria urgente, seria super necessário, mas assim, quem vai fazer a CPI do Master se ela ocorrer no mundo real, são esses caras. Na hora que começar a briga pra ver quem vai

os membros da CPI, vocês acham que vai ser quem? Eu teria uma lista de parlamentares honestos, não é uma lista longa, mas eu tenho, que poderiam fazer uma boa CPI do Banco Master. Entendeu? Poderiam. Eu duvido que qualquer um deles entre, se for ter uma CPI do Master, nesse congresso que a gente tem. Então, eu já acho isso bastante complicado. Então, eu tenho certeza que é por isso, porque o Alessandro Vieira sabia que jamais passaria uma CPI do Master, que ele está tentando fazer só dos ministros do STF. Eu já não acho isso bom. Você vai dizer, ah, mas pelo menos pegou alguém

É, mas aí eu acho que esse desequilíbrio de quem pegou e não pegou pode ser ruim pro Brasil. Assim, pode queimar as instituições de um jeito que eu não gosto. Agora, mesmo essa CPI que eu tenho seríssimas dúvidas se conseguiria fazer alguma coisa, o pessoal do Centrão, da Direita, do Congresso, não tá afim de fazer. Nem o Governo Federal também quer fazer, porque não quer marola, não quer que descubra o negócio do PT da Bahia, e sobretudo quer que esse assunto morra, que já percebeu que queimar o STF ia queimar o Lula.

É, nitroglicerina pra eleição. Exato. Então, nesse caso, ninguém tá querendo essa CPI. Quem não tá querendo?

também é a família Bolsonaro. O Eduardo Bolsonaro xingou o Alessandro Vieira de cínico no fim de semana. E o Flávio Bolsonaro fez um negócio que eu achei particularmente bizarro, que ele assinou a CPI e se declarou contra. Sim. Sei lá, né? Enfim, vai ver que é isso que às vezes o pessoal confunde achando que ele é moderado, né? Porque ele não consegue ter uma posição. Porque ele assinou o negócio, sei lá, no dia seguinte, sei lá, ele veio falar que a CPI é ilegal, que não pode investigar,

atos de, sei lá, o argumento picareta que ele usou. Também saiu chamando o Alessandro Vieira de hipócrita. Enfim, a possibilidade maior é que esse negócio acabe numa pizza qualquer, o que é muito ruim, porque vai ficar aquele mal-estar antissistêmico fermentando na população e sabe Deus o que vai acontecer. E ali, olha só, no meio dessa confusão em que você tem basicamente uma maioria parlamentar no Congresso que vinha apoiando o Master e você tem ministro do Supremo, já começa

peça os senhores milicos a falar, por exemplo, pro Merval Pereira, que está incomodado do Lula não enquadrar os ministros do STF. Amigo milico, você cale sua boca, meu amado. Entendeu? Você tá maluco? Quem é você pra dar palpite sobre isso? O que você quer que o Poder Executivo faça exatamente pra enquadrar o STF? E olha só, se tá querendo se meter a marcha, vai pro Irã, cara. Vai pra Ucrânia, tá cheio de guerra aí pra você dar tiro nas pessoas. Vai lá, amigo.

fazer dando esses recados na imprensa. Os caras estão querendo dizer assim, olha só, a gente tá aqui de guardião da ética, é o Lula que tinha que dar um jeito nisso, entendeu? Isso é um discurso claramente golpista. Exato. E esse discurso tinha que ser abortado, basicamente, pelas instituições funcionando, né? Assim, basicamente, o Alexandre Moraes e o Toff tinham que sair do STF pra responder essas acusações. E, bom, aí eu nem sei o que poderia acontecer no Congresso pra eles tomarem vergonha na cara e investigar o Márcio da Série.

Mas, enfim, sei lá, espíritos de luz podiam baixar em massa ali dentro do Congresso

nacional e obrigar os caras a fazerem isso. No mundo real as coisas estão complicadas. Ana Clara, vamos lá. Falando em CPI, essa semana o João Carlos Mansur, dono da REAG, foi ouvido na CPI do Crime Organizado. João Carlos Mansur que nunca tinha aparecido desde das operações Quasar e Carbono 14 no ano passado em que descobriu-se a relação dos fundos dele com o PCC. E ele estava fora do Brasil quando isso aconteceu e também estava curiosamente fora do Brasil quando veio a compliance

esse zero. Bom, ele negou tudo na CPI, inclusive a parte de trabalhar pro PCC. E ele usou esse argumento, que o Master também usou muitas vezes pra culpar o BTG por tudo que aconteceu, esse argumento de que eles estão sendo atacados porque eles são independentes, porque eles não fazem parte do sistema, porque eles são novos e tal. O Mansur fez a mesma coisa, de que eles são outsiders, né, do mercado. E de fato eles são outsiders porque eles sempre operaram no limiar da legalidade, né? E agora, segundo as investigações

da PF, fora da legalidade. A REAG era conhecida na Faria Lima por operar fundos que captam dinheiro de institutos de pensionistas de estados e municípios, coisa que o Master passou a fazer. Foi um dos principais negócios dele com os governadores de direita aí, que são chamados RPPS, que são os Regimes Próprios de Previdência Social. Essa turma que pega o dinheiro dos aposentados desses institutos e coloca em fundo

de ativo podre, ela sempre foi considerada meio que a escória da Faria Lima. Porque, em geral, pra pegar esse dinheiro, você paga propina pro gestor público. E no âmbito municipal e estadual, os controles são menos eficazes do que no federal, que já não é tão bom assim. Então, tudo que é fundo de RPPS é considerado lado B, lado C do mercado. E a REAG era especializada nisso. Então, economista, gestor, ninguém queria trabalhar na REAG. Ninguém renomado, assim, minimamente.

Tanto que a primeira reportagem da Consuelo sobre o Master, em outubro de 24, já falava de um caso flagrante de fraude em RPPS envolvendo o Tanuri, a REAG, o Banco Máxima, que foi o banco que o Vorcar comprou e transformou em Master. E esse esquema acontecia entre 2010 e 2017, ou seja, naquela década a REAG já operava esse esquema de RPPS.

inclusive chamada fundo fake, na época, em 2020, e nada aconteceu, nem com o Vorcaro, nem com a REAG, nem com o Tanuri. Virou uma grande pizza naquela época. Pelo contrário, enquanto essa operação acontecia, o Vorcaro recebeu a autorização do Banco Central para ter um banco, Banco Master, diante dessa operação, entendeu? E essa operação nunca deu em nada. O ovo da serpente ali, do que aconteceu no Master, vem da parceria da REAG com o Tanuri, com o Banco Máxima e com o Vorcaro.

caro, que ainda não era dono do banco, em Belo Horizonte, na década passada. Então, pro João Carlos Mansur chegar na CPI e ter a coragem de negar tudo e dizer que eles estão sendo perseguidos porque eles são independentes, é realmente chocante, assim, pra dizer o mínimo. Só pra concluir, nunca houve um pedido de prisão contra o Mansur. Enfim, eu não tô aqui pra questionar, enfim, a polícia que sabe o que ela tem, mas diante do envolvimento da REAG, diante do fato das pessoas

foram alvo de pedido de prisão ali, e diante do fato de Mansur estar no exterior a maior parte do tempo, me causou estranhamento o fato de nunca ter havido um pedido de prisão contra ele. Tem bons advogados, né? Quem é o advogado dele mesmo? É o Juca, o mesmo que defendeu o Braga Neto. Só o Juca? Do Mansur é o Juca. Bom, então com este pupurri de emoções e revelações, nós vamos encerrando esse bombástico bloco do programa, fazemos um rápido intervalo, vamos falar da conexão

a conexão dessa crise com a sucessão presidencial. Já voltamos.

e clima da agência pública. Bom dia, fim do mundo.

no Brasil levou golpistas à prisão. Vai lá e pega o seu na internet ou na livraria mais próxima.

conclusões, né? Nos resultados. Vamos lá. É isso mesmo, Fernando. O que as pesquisas vão mostrando é que o escândalo tem afetado mais a reputação do STF do que de qualquer outra instituição, o que até é mais ou menos compreensível, né? A gente falou que é um escândalo do STF também, assim, a atitude dos ministros é escandalosa mesmo, enfim. Então, é inteiramente compreensível que a opinião pública vire contra o Supremo numa hora dessa. Agora, o que surpreende, num certo sentido, é o fato de que isso tá batendo

muito mais no governo Lula do que na direita. Então a direita está ganhando com o escândalo máster até agora. Isso também é compreensível até certo ponto, porque o STF garantiu a democracia, evitou o golpe. Quem ganhou a eleição democrática foi o Lula. Então, na cabeça de quem não gosta nem do Lula nem da STF, foi o STF que colocou o Lula na presidência. Agora, só para lembrar, quem colocou o Lula na presidência foi a maioria do eleitorado brasileiro. O STF só garantiu

a vontade da maioria do eleitorado brasileiro fosse respeitada, impedindo que um band marginal destruísse a Constituição brasileira. E quase não impediu, se a gente pegar o que aconteceu com a PRF, né? Exatamente, exatamente. Então, enfim, o saldo é esse. O escândalo tá batendo pesado contra o governo Lula. E aí, vocês vão, desculpa, ser meio repetitivo, mas eu acho meio escandaloso que a direita brasileira esteja com grandes chances de ganhar a presidência da República como recompensa

por ter quebrado um banco. Porque, se você, vamos lá, vamos pegar aqui os envolvidos nesse caso. Eu já falei aqui, entre os entes federativos que aplicaram dinheiro de aposentado no Banco Master, mais ou menos 90% são de direita. Com deputados na lista de contatos do Vorcaro, 100% de direita. Deputados que apresentaram ou emenda constitucional ou projeto de lei para aumentar o limite do FGC e salvar o Master, 100% de direita. Governadores que tentaram salvar o Master com dinheiro

Público, só tem um, tudo bem, mas é o de direito, é o Ibanez. E o que eu acho mais interessante, pega, por exemplo, o Zettel, o Fabiano Zettel, o cunhado do Vorcaro. O cunhado do Vorcaro deu dinheiro e botou o avião à disposição para várias políticas. Ele é o maior doador individual da campanha do Tarcísio e da campanha do Bolsonaro. E ele deu o jatinho para o Nicolas viajar pelo Brasil fazendo campanha para o Bolsonaro. E aqui tem uma diferença importante.

Se você pegar, por exemplo, o escândalo das empreiteiras, o escândalo que a Lava Jato pegou,

As empreiteiras sim eram ecumênicas. As empreiteiras davam um dinheirão pro PT e um dinheirão pro PSDB. E o trato era, eu vou continuar aqui fraudando licitação da Petrobras e das outras obras públicas todas. Qualquer um dos dois aí que ganha eleição não me enche o saco. Eu vou nomear um cara meu aí pra garantir que eu vou continuar roubando aqui numa boa. Não há nenhum registro até agora do Zé ter emprestado avião ou dado dinheiro pra qualquer candidatura.

Já não digo nem da esquerda, mas assim, mais pro centro. Ele só botou esse aparato todo à disposição de candidatos de direita.

Você é muito diferente do escândalo das empreiteiras. É, o Ciro é o amigo da vida, né? Exato, exatamente. Amigo de vida, pior ainda do que da vida. Eu já falei no bloco passado que enquanto o Banco Central estava julgando o caso Master, partidos no Congresso Nacional assinaram um requerimento de urgência para um projeto que lhes permitiria demitir diretores do Banco Central, por maioria simples no Congresso. Eles, obviamente, queriam demitir o diretor do Banco Central que impediu a compra do Master pelo BRB. Quem são os partidos?

São o PP de direita, o PL de direita, o Republicanos de direita, o MDB, que vamos lá, centro, sei lá. Na esquerda você tem o quê? Você tem o Mantega fez lobby pelo Master, fez mesmo, se quiserem prender o Mantega por mim, tudo bem. Até vai melhorar o nível do debate econômico dentro do PT. O Lewandowski teve um contrato completamente imoral lá com o Master, se ele também é totalmente injustificável. Agora, o Lewandowski também, pelo menos, não pegou nada que ele tenha feito a favor do Master.

A Polícia Federal continuou livre para fazer o que quisesse enquanto isso. E o Lula, que tem um monte de meio de comunicação botando o Lula em manchete sobre o Banco Master para dizer que esquerda e direita estão envolvidos, o Lula fez uma reunião, convocaram na presença do Galípolo e do Guido Mantegra. Segundo todos os relatos disponíveis, o Lula falou que quem vai resolver isso, o Galípolo, se vira aí. Até agora não saiu nada que indique o contrário.

Aí você vai dizer, mas eu não acredito nisso, tem todo direito de não acreditar.

A gente conhece algum desdobramento prático dessa reunião? Tem alguma medida do governo Lula que foi tomada para salvar o Banco Marcha? Até agora não tem nada. Se você abrir todo o celular do Vorkar, pode ser que apareça alguma coisa? Óbvio que pode. Aí a gente revisa esse diagnóstico. Mas com os dados que a gente tem até agora, é o que eu estou dizendo. Há mais de um mês, então está cada dia que aparece mais dados. Os dados só reforçam isso que eu estou dizendo até agora.

Desculpa, gente. Isso aqui não é uma crise do sistema político brasileiro. Isso aqui é uma crise da direita.

dizer isso é muito ruim por vários motivos. Primeiro que você está escondendo uma coisa do público. O público tem o direito de saber disso. O público não é obrigado a fazer essa tabelinha que eu fiz dos, sei lá, quantos entes federativos e ver quem está governando cidade do interior por aí para saber quem é que tem mais, quem é que tem menos. O público não é obrigado a acompanhar a emenda parlamentar para saber quem quer aumentar o valor de cobertura do FGC.

Então, enfim, eu acho que ele merece ser informado que a maioria desses caras são de direito porque

isso é verdade, factualmente falando, contando quantos tem de cada lado, fazendo uma tabelinha com quantos tem de um lado e quantos tem do outro. E se você quiser ser rigoroso mesmo numa análise constitutiva, você não tem só que contar cada um de cada lado. Você tem que ponderar esses números por quanto cada um fez, de fato, pelo Mastra. Cara, aí a diferença fica maior ainda, meu amigo. A direita tentou mudar a constituição pra obrigar o FGC a cobrir o rombo do Mastra. O Ibanez tentou quebrar o Banco de Brasília. O Cláudio Castro deu o dinheiro

para o cara cuidar, entendeu? Então, assim, a diferença é muito gritante. Então, a primeira coisa é simplesmente, você tem que dizer que é um escândalo de direito, porque isso é verdade, não custa nada dizer a verdade, sempre serve para alguma coisa verdade. Agora, além disso, se você não contar isso para o público, vai acontecer o que está acontecendo, que é, as pessoas não vão saber o que é óbvio, que é, o Supremo Federal está protegendo esses caras que ficam xingando o Supremo o tempo todo, no caso do Master. Se você pegar a lista de deputados na lista de contato do Vorcaro,

do Calmo Urgente, o podcast do Gregório, do Bruno Torturi e da Alessandra Orofino, notou bem isso. Vários daqueles caras, a começar pelo Nicolas, é gente que fica o dia inteiro xingando Alexandre de Moraes. Basicamente, o que você vai percebendo é que o gente como, por exemplo, o Nicolas, de dia fica lá xingando Alexandre de Moraes e de noite, antes de dormir, reza para o Senhor para que o nosso amigo Alexandre de Moraes nos livre das investigações do Banco Master.

O Nicolas, por exemplo, certo que está lá envolvidíssimo nesse negócio, pegou o avião do Vorcaro, é muito próximo,

o pessoal da igreja da Lagoinha, que está totalmente envolvida nesse negócio. O Nicolas, claramente, se o Xandão, por exemplo, matar o Master no peito, o Nicolas tatua a cara do Xandão na bunda, meu amigo. Esses caras aí estão todos torcendo para dar pizza. Esses caras que estão pedindo CPI estão pedindo CPI e torcendo para dar errado. Isso é tudo teatro, isso é tudo encenação. Enquanto você não contar para as pessoas que é a direita que está sendo protegida nesse caso, vai continuar essa interpretação

na opinião pública, que eu acho inteiramente normal, dado a informação que as pessoas recebem, de que o problema basicamente é das instituições. Que o problema basicamente é que, olha só, a democracia é uma porcaria mesmo. Os caras do STF estão sendo ladrões. Não, e os caras do STF realmente não estão saindo bem nessa foto mesmo. Mas se você só contar essa história, você está fazendo muito mal para a democracia brasileira. Perfeito, muito claro.

Ana Clara. Bom, eu estava em Brasília na semana passada, antes da divulgação dessas mensagens, né? Mas já tinha saído a pesquisa da

Atlas, Intel, que falava sobre o empate entre Lula e Flávio. Então, Brasília já estava sob o impacto dessa notícia, né? De que talvez não seja tão fácil, assim, pro governo sair dessa. E era, assim, um clima de bastante frustração, assim, sabe? Frustração com o Supremo, frustração com o governo. Conversei com algumas pessoas de vários cantos de Brasília e o tom era, assim, o governo precisa se dissociar

do Supremo, criar algum tipo de narrativa que o coloque fora do Grupo Supremo, né? E até essa semana a Bloomberg publicou uma reportagem sobre o Alexandre de Moraes, uma reportagem da Marta Beck e do Daniel Carvalho, que fala, enfim, do escândalo, né? E é publicada na Bloomberg lá fora, em que eles apuraram que o Lula está cogitando apoiar o código de conduta do Fachin como sinalização.

de que ele não compactua com o que alguns ministros do Supremo estão fazendo. E em Brasília, eu já tinha ouvido que se o Lula colocasse uma PEC para determinar mandato para ministro do Supremo, que é uma coisa que ele já falou lá atrás, também como sinalização, mas criasse uma PEC que poderia ser também uma alternativa para se dissociar dessa crise. O Barroso deu uma entrevista essa semana,

defendendo isso, né? Mandato de 12 anos, como na Alemanha, segundo ele. Exato. Agora, essa PEC até o Congresso pode enviar, né? Em tese, né? PEC, Congresso também pode estabelecer mandato pra ministro do Supremo, né? Se o Congresso tá tão insatisfeito, ele pode fazer isso, né? Mas eles não querem, porque daí significa articular, significa fazer política, e não é bem o tipo de coisa que eles conhecem, né? Mas o fato é que, assim, o Lula não quer essa briga, pelo menos até

semana passada, era uma briga que ele não queria ter, porque o ano eleitoral é um ano mais curto no Congresso, então assim, ele vai usar todo acervo, né, do governo pra viabilizar uma PEC como essa em tão pouco tempo, segundo semestre não tem mais nada, tá todo mundo fora, então assim, não é o que ele queria, mas em Brasília era um pouco esse o tom. E aí depois que saiu o Datafolha, saiu a pesquisa da Quest, e eu tava conversando com o

Felipe Nunes da Quest, que é, inclusive, nosso ouvinte viciado. Grande, Felipe. E ele fala muito isso, Celso, essa questão do público enxergar o caso Master como um sintoma de um sistema podre, né? De um sistema contaminado. E o Lula seria uma figura desse sistema, né? E a oposição fica se colocando na posição de mudança desse sistema. E que daí vinha a contaminação, de se enxergar o Lula como uma figura que integra o sistema.

Mesmo que o Master tenha crescido e florescido no governo Bolsonaro, na gestão do Campos Neto, isso parece que não chega. As pessoas não fazem as conexões, entendeu? Elas enxergam assim, ah, o Supremo, a gente não dá pra confiar. Banco Central, a gente não dá pra confiar. Congresso, a gente não dá pra confiar. Governo, não dá pra confiar. INSS, não sei o quê. E aí vira todo um bolo de insatisfação com tudo que tá aí, né? E essa é a avaliação do Felipe, que eu discordo. E por que eu discordo?

Eu não discordo que a avaliação das pessoas seja essa, mas eu discordo que isso seja uma visão ampla do que está acontecendo, porque a gente está num momento de muito ruído, né? De muito barulho, as coisas estão saindo, está todo mundo sendo impactado por isso. Então, a gente esquece que há seis meses o Flávio estava lá defendendo Tarifácio, a Magnitsky, defendendo a invasão dos Estados Unidos no Brasil, na época dos navios que ele estava atacando os navios, que ele, na semana passada,

defendeu a anistia do pai, então a gente teria ali num governo Flávio, hipotético, o Bolsonaro, o ministro da Casa Civil, não sei, tô chutando aqui, entendeu? Então assim, essas questões não estão na pauta, né? Por quê? Porque o governo tá fazendo campanha e não pode estar fazendo campanha. A verdade é essa, o governo tá governando, tá agindo pra concluir as coisas que eles queriam concluir pra justamente depois fazer a campanha dessas coisas que eles fizeram. E pelo TSE,

Obviamente, o governo não pode fazer uma campanha contra o Flávio nesse momento. Então, o Flávio tá sozinho. O Flávio, a oposição, o PL, no caso, né? Tá todo mundo sozinho, batendo, sem que eles possam ser atingidos pelo passivo deles. E se eu tô falando passivo de seis meses, tá? Eu não tô falando nem da rachadinha, da loja de chocolate, dos imóveis, da casa que o Flávio comprou em Brasília, que vale o dobro do valor que ele anunciou na escritura. Há juros de pai pra filho do BRB,

O que me deixa bastante intrigada nessas pesquisas é que a turma que o Felipe e a Quest chamam de os independentes, né? Que são os eleitores que decidiram a eleição passada, no caso, né? E que, em tese, poderiam decidir a eleição esse ano também, que eles não estão olhando para a democracia como um ponto de preocupação. A questão da democracia que a gente falou aqui, você falou, Celso, inclusive, né?

novo esse ano, né? É um tragédio, né? Exato. O que ele diz é que pelo menos esse núcleo mais independente, é um termo que ele usa, mas é o pessoal que não é de esquerda nem de direita, que pode votar em um ou outro sem nenhum problema, esse pessoal, a democracia não vai ser assunto pra eles nessa eleição. E eu achei isso um dado importante pra gente. Sem dúvida. E nisso, assim, o Flávio tá ali anunciando o ministro da Fazenda, tá se reunindo com o mercado, já tá com o marqueteiro que vai fazer a campanha dele, que é o

Paulo Vasconcelos, que é o mesmo que fez a campanha do Ramagem no Rio e a campanha do Cláudio Castro. O Duda Lima, que é o marqueteiro do PL, que era esperado que fosse o marqueteiro que faria a campanha do Flávio, não foi escolhido e recentemente declarou que encontrou Jesus num evento em Brasília e que isso o isenta de trabalhar com política. Não era um deputado Jesus, talvez? É aquele cara do TCU. Ele colocou um slide.

O pessoal do PL não acredita muito que ele tenha saído do jogo porque ele encontrou Jesus, e sim porque o Flávio escolheu o Paulo Vasconcelos, que é um cara que... Que ainda não encontrou Jesus. Aparentemente não. Essa história me lembra uma charge maravilhosa do Angeli, deputado Urânio, diante da notícia no jornal. O enriquecimento do Urânio, tal. Que história é essa de enriquecimento do Urânio? Não, calma deputado, dessa vez não é com o senhor, tal.

O deputado Urânio. O Paulo Vasconcelos é conhecido por ter uma abordagem não bolsonarista na campanha. Então, assim, o Cláudio Castro ganhou no Rio no primeiro turno sem se colar tanto quanto ele poderia na imagem do Bolsonaro. E isso é uma ideia do Paulo Vasconcelos como marqueteiro, assim, de que você pode vender à direita sem ser ultra bolsonarista. E o Flávio ter escolhido o Paulo Vasconcelos também já indica, não sei até que ponto ele pode se desvencilhar do pai.

acredito que ele faça isso. Mas é uma abordagem menos contundente do bolsonarismo, a do Paulo Vasconcelos. Eu queria falar um pouco sobre isso, porque a imprensa está ajudando o Flávio a se desvencilhar do pai um pouco, né? A gente tem algumas coisas importantes nesse momento. Primeiro, a consolidação do Flávio como opção da direita ou anti-Lula. Por enquanto, é a consolidação dele e o fracasso até a segunda ordem e acho que provavelmente definitivo para esse ano da alternativa cassabiana.

A gente vai ter uma campanha entre um candidato democrata, de esquerda, de centro-esquerda, que é o Lula, contra um candidato de extrema-direita, que é o Flávio. Não vamos ficar fingindo que o Flávio não é de extrema-direita. Ele é de extrema-direita, ele vai soltar o pai dele. Ele tem uma agenda completamente atrelada ao que tem de mais radical na direita mundial. Trump, Milley, o Bukele, etc. Cast, ele está ligado a essa turma. Isso fala um pouco dos humores da sociedade brasileira, né?

que tem energia social, que catalisa a política. Essa direita bolsonarista não é uma opção semidemocrática, como essa outra direita que estão chamando de terceira via, uma direita semidemocrática, se a gente pode usar esse eufemismo. É mais democrática do que o Flávio, mas pô... É mais democrática do que o Flávio, mas eles são ambíguos em relação ao Bolsonaro. Eles são ambíguos, eles são omissos, eles acolhem. Eles vão dar anistia.

Então, o que a gente tem é uma candidatura de extrema direita como uma candidatura do campo democrático. É, e olha só, tem gente que diz assim,

a identificar a democracia com o Lula. Pô, então lança outro candidato, cara. Lança um candidato de direita democrática. Ainda dá tempo. Vai lá. O Eduardo Leite, dentro do PSD, tá fazendo... Isso, pega um cara desse e lança. Pronto. Um discurso claramente divergente dos outros dois candidatos. O Eduardo Leite é um candidato de direita democrático. É contra a anistia, foi contra o golpe. Exato. Agora, o Ratinho Júnior e o Caiado, eu não diria o mesmo. Não mesmo. Até onde eu posso ver, as coisas

estão se dando dentro do script que o Lula planejou, sem o Tarcísio e com o Flávio. O governo não está batendo no Flávio, até porque quando chegar abril e a desincompatibilização não for mais possível, que o Tarcísio certamente vai ser candidato ao governo de São Paulo, etc., daí o jogo começa para valer. Esse último mês, esse mês de março, é o mês pré-desincompatibilização. O Tarcísio tem 99,9% de não ser candidato à presidência, mas a coisa ainda não está definida. Então, se o Flávio,

me bricasse para baixo, a coisa poderia mudar. Eu já ouvi isso dentro do PT. É melhor que o Flávio se consolide do que a sombra do Tarcísio possa ressurgir. Acho que isso não vai acontecer mais, mas a gente está neste momento. Eu queria só para completar esse raciocínio, eu acho que dá para a gente fazer um paralelo entre o que aconteceu quando o governo se beneficiou meses atrás do desastroso movimento do Eduardo Bolsonaro, das sanções contra o país, que deu o discurso da defesa da pátria ao Lula, e o que está acontecendo

sendo agora quando a direita se apropria da crise do Supremo para reanimar ou ressuscitar ou dar nova dimensão ao discurso antissistêmico. Eu acho que tem um paralelo entre esses dois momentos, um sendo negativo do outro. A ver. Ana Clara. Bom, essas pesquisas que têm saído, esse fortalecimento do Flávio, até a vitória do Flávio dentro das primárias da direita para ser o candidato, isso de certa forma animou

A turma bolsonarista que está em contato com o Departamento de Estado, né? O Eduardo, Paulo Figueiredo, toda essa turma. Eles viram ali uma brecha no enfraquecimento do Alexandre de Moraes no Supremo com a crise do Master e no resultado das pesquisas feitas sobre o Flávio. Eles viram uma brecha para voltar aquele ataque ao governo brasileiro por meio do Departamento de Estado e, de certa forma, tentar ajudar o Flávio nesse ponto. Então, o que eles fizeram?

começaram a fustigar ali, a procurar o pessoal do Departamento de Estado, do mesmo jeito que eles fizeram no ano passado sobre o Tarifácio e o Magnitsky, para vender essa ideia de que Comando Vermelho e PCC são organizações terroristas e que o governo americano precisa se manifestar sobre isso e classificá-los como tal. E que é uma coisa que o governo brasileiro não quer de jeito nenhum, porque a partir do momento que há essa classificação, os Estados Unidos passam a ter uma certa ingerência sobre essas áreas, consideradas como áreas de organizações terroristas.

podem lançar mão de várias ações em relação a essas áreas que podem ferir a soberania do país. Até por isso, porque existe também essa atuação da extrema-direita nesse ponto, que o governo tanto quer encontrar com o Trump para discutir justamente um acordo sobre o narcotráfico. E é a pauta principal do encontro do Trump com o Lula, caso esse encontro aconteça. Inclusive, também foi pauta das duas ligações que eles fizeram no final do ano passado,

e em janeiro desse ano. O Paulo Figueiredo e o Eduardo voltaram a tocar nesse assunto, a levantar esse assunto, muito porque os Estados Unidos acabaram deslocando para cuidar do Brasil, dentro das secretarias ali que cuidam de América Latina no Departamento de Estado, um cara super próximo da família Bolsonaro e super maga, que é o Darren Beatty, que foi, enfim, demitido no primeiro governo Trump por ser fascista demais.

cara, primeiro ele foi designado para o Departamento de Estado e ele está em contato com Paulo Figueiredo e com Eduardo Bolsonaro. A imprensa brasileira, especificamente o Globo, ao ver essa movimentação acontecendo, questionou o Departamento de Estado sobre as intenções dele em relação ao Comando Vermelho e o IPCC e o Departamento de Estado mandou uma nota dizendo que classifica essas organizações como ameaça regional. Ou seja, fica a indicação de

que uma próxima etapa pode ser, de fato, a classificação como organização terrorista. Isso não está sendo tratado no âmbito da diplomacia. O Marco Rubio e o Mauro Vieira não estão discutindo sobre isso. O Marco Rubio não está antecipando para o Mauro Vieira que isso está na pauta. Mas você tem uma galera de setores do baixo escalão ali dentro que está borbulhando essa ideia. Então, você tem a direita se movimentando também nesse aspecto da política externa.

essas brechas, tanto do Alexandre de Moraes, quanto na questão do Flávio e do fortalecimento do Flávio nas pesquisas. E agora, o que eles estão pedindo de novo é a Magnitsky para o Alexandre de Moraes. Se o governo americano está disposto a isso, está preocupado com isso nesse momento, até agora a diplomacia brasileira não tem notícia disso. Mas eles estão tentando. É isso. Bom, a gente vai encerrando o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo na volta.

Momento da diretora Kinder Ovo. Oi, aqui é a Neka Setúbal. E aqui é a Sueli Carnil. A gente está aqui para te convidar a ouvir o primeiro episódio da segunda temporada do Escute as Mais Velhas, nosso podcast produzido pelo Estúdio Novelo. A convidada desta semana é a escritora e jornalista Rosisca Darcy de Oliveira. Quem viveu esse feminismo do nosso tempo pode entender isso muito bem, quer dizer, não era só um movimento político.

Uma experiência existencial de cumplicidade, de lealdade, de presença na vida real, na vida concreta de nós todas. Aquilo virava assim uma família. E eu realmente tributo ao movimento de mulheres a minha salvação no exílio. A Rosisca contou pra gente sobre como foi se tornar feminista e lutar pelos direitos humanos num período como a ditadura militar no Brasil.

sobre educação, cultura e sobre a atuação dela na ABL, a Academia Brasileira de Letras. O Escute as Mais Velhas é produzido pelo Estúdio Novelo e já está disponível em todas as plataformas de áudio. Os episódios são publicados sempre às terças-feiras. Siga o podcast para não perder.

tal problema. A história do Rádio Novelo Apresenta dessa semana tem tudo isso. Mas ela não se passa numa ilha com dinossauros, nem uma nave isolada no espaço. E sim numa escola pública de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O cheiro dele era muito forte. É muito forte, né? Um cheiro forte, enjoativo. No dia em que a merenda era peixe, as crianças não comiam de jeito nenhum. A gente já chegava no portão de entrada, a gente já falava hoje é peixe, né?

Até que uma professora foi investigar e descobriu que o problema ia muito além da escola dela. No episódio Em Águas Profundas, a gente te conta que criatura misteriosa era essa e como ela foi tomando conta do Brasil. Depois que terminar o foro, vem ouvir a gente. Rádio Novelo apresenta, toda quinta, histórias que você nem sabia que precisava ouvir. Muito bem, estamos de volta. Vamos para o Kinder Ovo, diretora. Você tem ganhado de lavada aí nos últimos. E o Flamengo ainda ganhou ontem, né?

A gente está gravando na quinta, Celso e a diretora estão felizes. Minha amiga Renata Ventura Mineira está triste porque é cruzeirense. Enfim, vai lá, diretora. Diz o ditado que o Brasil não é para amadores, mas espera lá, né? Não precisa profissionalizar tanto. O Brasil se tornou uma espécie de house of cards misturado com o poderoso chefão. Não é o Jair Renan, não, né? É algum é o Nicolas Ferreira, algum amigo do Nicolas Ferreira. Renan do ML?

É carioca. É carioca. Carlos Jordi? Carlos Jordi. É, eu sabia que era um desses pilantrinhas. É, esse eu sabia que era do meu setor aqui, minha especialidade. É. Quando eu ouvi, eu falei, esse aí já ouvi muito em YouTube. É da sua reserva de mercado, né? Exato, exato. É do meu segmento de atuação. Agora, o que esse cara quer dizer? O Brasil não é para amadores, mas não precisa profissionalizar tanto? Como assim, cara? Bom, para os anais.

Quem fala é o deputado federal Carlos Jordi, do PL do Rio de Janeiro, do segmento do Casca de Bala, em seu canal no YouTube. Ai, ai. Mais uma derrota da classe operária. Puta merda. Não aguento mais perder Kinder Ovo. Você faça um friendly pra mim da próxima vez. Bom, pelo menos o Casca ganhou dessa vez. Fazia tempo que eu não ganho. É. Bom, vamos então, encerrando o Kinder Ovo, para o melhor momento do programa. Correio elegante, momento das cartinhas, momento de vocês.

E eu vou começar já lendo aqui a mensagem do Ian Felipe. O conteúdo das mensagens do celular do Vorcaro foi uma cortina de fumaça para o Celso não comentar o verdadeiro crime cometido essa semana. A demissão do Felipe Luiz. Finalmente uma pauta importante nesse programa. Saludos de Recife e saudações santacruzenses. É isso aí, concordo. Ian, a gente quer te ver aí no programa de Recife, então. Ian que torce para o Santa Cruz e para o Felipe Luiz.

Valeu, Ian.

Adriano e Beatriz, venham ouvir a gente. Ô, Adriano e Beatriz, veja só a Sofia aí. É, sigam o exemplo da Sofia, que já tem no nome a coisa da sabedoria. Exatamente. Você, Adriano e Beatriz, não percam tempo. Bora lá. A pessoa que se identificou como chefe.rosa postou. O episódio dessa semana foi tão tenso que se fizer uma mistura do Celso com o Eduardo Cunha, vira algo do tipo. Então, Fernando, que Deus tenha misericórdia.

dessa nação. É isso mesmo, chefe. É isso mesmo. É isso, gente. O que é bom acaba e o que não é tão bom também acaba. Não é isso? Assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra também a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina

Uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Carolina Moraes. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem a partir de hoje é da Ethel Rudnitsky, que vai substituir o Gilberto Porcidone, que continua na Piauí fazendo outras coisas. A gente quer deixar, então, o nosso abraço imenso para o grande Gilberto. Grande Gilberto. Gil. E as boas-vindas para a Ethel. Seja bem-vinda, Ethel. Olá, Ethel.

Muito bom ter você aqui. A edição é da Carolina Moraes e da Mari Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana em São Paulo e no Estúdio Rastro do Grande Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Ana Clara, tchau Ana.

Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Até semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.

Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você.

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