Episódios de Foro de Teresina

Celular de Vorcaro expõe métodos mafiosos e cai como bomba no STF

06 de março de 20261h13min
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No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam as revelações da terceira fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que levou de volta à prisão o banqueiro Daniel Vorcaro e expôs ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e conversas comprometedoras com figuras da política e do Judiciário. No segundo bloco, o trio aprofunda as implicações do caso, que envolve políticos, autoridades e ex-integrantes do Banco Central. No terceiro bloco, o programa trata da escalada da guerra no Oriente Médio após ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã e a ampliação do conflito na região.

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Assuntos15
  • Operação Compliance ZeroTerceira fase da operação da PF · Prisão de Daniel Vorcaro e Fabiano Zetel · Morte do Sicário em custódia · Celular de Vorcaro expondo conversas comprometedoras · Ameaças contra jornalista Lauro Jardim
  • Casos STFConversas com Alexandre de Moraes · Encontro supostamente em Campos de Jordão · Mensagens de visualização única · Contrato de advocacia da mulher de Moraes · Seminário patrocinado por Vorcaro em Londres · Contato com Dias Toffoli e outros ministros
  • Violencia contra JornalistasPlano de violência contra Lauro Jardim · Campanha de ataques contra Malu Gaspar · Pagamento a sites para atacar reputações · Lavagem de informação sigilosa · Riscos para profissionais de jornalismo
  • Comportamento de Dias Toffoli como relatorImpedimento de perícia em celulares apreendidos · Sonegação de informações sobre ameaça a jornalista · Possível prevaricação · Saída da relatoria do caso Master · Proteção de investigados
  • Contrato Esposa Moraes MasterContrato de 129 milhões com Viviane Barsi · Falta de transparência sobre serviços prestados · Aumento patrimonial posterior · Novo contrato com sócio de Vorcaro · Conflito de interesse
  • Geopolítica de Trump, Xi e PutinComplexidade maior que do Iraque · Falta de preparação do governo Trump · Status de mártir conferido a Khamenei · Hipocrisia da comunidade internacional · Consequências econômicas globais (petróleo)
  • Regime Politico IraModelo Venezuela como objetivo declarado · Negociação simultânea a bombardeios · Possibilidade de golpe militar · Risco de guerra nuclear · Alternativas de liderança (Shah, curdos)
  • Unificação Política de DireitaCiro Nogueira e o PP · Felipe Barros e o PL · Cláudio Castro do Rio de Janeiro · João Barradas · Nicanor e viagens em avião de Vorcaro · Emenda Master para aumentar cobertura do FGC
  • Conflito Irã-EUAAtaque ao Irã e morte de Ali Khamenei · Bombardeios de Israel no Líbano · Resposta iraniana com mísseis · Envolvimento de Trump · Mudança de discurso americano sobre objetivos
  • Banco MasterIrregularidades descobertas pelo Banco Central · Tentativa de venda dos ativos para o BRB · Operação ilegal do banco · Prejuízos ao erário público · Investimentos em times e eventos
  • Jogo político em torno do caso MasterSupremo fechado em copas para autoproteção · Ala insatisfeita com governo Lula · Suspeita de interferência da PF no governo · Manobra do Gilmar Mendes para impedir quebra de sigilo · CPI do crime organizado investigando
  • André MendonçaAutorização da operação Compliance Zero · Substituição de Dias Toffoli na relatoria · Decisão favorável à prisão de Vorcaro · Postura diferente de Toffoli · Possíveis motivações políticas
  • Gestora REAG e esquema de fundos exclusivosOperações ilegais com fundos de pensão · Falta de compliance (know your client) · Transferência para outras gestoras · Investigação de rastreamento de pagamentos · Conexão com PCC em operação anterior
  • Protestos InternacionaisMorte de Maza Amini e movimentos de protesto · Enfraquecimento do governo após ataques · Morte de lideranças jovens na repressão · Desconfiança da população em negociação · Dilema para apoiadores de mudança de regime
  • Viagens de Lula à EuropaEncontro de Estado previsto para março · Discussão sobre timing diante da crise iraniana · Interesse em acordos de segurança/narcotráfico · Risco de desavença diplomática · Possível adiamento para abril
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E o banco foi crescendo de forma ilegal e dando prejuízos ao erário público. Isto é a realidade dos fatos agora. Por isso Zetel e Vorcardo estão presos. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda. Oi, Fernando. Oi, pessoal. Ele operava normalmente, investia em clubes, em empresas, em eventos.

Inclusive tinha uma parte do time do Galo. Aí imagina o jogador do Galo responder agora porque aí o cara que investiu em você fez um rolo lá no futuro depois. Vem, cara. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira. Antes da gente entrar nos assuntos da semana, eu tenho um recado para vocês, ouvintes.

Encontram a transcrição de todos os episódios do foro no site da Piauí. Encontram também os links das reportagens e textos que a gente cita ao longo do programa. Agora sim, vamos aos assuntos da semana. A gente abre o programa com o novo e explosivo capítulo do escândalo do Master, que veio a público na quarta-feira. A terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal resultou na volta de Daniel Vorcaro à prisão

Felipe Machado de Moraes Mourão, vulgo Sicário, que também foi preso. A Polícia Federal diz que ele tentou se enforcar com uma camiseta na cela da superintendência da corporação em Belo Horizonte. Até a noite de quinta, ele estava internado em estado gravíssimo. Sicário era o líder da milícia privada de Vorcaro, chamada de A Turma, conforme consta em seu celular. Numa das conversas entre o banqueiro mafioso e seu capanga, Vorcaro diz sobre o jornalista Lauro Jardim,

Na operação da PF, além de Vorcaro e do Sicário, foram presos em São Paulo o cunhado dele, o dublê de pastor e empresário Fabiano Zetel, o cara que comprou parte do taiaiá da família Dias Toffoli, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, que fazia arapongagem ilegal a serviço do ex-banqueiro. Quatro outros investigados vão usar tornozeleira eletrônica,

Entre eles, o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco, Beline Santana, ambos nomeados para seus cargos na gestão de Campos Neto. Tudo isso veio à tona porque o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo, autorizou a operação da PF, fazendo o que Toffoli se negou a fazer, por razões cada vez mais óbvias. O procurador-geral da República, Paulo Gonê, havia pedido mais tempo para se pronunciar sobre a operação.

pedido de Gonê, já que, entre tantas coisas, a vida de um jornalista corria risco real. As conversas dos celulares de Vorcaro deixam muita gente graúda em situação muito ruim. O senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, é bom lembrar, é um deles. Descrito por Vorcaro a namorada como, abre aspas, um dos meus grandes amigos de vida, Ciro Nogueira aparece pelo menos 14 vezes nas conversas divulgadas.

da sua escaparada cadeia se tudo terminar numa pizza do tamanho da represa que existe em frente ao Taiaia. Outro que se complica bastante é o ministro Alexandre de Moraes. Há várias menções a ele no celular de Vorcaro. No dia 19 de abril de 2025, um sábado, o banqueiro informa a sua namorada, Marta Graef, sobre um encontro com Moraes. Tô indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa. Graef questiona se Moraes estaria em Campos de Jordão. Como assim, amor? Ele está em Campos? Ou foi pra te ver?

Vorcaro responde, ele está passando feriado. Se isso é muito ruim, isso não é o pior. Na tarde dessa quinta-feira, a jornalista Malu Gaspar revelou que Vorcaro ligou para Moraes no dia em que foi preso pela primeira vez, logo pela manhã. Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear? Pergunta Vorcaro ao ministro em 17 de novembro. As respostas de Xandão, logo a seguir, foram feitas por mensagens de visualização única, que somem depois de abertas.

Foram três mensagens e a gente continua querendo saber. E aí, ministro Alexandre de Moraes, conseguiu ter notícia ou bloquear? Na noite desta quinta, a assessoria de imprensa do STF soltou uma nota, segundo a qual, abre aspas, o ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal. Fecha aspas. Então tá, ou taiaiá.

dois primeiros blocos do programa. No terceiro, a guerra. Desde que Israel e Estados Unidos atacaram o Irã e assassinaram o líder supremo do país, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, o conflito se espalhou pela região e vem escalando, sem perspectiva de trégua. Intensamente bombardeado, o Irã revidou, lançando mísseis contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos, como o Kuwait, os Emirados Árabes e o Qatar. Aliado do regime iraniano, o Hezbollah atacou Israel

Israel bombardeou o Líbano pesadamente. Se havia no início o objetivo declarado de derrubar o regime iraniano, com o passar dos dias o discurso de Trump foi mudando. Destruir a capacidade de mísseis do Irã, aniquilar a marinha iraniana, impedir que o país construa armas nucleares e impedir que o regime patrocine grupos terroristas. O discurso muda, o que não se altera é a psicopatia do líder americano, aliado de Benjamin Netanyahu nessa cruzada da insensatez que empurra o planeta.

para a beira do abismo. É isso, vem com a gente. Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Tem um pacote extenso de assuntos relacionados à prisão do Vorcaro, a esse suposto suicídio que ainda precisa de esclarecimentos, ao conteúdo que já veio à tona do celular do Vorcaro, ameaça que ele fez ao jornalista lá, ao Jardim. Eu deixo você começar por onde você quiser. Bom, Fernando, toda essa operação que aconteceu essa semana,

deixou a gente, especialmente nós jornalistas, muito chocados, né? Porque ela foi feita com base em uma ameaça, um plano de um ataque violento a um jornalista colega nosso, o Lauro Jardim, que é um dos maiores jornalistas do país e que deu uma notícia que despertou a ira do Vorcaro, que era uma notícia de que o Banco Central tinha descoberto irregularidades na tentativa de venda dos ativos do Master para o BRB.

coisa dos 12 bilhões e tal. O Banco Central descobriu e o Lauro publicou que o Banco Central descobriu. Essa notícia que foi publicada em junho de 2025 foi o que motivou esse plano do Vorcaro de cometer um ato violento contra o Lauro. E o que o Daniel Vorcaro planejava não é só criminoso, como também expõe o tipo de risco que a gente corre cobrindo esses gangsters que eles deviam estar à margem do sistema, mas que eles conseguem entrar

no sistema, crescer e enriquecer graças à leniência do mercado financeiro e à fome de muitos setores da classe política e do judiciário, agora a gente tá vendo, né? E são essas forças que trouxeram pra dentro do establishment, enfim, do mundo supostamente legal, um bandido, né? Porque o que o Vorcaro fez e o que se vê nas mensagens é a atitude de um bandido, né? Cercado de outras pessoas que são tão aparentemente violentas quanto ele, né?

E é um bandido que não só planejou um ato de violência contra o Lauro, como também financiou uma horda de ataques contra a Malu Gaspar, contando com a ajuda de sites que cobram para atacar pessoas. Bandidos também. Exato. O que esses sites e o que essa turma liderada pelo Vorcaro, o que eles fizeram no âmbito da imprensa, e falando especificamente da Malu, não difere em nada do que o Alando Santos ou o Felipe Martins faziam com a gente,

no governo Bolsonaro. É exatamente a mesma coisa. E tudo porque ela publicou um conteúdo de um incômodo contrato que o Vorcaro não queria que viesse a público, né? Que é o contrato de 129 milhões de reais do banco com a mulher do Alexandre de Moraes. E que depois se descobriu não teve atuação jurídica condizente com o tamanho dos honorários. Nenhuma atuação jurídica seria condizente com um honorário desse tamanho. Mas não se sabe ainda que serviço foi feito. Essa que é a verdade. Desde que esse contrato veio à tona,

não sabe direito o que ela fez. Talvez ela não tenha feito nada. É, o que se sabe é que o contrato existe, houve um grande aumento patrimonial dela depois que esse contrato foi assinado, o que sugere que o escritório dela recebeu pelo menos parte do dinheiro. As mensagens que passaram a ser divulgadas quando alguns celulares do Daniel Vorcaro foram parar na CPI do INSS agora, nessa semana, indicam uma proximidade dele com o Alexandre de Moraes.

combinando encontros. Há mais do que isso, na verdade, né? A mensagem que ele supostamente está com Alexandre de Moraes. É que nessa mensagem, tudo indica que é o Alexandre, né? Porque assim, que Alexandre que tem em Brasília com poder suficiente para o Vorcaro querer se encontrar com ele. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, é chamado de Silveira, não de Alexandre. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, é chamado de Padilha, não de Alexandre. O único Alexandre chamado de Alexandre em Brasília

Alexandre de Moraes, e que estaria cercado do Ciro e do Gumota, e que precisaria estar em um ambiente seguro pra conversar com o Ciro e com o Gumota, Alexandre de Moraes. Porque o Alexandre tinha uma grande proximidade com o Ciro. Então, pegava muito mal pra ele ser visto com o Ciro publicamente, e tá julgando o processo do golpe, condenando o Bolsonaro, e falando tudo que ele falou sobre o que aconteceu no 8 de janeiro, né? Ele foi muito contundente na tese dele, como relator do caso. E aí, como é que ele explica, né?

Ele fez tudo isso e acabava confraternizando com o Ciro Nogueira no fim de semana, entendeu? Que foi um ministro do Bolsonaro que em nenhum momento… Caso civil. Exato. E que em nenhum momento se insurgiu contra nada do que o Bolsonaro fez. Muito pelo contrário, apoiou tudo. Então não pegava bem pra ele ser visto publicamente. Então assim, esse encontro com o suposto Alexandre tem todo o contexto de ser o Alexandre de Moraes.

Cedônia, não é isso, Celso? Se ele tiver contato com o Alexandre o Grande, aí realmente é impressionante. É, entre os ministros do Supremo que constam na lista de contatos do Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cássio Nunes Marques. Então, assim, o que tem saído recentemente ajuda a compor um círculo de proximidade entre eles. E eu apurei com pessoas que conversaram com o Daniel Vorcaro antes da prisão, que ele considerava o Alexandre de Moraes. Ele dizia isso para as pessoas, se é verdade ou não.

A gente não sabe. Mas o que ele dizia para as pessoas é que o Alexandre de Moraes era um amigo dele. Ele falava isso. Esse tópico, especificamente por razões óbvias, pelo fato do Alexandre de Moraes ter conduzido o processo de condenação do Bolsonaro e dos generais, etc. O que fez muito bem, foi o que a gente deve destacar a importância histórica desse processo. A figura do Alexandre de Moraes causa muita polêmica. Mas é bom que a gente lembre, então, coisas que a gente já falou em outros programas, que um dos seminários,

internacionais, esses convescotes dos quais vários ministros do Supremo participaram, foi chamado, se eu não me engano, em abril ou maio de 2024, era o Encontro do Xandão, o Seminário do Xandão, no Hotel Península, em Londres, patrocinado pelo Vorcaro. E eu tenho mais uma apuração sobre isso. O encontro iria acontecer em 2025 de novo, e não aconteceu porque o Master já estava, enfim, na Bacia das Almas, mas chegou a ser planejado. E no planejamento, o Alexandre de Moraes

Convidar pessoas com quem eu conversei para o evento. Ele próprio ligar para as pessoas e dizer, olha, vamos lá no meu evento. Aí o evento foi cancelado. O que é super apropriado para um ministro do Supremo. Só por último, teve toda essa discussão sobre o contrato que o escritório da mulher dele, a Viviane Barsi, fechou com o Master. E aí, no meio de tudo isso, ela foi lá e fechou um outro contrato com um sócio do Daniel Vorcaro, o Lucas Callas,

enfrentar ele num caso no Supremo. Ou seja, a certeza de que tá tudo certo, de que nada vai acontecer é tão grande que não houve nenhum problema, ela não se sentiu nem um pouco constrangida de fechar um contrato pra atuar dentro do Supremo para o sócio do Daniel Vorcaro, o Lucas Callas, um empresário de Minas. Sócio do Daniel Vorcaro em vários negócios. Isso nós estamos falando de fevereiro de... Deste ano. Agora. Agora. É ousado, hein?

Porra. Agora, Fernanda, eu quero só voltar um pouquinho no que a gente tava falando sobre

pagar sites pra atacar reputações, né? É algo que a gente conhece bem. Quando a Consuelo Diegues publicou a última reportagem dela sobre o caso Master na edição de fevereiro da Piauí, ela conta que o Daniel Vorcaro tinha descoberto que havia um inquérito sigiloso da PF contra ele e nesse inquérito havia o pedido de prisão dele. E um dia antes da operação que estava autorizada pela Justiça, que foi a décima vara de Brasília, ele organiza

uma viagem para Dubai, para supostamente trazer os investidores que iriam comprar o Master junto com a Fictor, depois que o negócio do BRB foi por água abaixo. A Piauí publicou essa reportagem, contando esse bastidor, e a defesa do Vorcaro, que era conduzida pelo Valfredo Vardi, mandou uma nota indignada para a Piauí e mandou para o DCM também, que é um dos sites que foram pagos pelo Vorcaro, segundo a decisão do André Mendonça. DCM Diário do Centro do Mundo.

Isso. Ele mandou uma nota pra Piauí indignada, porque ele tava dizendo que era uma acusação grave dizer que eles tinham acessado um inquérito sigiloso. E pra provar a indignação dele, ele mostrou uma nota publicada pelo site O Bastidor, dizendo em qual var estava o inquérito. Ou seja, ele sugeria que ele tinha se informado na imprensa sobre onde estava o inquérito, ou sobre haver o inquérito, e por isso ele peticionou pra ter acesso aos autos.

reportagem não era correta ao dizer que eles souberam antes de tudo. Ele diz que souberam pela imprensa. Pois bem, o que essas mensagens do Vorcaro mostram? Que eles plantaram essa notícia no site O Bastidor pro advogado Valfrido Vardi poder peticionar pra ter acesso ao inquérito sigiloso. Então eles souberam por meio de informantes e agora pela investigação a gente sabe que tem um sistema de hackeamento da PF que eles faziam. PF, MP, tem toda uma dinâmica

que até foi explicada pela Malu numa reportagem. E eles souberam antes, e aí eles precisavam lavar a informação de que eles souberam. Então eles publicaram essa informação no site bastidor pra dizer que eles tinham sido informados pela imprensa. Isso me lembra também, Celso, o nosso amigo Conrado Rubner Mendes, que é bastante perseguido por setores... Por quase todo mundo, né? Da advocacia e do judiciário, pelos méritos dele, que quando o Toffoli viajou,

o Jardim Jatinho com o advogado Botelho, de um dos diretores do Master. O Conrado fez uma coluna justamente falando, todo mundo está falando dos juízes, mas eu vou falar um pouco dos hábitos desses advogados. É uma coluna que eu recomendo também, que também ganha interesse renovado à luz disso que a Ana está trazendo aqui. Além dessas mensagens falando desses pagamentos, há outras mensagens do Vorcaro nessa véspera da viagem, dizendo que ele achava que antecipando a viagem,

iria barrar a prisão. Vou explicar pra vocês em minhas palavras. Se eu conseguir o dinheiro pra fazer esse negócio e injetar esse dinheiro pro banco não quebrar, ou seja, aí eu não vou precisar acessar o FGC, talvez eu consiga barrar a prisão, entendeu? Essa era a lógica dele. A polícia achava que a lógica dele era fugir. Mas assim, nas mensagens, algumas das mensagens aprendidas, ele expõe essa ideia de tentar, digamos, desestimular a polícia de prendê-lo ao conseguir

um comprador pro Master. E eu imagino que o desestímulo à polícia poderia ser feito por meio de políticos e judiciário e toda a turma que ele conhecia e se relacionava e que tá acima da Polícia Federal em poder em Brasília. Ana, eu sei que você tem mais coisas pra falar e a gente vai te ouvir mais, mas eu quero colocar o nosso casca de bala na conversa. Celso, notícia não nos falta. Pois é, notícia boa falta. Bom, a gente tem que avisar

Ouvinte que a gente tá gravando, as coisas começaram a sair faz poucas horas, né? Então a gente ainda tem um quadro imperfeito aqui do que tem no celular do Vorkar enquanto a gente tá aqui falando. O que tem até agora, em primeiro lugar, é bem ruim pro STF. É bem ruim pro Alexandre de Moraes por tudo isso que a Ana disse até agora, né? Dá a impressão de uma relação muito mais próxima com o Vorkar do que a gente tinha até agora, né? Podia até suspeitar, mas não tinha ainda tanta evidência disso.

ato concreto que ele tenha tomado a favor do Vorcaro, embora isso talvez tivesse contratado pra daqui a um tempo, né? Pra um julgamento futuro ou pra alguma coisa desse tipo, que talvez até o Alexandre de Moraes dê sorte de que nunca aconteceu, então enfim, ele fique sem esse ato concreto que serviria pra caracterizar um suborno, um negócio qualquer. Agora, mesmo se ninguém achar isso nunca, é obviamente completamente inapropriado o tipo de relação que o Alexandre de Moraes tinha com o Vorcaro. Bom, primeiro, com um cara que era obviamente um trambiqueiro miserável,

Pô, você tá sendo gentil com ele. Exatamente. Esse cara 100% estelionatário, né? Pagava aí, faz-me rir aí pra jornalista. Não é pra ministro da Suprema Corte conviver com esses caras, pelo amor de Deus. Em segundo lugar, o cara que quando quebrasse, certamente um dia podia cair no STF, né? Então, enfim, evidentemente é totalmente errado tudo isso que o Alexandre de Moraes fez. E tem grande potencial de desdobramentos pra uma coisa mais séria, conforme as revelações apareçam. Agora, quem eu acho que sai

dessa história é o Toffoli. Porque se tinha no celular do Vorcaro, que o Vorcaro queria basicamente quebrar os dentes do Lauro Jardim. E a respeito de uma funcionária, ele fala, tem que moer essa vagabunda. Tem que moer essa vagabunda, exatamente. E o sicário, mas o que é pra fazer, chefe? O que é pra fazer? Ele manda levantar a ficha, endereço, etc. Então assim, se tudo isso tava na mão do Toffoli, o Toffoli tinha essa informação. Não, mas tá. É fato isso. Essa investigação

A investigação só aconteceu quando ele saiu da relatoria porque a PF não teve acesso a esses dados antes. Esses dados não são provenientes da primeira leva do Vorcaro quando ele foi preso em novembro. Esses dados que a gente tá vendo nessa operação dessa semana são da segunda leva que foi em janeiro. E foi a leva que o Toffoli impediu que a polícia periciasse. É, então o Toffoli claramente cometeu um crime. Porque ele tomou medidas concretas pra barrar a investigação.

discutirem com mais detalhes o que seria. E caso se confirme que toda aquela história do Taiyai e coisa que valha era suborno... Aliás, eu sugiro que a empresa não abandone essa história porque tem mais coisa que precisa ser analisada ali. A proporção do preço para o preço de mercado, o que seria para o Taiyai. Isso vai ser importante quando virar uma questão jurídica, independente de ser imoral, etc. Agora, no mínimo, o Toffoli prevaricou quando deixou esse troço sentado lá, havendo uma ameaça, basicamente, à vida de um jornalista. Então, o Toffoli não pode ser mais ministro do STF.

Ele tinha que renunciar, tinha que sair dali. Sim. O Alexandre de Moraes é um pouco mais complexo, vamos ver como é que vai ser as investigações, mas o quadro é bem ruim pra ele. Isso, obviamente, vai transbordar pra imagem das instituições, né? E, Celso, só nesse capítulo também, o comportamento do Paulo Gournê, Procurador-Geral da República, também... Não foi bom. É muito esquisito, porque ele pede mais tempo pra analisar, sabendo que tinha essa ameaça, por exemplo, que a vida de uma pessoa tá claramente correndo risco, que o assassino,

ou o sujeito que fazia o serviço sujo, ou esse tipo de serviço sujo pro Vorcaro, tava solto. Esse que supostamente se suicidou, o Vorcaro tava solto. É, mas exceto no caso dos penduricalhos, o Paulo Gonê tem feito uma composição com o Supremo, né? É, eu acho... De certa forma. É, eu vou segurar um pouco o veredito sobre o Gonê nesse caso. Só porque o ouvinte entenda, né? O André Mendonça passou por cima daí, né? O Gonê pediu mais tempo, ele falou, não, eu vou determinar que a operação seja feita

esse sujeito seja preso. Foi isso que aconteceu. Que, aliás, merece menção. A gente tá descendo pau em todo mundo aqui, até agora. Esse é aquele corte que pode me assombrar pro resto da vida, daqui a algum tempo. Mas até agora, a atuação do André Mendonça foi boa. É claro, a gente tem que falar isso. Tem dois problemas que a gente tem que avaliar a atuação do André Mendonça. Primeiro, ele vai entregar uma pizza e, segundo, quando sair as revelações, ele vai enviesar isso politicamente?

A segunda coisa, a gente ainda não sabe. A primeira coisa, a resposta parece ser não. Parece que ele não quer entregar uma pizza,

geral. Um negócio que, enfim, livre todo mundo. Como o Toffoli parecia propenso a fazer. Até agora, a atuação do Mendonça foi boa. Eu tinha uma expectativa muito baixa com relação a ele, para ser honesto, e fui positivamente surpreso. Então, enfim, também a gente tem que elogiar quando o cara faz o trabalho dele corretamente. Sim. Agora, o saldo para a instituição é ruim, né, cara? Eu acho que o pessoal vai lembrar muito mais do Toffoli ter sentado em cima da história do Lau Jardim do que do Mendonça conduzindo a investigação, né? E aí isso contamina mais

Em junho de 1987, o advogado e ex-deputado estadual pelo Pará, Paulo Fonteles, foi assassinado a tiros dentro do carro dele. Ele era conhecido por atuar na defesa dos pequenos agricultores e da reforma agrária.

O repórter Lúcio Flávio Pinto estava trabalhando em dois jornais, o Liberal do Pará e o Estado de São Paulo. Na hora, ele começou a acompanhar as investigações do caso. Depois de meses de apuração, ele chegou na mesa da diretora administrativa do Liberal com a reportagem em mãos. A diretora ficou impressionada com o trabalho, mas disse que não iam poder publicar a matéria. Isso porque dois dos homens mais ricos do Pará e grandes anunciantes do jornal

a denúncia. Foi ali que Lúcio Flávio tomou uma decisão. Para poder contar o que ele sabia, ele ia criar um jornal independente. Só dele. O Jornal Pessoal. Essa história é contada na revista Piauí de Abril, que traz a segunda parte do perfil do repórter Lúcio Flávio Pinto, escrito por João Moreira Salles. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br.

A Casa Museu Eva Klabin, no Rio de Janeiro, convida você a participar das atividades do seu núcleo de educação. São visitas mediadas, oficinas de práticas artísticas, cursos e ações online, sempre conectadas às exposições do museu e ao seu acervo. Além disso, são desenvolvidos programas específicos para grupos escolares e universitários. Saiba mais em evaclabin.org.br ou siga arroba Casa Museu Eva Klabin. Muito bem, estamos de volta.

Ana, vou sem mais delongas para você, para você retomar a segunda perna aí da sua fala em sete atos dessa vez. Bom, eu queria localizar os fatos dessa semana dentro de um jogo político que está acontecendo agora em Brasília. E em como essa operação, de certa forma, fragiliza a estratégia de autoproteção do STF e do Congresso, que são os dois poderes mais envolvidos com o Banco Master.

análise sobre os fatos que correm em Brasília hoje e elas não são necessariamente excludentes, elas podem caminhar juntas. Quando o Toffoli sai da relatoria do caso, os ministros do Supremo se fecham em copas, em defesa da instituição Supremo. Então fica claro, a partir daquela reunião em que o Toffoli sai, que ele abriria mão, mas seria poupado internamente. Vale dizer que a Carmen Lúcia e o Fachin são os mais refratários

toda essa omertar ali em torno deles, mas eles não têm poder de articulação interna para reverter a situação, então são voto vencido, né? Mas o que ficou acertado é que eles vão fazer o que estiver ao alcance deles para a autoproteção. Um outro ponto importante é que uma ala do Supremo, que é composta pelo Alexandre de Moraes, pelo Toffoli, pelo Gilmar Mendes, eles estão muito insatisfeitos com o governo porque eles acham que o Andrei Rodrigues,

diretor-geral da PF, expôs o Toffoli, quando foi conversar com o Fachin, com o aval do Lula. Então eles acham que o Lula que tá mandando a PF fazer isso. Eles estão muito irados com o governo com essa percepção de que há uma interferência. O que, pelos fatos, não se mostra verdadeiro porque você tem a CPI do INSS que tá ali correndo com a Polícia Federal quebrando o sigilo do Lulinha e não se sabe de nada que o governo tenha feito.

para impedir isso. Então, essa desconfiança dos ministros da corte, até o momento, não encontra respaldo em fatos. E também, o Alexandre de Moraes, além dessa irritação com o Lula, ele acha que o Haddad não conduziu bem as coisas na Receita quando ele supôs que a mulher dele teve o sigilo fiscal quebrado. A mulher do Alexandre de Moraes. Porque foi uma nota do Lauro que falou da evolução patrimonial dela, que despertou a desconfiança no Moraes.

de que eles estavam tendo sigilos quebrados. E ele acha que o Haddad não investiu o suficiente nessa apuração e tal. Enfim, eles acham que o governo não quer ajudá-los. Haddad que foi procurado pelo Vorcaro insistentemente e jamais se encontrou com ele. Enfim, o que se espera de uma pessoa que está num cargo público dessa importância? Bom, então essa é a situação, né? Você tem essa investigação correndo e você tem o Supremo fechado em copas

que tá todo mundo contra ele. Quando a CPI do crime organizado, que também tá correndo no Senado, pede a quebra de sigilo da empresa do Toffoli, a Madrid, e o Gilmar Mendes faz uma manobra absolutamente indecente pra impedir essa quebra de sigilo, desarquivando um processo que tava há três anos arquivado, assim, um negócio completamente fora de padrão, fica claro que o Supremo tá armado contra a investigação do Master, né?

também tá, porque não se conseguiu ainda abrir a CPI do Master. O que foi vazado essa semana foi o que a Polícia Federal enviou pra CPI do INSS, que não necessariamente é o filé do que eles têm ali, né? Eles não vão entregar pra CPI o cerne da investigação. É coisa mais pra imprensa se divertir ali lendo, do que de fato o grande esquema. E o André Mendonça, embora muito frequentemente ele jogue pela oposição,

Ele não tem o perfil de peitar os colegas dele, de se colocar ali como o cara que vai disciplinar a moral dentro do Supremo. Ele pode até querer em algum aspecto, mas ele não vai fazer isso de uma forma direta. Ele não é o cara que vai pegar a espada pra cortar a cabeça de ministro do Supremo. Ele já deu todos os sinais sobre isso. Diante de todo esse contexto, a leitura que se tem em Brasília é de que a Polícia Federal,

extremamente hábil nessa operação. Porque vendo o Supremo fechado em copas, o Congresso fechado em copas, o Vorcaro tranquilão de tornozeleira na mansão dele em São Paulo. Já crente que ele já tinha comprado o sossego dele. O Vorcaro, até ele ser preso agora, ele tava pensando assim, como ele vai perder menos dinheiro com a liquidação do banco. Era essa a preocupação dele. Era, ah, vou ficar de tornozeleira um tempinho aqui, depois o Supremo me resolve daqui um tempo quando a poeira baixar.

vou tentar preservar meu patrimônio. E até, quem sabe, ter um outro banco daqui uns anos, né? Tudo é possível. Sim. Então, como que você faz esse caso andar de uma forma que se torne, não impossível, mas difícil de sufocá-lo? Você não pode ir direto no Supremo. Quando o Andrei Rodrigues foi conversar com o Fachin, já se percebeu que ir direto no Supremo você vai dificultar ainda mais a investigação. O Congresso tá daquele jeito. Então,

Quando você pega esse componente da violência, do perigo, sem afetar diretamente as autoridades, porque as autoridades envolvidas nessa operação são servidores do Banco Central, que a matéria da Consuelo lá atrás já mostrava que tinham conduta suspeita, ou seja, esses servidores, já havia sindicância sobre eles e o Galípolo revelou isso numa entrevista para o Globo, tempos atrás. É até bom fazer um histórico aí, são servidores da gestão do Campos Neto,

Certo, certo? É, ex-diretor de fiscalização Paulo Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Beline Santana. Eles são da gestão anterior. Eles já estavam lá quando o Galípolo entrou. E saíram. Assim, eles são servidores do Banco Central, mas eles foram escolhidos para os cargos que eles ocupavam, né? Que são cargos de liderança dentro do Banco Central. Então tem internamente uma promoção ali em que a deliberação é do presidente do Banco Central, né? Mas ambos são servidores mesmo.

concursados. E eles já estavam há muito tempo na boca de todo mundo que tá acompanhando o caso, inclusive na matéria da Consuelo tem os relatórios que eles passaram pano pro Master. Então, assim, as autoridades envolvidas são autoridades que já estavam queimadas. Essa operação, ela não indispõe o André Mendonça com ninguém, diretamente. Indiretamente, claro, né? Mas tudo isso foi pedido pela PF. Quem pediu a operação desse jeito, nesse molde, com essas informações, com esse relatório, foi a Polícia Federal.

Então, pro André Mendonça, pegaria muito mal ele chegar e falar, hum, acho que eu não vou autorizar, entendeu? Sendo que tá lá a perseguição a um jornalista. Quando esse caso for analisado pela segunda turma do Supremo, na semana que vem, da qual fazem parte o Gilmar Mendes, o Toffoli e o Cássio Nunes Marques, sendo que o Toffoli e o Cássio, pelo menos, são contatos ali do Vorcaro, vai ficar muito difícil pra eles votarem contra a manutenção dessa prisão,

do fato de que é uma prisão de um cara que tava planejando um ato de violência. E, assim, Brasília aceita todo tipo de crime, né? Principalmente se for de colarinho branco. Mas violência é um negócio que repele, né? Pega muito mal você aceitar um ato de violência, né? Você, como ministro do Supremo, chancelar um ato de violência. Então, eles colocaram esses ministros próximos do Vorcaro numa posição desconfortável. E o próprio André Mendonça, ao analisar esse pedido da PS,

fica fácil pra ele justificar pros pares dele que, olha gente, eu não tenho o que fazer, entendeu? Olha a situação aqui, vai eu pegar esse caso e falar acho que eu não vou autorizar. O que a Ana tá dizendo é que ele tinha menos escolha do que a gente pensa, né? É, no sentido de que a forma como a PF construiu essa operação deixou muito fácil pro André Mendonça acatar esses pedidos, né? Se fosse uma operação que envolvesse um dos pares, entendeu? Ficaria bastante

difícil pra André Mendonça. Como é uma operação que não envolve autoridade com alto cargo e é extremamente polêmico porque envolve um ataque a um jornalista, não tem como ela não ser feita. E é nesse ponto que a atitude da PF foi avaliada como hábil, porque ela deixou essa galera de mãos atadas. Eles não têm o que fazer a não ser aceitar, a não ser chancelar essa operação. E aí, uma vez que o Vorcar está preso e o seu cunhado, Fabiano Zettel, também está preso,

que era um braço importante do esquema. E aí você muda o contexto do Vorcaro, de um cara que achou que estava tudo certo com ele, que agora a briga dele ia ser só por dinheiro. Agora não existe perspectiva dele sair da cadeia. Então isso muda o contexto de toda a classe política que achava que as coisas estavam caminhando para uma pizza, como o Celso mesmo disse. Então isso mudou completamente o cenário. E tornou mais difícil para o Supremo, sobretudo para as partes envolvidas com o Vorcaro,

tentar agir pra matar isso no peito. Esse cara, Daniel Forcaro, ele não é só um banqueiro corrupto, ele é um criminoso capaz de planejar atos de violência. Uma outra leitura também que eu ouvi, e que eu acho que não invalida tudo que eu disse, é que o André Mendonça, ao tocar isso agora, né, o que aparentemente ele não tinha escolha porque a PF pediu agora, então ou ele deliberava sobre isso ou não, mas assim,

É uma coisa que pode prejudicar muito o Ibanez. E ajudar a Michele. Porque poderia tirar o Ibanez ali do jogo pelo Senado no DF. A depender do que saia de tudo isso. E poderia prejudicar o Davi Alcolumbre. Que é uma pessoa com quem o André Mendonça não teria uma relação muito boa. Porque foi o Davi Alcolumbre que atrasou a sabatina dele por semanas, um tempo. Meses. Por meses. No governo Bolsonaro. E ele tem um rancor do Davi Alcolumbre.

então que seria uma oportunidade dele se livrar e se ele estiver de fato jogando ao lado da turma do Flávio, o que eles querem muito, mais do que o Flávio na presidência, é o Rogério Marinho na presidência do Senado para fazer, enfim, tudo o que eles querem fazer, inclusive pautar impeachment de ministros do Supremo. Muito bem, vieram à tona do celular do Vorcaro conversas com o Ciro Nogueira, como eu disse na abertura amigo de vida, com o Hugo Mota.

uma lista de deputados que estão nos contatos do Daniel Vorcaro. E, bom, primeiro, assim, a grande maioria dos políticos envolvidos até agora é de direita. Até agora, pode ser que isso mude. Pode ser que saia mais revelações do celular do Vorcaro, pode ser que a Polícia Federal descubra mais coisa. Não é um diagnóstico definitivo. Mas, até agora, isso é um escândalo da direita. E vários tons de direita, né, Celso? Vários tons de direita.

De Nicolas até... O Nicolas está na lista de contato do Vorcaro e viajou no avião do Vorcaro.

sabe, fez a mesma coisa que o Toffoli. Viajou no governo do Vorcaro com outras lideranças evangélicas pra fazer campanha pro Bolsonaro no segundo turno da eleição. E olha só, é meio natural que isso aqui seja basicamente um escândalo de direita. É um escândalo de gente da Faria Lima com igreja evangélica. Até deve ser difícil achar um esquerdista nesse meio aí. Então, enfim, até agora o diagnóstico é bastante claro. Isso só é um escândalo da república pelo imenso poder que a direita tem sobre as instituições republicanas. O Ciro Nogueira era barbada, né? A gente já sabia que

estar nessa lista. Se ele não estivesse nessa lista, a lista estava errada, né? Enfim, obviamente. Ele está na conversa do Vocar dizendo que ele está felizão porque o Ciro Nogueira apresentou a emenda master, que aumentaria de 250 mil para 1 milhão a cobertura do FGC para quem perdesse dinheiro com coisas como o Banco Master, por exemplo. Emenda que acabou não indo adiante. Não foi. Exato. Eu queria que alguém fizesse a conta de quanto teria sido o rombo no FGC se a emenda master tivesse passado. Porque já foi um rombo gigantesco. Fazendo de cabeça

aqui... Quatro vezes, né? É, o FGC não teria dinheiro pra cobrir. É quatro vezes o que ele já cobriu. Aí, meu amigo, aí é confusão. Aí seria uma confusão séria pro centro financeiro brasileiro. E é bom lembrar também que não foi só o Ciro Logueira que propôs isso. O senhor Felipe Barros, que é deputado do PL pelo Paraná, propôs a mesma coisa com o projeto de lei. Exatamente a mesma coisa. Subia a cobertura do FGC de 250 mil pra um milhão.

Esse mesmo Felipe Barros, agora que eu vou me repetir mesmo. Na reunião de 30 de novembro de 2022, em que a

cada bolsonarista pediu golpe dentro do Congresso, Felipe Barros pediu o artigo 142. Pediu uma intervenção militar pro artigo 142. Já que não prenderam ele por isso, ele foi lá e tentou salvar o Márcio. Então, assim, o perfil dos envolvidos até agora é bem claro. Como disse, são várias nuances de direita. Você tem aquele cara direita mais pragmático, centro-direita, extrema-direita, fascista, direita que se você pagar ele muda de opinião, enfim, tem várias modalidades aqui. É o sushi bar da direita aqui nessa lista,

do porcado, você escolhe o que você quiser. Agora, eu não vou desaprender a contar pra parecer ideologicamente isento, entendeu? Pra parecer que, olha só, não vou falar que é de direita. Até porque não é isso que é isenção ideológica. Isenção ideológica é você olhar os fatos e não interpretá-los enviesadamente. Mas assim, se você olhar os fatos, se você contar os envolvidos, se você ponderar o número de envolvidos pela importância que cada um tem no escândalo, é absolutamente evidente que até agora

um escândalo da direita. Pode deixar de ser? Pode, claro. Se no resto do celular do Vorcar ou de outra fonte de informações apareceu o Lula fazendo alguma coisa pra salvar o Márcio, pronto. Meu diagnóstico foi água abaixo, entendeu? Porque o Lula, mesmo sendo um cara só, é o presidente da República. Mas, por enquanto, ainda não apareceu. Por enquanto, não tem nada de Fernando Haddad, que é outro cara que poderia ter interferido no Márcio.

O Galípolo foi secretário do Haddad, antes de ser presidente do Banco Central. Não há nenhum sinal do Galípolo tentando fazer alguma coisa pra salvar o Márcio.

salvar foi o Guido Mantega. A gente já sabe, o Mantega tentou ser lobista pelo Mastra, coroando uma carreira de sucesso. E o Lewandowski tinha um contrato de advocacia com o Mastra. Teve gente do PT da Bahia que estava envolvido lá numa picaretagem com o Mastra, que a Ana explicou alguns programas atrás. Agora, o PT da Bahia tem que ser colocado junto com os outros 18 entes federativos que botaram dinheiro de aposentado nos investimentos do Mastra, o que é bom lembrar. Nenhum fundo de previdência

particular jamais fez. Então, assim, por que que os caras botaram o dinheiro dos aposentados num negócio que nenhum fundo particular botava, certo? E desses 18 entes federativos, sem contar o Petra Bahia, 17 são governados pela direita. Então, assim, eu acho estranho que falte direita nas manchetes sobre o máster até agora. O pessoal pode estar sendo cauteloso, cautela é bom, sou a favor de cautela, gostaria muito que tivesse tido cautela em escândalos anteriores, mas não custa nada a gente apontar o fato de que a maioria dos

O Político Desenvolvido até agora era de direito. Basicamente, quem que trabalhava com o Vorcaro? União Brasil e PP, antes de mais nada. O Ciro Nogueira do PP, União Brasil, Rueda. Rueda enroladíssimo nessa história. A Malu Gaspar já botou lá que União Brasil do Rueda é quem indicava o responsável lá pra Previdência nesses governos estaduais que botaram grana do Master. Inclusive, nessa investigação da PF, agora tem passeio de helicóptero de Congonhas pro Autódromo de Interlagos. Do Rueda, né? Do Rueda e do Ciro Nogueira.

Pois é, esses dois, assim, é o que eu digo, se eles não tivessem na lista é porque a lista tinha sido falsificada. Porque era óbvio que eles iam estar nesse negócio. Cara, se começar a investigar, esses dois partidos acabam. E o PL tá bastante enrolado também. Não é só o seu Felipe Barros, não, entendeu? O Cláudio Castro do Rio de Janeiro, que é quem botou quase um bilhão de dinheiro nos aposentados, é do PL e do Bolsonaro. O que eu quero dizer, antes de mais nada, é o seguinte, se acabar essa história com dois ministros do STF presos e menos de 50 deputados de direita presos, foi pizza.

a culpa lá no negócio, não que eles fossem inocentes, mas pra, enquanto todo mundo tava olhando eles serem presos, os bandidos que trabalharam com o Vorcar esse tempo todo pra roubar com o Master e pra acobertar o Master, vão ter fugido da cadeia mais uma vez. Como, aliás, em grande parte aconteceu durante a Lava Jando. Muito bem. Ana, vamos lá para arrematar. Olha, todas essas mensagens que estão saindo e citando todos esses políticos, elas são divertidas pra gente e ajudam a compor, né? O que que é a política? Como está a

política nesse país e o poder do Vorcaro. Mas eu acho que a gente precisa lembrar que há um trabalho de investigação enorme pela frente e que passa por uma coisa que não tem nada a ver com essas conversas e que tem a ver com a REAG, a gestora de recursos que atuava em parceria com o Master. Vamos lá. Imagina essa hipótese remotíssima que você tem o deputado barra senador barra governador barra ministro

João da Silva. João da Silva fez muito favor pro Vorcaro. Mulher de João da Silva ajudou muito o Vorcaro. Filho do João da Silva, irmão de João da Silva. E aí o Vorcaro tinha que pagar, né? Por esses bons serviços. E ele tinha uma fórmula que era usando os fundos da própria REAG. E por que da própria REAG? Porque a REAG fazia parte do esquema e não ficava perguntando aquela pergunta básica do know your client, né? Conheça seu cliente, que é o que os bancos e gestoras são obrigados

fazer na hora de abrir uma conta. Pra REAG, quanto menos eles conhecessem o cliente, melhor pra eles. Exato. Então, o Master podia abrir fundos exclusivos ali na REAG, que são, na verdade, a maioria dos fundos da REAG, né? Dos mais de 400 fundos que eles têm, a maioria é de fundo exclusivo, ou seja, que tem apenas um cotista. E no Brasil, quem é rico, né? Cria fundo exclusivo pra pagar menos imposto, pra esconder dinheiro da mulher na hora de separar e pra mandar dinheiro pra fora legalmente ou

ilegalmente. O que que acontecia com o Master? Ele constituía fundos exclusivos pra operar dinheiro pros amigos do Vorcaro, pra coisas lícitas e ilícitas. Então, a Polícia Federal vai ter que vasculhar esses fundos da REAG pra descobrir onde que tá o pagamento do João da Silva. Quando a polícia pegar fundo por fundo e ela vai poder investigar fundo por fundo, a Justiça vai autorizar, o Supremo vai autorizar que ela investigue todos os fundos da REAG

ou ela vai ter que mostrar muitas evidências de que tal fundo pertence ao João da Silva para investigar ou ela vai poder fazer uma triagem em todos os fundos da REAG. Uma vez que ela consiga investigar o fundo X, que pode ser do João da Silva, ela vai descobrir que o cotista do fundo é uma empresa, sociedade anônima, com sede lá em Luxemburgo. Aí ela vai lá para Luxemburgo e vai descobrir que os acionistas dessa empresa de Luxemburgo

holdings lá em Singapura, entendeu? E aí chega em Singapura, vai descobrir que o administrador da holding em Singapura é o motorista do João da Silva, entendeu? Então assim, é um trabalho de formiguinha que a polícia vai ter que fazer a partir de agora, pra ver o que o João da Silva recebeu. Porque se você tem uma aplicação desse montante de fundos de pensão, e que com certeza houve uma corretagem por parte de quem mandou aplicar,

da REAG. E uma coisa importante, o João Mansur, dono da REAG, que fazia essas operações ilegais pro PCC, que se descobriu no ano passado, e pro Banco Master, ele não teve o pedido de prisão. Ele não foi preso. Nem sequer há informação se ele está no Brasil, porque quando houve a operação do PCC no ano passado, ele estava fora do Brasil. Os fundos que a REAG geria acabaram passando pra outra gestora. Enfim,

Eu acho que essa parte da investigação é a parte que tem um potencial explosivo. Muito mais do que essas mensagens que a gente tá se divertindo aqui. Mas que… Enfim. Se divertindo, mas não tropo. Eu tive insônia essa noite. Não conseguia nem… Não conseguia parar de ler, não conseguia… Enfim. É, rapaz. Muito bem. Eu vou encerrar, então, esse segundo bloco do programa. A gente faz um rápido intervalo. Vamos falar da guerra.

No Irã, na volta. Já voltamos.

Fim do mundo.

internet ou na livraria mais próxima.

que a gente temia, parece que está acontecendo. É, Fernando, o pessoal de relações internacionais que eu conversei também está na mesma dúvida que todo mundo. Quer dizer, se você quiser achar uma explicação fechadinha, bem organizada sobre as motivações do Trump nesse caso, até agora não é fácil. Então, basicamente, as duas principais linhas de argumentação até agora são, por um lado, que esse é um momento, um processo mais longo. O Trump abandona o acordo que o Obama

tinha feito com o Irã sobre essa questão nuclear. E desde então a questão fica tensa. Não tem mais o acordo, então o Irã volta a investir em tecnologia nuclear, mas a tensão vai subindo, tem vários caramuças, várias guerras por proxy, né? Enfim, o Irã apoia vários desses... Apoia o Hezbollah, apoia os ruts no Iêmen que atacam Israel, enfim. Essa tensão já vem há muitos anos, né? E esse ataque no fundo é um momento do que até agora era uma guerra fria.

de ser Guerra Fria, com aquele bombardeio gigante ao Irã. E que, curiosamente, o Trump disse que tinha acabado com o programa nuclear iraniano. Exato. Se acabou ano passado. Não precisa fazer outra guerra esse ano, né? Enfim. Mas o Trump é o Trump. E agora parece que, se você pegar a The Economist, por exemplo, publicou uma matéria que a visão dos assessores do Trump, não tenho nem como descrever pra vocês como são ruins, é que o Irã não tava querendo ceder tudo pros Estados Unidos. A guerra do ano passado,

teve um certo elemento de coreografia. Teve um certo elemento dos Estados Unidos bombardear sem queimar todas as pontes com o Irã e do Irã retaliar sem queimar todas as pontes com os Estados Unidos. Essa coreografia agora foi desmontada. Porque até agora o Irã tava negociando com os Estados Unidos, depois da guerra do ano passado. O Irã falou, tá bom, vamos negociar de novo. E enquanto tava rolando essa negociação, os Estados Unidos bombardeou o Irã.

Então, do ponto de vista dos Estados Unidos, a justificativa é que o Irã não tava entregando o que eles queriam, mas pro Irã a mensagem é clara, não adianta negociar

se o cara me bombardeia enquanto eu estou negociando, se a negociação vai acontecer sob bombardeios esporádicos para me fazer pressão, não é interessante para mim negociar. O assassinato do Khamenei é uma violação de direito internacional, essas coisas, mas, gente, até essa altura do campeonato, enfim, Trump, direito internacional, não rola. Mas, além disso, os efeitos disso dentro do Irã podem ser bem diferentes do que o Trump gostaria.

O Trump falou claramente que o modelo Venezuela para ele é o ideal, que seria decapitar o regime,

matar o Khamenei, como sequestrou o Maduro, e entrar um novo líder que faça as coisas que os Estados Unidos querem. Tem um certo padrão aqui, né? Venezuela, Irã, o que tem em comum entre esses dois países? São grandes reservas de petróleo. Então, o primeiro passo seria entregar o petróleo, basicamente, para os Estados Unidos. E, segundo, enterrar de vez o programa nuclear. Só que, enquanto o Trump está negociando isso lá com os iranianos, enquanto ele está dizendo claramente para os iranianos, ó, se alguém aí do regime me entregar isso, eu paro a guerra,

quiser compor comigo. Exato. Enquanto ele tá dizendo o modelo venezuelano pra mim tá bom, ele também tá pedindo pra população iraniana sair pras ruas pra derrubar o regime. Cara, por que que iraniano vai cair nessa? Porque ano passado a guerra enfraqueceu muito o governo iraniano. Ano passado saiu um monte de gente pra protestar contra o Irã. Houve protestos imensos. A repressão foi selvagem. Dezenas de milhares de pessoas morreram.

A menor estimativa que eu conheço é 15 mil. E tem algumas entre 30 e 40. Quer dizer, é bastante gente.

de qualquer maneira. Bom, pra começar, um monte das lideranças jovens e tal que poderiam fazer essa derrubada de regime morreu. E, por outro lado, as pessoas só vão sair na rua pra derrubar o regime se elas confiarem que o Trump vai até o fim na mudança de regime. Se elas confiarem que, assim, ó, eu tô chegando aqui pra protestar contra você, Ayatollah, com a maior superpotência do mundo me emprestando as armas deles. Aí o cara vai pra rua protestar.

Agora, se ao mesmo tempo ele acha que o cara vai fazer a solução à Venezuela, quer entregar pra algum outro Ayatollah,

exemplo, ou para entregar para a guarda revolucionária do Irã, uma outra possibilidade que o governo Trump cogitou seria alguém da guarda revolucionária, enfim, a principal força militar do Irã, que poderia assumir o controle diretamente do governo, mesmo que deixasse o Ayatollah como figurativo ali, e fazer um acordo com os Estados Unidos, como os militares venezuelanos evidentemente fizeram. Então você tira esse cara daqui, eu te dou petróleo, você me deixa em paz para continuar governando isso aqui ditatorialmente. Agora, se o Trump está negociando isso de um lado, ele não

pode pedir para os iranianos ele ir para a rua, porque senão o pessoal do Irã vai estar lá na rua, um dia o Trump chega e fala, opa, cheguei em um acordo aqui com a guarda revolucionária, o Trump vai embora e está lá os manifestantes sozinhos para serem massacrados. Então, as perspectivas de mudança de regime são muito complicadas e dá muita impressão que o Trump se meteu num negócio que ele não sabe o que está fazendo. O Irã é um país muito complexo, cara.

Exatamente. Tem mais de 90 milhões de habitantes, é o dobro do Iraque. Não, no começo do ano,

quando teve o negócio da Venezuela, o Marco Rubio chegou a falar, não, o Irã é um caso bem mais complexo. Aparentemente o Trump mudou de ideia, achou que não é mais tão complexo. Mas obviamente é, quer dizer, é um regime muito mais bem enraizado. Quer dizer, o Camenei tinha quase 90 anos, cedo ou tarde ele ia morrer, né, gente, nos próximos anos, de maneira que o regime claramente já estava preparando a sucessão do Camenei. E, aliás, como todos os comentários estão dizendo, para o Camenei foi uma morte gloriosa.

Ele poderia morrer meio como o Brejneve, que, para quem não lembra, foi um secretário-geral do Partido Comunista,

da União Soviética, que não por acaso vocês não lembram. É um cara que ficou muito tempo na liderança da União Soviética, mas era um burocrata totalmente cinzento, obscuro e não carismático e que, enfim, morreu e ninguém mais lembra dele. O Khamenei poderia entrar pra história assim, mas agora ele entra pra história como um mártir. Ele foi martirizado durante o Ramadã pelos Estados Unidos. Então, o Khamenei agora ganha um status simbólico dentro do Irã que ele nunca teve.

Ele não era o Khomeini, que é o cara que de fato liderou. Eles adiaram a cerimônia fúnebre que vai durar três dias.

Teria que começar ontem, quarta-feira ontem, para nós que estamos gravando na quinta, e foi adiada a cerimônia. É, não sei se tem condições de segurança para fazer, né? Então, enfim, a nítida sensação entre todos os especialistas de relações internacionais, de todas as vertentes, de todas as posições ideológicas, é que o Trump se meteu num negócio que ele não entende. Ele não sabe o que está fazendo. Porque o que alguns analistas estão dizendo é que, comparado a essa preparação do Trump para começar uma guerra contra o Irã, a preparação para o Iraque foi detalhadíssima.

cuidadosa. Mas cada vez mais o governo Bush se mostra muito mais profissional que ele. Que é terrível, né? Se você pensar, né? Pelo amor de Deus, olha como os padrões caíram, né? Enfim, as perspectivas são muito ruins por causa disso, porque basicamente é uma guerra iniciada por um cara que não sabe o que tá fazendo e que cada vez que ele vai uma maluquice dessa, de não, tô negociando, mas vou bombardear do mesmo jeito, ele vai tirando o incentivo dos outros negociarem com ele.

A melhor análise que eu vi até agora sobre isso foi da Patrícia Campos Melo na Folha,

quando ela disse que o Irã pode desafiar a teoria do louco do Trump. A teoria do louco é um negócio de teoria dos jogos, é um negócio que existe, é sério, a gente discutiu já aqui uma vez. Mete o louco. É, se você parecer louco, o seu adversário pode ceder mais do que cederia racionalmente, porque ele pensa, cara, eu não sei se esse cara vai agir racionalmente, então ele pode perfeitamente fazer uma coisa que taque fogo em tudo, ou ele pode aceitar perder tudo que ele tem pra me sacanear, enfim.

Então, assim, o Trump vinha tentando aplicar a teoria do louco em política internacional.

E os ayatolais estão virando pra ele dizendo aqui, ó, dois podem jogar esse jogo, entendeu? Assim, a gente tem bastante maluco aqui também, se você quiser. Então, enfim, a gente tem que torcer muito pra esses países que estão tentando negociar uma saída diplomática, como Oman, por exemplo. Basicamente, talvez a sorte do mundo dependa de Oman. Que eles consigam, enfim, basicamente apagar esse fogo. Porque isso aí tem toda a cara de um negócio que é faísca pra começar um incêndio pior.

a guerra mundial? Não, qualquer coisa desse tipo. Pensa em uma guerra regional no Oriente Médio. Tem todos aqueles países entrando em guerra um com o outro. O custo humano é incalculável. Pode virar uma guerra nuclear. Mas, além disso, pensa no seguinte. Não tem mais petróleo no mundo. Não tem. O mundo vai virar Cuba. Cuba está quase caindo o regime lá porque não tem combustível. O mundo vai ser assim. Imagina os efeitos sociais e políticos de um negócio desse.

Então, assim, o nível de responsabilidade do governo americano nesse caso é difícil achar uma coisa com a qual você possa

compará-lo, entendeu? De irresponsabilidade, né? De irresponsabilidade. Sim. Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre isso. Eu só queria ponderar aqui que muito antes do Trump voltar pra esse segundo governo, tem um marco nessa instabilidade no Irã, que foi a morte da Maza Amini, que foi uma garota, uma moça, né, que usou, digamos, inadequadamente o hijab, né, o véu.

e acabou sendo morta pelas forças policiais, pela polícia moral do Irã. E isso desencadeou uma série de manifestações que foram se agravando, aí eram reprimidas, aí se agravavam de novo. Isso antes do Trump voltar para o poder. Com essas operações contra o Irã, esses ataques desde o ano passado também, ele de certa forma instrumentaliza essa insatisfação da população, que é uma insatisfação com tudo.

assim, é um país que economicamente vai mal, mil sanções, né, inflação, enfim, país totalmente isolado. De certa forma, ele instrumentaliza o que já estava acontecendo lá dentro em favor desse plano dele de mudança de regime, que, como o Celso bem falou, não tem a menor chance de dar certo, porque não há, ali no Irã, uma possibilidade de composição como houve na Venezuela com a Delce, por exemplo. Chega ao ponto de a gente estar, aquela coisa, ri pra

não chorar ou, enfim, rindo de nervoso, né? Porque a gente tá diante de uma guerra no Oriente Médio e ele chegou a cogitar ou conversar ou, enfim, com o herdeiro do Reza Palavi, o Shah da Pérsia, que morreu, enfim. Era o ditador antes da ditadura do Zayatolay. Um cara que não tem representatividade nenhuma, descendente de um governo autoritário, ou seja, se ele instrumentaliza e quer instrumentalizar essas manifestações da população iraniana, é pra

colocar um cara que quase não é de lá e que provavelmente não tem nenhuma intenção de fazer um governo democrático. E que todo mundo já derrubou, né? Exato. O Shah era ladrão pra cacete também. Esse cara aí até agora, até hoje, se sustenta certamente com o dinheiro que o Shah roubava lá dos iranianos. Exato. É uma tristeza. E agora eles estão cogitando colocar os curdos no governo do Irã. Ou seja, uma minoria de 10% da população iraniana que não tem absolutamente...

nenhuma representatividade pra governar um país complexo, como o Irã. Não existe experiência de governo entre os curdos, né? Os curdos poderiam até se separar do Irã. Talvez isso pudesse funcionar. Mas ele quer dar o Irã pros curdos. Porque parece que os curdos agora estão conseguindo, os curdos entre eles, chegar num consenso entre eles, porque eles também têm várias vertentes ali, né? Divergentes. E que talvez aquilo poderia ser a solução.

Então assim, é uma bagunça completa numa região como essa, né? E a chance disso virar um Iraque, um Afeganistão, e depois eles deixarem ali a coisa se agravar e ir embora, pegar o avião, o caça e voltar para os Estados Unidos e deixar aquilo ali, aquela bomba, é imensa, entendeu? Olhar para aquilo, perceber que pode ser que eles consigam alguma negociação vantajosa em petróleo, mas assim, deixar o país totalmente depalpado,

pela própria instabilidade que já existe, né? Então, essa tá sendo a principal, o caminho que mais se vê como possível hoje pro Irã, assim. É o pior deles, né? Talvez pior que isso seria o país ser inteiramente destruído por Israel. Ou pelos próprios Estados Unidos com Israel, né? Mas não existe nenhuma possibilidade do que tá acontecendo agora primeiro. Parar, né? Ele simplesmente olhar e falar, bom, acho que isso aqui pode ter sido uma bobagem, vamos tirar o time de campo e voltar.

chance disso acontecer. Zero. Manda o Temer mandar uma carta, que nem o Bolsonaro lá em 2017. Foi mal, tava doidão. E aí, eu queria apontar pra uma certa hipocrisia que a gente já falou algumas vezes aqui no foro, no caso da ONU. Engraçado que nesse caso, como também no caso da Venezuela, os países europeus, as grandes democracias do mundo, em nenhum momento se manifestaram dizendo que os Estados Unidos feriram os preceitos da carta da ONU nessa operação. Como eles também

não fizeram no caso da Venezuela, que foi uma invasão também, não justificada. Diferente do que eles fizeram no caso da Ucrânia, em que todos eles se mostraram indignados com o fato de a Rússia ter desrespeitado os artigos da Carta da ONU. Então, existe, de certa forma, na comunidade internacional, uma passada de pano para todas as violações que os Estados Unidos estão cometendo nesses ataques contra o Irã. E, óbvio, o Irã não é uma democracia como a Venezuela,

Ela também não era. Todo mundo reconhece isso. Mas na carta da ONU não tá dizendo que se não é democracia, pode atacar. Entendeu? Não, nada justifica. Esse ataque é uma insanidade, né? Exato, exato. São dois psicopatas, o Netanyahu e o Trump, tentando se manter no poder. E o Trump tem agravante, você falou, a comunidade internacional passando pano. Mas ele tá em rota de colisão com a Europa, né? A Europa não se opôs. E há uma discussão no Reino Unido hoje sobre entrar junto na guerra.

A Espanha se recusou a ceder bases militares pra que ele pudesse usar. Ele falou mal da Espanha, né? Falou que ia impor sanções à Espanha. Outros países da Europa saíram em defesa... Da Espanha. Do regime espanhol. É, mas não do Irã. No Iraque, eles também passaram por cima do... Mas tentaram fazer uma... Uma coalizão, né? Uma coalizão. E no Iraque, a Europa...

de fato foi junto, né? Foi, foi. Tony Blair se afundou na vida por ter entrado na guerra do Iraque. Todas as variáveis inspiram muito mais temor de que algo pior possa acontecer. Porque se acontecer um Iraque ou um Afeganistão, é pior. Porque o Irã não é o Iraque ou o Afeganistão. O Irã é um país maior, estratégico, com uma população enorme. E olha só, se o Irã virar o Iraque, aquelas várias facções que disputavam o Iraque vão também estar disputando um programa nuclear. Vão estar disputando um estoque de urã

enriquecido. O Irã é um país importante. É um dos 20 maiores países do mundo. Exato. E agora, assim, internamente pro Trump, isso é uma questão que pros democratas é muito complexa. Porque não tem como você pegar lá e chegar, você, um representante do Partido Democrata, chegar lá e defender o Irã. Ou não ataque o Irã, assim, diante todo o histórico dos Estados Unidos com o Irã. Então ele coloca, de certa forma, o Partido Democrata numa sinuca ali. Com esses ataques, porque por mais que eles

que os Estados Unidos não deveriam se envolver numa guerra, não dá pra vocalizar algo em defesa do Irã lá dentro. Então, ele de certa forma sufoca a oposição ao que ele fez. Claro que você pode se opor no aspecto econômico. Ah, o governo entra em shutdown, mês sim, mês não, e você vai usar nosso dinheiro pra fazer uma operação no Irã, sendo que a gente tá precisando disso aqui. Inclusive, dentro do próprio Partido Republicano, esse é um argumento também, né?

ideia lá dentro tende a ser sufocada pela histórica relação ou divergência dos Estados Unidos com o Irã. E por último, no caso do Brasil há essa perspectiva de um encontro com o Trump, de uma visita do Lula, uma visita de Estado aos Estados Unidos, que estava prevista para acontecer em algum momento de março, mas que diante da situação agora ela está um pouco pendente, porque existe uma discussão no governo e tem partes ali que concordam ou discordam

que se seria bom pro governo chegar aos Estados Unidos nesse momento, porque daí você se coloca numa situação em que você é obrigado a discutir o Irã. E aí você não quer também uma desavença, porque o que tá acontecendo agora, na verdade, é uma retomada de relação depois do tarifácio do ano passado. A gente tá num ano eleitoral, se realmente quer se colocar nessa situação delicada, assim, a gente tá precisando de uma briga com os Estados Unidos por causa do Irã nesse momento. Sem dúvida.

a gente deveria agir com parcimônia e tentar postergar esse encontro pra depois. E há outras pessoas que acham que o governo deveria manter a agenda e tentar se esquivar do assunto desconfortável. E falar do que é importante pro governo hoje, que na verdade o Lula mais queria discutir com o Trump, é tentar fazer um acordo na parte de combate ao crime organizado e ao narcotráfico, que é um assunto que eles consideram que é um dos poucos pontos de contato entre os dois governos.

E eles acham que isso poderia ser, inclusive, uma vantagem para o Brasil na hora do discurso da segurança pública, quando o Lula estiver em campanha. Você ter essa parceria com os Estados Unidos. Eles acham que isso é fundamental. Então, a gente está nesse labirinto hoje. Mas é possível que o encontro não aconteça em março, em razão de tudo isso. Talvez seja postergado para abril, por exemplo. Perfeito. Fernando, antes de acabar o bloco, eu só queria fazer uma errata do programa anterior. Errei feio, errei rude.

Isis da Suprema Corte americana. Eu confundi o Neil Gorsuch com o Brett Kavanaugh. Então eu queria agradecer o pessoal que me avisou e fica aqui a correção. Muito bem. A gente encerra então o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo na volta. Kinder Ovo. Já voltamos.

produzido pelo Estúdio Novelo. A convidada dessa semana é a escritora e jornalista Rosisca Darcy de Oliveira. Quem viveu esse feminismo do nosso tempo pode entender isso muito bem. Quer dizer, não era só um movimento político. Uma experiência existencial de cumplicidade, de lealdade, de presença na vida real, na vida concreta de nós todas. Aquilo virava assim uma família. E eu realmente tributo.

ao movimento de mulheres, a minha salvação no exílio. A Rosisca contou para a gente sobre como foi se tornar feminista e lutar pelos direitos humanos num período como a ditadura militar no Brasil. E a gente também conversou sobre educação, cultura e sobre a atuação dela na ABL, a Academia Brasileira de Letras. O Escute as Mais Velhas é produzido pelo Estúdio Novelo e já está disponível em todas as plataformas de aula.

Os episódios são publicados sempre às terças-feiras. Siga o podcast para não perder. Tem uma fórmula por trás de muitos grandes blockbusters de Hollywood. Uma criatura misteriosa ameaça uma comunidade e alguém improvável vai lá enfrentar o problema. A história do Rádio Novelo Apresenta dessa semana tem tudo isso. Mas ela não se passa numa ilha com dinossauros, nem uma nave isolada no espaço. E sim numa escola pública de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O cheiro dele era muito forte, é muito forte, né? Um cheiro forte, né? Injoativo. No dia em que a merenda era peixe, as crianças não comiam de jeito nenhum. A gente já chegava no portão de entrada, a gente já falava, hoje é peixe, né? Até que uma professora foi investigar e descobriu que o problema ia muito além da escola dela. No episódio Em Águas Profundas, a gente te conta que criatura misteriosa era essa e como ela foi tomando conta do Brasil.

Muito bem, estamos de volta. Pode soltar, diretora. E eu pergunto, qual político brasileiro consegue ser investigado durante 10 anos e a Polícia Federal e o Ministério Público não conseguem nada? É o Gilson Machado? É baiano? Pode falar. Não tem, mas... Puta, essa gente vai... Foi humilhante. Quem fala é o ex-senador, ex-ministro Romero Juca.

Ah, não. Mas eu não reconheceria. O MDB de Rorama entrevista a CNN Brasil para os anais. Mari Faria, você está empilhando vitórias. Ela voltou das férias, terrível. Essa foi boa. Essa foi muito boa. Essa foi muito boa. E a frase é muito boa. A frase é muito boa. Bom, depois de mais essa derrota da classe operária, vamos para o momento em que não há derrota. O momento de vocês, o momento das cartinhas. O melhor momento do programa.

Eu vou então começar lendo a mensagem da Marta Fellows. Já era muito fã da Ana Clara. Agora quero uma carteirinha própria. Além de excelente jornalista, ela é remadora. Este meu esporte de coração é relegado pela maioria dos brasileiros, mas não por nossa sábia. Viva a Ana Clara! Uau, Ana Clara! Ai, que legal! Nossa remadora! Adoro! Ela rema em vários sentidos, viu, Marta?

Rema na apuração, rema. Ela rema. Rema mesmo. O Jefferson Fernando escreveu Nunca comento porque sempre acho que não sou inteligente o bastante pra isso. Mas preciso dizer o quanto eu amo quando o Celso pausa as piadas nos comentários pra que o Fernando solte aquela gargalhada maravilhosa. E quando a piada é tão sem vergonha e ácida que até a Ana ri junto. Eu ri de qualquer coisa, filho. Sem desmerecer as piadas.

Não, mas é que... Os ouvintes já estão vendo pausas dramáticas no programa. Acho que tudo é encenado. Ele falou que até a Ana ri. Eu sou o que mais ri. Bom, enfim. Sou muito grato por ter vocês às cestas me fazendo pensar. Fui no evento no Rio de Janeiro e ainda tirei foto. Isso foi um sonho. Meu noivo, que não os conhecia, ficou apaixonado pela inteligência da Ana. Beijo para vocês. Pô, Jefferson, que legal. Adorei essa cartinha. Valeu, Jefferson. Muito legal. Os neurônios da Ana remam.

E um beijo pro seu noivo, que você não disse o nome, mas... É, muito bom. Aí o nosso alô. Ótima cartinha. Excelente.

de história, apesar de tudo. Parabéns, Vinha. E pra começar, todo professor de história é meu ídolo. Parabéns pra você mesmo. Parabéns. Muito bom. Mas, ó, eu como influencer sou o maior fracasso. Não consigo influenciar nem minhas gatas aqui em casa. É, também. É que eu não tô influenciando muita coisa, não. Chama, elas não vêm, tá? É, exatamente. Sou péssimo influencer. É isso. O que é bom durar pouco, o que não é tão bom também acaba.

A gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 star pra gente no Spotify. Segue,

no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. Foros Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem do programa é do Gilberto Porcidoni. A edição é da Bárbara Rubira e da Mari Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues,

Hipoca Sound, Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana em São Paulo e no Estúdio Rastro do Grande Dani Dino, Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Até semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos, apesar de tudo. E até semana que vem.

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