Justiça para Marielle, limites para Trump e outros penduricalhos
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam os efeitos do caso Master na corrida presidencial e a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que mostra Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro numericamente empatados em um possível segundo turno. No segundo bloco, o trio discute a condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, incluindo os irmãos Brazão e outros envolvidos, em um julgamento histórico oito anos após o crime. No terceiro bloco, o programa trata da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço de Donald Trump por seis votos a três, abrindo uma nova disputa jurídica e política sobre a política tarifária americana e seus efeitos econômicos e eleitorais.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft101
Envie uma mensagem – ou um áudio de até 1 minuto – para o Correio Elegante pelo e-mail (forodeteresina@revistapiaui.com.br) ou por nossas redes sociais.
Lula, volume 2 já está em pré-venda. Para comprar, acesse o link https://www.amazon.com.br/dp/8535945857
10% OFF no curso Fazer Foto, da fotojornalista Gabriela Biló, com o cupom FORO10! Para se inscrever, acesse www.seiva.com.br
Quer anunciar no Foro de Teresina? Entre em contato com nossa área comercial: comercial@revistapiaui.com.br.
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Caso Master e corrida presidencialPesquisa AtlasIntel/Bloomberg · Empate Lula vs Flávio Bolsonaro · Impacto da crise do STF na avaliação do governo · Bolsonaristas e anistia · Fraude do setor financeiro
- Assassinato Marielle FrancoIrmãos Brazão condenados · Ronald Alves Pereira condenado · Rivaldo Barbosa condenado · Obstrução da justiça · Federalização da investigação · Milícia e crime organizado no Rio
- Poder JudiciárioVerbas indenizatórias · Auxílios múltiplos · Pagamentos acima do teto · Tribunal de Justiça de São Paulo · Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro · Benefícios dos desembargadores · Decisão do Supremo sobre limites
- Decisão da Suprema Corte americana sobre tarifas de TrumpDerrubada do tarifaço · Votação 6 a 3 · Lei de Poderes Econômicos de Emergência · Voto de John Roberts · Nova tarifa global · Impacto no Brasil e produtos brasileiros
- Lula e TrumpDiscussão de tarifas · Pauta comercial · Seção 301 · PIX e investigação · Acordos comerciais · Questões geopolíticas
- Investigação Epstein nos Estados UnidosPrisão de ex-príncipe britânico · Prisão de Peter Mandelson · Desvio de atenção das tarifas
A história do Brasil não nasce só em grandes datas. Ela se escreve todos os dias. O que transforma aperto em ideia. E ideia em negócio. E quando o olhar do jornalista encontra a coragem do empreendedor, a gente constrói o país no detalhe. E o Sebrae reconhece quem dá voz ao pequeno. Prêmio Sebrae de Jornalismo. O negócio é fazer história. Inscreva-se até 8 de junho em premiosebraejornalismo.com.br
Rádio Piauí Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí.
Brasil. Quem souber responder essa pergunta, ganha um prêmio. Ninguém sabe. Hoje nós devemos ter aproximadamente 2 mil ou 3 mil tetos vigentes no Brasil. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda. Oi, Fernando. Oi, pessoal. Quantas Marielles o Brasil permitirá
sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernandes. Estamos aí. Mais uma sexta-feira. Mais uma sexta-feira. Sem mais delongas.
aos assuntos da semana. No primeiro bloco, a gente vai falar do caso Master, dos penduricalhos e da corrida presidencial. Um pupurri com foco inicial no Supremo, a Casa do Judiciário, poder que tem sido o centro das atenções e das preocupações políticas nos últimos tempos. O presidente da Corte, Edson Fachin, arquivou a suspeição de Dias Toffoli e o novo relator do caso Master, André Mendonça, passou horas em reunião com a Polícia Federal na segunda-feira para atualizar o entendimento
No capítulo dos penduricalhos,
Essa palavra que parece fazer barulhinho e traduz tão bem o funcionamento do Estado patrimonialista que dá as cartas no país. Neste capítulo, o ministro Flávio Dino havia dado no início do mês prazo de 60 dias para que os três poderes revissem seus benefícios, muitas vezes indevidos, puxadinhos para obter vantagens aqui e ali. Nessa semana, Gilmar Mendes foi na mesma linha a respeito das verbas de caráter indenizatório. Fachin juntou as duas decisões e elas começaram a ser analisadas pelo plenário da corte.
E o que tudo isso, ou caso o Máster, tem a ver com a corrida presidencial é o que o Celso vai nos dizer. Uma nova rodada da pesquisa Atlas Intel Bloomberg, divulgada nesta semana, apontou Lula e Flávio Bolsonaro numericamente empatados
No segundo bloco, a gente vai tratar da condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
do Supremo condenou os irmãos Brazão, Domingos e Chiquinho a 76 anos de prisão. O conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e o ex-deputado federal já estavam presos há dois anos. Eles não só tinham contato com a milícia, eles eram a milícia, afirmou Alexandre de Moraes durante o julgamento. Também foi condenado a 56 anos Ronald Alves Pereira, conhecido como Major Ronald, policial militar reformado e ex-chefe da milícia da Musema na Zona Oeste do Rio.
Ele monitorou a rotina de Marielle para repassar as informações a Rony Lessa e Elcio de Queiroz, o primeiro autor dos disparos e o segundo o motorista do carro usado no crime. Ainda foram condenados Rivaldo Barbosa de Araújo, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, por obstrução à justiça e corrupção passiva, com pena de 18 anos, e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, por organização criminosa.
prisão. Este é um julgamento histórico, por várias razões, e a gente vai discuti-las. No terceiro bloco, a gente fala da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou o tarifaço de Donald Trump. Por seis votos a três, a maioria disse que o presidente extrapolou a própria autoridade ao usar uma lei de emergência econômica para impor tarifas de alcance quase global, sem passar pelo Congresso. O voto de John Roberts recoloca a política tarifária no lugar onde a Constituição americana
e atinge o principal instrumento de pressão comercial que a Casa Branca vinha usando desde o ano passado. Trump respondeu no mesmo dia dizendo que nada muda na política, só o caminho jurídico e anunciou uma nova tarifa global com base em outro dispositivo legal. A decisão abre uma disputa sobre a devolução de bilhões já arrecadados, deixa acordos comerciais em suspenso e cria um intervalo entre a vontade política de taxar e a capacidade imediata de fazer isso.
organizar a estratégia econômica e eleitoral do governo daqui em diante. E o Celso, mais uma vez, vai nos explicar isso. É isso. Vem com a gente. Muito bem. Ana Clara, vamos começar com você. Como eu disse na abertura, é um pupurri de coisas, mas eu sei e aposto que você vai começar pelos penduricalhos. É, ó. Informação privilegiada. Não é? É. Bom, esse assunto é aquele assunto óbvio, né?
e que ninguém consegue resolver, porque, em geral, quem pode resolver também recebe penduricalho. Só quem não recebe penduricalho somos nós que amar e barra os nossos penduricalhos. Amar e moraliza a bagunça aqui. É, só ficou o pão de queijo. Exato, pra vocês. Se mexer no pão de queijo, vai ter brilho. Bom, a questão é que, embora os privilégios do Congresso sejam revoltantes, porque tem verba de gabinete, milhares de auxílios, os reembolsos, as viagens,
internacionais, pagas com dinheiro público que quase nunca servem ao interesse público. O que realmente pega são os penduricalhos do judiciário. E eles são mais relevantes porque há muito mais juízes do que deputados e senadores. Juízes, promotores, procuradores, desembargadores. No Brasil inteiro eles são muito mais numerosos, então os penduricalhos deles acabam pesando muito mais. Além disso, eles podem criar penduricalhos por vias administrativas,
órgão consiga disciplinar essas verbas, que muitas vezes não estão previstas em nenhuma lei. E o Congresso, por mais que eles quase sempre consigam aprovar as benesses que eles querem, sempre tem o constrangimento público porque as votações em geral tem cobertura da imprensa, né? Então nos casos do Congresso a gente fica sabendo o que eles fazem e no caso do Judiciário, como são decisões administrativas, ninguém fica sabendo e o céu é o limite pra elas. Um levantamento do Globo
feito pelo Dmitrius Dantas, mostra que os pagamentos acima do teto no Judiciário subiram 43% em um ano entre 2024 e 2025, superando 10 bilhões de reais. Ou seja, você ganhar o teto no Judiciário, que é o teto do salário do ministro do Supremo, de 46 mil reais, um pouco mais, isso é, na verdade, raro. O normal é você ganhar acima do teto.
10% dos membros da magistratura e do Ministério Público ganham acima do teto. Ou seja, só 10% ganham o teto. E isso faz com que o teto seja visto como piso, na verdade, não como teto, né? E assim, no caso dos juízes, é um negócio impressionante, né? Eles têm direito a uma folga cada três dias trabalhados. Três por um. Tem a jornada seis por um? No caso do judiciário, é três por um. Tá vendo? E o Celso aí feliz com o pão de queijo. E se você não folga,
tem direito a receber o valor desse dia de trabalho como verbo indenizatória. E aí você tem auxílio moradia, auxílio transporte, auxílio saúde, auxílio viagem pra trancoso, auxílio livro, auxílio, enfim, todo tipo de auxílio. Pra vocês terem uma ideia, o Tribunal de Justiça de São Paulo, que é considerado o maior tribunal do mundo em número de juízes, aí contempla desembargador, enfim, as carreiras do judiciário, são 729, é o maior tribunal do mundo. E segundo o Metrópolis, eles pagaram 4,3%.
3 bilhões de reais em penduricalhos no ano passado. E os rendimentos desses servidores foram, em média, de 123 mil reais. Em média. O rendimento que eles embolsaram, sem redutor nenhum. Só com base nos penduricalhos. Sendo que o teto é 46 mil. Embora São Paulo se esforce, é difícil ganhar do Rio de Janeiro. O Tribunal de Justiça do Rio é realmente especial. Os benefícios são fabulosos.
desembargador tem direito a um carro blindado importado de mais de 400 mil reais cada um. As custas processuais da justiça aqui no Rio de Janeiro, elas acabam indo pra um fundo que os desembargadores pegam pra eles, assim, no sentido assim, não que eles sacam o fundo, não é isso. Mas eles usam esse dinheiro das custas, que é um dinheiro público, né, pra criar benefícios para eles próprios. Então, assim, tem um fundo aplicado e esse fundo chegou até a emprestar dinheiro
para o estado do Rio, quando o estado do Rio estava quebrado. Sendo que, assim, custas processuais, em tese, é um dinheiro que você tem que usar para a manutenção do sistema, não para o carro importado do desembargador, entendeu? Claro. Então, assim, é isso que a gente vive. Só que, dito isso, o Supremo discutir isso agora, tudo indica, tem uma conexão com a crise de imagem que eles estão vivendo depois do caso Master. E a cronologia dos fatos reforça essa percepção.
que é uma percepção, enfim, de todo mundo em Brasília. Porque vocês devem imaginar que toda Brasília está contra qualquer medida contra os penduricalhos. Nos próprios gabinetes dos ministros do Supremo, os juízes auxiliares estão desesperados com essas decisões. Mas vamos voltar para a cronologia. Por que a gente está discutindo isso hoje, né? O Flávio Dino, no final do ano passado, foi sorteado para ser relator de uma ação. Era uma reclamação de procuradores municipais de Praia Grande, em São Paulo,
questionando o Tribunal de Justiça, que limitou a remuneração deles a 90% do salário de um ministro do STF. Eles queriam receber 100%. E aí eles entraram no STF e tal, e era a terceira vez que eles entravam no STF com a mesma demanda. O Flávio Dino recebeu. Essa ação foi sorteado e negou o provimento e a ação foi extinta, porque era a terceira vez que eles entravam e já tinha sido negado. Isso foi no início de dezembro.
que se descobriu envolvendo o Supremo, Caso Master, Taiaiai, afins, os ministros voltam ao batente e o Alexandre de Moraes e o Toffoli fazem aquela defesa apaixonada do recebimento de dividendos por ministros da STF que a gente viu e inclusive comentou aqui, né, do direito deles de receber dividendos, de ser sócio de empresas, ainda que não participem da gestão. O Alexandre de Moraes ainda teve a cara de pau de falar que daqui a pouco iam
proibir ministros de dar aula como se esse fosse o problema. Foi cara de pau. Pois é. E aí, isso foi dia 4 de fevereiro. Essas declarações dos ministros nesse dia, elas mostram uma total desconexão com o que deveria ser o espírito público de quem ocupa essas cadeiras, né? Mas enfim. No dia seguinte, dia 5 de fevereiro, Flávio Dino pega essa reclamação que ele mesmo tinha declarado extinta um mês antes, porque já tinha sido resolvida, e reabre essa ação. E pra não ter
dúvida, ele coloca em capitular mérito da ação. O tema em debate nesses autos versa sobre a observância de precedentes vinculantes acerca do chamado teto salarial. Ou seja, ele pega essa ação pra discutir esse assunto que é um consenso, né? Direita, esquerda, todo espectro político, se existe um consenso nesse país, é que há um, enfim, um abuso, né? Nessa questão dos penduricalhos e dos benefícios do judiciário.
Então, ele transforma esse caso já extinto na discussão. Então, assim, o caso de Paraia Grande vira uma decisão sobre todo o setor público. E quando ele deu essa decisão, que foi 5 de fevereiro, meio que não teve muito efeito, porque o assunto era Máster, era o Toffoli, era a Polícia Federal, era... Enfim, tava aquele auê, né? A gente tava discutindo isso aqui. E aí, vem o Carnaval também. No Carnaval se falava mais da saída do Toffoli, da relatoria, daqueles áudios que foram divulgados
é atribuída a ele. Enfim, quando volta do carnaval, o presidente Lula, ele veta alguns penduricalhos que tinham sido aprovados pelo Congresso para furar o teto de quem trabalha no Legislativo e também no TCU. E aí esse assunto deu uma levantada no tema. E aí o Dino foi lá e deu uma nova decisão proibindo que novas leis sejam editadas para criar novos penduricalhos. Aí o Gilmar foi lá e ampliou isso para o Judiciário dos Estados e para o Ministério Público. E aí realmente a pauta mudou.
Toffoli e Alexandre de Moraes, entrou penduricalhos. A questão é que, como ninguém combinou com os russos, o Congresso, os tribunais e, como eu disse, os próprios juízes auxiliares dos ministros estão irados com essa cruzada anti-penduricalhos, né? Ninguém quer perder. E até o Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, que concorda com o Supremo em absolutamente tudo, ele é quase um ministro do Supremo hoje em dia, até ele foi contra. Então, assim, é a primeira vez que o Paulo Gonet está discordando
do Supremo nessa gestão e saiu em defesa dos penduricalhos. É, isso lembra muito aquela frase do Brecht, né? Primeiro o estômago, depois a moral. Porra. É que o estômago desses caras é estômago de avessura. É isso que eu ia dizer, né? Porra, haja estômago, né? Exato, é. É, espaçoso. É, exato. Agora, é claro que daí teve toda uma discussão, senta pra conversar, o Columbre, o Gumota, Flávio Dias,
porque não dá pra se proibir todos os penduricalhos do dia pra noite, né? Assim, tem muita gente que não está interessada nisso, aliás, a grande maioria. Então eles sentam pra conversar, pra tentar apaziguar. A ideia agora é criar uma regra de transição pra esses penduricalhos, que seja votada no Congresso, pra tentar acomodar ali os interesses. Mas assim, meu palpite muito cético, com certeza daqui um mês ninguém mais vai lembrar dessa discussão e aí...
Aí no fim eles vão aprovar o fim do penduricalho do professor universitário. Alguma coisa. Exato. Achar um penduricalho de um cara totalmente ferrado e lá dizer que o problema é esse cara aqui. O enfermeiro do não sei o que. Exato, servidor do IBAMA. Exato. Vão tirar o auxílio, insalubridade dele. Então é isso que vai acontecer. Vão tirar a indenização do cara do IBAMA que é mordido por onça, alguma coisa assim. A palavra já é maravilhosa.
um diminutivo, penduri, daí vem um caralho no fim, né? Penduri caralho. A palavra já tem essas contradições todas, é. Agora, diante dessa cronologia, vocês acham realmente que esse assunto chegou à pauta por interesse público? Eu tenho dúvidas, não sei, vocês podem discordar de mim, mas diante da cronologia, parece mais fácil que eles tenham usado isso como cortina de fumaça pra tirar o foco. O que não reduz a importância desse assunto,
Eu concordo totalmente com o que você tá falando. E se eles acabassem com o negócio pra usar como cortina de fumaça, também era bom, quer dizer assim. Depois a gente tira a cortina de fumaça, mas pelo menos acabou os penduricalhos. Sim. Mas é difícil imaginar que vai acabar. Por exemplo, se esse negócio do Congresso deixar alguma brechazinha é o suficiente pra algum juiz em algum lugar interpretar que aquela brechazinha permite o penduricalho dele e daí... Sim. Celso Rocha de Barros, introduza o seu penduricalho nessa discussão. Opa!
Momento tenso. Então, Fernando, eu queria puxar para uma coisa que eu acho bastante relacionada a essa discussão, que é o resultado da última pesquisa Atlas. A Atlas faz pesquisa por uma metodologia que é segredo comercial. Eles dizem, não, essa metodologia é justamente o que a gente vende para os nossos clientes, então eu não vou abrir para vocês exatamente o que a gente faz. Então você tem que julgar a Atlas pelos resultados, né?
Em várias eleições. Eu acho que no Brasil ainda não tem tempo suficiente para a gente tirar um diagnóstico definitivo sobre a eficácia do método no Brasil.
mas pelo menos não tem sido significativamente pior do que a dos outros. Todos os institutos de pesquisa têm se saído mal. Então acho que vale a pena discutir o resultado da Atlas. Nos Estados Unidos, a Atlas, Bloomberg... Teve um ano bastante bom. Bastante bom, né? Eu não me lembro agora qual foi a eleição. Não sei se foi a última ou a penúltima, enfim. É uma metodologia diferente, isso tem que ser levado em conta, mas assim, não é um negócio dessas picaretades que aparecem de vez em quando aí, uns institutos novos aí que você falava,
Agora, pesquisa sobre processo eleitoral, que você não revela a metodologia, já temos aí um problema, de qualquer forma. Bem, então, aí é que tá. Aí eles basicamente estão dizendo assim, eu entrego o resultado. Conforme vai passando eleições, eleições, eleições, você vai vendo se ele funciona ou não, e aí estabelece isso ou não a credibilidade do negócio. Mas isso é claramente pior do que se for um negócio, aquela pesquisa tradicional por amostragem que todo mundo sabe como funciona. Enfim. E na nova pesquisa da Atlas, o Lula e o Flávio
aparecem empatados. Nesse resultado, assim, deve ter uns fatores conjunturais. Por exemplo, teve essa confusão toda do carnaval da União de Niterói, que a gente discutiu semana passada. Eu não acredito que o carnaval tenha tido impacto... Eu também acho que não é grande coisa. Eu acho que o pessoal, tem gente dizendo isso, mas eu não vejo que isso vai... Eu não vejo. Flávia Oliveira falou muito bem sobre isso na Globo. Como de hábito, ela falou muito bem.
Sem dúvida. Ela deu uma esvaziada nesse negócio do carnaval. Eu acho também. Esvaziada na influência da escola sobre
processo político, sobre a decisão do voto das pessoas e, particularmente, do público evangélico. Mas, enfim. O principal, que me parece claro, é que a crise do STF está transbordando para o governo. A minha interpretação é que o principal motivo para esse empate, em especial para a queda do Lula, o Flávio subiu um pouco e o Lula caiu. A ascensão do Flávio pode ser aquele processo de consolidação que a gente já vinha falando. O pessoal da direita aceitou que ele é o candidato e quem for de direita vai votar nele.
Você vê que esses candidatos ratinhos, essas coisas assim, não decolaram na pesquisa.
parado. Agora, a queda do Lula merece explicação. E o que me parece é que, primeiro, a direita conseguiu colocar o STF no centro do escândalo do Master. Como o STF impediu o golpe do Bolsonaro, o STF ficou ligado na opinião pública ao Lula. Ficou ligado à defesa do Lula, que isso está errado. Uma parte da opinião pública. É, defesa da democracia, no caso de ser contra o golpe do Bolsonaro. O Lula teve a vantagem na última eleição de ser o candidato da democracia contra o candidato do golpe, e isso agora está cobrando um certo preço,
porque o escândalo do STF está tirando voto da democracia. E agora o golpe empatou com a democracia na pesquisa eleitoral. E, ao que parece, inclusive essa próxima eleição também vai ser democracia contra o golpe de Estado, o que é desesperador. É desesperador que em quatro anos isso não tenha mudado, que a direita não tenha conseguido construir uma candidatura democrática. Isso é uma vergonha para o país. Você vê em todas essas matérias como o Brasil evitou o golpe, é um exemplo para o mundo. Cara, o establishment brasileiro está trabalhando para reverter isso tudo.
nesse exato momento. Tá topando um candidato que vai reverter isso tudo, que é o Flávio Bolsonaro. É até uma ironia, porque o governo tá levando esse ônus da crise do Supremo, sendo que o Supremo tem a avaliação de que o governo não tá ajudando eles em nada. Exato. E isso é desde o ano passado, quando teve o ataque do Trump ao Supremo, ao Alexandre de Moraes e ao Supremo de uma forma geral, o Supremo já achava que o governo tinha deixado eles ao Léo e que não tava junto deles e tal.
ainda. Então, assim, o governo tá levando esse ônus sem que eles, de fato, sejam uma força ali unida. E nem acho que tem que ser, entendeu? Não tem que ser, exatamente. Mas, enfim, é a ironia da coisa, né? É exatamente isso. Por exemplo, tem várias notícias nessas últimas semanas de que o Lula tava muito puto com o Toffoli, torcendo pra ele sair, não só da relatoria, mas de preferência do STF. Eu acredito inteiramente nisso, porque o Lula tá entendendo que, assim, cara, isso vai bater no sistema, né? E aí o cara que se apresentar como antissistema,
que se apresentar como não sei o que lá, sai ganhando diante de um negócio desse. O Toffoli proibiu o Lula de ir no enterro do irmão. Exatamente. Mas eu não acho que foi só isso que fez o Lula ficar com raiva do Toffoli nesse caso, não. Eu acho que realmente o pessoal do governo tava vendo que isso ia sobrar pra eles. Se essa indignação contra o STF respingasse na imagem do STF no combate ao golpe, ou se isso respingasse na ideia das instituições democráticas como um todo, isso seria ruim pro governo, e é mesmo, tá sendo. Essa avaliação tava correta.
isso, o Flávio já disse pra Folha de São Paulo que vai soltar os golpistas, que vai anistiar todo mundo, pai dele, aquele pessoal todo que o mundo elogiou o Brasil por prender, que o Flávio vai soltar. E deixou claro naquela entrevista pra Folha de São Paulo que se o STF reclamar, vai ter golpe de Estado. Ele vai sair das quatro linhas da Constituição. Aí o pessoal diz assim, não, mas o Flávio moderou porque ele fez um post pra comunidade LGBT usando linguagem neutra, né?
Então assim, talvez não seja golpe de Estado, talvez seja golpex de Estadox, alguma coisa assim. De Estado.
É, de estádio, golpe de estádio, mas a ideia do Flávio é a mesma do Jair. Assim, ninguém duvida que o STF cometeu erros gravíssimos do caso Master, a gente já falou aqui várias vezes. Agora, não tem a menor hipótese do STF ser a principal história do caso Master, gente. O caso Master é uma fraude do setor financeiro, do setor privado, da Faria Lima, em parceria com políticos de direita. Eu já falei aqui, parece que eu tô querendo, enfim, fazer propaganda pra esquerda, mas é só contar, gente.
Os árabes não deixaram esse legado, que são os numerais. Se você pegar os numerais,
E sair contando quantos caras de direita e quantos caras de esquerda tem nesse escândalo, a diferença numérica é muito grande. Tem mais gente de direita no Petrolão do PT, por exemplo, tinha duas diretores da Petrobras, uma com o PP e uma com o PMDB no escândalo do Petrolão, do que tem esquerdista no escândalo do Master. Eu já falei aqui que 18 dos entes federativos que botaram dinheiro de aposentado no Master, 17 eram de direita.
Se você quiser botar aqui o PT da Bahia, que tinha lá a mutreta que a Ana explicou com o sócio do Vocário,
fica 17 a 2. Quem tentou salvar o Mastra? Não, olha só, o Ciro Nogueira, do PP, tentou passar a emenda a Mastra, que aumentava a cobertura do FGC. O Felipe Barros, do PL, do Bolsonaro, o mesmo cara que em 30 de novembro de 2022 pediu o artigo 142 discursando no Congresso, também apresentou projeto de lei para aumentar o limite do FGC. Quem assinou o pedido de urgência enquanto o Banco Central julgava o caso para o Congresso poder afastar o diretor do Banco Central?
Pega lá a lista de quais foram os partidos que assinaram. Tem um PSB perdido ali,
o resto é PL, MDB, PP, União Brasil, a turma toda. Quem tentou salvar o Márcio com dinheiro público foi o Ibanez Rocha, o cara que estava lá, o governador de Brasil, durante o 8 de janeiro. Ibanez. O Ibanez Rocha. Quem se solidarizou com o Toffoli, quando o Toffoli saiu da relatoria do caso Márcio, foi o União Brasil e PP. Então, assim, não tem muito o que fazer com isso. Agora, ninguém sabe disso. A opinião pública não sabe disso.
O Cláudio Castro também, o maior aporte de aposentados do Rio de Janeiro. Botou um bilhão de dinheiro de aposentado do Rio de Janeiro.
tem toda razão em insistir nesse ponto. Eu concordo com você, não minimizo e entendo que o foco jogado sobre o Supremo alivia a barra desses caras. E a imprensa, no movimento geral, fez isso. Mas o plano desses caras é deixar esse troço morrer daqui a pouco, deixando a queimação de filme toda com o Supremo. Não é que o Supremo é inocente. Isso não diminui a gravidade, porque quem fez um contrato de 130 milhões de reais com o Vorcaro,
você, né? Quem foi sócio lá no resort, sócio do Forcaro, não fomos nós também. Enfim, tudo isso é bastante grave também. Minha única discordância é que o Centrão quer jogar na conta do Supremo. Eu acho que o Centrão quer, na verdade, passar pano pra tudo que o Supremo... Não, eles querem matar o escândalo. Mas do jeito que tá, a história tá muito conveniente, porque quem que sai queimado dessa história? Cara, olha só, se acabar agora esse negócio, fizeram uma pizza agora no escândalo do Master, quem que saiu queimado?
caras da União Brasil e do PP, que são os dois principais partidos, vão ser disputados a tapa por Lula e Flávio Bolsonaro pra apoiar eles na eleição presidencial. Esses caras todos que estão aí, que botaram de apresentar emenda pra salvar o Márcio, ninguém tá pagando preço nenhum por causa disso. A queimação de filme tá inteira em cima do Supremo. E eu que já, vamos repetir mais uma vez, o Supremo fez um monte de merda nessa história.
Mas a história do Márcio é uma história do Supremo Tribunal Federal? Não, gente. Claramente não. Quem roubou com o Márcio foram esses governadores.
entra num enredo mal nessa história também, porque tem todas as viagens patrocinadas, seminários em Londres, patrocinados pelo Vorcaro. Exato. Enfim, um monte de coisinhas que não são coisinhas e que vão compondo um estado de coisas de uma república patrimonialista. Isso, que é o que a gente é, de fato. Mas o que eu digo é o seguinte, se você deixa esse assunto ficar no ponto que está, acontece isso, enfim. A democracia perde pontos diante da opinião pública, as instituições perdem pontos.
os caras que estão denunciando são os caras que roubaram com o Master. Se você pegar quem tá saindo ganhando dessa história, são esses partidos e esses políticos que estavam roubando com o Master. E que vão apoiar o Flávio Bolsonaro. Ou o Lula também, entendeu? Vai ter caras desses aí que vão apoiar o Lula. Vai ter gente do União Brasil. Cara, olha só, eu vi o Paulo Pimenta falando na CPI do INSS, e aí ele tava reclamando, xingando lá o Master, e ele falava de Campos Neto e das doações do Fabiano Zettel pro
Tarcísio e pro Bolsonaro. Ele não pode falar do União Brasil, do PP, desses caras toda direita, porque ninguém governa sem esses caras. Cara, hoje a gente vai falar de Banco Master, de Caso Marielle, são os mesmos caras que estão lá. O PP tá em todos esses negócios, o União Brasil tá em todos esses negócios. E a gente acaba tratando esses caras como se fosse a atmosfera, sabe? Um negócio que tá aí, não tem o que fazer, não tem como a gente se livrar desse negócio.
Então vamos falar das outras coisas que a gente, em tese, pode mudar. E nessa os caras vão se perpetuando, entendeu? Então eu acho que assim,
A primeira regra pra gente tratar desse assunto é, antes de você criticar o STF, expulsa os bolsonaristas da sala. Porque, olha só, não se pode misturar o processo de aperfeiçoamento da democracia brasileira, que é criticar o STF no Banco Master, com a crítica à atuação do STF contra o golpe de Estado. São duas coisas completamente diferentes. E essa crítica tá vazando dos sites extremistas pro centro. Eu já tô vendo gente dando a entender que não, o problema foi aquele poder todo que deram pros caras lá no inquérito das fake news,
Cara, o inquérito das fake news é assim, a Constituição brasileira de fato dá muito poder para o Supremo brasileiro. É a tese do Carlos Pereira e do Marcos Mello, que é a colheira forte para cachorro grande. A presidência brasileira é muito forte, é muito mais forte que a do Trump, como a gente vai ver no terceiro bloco, e por isso os constituintes fizeram um Supremo bastante forte. No fundo, o que acontece nesse inquérito das fake news é que tinha um monte de coisa que normalmente não é feita pelo Supremo.
Mas por que que dessa vez teve que ser? Porque as coisas que teriam que ser feitas pela Polícia Federal jamais seriam feitas, porque o Bolsonaro aparelhou aquele negócio inteiramente.
As coisas que seriam feitas pela PGR do Augusto Aras não iam ser feitas porque o Bolsonaro aparelhou aquilo inteiramente. E as coisas que deveriam ser feitas pelo Congresso, que é a maioria das coisas, jamais seriam feitas porque o Bolsonaro deu pra eles orçamento secreto. Então, assim, não tem um mundo ideal em que você pode voltar no tempo e substituir o inquérito das fake news pelo Aras tomar vergonha na cara e fazer o trabalho dele.
Ou pelos congressistas desistirem do orçamento secreto pra punir o Bolsonaro pela ofensiva golpista. Isso não existe. O fato é que tem um jovem jornalista qualquer
o Vladimir Herzog da próxima ditadura, que continua vivo e vai morrer de velhice. E essa pessoa não morreu porque o Supremo atuou nesse caso. Então, se você quiser agora voltar com essa crítica pra trás e descer o pau na atuação do Supremo no combate ao golpe, o que você tá dizendo é assim, você topava matar esse cara, entendeu? Pra não deixar o Supremo acumular poderes que, enfim... Eu te acompanho em boa parte, mas não consigo assimilar o fato de que esse inquérito das fake news sirva hoje
O cara amarrar a perna de auditor fiscal em início de investigação. Não pode fazer de jeito nenhum. A gente imaginava que o Alexandre de Moraes estava avançando nas suas prerrogativas em nome da democracia. E agora ele está avançando em suas prerrogativas em nome de outras coisas. E as duas coisas são verdade. Ele estava avançando em nome da democracia e agora ele está avançando como treta. Mas aí o que a gente tem que dizer é isso.
O que ele estava fazendo ali era correto e o que ele estava fazendo agora é errado.
vazando daqueles colunistas que você sabe que vão falar a mesma merda sempre, pros caras mais inteligentes, pros caras que deviam estar escrevendo coisa melhor. Tô vendo aqui se o professor Celso vai aprovar meu próximo artigo. Ah, vou sim, tenho certeza. A gente encerra então o primeiro bloco, o pupurri, como diria o Delphine, pupurri do patrimonialismo, encerramos por aqui, fazemos um rápido intervalo, vamos falar do julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle, já voltamos.
Em junho de 1987, o advogado e ex-deputado estadual pelo Pará, Paulo Fonteles, foi assassinado a tiros dentro do carro dele. Ele era conhecido por atuar na defesa dos pequenos agricultores e da reforma agrária. Nessa época, o repórter Lúcio Flávio Pinto estava trabalhando em dois jornais, o Liberal do Pará e o Estado de São Paulo. Na hora, ele começou a acompanhar as investigações do caso.
administrativa do Liberal com a reportagem em mãos. A diretora ficou impressionada com o trabalho, mas disse que não iam poder publicar a matéria. Isso porque dois dos homens mais ricos do Pará e grandes anunciantes do jornal estavam envolvidos na denúncia. Foi ali que Lúcio Flávio tomou uma decisão. Para poder contar o que ele sabia, ele ia criar um jornal independente, só dele, o Jornal Pessoal. Essa história, contada na revista Piauí de Abril,
que traz a segunda parte do perfil do repórter Lúcio Flávio Pinto, escrito por João Moreira Salles. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br.
Bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você e emendando com o que a gente falou no final do primeiro bloco. Se o Bolsonaro tivesse sido reeleito e não o Lula, muito provavelmente não teríamos esse julgamento e esse resultado.
a respeito do caso Marielle. Não teríamos, Fernando. E a explicação é simples. Durante o governo Bolsonaro era inconcebível federalizar essa investigação. E ela só andou quando federalizou. E por que era inconcebível federalizar? Basta você ver a atitude dos bolsonaristas nos dias seguintes à morte da Marielle. O Bolsonaro inicialmente disse que não daria sua opinião porque ela seria polêmica demais. Cara, olha as coisas que o Bolsonaro diz.
Agora pensa na coisa que ele não teve coragem de dizer. O Alberto Fraga, da líder da bancada da bala,
mentiu que a Marielle seria a ex-mulher do Massinho VP. E publicou fotos. Publicou fotos, uma coisa horrorosa, fotos falsas, exato, uma picaretagem miserável. A desembargadora Marília Castro Neves lançou uma fake news no Facebook dizendo que a Marielle tinha conexões com o Comando Vermelho e teria sido morta pelo Comando Vermelho. O MBL, esse aí todo que agora fez um partido, repostou com a legenda é complicado, muito complicado.
Os bolsonaristas, como todos lembram, rasgaram a placa com o nome da Marielle no palanque em 2018.
palanço. Com o Witzel do lado. E ganharam a eleição. Não é que eles fizeram isso. E aí todo mundo ficou chocado e falou assim, ah, não é possível que um cara seja desumano nesse ponto. Não vou votar nele. Não, o pessoal achou mal barato. 2018 o Brasil estava completamente bêbado. E é bom lembrar que a turidinha desencavaram aqui, porque na época ele não era tão importante. O seu Nicolas Ferreira entrevista um podcast quando era vereador e disse caguei para Marielle.
Fecha aspas. Esse é o Nicolas Ferreira. E que ela não era, abre aspas, flor que se cheire. Fecha aspas.
Então essa foi a reação dos bolsonaristas quando a Marielle morreu. Que é uma coisa inédita. Se você for ver morte de político, cara, todo mundo, todos os adversários, todo mundo vai lá, faz... Nem que seja insincero, mas tem que fazer de qualquer jeito. Tem que dizer minhas condolências à família, etc. Não foi isso que os bolsonaristas fizeram. Os bolsonaristas tripudiaram em cima da morte dela. Como aconteceu quando o Bolsonaro levou a facada.
Exatamente. Todo mundo se solidarizou. Todo mundo repudiou o ataque, enfim. Ninguém falou caguei para o Bolsonaro.
Exatamente. Esse é o padrão elementar de civilidade política. Pelo menos nisso todo mundo concorda. É, e foi uma coisa de governo também, porque quando o Bolsonaro já era presidente, além de não ter ajudado e ter atrapalhado as investigações, eu me lembro que teve um evento em Paris, na Universidade de Paris, em homenagem à Marielle. O embaixador do Brasil na França, Luiz Fernando Serra, na época não foi, porque era em homenagem à Marielle.
E aí eu queria lembrar também que os bolsonaristas tentaram soltar o brasão em abril de 2024.
Bolsonaro gravou um vídeo, quem quiser pode achar na internet, dizendo que se o Brasão fosse preso, isso poderia ser um precedente para o Supremo prender os deputados bolsonaristas golpistas. Quem me dera, Eduardo? Quem me dera? Você confia demais nas instituições brasileiras, entendeu? Eu queria ter o seu otimismo com relação ao rigor que as instituições têm contra os nossos legisladores. Não teve nenhuma investigação dos deputados no inquérito do golpe.
Os parlamentares passaram totalmente ilesos nessa história, mesmo aqueles que foram filmados dentro do Congresso pedindo gol.
Se você pegar a lista dos caras que votaram a favor de soltar o brasão em 2024, está todo mundo lá. E, aliás, é muito parecido com a bancada máster, inclusive. Você tem lá o Arthur Lira, articulou para soltar o brasão. O Elmar Nascimento, do Brasil, trabalhou para soltar o brasão. Todos os bolsonaristas. Bia Kicis, Carlos Jordi, Eder Mauro, Paulo Bilinski. Ramagem, que, aliás, está fugitivo da justiça. Eduardo Bolsonaro, que está fugitivo da justiça.
O Felipe Barro, citado no primeiro bloco. Gustavo Gaia. Pazuello. Pazuello, que você...
nunca mais ouviu falar, pode ter pensado, nossa, quem sabe morreu, não, não morreu. Júlia Zanatta, Luiz Bragança, aquele idiota que mente que é rei, sabe, aquele deputado de São Paulo? Príncipe. É, ele mente que é príncipe, de onde, mané? Porra, ele tá maluco, tá drogado. Marcel Van Ratta, Nicolas Ferreira, todo mundo votou pra soltar o brasão. E não é 200 anos atrás, é 2 anos atrás. Então, pela atitude desses caras, você vê que não podia mesmo ter federalizado o caso enquanto Bolsonaro fosse presidente. E o fato de não federalizar matou boa parte da investigação
porque hoje a gente sabe que o delegado responsável era corrupto, estava no bolso dos assassinos, obstruiu tudo que podia obstruir, então a coisa andou quando saiu dessa esfera e só pôde sair quatro anos depois, quando obviamente já tinha dado tempo de destruir um monte de provas, já tinha perdido um monte de rastro, enfim. De qualquer maneira, o fato de que pelo menos conseguimos prender o Brasil, o Brasil conseguiu fazer isso, é uma coisa a ser celebrada.
Inclusive, a esperança é que novos inquéritos sejam abertos depois das revelações do inquérito,
da Polícia Federal sobre o caso Marielle, sobre a penetração do crime organizado na vida política do Rio de Janeiro, que como se sabe, enfim, não é segredo pra ninguém, né, cara? É bastante comum, né? Milícia tem bancada na Assembleia Legislativa. Isso pra não falar no atirador, no jeito que disparou contra Rony Lessa, que era muito próximo do Bolsonaro, era do escritório do crime, ao qual pertencia também aquele outro Adriano da Nobre, que foi fuzilado na Bahia, que tinha vários celulares
que sumiram. E condecorado pelo Bolsonaro. Condecorado pelo Bolsonaro e parentes próximos deles trabalhavam no gabinete do Flávio Bolsonaro fazendo rachadinha, entendeu? Então, enfim. Há muitas evidências de que esse Adriano da Nóbrega foi executado por queima de arquivo mesmo. Ah, certeza, gente. Pelo amor de Deus. Foi uma operação da Polícia da Bahia com a ajuda da Polícia do Rio e os celulares do sujeito nunca apareceram. Pois é. Olha, só pra pontuar aqui pra vocês, nesse caso, esse julgamento
O julgamento estava previsto, não foi uma coisa que eles tiraram da cartola para dar uma desviada na atenção do Toffoli, não, tá? A família da Marielle estava esperando desde dezembro, ou seja, desde dezembro já estava previsto que haveria o julgamento agora. Então, neste caso, os nossos digníssimos ministros agiram dentro do cronograma. Demorou, né? Esse caso demorou muito. Demorou. Por as razões que o Celso resumiu aí. Exato. E assim, como vocês bem colocaram,
acho que num governo Bolsonaro se chegaria ao ponto de haver um julgamento, porque nem a investigação aconteceria. Mas caso a investigação tivesse acontecido e caso se chegasse ao ponto do julgamento, que é bastante improvável, mesmo nesse ponto eu acho que dificilmente haveria uma condenação. Primeiro, no aspecto político. Os brasão, diante desse congresso, possivelmente eles não seriam punidos. Os ministros do Supremo, que estariam no lugar do Dino e do Zanin,
primeira turma seriam ministros indicados pelo Bolsonaro, né? Uma hipotética situação em que este país ainda fosse uma democracia num governo Bolsonaro 2. E com o Fux ainda, porque o Fux teria ficado na primeira turma, né? Num cenário governo Bolsonaro, ele não teria saído e se sentido isolado, né? Pelo contrário. Então, olha como seria diferente, né? E além de tudo, quando a gente pega o próprio processo, o fato de as investigações terem sido obstruídas por tanto
tempo as provas terem sido apagadas, porque são oito anos da morte da Marielle. E é realmente agora em março, né? São oito anos completados em março. São oito anos. É muito tempo. Era governo Temer ainda, que as pessoas jovens nem sabem quem é o Temer. Tô brincando. Inveja de você, jovens. Logo depois da intervenção também. A segurança do Rio estava sob intervenção do general Barganeto. Exato. E há, assim, entre os juristas, várias críticas à condução processual desse
Justamente pela falta de provas. Então, uma das principais críticas é o fato de a delação do Rony Lessa e depoimentos de testemunhas serem a base da acusação sem elementos físicos ali da prova. Gravação, troca de mensagem. Não existe um papel do brasão falando Rony Lessa mate Marielle, entendeu? E se houve algum dia alguma prova similar a isso, ela obviamente foi a primeira a ser destruída.
foi a delação do Rony Lessa, a delação do Elcio Queiroz, parceiro dele nessa empreitada. O que aconteceu foi que eles foram construindo a motivação do crime e comprovando, com base na própria influência da família Brasão naquele território de milícia em Jacarepaguá, que a única forma de se pagar o Rony Lessa pelo que ele dizia que receberia, ele dizia que receberia 25 milhões de reais em terras naquela região que era dominada pelos Brasão.
pago seria se os brasão cedessem a ele um território ali, né? Então, meio que as coisas foram se encaixando e foi se construindo o cenário do crime, né? A partir de então. Então, era plausível que, diante do histórico da família brasão e do histórico da família brasão com a Marielle e do que a Marielle estava tentando fazer naquela região, na regularização de terras, diante do fato do Rony Lessa querer essas terras naquele lugar.
Então, assim, foi se construindo a tese a partir disso, mas realmente não existe uma mensagem
ordenando o crime, alguma coisa escrita ou gravada ou nada do gênero. Só não se tem isso hoje, possivelmente porque o governo em questão na época da investigação era aquele. E tem um outro ponto que eu queria levantar aqui pra concluir. Eu não sei se vocês se lembram que em 2019 o Jornal Nacional fez aquela reportagem falando sobre o porteiro do condomínio do Bolsonaro, que era o mesmo condomínio do Rony Lessa, né? E que o Elcio teria ido à casa do Bolsonaro
em dado momento e tal. Aquela reportagem causou um burburinho grande, porque se associa o presidente da República ao crime de maior repercussão na política. E depois ficou claro que aquilo, na verdade, parecia ser uma armadilha pra Globo naquele momento, né? Deu muita sua impressão, né? Exato, porque no fim aquela gravação não era aquilo, no fim o cara não estava indo pra casa do Bolsonaro e sim pra casa do Rony Lessa. Ficou toda uma situação estranha de que aquilo tinha sido plantado,
de certa forma, para pegar a Globo. Só estou colocando isso como preâmbulo. Procuradoria Geral da República, que é fundamental, foi fundamental nesse julgamento da Marielle. O Augusto Aras, naquela época, quando houve essa reportagem da Globo, ele pegou a PGR e fez um movimento processual completamente atípico para já no dia seguinte da reportagem publicada pelo Jornal Nacional, ele desmentir tudo o que havia sido informado no dia anterior. Então, por exemplo, eles periciaram o áudio em questão de horas,
sendo que a PGR demora dias, semanas, às vezes meses para fazer. Então assim, o próprio PGR naquela época atuou como um advogado do presidente. É claro que se a informação estava errada, ela tem que ser corrigida, ela tem que ser explicada. Mas veja bem o procurador-geral que tínhamos neste momento. Esse procurador-geral, mesmo se o caso tivesse sido federalizado naquela época, este procurador-geral teria a condição de conduzir esse caso? Acho difícil.
E eu lembrei ainda que em 2019, se eu não me engano, foram achados 117 fuzis na casa do amigo do Rony Lessa, né? A maior apreensão de fuzil da história, não é isso? Foi isso. Não foi no Morro do Alemão a maior apreensão de fuzil da história. A gente encerra o segundo bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar das tarifas de Donald Trump e da Suprema Corte norte-americana. Já voltamos.
direito das pessoas e a preservação do planeta estão totalmente ligados. No Bom Dia Fim do Mundo, a gente analisa as notícias da semana levando em conta a crise climática. Economia, política, relações internacionais e clima. A gente te deixa preparado para opinar sobre tudo o que importa. Sem derrotismo, mas sem negacionismo. Toda quinta, bem cedo, o podcast de hard news e clima da agência pública. Bom Dia Fim do Mundo.
Jornalistas do país sobre a tentativa de golpe no Brasil. O livro reúne um texto que resume toda a trama golpista, editado pelo Fernando de Barros e Silva aqui do foro, um prefácio do Marcelo Rubens Paiva, além de mais de 80 fotos da Gabriela e diversas evidências do processo que condenou Bolsonaro e seus parceiros. Aí o livro vem com uma versão em áudio cheia de complementos feita por nós do podcast Medo e Delírio em Brasília.
Juízo final é um documento histórico, um registro de um processo que não podemos esquecer e que pela primeira vez no Brasil levou golpistas à prisão. Vai lá e pega o seu na internet ou na livraria mais próxima.
diante desse revés que a Suprema Corte impôs ao Donald Trump, você andou apurando como é que o Brasil vai entrar nessa história? Bom, Fernando, acho que antes de tudo, o que vale a pena dizer é que, embora o Trump tenha anunciado uma nova leva de tarifas, uma tarifa global para substituir as tarifas que foram derrubadas com essa decisão da Suprema Corte, o grande problema dele neste momento não é esse, é o caso Epstein. Então, tudo que está sendo feito,
como o desdobramento das tarifas nos Estados Unidos e até essa própria decisão dessa nova tarifa global está sendo encarado, sobretudo pela imprensa americana, como uma forma de desviar a atenção do caso Epstein, que é o que está realmente pegando ali. A gente teve ali no Reino Unido a prisão do ex-príncipe, o ex-embaixador britânico em Washington, Peter Mandelson, foi preso também por envolvimento no caso e eu me lembro que meses atrás,
em Washington, apurando uma reportagem justamente sobre as tarifas, o Peter Mendelsohn era considerado um dos principais interlocutores do presidente sobre esse assunto, enfim, um grande negociador e tudo mais. Então, assim, as coisas derreteram, assim, muito rapidamente. Primeiro o cara caiu como embaixador e depois agora foi preso. Esse assunto tá muito no centro da política americana hoje, não são mais as tarifas. Então, essa tarifa global não é um assunto que é o que mais preocupa ele hoje, o que é positivo, né? Porque se não é a
frente de batalha dele hoje, é onde dá para debater. E aí, com essa tarifa global, acabou que a nossa situação, a gente tinha lá 20% de produtos brasileiros que ainda eram tarifados, sobretudo a parte de indústria, exportação de material industrial mesmo, a indústria moveleira, por exemplo, eles ainda estavam com tarifa, agora você meio que equaliza tudo. Então, existe uma visão do governo nesse momento de que a situação, não é que ela está
boa, porque se você tem 10% ou 15% ou o que quer que seja que eles consigam fixar ali, não é o ideal. Mas perto do que a gente viu no ano passado, já é uma situação considerada estável. E o presidente Lula vai aos Estados Unidos se encontrar com o Trump, essa visita já está organizada, porém ainda não há uma data, porque o governo americano ainda não passou para o Brasil qual data seria viável para o Trump receber o Lula, mas
A situação das tarifas é considerada tão equacionada nesse momento que a expectativa dentro do governo não é nem que o Lula fique muito nesse assunto com o Trump quando eles se encontrem. Isso não é considerado, assim, a prioridade. Não que a pauta comercial, a pauta econômica não seja. Mas, assim, a percepção deles é que para você montar um acordo comercial agora, que seja vantajoso para as duas partes, etc., com essa tarifa global já deixa de ser tão interessante, entendeu?
Os Estados Unidos vão querer benefícios com o Brasil, sendo que eles já têm um superávit comercial imenso há muitos anos. Então, eles vão querer mais benefícios com o Brasil. Então, para o Brasil agora, para este governo, não é interessante discutir tarifas agora ou discutir um acordo comercial com os Estados Unidos. Então, para quem estava esperando que dessa reunião com o Trump saísse um acordo, as perspectivas não são as melhores nesse aspecto. Embora a previsão é que o Lula converse com o Trump sobre a sessão 301,
que é aquela investigação que se abriu no ano passado, sobre o PIX, sobre a 25 de março, um monte de loucura lá dentro, vocês se lembram? Sim, claro. Tinha a tarifa, o tarifaço e a sessão 301. Quando o tarifaço caiu, a sessão 301 continuou. E é uma coisa que pode realmente dar problema, né? Em várias partes, assim, etanol, o próprio PIX, assim, isso pode dar encheção de saco, falando em bom português. Sobre isso, a expectativa é que o Lula converse com o Trump.
Mas fora isso, chegar nas bases para um acordo, isso não está nos planos. O que é uma coisa que frustra um pouco os setores da indústria que ainda estavam na expectativa de haver um acordo e de que zerem as tarifas pelo menos para alguns setores que estavam sendo tarifados. Então você tem ali gente que ainda está discutindo esse ponto. Por exemplo, no caso do café solúvel, não tinha tarifa nenhuma lá atrás antes do tarifaço. Aí veio o tarifaço.
Saiu o tarifaço. E agora foi para 10% de tarifa com essa nova tarifa global. Mas aí, por exemplo, o México, né? O México tinha fechado um acordo comercial com os Estados Unidos zerando essa tarifa. Então, o café solúvel do México vai ser mais interessante do que o do Brasil, que está com 10%. Então, assim, só para exemplificar a discrepância entre o que a indústria está esperando nesse aspecto das tarifas e o que o governo está achando de como as coisas estão. Você tem o pessoal da indústria pesada.
queria que o governo discutisse, mas assim, já dizendo, acho difícil que isso aconteça. Eu acho que eles são confortáveis com a posição que a gente tá agora. E o Lula vai discutir com o Trump. Sobretudo, questões geopolíticas, Venezuela, não vai ser a pauta comercial o norte desse encontro. Deve acontecer em março, mas ainda tá sem dia exato, né? Perfeito. Muitas informações. Celso, a decisão da Suprema Corte pegou a gente meio de surpresa, né? Ninguém tava esperando, assim, ou tava
acontecendo muita coisa no Brasil e a gente não estava olhando como deveria, talvez, para isso. Os observadores políticos foram pegos um pouco de surpresa, mas o pessoal da área de direitos já sabia. A única dúvida era a seguinte, as tarifas eram obviamente ilegais do ponto de vista americano. A dúvida era, a Suprema Corte, será que ela está aparelhada o suficiente para provar mesmo uma barbaridade dessa? Não, não estava. A Corte tem maioria de juízes conservadores, mas alguns juízes conservadores importantes falaram, Trump,
aí não pode. O que foi levado exatamente à Suprema Corte? O que foi levado foi a seguinte pergunta. O Trump tem direito de impor tarifas usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, a famosa IEPA, na sigla em inglês? A conclusão da Suprema Corte é que não. Por quê? Bom, não precisa ir muito longe na Constituição Americana para descobrir que não. Está no artigo 1, na seção 8 do artigo 1. Diz que é o Congresso que decide sobre impostos, tarifas e coisas semelhantes.
E isso é um efeito, inclusive, do que foi a luta pela independência nos Estados Unidos,
um dos eslogos era sem representação, sem taxação. Então a ideia é quem pode taxar são os representantes da população, são os congressistas. Como dizia o James Madison, um dos caras que escrevia lá os federalistas, só o Congresso tem poder sobre o bolso do povo. Os três puxa-sacos lá que votaram a favor do Trump disseram o seguinte, o Clarence Thomas e o Samuel Alito, que aliás são envolvidos em histórias que fazem o Tayayá parecer uma coisa de freira carmelita, eles não falaram,
muitos se limitaram a seguir o voto do principal voto dissidente, o Gorsuch. Que escreveu, é que nem aquela defesa do Bolsonaro no STF. Pô, obviamente tá errado. O Bolsonaro obviamente é culpado, mas assim, se for pra defender isso aí provavelmente é o melhor possível. Entendeu? Essa dissidência do Gorsuch, no caso das tarifas, eu achei a mesma coisa. É muito bem argumentado, só que é obviamente errado, porque não tem jeito, né, cara?
Não tem como ele fazer os fatos. Mas ele não era o Fux. Não era o Fux, exatamente. O Cléris Thomas eu achei bem Fux. E o que que o Gorsuch resolveu se ater? O fato que,
entre os poderes do IEPA, aquele Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, está o de regular importações e exportações. Então ele diz, ó, se pode regular importações e exportações, pode fazer tarifa. E é o que o Trump ficou dizendo depois, naquele discurso dele completamente maluco, que ele chamou os juízes da Suprema Corte de cachorrinhos da esquerda e dos rhinos. Rhino é Republican in name only. Quer dizer, os caras que só são republicanos no nome, são os falsos republicanos, são os pelegão que no fundo são comunistas, etc.
Enfim, naquela entrevista maluca, ele ficou dizendo, cara, vem cá, se eu tenho o poder de fazer um embargo comercial contra a China, como é que eu posso não ter o poder de cobrar tarifas sobre a China? Então, isso aí que deu um debate jurídico gigante, um aluno de economia de primeiro ano já resolveria. Trump, a tarifa não é uma coisa que você faz com a China, a tarifa é uma coisa que você faz com os americanos. Quem paga as tarifas são os consumidores americanos. Então, aí já é um assunto do bolso do povo e, segundo James Madison,
do Congresso. Então, boa parte da discussão do Gorsuch e do discurso do Trump é dizendo assim, não, tarifa é um instrumento de política internacional. O Trump disse que tem uma emergência internacional por causa do déficit comercial, por causa do fentanil, aquelas coisas. Então, ele está usando as tarifas, exercendo sua competência legítima de conduzir a política internacional, que, de fato, nos Estados Unidos é competência do presidente.
Mas o que os outros juízes estão dizendo é, não, ele pode ir lá fazer o que ele quiser com a China, com o Irã, não sei o que lá, mas ele não pode fazer nada com os americanos, em termos de cobrar imposto dele.
E quando você inventa uma tarifa, você está tirando dinheiro dos americanos. E isso só o Congresso pode fazer pelo artigo 1. Vamos lá, está violando em ordem de artigos o Trump, para não deixar nenhum que ele não viole. Em breve ele chega na importunação de cetáceos. Lembra que o Bolsonaro fez aquilo? Então, enfim, o debate é muito interessante para quem gostar de direito. E imagino que, mesmo se você não falar inglês, deve ser fácil traduzir isso com alguma dessas modernidades que os jovens usam. Agora, a questão básica é, isso é o início.
de uma reação da Suprema Corte à escalada autoritária do Trump, isso é cedo para dizer. A Suprema Corte tem sido mais eficiente em parar o Trump em questões econômicas, como, por exemplo, quando o Trump queria demitir o presidente do Banco Central americano meio na maluquice, ele falava, fica quieto aí, malandro, não pode fazer isso. Mas eles não estão fazendo nada sobre o que o ICE está fazendo para a justiça dos Estados Unidos, por exemplo.
Eles não estão fazendo nada com essas deportações completamente ilegais. Eles não estão fazendo nada com a intimidação que o Trump está fazendo contra a imprensa americana.
não tem exatamente os mesmos poderes constitucionais que a brasileira. É possível. Porque a presidência americana é mais fraca que a presidência brasileira constitucionalmente. O presidente brasileiro tem mais direito de fazer coisa no Brasil do que o presidente americano tem direito de fazer coisa nos Estados Unidos. O Congresso americano, por outro lado, é muito mais forte que o Congresso brasileiro. Então, a distribuição de poderes lá é diferente mesmo.
Então, a gente também não pode esperar que a Suprema Corte americana faça a mesma coisa que o STF fez aqui. Mas, de fato, mesmo se atendo a uma questão econômica, é uma questão econômica central para o governo Trump, porque, inclusive, é com a grana que ele arrecadou,
cobrando tarifa, que ele pretende tapar o rombo fiscal que ele fez com o cor de imposto dele. Sim. Então é um negócio gigante, a gente não sabe, inclusive, se o governo não vai ter que ressarcir os importadores nesse dinheiro. E se for, vai ser um problema, porque o Trump obviamente já gastou esse dinheiro, certo? E de qualquer maneira, mesmo se atendo à questão econômica, a decisão coloca um certo freio naquele negócio do projeto 2025, que a gente discutiu aqui já algumas vezes, da Heritage Foundation, de construir uma presidência imperial, né?
De construir uma presidência que passe por cima do Congresso, passe por cima da Suprema Corte,
de mudar, de fato, a distribuição dos poderes nos Estados Unidos para o presidente ser muito mais forte, poder fazer as coisas com poder absoluto. Porque é bom que se diga, o Trump poderia ter passado boa dessas tarifas pelo Congresso, se ele tivesse apresentado. O Congresso tinha a maioria republicana. Ele não ia conseguir fazer toda essa barbaridade que ele fez. Ele não ia conseguir inventar uma tarifa num dia e tirar dois dias depois.
Isso aí não ia dar. Ou chegar lá e fazer uma tarifa por causa do Bolsonaro. Não ia dar. Mas boa parte dessas tarifas tinha chance de passar no Congresso, se ele fizesse. Mas ele não queria fazer porque ele queria manter esse poder concentrado nele.
isso como arma, né? E isso aí realmente tomou uma porrada grande da Suprema Corte agora. É, e ter o arbítrio, né, total, fazer isso, como você disse, num dia uma coisa, daí desfaz, depois desfaz de novo, desfaz. Exato, imagina se tivesse que negociar isso com o Congresso a cada movimento deles. Não daria, não seria viável. Só pra acrescentar uma coisa que eu achei muito interessante, na posição do John Roberts, que é o presidente da Suprema Corte americana, que é conservador, republicano, mas votou contra o Trump, ele tava dizendo, quando você começa a dar poder de emergência pros presidentes,
emergências tendem a se acumular, né? De repente o cara começa a ver emergência em tudo que é lugar. E isso eu acho que é um ponto fraco do voto da Suprema Corte, que eles não entraram no assunto de que a emergência que o Trump usou pra justificar isso tudo é obviamente falsa. Não tá tendo emergência nenhuma. Eles até tocam no seguinte aspecto da questão. Se isso aqui for uma questão de política internacional, o Trump declarou guerra no mundo inteiro, porque ele botou tarifa em todos os países do mundo.
Então, enfim, esse aspecto que eu acho que eles podiam ter entrado mais, que é a questão de... O Trump tá usando essa coisa de poder emergencial
dele. Eu acho que teria sido muito bom se a Suprema Corte também tivesse dito. Não pode ficar de palhaçadinha aí com esse negócio de poder de emergência. Muito bem. Encerramos em grande estilo, então. Vamos encerrar o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo na volta Kinder Wave. Já voltamos. Oi, aqui é a Neka Setúbal. E aqui é a Sueli Carninha. A gente tá aqui pra te convidar a ouvir o primeiro episódio da segunda temporada do Escute as Mais Velhas. Nosso podcast
produzido pelo Estúdio Novelo. A convidada dessa semana é a escritora e jornalista Rosisca Darcy de Oliveira. Quem viveu esse feminismo do nosso tempo pode entender isso muito bem. Quer dizer, não era só um movimento político. Uma experiência existencial de cumplicidade, de lealdade, de presença na vida real, na vida concreta de nós todas. Aquilo virava assim uma família. E eu realmente tributo.
ao movimento de mulheres, a minha salvação no exílio. A Rosisca contou para a gente sobre como foi se tornar feminista e lutar pelos direitos humanos num período como a ditadura militar no Brasil. E a gente também conversou sobre educação, cultura e sobre a atuação dela na ABL, a Academia Brasileira de Letras. O Escute as Mais Velhas é produzido pelo Estúdio Novelo
Os episódios são publicados sempre às terças-feiras. Siga o podcast para não perder. Tem uma fórmula por trás de muitos grandes blockbusters de Hollywood. Uma criatura misteriosa ameaça uma comunidade e alguém improvável vai lá enfrentar o problema. A história do Rádio Novelo Apresenta dessa semana tem tudo isso. Mas ela não se passa numa ilha com dinossauros, nem uma nave isolada no espaço. E sim numa escola pública de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
No dia em que a merenda era peixe, as crianças não comiam de jeito nenhum. Até que uma professora foi investigar e descobriu que o problema ia muito além da escola dela. No episódio Em Águas Profundas, a gente te conta que criatura misteriosa era essa e como ela foi tomando conta do Brasil.
foro, venha ouvir a gente. Rádio Novelo apresenta, toda quinta, histórias que você nem sabia que precisava ouvir. Muito bem, estamos de volta. Diretora, pode abrir aí o seu pacotinho de maldades. Solta o Kinder Ovo, põe som alto, porque eu tô prejudicado aqui na província de Piratininga. Você vê que, eu falo assim, Léo, que eu tô desmorrendo. Desmorrer é você ressuscitar pra vida pública. É você estar apagado, zerado, todo mundo achando isso aí,
morreu, você não tem mais chance. Garotinho, tá falando com o Léo Dias. Agora quem? Caraca, que maldade, Mari Faria. Roberto Jefferson. Ah, eu tentei ainda uma última. José Roberto Arruda, é isso? Ah, eu não saberia nunca. Pô, Mari, que isso? É o ex-tudo, né? Ex-presidiário, ex-deputado federal, ex-governador do Distrito Federal, ex-senador também, né? Então, para os anais, ex-tudo José Roberto Arruda.
Em entrevista ao Léo Dias. O Aécio não ia acertar. Eu sei que a Mari vai deixar eu falando que foi o Freixo só de sacanagem, porque ela gosta de... Então, desculpa aí, Freixo. Bom, depois deste momento épico da diretora, vocês não podem ver, mas ela está com sorriso de orelha a orelha. Feliz da vida. A gente vai para o melhor momento do programa. Correio elegante, momento das cartinhas de vocês. Eu vou começar com uma mensagem da Luísa Miquelau. Quando a Ana Clara disse,
encontra em qualquer biboca, eu dei um pulo. Biboca é o nome de uma comunidade quilombola de São José do Goiabal, no interior de Minas Gerais. Normalmente a gente escuta por aqui esse nome associado a um contexto pejorativo, infelizmente. Mas eu não sabia que era usado nesse sentido em outros lugares. Até joguei no Google pra ver o significado que trouxe o resultado casebre ou bodega. Um abraço pra Biboca. Luísa Miquelau, muito legal. É, desculpa.
aí, pessoal. A Flávia Furtado escreveu Amo o Fernando rindo chaleira. Tô indo pro Rio no dia 5 de março depois de 11 anos na Europa pra revisitar minha cidade e amigos. Ana e Celso, bora tomar um biricutuco na Zona Sul? Fernando, chego em São Paulo dia 20, hein? Gente, quero saber as notícias em primeiríssima mão. Flávia, olha só. Rindo chaleira. Gente, eu nunca ouvi rindo chaleira nem biricutico. Nem eu, mas gostei dos dois.
também, vou adotar. Vamos tomar um bericutico na biboca rindo chaleira. É, rindo chaleira, exatamente. Rindo chaleira. Perfeito. A Carita Parreira quer integrar a grande comunidade que pretende conhecer via foro. Eu também quero participar do Tinder do foro. Ajuda aí, trio. Fala do interior goiano, onde a mulher hétero politizada está no mapa da indigência. Ajuda a professora aí. Beijos. Tá no mapa da fome. Pô, pessoal.
O sol é do interior de Goiás. Difícil, deve ser a vida da mulher ali, né? Puxa vida. Muito bem. É isso, então. O que é bom dura pouco, o que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. Foros Teresina é uma produção do Estúdio Novelo
A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem do programa é do Gilberto Porcidone. A edição é da Bárbara Rubira e da Mari Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha
Boca ou Chopana em São Paulo e no Estúdio Rastro do Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Até semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.
automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em
Fazer Foto - Curso de Fotojornalismo
Curso de fotojornalismo com Gabriela BilóSebrae
Prêmio Sebrae de Jornalismo