Episódios de Foro de Teresina

Bolsonaro avança, Ratinho recua e Cláudio Castro implode

27 de março de 20261h11min
0:00 / 1:11:04

Episódio postado em 27 de março de 2026.

No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e os desdobramentos políticos e jurídicos da decisão. No segundo bloco, o trio discute a desistência de última hora de Ratinho Júnior da disputa presidencial e a reorganização da direita, com outros nomes tentando ocupar o espaço deixado pelo governador do Paraná. No terceiro bloco, o programa trata do caos político no Rio de Janeiro após a renúncia e a condenação de Cláudio Castro, que aprofunda a crise institucional no estado.

Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft105 

Envie uma mensagem – ou um áudio de até 1 minuto – para o Correio Elegante pelo e-mail (forodeteresina@revistapiaui.com.br) ou por nossas redes sociais. 

Quer anunciar no Foro de Teresina? Entre em contato com nossa área comercial: comercial@revistapiaui.com.br.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
A

Ana Clara Costa

HostJornalista
C

Celso Rocha de Barros

HostJornalista
F

Fernando de Barros e Silva

HostJornalista
Assuntos3
  • Política no Rio de JaneiroRenúncia de Cláudio Castro · Condenação por abuso de poder · Desdobramentos na Alerj
  • Prisão de Daniel BorcaroDecisão de Alexandre de Moraes · Implicações políticas · Saúde de Bolsonaro
  • Saída de Ratinho JúniorReorganização da direita · Candidatura de Ronaldo Caiado · Impacto nas eleições
Transcrição195 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Se você está na liderança de uma grande empresa, sabe. Quando a operação cresce, os desafios também crescem. Mais volume, mais canais, mais decisões em tempo real. É aí que entra o Mercado Pago. A mesma tecnologia de soluções de pagamentos do Mercado Livre, pronta para ajudar grandes empresas a vender com mais segurança. Altas taxas de aprovação, integrando pagamentos online e offline. Mercado Pago, um parceiro à altura do seu negócio. Clique no banner e conheça nossas soluções.

Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

Rádio de Piauí. Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. Nós que conhecemos intrinsecamente as patologias das quais ele é portador, percebemos que o ambiente domiciliar é um ambiente humanamente mais saudável.

Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos. Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda. Oi, Fernando. Oi, pessoal. Ele aí entendeu que deveria declinar por motivos familiares, questões de trocais de política.

Não é que pegou de surpresa. É natural isso, né? As pessoas vão se definindo, às vezes mudam. Diga lá, Celso Casca de bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira.

Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do Estado. Vou em busca de novos projetos. Mais uma sexta-feira, mas antes de anunciar os assuntos da semana, trago notícias da nossa caravana. Foros de Teresina ao vivo em Recife já tem data, horário e local confirmados. Vai acontecer no dia 25 de abril.

Sabadão, às 5 da tarde, 17 horas, no Paço do Frevo, Centro Cultural no Recife Antigo. Sim, é muito chique e a gente também acha. Última boa notícia do programa de hoje.

Bom, penúltima, porque a última é que logo mais os ingressos estarão à venda. Fiquem de olho nas redes sociais da Piauí. A gente quer muito ver vocês por lá. Agora sim, vamos aos assuntos da semana. Alexandre de Moraes mandou Jair Bolsonaro para casa. Decisão proferida na terça-feira, o ministro do STF decidiu que o ex-presidente ficará em prisão domiciliar por 90 dias, a contar a partir de sexta-feira, hoje, para você que nos ouve.

Ao deixar o hospital, onde ficou internado com broncopenomonia, Jair estará acompanhado de sua tornozeleira eletrônica. Com ela na canela, vai cumprir a pena no condomínio em Brasília, onde vive com Michele. A decisão pela domiciliar veio depois que Paulo Gonê, procurador-geral da República, deu parecer favorável à medida.

A ida do ex-presidente para casa ocorre no momento em que o Supremo está fragilizado e a imagem de Xandão se desgastou muito com o escândalo do Banco Master. A hipótese de um agravamento do quadro de saúde de Bolsonaro sob custódia era um risco alto demais para ficar na mesa do ministro.

Mas há mais coisas em jogo. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, também vai partir para a delação premiada. Seu advogado é Celso Villardi, o mesmo defensor de Bolsonaro. A Ana Clara vai explicar para a gente as implicações e as complicações deste novo capítulo da delação que vai se desenhando no horizonte.

No segundo bloco, a gente vai falar da desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, que pulou fora da disputa presidencial aos 45 minutos do segundo tempo. Estava tudo pronto, o discurso preparado, ele anunciaria oficialmente sua candidatura na terça, mas na segunda mudou de rumo. O dono do PSD, Gilberto Kassab, foi pego de surpresa no domingo à noite, quando soube da reviravolta.

E ficou bastante contrariado. Ratinho, na avaliação do partido, teria condições de atingir os dois dígitos nas pesquisas com certa rapidez. O primeiro na fila para ocupar seu lugar agora é Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que mudou para o PSD justamente porque não tinha espaço para concorrer pela União Brasil, federado com progressistas.

Dificilmente Caiado deixará esse cavalo branco passar, embora o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ainda esteja no páreo, mas como Franco Azarão. Caiado é descaradamente de direita e a sua candidatura trafegaria num universo que por hora já está ocupado por Flávio Bolsonaro, hoje disparado o nome mais forte para enfrentar Lula.

Por fim, no terceiro bloco, a gente fala do Rio de Janeiro, onde o mais comum nas últimas décadas tem sido o governador de Estado ser preso ou destituído antes de terminar seu mandato. Agora foi a vez de Cláudio Castro, que renunciou ao governo na véspera de seu julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral, isso para não ser caçado e ficar inelegível. A fuga pela porta dos fundos, no entanto, não deu certo.

Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Ele delinquiu, conforme veremos. Com o governo acéfalo, também sem vice-governador, a famigerada Alerj elegeu presidente da casa, o ex-secretário de Cidades de Castro, que atende pelo sugestivo nome de Douglas Ruas. Em razão do desmanche na linha sucessória fluminense, Ruas passaria a ser o novo governador em caráter interino. Passaria!

Porque no mesmo dia em que ele virou virtualmente governador, teve que desvirar. Na noite desta quinta, a Justiça do Rio anulou a sessão que havia elegido Ruas presidente da Alerj. A degringolada do Estado não tem fim, é o que parece. E o Celso vai nos explicar tudinho. É isso? Vem com a gente.

Muito bem, Celso, vou começar com você. Jair em casa, não sei se tomando leite condensado, coitado, ele está doente. Mas, enfim, a prisão de fato dele não durou nem meia dúzia de meses, né? Também temos um novo quadro político. Evidentemente, essa decisão do Moraes está ligada a essa mexida nas placas tectônicas da política brasileira e do escândalo master.

Sem dúvida, Fernando. A decisão do Moraes da prisão domiciliar para o Bolsonaro é sintoma direto da fraqueza do Moraes desde as revelações do caso Master. Se ele ainda estivesse com o prestígio e a força que ele tinha alguns meses atrás, eu acho muito difícil que ele desse agora a domiciliar. E aqui vale um parênteses, dar ou não a domiciliar não quer dizer necessariamente condenar o cara a morrer na cadeia. Porque o lugar onde ele estava preso tinha um acesso bastante fácil ao hospital, se fosse necessário, a cuidar dos médicos.

É importante deixar claro que o Bolsonaro é um criminoso muito perigoso. Se esse golpe tivesse dado certo, milhares de pessoas teriam morrido sob tortura. O que ele tentou fazer é violentíssimo. Ele num dia teria batido o recorde dos piores internos do sistema prisional brasileiro. Então você mandar ele para casa não é tranquilo. É como você mandar o Marcola para casa, você mandar o Beramar para casa. E eu particularmente duvido que algum desses caras um dia na vida ganhe a domiciliar. Eles provavelmente vão morrer num hospital penitenciário, coisa que vale.

Mas, enfim, o Bolsonaro é um político, tem bastante gente que apoia ele, o filho dele está inclusive liderando numericamente as últimas pesquisas, e o STF, que é quem devia cuidar desse caso, está muito fraco, por sua própria culpa, por ter se envolvido com as motretas do Banco Mastro.

Então, naturalmente, para o STF agora, teria sido muito ruim se o Bolsonaro morresse na cadeia. O discurso de que, olha só, esses mesmos caras que ganharam dinheiro do Master, deixaram o Bolsonaro morrer na cadeia, entendeu? Ele foi um perseguido, etc. Explodiria, né? A gente não tem nem ideia do que poderia acontecer. É, e consequências imprevisíveis no ambiente político também, no andamento da eleição, etc. Mas a martirização do personagem seria mais ou menos...

É o mais provável, né? Exatamente, exatamente. Depois até a gente não sabe o que aconteceria, enfim, até o dia da eleição. Sim. Mas que haveria um esforço de martirização, haveria. E com ele em casa, enfim, na mansão que o Valdemar paga pra ele, a coisa é bem mais difícil de dizer, olha só o martírio dessa pessoa nessa mansão aqui, cercado de luxo por todos os lados. De latas de leite condensado. É, pois é, enfim.

E aqui também é sempre bom lembrar como é emocionante a conversão da família Bolsonaro aos direitos humanos, depois que o Jair foi preso. Por exemplo, o Flávio chegou a fazer um apelo reclamando muito da prisão que o Bolsonaro estava, dizendo que não tinha nenhuma flor para ele poder olhar.

Vocês imaginam o que diria a extrema-direita brasileira se um criminoso comum pedisse domiciliar, dizendo, pô, não tenho nenhuma flor para eu ver, cara. Olha só. Sem contar que todos nós sabemos que o Bolsonaro é realmente uma alma muito sensível, né? Um cara muito dado ao lirismo, né?

A apreciação da beleza delicada das coisas, né? Pô, eles não deram cloroquina pra Zerma? Exato, pois é. Entendeu? Aquela Ema, aliás, eu sempre achei que ela devia ser considerada uma herói da resistência. Também tem uma coisa que eu notei nesse noticiário, que eu não sei, eu acho um pouco esquisito. O médico do Bolsonaro é primo do Caiado. Não sei se vocês notaram isso.

Eu acho isso meio esquisito pelo seguinte, digamos que o Bolsonaro morra. Pode ter uma teoria da conspiração qualquer dos bolsonaristas de que, olha só, também o médico era primo do cara que estava na eleição. Eu acho isso meio arriscado, assim, politicamente. Não estou aqui questionando absolutamente a competência técnica do Brasil Ramos Caiado. Inclusive dizem que o Ronaldo Caiado era bom médico. Mas eu não sei, eu acho isso...

meio arriscado. Sobre o discurso de vitimização, tanto o STF quanto inclusive o governo estão torcendo para que a ida para domiciliar enfraqueça o discurso de vitimização.

Eu vou ser honesto, eu não sei se isso era uma coisa tão forte assim nas pesquisas até agora, não. Eu acho que o cara, para comprar o discurso de vitimização do Bolsonaro, já devia estar orbitando ali em torno da direita. O fim dessa possibilidade seria relevante se ele agora falasse, ah, tá bom, o cara não é mais um perseguido, eu vou procurar um candidato, e tivesse outro candidato da direita. E não tem, né? A gente vai falar no segundo bloco, o outro cara que tinha que era o ratinho saiu, e a gente não sabe quem vai entrar no lugar.

Então eu sinceramente não acho que vai mudar a pesquisa eleitoral essa coisa dele ir para domiciliar, não. O que muda é o fato que agora ele está ali sentado articulando politicamente. O STF botou um monte de restrições à atuação dele, a visitas. A vitimização não tem a ver com a ida para domiciliar, não. Isso beneficia, ele beneficia o Flávio Bolsonaro, a ida dele para casa, porque o cara está mais à vontade para articular. Exato. A vitimização é a fragilização do Supremo.

que joga suspeita sobre a legitimidade da decisão. Os caras confundem o Banco Master com a condenação por golpe e joga tudo no liquidificador e se vitimiza. Isso que está em curso, vocês vêm dizendo isso nas últimas semanas, isso é o que alavancou o Flávio Bolsonaro para essa condição de empate técnico.

Com o Lula. Sem dúvida. Agora, ressuscitou aí um, digamos, um meme de que a domiciliar fortalece a Michele, que deve fortalecer mesmo, mas que a Michele agora poderia tentar convencer o Bolsonaro a lançar o Tarcísio. Tem muito pouco tempo pra fazer isso, inclusive se isso acontecesse, a minha impressão seria que o Bolsonaro realmente tá muito mal de saúde e que esses parentes dele estão jogando ele pra um lado ou pro outro, explorando a fraqueza dele.

Mas eu acho isso muito plausível. De qualquer forma, você precisaria construir uma solução para São Paulo. Isso, exato. Não dá tempo de fazer um negócio. E o Flávio, pelas últimas pesquisas, é um nome consolidado. Exato. Então, enfim, eu acho que o saldo dessa ida dele para casa atualmente mostra que o Supremo está fraco e não só naquilo que tem que estar fraco mesmo, quer dizer, nas denúncias de corrupção, etc. Mas ele ficou mais fraco para combater o golpismo. Ele perdeu legitimidade para combater o golpismo.

E que o Jair agora consolida seu papel ali de poderoso chefão, que vai ficar em casa recebendo recado, mandando recado para decidir as estratégias da direita na eleição. Ana, deixa eu te pôr na conversa. Há muito mais coisas do que a ida de Jair para casa.

Olha, Fernando, antes de entrar no campo da defesa do Zettel e do Vorcaro e do Mansur e do Beto Louco, que está se formando um blocão de defesas que querem fazer delação, já que estamos falando de defesa, eu estava lendo aqui a ação que o Daniel Vorcaro moveu contra aquele investidor Vladimir Timerman, que...

Enfim, acabou expondo todo o esquema do Master e tal, né? Fez reclamações para o Banco Central, para a CVM e tal. De jeito que foi, de fato, prejudicado.

O que acontece? Esse cara atazanou muito essa turma do Tanuri e Daniel Vorcaro durante muitos anos. E em 2024, precisamente no mês de outubro, o escritório da senhora Viviane Barsi de Moraes entra com uma ação, na verdade uma queixa-crime contra o Vladimir Timerman.

porque justamente ele estaria difamando os ilibados clientes dela na imprensa e nos órgãos reguladores, né? Como o contrato dela com o Master começou no começo de 2024, eu imagino que deva ter sido uma das primeiras ações que ela talvez tenha advogado em favor deles, né? Do Daniel Vorkaro e do Banco Master. Mas prestem atenção nessa data, outubro de 2024.

Foi justamente o mês que saiu a reportagem da Piauí sobre o Master, já contando todo o esquema. E era um momento em que o mercado todo desconfiava do Master, embora a XP e o BTG continuassem vendendo CDBs nessa época ainda. Mas já havia alertas no Banco Central, já havia várias reclamações na CVM. Todo mundo sabia que alguma coisa estava errada ali. Mas a Viviane, na queixa crime, ela escreve...

que o cliente dela é um respeitado empresário financeiro, de demasiado sucesso, sempre celebrando negócios lícitos e nunca tendo sofrido qualquer condenação criminal. Isso ela se refere ao Daniel Vorcar. Sobre o Master, ela diz...

É uma empresa com mais de quatro décadas de ilibada atuação, fundada em 74, com soluções inovadoras, comprometimento em resultados, transparência e melhoria contínua. Pilares-chaves que, desde 2019, com a mudança de controle acionário, tornou-se um novo banco digital ágil e moderno.

Neste momento, o Banco Master já tinha sido alvo da operação Fundo Fake do Ministério Público que investigava o uso das RPPS pra um monte de sacanagem que eles já faziam, né? Ai, ai. Incrível essas palavras, Ana Clara. Agora, que história é essa que o Banco Master tá na praça desde 1974? Eles devem estar contando... É, Banco Máxima. É.

Que era o banco anterior, né? Que ele comprou. Não tem nada a ver com o Vorcaro, né? Não tem nada a ver. A fraudulência começa por aí, né? Nesse argumento aí. Bom, enfim. Eu queria trazer essa ação aqui só pra ilustrar o que a gente vem falando, né? Bom, fechando esse capítulo, eu queria entrar no capítulo das defesas dos nossos personagens aqui, né? É o mesmo capítulo. Estamos, continuamos na defesa.

É, é que agora é a defesa do cidadão que não tem reputação ilibada, que não é um empresário de sucesso mais, entendeu? Agora virou um pouco a chave, né, do personagem aí. Menos de dois anos depois, um ano e meio depois, né?

Vamos falar de Mr. Hyde. Boa, Fernando. Leiam o artigo do Fernando. Ah, é, exatamente. Muito bom, né? Da edição de março da revista Piauí. Bom, o que aconteceu nessa semana foi mais um movimento em direção a essa construção de uma delação conjunta.

que foi a ida do Fabiano Zettel, ou melhor, a contratação do Celso Villardi pelo Fabiano Zettel, porque ele também quer delatar Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, casado com a irmã dele, Natália, e que também foi preso na mesma operação que levou o Daniel.

E eu acho que o quadro que a gente pintou aqui na semana passada, de o Villardi junto com o Juca, que é o novo advogado do Vorcaro, né? E que defende também o Mansur, que é o dono da REAG. O Villardi defende o Beto Louco, que é o empresário que, segundo o inquérito da polícia, teria relações com o PCC e usava fundos do Master na REAG para os seus negócios. Todo esse bloco Master...

está sendo assessorado agora por um bloco de advogados. A OAB não proíbe que isso aconteça, porque ela deixa muito aberto para os advogados escolherem se eles acham que a conduta deles está sendo ética ou não. Então, assim, dificilmente a OAB vai de ofício impedir algum advogado, sobretudo essas estrelas do direito penal, de advogar para alguém, né? Isso não vai acontecer.

E a lei da delação não é muito clara sobre isso também. Porque também é uma lei nova, né? A delação é um instrumento novo no direito pra gente. Então, não existe um amparo legal. Mas a questão é, você ter um bloco de delação que pode ser coordenado de forma...

a beneficiar os clientes desse bloco de advogados e não a justiça, no sentido de entregar para a justiça tudo que houver que seja de interesse da justiça. Então, você ter uma delação coordenada de forma, criar uma solução que seja mais vantajosa para os delatores é uma coisa inédita, digamos. Porque, por exemplo, na delação da Odebrecht, em que você teve lá os 70 executivos da Odebrecht delatando.

durante a Lava Jato. Em muitos casos, os advogados se repetiam. Mas não era a mesma coisa. Primeiro porque a PGR tinha uma função naquela delação de liderança do caso. Ou seja, a PGR estava coordenando as delações. Havia reuniões diárias da PGR, dos procuradores, com os advogados e tal. Era algo que estava sendo construído junto com a PGR. Ou seja, a PGR era o órgão principal. Da forma como as coisas estão sendo conduzidas agora,

Me parece que quem está definindo os termos são os advogados. E aí eu quero falar um pouco do papel da imprensa. Quando a imprensa publica um off ou um on de alguém da defesa de um deles falando ah, ele quer delatar tudo, mas quer poupar ministros do Supremo. A imprensa está servindo de instrumento para a estratégia de defesa.

Porque daí foi isso que aconteceu, né? Foi publicado em todo lugar na imprensa, ah, ele quer delatar, mas não vai falar de ministro do Supremo. Aí surge uma outra notícia em outro veículo falando, ah, André Mendonça diz nos bastidores que só aceitará uma delação completa. Ou seja, está o André Mendonça respondendo a notícia que foi veiculada de que ele não vai delatar ministro do Supremo.

Então, assim, não existe a PGR acima de tudo, dizendo, ó, eu quero isso, eu quero aquilo, eu vi nas mensagens que tem isso, isso e aquilo, aquilo me interessa, aquilo me interessa. A PGR tá como coadjuvante nesse caso. E quando a gente vê que o ministro André Mendonça tem funcionários da Polícia Federal dentro do gabinete dele que estão atuando...

diretamente com os delegados da Polícia Federal que estão nos seus postos, né, coordenando as investigações. Ele que foi ministro da Justiça do Bolsonaro. É sempre bom lembrar. Exato. A impressão que a gente tem é que quem, na verdade, está coordenando isso é o André Mendonça. E aí eu acho que o Celso, quando ele disse em alguns programas atrás, né, que ele elogiou a condução do André Mendonça... Ah, já me arrependi completamente.

Quando eu estava falando, eu já estava vindo um arrependimento. Quando eu estava falando, já tinha...

acendendo uns alarmes, assim, na cabeça. Pé, pé, pé. Fazia sentido naquele momento. Primeiro o Celso criticou, falou, a gente não teve nem tempo de ficar feliz, porque já foi sorteado o André Mendonça. Mas depois a gente falou, e eu ainda sei o que ele falou, de fato, mas a gente já fez aquela ressalva, porque aqui a gente sempre... A gente de vez em quando precisa se iludir com alguma coisa, né? Exato, exato. Entendeu?

Mas não durou 15 dias. Senão não se vive, né Celso? Exato. Não se vive nem na Suécia, sem ilusão. Imagina no Brasil. Exato. O que está se desenhando é uma coordenação de um grupo muito claro. Até agora, por exemplo, eu não li em nenhum lugar nenhum tipo de informação sobre qualquer pessoa relacionada ao grupo Bolsonaro que eles tenham a intenção de delatar, sendo que o Master floresceu também no governo Bolsonaro.

não se sabe de qualquer tentativa de delatar o Roberto Campos Neto. Ou seja, pode ser prematuro dizer isso, mas a forma como as peças estão se movimentando na defesa, elas dão a entender que existe uma intenção de você priorizar entes do governo nessa delação.

priorizar figuras do atual governo e poupar figuras do governo Bolsonaro. Há exemplo do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que foi presidente durante o primeiro período do governo Lula.

Eu não estou dizendo que eles não falem de Rueda, de Ciro Nogueira, mas a verdade é que Rueda, primeiro, não tem mandato. Então, para ele, é tudo mais simples. Ciro Nogueira é tanta coisa que é mais um... E é facilmente substituível dentro do esquema geral das coisas.

Agora, se você tem um foco ali em figuras ligadas à Casa Civil, por exemplo, como é o caso do Rui Costa, o uso disso na campanha é muito mais pesado do que você usar o Ciro Nogueira. Ah, mas o Ciro Nogueira está junto com o Flávio na campanha e foi ministro do Bolsonaro. É mais pesado o Rui Costa, entendeu? As movimentações das defesas indicam uma intenção maior em relação ao governo do que à gestão anterior.

Até agora não se viu nada que possa ser ligado à gestão anterior. E diante dessas falas de bastidor do André Mendonça de que quer uma delação completa, isso foi lido também como uma delação completa que contemple Alexandre de Moraes e Toffoli.

E eu acho que isso está conectado diretamente com a decisão do Alexandre de Moraes de dar domiciliar para o Jair Bolsonaro. Mas também tem uma questão que me chamou a atenção relacionada ao Toffoli, né? Que está cada vez mais enrolado nessa história. Esses pagamentos da JIF que foram revelados pelo Estadão para a empresa do resort Itaiaia, né? De 25 milhões, 25,9 milhões, se eu não me engano.

Colocam o Toffoli ainda mais dentro da história. E aí teve um movimento que eu achei curioso. Um dos advogados de defesa do Vorcaro, que era o Roberto Podvall, ele é considerado a pessoa mais próxima do Toffoli hoje. E justamente na semana em que há essa comoção da direita pela domiciliar, o Podvall assinou um artigo pedindo a domiciliar para o Bolsonaro.

Tem muita gente que leu isso como uma sinalização do próprio Toffoli para o grupo do Bolsonaro, que é o grupo que, digamos, se beneficiaria de uma delação direcionada do Daniel Vorcaro. Quando a gente fala, parece que não tem saída, né? E, na verdade, poderia ter saída, porque a PGR, se ela estivesse cumprindo o papel dela de autoridade máxima...

e coordenando a delação, né, e dizendo as diretrizes que devem ser cumpridas e não as defesas dessas pessoas darem o tom pela imprensa, né, se fosse da forma certa, a PGR poderia pedir para uma nova composição de advogados se ela julgar que há situação de conflito.

E até agora não se sabe se a PGR vê conflito nisso. Até pra tentar estancar questionamentos, eu achei curioso isso, né? Que as defesas estão jogando essa tese de que vai ser uma delação conjunta acompanhada por PF e PGR. Como se isso fosse um hedge, né? Uma garantia. Olha como é super republicana essa delação, entendeu? Tem a PGR e a PF. A PF não precisaria estar nessa delação.

O órgão que necessariamente tem que estar é a PGR. Na verdade, depois houve um entendimento do Supremo que a PF pode fechar uma delação sozinha, né? Tanto que a delação do Mauro Cid foi uma delação com a PF. Mas assim, falando em hierarquia, o órgão investigador e que tem o poder de acusar alguém de fato, né? De denunciar alguém de fato, na melhor...

pior dizendo, é a Procuradoria. A impressão que a gente tem nesse caso é que as defesas estão coordenando tudo, que a Polícia Federal tem uma influência grande do André Mendonça, seja pelos seus assessores policiais federais, seja pelo precedente que o Alexandre de Moraes construiu, aproximando a PF do Supremo no caso do golpe, e que enfim, naquele momento fazia sentido e agora a gente vê que talvez não tivesse sido tão bom.

Alexandre de Moraes, que é próximo do diretor-geral da PF. E lembrando que o André Mendonça, na decisão dele, uma das primeiras decisões dele, foi justamente impedir que superiores hierárquicos na PF tivessem conhecimento do que estava sendo investigado pelos delegados encarregados diretamente do caso.

Exato, mas para você ver, quando uma instituição se transforma para viabilizar um caso e que a gente via como primordial, que era a defesa da democracia, depois a mesma transformação pode ser usada para o momento contrário.

Eu acho que esse tipo de sacanagem é mais antigo. Não sei. E, por exemplo, nesse caso, você não pode informar seu superior. Imagina se o Banco Master fosse assim, né? Imagina se o analista do Banco Central não pudesse informar a diretoria do Banco Central. Pô, pegamos aqui uma fraude. É esquisito isso. Mas, enfim. É esquisito.

Bom, a gente encerra então o primeiro bloco do programa por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta vamos falar de sucessão, de PSD, de Lula, de Ratinho, de Flávio Bolsonaro. Já voltamos.

O ano de 2025 foi o mais atribulado da carreira do Emicida. Em março, ele anunciou o fim da parceria com Evandro Fiotti, irmão e sócio dele. Os dois eram parceiros na Laboratório Fantasma, a empresa que eles criaram juntos, e que virou um campo de batalha entre os irmãos nos meses antes do rompimento. Poucos meses depois, em julho, a mãe de Emicida e Fiotti morreu aos 60 anos.

Na revista Piauí de Abril, eu, Guilherme Henrique, converso com o emicida sobre a disputa com o irmão, a perda da mãe e os efeitos de tudo isso na vida e obra dele, enquanto ele trabalha em um novo projeto, uma trilogia homenageando os Racionais MCs. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br.

Oi, pessoal, aqui é a Stephanie Roque, editora da Companhia das Letras e apresentadora da Rádio Companhia. Eu quero te convidar para ouvir os episódios deste mês da rádio. Tem um bate-papo super legal com a Raquel Toledo e a Cecília Rosa sobre o escritor russo Dostoyevsky. É um episódio para quem já leu e para quem quer se aventurar na obra dele.

Tem também uma conversa sobre escrita criativa com Marília Garcia e Roberto Tadei, onde eles falam sobre como e por que escrever. Além disso, eu conversei com a Fabiane Sex, na Terça Pontes, e Fabiane Guimarães sobre os seus novos lançamentos. Está um mês incrível para quem gosta de livro, então quando acabar aqui, eu te espero lá!

Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vou começar com você. Vamos começar pela desistência aos 45 do segundo tempo do Ratinho Júnior. Era o candidato indicado pelo PSD para concorrer à presidência da República. Já havia definido, já tinha até inclusive pronunciamento marcado para terça-feira agora.

entrevista coletiva agendada, ia ser comunicada à imprensa que ia ser na quarta-feira, e ele na segunda-feira, puff, não sou mais. Vou ficar aqui no Paraná. Tem muita coisa para ser esclarecida a respeito dessa decisão. Aparentemente o candidato que irá sucedê-lo, aparentemente, provavelmente vai ser o Ronaldo Caiado. O martelo ainda não está batido porque Eduardo Leite também está se colocando, embora a chance dele seja muito diminuta neste momento.

Bom, esses movimentos últimos têm sido meio definitivos, né? Dado o pouco tempo que se tem até as incompatibilizações. Mas quem encontrasse, conversasse com o Ratinho até sábado passado, tinha certeza de que ele sairia candidato. Porque ele estava convicto, embora sem confiar muito no Kassab ou na predisposição do Kassab em investir de fato na candidatura dele. Porque o que pode acontecer num caso como esse, quando uma candidatura...

ela é uma, digamos, uma fonte de negociação futura, pode ser que, enfim, a campanha comece e eles regulem o dinheiro, não investam o tanto que deveriam investir na campanha. Então tinha um pouco essa dúvida em relação ao Kassab, né? Até que ponto ele iria fundo nessa campanha se, enfim, ela fosse acontecer.

Mas, apesar dessa desconfiança, o Ratinho estava convicto de que queria sair. Tanto que, duas semanas antes, mais ou menos, o senador Rogério Marinho, do PL, né, super aliado do Flávio, foi para Curitiba e ofereceu para o Ratinho a vaga de vice do Flávio. E mais o ministério que ele quisesse.

E ainda deu um aceno pro Ratinho com a possibilidade de sucessão ao Flávio. Porque ele disse que o Flávio era contra a reeleição e que ele só queria o mandato. Exato, eles sempre estão contra.

E até para chancelar essa estratégia, que claramente é uma estratégia para atrair aliados para essa coalizão da direita, ou da extrema direita, como se queira chamar, o Flávio até protocolou uma PEC no começo de março, pedindo o fim da reeleição, para ele poder negociar. Ou seja, ele estava negociando o segundo mandato já agora, na campanha. Essa mentira de um mandato só, quando pode ter reeleição, é uma mentira de criança, né?

Não, quem foi enganado por isso merece ser enganado. Merece ser enganado. É, entendeu? Pelo amor de Deus. Você tem mais de 18 anos, entendeu? Se sua mãe não troca mais sua fralda, você já não pode mais cair. Ana, você falou dessa conversa do Marinho com o Ratinho. Eu tenho também uma apuração de uma conversa mais antiga do Lula com o Ratinho Pai, o Ratão. Meses atrás, eles têm um relacionamento pessoal de anos, de muitos anos.

Conversa na qual o Lula sugeriu que o Ratinho Júnior poderia ser o seu vice. É óbvio que não dá para comprar essa oferta ou essa sugestão pelo valor de face, porque o Lula deve ter feito isso, aí não tem informação, estou supondo, o Lula deve ter feito isso com meia dúzia de pessoas. Olha aqui, se você for meu vice, a gente fecha tudo e está tudo resolvido, né, Celestrão? O Lula é um sedutor profissional, sabe fazer política melhor do que nós três juntos. Pois é.

Muito assediado o Ratinho nesses últimos tempos, né? Ratinho Júnior. O que eu acho curioso é que pro Flávio estar negociando a sucessão pra tentar fechar uma aliança agora é porque a situação pro lado dele não tava muito boa.

E o Ratinho não topou, agradeceu, mas disse que ia ser candidato de qualquer forma. E diante dessa não negociação com o Ratinho, o PL decidiu apoiar o Moro no Paraná, que era o que eles já queriam, né? Mas condicionavam o não apoio ao Moro à entrada do Ratinho na chapa do Flávio, que não aconteceu.

E assim as coisas estavam até domingo. E domingo, no jantar com a família, decidiu-se que ele não iria mais. O que aconteceu nesse jantar, pessoal, eu não sei. A história contará um dia. Deve ter sido alguma coisa importante, porque até hoje o Gilberto Ká sabe que essa figura que dificilmente é pega de surpresa por qualquer coisa, foi pego de surpresa.

Ele foi avisado no domingo à noite e ficou totalmente sem chão, tanto que ele está sem chão até agora, porque ele não esperava por essa, então ele está tendo que arbitrar ali o caiado com o Eduardo Leite e tal. Enfim, a versão oficial é de que ele vai focar na sucessão do grupo político dele no Estado, que realmente está em baixa, o Moro está melhor em todas as pesquisas e sobretudo no interior do Paraná.

Mas, assim, é muito difícil essa versão colar, né? Acho que ela é plausível, mas ela é um cenário que está construído já faz meses. Já faz algum tempo que não há candidato para a sucessão do grupo político dele no Paraná. Já faz algum tempo que o Moro está na frente nas pesquisas. Então, assim, se fosse essa razão real, nada tinha sido decidido de forma tão brusca, né? É, exato.

Há essa hipótese, assim, de ele estar preocupado com o caso Master. Porque, de fato, o Grupo Massa, no caso, entrou no negócio do Tayhaya, chegou a fazer um aporte financeiro, mas depois desistiu do negócio, acabou não entrando na segunda unidade do Tayhaya no Paraná. É um Tayhaya do B ali, né? É o Tayhaya B. Tayhaya B, exato.

Enfim, e outras negociações feitas ali com o Master, né? Que isso preocuparia o grupo Massa, família Massa. Mas que também é uma coisa que não foi descoberta ontem, né? Se há algum conflito em relação ao Master, é uma coisa que eles já sabem faz tempo. Então, pra ele ter decidido do dia pra noite, a impressão que a gente tem é que foi algo muito brusco. Eu, infelizmente, não tenho a resposta pro nosso ouvinte. Vocês apurem por aí.

Contem pra gente, caso vocês descubram. Celso, vamos lá. Ó, o fim da candidatura do Ratinho Júnior, a gente ainda não sabe o que vai acontecer. A gente não sabe se vai ser Caiado, se vai ser Eduardo Leite, se vai ser sei lá quem. Mas, por enquanto, fracassou a tentativa do Kassab de mudar de visão na política brasileira.

Os partidos brasileiros tiveram uma divisão funcional ao longo da história da Nova República, dos partidos que disputavam a presidência da República, que era PT, PSDB, depois chegou aí o bolsonarismo, que não é bem organizado como partido, mas enfim, é um movimento bastante estruturado. E aqueles partidos que se especializam em eleger deputado e vender apoio para quem ganhar. O Kassab é o melhor operador da geração dele, dessa divisão dos partidos que vendem apoio para quem ganhar.

E ele se empolgou aí com essa confusão que se estabeleceu na direita depois do golpe do Bolsonaro e pensou, bom, pode ser que agora eu consiga mudar para a divisão dos partidos que elegem presidente. E a saída do ratinho da parada é uma derrota gigante, né? E ele já tinha sofrido a derrota principal, que é a não entrada do Tarcísio na corrida. Então, até agora...

A gente continua sem um exemplo de um partido que começou vendendo apoio para quem ganhar e conseguiu subir de divisão para partido de projeto nacional, para partido que comanda um pedação grande do eleitorado em majoritário. Perfeito. O pessoal todo que eu conheci do Paraná para conversar sobre a história do Ratinho, como disse a Ana, está todo mundo ainda meio tateando para descobrir do que se trata. Foi bastante surpreendente para todo mundo.

O que de fato parece ter influenciado, embora dificilmente tenha sido decisivo, é essa questão da sucessão no Paraná. O Ratinho estava tentando fazer uma coisa meio difícil, que era ter o apoio do PL no Estado, mas não apoiar o Flávio nacionalmente, ao menos no primeiro turno. O PL não topou e articulou a candidatura do Moro, a candidatura que eu chamei na coluna de Valdemoro Costa Neto.

O Moro estava bem isolado, ele tinha apoio só de um ou dois deputados estaduais e nessa jogada pareceu ter ganho uma base de apoio grande para concorrer na eleição. Sempre é bom lembrar que na chapa do Moro, que renunciou ao Ministério da Justiça porque o Bolsonaro ia usar a Polícia Federal para salvar o Flávio de ser preso no negócio da rachadinha, o Flávio Bolsonaro, que era quem ia ser preso no negócio da rachadinha, ia escrever um artigo na Folha dizendo que o Moro que tinha soltado o Lula...

E o Felipe Barros, aquele nosso amigão que defendeu o artigo 142 no Congresso entre novembro de 2022 e tentou também, como Ciro Nogueira, mudar o teto do FGC para salvar o Banco Mastro. Uma chapa realmente sensacional que o Ratinho, ao longo da semana, já está conseguindo minar. A notícia que você tem aqui no momento que a gente está gravando...

Mais de 40 prefeitos do PL do Paraná devem sair do partido. Era um pessoal de direita que estava no PL, porque o PL era do partido de direita, mas que já estava fechado com o Ratinho. De repente, o Moro entra no PL e fecha essa história toda com o Flávio por cima da cabeça deles. E eles falam, não, aqui não. E vão sair, vão seguir o Ratinho para onde ele for.

O Ratinho basicamente tomou uma rasteira do Moro, né? Agora, como disse o Rogério Galinha, do Plural Jornal, uma iniciativa de jornalismo independente bacana lá de Curitiba, se você perde capacidade de articulação para o Sérgio Moro, você vai empatar com quem?

O Moro é notório por ser um péssimo articulador, né? Se você toma uma rasteira do Moro, assim, a sua situação está difícil. E agora o Ratinho está tentando recuperar a sua reputação aqui, para não passar pelo vexame de tomar uma rasteira do Moro. O quadro no Paraná é muito complicado. O Ratinho queria lançar para candidato o Guto Silva, do PSD, que é o secretário de cidade dele, mas ele vai mal nas pesquisas.

E enquanto ele estava tentando articular o Guto Silva, outros candidatos mais fortes que estavam no PSD, como o ex-prefeito Rafael Greca, saiu e foi para o MDB ser candidato. E agora, no desespero, o Ratinho está tentando convencer o Eduardo Pimentel, o prefeito de Curitiba, a se desincompatibilizar e sair candidato na última hora, o que é bem difícil de conseguir uma mudança de planos para o cara a essa altura.

Mas enfim, a direita do Paraná está em caos completo. Ao mesmo tempo que a chapa do Moro pode ter derrubado a candidatura presidencial do Ratinho Júlio, o Ratinho Júlio pode estar derrubando a candidatura do Moro, roubando os prefeitos que fariam campanha para ele no interior, e o Game of Thrones está declarado. O Moro, de qualquer forma, é forte como candidato ao governo do Paraná. Claro, sem dúvida, sem dúvida.

Agora, só pra completar essa atitude do Ratinho, quando ele avisa o Kassab que ele desistiu, ele liga pro Valdemar Costa Neto falando o seguinte, que se ele desistisse de se candidatar, ele já tinha desistido, tá? Mas lançou essa pro Valdemar.

se caso ele desistisse de se candidatar, eles retirariam apoio ao Moro? E aí o Valdemar falou que não, que eles fizeram uma conferência lá com Flávio, Rogério e Marinho, e falaram, não, você pode desistir que a gente vai apoiar o Moro mesmo assim. A apuração da Thaís Oyama no Canal Meio.

O Kassab realmente sofre um revés, porque o Ratinho era a cria dele, né? O projeto dele e o Ratinho, numa perspectiva realista, falando com o pessoal lá de dentro da campanha, o Kassab falava que ele podia ganhar, etc. Mas, realisticamente, ele ia de um terceiro lugar com dois dígitos. Ocupar o lugar que já foi do Ciro Gomes, que já foi... Marina Silva. Marina Silva, exato.

O Ratinho tinha potencial realmente. Sobrenome do pai, as características, era mais fácil vender um discurso moderado com alguma diferença em relação ao bolsonarismo e mais diferença em relação ao PT. Já estava com 7%, segundo algumas pesquisas. Passar de 10% não era nada improvável. Colocaria o PSD para 2030 numa posição melhor, com mais de dois dígitos para negociar.

em condições bem favoráveis à situação do partido. O mais provável é que o Kassab, como faz sempre, libere as bancadas estaduais para fazer o que querem, mas o Ratinho tenderia, pelas características dele, a apoiar o Flávio Bolsonaro, se o segundo turno realmente for Flávio e Lula. É sobretudo no estado em que ele está. Exato.

A desistência do Ratinho nesse aspecto favorece o Lula se o candidato for de fato o Caiado, que não é o candidato dos sonhos do Kassab, muito longe disso. O Caiado acabou de entrar no PSD, o prêmio de consolação do Caiado já estava definido, ele ia cuidar da parte de segurança pública de um eventual governo Ratinho. O carro-chefe da campanha do Caiado, se ele for de fato o candidato, vai ser segurança pública.

Não dá para o Kassab contar com ele, né? É, o Caiado está longe de ser a pessoa dos sonhos do Kassab. O Eduardo Leite, pensando no futuro do PSD, seria mais interessante. Agora, é muito difícil você demover o Caiado, porque ele quer muito, porque ele está no final da vida política dele, tem praticamente 80 anos.

É um candidato que não tem nada a perder. Mudou o PSD justamente para poder disputar. É o único que está falando que é candidato a presidente desde a eleição passada. Enquanto todos os outros tergiversaram, ficaram mapeando o terreno, enfim, como acontece.

Agora, o PSD, Celso, acho que adiou essa mudança de divisão, como você disse. É um partido ainda forte. Tem o Eduardo Paes para 2030, tem a Raquel Mira, que a gente não sabe o que pode acontecer, governadora de Pernambuco. O Kassab foi arregimentando. O PSD está cheio de quadros que podem vir a ser quadros nacionais.

Aí tem uma curiosidade que a gente tem que lembrar da política da Nova República. A maioria dos presidentes eleitos não foi de gente que veio crescendo pela política local e virou presidente. Não teve nenhum... O único ex-governador que virou presidente na Nova República foi o Collor e deu merda. Então, assim, num certo sentido, a gente vem elegendo presidente que tem pelo menos um pezinho do lado de fora da política. Você sabe que o...

O Antônio Carlos Marialhães disse pra um amigo meu que ouve o foro que presidência é destino. É, pois é. Não é construção política? Não, exato, porque você pensa no FHC, cara. O FHC tinha perdido tudo que era eleição, só tinha ganho uma, que se você fosse do MDB, você ganhava de qualquer jeito, que é a eleição do Plano Cruzado. Foi o único cargo que ele ganhou foi senador, antes de ser presidente. O Lula foi deputado constituinte, não gostou de ser deputado, foi deputado constituinte só pra aumentar a bancada do PT mesmo. Nunca mais concorreu a nada até virar presidente.

A Dilma nunca tinha disputado nem para síndico. O Lula concorreu ao governo do Estado em 82 na primeira vez e depois só à presidência, né? E o Bolsonaro era um daqueles caras baixíssimo clero, né, cara? Não é nem peixe pequeno, já é plankton, sabe? Aquele negocinho que fica boiando. Então, assim, se algum desses caras conseguisse eleger construindo uma carreira da política local para nacional, vai ser, no fundo, uma certa novidade nas últimas décadas.

Não quero profetizar, tudo pode acontecer, mas o passado não é bom pro Tarciso. Todo cara que eu já vi deixar passar a vez pra tentar a próxima... Não consegue. Se ferrou. Na outra, o contexto é completamente diferente. Enfim. É. Essa ideia de que deixa pra daqui a quatro anos, quatro anos... É, exato. Tudo mudou. Lembra do Quercia? Sim. Ele não quis 89, ele teria a chance. 94 já tava, tinha esticando de corrupção, já tava completamente desmoralizado, teve plano real, não sei o que, teve um desempenho ridículo. Exatamente.

É destino. Bom, falando um pouco do Flávio, vocês avaliaram que é positivo para o Lula, caso o Caiado seja o candidato ali do PSD. Mas é também, sobretudo, positivo para o Flávio também. Porque uma coisa que...

a gente não falava muito aqui, as pesquisas iam aparecendo com o Flávio crescendo e tudo mais, e a gente avaliando esse crescimento dele, mas o fato é que dentro da campanha, eles estavam extremamente inseguros com a candidatura do Ratinho. Eles viam o Ratinho alcançando dois dígitos e pegando um espectro eleitoral maior do que o Flávio conseguiria porque ele resvalava para o centro.

E além de tudo, eles viam aquele Renan Santos do MBL, que é agora desse partido Missão, chegando a quatro pontos nos trackings. Não que eles considerassem, obviamente, o Renan Santos concorrente, não é isso. Mas a conta que eles faziam era assim, ah, o bolsonarista raiz, o cara fechado com Bolsonaro, eles colocavam em cerca de 15% do eleitorado. Se o Ratinho pegasse...

outros 15% e o Renan Santos ficasse com os 4% de jovens de direita que quem vai votar nele é o jovem de direita entre jovens ele tem uma votação significativa. Esses são 4 pontos que ele tá tirando do Flávio, não do Lula, entendeu? Isso é verdade. Então eles estavam extremamente preocupados com ir pro segundo turno, enquanto as pesquisas mostravam ali o Flávio crescendo, se aproximando do Lula no segundo turno

dentro da campanha dele, eles não tinham autoconfiança nem para dizer que eles estavam indo para o segundo turno. Essa era a realidade ali dentro. Como o Caiado pega, caso seja ele de fato, um espectro menor dessa centro-direita, né? Porque ele é muito caracterizado como de direita, falou que daria anistia para o Bolsonaro, enfim, né? Faz a defesa do Bolsonaro, diz que não teve golpe e tudo mais.

poderia ter um espectro eleitoral menor que o do Flávio, deixando o Flávio mais tranquilo pra ir pro segundo turno. É exatamente isso. É também uma boa notícia pro Flávio Caiado. Vocês avaliaram que é pro Lula, mas talvez seja melhor pro Flávio nesse aspecto. Talvez. Pros dois. Cada um ganha de um lado, né?

Bom, a gente encerra então o segundo bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar do governador Cláudio Castro. Já voltamos.

Eu saí de um show de Paul McCartney direto para o hospital. E essa é a história de como eu morri. Na balança, tive que me livrar de 58 quilos. E nesse sarapatel teve de tudo. Obesidade, ultraprocessados, canetas emagrecedoras. Uma investigação com rigor de ciência, mas toda trabalhada num temperinho pernambucano. Eu sou Ed Vanderlei e esse é o A Última Bolacha, o novo podcast narrativo da agência pública. Toda segunda, em todos os tocadores de podcast.

Para cada podcast que a Rádio Novelo publica, tem muita coisa que fica de fora. A nossa tesoura é incansável. A gente diz que a gente gasta o nosso tempo para poupar o seu. Mas tem vezes que a tesoura vai longe demais. Por isso a gente está lançando o episódio bônus da série Avestruz Master, com uma grande história que ficou de fora do podcast.

É um trambique vintage que ajuda a explicar uma coisa muito importante. Por que a Avestruz Master não foi um esquema de pirâmide? Nesse episódio, eu, Flora Thompson Devon, explico para Paula Scarpin, para Carolina Moraes, o que eu descobri. E o livro que me fez sentir que eu estava dentro da cabeça do Gerson Maciel, o Rei do Avestruz.

O episódio é exclusivo para membros do Clube da Novelo. Só esse mês a gente está com desconto de 20% no plano anual, que te dá direito a conteúdo extra e também nossa linda bolsa com o logo da Novelo. É só usar o cupom CLUBE20. Vem brincar com a gente. E se você já é membro, dá esse presentão para alguém na sua vida.

Muito bem, estamos de volta. Celso, a bola está com você, Cláudio Castro. Caçado inelegível por quatro anos pelo TSE. Tentou fugir pela porta dos fundos, renunciou na véspera, não conseguiu obter êxito. O que a gente está achando? Eu estou com medo que o próximo governador do Rio seja sorteado e que você vire governador do Rio. Celso, imagina isso. Pô, vamos embora, vamos embora.

A gente tá quase nessa situação que vai ser escolhido por sorteio. Não, e vai ser a força, né? Vamos pegar um cara na rua e obrigar ele. Você não pagou o IPTU, você vai ter que governar o Rio. Bom, então, Fernando, o negócio é o seguinte. O Cláudio Castro é ladrão. Além de ser o principal doador de dinheiro de aposentado para o Banco Master, de um bilhão, e eu digo doador porque o dinheiro que você investia no Master era pra perder, né? Você basicamente deu esse dinheiro pro Morcato.

Você não sabia, né? Mas era. Ah, sabia. Alguém ganhou uma corretagem. Exato. O aposentado nunca soube nem que o dinheiro dele estava lá, né? Quem fez a operação, obviamente, ganhou. Sabia, claro. O caso da Rio Previdência é o caso do dinheiro pela janela, né? Exato. Vocês lembram?

Ah, exatamente, que aí pegaram um cara e o cara jogou dinheiro pela janela. Se deu sorte de estar passando ali embaixo, pode ter ganho um cacau. Mas isso não foi em Balneário? Foi o cara do Rio que estava em Balneário. Mas era o cara da Rio Previdência. Tudo faz sistema, Celso, tá vendo? É, olha só, viu? Mas o que pegou para o lado dele dessa vez é que o Cláudio Castro montou um esquema na última eleição para governador, que vale dizer que ele ganhou em primeiro turno, que olha como está a situação do Rio de Janeiro.

Ele montou um esquema em uma fundação ligada à UERJ, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que levou à contratação de um número absurdo de funcionários fantasmas. Para vocês terem uma ideia, a estimativa é algo em torno de 18 mil funcionários fantasmas. O governo encheu de dinheiro essa fundação da UERJ e o pessoal lá ganhava sem trabalhar.

E aí vocês vão vendo que coisa sensacional. Entre um desses caras que era acusado de ganhar sem trabalhar, estava um sujeito chamado Daniel Martins, que em março o Cláudio Castro nomeou para secretário. Para que ele nomeou o cara que ganhava sem trabalhar? Para secretário do trabalho, é claro, né? E está lá o Daniel Martins, secretário do trabalho.

A história foi descoberta pelo trabalho heroico dos jornalistas Rubens Bertha e Igor Mello, do UOL. O Rubens Bertha tem uma longa história de denunciar a mutreta no Rio de Janeiro. E aqui é bom lembrar que esse cara aí que deu o dinheiro dos aposentados para o Banco Master e que agora foi pego inventando 20 mil emprego fantasma...

Ele pretendia concorrer ao senador com a bandeira da lei e da ordem, com a bandeira do combate ao crime, porque ano passado ele invadiu o complexo do Alemão e matou 100 pessoas. Agora, vocês lembram da barreira do BOP que tinha no complexo do Alemão para impedir os caras de fugirem para a floresta?

Não tinha barreira do BOP para impedir o Cláudio Castro de colocar a grande de aposentado no Master. Não tinha barreira do BOP para impedir o Cláudio Castro de montar um esquema com 20 mil picaretas que ganhavam você trabalhar. Enfim, o Cláudio Castro seguiu em frente e fez. E agora o Cláudio Castro renunciou para tentar escapar da ineligibilidade, mas não deu certo para o lado dele. Ele foi declarado ineligível do mesmo jeito. Aí você vai dizer, bom...

Mas se ele renunciou, quem vai assumir é o vice, certo? Não. O vice que foi eleito junto com o Cláudio Castro era o cidadão com o singelo nome de Tiago Pampolha. Só que aí, nesse último ano, o Castro e o resto do pessoal mais da direita do Rio de Janeiro estavam articulando pesadamente para que o presidente da LERJ, o Rodrigo Bacelar, fosse o candidato da situação ao governo do Estado, fosse o sucessor do Cláudio Castro. A Ana Clara já está rindo, porque ela sabe a história.

Mas aí, para facilitar a vida do Barcelar, o que o Cláudio Castro fez? Ele nomeou o vice dele para o Tribunal de Contas. E aí, um rápido parênteses, esse cara que concorria na chapa, que inventou 20 mil emprego fantasma para poder ganhar a eleição, agora ele vai cuidar das contas dos próximos governantes. Então vocês vão vendo que a coisa vai se perpetuando.

Sem o Tiago Pampolha de vice, assumiria o Rodrigo Bacelar. E esse era o plano do Cláudio Castro, porque aí ele concorreria já com a máquina na mão. Mas não deu, porque o Rodrigo Bacelar foi pego ajudando um deputado ligado ao Comando Vermelho a fugir da polícia. O glorioso TH Joias. Ele foi preso em dezembro passado, o Bacelar foi preso em dezembro do ano passado e agora está em casa com tornozelo eletrônico.

Enquanto ele tem aí esses problemas de trajeto, não sobrou ninguém para assumir o governo do Rio de Janeiro. Gente, a gente ri, mas é que é surreal. É, tem que rir de nervoso, pois é. Duvido que a equipe de roteiristas da Netflix, da HBO, tenha essa capacidade de...

O Cláudio Castro só virou governador porque, assim, ele foi eleito como vice do Whitson naquela época de 2018, aquela campanha em cima da Lava Jato, então todo mundo lá com bandeira contra a corrupção. E ele era vice porque ninguém queria ser vice. Ninguém queria ser vice do Whitson porque parecia que ele não ia ter chance nenhuma, enfim. E ele meio que foi o que sobrou. É, ele era cantor da igreja em Copacabana. Exato. E aí ele virou vice do Whitson que se elegeu com a bandeira da corrupção.

mas também era ladrão, então foi empichado por corrupção. E nessa, o Cláudio Castro chegou ao governo. E todo mundo sabia que o Cláudio Castro também estava enrolado naquele negócio de algum jeito. Mas se o Cláudio Castro fosse também preso, haveria uma crise constitucional, porque todo mundo na linha de sucessão estava em cana, naquele momento no Rio de Janeiro. E o coitado do deputado constituinte...

Só previu, sei lá, possibilidade de 3 na linha de sucessão. Ele falou, não, não é possível que eu vou prender 9, eu tenho que dizer quem entra em décimo lugar, não sei o que. Mas é porque ele não conhecia o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro sempre desafia esse critério constitucional. Na falta de alguém para se pegar essa bomba, entrou o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Ricardo Couto de Castro, de quem eu já tenho muita pena. Coitado desse cara, enfim.

Pois é, vamos ver. Mas ele só vai ficar no cargo tempo suficiente para organizar uma eleição indireta na Alerje, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que tantas alegrias já deu o Brasil. Dali saíram Eduardo Cunha, Flávio Bolsonaro, Pisciani, enfim. Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro, só gente do mais alto calibre.

Aí, quem era o favorito pra ganhar essa eleição na LERJ? Calma que ainda vai ter mais. O favorito pra ganhar era um cara chamado Douglas Ruas, do PL, que é o candidato do Castro. O Castro queria que ele ganhasse essa eleição.

E ele era favorito. Ele era favorito. Ou seja, o cara com essa biografia ainda fazia o favorito. Exatamente. Na Lerge. E o Flávio Bolsonaro deve apoiar o Douglas Rush para governador do Rio esse ano. E aí, qual era a graça? A mesma coisa que eles planejavam com o Bacelari. Ele vai, assume o governo e fica com a máquina na mão, facilita a vida dele para ele concorrer na eleição, certo?

Só que aí entra em cena Luiz Fux. Luiz Fux foi lá e fez uma decisão que, aliás, é correta no meu ponto de vista. Ele decidiu que, assim, você não pode se desincompatibilizar da máquina pública hoje e amanhã ser candidato a governo do Estado em situação nenhuma. Ter um prazo de seis meses, por exemplo, para o Tarciso se desincompatibilizar agora se ele quiser ser candidato a presidente...

Então, nessa eleição indireta também, só pode concorrer quem tiver desincompatibilizado de cargo no executivo nos últimos seis meses. Isso matou o Douglas Jus, que é secretário do Castro, e matou um outro pretendente, que para quem for de fora de Riva achar meio estranho, que era um cara do PT, o André Siciliano. Ele é dessa facção do PT bem centrão mesmo, bem tipo o Quaquá, sabe? Aqueles caros ali que fazem acordo com todo mundo, enfim. É, centrão você está sendo...

É, exato. O Quacoa era amigo da família... Exato, mas eles todos são. Da família Brasão. Enfim, mas o André Ciliano tem um cargo no governo Lula. Então ele também não pode concorrer porque ele não se desincompatibilizou a tempo. De modo que, num momento, ninguém sabe quem vai ser o governador do Rio, nesse mandato tampão. Tá correndo todo mundo de um lado pro outro lá, tentando articular alguma coisa, tentando ver como é que isso vai se relacionar com a disputa pra governador, né? Porque bem ou mal vai ser alguém que vai ter a máquina.

nesses seis meses. E bom, se o Cláudio Castro conseguiu inventar 18 mil empregos fantasma no finalzinho da eleição, esse cara poderia fazer também. Então vai ser uma negociação complicada para ver quem vai ser o governador do Rio. A única certeza é que ele vai ser ruim. Porque eu lembro de vocês que entre as pessoas que vão elegê-lo, entre os deputados estaduais do Rio de Janeiro, estão o Rodrigo Amorim do PL, que é aquele outro cara que rasgou a placa da Marielle junto com o Daniel Silveira.

Rafael Pisciani, filho do Jorge Pisciani, Samuel Malafaia, irmão do Silas Malafaia, Renan Jordi, irmão de Carlos Jordi, o nosso último Kinder Ovo aqui, e é daí pra baixo, sinceramente. De modo que, enfim, a Assembleia Legislativa do Rio é muito ruim. E eu aproveito pra dizer que eu, em geral, acho Assembleias Legislativas do Brasil muito ruins.

Porque elas são muito menos fiscalizadas. A Câmara de Vereadores e o Congresso Nacional, por mecanismos diferentes, são bem mais fiscalizados. A população em geral sabe o nome de algum vereador, ou de algum deputado, entendeu? A maioria das pessoas não sabe o nome de um deputado estadual. Ninguém sabe direito quais são as competências dele. Aí acaba, enfim, se elegendo qualquer um. Mas, enfim, a única certeza é que não vai ser dessa vez que o Rio de Janeiro vai sair dessa draga que ele está.

Como eu falo às vezes, ou já falei em algum momento, crise não é mais política, é de metáforas. O que a gente vai chamar isso? É um desmanche, uma anomia, um negócio inominável. E a gente ri porque realmente tem um lado engraçado nisso tudo. Pô, o que eu vou fazer? Exato. Enfim. Ana Clara, que também pode ser sorteada para governar o estado do Rio. Aí sim, hein? Aí ia ficar bom. Aí sim.

Pois é, né? Depois dessa linha do tempo que o Celso traçou, é difícil ter o que dizer. O Celso fez o verdadeiro PowerPoint do caos. Isso aí. Esse é o PowerPoint. Quem quiser precisar de PowerPoint estamos aí.

Bom, falando um pouco da situação do Cláudio Castro, que eu acho que ela é um emblema da situação para a eleição presidencial também. Primeiro, ele renunciou antes, porque também a principal questão era, se ele saísse antes, ele conseguiria tentar se candidatar ao Senado subjúdice, né? Porque o processo estaria...

correndo e ele corria o risco de ganhar e depois, enfim, brigar ali no TSE, só que daí você tem o Nunes Marques, ele já estava contando com isso, Nunes Marques vai assumir a presidência do TSE no meio do ano, né, e adivinha como o Nunes Marques votou nesse caso?

Ah, moleza, né? Obviamente não condenou Cláudio Castro, nem Nunes Marques e nem André Mendonça. Ambos fazem parte do TSE, né? Do colegiado. Pausa só pra eu reiterar a minha autocrítica aqui. Fui garoto, fui mirim quando elogiei André Mendonça.

Agora, no caso do André Mendonça, bom, vamos lá. Foi fácil essa condenação do Cláudio Castro porque tinha uma coisa chamada batom na cueca. Foi fácil provar a criação dos quadros fantasmas, foi fácil provar o pagamento dessas pessoas. Na boca do caixa. O cara nem abria a conta no banco. Ele ia lá e dava um dinheiro pra ele.

Então, assim, a prova é cabal, não tem... Por isso foi rápido, por isso foi fácil, né? Não é fácil você declarar um governador do segundo estado mais rico e inelegível. Exato, não é trivial isso. E aí, olha só, né? Você tem o André Mendonça, relator do caso do Master.

em que o governo do Rio, o governo do Cláudio Castro, investiu um bilhão do dinheiro da Previdência, dos aposentados, no Banco Master, e perdeu, né, provavelmente a maior parte desse dinheiro, você tem o André Mendonça votando pela absolvição dele, sabendo o que existe no processo do Master. E o André Mendonça poderia, se ele quisesse...

não ter passado esse recibo agora. Ele está com o INSS, ele está com o caso Máster, ou seja, ele está com um rosário de instrumentos de atuação política que ele pode ter, em que ele poderia ter poupado esse recibo que ele passou essa semana nessa votação e ele não quis.

poupar-nos desse recibo. Então, assim, essa votação do Cláudio Castro, ela deixou muito clara a posição do André Mendonça dentro do tabuleiro. Quando a gente vê o que aconteceu com o Cláudio Castro, no mesmo dia que ele é declarado inelegível, tem o PP e União Brasil convidando ele, deixando a federação de portas abertas para recebê-lo, ou seja...

Não existe nenhum conflito ético. O cara foi declarado inelegível e é recebido de braços abertos. O PL, primeiro, deu todo o apoio para ele, elogiou, jamais criticou, é uma injustiça e tal. Mas o PL começou a abrir mão dele agora, passada a ineligibilidade, porque como fazer o Senado?

talvez mais importante para o PL do que fazer a presidência da República, você colocar na vaga do Rio, em uma das vagas do Rio, um candidato que pode perder a vaga, é arriscado para o PL. Então, só por isso e apenas por isso, eles querem substituí-lo pelo Felipe Cury, que é o secretário da Polícia Civil dele, que foi um dos coordenadores da operação do BOP.

E é o ideólogo dessa coisa do narcoterrorista. Está em documentário do Brasil Paralelo, etc. Esse Felipe Cury era o formulador da coisa toda da operação do alemão, etc. É o cara mais sintonizado com a doutrina de segurança trumpista.

Pois é, e só por isso, só por uma questão de conveniência e de contagem de senadores do PL, que o PL está abrindo mão do Cláudio Castro. Não por ter achado que ele, de fato, tenha infringido a lei, entendeu? Mesmo o cara tendo sido condenado. Ainda conectando o assunto master, o problema todo foi na Rio Previdência, na Previdência do Estado do Rio. Para vocês verem, o Cláudio Castro... ...

Nem demitiu o chefe da Rio Previdência. No processo de saída dele, mostra que ele que pediu para sair. Ou seja, nem sequer ele demitiu o cara que desviou um bilhão de dinheiro de aposentado para dar para o Daniel Vorcaro. Dá não, né? Porque daí provavelmente eles receberam algo em troca.

Dado o que foi encontrado, né? Foi encontrado nas buscas que fizeram nessa operação da Rio Previdência, foram encontrados mais de 420 mil reais em espécie e vários carros de luxo e teve o episódio do cara jogando dinheiro pela janela em Balneário Camboriú, que também foi nessa operação. Enfim, agora o fato de você ter o ministro do Supremo, que coordena o Master, e o Nunes Marques, cujo filho recém-formado tem mais de 500 clientes... Bom, o garoto é bom, gente.

ele pegou a OAB em fevereiro e fez acho que 100 processos no ano uma coisa assim 500 clientes em um ano de OAB trabalha enquanto eles dormem

Enfim, eu acho que essa questão do Cláudio Castro, que é um problema que não tem a ver com o Master, eu acho que acabou preenchendo algumas lacunas que a gente tinha em relação à conduta desses ministros, no caso do Daniel Vorcar. Mostra um bloco político. A composição desse colegiado, essa semana, nessa votação, é a composição de um bloco político. Sim, sem dúvida.

E falando em bloco político, só queria lembrar um último episódio. Ano passado, depois do massacre lá no complexo do Alemão, os governadores de direita todos baixaram aqui no Rio de Janeiro para declarar apoio ao Cláudio Castro num negócio que eles botaram o nome de Consórcio da Paz. Olha que bonito. O Consórcio da Paz tinha o Romeu Zema, o Jorginho Melo, de Santa Catarina, o Caiado, o Eduardo Hidel, de Mato Grosso do Sul,

O Tarciso, segundo a informação do G1, participou da reunião de forma virtual. E a Celina Leão, vice-governadora do Distrito Federal, ou seja, a vice do Ibanez. Esse Ibanez aí que não preciso nem explicar. Só gente boa. Mas era o consórcio da paz, olha só. Muito bem lembrado. A encrenca é grande, da Aquarela Fluminense para a Aquarela do Brasil. Vamos encerrar, então, o terceiro bloco do programa.

E que programa! O Celso avisou que a nossa ida a Recife era a última notícia boa do dia. Encerramos, fazemos um rápido intervalo. Na volta, Kinder Ovo!

Alô, Rio de Janeiro! O Grupo Corpo apresenta 21 Ipiracema, de 6 a 10 de maio, no Teatro Multiplan Vila de Mó. Garanta o seu ingresso em simpla.com.br ou na bilheteria do teatro.

Oi, aqui é a Carolina Moraes, da Rádio Novelo, e eu tô aqui pra te fazer um convite. No ano passado, eu, a Natália Silva e a Bia Guimarães passamos meses mergulhadas numa investigação sobre uma nova ameaça ao acesso ao aborto legal no Brasil.

O que disparou essa investigação, e que virou uma série chamada Sala de Espera, lá no feed do Rádio Novelo Apresenta, foi o fechamento de um serviço de referência, o do Hospital Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Depois de meses num embate jurídico, esse serviço acabou de ser reaberto.

Mas as ameaças ao aborto legal continuam pairando. Por isso, nós três resolvemos nos reunir para uma live no nosso canal no YouTube no dia 28, uma terça-feira, às 8 horas da noite. A gente vai conversar com os especialistas Romina Margarita Ramui e com o Rodolfo Pacanella para falar um pouco sobre a nossa série e entender o que está em jogo agora nessa disputa. É só procurar por Rádio Novelo no YouTube e se inscrever para não perder a conversa. A gente te espera lá.

Muito bem, estamos de volta com a nossa diretora acompanhando de casa, porque ela está enferma, mas está tudo bem. É o Dani D quem vai soltar hoje. Solta o som aí, Dani D.

Essa história de, ah, você quer ganhar a mesma coisa trabalhando menos, isso não dura, isso é o mesmo que você chamar mais gente pro churrasco, mas não aumentar a carne. Você impor situações pros setores é como alguém que calça 39 e você impor que o sapato tem que ser o 37,5. Aí vai ficar apertado o negócio. Acertou! Pô, primeira vez no ano, eu acho, sei lá. Primeira vez em dois anos que eu pego.

Paulo Skaff, muito bom. Esse é quase do universo do Celso. Não, é profundo do meu universo. O Paulo Skaff é o... É quem vai pagar o pato, lembra? No impeachment da Dino? Lembro. Quem é que vai pagar o pato? O pato da Fiesp. É. Não foi ele que pagou o pato. Quem fala é o empresário e atual presidente da Fiesp, Paulo Skaff, entrevista ao canal da revista Veja no YouTube.

Depois desse momento glorioso de Ana Clara Costa, como se precisasse de mais esse momento glorioso, não deixou nada aqui para a imprensa paulistana, que está na seca. A gente encerra e vai para as cartinhas, para o melhor momento do programa, o momento de vocês.

Eu vou começar então com uma mensagem da Marta Domingues. Eu ouço o foro e fico imaginando que o escritório da Ana deve ser igual ao dos investigadores de filme, com fotos de políticos espalhadas e um fio ligando.

Cada uma delas. Ela saca umas relações entre políticos da atualidade com CPIs da época do descobrimento do Brasil que são inacreditáveis. Bela memória, o método de organizar a complexa malha política brasileira. Pode já fazer um agente de IA para consultarmos. Olha aí, Ana Clara. Abrindo frente de trabalho, possibilidades.

Não é. Olha, a minha mesa, a minha sala não é. Mas você sabe que eu fiz um prompt do chat GPT? Que foi uma trend outro dia nas redes sociais, que todo mundo pôs a foto com a sua profissão. Eu não postei, mas eu fiz o chat GPT fazer a minha e ele fez exatamente. Caramba! Eu vou mostrar pra vocês. Com uma tela, com um monte de foto interligada. Muito bom! Mas não é realidade.

esse negócio de político espalhado com o fio ligando, eles não é muito recomendável.

É, né? É uma estética meio ultrapassada. É, estética embaixo. O Walter Cancela escreveu de Belém. Sábado, 21 do 3, foi meu aniversário e, por uma coincidência infeliz, o do Jair também. Dito isso, eu e minha noiva sempre tentamos assistir ou escutar algo que o outro gosta, pra que possamos ter mais coisas em comum. E neste final de semana, finalmente consegui fazer ela escutar o foro. Então, se possível, mandem abraços pra Lorena.

Lorena, obrigada por ouvir a gente. Valeu, Lorena. Valeu, Lorena. Muito bom. O Leandro Rios quis se solidarizar com a gente e escreveu. Não é fácil ouvir o foro, mas ultimamente tem sido muito pior.

É que ele não ouviu de hoje. Parabéns para o trio. Espero que façam muita coisa prazerosa para limpar a mente, pois é insalubre o trabalho de vocês. Leandro, anda difícil mesmo.

É, gente. Tende a piorar. É. A gente desopila quando tá fazendo. É mais insalubre, às vezes, pra quem ouve. Bom, o que é bom acaba e o que não é tão bom também acaba. A gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir o Dar 5 Stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube.

Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes.

A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha showpana em São Paulo e no estúdio Rastro do Dani D, que hoje fez o Kinder Ovo no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.

Tchau Celso. Tchau Fernando, até semana que vem. É isso gente, uma ótima semana a todos e até semana que vem.

Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br.

Anunciantes4

BYD

Dolphin Mini
external

Grupo Corpo

21 Ipiracema
external

Mercado Livre

Soluções de pagamentos
external

Rádio Novelo

Sala de Espera
external
Bolsonaro avança, Ratinho recua e Cláudio Castro implode | Castnews Index — Castnews Index