As mentiras de Flávio, o respiro de Lula e a volta de Messias
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam o impacto político das revelações mais recentes sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que aprofundaram a crise em torno da candidatura presidencial do senador e ampliaram as divisões dentro da direita. No segundo bloco, o trio discute os efeitos do escândalo nas pesquisas eleitorais e a recuperação de Lula na corrida presidencial. No terceiro bloco, os apresentadores tratam da possível volta de Jorge Messias à disputa por uma vaga no Supremo e das novas tensões entre o Planalto e o Senado.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft113/
Leia “Em modo detox digital”, reportagem de Simone Duarte sobre por que as iniciativas para se desconectar estão ganhando tração: https://piaui.uol.com.br/revista/236/por-que-as-iniciativas-para-desconectar-estao-ganhando-tracao/
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Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa, em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos. Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda.
Oi, Fernando. Oi, pessoal. Eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico, ele não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira.
que nós vamos ainda hoje, eu e o presidente Hugo, os líderes do governo, organizar rapidamente uma sessão do Congresso Nacional para que a gente possa analisar esses vetos, derrubar esses vetos.
Mais uma sexta-feira e eles, Ana e Celso, estarão em São Paulo junto comigo no sábado, dia 30 de maio, na Feira do Livro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu, às 18h06 da tarde. A gente espera vocês por lá. Vamos então, sem mais delongas, aos assuntos da semana.
A gente abre o programa com a sangria desatada na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro depois das revelações de suas relações comprometedoras com Daniel Vorcaro. Vorcaro que está preso e cuja delação premiada acaba de ser recusada pela Polícia Federal. Há um lado divertido neste pastelão de quinta protagonizado pela família Bolsonaro. Dark Horse desafia Ed Wood, conhecido como o pior diretor de todos os tempos e que foi objeto de um filme com seu nome dirigido por Tim Burton em 1994.
As produções de Ed Woods dos anos 50 do século passado ficaram famosas por defeitos técnicos gritantes, roteiros esdrúxulos e presença de astros do cinema decadentes. Dark Horse chega para desbancar isso daí. O Celso vai nos contar tudo.
do roteiro. Fora das telas, Flávio teve que admitir que se encontrou com Vorcaro pessoalmente depois da primeira prisão do banqueiro. Disse que era para, abre aspas, botar um ponto final, fecha aspas, na relação. Muito comovente, muito convincente. Mário Frias, o Edwood dos atores nacionais, também apareceu em um áudio agradecendo a Vorcaro por apoiar a obra. Alguns dias antes, ele havia jurado não haver um único centavo do ex-banqueiro
no projeto do Azarão. A direita está dividida sobre a viabilidade de Flávio depois desse escândalo. O 01 trocou de marqueteiro, foi a Faria Lima dar explicações e se reuniu com seu partido para reduzir danos. Silas Malafaia mandou avisar que se houver mais coisa, vai complicar. Michele se esquivou de defender o enteado e Romeu Zema fala em traição. O Centrão fareja o sangue e refaz suas contas.
Enquanto a obra não estreia, a gente fica com a chanchada da vida real. No segundo bloco, seguimos com a política. A primeira pesquisa realizada após o escândalo do Vorcarão foi da Atlas. Divulgada na última terça, ela mostra Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio na simulação de segundo turno. No mês anterior, eles estavam empatados.
A gente vai comentar alguns detalhes deste novo quadro. Lula, por hora, voltou a ser favorito na disputa presidencial, mas ainda é muito cedo para arriscar prognósticos num ambiente político tão conflagrado. Terceiro bloco, por fim, a volta de Messias. Não do Jair, mas do Jorge. Ele parecia enterrado até Lula dizer a aliados que pode reenviar o nome do advogado-geral da União para o Supremo. A derrota no Senado, diz Lula.
Não foi uma rejeição pessoal a Messias, mas uma afronta a uma prerrogativa do presidente por razões políticas. Há uma discussão sobre normas internas do Senado que impediriam a reavaliação do mesmo nome que foi rejeitado ainda neste ano. Lula pode ou não estar blefando, mas tira a temperatura do ambiente, mede a reação dos senadores e devolve a Davi Alcolumbre parte do constrangimento que lhe foi causado. Alcolumbre está mais frágil e Lula mais forte do que estavam no dia da derrota de Messias.
É isso, vem com a gente. Muito bem, Ana Clara, vamos começar então com você. Diante dessa confusão de coisas das últimas semanas envolvendo Flávio Bolsonaro, o que a gente quer saber é se ele vai continuar sendo candidato ou não. Bom, para essa resposta, um milhão na minha conta. Estou brincando.
Liga pro Morcaro. Então, não se sabe, né? Acho que ainda nem eles sabem o que vai acontecer. Eles estão fazendo umas novas primárias ali nesse momento. Primárias involuntárias. Primárias forçadas, né? Forçadas.
Mas o fato é que tá tudo rachado e eu quero mapear um pouco isso pra vocês. Bom, começando pelo fato de que o Rodrigo Constantino foi demitido da rádio Auri Verde porque criticou o Flávio por ter pedido dinheiro pro Vorcar. Olha só, eu tinha tanta confiança na rádio Auri Verde, cara, pois é.
Não, mas isso é um emblema do Rasha, entendeu? Eu vi ele falando isso, eu falei, o que ele tá querendo? Qual é a jogada por trás disso, né?
Não, independente do que está por trás disso, de fato existe um rompimento de narrativa, né? Porque a narrativa que eles vinham construindo de forma até irresponsável, porque o Flávio sabia o que ele tinha com o Vorcaro e não compartilhou isso com a campanha, era de que o Master não iria pegá-los, né? Que eles não tinham nada com o Master. Era essa a narrativa, a despeito de tudo que o Celso dizia, que...
Viu? Esse cara de direito acredita no Flávio em vez de acreditar em mim. Tá vendo? É.
Então, houve uma quebra enorme de narrativa. E aí eles tentaram engambelar a própria base, falando da questão de não ser dinheiro público, etc. Pra alguns colou, né? Como o pessoal da Aure Verde e pra outros não. Até porque o Zema se colocou ali naquela posição de alternativa. Então, quando eu falo do Rodrigo Constantino e Aure Verde, não é que eles sejam importantes, mas é um emblema do que é esse racha que tá acontecendo lá. Eles são importantes nessa bolha, né?
É, sim, sem dúvida. E aí, em paralelo do Racha, que coloca o Zema como alternativa, existe a Michelle. Só que aí tem um problema um pouco mais complexo. Porque o Bolsonaro, embora ele esteja em casa, em prisão domiciliar, há a possibilidade dele se comunicar com os filhos por meio de visitas autorizadas e tudo mais. Então ele não está incomunicável.
A questão é que o Bolsonaro não está apitando tanto quanto ele gostaria nessas últimas decisões, né? Eu não estou dizendo que ele decidiu pela Michelle, não é isso. Mas os filhos querem muito que o Flávio continue. Tanto o Eduardo quanto o Flávio, eles acham que é melhor o Flávio perder mantendo o bolsonarismo no núcleo familiar do que a Michelle ganhar.
É isso que eles têm falado. É melhor a gente perder do que a Michelle ser a candidata e ganhar, porque eles não têm confiança nela. Enfim, ela não vai ser parte do esquema que eles acham que é conveniente. Uma família unida. É claro. Bom, vocês viram, né? Ela mesma, quando foi questionada sobre o Flávio essa semana, falou que vocês têm que perguntar para ele, né? Ela não fez nenhuma questão de defendê-lo. E se divertindo imensamente, né? Sem dúvida. Enquanto respondia, né?
Mas aí vocês também já veem, o Silas Malafaia já começou a dizer que está difícil carregar o peso do Flávio, não com essas palavras, mas as frases dele têm sugerido isso, e o Silas Malafaia é muito próximo da Michele. Então você tem uma certa parcela do bolsonarismo ali, do núcleo duro do Bolsonaro, que até gostaria que a Michele fosse escolhida para substituir o Flávio, mas os filhos não querem. E o Bolsonaro...
Num exemplo de que ele não está sendo ouvido ou definindo as coisas como antes, eu quero citar o exemplo da candidatura do André do Prado para o Senado em São Paulo, que a gente já falou aqui, alguns programas atrás. O Bolsonaro não queria o André do Prado. Ele queria o coronel Melo Araújo, que é o vice-prefeito de São Paulo.
Ele considera o Melo Araújo um cara dele, que se ganhasse seria ele no Senado. É o cara que ele queria. Os filhos não quiseram o Melo Araújo e queriam o André do Prado por inúmeras razões. Razões políticas e também partidárias.
André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, certo? Do PL. Isso, deputado estadual pelo PL. No caso do André do Prado, há razões políticas, porque ele, enfim, é próximo da família, dos filhos, e também é o cara de confiança do Tarcísio.
O Tarcísio, se fosse se candidatar à presidência lá atrás, deixaria o André do Prado como sucessor dele no governo de São Paulo. Era quem ele queria, né? Não sei se era o que aconteceria, mas era em quem ele confiava. Como o Tarcísio e o Flávio não são melhores amigos longe disso, você costurar o André do Prado para essa vaga, você obriga o Tarcísio a fazer a campanha para o Flávio. Então, isso era uma das razões políticas, razões partidárias. O Eduardo tinha combinado com o Valdemar Costa Neto.
que se ele desse a bênção dele pro nome do André do Prado, o Valdemar ia dar uma grana pra ele, tipo uma mesada assim, sabe? Pra ele viver nos Estados Unidos, já que ele não teria cargo, né? Esse foi o acerto. E aí ele deu a bênção dele pro André do Prado ser o candidato ao Senado. E o cara que o Bolsonaro queria, de fato, que era o Melo Araújo, não foi. Isso é um exemplo só de que as coisas não estão tão claras e também na mão do Bolsonaro nesse momento, entendeu? E os filhos querem muito continuar comandando essa candidatura.
Mesmo que seja pra cair do precipício no final. E no caso do Zema, ele tá saindo na frente nessa corrida, se a gente pegar em relação ao Caiado, por exemplo, né? Que aguardou ali os desdobramentos pra começar a centrar fogo no Flávio. O Zema já fez isso muito mais rapidamente. Então, ele tá tentando ser a alternativa pra ver se, no fim, consegue tirar o Flávio do segundo turno.
Todo mundo com quem eu conversei acha isso muito pouco provável. Mas é o cara que hoje está se colocando mais forte nesse lugar. Dito isso, o Flávio se viu obrigado a trocar todo o núcleo duro da campanha dele.
que está personificado na figura do Marcelo Lopes, que é o marqueteiro. O Marcelo, na campanha do Flávio, ele não ocupava necessariamente essa função, né? Que o João Santana já ocupou na campanha do Lula, que o Sidoni ocupa hoje, dessa coisa do cara que manda em tudo, né? O Marcelo Lopes era mais o estrategista da comunicação ali, mas não era ele que concebia tudo. Mas enfim, ele era o cara que mais mandava.
E aí aconteceu o que aconteceu. Primeiro, ele se mostrou envolvido nos pagamentos que o Master fez para influenciadores para dinamitar a reputação do Banco Central. O Marcelo Lopes estava envolvido nesses pagamentos. E aí veio o pós-crise Vorcaro para o Flávio. O Flávio foi na Globo News, foi destruído lá pelos jornalistas da Globo News durante uma entrevista.
e tentou jogar o fato de que a Globo também tinha recebido o dinheiro do Master em anúncio, né? Em publicidade. Então, assim, eles formularam aquela ida na Globo News pra tentar emplacar essa ideia pra, obviamente, abastecer as próprias redes, né? Só que não deu certo. O Flávio foi destruído ali pelos jornalistas. E o fato do Marcelo Lopes estar envolvido nessa estratégia da Globo News também foi uma questão ruim dentro da campanha.
Primeiro, se ele tem alguma coisa contra a Globo, fazer uma estratégia dessa que te expõe tanto ao vivo, né? Não é a estratégia mais sensata. E o Flávio fez e, segundo eu ouvi, não houve resistência por parte do marqueteiro. Então, isso prejudicou ele também. E aí, no fim de semana, enquanto ainda eles estavam recolhendo os cacos do que aconteceu, o Marcelo Lopes estava viajando, nem estava junto com o Flávio.
E aí, enfim, a situação ficou meio sustentável, o próprio Marcelo Lopes pediu para sair, e agora o Flávio contratou um outro, que é o publicitário Eduardo Fischer, que não é um cara do meio político, das campanhas políticas, foi dono de agência em São Paulo por muito tempo, mas não tinha políticos como principais clientes. É para ver se ele consegue reajustar aquilo, mas a situação ainda é muito difícil para ele nesse momento. E as pesquisas já mostram, né?
Eduardo Fischer que fez a campanha do Álvaro Dias à presidência em 2018, quando estava no Podemos. Muito bom, Ana. Celso, você que nas suas horas vagas, que não são muitas, conseguiu dar uma espiada no roteiro do filme do Jair, né? Sim, eu sou um cinéfilo reconhecido. Essa era a crítica que eu queria ouvir. Tem o Aurélio Barba no lugar do Adélio Bispo, né?
E isso é o menos bizarro que tem ali, cara. Isso é o menos bizarro? É. Eu confesso que eu não tive essa oportunidade ainda, Celso, de afundar no roteiro. Assim, é um negócio que não pode ter custado mais que 30 reais pra fazer aquilo, cara.
É muito tosco, é muito tosco. Porque não é só propaganda do Bolsonaro, isso a gente esperava, né? Que fosse, enfim, obviamente vai ser muito favorável ao Bolsonaro, enfim, normal. Cara, mas é um negócio de roteirista de quinta divisão dos Estados Unidos, que não sabe nada sobre o Brasil, só tem, assim, umas noções muito vagas de América Latina, baseada em um ou outro filme sobre o cartel mexicano que ele viu na vida.
E ele tem aquele roteiro dele de ação, de crime, de não sei o que lá, pronto, na cabeça dele, falaram, o mocinho é o Bolsonaro. Ele falou, tá bom. Alerta de spoiler, hein, pra quem estiver muito interessado em assistir. Ah, os nossos ouvintes vão ficar muito bravos. Exato.
O vilão do filme é um chefe do tráfico de drogas chamado Cicatriz. Você vai dizer, pô, mas não existe nenhum... Não, não existe. Começa a se acostumar, porque quase nada aqui tem a ver com os fatos. O Cicatriz teria sido preso pelo Jair Bolsonaro quando Bolsonaro era do Exército. Porque o roteirista obviamente não sabe que o Exército Brasileiro não participa de operação de repressão do tráfico de drogas. Então o Bolsonaro foi lá, prendeu esse traficante, o Cicatriz.
E aí o Cicatriz quer se vingar. E aí o Cicatriz, ele que organiza o atentado à facada lá de Juiz de Fora. Ele recruta o Adélio Bispo, que aqui se chama Adélio Barba. Aurélio Barba. É, Aurélio Barba. É uma insinuação muito sutil de que seria o Lula. O Aurélio Barba, conversando com os caras, diz que ele é um militante de esquerda radical, que faria qualquer coisa pela revolução, mas que se desinteressou de atuar junto com os caras da extrema esquerda que ele conhecia que os caras usavam droga de
mais, entendeu? E aí ele topa entrar nesse negócio aí. Nesse meio tempo tem uma velha que parece ser a Damares, a Dolores. Ah, claro. Que encontra o Bolsonaro num restaurante, num jantar, dá um remédio artesanal que ela faz. Ah, meio místico. Meio místico pra ele tomar. Porque obviamente o roteirista não sabe porra nenhuma, não sabe que é Damares evangélico. Ele já pensou, ah, é uma índia da Amazônia, porque eu sei que no Brasil tem Amazônia. Então, Amazônia.
E aí, esse remédio, inclusive, vai ajudar a salvar o Bolsonaro. Que coisa linda. É, Ed Wood realmente está desbancado. É, não. Aí, o Bolsonaro diz que saiu do exército por denunciar a corrupção entre os militares, o que, obviamente, tem nada a ver com o que aconteceu na vida real, certo? E não sei se os militares vão gostar disso. A jornalista que faz uma cobertura um pouco mais crítica do Jair é ligada ao cicatriz. Ela é ligada ao crime organizado também. Porque a esquerda e o crime organizado são a mesma coisa, exatamente aqui.
Mas ao mesmo tempo ela vai tendo umas crises de consciência ao longo do filme, que tem toda a cara que também vai ser uma atuação muito merda. Aí, o cicatriz, toda hora que ele aparece, você vê que o modelo dele é um daqueles chefes de cartel mexicano, de seriado americano. É obviamente aquilo. Ele viu Narcos sobre Colômbia, viu um daqueles filmes de México e mandou cicatriz.
E aí ele tenta matar o Bolsonaro no Enjuízo de Fora, não consegue. Faz outras tentativas. Então alguém foi lá no hospital matar o Bolsonaro, entendeu? Nessa versão aqui e tal. Também não consegue. E aí no final vou dar spoiler pra vocês. Pô, sério que você vai dar spoiler? Pois é, cara. Eu tô esperando só pra poder assistir.
E aí, evidentemente, o plano todo fracassa e o Bolsonaro toma posse, mas aí o filme termina com o Cicatriz, acho que é o Cicatriz ou algum cara deles lá, bolando essa nova fase do seu plano, contratando o Alexandre de Moraes.
Antes dos créditos aparece um texto dizendo que o Bolsonaro perdeu por pequena margem uma eleição com fortes denúncias de fraude e depois foi preso por tentativa de golpe após uma série de protestos em geral pacífico. Que coisa linda. É isso aí o filme, cara. É isso aí. Mas o Alexandre de Moraes aparece com o nome próprio, não? Não.
Ele não aparece assim. No roteiro diz assim, um cara com uma cara severa, careca e que poderia muito bem ser um ministro do Supremo Tribunal Federal. Cojac, tipo Cojac. Pode ser o Fux sem peruca também, mas não sei.
E assim, parece fake news demais até pro grupo de zap do seu tio burro, né? Mas assim, foi feito pra impressionar os militantes de extrema-direita americano, que não sabem nada do Brasil, é capaz de acreditarem num negócio desse, sei lá, entendeu? Porque esse cara, o diretor do filme, que é o autor do roteiro, ele só faz filme pra esse mercado, ele faz filme de extrema-direita.
Entendi, ele tá acostumado, então, com a insanidade. Ele sabe, ele fala pra aqueles caras malucos ali, que usam aquele chapéuzinho de papel alumínio, sabe, pra se proteger. Os delulus. Os delulus total. Entendeu? Então, assim, é um fio pra delulu total, exatamente. É, mas esse é sintoma de uma demência social mesmo impressionante. Total, total. Porque ia ter público esse negócio, ou vai ter público? Ah, vai! Entendeu? Isso aí não tem nem dúvida.
Agora, o fato óbvio é que isso aqui não custa, já não digo nem 130 milhões, mas sequer algo perto dos 65 milhões que a produtora diz que gastou. Onde é que estão os outros 65 milhões? Sabe Deus. O que a gente sabe é que o Mário Frias, por exemplo, tinha dito que não tinha nada a ver com isso, mas agora já tem áudio dele agradecendo o Vorcaro. O Eduardo Bolsonaro tinha dito que não tinha nada a ver com isso, mas já tem o nome dele num contrato.
como produtor executivo, se não me engano. Mário Frias, que também tá no filme. Ele é o médico que salva o Bolsonaro depois da facada. Olha, nem tinha visto isso. No filme ele é um tal de Dr. Álvaro, que é inspirado no médico Luiz Henrique Borsato. Caraca, a última coisa que o médico tá lá andando salvando a vida das pessoas pra depois ser representado pelo Mário Frias no cinema, né, cara? Que sacanagem, puta que pariu.
Bom, e aí a gente não pode deixar de notar que essa semana também a gente descobriu que o Flávio se encontrou com o Vorcaro pessoalmente, teve um delivery de Bolsonaro na casa do Vorcaro, e aí o Flávio já não tinha como desmentir, porque aparentemente todo mundo já tinha descoberto. Ele inventou o papo, porque, cara, comparado a essa desculpa que ele deu agora, esse roteiro desse filme aqui é um clássico da dramaturgia. Ele disse que foi lá para encerrar o assunto, entendeu? Para dizer para o Vorcaro, olha, nós não temos mais nada a ver um com o outro, se eu soubesse que você era enrolado, eu não tinha me metido com você.
O que muita gente na internet falou, que caso interessante de responsabilidade emocional, né, cara? Em vez dele terminar pelo telefone, ele foi lá falar pessoalmente, não sei o quê. O Flávio foi na casa do Vorcaro, pouco tempo depois do Vorcaro, voltar pra casa com a tornozeleira eletrônica. E um dia antes, segundo o jornalista Igor Gadelha, do Metrópolis, do Flávio ser anunciado candidato a presidente.
Então eu tenho todo o direito de supor que essa conversa foi para propor um acordão em que o Flávio pedia para o Vorcaro não abrir o bico sobre a relação dele com a família Bolsonaro e o Flávio se comprometia a, caso fosse eleito presidente, livrar a barra do Vorcaro. Quem tem que me provar que isso não aconteceu é o seu Flávio Bolsonaro, porque essa é a única interpretação que não ofende a inteligência das pessoas baseado nos fatos que nós temos aqui disponíveis.
E não posso deixar de fazer uma menção desonrosa aos senhores Sérgio Moro e Deltan Dallagnol que estão aí passando pano pro Flávio Felizes da Vida. O Moro tava do lado do Flávio enquanto ele contava a historinha de que foi lá terminar o relacionamento lá, não sei o que. Tem um vídeo na internet que é sensacional, se vocês quiserem ver a cara de bunda com cãibra que o Moro faz lá enquanto tá lá ouvindo o Flávio dar a desculpa dele. O Moro não para de bater seus próprios recordes, né?
É, assim termina a história desses dois caras, né? Eles eram que hidravam a Lava Jato e agora eles estão aí passando pano pra ladruagem do Banco Mastro, viraram dois advogados de porta de cadeia que estão ali dando justificativa furada de políticos sem vergonha.
É, com interesses muito particulares, no caso do Moro, que ele quer esse apoio para virar governador. Exatamente. Moro, que, aliás, também tem na chapa o senhor Felipe Barros, que fez aquele projeto de lei para salvar o macho. Depois dessa intervenção do Celso, que inaugura a sessão Cineforo. Exatamente. Dentro do nosso programa. Exatamente. Né, diretor? Momento cabeção. Quantas estrelinhas que deu. Foi.
E você, Celso, você me contava antes de começar aqui que você assistiu ao filme que é sempre mencionado do Ed Wood, que é o pior filme de todos os tempos. Como é que chama? O Plano 9 do Espaço Sideral. O pior filme de todos os tempos. Clássico dos clássicos. Que corre sério risco agora. Ah, não. Coitado do Plano 9. O Plano 9 é cidadão Kane comparado a esse negócio.
Os planos 9 vai perder a única coisa que faz ele ser especial, entendeu? É, muito bom. Ana, pra arrematar, vamos falar um pouco aí da delação do Vorcário que foi recusada pela Polícia Federal.
Bom, o que está acontecendo? O Vorcaro queria sair dessa sem delatar ninguém, nenhum amigo, nenhum brother. Resumindo bem, tá? E na delação que ele iria propor, não ia ter nada disso. Não ia ter Ciro, não ia ter Flávio, não ia ter nada. Obviamente, o André Mendonça não achou aquela delação interessante. O Juca, que é o advogado do Vorcaro...
sinalizou que caso André Mendonça não concordasse com aquela proposta, ele poderia tentar levar essa decisão para a segunda turma e nessa estratégia jurídica ele poderia pleitear um empate, sendo que o Fux...
possivelmente votaria junto com o André Mendonça pela rejeição à delação, mas o Gilmar e o Cássio possivelmente votariam a favor da delação. Essa era a estratégia do Juca. O André Mendonça achou isso uma ofensa, né? A defesa do Vorcaro querer empurrar uma delação não validada pelo relator, querer bypassar o relator jogando o assunto para a segunda turma. É uma provocação, um eufemismo, não é chamar de provocação?
juridicamente é uma coisa que dá pra fazer mas assim, você acaba queimando pontes com a pessoa ali que tá no caso e foi o que aconteceu e aí o Juca deve sair do caso do Vorcaro em razão da impossibilidade hoje de uma relação dele com André Mendonça, numa demonstração de
Como o André Mendonça recebeu mal essa estratégia, é o fato do Vorcaro ter tomado um downgrade de Sela. A PF oficialmente soltou uma nota recusando a delação, possivelmente para pressionar a PGR a recusar também, porque não sei se vocês se lembram, a premissa dessa delação era que fosse uma delação conjunta com a PF e com a PGR. A PGR ainda não recusou.
A conclusão disso que eu acho, menos que a troca de advogado ou qualquer coisa do gênero, é como que o Daniel Vorcaro, diante do fato de a polícia ter os celulares dele, ter feito várias operações e tal, pai dele preso com o celular apreendido, como é que ele pode conceber ser possível?
ele entregar uma delação sem colocar em risco as amizades, vamos colocar entre muitas aspas, que ele construiu nesse mundo do centrão e da direita. Para o cara realmente acreditar que seria possível, ele realmente ainda acha, no fundo...
Que ele tem o controle de alguma coisa, né? Que tem uma blindagem qualquer. Que ele tem uma blindagem. E por N coisas que ele fez ao longo desse tempo todo, eu acho muito plausível que ele ainda ache que ele tem uma blindagem. Faz todo sentido, né? E ele não tá levando em conta a possibilidade dele ser o bode expiatório, né? Dos caras justamente se blindarem e largarem ele.
Muito bem, a gente vai encerrando então o primeiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta nós vamos continuar falando de política da campanha eleitoral, da situação do governo. Já voltamos.
Você pagaria para ficar sem o seu celular durante horas enquanto lê um livro na companhia de estranhos? Foi justamente o que eu, Simone Duarte, fiz em Amsterdã.
Eu acompanhei as diversas iniciativas no contra-ataque dos holandeses ao vício dos celulares e das redes sociais. O Offline Club é um sucesso e já se expandiu para outras 16 cidades no mundo em apenas dois anos. Mas a iniciativa mais ambiciosa é a campanha My Social Fry, Maio Sem Redes Sociais, que já está nesse momento em curso em toda a Holanda.
O que os organizadores querem é que durante o mês de maio, Mark Zuckerberg e Elon Musk olhem para os dados das redes sociais na Holanda e se perguntem perplexos. Que diabos está acontecendo nos Países Baixos?
Se quiser começar o Detox agora, o assinante da Piauí pode ler em modo Detox digital e outras reportagens no papel. Se ainda não está preparado, leia no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiauí.com.br. Oi, eu sou o Paulo Vitor Ribeiro, repórter e roteirista aqui na Rádio Novelo.
E eu queria avisar que a gente publicou um episódio bônus do Apresenta, exclusivo para os assinantes do Clube da Novelo. Eu, a Flora Thompson Devo e a Paula Escarpim sentamos para conversar sobre algumas das muitas histórias que ficaram de fora do episódio Mães e Madres. A gente fala sobre contatos sobrenaturais das mães de vítimas do terrorismo de Estado com seus filhos no Brasil e na Argentina. E sobre a situação jurídica dos crimes de maio de 2006 e a ausência de justiça por esse massacre. E a gente também conversou sobre como essa apuração mexeu com a gente.
Para fazer parte do clube e garantir episódios bônus e vários outros benefícios, incluindo uma bolsa bonitona da Novelo, acesse clube.radionovelo.com.br.
Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. Eu mencionei a pesquisa Atlas que mostra o Lula na frente do Flávio Bolsonaro, muito provavelmente como reflexo já desse revés da campanha bolsonarista, certo? É isso mesmo, Fernando. Bom, primeiro assim, a gente sempre faz esse aviso, né?
A Atlas Intel faz uma pesquisa por uma metodologia bastante diferente dos outros institutos. Eles fazem pesquisa pela internet. A grande questão de fazer pesquisa pela internet é como é que você corrige os vários riscos de viés que aparecem em pesquisa pela internet. E eles dizem que eles têm um algoritmo que corrige essas coisas.
mas é proprietário, é segredo comercial deles, é o que eles têm para vender. Então, eles não dizem qual é o algoritmo. Então, assim, não tem como a gente checar, em termos de metodologia, se isso aqui faz sentido ou não. O que a gente pode fazer é ir acompanhando a Atas ao longo do tempo e vendo se os resultados são bons. E os resultados são, pelo menos assim, justificam você tratar da pesquisa como uma pesquisa séria a princípio. Mas é sempre bom saber que se tiver uma diferença entre ela e outras, é provavelmente por causa dessa metodologia diferente.
Bom, nessa nova pesquisa da Atlas, o Flávio cai 5 pontos comparado ao Abril. No episódio passado, a gente falou de uma pesquisa que era cheia de coisas na margem de erro, ou pouca coisa para um lado ou para o outro da margem de erro, entendeu? Diferenças muito sutis. Aqui é uma diferença de fato substantiva.
E aí a diferença que estava no primeiro turno, o Lula tinha sete pontos de diferença, ele passa a ter 13, que é bem mais substantivo. E é mais ou menos o resultado de janeiro, pouco depois que a Malu Gasparti cobriu o contrato do Alexandre de Moraes com o Banco Marcha. Então, assim como a gente já estava suspeitando, um pouco daquele efeito escândalo do Xandão...
tá sendo desfeito pelo efeito escândalo do Flávio. O pessoal que tinha passado pro Flávio, porque pensava, ó, os bolsonaristas tinham razão, o STF é um bando de safado. Agora tu tá pensando, puta merda, o Bolsonaro também é um bando de safado. Já tinha alguns elementos pra saber disso. Já tinha, já era pra ter suspeitado, hein, amigão? Mas vamos lá, antes tarde do que nunca. Flávio Bolsonaro foi da rachadinha ao vorcarão. Exato, exatamente. Não é a primeira dança de Flávio Bolsonaro.
Essa pesquisa também foi a primeira que eu vi até agora que testou a Michelle Bolsonaro. Nesse caso, o que acontece é que o Lula bota 24 pontos de vantagem sobre a Michelle no primeiro turno porque alguns pontos do Flávio Bolsonaro são distribuídos quase que igualmente entre os outros candidatos de direita menorzinhos, entre o Caiado, o Renan e o Zema. Cada um ganha ali dois, três pontos.
E o que é importante mesmo aqui é que o segundo turno, que estava em empate técnico entre o Lula e o Flávio, o Lula agora bota sete pontos de vantagem, que é inclusive melhor do que era em janeiro. Se a eleição fosse amanhã e a pesquisa fosse essa, você podia cravar que o Lula ia ser reeleito. Saiu do quadro de empate técnico, basicamente. Agora o Lula está na frente com uma liderança que não é gigante, é obviamente reversível, dependendo do que acontecer no resto da campanha.
mas o jogo deu uma virada a favor do Lula. E se você pensar que o Lula só vinha meio que piorando, ou na melhor das hipóteses, parando de piorar ou piorando mais devagar, essa melhora grande aqui é um negócio que o governo tem que comemorar mesmo. E você vê que não foi só nas intenções de voto que o áudio do Flávio Convorcaro explodiu como uma bomba. A Atlas tem uma pergunta aqui. Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?
Se você olhar em março, a maioria das pessoas dizia que eram aliados do Lula. Certamente pensando no Xandão, certo? Isso virou completamente, praticamente trocou de número, os números de um lado para o outro e agora com boa vantagem está na frente o aliado do Bolsonaro. Isso eu acho que pode ser mais importante para o desenrolar da campanha até do que os números de intenção de voto. Se o Master cola no campo bolsonarista...
aí as consequências são mais de médio prazo. É mais difícil dos caras virarem isso nos meses que faltam até a eleição. Também tem um efeito interessante, que assim, como você pode esperar, os eleitores do Lula tendem a jogar mais a culpa no Flávio, os eleitores do Flávio tendem a jogar menos a culpa no Flávio, então isso tudo é previsível.
Mas se você for olhar pelo recorte de renda, o que acontece é interessante, porque ali na Lulândia, do zero a dois mil reais de renda mensal, 47% das pessoas acham que é mais aliado do Bolsonaro. Quando você passa para dois mil a três mil, já cai para quarenta e um. Quando você passa para três mil a cinco mil, cai para trinta e oito vírgula seis.
vai caindo com a renda. Então você vai pensando, ah, normal, tem mais lulista na baixa renda, tem mais bolsonarista na alta renda, enfim. Só que quando você começa a subir de renda acima dos 5 mil, começa a subir de novo o número de pessoas que acham que tem mais renda do Bolsonaro. No 5 mil, a 10 mil já passa para 42, e acima de 10 mil já vai para 48,4, que é mais do que lá na Lulândia.
Que é justamente, assim, provavelmente o pessoal que tem mais acesso a meios de comunicação, tem mais acesso a mídia, etc e tal. O pessoal da alta renda já sacou que essa bomba é do colo do Bolsonaro. Enfim, você vai vendo que o golpe é imenso, assim. Se você pensar que passou uma semana... Por exemplo, se você...
pegar a revelação do contrato do Xandão com o Vorcaro, que é o Malu Gaspar dá em dezembro, você começa a piorar logo na pesquisa seguinte, a coisa pro Lula, mas demora um tempo, assim, pra isso bater, pra isso ser processado pelo público, pra todo mundo entender a dimensão do negócio. Tem um prazo pra você ver qual é a resposta do cara, também o pessoal fica meio em dúvida, aí a resposta não convence, e assim, em cinco dias o negócio já despencou, entendeu? Essa pesquisa é muito ruim pro Flávio.
Tanto que o Flávio está tentando empugnar a pesquisa, entrou na justiça para tentar derrubar a pesquisa, dizendo que essas perguntas sobre o Banco Master acabam ressaltando na memória das pessoas esse episódio e criam uma percepção mais negativa do Flávio. Bom, primeiro, nunca vi alguém empugnar a pesquisa porque tem um ou outro a pergunta mais enviesada. Se empugnarem essa, é a primeira que eu vi na vida.
Mesmo assim, eu acho que não é o caso. A pesquisa é justamente para saber se o caso Master teve efeito na eleição. Então, eu acho mais ou menos razoável. Até porque mais de 90% das pessoas dizem que ouviram o áudio inteiro. Então, não é uma coisa que a pessoa não sabia que existia e aí quando o pesquisador mostrou para ele, ele falou Caramba, que merda, não sei o que.
É, e agora o bolsonarismo está usando, inclusive, esse ponto de mostrar o áudio como uma espécie de indução. Pois é. E aí, para tentar descredibilizar a pesquisa. O que... Não, pelo amor de Deus, né? Os bolsonaristas deviam saber bem o que é um áudio comprometedor no WhatsApp, né? Qual é o poder que rede social tem, o que o poder de grupo de WhatsApp tem. Muito bem. Ana, o que você apurou aí do lado do governo?
Bom, para vocês verem como as nuvens se movem rapidamente no mundo político. Eu estava comentando no episódio passado sobre o Davi Alcolumbre, sobre como as coisas tinham piorado para ele depois da rejeição ao nome do Messias, em que ele rifou o governo.
Pois bem, duas semanas, três semanas se passaram e hoje o Davi Alcolumbre está desesperadamente tentando se reaproximar do governo. Então eu acho que o termômetro da mudança de ventos é essa. Davi Alcolumbre falou com José Múcio, falou com Randolfe Rodrigues, falou com Zé Guimarães, falou com o senador Giordano do Podemos. Pessoas que ele julgou que poderiam ajudá-lo a reatar laços com o Lula.
Coincidentemente, essas investidas do Davi Alcolumbre vieram depois que saiu a pesquisa Atlas. Opa! Por que será, né? A resposta do Lula, segundo interlocutores com quem eu conversei, foi A política tem seu tempo. A típica frase do Lula. Exato.
Olha, Ana Clara, a poética tem seu tempo, tem que deixar madurar. É que nem uma plantinha. Pode continuar. Enfim, essa frase do Lula...
ela indica que, neste momento, ele não está a fim de papo. Inclusive, o deputador Dair José, que é do PT, tomou posse como ministro do TCU e o Lula foi na cerimônia de posse dele e na cerimônia de posse estava o ministro Vital do Rego.
Fez um petit comité ali no gabinete dele no TCU para receber o presidente Lula, que foi. E aí, obviamente, o Davi Alcolumbre também foi nessa posse, evento que ele não poderia perder, e o Hugo Mota também. Mas mesmo indo até o evento, mesmo sendo o evento de petit comité ali no gabinete, não conseguiu aproximação com Lula.
Eu acho que o termômetro da situação do governo hoje, por meio das movimentações do Davi Alcolumbre, acho que já significa muita coisa, né? E eu acho que uma outra coisa que também significa muito é o Flávio hoje já considerar que ele prefere perder com os votos do pai do que outra pessoa da direita ganhar, até mesmo se for a Michelle.
O objetivo do Flávio nessa eleição é a manutenção do patrimônio eleitoral do pai e não necessariamente ganhar, né? Isso pro Lula é o melhor cenário, né? Desde o princípio, o Lula queria o Flávio como oponente, né? Não era o Tarcísio que ele queria. Conforme o castelo de cartas do Flávio começar a cair, e eu volto a dizer que essa questão do filme é só a ponta do iceberg... Olha lá!
a gente vai ver até que ponto o bolsonarismo é resiliente a essas notícias, né? Nessa primeira pesquisa, eles não se mostraram tão resilientes assim, né? Houve uma queda muito rápida, quase imediata, né? Respondendo ao noticiário. Mas isso tende a se acomodar também, né? A campanha nem começou ainda, tem muita água para rolar.
E até por saber que tem muita água para rolar, o governo não está contando com a coisa já resolvida, né? Ninguém ali é novato nessa história. Mas o que eles acreditam é que se a diferença se ampliar para 10 pontos entre os dois, já é uma sinalização ali para o governo de uma situação mais tranquila. Porque a gente falou aqui, inclusive, que era situação de emergência duas semanas atrás.
Exato. E 10 pontos no quadro de polarização atual é uma enormidade, né? É um negócio gigante. E conversando com alguns auxiliares do presidente essa semana, eles avaliam que a CPI do INSS, que era um foco de embate forte ali, né? Em que o governo estava fragilizado em vários pontos, não conseguiu produzir o que ela prometia. As investigações não conseguiram colocar o Fábio, o Luiz, o Lulinha.
no centro do escândalo, como muita gente prometia que ia acontecer, a ponto de a defesa dele ter pedido essa semana o arquivamento do inquérito. A gente não sabe se a PF vai arquivar ou não, mas eles veem espaço para um pedido de arquivamento do inquérito porque não encontram materialidade ali no envolvimento. Então, assim, depois de toda uma montanha russa, é uma semana, digamos, de celebração para eles. Pode ser momentânea, mas enfim.
Sim, e tem também, conforme a gente disse na semana passada e vem dizendo, os programas do governo, as políticas públicas que estão surtindo efeito. A manchete do Globo de hoje, por exemplo, quinta-feira, é Lula acelera gastos e lança uma medida a cada três dias e meio. Daí diz o Globo que subsídios e programas do governo vão injetar 190 bi na economia. E diz o Globo...
obviamente, pressionar inflação e contas públicas, que é o mantra deles. Mas enfim, o Lula agora começa a se beneficiar dessas medidas que ele está tomando, por exemplo, como subsidiar carro para motorista de aplicativo. Para pegar essa faixa aí que o Celso identificou como ainda não totalmente influenciada ou afetada nessa pesquisa da Atlas.
Agora, gente, vamos lá. Se fosse o Bolsonaro falando que ia fazer o desenrola e ainda dar mais dinheiro para as pessoas se endividarem, a gente ia falar que era... Não, é coisa de populismo eleitoral. Então, assim, essas medidas de crédito e de inadimplência, elas são claramente para conversão de voto emergencial, né? Óbvio.
Muito bem, com isso a gente vai encerrando o segundo bloco do programa. Na volta nós vamos falar do retorno provável ou possível de Messias, The Second Coming, como diria o Yates. Já voltamos.
Em meio a inteligências artificiais e a briga por narrativas, é muito importante a gente entender o que é real e o que é criado, fabricado. E é por isso que eu te convido a ouvir o Pauta Pública, podcast da agência de notícias mais premiada do Brasil.
Nessa nova temporada, eu, Andréa Dipp, vou receber convidados para a gente fazer essas conversas e entender o que é real nesse ano tão decisivo e importante. Você pode ouvir o Pauta Pública toda sexta-feira no seu tocador de podcasts preferido, no YouTube ou no site da Agência Pública. Te espero lá.
Oi, ouvintes do Foro. Aqui é o Paulo Werneck, apresentador do 451MHz e organizador da Feira do Livro, que acontece todo ano no feriado de Corpus Christi, lá na Praça Charles Miller, no Pacaembu. É um festival literário gratuito, com mais de 100 autores convidados e 6 palcos ao mesmo tempo. Inclusive, esse ano, nós vamos ter uma edição especial do Foro de Teresina em Praça Pública. No dia 30 de maio, no sábado, vai acontecer esse encontro.
que a gente vai dar boas risadas, apesar de tudo isso que a gente ouve aqui no Foro de Teresina. A Feira do Livro é uma realização do Ministério da Cultura, da Associação 451 e da Maré Produções. Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, sem mais delongas, é a volta de Messias, Ana Clara. Isso é para valer?
É uma possibilidade, Fernando, conforme eu falei no bloco anterior, há uma sinalização do Davi Alcolumbre de querer recompor, reatar laços com o governo, e isso abre espaço para a reapresentação do nome do Messias.
Existe um ato da mesa do Senado que, em tese, repele esse tipo de repetição, né? Porém, na avaliação do governo, como não é lei, como é um ato da mesa do Senado, o governo acha que existe pactuação possível, sobretudo agora que o Davi Alcolumbre está disposto.
E tem uma questão também. O Lula, quando houve a rejeição, ele chegou à conclusão de que o problema não era o indicado, o problema era político. Então, a solução, segundo o Lula, não viria com o novo indicado, e sim com a solução do problema político. E eu sei que há uma grande movimentação no mundo do direito para que haja uma ministra mulher e, sobretudo, para que haja uma mulher negra no Supremo.
É, não é nem no mundo do direito. Essa demanda, eu acho que atravessa... A sociedade, sim. A sociedade, né. Eu falei mais porque eu tenho falado mais com as pessoas desse mundo sobre isso, mas realmente é uma pauta da sociedade, com certeza. Só que o que o Lula especificamente está pensando sobre isso? Sobre uma mulher negra no Supremo?
que ao apresentar esse nome, o Senado possivelmente não teria como negá-lo, né? Seria uma decisão altamente impopular, uma segunda rejeição ainda a uma mulher negra. Então, assim, a grande possibilidade de passar. Porém, seria uma vitória do Senado também. Seria uma vitória, digamos, da sociedade que o Senado e o senhor Davi Alcolumbre colocaria na sua própria conta também.
de que nós aprovamos, de que nós sabatinamos, enfim. E o governo também não quer dar isso para o Davi. Então, há essas duas coisas. O Lula acha que é um problema político e não um problema do indicado e ele não quer dividir com o Davi Alcolumbre o que quer que seja o benefício de imagem dessa indicação que, diga-se de passagem, está puro demais atrasada, já deveria ter vindo há muito mais tempo.
Daí a ideia de relançar o nome do Messias. Só que as negociações ainda estão preliminares, porque o governo está esperando para ver se ele consegue abrir uma distância maior do Flávio. Lembra que eu falei sobre 10 pontos? Sim. Porque a depender da distância entre Lula e Flávio, nas próximas pesquisas, o preço disso diminui muito.
Porque quando o governo indica o Messias, o governo tinha dado tudo que o Davi Alcolumbre queria. Todos os cargos que ele queria em estatais, em agências reguladoras, no banheiro e na cozinha de todos os órgãos públicos do país, entendeu?
Porque o Davi é isso, você sabe, né? Ele quer esses micro... Esses micro cargos são dele. Então ele entregou tudo e sofreu essa derrota acachapante, essa derrota humilhante, na verdade. E na verdade não foi só uma derrota, foi uma articulação de traição mesmo, né? O Davi em nenhum momento chegou pro governo e falou, não manda porque não vai passar. O contrário disso. Então ele não quer entregar nada pra apresentar de novo. Ele quer que seja...
E eu acho que faz todo sentido, pensando estrategicamente, ele quer que seja um movimento do Senado entregar isso para ele. Por isso, ainda não há uma movimentação definitiva sobre esse tema. Há uma espera pelas próximas pesquisas.
Muito bom. De qualquer forma, as razões pouco republicanas do Alcolumbre para recusar e do Senado, de forma geral, para ter recusado o Messias, não deve nos eximir de criticar também as escolhas do Lula. Claro. Tanto do ponto de vista da representatividade, que ele deixou tudo a desejar nessas indicações, como do pessoalismo mesmo, do perfil. Independentemente de eu admirar e achar o Flávio Dino uma pessoa com espírito público e um sujeito competente.
Mas no conjunto, esses três nomes, se o Messias for aprovado, o Cristiano Zanin, Flávio Dino e o Messias, não exprimem ou não formam uma situação boa para o Supremo, eu acho, e boa para o país. É um pouco sintoma de um rebaixamento da política que a gente tem vivido nos últimos anos.
É isso mesmo, Fernando. A gente tem que prestar atenção nessas movimentações políticas todas que a Ana descreveu aqui, mas não devia depender disso, né? A possibilidade de indicar uma mulher negra para o STF, né, cara? Quando indicaram o Zanin, eu me lembro de gente dizendo assim, não, a primeira indicação vai ser um cara que é da absoluta confiança do Lula e tal, o STF está sob ataque, ele quer botar um cara que vai fechar com ele nessas questões todas aí do combate ao golpe, etc.
Tá bom, mas então aí a expectativa que era que as outras indicações que ele teria, que a gente sabia que seriam pelo menos duas, porque a gente não tinha essa discussão se o Barroso ia aposentar ou não. Então a outra indicação vai ser uma mulher. Aí veio a segunda indicação, também não é uma mulher, é outro marmanjo.
Aí o Barroso resolveu aposentar, e você diz assim, bom, então agora dá, né, Lula, pelo amor de Deus. Também não, três marmanjos, basicamente. Inclusive um pouco desfazendo uma herança bacana do PT, que tem indicado o primeiro ministro negro, que é o Joaquim Barbosa.
Se ele é o primeiro ministro negro é um troço meio controverso, porque se você for ver ao longo da história, teve vários ministros que certamente eram de ascendência africana, mas não necessariamente se identificavam como negros. Bom, o Brasil já teve um presidente que provavelmente era negro, o Nilo Pessanho, mas também não se identificava como tal. As estratégias de racialização dentro da sociedade brasileira são muito peculiares. Mas enfim, indicou o Joaquim Barbosa, indicou a Carmen Lúcia.
Tinha um legado interessante aqui que podia ter sido desenvolvido e parece ter sido revertido, né? Se você olhar agora o nível de representatividade no STF, o que que tem? É mais ou menos o mesmo que tinha quando o Lula assume em 2003. Tinha uma mulher, a Ellen Grace, indicada pela FHC. Porque antes da FHC não tinha ninguém, não tinha nenhuma mulher. Então, enfim, isso é um retrocesso mesmo, assim. E eu acho o seguinte, inclusive, eu sou a favor de indicar uma ministra negra pro Supremo, mas só se for pra valer, só se for pra gastar capital político mesmo.
para ela ser aprovada no STF e assumir como ministro do STF. Porque também usar como bucha de canhão na briga para o Senado, eu vou usar isso para ter um negócio simbólico e pressional, aí eu acho uma palhaçada, entendeu? Os grupos subrepresentados só entram na briga quando tem um racha entre as elites e aí você precisa de alguém para fazer lá um negócio simbólico. Eu acho isso muito ruim.
Se for para indicar uma ministra negra, tem que ser para bancar, para fazer a negociação de sempre que tem que fazer, como provavelmente vai ser feito no caso do Messias, mas para ela ser a ministra, não é para você comprar uma briga agora, que daí depois o Alcoluno baixa a bola e aprove quem você quiser, entendeu?
Inclusive, pra ser honesto, até pela questão da norma lá de 2010, que barra você resubmeter o mesmo nome na mesma sessão, no mesmo ano, de repente, se fosse o caso de propor o Messias de novo, talvez fosse melhor propor numa próxima vaga. Não sei. Mas enfim, aí é o cálculo lá do Lula. Agora, o que eu acho que é importante deixar claro é o seguinte, o que o Lula não pode fazer de jeito nenhum é fazer algum acordo com o Alcolumbre que envolva pro Alcolumbre ou pra quem quer que seja, uma blindagem pro caso Mastra. Perfeito.
É, seria a morte. Porque ele acaba de assumir a liderança nas pesquisas, não só porque isso é errado, né, obviamente, mas porque é politicamente desastroso. Porque esses pontos que ele ganhou na pesquisa agora foi porque ele tá limpo, no caso o Master, e o Flávio Bolsonaro tá enrolando isso. Então ele não pode, de maneira nenhuma, fazer alguma coisa, mesmo pequena, que possa ser interpretada pela turma do que vai dizer o Master não tem ideologia, como um negócio pra equalizar os dois casos.
É curioso isso, Celso. Eu estava vendo aqui as fotos da época do Nilo Peçanha, que foi presidente durante um ano e meio só, de 1909, quando Afonso Pena morreu, até novembro de 1910. As fotos dele eram retocadas para embranquecer ele, como se precisasse disso para legitimá-lo no cargo de presidente da República. É horrível, né? Ana, então, para arrematar, por favor.
Aproveitando que o Celso falou sobre essa hipótese de composição do governo com a Alcolumbre, que beneficia o Alcolumbre de alguma forma, eu acho pouco plausível, porque o Alcolumbre é insondável, o tamanho do envolvimento dele com o Master, de tão grande, e ele tem um outro ponto muito vulnerável, que é o esquema dos combustíveis no corredor da MAPA, que eu falei no programa passado. É uma outra investigação que não tem nada a ver com o Master. E a operação que teve...
da Refit, nesses últimos tempos, que pegou o Cláudio Castro, fez a busca e apreensão na casa do Cláudio Castro, pegou toda a secretaria da Fazenda do Rio, o Ricardo Magro, maior sonegador do Brasil. O perfil dele está na Piauí, feito pelo Breno Pires e pelo Arthur Guimarães. Esse esquema
de sonegação e, enfim, envolvimento com crime e tudo mais, que acontece com a Refit, né, no Rio de Janeiro, sobretudo, ele tem um espelho em São Paulo, que é o esquema do Beto Louco, que são as empresas Aster e Copap.
Ricardo Magro e Beto Louco, grande dupla de ataque da delinquência brasileira. Exatamente. Exato. Pé de Prancelote. Exato. Tá faltando lateral lá. Ricardo Magro, Neymar e Beto Louco. É o trio de ataque.
É o modus operandi desse setor. Então, se você tinha o bandido aqui do Rio de Janeiro, você tem o de São Paulo, que fazia exatamente o mesmo esquema em São Paulo e também para trazer o material de fora, via corredor do Amapá. E por um acaso, vocês acham que esse esquema de São Paulo não tinha nada a ver com a Secretaria da Fazenda de São Paulo do governo do estado de São Paulo? Sim. A gente não acha nada. Eu estou quieto aqui.
Então, não existe composição possível que livre o Davi do que o espera na próxima esquina. Assim, olha, se eu tiver equivocado, a gente volta aqui daqui um, dois meses, três meses, e aí vocês podem dizer que eu, não sei se eu quero me comprometer com isso, mas... Eu acho que não vai ter que pedir se retratar. Não, porque a realidade estava errada. É, acho que vai estar, acho que essa está tranquila. A realidade se equivocou e eu tive que refazer meus pontos de vista.
Dito isso, o governo fez uma essa semana que ele poderia ter passado sem essa e que vai em direção a empoderar uma pessoa totalmente responsável, é uma das pessoas responsáveis pelo caso Master, que é o Otto Lobo.
que foi indicação do Otto Lobo, diretor da CVM, à presidência da CVM. O Otto Lobo estava na CVM enquanto todo o caso Master aconteceu. Então, enquanto o Master fraudava fundos, inflava fundos, fazia o que queria com os fundos, o Otto Lobo era o diretor. A CVM não condenou o Master por nada, não julgou o Master por nada.
Não fez nada, absolutamente nada. E nas poucas vezes em que se aventou a possibilidade de fazer, o Otto Lobo foi lá e defendeu o Daniel Vorcaro, como no caso da Ambipar, que era um caso em que o Master ajudou a inflar as ações dessa empresa Ambipar, comprando essas ações para colocar nos fundos inflados deles. E isso ajudou muito essa empresa, isso ajudou muito o Nelson Tanuri.
que era ligado a essa empresa, e aí descobriu-se que tudo isso era uma super operação para ajudar na maquiagem dos fundos do Master e ajudar o Tanuri nos negócios dele. A própria área técnica da CVM fez um relatório expondo e aí descobriu.
esses problemas. E o Otto Lobo fez uma manobra totalmente atípica na CVM pra fazer o voto dele valer duas vezes pra tentar derrubar e conseguiu, no caso, derrubar a condenação a Ambipar nesse caso. Então foi um grande benefício pro Daniel Vorcaro o que o Otto Lobo fez.
Que coisa, o Otto Lobo já entra pra minha galeria de personagens, desculpa falar isso assim, né, mas já entra pra minha galeria de nomes adequado ao personagem, que nem o Jacinto Lamas, tesoureiro do PRL no Mensalão. O Otto Lobo, ele é de uma família do Judiciário do Rio, a mãe e esposa são desembargadoras, ele foi indicado no governo Bolsonaro pra CVM, um dos padrinhos dele é o Luiz Fux, né, do Judiciário Carioca também.
A CVM, ela regula, fiscaliza o mercado de capitais, então ele deveria estar cumprindo esse papel. E curiosamente, na sabatina dele no Senado essa semana, ele fala que a função do diretor não é fiscalizar nada. Então assim, por aí você já vê, né? E ele, além dessa manobra na Ambipar, que foi amplamente noticiada, ele também ajudou muito a JBS.
A JBS estava com um processo de insider trading na CVM desde 2017, quando o Joesley foi preso. Esse processo foi julgado no final do ano passado. Era uma multa de mais ou menos 150 milhões de reais. E o Joesley está num ponto, eu acho, de poder que não é mais dinheiro que importa. Ele não pode perder.
Ele é um tipo de pessoa que não pode perder. Então, se ele tiver um processo de 100 mil reais lá em Aracatuba, minha cidade, ele vai mover céus e terra para não perder esse processo de 100 mil reais. Ele faz isso com absolutamente tudo. No caso da CVM, curiosamente, depois de se reunir com o Joesley, o Alto Lobo foi lá e votou para o processo ser arquivado. E a JBS não pagou nada.
150 milhões, é isso? É. Daria pra fazer um Dark Horse com sobras ainda, né? Olha só. Jogando dinheiro de helicóptero no último dia da gravação, né, Celso? Olha, perto da multa que o Toffoli anulou do grupo de 10 bi, não é isso? Eu não tô diminuindo isso, eu só tô lembrando mais uma passagem da edificante da história republicana.
Bom, o fato é que, assim, o Otto Lobo, ele é uma figura tão embrenhada hoje no meio político, que ele se tornou candidato do sistema, né? Do Davi Alcolumbre, do Ciro Nogueira, do Guido Mantega, e se tornou candidato do Joesley. E todo mundo sabia disso. E quando aconteceu a rejeição ao Messias...
o governo já tinha indicado o Otto Lobo para ser o presidente e essa indicação ainda precisaria passar pelo Senado. E aí meio que o Otto Lobo ficou sem pai, né? Porque aí o governo falou, pô, eu vou continuar indicando esse cara, que é um cara que o Davi quer, depois dessa humilhação toda. Então tinha muita gente que achava que o governo ia retirar essa indicação do Otto Lobo. Porque é um desgaste você indicar para a presidência do órgão regulador um dos responsáveis pelo órgão regulador não fazer nada com o caso Master.
E aí achava-se que haveria a possibilidade de o governo retirar essa indicação. Eis que o Renan Calheiros, senador, que é presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, pediu para o Eduardo Braga, também senador e relator desse caso, consultar o governo. Olha, vocês querem retirar, posso pautar, o que eu faço?
o governo mandou pautar, o governo votou a favor do Otto Lobo. Governo e Centrão e todo mundo, enfim, todo mundo que precisava votar, votou a favor dele. E aí você pensa, por que o governo dá essa colher de chá para o Davi Alcolumbre diante de tudo isso que a gente está conversando aqui, né? O nome disso é Joesley Batista, porque para além de ser o enviado do Davi, o Otto Lobo é, sobretudo, o enviado do Joesley.
O Joesley que marcou o encontro ali, ajudou pelo menos, né? A marcar o encontro com o Trump, a antecipar a visita de Estado do Lula ao Trump. Enfim, Joesley, que está mandando muito ultimamente. Mandando demais ultimamente. Os irmãos Joesley, como se diz, né?
Porque a gente tinha anteriormente aquela política do incentivo às grandes empresas, né? Em algum outro momento. As campeãs nacionais. Exato. Hoje você tem duas campeãs nacionais. Dois campeões, na verdade. Um é o Joesley Batista e o outro é o André Esteves. Eles estão conseguindo todos os leilões de energia, todas as licitações de tudo que você imaginar, as indicações.
Tô quase pensando no sketch aqui da falha da cobertura do Porta dos Fundos. O Ancelotti convocando Joesley e Esteves. Sai o Estevão, entra o Esteves. Sai não sei quem, entra o Joesley. Assim, a gente encerra o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo na volta Kinder Ovo. Já voltamos.
Tem história que termina quando você acaba de ler. E tem história que continua nos bastidores. A Piauí lança o Caderno do Repórter, uma newsletter mensal, exclusiva para assinantes, em que um jornalista relata em primeira pessoa os bastidores de uma reportagem ou de uma cobertura.
A pauta que mudou no meio do caminho, a entrevista que quase não aconteceu e tudo aquilo que não coube no texto final. Para receber, é só se inscrever e ser assinante Piauí. Caderno do Repórter. Porque toda boa história tem outra por trás. Você já parou para pensar que é impossível conhecer 100% alguém? Que todo mundo tem um segredo ou um mistério que não compartilha com ninguém?
Eu sou a Paula Scarpin, da Rádio Novelo, e essa semana eu queria te convidar para ouvir a história da Stephanie. A Stephanie era hostess numa casa noturna em São Paulo. Foi assim que ela conheceu o Eric, que era cliente frequente lá. Ele não era o tipo dela, mas ele era insistente. E depois de um tempo, ele acabou ganhando a confiança e o coração dela. Mas desde o começo tinha sinais estranhos. Viagens misteriosas, obsessões, resistências.
A vida dele foi ficando cada vez mais entrelaçada. E ao mesmo tempo, a Stephanie sentia que tinha alguma coisa muito errada acontecendo. E ela tinha razão. Mas ela não podia imaginar o que era essa coisa errada. Vem ouvir a gente. Rádio Novelo apresenta, toda semana, uma história que você não sabia que precisava ouvir.
Muito bem, estamos de volta. Mari Faria, pode soltar aí a maldade. Quero ganhar de novo. Independe de partido, porque ditadura não tem lado. É o coisa, é o do PT. Lindbergh. Não é a ditadura convencional que todos estão acostumados a debater, a criticar e a falar. Tanque, armas.
Não é o Lindbergh? É um bolsonarista, mas... Ah, essa eu não ia acertar. Deputado federal, líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, do PL da Paraíba. É o pior que eu sei quem é.
Nossa, Madri, você pegou pesado, hein? É, em coletiva imprensa, sobre mais um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. Essa eu acho que nenhum ouvinte acertou. Ouvintes, mandem mensagem. Pra mim, Gilberto Silva é o volante da seleção brasileira. Depois, Gilberto Silva, que é o PL da Paraíba. Exatamente. Foi campeão em 2002. Derrotados, encerramos o Kinder Ovo. E hoje tem... Momento Cabeção. Cabeção.
com dicas de livros, filmes, que seja. Vamos começar com você, Celso. Então, Fernando, queria recomendar duas coisas aqui rapidinho. O primeiro é o livro Parcelado, Dinâmicas de Consumo na Periferia, do Cauê Lopes dos Santos. É um trabalho sobre consumo na periferia, sobre o papel do crédito na mediação desse consumo, que eu realmente achei muito interessante e recomendo para todo mundo.
É a editora Fósforo. E a outra coisa que eu queria indicar é a série Control Mais Fake, que é a primeira série documental do Aos Fatos, aquele site de checagem, que é bem bacana e que conta mais ou menos a história dessa questão de desinformação, fake news e enfim, um tema que vai ser bastante atual esse ano. Muito bom. Ana Clara.
Bom, a minha indicação é O Pão dos Anjos, da Pérez Smith, que foi lançado pela Companhia das Letras e que é uma descrição da genialidade dela. Ela faz uma autobiografia um pouco mais interna dos sentimentos dela, de como ela chega...
a imaginar o que ela imagina a produzir o que ela produz os caminhos mentais dela assim, né? A imaginação dela é uma coisa que não é muito linear mas você consegue entender por exemplo, pra quem leu o Just Kids você consegue entender melhor
Como ela consegue relatar e ter vivido aquela vida que ela viveu em Nova York, naquele período, enxergando aquilo como ela enxergava. Na verdade, ela aponta os caminhos da imaginação dela pra conseguir ser o que ela é. Pra quem gosta da Patti Smith, eu recomendo.
Muito bom. Bom, olha, eu vou em ritmo de Copa do Mundo e como eu estou me ocupando do assunto, vou escrever sobre futebol, vai me aventurar. Eu vou indicar dois livros. Um é um clássico já do José Miguel Wisnik, professor da USP, ensaísta e músico, que chama Veneno, Remédio, o Futebol e o Brasil. O livro é de 2008. É um grande ensaio sobre futebol e sobre...
Todos os aspectos que envolvem o futebol, o jogo inclusive, ele fala muito do jogo, faz perfis maravilhosos de jogadores e faz uma discussão muito profunda e bacana do Brasil. Eu recomendo vivamente esse. E o outro é um livro de um ex-colega do Celso na Unicamp, que é o Leonardo Afonso de Miranda Pereira, que é professor da PUC do Rio de Janeiro, de História da PUC do Rio.
que escreveu um livro que chama Futebol Mania, uma história social do futebol no Rio de Janeiro, de 1902 a 1938. É muito bacana. É uma tese dele e foi reeditado pela UCITEC em 2022, o livro do final dos anos 90. E é uma história social do futebol. Mesmo quem não gosta de futebol especificamente, não está ligado no que acontece dentro das quatro linhas da Constituição, vai ter muito interesse em ler. São essas minhas dicas.
Muito bem, encerrando o Momento Cabeção, vamos direto e reto para o melhor momento do programa. Correio elegante, momento das cartinhas, momento de vocês. E eu vou começar com a mensagem da Luana Sene. O tanto que eu gargalhei escutando esse episódio é brincadeira. Agora tenho um novo medo desbloqueado. Desejar um príncipe no cavalo branco e me apareceu Bolsonaro Mutante no seu Black Horse.
Esse pesadelo é bom. É, pesadelo. É um pesadelo profissional. É isso aí, Luana. Pesadelo compartilhado. O filme do Bolsonaro rendeu comentários. O Fabrício Adriano Chaves postou O Jim Caviezel pode colocar em seu currículo os dois extremos. Encenou Jesus e o Tinhoso. Abraços.
E, Fernando, a Raquel Teixeira escreveu Coisas que só o domínio das artes pelo bolsonarismo pode proporcionar. O crossover do Foro de Teresina com Chico Raiz. Obrigada, Fernando. Pô, Chico Raiz já foi citado várias vezes aqui pelo Fernando. É, eu gosto. A Tami escreveu.
Foro é minha companhia de faxina desde 2019. Na pandemia foi meu alento ao compartilhar a indignação com aquele pesadelo todo. Hoje faço 33 anos e me dei de presente a assinatura da revista Piauí. Acho que mereço. Merece muito, Tami. Fez muito bem e você merece muito. Vida longa ao Foro. Venham para Curitiba, juro que tem gente legal aqui. A gente sabe, Tami. Qualquer hora a gente aparece aí. É isso aí.
Bom, então é isso. O que é bom dura pouco, o que não é tão bom também acaba. E a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars para a gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube.
Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira, da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema.
A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha showpana em São Paulo e no estúdio Rastro do grande Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Até semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.
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