Vorcaro e Flávio, os bons companheiros
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam as revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vórcaro no escândalo do caso Master, incluindo mensagens, transferências milionárias e os impactos políticos da crise sobre a corrida presidencial. No segundo bloco, o trio discute a leve recuperação de Lula nas pesquisas, as medidas econômicas anunciadas pelo governo e o peso crescente da segurança pública no cenário eleitoral. No terceiro bloco, os apresentadores tratam da posse de Kássio Nunes Marques na presidência do TSE e da nova composição do tribunal que comandará o processo eleitoral deste ano.
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Rádio Piauí. Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim...
É porque está num momento muito decisivo aqui do filme. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com a minha amiga Ana Clara Costa na confraria de sons e charutos aqui em São Paulo. Olá, Ana, bem-vinda.
Oi, Fernando. Oi, pessoal. Todas as compras até 50 dólares para pessoas físicas estão com tributo zerado. Então é um avanço importante. E com Celso Rocha de Barros, que está no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí. Mais uma sexta-feira.
Declaro empossado no cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, sua excelência e o senhor ministro Nunes Marques. Mais uma sexta-feira. Antes de a gente entrar nos assuntos da semana, eu lembro aos ouvintes de São Paulo, ou que estarão em São Paulo, que no dia 30 de maio, sábado, a gente vai estar na Feira do Livro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu. Às seis da tarde, de 18 horas, tem Foro ao Vivo. A gente espera vocês por lá. A feira é muito legal.
Agora sim, vamos aos assuntos da semana. E a gente abre o programa falando de chanchada, ou talvez de filme policial com pitadas de drama barato e humor involuntário. Flagrado no escurinho do cinema em tenebrosas transações com Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro está em apuros. Vamos recapitular os fatos um pouco.
Quem revelou as conversas entre o filho de Jair, hoje pré-candidato à presidência da República, com o ex-banqueiro foi o site Intercept Brasil. São várias conversas ocorridas entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Elas versam sobre dinheiro, indicam troca de favores e revelam uma relação de lealdade mafiosa entre as partes.
Na última conversa deste lote que foi extraído pela Polícia Federal de um celular de Vorcaro, Flávio diz ao então banqueiro, irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente, só preciso que me dê uma luz. ABS de abraço.
Isso foi escrito por WhatsApp e enviado em 16 de novembro de 2025. Numa das mensagens, Flávio chama Vorcaro de mermão e Vorcaro responde chamando o senador de irmãozão. Vorcaro foi preso no dia seguinte em São Paulo enquanto tentava fugir do país. Um dia depois, 18 de novembro, o Master foi liquidado pelo Banco Central.
Estávamos diante da maior fraude bancária da história do país. Entre todas as mensagens, a que mais viralizou foi um áudio de Flávio Alvorcaro, de 8 de setembro de 2025. Neste áudio, o senador cobra dinheiro do banqueiro e justifica dizendo que as parcelas de pagamento do filme estão atrasadas.
O filme em questão chama-se Dark Horse, Azarão, e versa sobre a vida de Jair Messias. Está sendo feito nos Estados Unidos, com estreia prevista para setembro deste ano. A gente ficou sabendo pelo Intercept que Vorcaro desembolsou pelo menos 10,6 milhões de dólares.
cerca de R$ 61 milhões pela cotação nos períodos das transferências, entre fevereiro e maio de 2025, isso em seis operações. Havia ainda mais oito pagamentos previstos para financiar a geografia cinematográfica de Bolsonaro, totalizando R$ 24 milhões, algo em torno de R$ 134 milhões, que não se sabe se foram pagos.
O valor total da parceria é próximo daquele que o Orcaro pagaria o escritório de Viviane Barsi de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, ao longo de três anos. Uma curiosidade meio sintomática, meio macabra, dessa história toda.
O Azarão teria, pois, um orçamento bastante superior ao de filmes como Agente Secreto, 28 milhões de reais, e ainda estou aqui, 45 milhões de reais. As coisas pioram porque o Go Up Entertainment, parece golpe do jeito que eles escrevem, o Go Up que produz essa bagaça cultural, negou, junto com Mário Frias, ter recebido o dinheiro de Vorcaro. Em nota, Mário Frias disse que não há o único centavo do senhor Daniel Vorcaro em Dark Horse.
De tudo isso, se conclui que Flávio Bolsonaro virou protagonista de um outro filme. Podemos chamá-lo de Já Já Estou Aí. Aí onde? Na papudinha com seu pai, se já ir voltar para lá, como se espera. A gente vai discutir no primeiro bloco as implicações políticas deste escândalo master. Parte da direita já procura outro candidato. Resta saber se há tempo viável para isso e condições políticas de fazer tal troca há menos de cinco meses da eleição.
No segundo bloco, a gente fala do governo Lula, que mesmo antes do conhecimento da incursão de Flávio no Reino das Artes, já havia recuperado um pouco do terreno político depois da derrota de Jorge Messias no Senado. A mais recente pesquisa Quest, divulgada nesta quarta-feira...
antes do vazamento do áudio de Flávio, mostra uma leve recuperação do presidente. Lula volta a aparecer numericamente à frente de Flávio em cenários de segundo turno, ainda que dentro da margem de erro. E a aprovação do governo foi de 43% para 46%. Uma oscilação dentro da margem também.
Nos últimos dias, o Planalto acelerou medidas com impacto direto no cotidiano da população, o Desenrola 2, a revogação da taxa das blusinhas, tentativas de conter a alta da gasolina e novos programas de crédito. A segurança pública segue como desafio e este sempre foi um assunto com o qual a esquerda lida com dificuldade, enquanto a direita vai dobrando apostas na barbárie, o que agrada a parte da população. A Quest mostra que a violência é hoje a principal preocupação do eleitor brasileiro.
ainda na frente de corrupção e da economia. E o governo acaba de lançar o programa Brasil contra o Crime Organizado, um pacote de 11 bilhões de reais, dividido em quatro frentes, que são asfixia financeira de organizações criminosas, reforço da segurança no sistema prisional, qualificação das investigações e do esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas. Tudo isso parece razoável, ainda que tardio, mas se isso vai ter algum impacto político eleitoral, ninguém sabe.
Por fim, no terceiro bloco, a gente fala da posse de Cássio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral e da nova composição do TSE, que vai comandar o processo político eleitoral deste ano. André Mendonça ocupa a vice-presidência e Dias Toffoli é o terceiro membro do Supremo entre os sete membros do TSE. É um tribunal diferente daquele de 2022, quando Alexandre de Moraes conduziu a eleição, enfrentando tentativas de golpe e a desqualificação do processo político.
No discurso de posse, Nunes Marques defendeu as urnas eletrônicas, falou de democracia, prometeu equilíbrio diante da inteligência artificial e disse que o tribunal deve evitar excessos. Mas é o mesmo Cássio Nunes que votou contra a inelegibilidade de Bolsonaro, entre outras coisas. O ano será, como se diz lá nas dunas de Genipabu, com emoção. É isso, vem com a gente.
Muito bem. Celso, vamos começar com você. Você que tinha cantado a bola que a delação era menos importante do que o celular. Mas nem você esperava tanto, hein? Pois é, rapaz. Ô, Flavinho, pegaram você e pediam dinheiro do Master, hein? Que coisa desagradável. Tudo isso pra um filme produzido pelo ex-ator da novela Mutantes, né, cara? Porra.
Que escândalo imbecil, né? Mas é isso, assim, eu achei que foi o chá de revelação do escândalo master como escândalo de direita, né? Pra quem tava todo mundo ali naquele papo, não tem lado, não sei o que lá. Cara, tá aqui o candidato da direita presidente esse ano, pedindo 134 milhões, dos quais ele recebeu 62, aparentemente, pro dono do master, na véspera do dono do master ser preso, dois dias antes do master ser liquidado.
Então não tem a menor possibilidade de ele estar pedindo para o Vorcaro sem saber do que é o escândalo Márcia, sem saber de nada disso. A essa altura, o partido dele, o PL, já assinou requerimento de urgência para o projeto que permitiria ao Congresso demitir diretor do Banco Central.
A essa altura, o governador bolsonarista do Distrito Federal já tentou salvar o Master, quebrando o Banco de Brasília, basicamente. Um negócio que as finanças do Distrito Federal vão demorar anos para se recuperar disso. A essa altura, o cara do partido dele, o Felipe Barro, já apresentou projeto para aumentar a cobertura do FGC, a mesma coisa que o Ciro Nogueira tinha feito. Então, enquanto o Flávio está falando com o Vorcaro, a turma dele já trabalhou pesado para o Vorcaro.
E quando o Flávio diz para o Vorcaro irmão, eu estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente, na véspera do cara ser preso, o que ele está dando para o Vorcaro é garantia de que ele vai trabalhar pelo Vorcaro, de que o bolsonarismo vai trabalhar pelo Banco Mastro.
Então não é só um cara pedindo dinheiro pra fazer um filme, é um senador da república que estava prestes a se tornar presidenciável, prometendo apoio ao cara que tá a um dia de ser preso pela maior fraude financeira da história do Brasil. Então assim, pra turma que gosta de passar pano pro Flávio e pra normalizar o Flávio peça um aumento de salário aí, gente que seu trabalho ficou muito mais difícil, entendeu? Assim, isso aqui é um flagrante isso aqui é um batom na cueca.
Não tem muito o que você fazer depois que isso acontece com você pra limpar sua barra
Só pra vocês terem uma ideia, pelo cronograma que apareceu até agora, num dia o Vocar estava recebendo mensagem do Flávio oferecendo apoio total a ele e no outro dia ele estava mandando mensagem pro Xandão perguntando se deu pra bloquear, que é a famosa mensagem que ele teria mandado no dia que foi preso. Se você ainda não entendeu que esse é um escândalo do pessoal da direita, do qual o Alexandre Moraes faz parte...
o que parece estranho, mas é verdade. Essa cronologia aqui das conversas do Vorcaro nos dias em torno da prisão dele mostra isso claramente. Ele conversa com o Flávio num dia e conversa com o Xandão no outro e é tudo a mesma coisa. Nos dois casos, ele está pedindo apoio para se livrar da cadeia, apoio para livrar o banco dele de uma intervenção.
E ele paga caro, né? Exato. Até porque, assim, a essa altura o cara também já tá desesperado e já tá oferecendo dinheiro pra quem for, né? Quem me livrar disso aqui, eu tô topando. Com o dinheiro dos outros? Exatamente. Porque aí vem o senhor Flávio Bolsonaro e aqueles puxa-sacos dele dizer o seguinte, não é, eu tô pedindo dinheiro privado pra fazer um filme sobre o meu pai.
Dinheiro privado, mas não da pessoa que está te dando esse dinheiro, Malandro. Esse dinheiro é dos correntistas do Master. Esse dinheiro é dos aposentados que tiveram o dinheiro da sua aposentadoria investido no Master por prefeitos e governadores corruptos. Como o Cláudio Castro, que investiu um bilhão. Que também é do seu partido, Flávio.
Você está patrocinando o filme do seu pai com dinheiro roubado, com dinheiro dos correntistas do Master, com dinheiro dos aposentados, cuja aposentadoria foi investida no Master por governadores e prefeitos corruptos. Então, esse dinheiro não é privado, no sentido que você está dizendo. Isso não é uma pessoa voluntariamente dando dinheiro que ela ganhou com o seu trabalho por uma obra de arte que ela quer que seja financiada. E todos aqui fazendo esforço para não rir quando eu chamei de obra de arte.
Isso é uma picaretagem feita com dinheiro de pessoas que não queriam investir no filme do seu pai, que queriam ganhar dinheiro honestamente, aplicando num banco em que eles acreditaram, e que perderam esse dinheiro porque o banqueiro é ladrão. E aí você chegar aqui e tentar tratar isso como se fosse, não, não, é um, sei lá, como se você estivesse pedindo dinheiro pra um amigo pra patrocinar um projeto que você acha culturalmente importante, é ridículo, filho, não vai dar certo esse negócio.
E tudo isso com muito conhecimento de tudo, né? Exatamente. Conhecimento é participação, né?
conhecimento e participação. E tem uma outra coisa. A comparação óbvia aqui é o filme da Melania Trump. A Melania Trump teve os direitos da sua autobiografia vendidas para uma dessas big techs aí fazer um filme sobre ela. O dinheiro é absolutamente obsceno. Não faz o menor sentido como investimento de indústria cinematográfica você dar aquele dinheiro para fazer a cinebiografia da Melania Trump.
O que é que todo mundo imediatamente identificou isso? Não é patrocínio de filme, isso é suborno. Os empresários querem dar grana pro Trump pra pedir favores pra ele e fazem isso sob a forma de patrocínio pro filme da mulher dele. Então aqui, a suspeita óbvia que surge nesse caso é que esse negócio de filme não é filme coisa nenhuma. Isso aí é um veículo pra esses caras roubarem dinheiro. Pra esses caras estarem montando um caixa 2 ou 3 ou 4. O filme é pra lavanderia, né?
É pra lavar dinheiro esse filme, porque o Ottoni de Paula, o deputado Ottoni de Paula, falou isso na tribuna da Câmara ontem. Esse filme tá sendo usado pra lavar dinheiro do Vorcaro pro Flávio Bolsonaro. Então, pode ser pra lavar dinheiro do Vorcaro, pode ser pra sustentar o Eduardo nos Estados Unidos, é uma outra suspeita que as pessoas têm. Pode ser pra fazer um caixa de campanha pro bolsonarismo. Pode ser tudo isso ao mesmo tempo, né?
Pode ser tudo isso ao mesmo tempo. Porque ninguém tá acreditando muito é que é pra fazer uma superprodução. Até porque o que seria superprodução no filme sobre Bolsonaro? Tem efeito especial no filme do Bolsonaro? Tem CGI? Tem aquelas coisas de filme da Marvel? O Jim Caviezel, que é o ator principal que faz o Bolsonaro, ele ficou famoso pela paixão de Cristo, né? Depois ele fez um seriado de razoável sucesso. Mas ele não é nem de longe um ator de Hollywood de primeira linha.
E aparentemente é o único gasto caro aqui que você tem. Não, e se fosse, não teria topado, né? Não teria topado, exatamente. Já vai ficar entre nós. Se você já tá fazendo o filme do Bolsonaro, é que você tá muito fim da linha, né, amigo? Exato. Você já fez a Mutantes na Record, aí agora você vai fazer o filme do Bolsonaro. Então, assim, essa história toda do filme é muito mal contada. Isso é um ralo de dinheiro que ninguém tá sabendo explicar até agora no campo bolsonarista. Até porque a produtora lá tá dizendo que não recebeu o dinheiro.
O Mário Fri está dizendo que não recebeu o dinheiro do Vorcário. Mas a gente tem prova que o Flávio pediu. Então esse dinheiro foi pra onde? Saiu numa reportagem da revista Fórum uma entrevista com um figurante do filme que fala que nem os pagamentos eram feitos direito pros figurantes. Pois é, olha que beleza.
Os pagamentos atrasavam, nem a figuração era paga. Não tinha comida. Ô, que beleza. E se tivesse imposto mesmo 60 milhões aí, dava pra pagar o figurante, gente, pelo amor de Deus. Então, assim, esse dinheiro não foi pro filme, esse dinheiro foi pra alguma outra sacanagem, que a gente ainda vai ter que descobrir, a polícia precisa investigar.
Agora, é cedo pra gente dizer, né? Tem pesquisa essa semana, mas a gente não sabe se já vai pegar isso, né? Porque a pesquisa, o campo começou antes. Mas o dano pra campanha do Flávio é potencialmente gigante, né? É bom a gente lembrar, o Flávio só empatou com o Lula na pesquisa quando estourou o escândalo do Master e atingiu o STF. Até então, o Lula tava liderando, não era um negócio super confortável, mas também não era pouca coisa, não.
O Lula era franco favorito até estourar o escândalo pra cima do STF. Então, como é que fica esse pessoal que tava querendo fazer voto de protesto votando no Flávio Bolsonaro, sabendo que o Flávio Bolsonaro tá ganhando pro pai dele a mesma grana que a mulher do Xandão ganhava pro escritório dela? Porque se você supõe que o dinheiro pra mulher do Xandão era suborno, o que você tá supondo que é esse dinheiro pro Bolsonaro? Vocês acham que é realmente apoio à cultura cinematográfica? Como é que vai ficar esse eleitorado Um abraço, seu amigo, seu amigo, seu amigo
que colocou o Flávio Bolsonaro no empate técnico com o Lula, que até outro dia estava, inclusive, em vantagem numérica. E eu suspeito, seriamente, que o Flávio Bolsonaro chegou a liderar a corrida presidencial. Como é que fica esse voto agora? Esse pessoal que tinha migrado para o Flávio Bolsonaro porque falava, não, cara, o STF é uma sacanagem, os bolsonaristas tinham razão. E agora você vê que os bolsonaristas estão no escândalo com o STF.
pro Flávio Bolsonaro se livrar dessa, ele vai ter que rebolar bastante e a turma do Passapano vai ter que passar muito pano. Agora, a situação da candidatura Flávio Bolsonaro ficou difícil. E aí surge naturalmente o pessoal discutindo se vale a pena trocar de candidato na direita. Já tem um pessoal lá trabalhando pro Michele, o Zema partiu pra cima do Flávio, porque sentiu o cheiro de sangue, falou, opa, o cara que tá na minha frente tá ferido, eu vou pra cima. E até o Caiado com o seu cavalo branco ressuscitou aí.
É, mas o Caiado eu achei meio vacilante. É, sim, ele é figurante, é. O Caiado, por enquanto, é o cara desse figurante aí que a Ana falou que não ganhou o cachê lá pelo filme do Bolsonaro, exato. É, o Caiado vai emprestar o cavalo branco pro filme Já Já Estou Aí. Exatamente. Vai ter o Dark Horse e o White Horse.
Como um parêntese rapidinho, o que talvez explique a saída abrupta e até hoje mal explicada do ratinho da disputa presidencial na véspera, seja justamente o celular do Vorcaro.
Agora, a gente ainda não sabe se o Flávio vai sair. O que eu acho que vai acontecer é um cenário difícil para a direita, que é o Flávio cair o suficiente para ter um risco razoável de perder a eleição, mas não o suficiente para a substituição dele ser absolutamente inevitável. E aí a decisão dos caras vai ser difícil.
Ana Clara, você que está aqui pertinho em São Paulo, eu quero muito te ouvir sobre essa história, porque ontem você estava a toda, o pessoal nas redes sociais falando, ah, eu queria muito estar no WhatsApp da Piauí, do foro, ouvindo agora o que eles estão falando. É, tem o pessoal falando, Ana Clara, vaza pra gente o que você está apurando.
Bom, gente, eu queria começar falando desse formato para se financiar o filme do Bolsonaro, né? Enfim, o filme foi gravado no Brasil. O que justificaria você fazer um pagamento nos Estados Unidos, né? Você enviar esse dinheiro para lá, né?
A não ser que você fosse pagar o diretor e o ator nos Estados Unidos, mas realmente o cachê do diretor e o ator iam corresponder a metade desse orçamento do filme, né? Já começa pelo envio do dinheiro para os Estados Unidos, que é injustificável o valor que foi enviado, 10 milhões de dólares.
Esse cachê, que nem o Marlon Brando no Poderoso Chefão deve ganhar. Exato. Exato, porque assim, vamos supor que fosse uma superprodução, entendeu? Porque você precisa enviar esse dinheiro pra fora. Eu acho que daí a gente já começa a ter um pouco de noção do que pode estar acontecendo.
E aí eu queria recuperar aqui uma reportagem que o João Batista publicou na Piauí no ano passado, em que ele acompanhou o Eduardo durante alguns dias nesse périplo dele ali. Nessa reportagem, o João Batista já cita o Paulo Calisto, que foi o cara que montou o fundo para receber esse dinheiro.
E esse Paulo Calisto é um advogado que tem um escritório de advocacia lá no Texas. E, em tese, a razão para o Eduardo ter ido para o Texas, morar no Texas, e não na Flórida, por exemplo, se chama Paulo Calisto. Porque ele era o cara que ia facilitar as coisas para o Eduardo ali, inclusive no âmbito da imigração.
E foi o cara que constituiu esse fundo que foi usado para receber esse dinheiro do Daniel Vorcaro. Quando o João Batista esteve com o Eduardo, chamava muito a atenção as viagens constantes que ele fazia para Washington, de Dallas para Washington, porque, por um lado, ele não estava recebendo o salário dele da Câmara dos Deputados. E o Bolsonaro ficava fazendo vaquinha de piques.
dizendo que era para sustentar o Eduardo lá fora, que ele estava sem dinheiro, que não tinha dinheiro, etc. E as contas tinham sido bloqueadas no Brasil e tal. E, no entanto, o Eduardo está na reportagem, circulava de classe executiva.
nos voos de Dallas para Washington. E até o João Batista pergunta para ele, mas quem está pagando a sua passagem de classe executiva? Porque muitas vezes ele viajava mais de uma vez por semana para Washington, para ficar conspirando lá com os assessores do Departamento de Estado e com Paulo Figueiredo.
E aí ele disse, ah, um amigo do amigo do meu pai, quem que pagava as passagens dele. Numa alusão àquela frase do Marcelo Odebrecht sobre o Toffoli, né? Então, eu acho que a vida que o Eduardo levava no Texas, a vida que ele levava, a proximidade com o Paulo Calixto, o fato do Paulo Calixto ter constituído esse fundo no Texas para receber esse dinheiro. Eu acho que por aí a gente já pode ter uma noção de que...
Alguém precisava sustentar o Eduardo, alguém precisava sustentar a classe executiva dele, ele não estava trabalhando e esse dinheiro foi para os Estados Unidos. Agora, a gente imaginar que esse dinheiro não chegou no Eduardo seria, enfim, acho que a investigação vai, aliás, a investigação agora é essa, né? Saber se esse dinheiro sustentou redes sociais dos Bolsonaro, se esse dinheiro sustentou algum tipo de gasto do próprio Flávio, pode ser que tenha.
Até esses imóveis, né? Bolsonaro não comprou a casa lá, chamação de 6 milhões de reais em Brasília. Isso é anterior, mas enfim. Aí foi o BRB que ajudou nesse caso. Que financiou. Pessoal meio amigo também do Vorcaro, mas enfim. Que é o mesmo ecossistema.
a questão é, se o Flávio tinha essa intimidade pra pedir esse dinheiro e ainda ficar cobrando esse dinheiro, por que que ele não teria pra convidar o Vorcaro pra outros empreendimentos? Entendeu? Sei lá, um condomínio em Rio das Pedras, né?
A área de atuação dele, a gente não sabe, entendeu? Acho que isso a polícia provavelmente sabe porque está tendo acesso a esse material, né? Que está no celular dele. Mas assim, esse foi um áudio e um bloco de mensagens que foram vazadas sobre esse tema e diante até da forma como eles se tratam, é difícil a gente imaginar que tenha sido a única contribuição, entendeu?
Não bastasse o envolvimento cinematográfico do Flávio com o Daniel Vorcaro, o Marcelo Lopes, que é o coordenador da comunicação da campanha do Flávio agora, recentemente escolhido, foi um dos estrategistas do plano de ataque.
do Daniel Vorcaro ao Banco Central e aos servidores do Banco Central quando houve a liquidação do Master. Então, até nisso, há uma intersecção. O principal homem da comunicação do Flávio era o homem da comunicação do Vorcaro que fez esses ataques ao Banco Central.
Além disso, o Flávio era figura constante em companhia do Vorcaro em Brasília. Ia na casa do Vorcaro em Brasília. O Vorcaro ia na casa dele. E mentiu, falou que não conhecia, né? Ah, isso foi espetacular. A BBC fez um corte de todas as coisas que o Flávio falou sobre o Master nos últimos meses. E é realmente, assim, pra quem tem o nível de envolvimento que ele tem...
Você tem que ter muita cara de pau pra falar tudo aquilo que ele falou, sem pestanejar, né? E eu acho que o Intercept foi muito ágil e muito sagaz nesse ponto, que foi eles terem abordado o Flávio ao vivo pra perguntar sobre o filme, e aí a resposta do Flávio foi mentir, foi dizer que ele não tem nada a ver com isso e tal, né? Gargalhando.
É, e aí essa abordagem ao vivo, ela é muito importante porque ela mostra a disfarçatez, né? A disfarçatez em mentir, em dizer que não tem nada a ver e tal. Chamar o jornalista de militante. Exato. O que a gente tem que olhar é se isso, esse é um dos pontos da relação entre eles, assim, é muito difícil que seja um único. E isso leva a gente a uma situação que eu acho que é individual e coletiva dessa candidatura da direita.
que é se o Flávio vai continuar ou não. Ele disse à CNN que vai continuar e que a Michelle Bolsonaro não é uma opção. Porém, conversando com lideranças do PL hoje, né? Que a gente ainda está no quente dos acontecimentos. O que eu ouvi foi outra coisa. Eu ouvi que a Michelle volta, sim, para a mesa.
de opções, que óbvio que o Flávio não vai falar isso agora, até agosto, né, é possível que haja uma mudança. A Michele tá no páreo, ela volta pro páreo. Não só a Michele, como outros nomes acabaram se assanhando com essa situação, né, como é o caso do Zema, que imediatamente já falou publicamente contra o Flávio e etc.
Só que assim, né? É muito difícil, né? Você tentar colar agora uma imagem de que você bate nos dois lados, sendo que até ontem você tava tentando ser o vice do Flávio, né? Como é o caso do Zema, né? Nem o Caiado está tão associado ao bolsonarismo quanto o Zema, né?
O Zema é o cara que apoiou o golpe, que apoiou a anistia, que apoiou todos os discursos do Flávio em todos os momentos. Então, é muito difícil ele chegar agora e falar não, eu acho que eu sou a figura de centro ali. Mas o fato é que, nessa semana, enquanto tudo isso acontecia, estava havendo um evento em Nova Iorque, da Faria Lima, que é um evento maravilhoso, porque vai um monte de brasileiro da Faria Lima para Nova Iorque para falar sobre o Brasil com brasileiros.
Você tem um gato pingado ou outro ali Que eles chamam de gestor de fundo americano Pra conversar e tal Mas assim, 99% de brasileiro Pra falar sobre o Brasil em Nova York Veja que maravilha Aproveita e faz mais compra É que nem hoje o Marpalooza
que é em Portugal. É, mas eu acho que lá tem o componente do lobby no de Marpaluzas. Você vai pra encontrar gente público, né? Nova York é mais cafona, porque é meio que só pra dizer que estamos em Nova York falando do Brasil. Mas é só o Brasil que está falando em Nova York do Brasil. Nova York tipo, tá em outra página, entendeu? Enfim. Voltando ao assunto...
Tudo isso aconteceu enquanto a Faria Lima estava em Nova York, né? Então, foi aquela depressão total, porque eles estavam completamente comprados na ideia do Flávio pra tirar o Lula. E agora, essa turma começou a perguntar. O Felipe Nunes da Quest estava em Nova York também, nesse evento, né? Essa semana. E saiu a pesquisa da Quest e tudo mais.
E quando caiu a bomba Flávio, na 5ª avenida, no caso, a galera se prontificou ali, se assanhou toda pra perguntar pro Felipe Nunes e a terceira via, terceira via, será que tem espaço agora pra terceira via, né? Tipo, já querendo enquadrar o Zema ou o Caiado nesse espaço, que ao que tudo indica eles não pertencem, né?
Eles não pertencem. Objetivamente, eles não pertencem. Eu já defendi aqui, já falei, a terceira via está incorporada ao governo Lula. Na vida real da política brasileira, a terceira via está dentro do governo Lula. É o Alckmin, é a Simone Tebit. Marina Silva foi candidata à terceira via, né? Marina Silva, essa parte do PSD, do Kassab e do MDB que está dentro do governo. Isso é a terceira via.
Pois é, isso que vai acontecer a partir de agora. Não estou querendo fazer futurologia não, mas é para onde os caminhos estão, entendeu? O caminho vai ser um determinado establishment, passar a considerar o Zema e o Caiado como terceira via. Porque já que o governo não é uma opção para eles e a oposição ao governo, que é o Flávio Bolsonaro, está tóxica,
eles vão tentar reenquadrar essa turma na terceira via. E se a gente pegar que havia o Ciro na semana passada, né? Então, assim, existe um combo tóxico agora de Ciro Nogueira com Flávio Bolsonaro, completamente envolvidos com o Master, cooptados, recebendo recursos do Master de maneira que vai ser difícil explicar, né? Pouco republicana. Então, eu acho que isso, assim, é um novo momento para a candidatura de direita a partir de agora.
Só que eu sou muito cética em relação ao impacto eleitoral dessa história ainda, porque quando a gente pensa, vamos pensar semana passada quando não havia nem Ciro, nem Flávio. Ciro todo mundo sabia, mas não se tinha... Ciro Nogueira. Ciro Nogueira. Mas não se tinha o detalhamento do que havia acontecido de fato, né? Então, semana passada era um outro momento para a direita, né? E, além de tudo, havia o caso Messias e tudo mais.
Tudo bem que não havia isso, mas você tinha um candidato que era o candidato do golpe, né? Que é o candidato Flávio Bolsonaro, que é o candidato do Jair Bolsonaro, que foi condenado por ter articulado um golpe junto com uma quadrilha. Esse era o candidato que estava com metade das intenções de voto na semana passada. Então, assim, você colocar esse cara hoje como o cara que está envolvido com o Master...
Assim, no nível de absurdo que um candidato pode ter, você ser partidário de uma operação de golpe que aconteceu em 2023 é pior do que você receber um dinheiro do Master, né? Você atentou contra a democracia. Não para a população. Não para essas pessoas que votam no Bolsonaro.
É aí que eu quero chegar, entendeu? A gente tá numa situação em que o que havia contra o Flávio era muito pior do que um pagamento indevido. Sim. Não era só o Flávio, era um grupo político inteiro patrocinando uma candidatura que tenta um golpe. Então, assim, agora sabe-se que além de tentar um golpe, eles também recebem dinheiro sujo de um banqueiro ladrão. A gente vai chegar num ponto em que, na verdade, o golpe tudo bem, mas você recebeu o dinheiro do Vorcaro
é triste né no fim assim eu acho que essa calcificação ela é perene é claro que o momento pro governo melhora e a gente vai falar disso no próximo bloco mas eu sou muito cética em achar que é isso que vai derrubar uma candidatura Bolsonaro seja Flávio, seja Michele porque se as pessoas estão apoiando uma candidatura que tentou cometer um golpe o que que é um repasse do Vorcaro? não sei não sei
É, eu discordo um pouco, mas é bom que a gente discorde nessa… Sim, discorde, discorde. Tô mais… Sou mais parecida com a do Celso, achando que vai ter impacto. Não sei se o suficiente pra derrubar a candidatura, mas vai ter um abalo, sim, porque é muito compreensível. É tudo muito concreto. A coisa do filme permite uma série de memes. É tudo muito…
cinematográfico. É muito visível. O roubo é muito concreto, assim, sabe? É uma coisa que as pessoas percebem. E que seja no domínio das artes, é uma... Vamos chamar assim, né? Título de cortesia.
No sentido bem amplo, né? É uma ironia realmente saborosíssima. Nos dá direito a rir no meio dessa tragédia que é o bolsonarismo e tal, e que se tornou uma política brasileira e mundial, de certa maneira. E tomara que o filme seja inviabilizado, né? Vai nos poupar de uma aberração estética. Se o filme for inviabilizado, melhor ainda. Ah, não. Vamos fazer, vamos fazer. Você quer ver, né?
Claro. Uma porcaria dessa, você acha que eu não vou ver? Como diz o Chico Raiz, Dark Horse, azarão pra ti que não fala inglês. Chico Raiz. Bom, vamos encerrando o primeiro bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo. Vamos falar da recuperação do governo Lula e da imagem de Lula no segundo bloco. Já voltamos.
Entre 1974 e 1986, centenas de trabalhadores foram atraídos com promessas falsas e forçados a trabalhar numa fazenda de gado no sul do Pará, em condições análogas à escravidão. A fazenda era uma empreitada da Volkswagen, incentivada pelo governo federal, que, em plena ditadura militar, estava oferecendo incentivos fiscais para empresas que ocupassem e, consequentemente, desmatassem a floresta amazônica.
Na revista Piauí de Maio, a repórter Angélica Santa Cruz conta a história de cinco jovens que sobreviveram aos horrores da fazenda Vale do Rio Cristalino, de um padre que ajudou a escancarar esse passado da Volkswagen na Amazônia e de um processo judicial histórico que se arrastou até este ano. O assenante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br.
Oi, ouvintes do Foro. Aqui é o Paulo Werneck, apresentador do 451MHz e organizador da Feira do Livro, que acontece todo ano no feriado de Corpus Christi, lá na Praça Charles Miller, no Pacaembu. É um festival literário gratuito, com mais de 100 autores convidados e 6 palcos ao mesmo tempo. Inclusive, esse ano, nós vamos ter uma edição especial do Foro de Teresina em Praça Pública. No dia 30 de maio, no sábado, vai acontecer esse encontro.
que a gente vai dar boas risadas apesar de tudo isso que a gente ouve aqui no Foro de Teresina. A Feira do Livro é uma realização do Ministério da Cultura, da Associação 451 e da Maré Produções.
Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. Eu mencionei a pesquisa Quest, tem bastante coisa nela. A gente pode começar sobre isso, sobre o aspecto que mais chamou a atenção. E eu também tenho umas observações, mas eu prefiro que você fale antes, porque o que eu vou falar é mais periférico, eu acredito.
Então, Fernando, essa pesquisa que já saiu antes do escândalo do Flávio com o Vorcaro. Então, obviamente, é uma fotografia de anteontem, mais ou menos. Mas o que é interessante é justamente antes da história do Vorcaro, você já vê uma pequena recuperação do Lula. A gente vinha falando na semana passada que depois daquela semana de terror, que teve a rejeição do Messias, a queda do veto da dosimetria, um monte de derrota para o Lula.
O que se decretou o fim do governo, mais uma vez, como tinham feito no meado do ano passado também.
Agora, a pesquisa da Quest mostra uma pequena melhora do Lula. Não é uma melhora gigante, longe disso. Mas antes da história do Vorcaro com o Flávio. O que ela mostra? Primeiro, a gente teve uma semana de notícias positivas pro Lula. O Lula lançou aí o Desenrola 2. O Lula lançou um pacote contra o crime organizado. O Lula revogou a famosa taxa das brusinhas.
que tinha sido implementado no começo do governo e que foi uma fonte de muita impopularidade para o governo, foi uma coisa muito explorada pela oposição. Então ele vem tomando um monte de medidas para melhorar a popularidade dele. E parece que está começando a fazer efeito. Se você pegar a diferença entre aprovação e desaprovação do Lula, ela continua negativa, ele continua mais desaprovado que aprovado.
Mas antes a diferença já de nove pontos negativos e agora passou a menos três pontos, que na verdade é empate técnico. Então caiu seis pontos dessa diferença. Basicamente, agora esse saldo de aprovação está mais ou menos onde estava ali em janeiro, fevereiro. Entre os eleitores que a Quest classifica como independentes, a mudança parece ter sido bem maior. Aqui, eu sugiro cuidado, porque até como o próprio Felipe Nunes falou na televisão quando ele estava comentando,
A margem de erro nessa subamostra, nesse grupo de independentes, é maior, porque é um grupo bem menor do que a amostra total da pesquisa. Mas a diferença é substantiva e parece substantiva suficiente para ter uma boa chance de refletir os fatos. A diferença era de 26 pontos contra o Lula e agora é de 15. O Lula melhorou 11 pontos.
nesse público. Pela primeira vez em algum tempo, a aprovação passou a ser maior que a desaprovação entre as mulheres, o que é importantíssimo pro Lula ter chance de ganhar. Na última eleição, as mulheres deram a vitória pro Lula. No ensino médio, caiu pela metade o déficit. Era 20, foi pra 11. E aqui tem uma coisa, cara, que a pesquisa pegou, que vale a pena ficar... A gente é observado agora em diante, se é um ponto, se é um momento, ou se é uma tendência. Porque no público cativo do Lula, na Lulândia,
ele teve uma piorazinha. No público, até dois salários mínimos, ele tinha um superávit de popularidade, 20 pontos a mais a favor do governo dele, e passou a ser só 14. Então, essa vantagem que o Lula tem ali na Lulândia parece ter caído alguma coisa. É uma diferença significativa mesmo. Exato.
É, novamente, aqui tem o negócio da marcha de erro, né? Porque, enfim, também é uma subamostra. Aí você tem quase metade da população nessa faixa e que é o... Onde o Lula ganha eleição. Onde o Lula ganha eleição, exato. Pra resumir.
Agora, curiosamente, nas outras faixas, melhorou. Em uma delas, que é entre 2 a 5, era até de se esperar, porque teve a reforma do imposto de renda. Tinha um déficit de 19 e o déficit foi para 9. 10 pontos de diferença. É um negócio significativo. E acima de 5, que aí já começa a entrar na antilulândia, foi de 27 negativos para 19 negativos. O Lula voltou a botar boa vantagem entre os católicos. Ele estava 49 a 46, agora virou 55 a 42. 13 pontos, é uma vantagem significativa.
De modo que se você olhar em basicamente todas essas categorias de avaliação, de pesquisa eleitoral e tal, o Lula melhorou nessa pesquisa. Sim, acho que o que você falou, que é provável que o Flávio tivesse em vantagem no passado recente. Exato, exato. Eu tenho certeza que o Flávio deve ter liderado as preferências. Mas agora, essa pesquisa está velha, né?
Tá, mas eu acho interessante da gente ver uma dinâmica que já tava acontecendo antes, né? Sim, é importante isso, mas tô falando que tá velha a luz do que aconteceu anteontem, né? Pra você que tá nos ouvindo.
Exato, porque, por exemplo, a gente vê os efeitos das boas notícias. Então, por exemplo, 60% dos entrevistados acharam que a reunião do Lula com o Trump foi boa para o Brasil. Num país totalmente polarizado, para o Lula ter 60% de aprovação em qualquer coisa, tem gente que simpatiza com o Bolsonaro, que achou que foi bom. Uma coisa que aconteceu de importante, que provavelmente é uma das causas dessa mudança,
é que aumentou o número das pessoas ali entre os dois salários mínimos e os cinco salários mínimos que sentiram algum efeito da isenção do imposto de renda. Então, na última pesquisa, 53% das pessoas entre dois salários mínimos e cinco salários mínimos dizia que não tinha feito efeito nenhum para eles e agora isso caiu para 43, caiu 10 pontos e subiu o número de pessoas que diz que aumentou ou que aumentou um pouco.
Então, começa a ter algum efeito essas políticas públicas. Então, é plausível a gente supor que essa melhoria do Lula na quest que veio agora é políticas públicas. É coisas que ele fez como governo, seja visitar o Trump, seja fechar a conta com o Trump, seja fazer desenrola, seja fazer reforma de imposto de renda.
Então é a vantagem de você ser governo, naturalmente. Quando você está na oposição, você não pode implementar políticas públicas. Parece já haver uma tendência de melhora do quadro para o Lula antes do escândalo do Vorcaro, né? E se já tiver gente aqui, por exemplo, passando da rejeição para o tanto faz, do ruim para o razoável, esse cara já um pouco mais simpático ao Lula pode ser mais propenso, por exemplo, a levar a séria denúncia contra o Flávio.
Ele provavelmente pode ir para as outras candidaturas, que não para a do Lula. Pode também, é, claro. A gente vai ter alguma mexida, deve ter alguma mexida no Zema e no Caiado. Eu acredito que vai ter. Alguns aspectos que me incomodam nessa pesquisa, na maneira como o Felipe Nunes faz a pesquisa.
não topando em dúvida a boa-fé, a competência, etc. Isso está fora de cogitação. Ele faz um cardápio ali que você tem esquerda lulista, esquerda não lulista, independentes, direita não bolsonarista, direita bolsonarista. É uma maneira de fazer esse recorte. O nome independentes me incomoda bastante porque dá uma ideia de que os outros são dependentes. Implicitamente você está falando dos outros estão associados. É como se você tivesse uma valoração quase...
político moral desse grupo independente que vai decidir a eleição e tal. Isso me incomoda, ponto. Vamos mudar de página agora. Me incomoda mais a pergunta que você deve ter visto também, Celso. Flávio é mais ou menos, ou Flávio é mais moderado que a família Bolsonaro?
A pergunta é mal formulada porque ela dá a entender que o Flávio não é da família Bolsonaro. Não faz muito sentido para mim. E o espelho dessa pergunta é Lula é mais ou menos moderado que o PT? E daí você tem a comparação entre uma família e o PT. Você fala, ah, mas as pessoas veem assim a política. Mas você está comparando coisas muito diferentes.
Eu acho que a pergunta se o Flávio é mais moderado que o Bolsonaro, eu acho relevante. E, inclusive, o resultado é interessante. Não é mais moderado que o Bolsonaro. A pergunta é mais moderada que a família Bolsonaro. A pergunta. O que me incomoda nessa maneira de configurar as perguntas é que ela parece um paralelismo forçado entre dois radicalismos comparáveis. E nós não estamos diante de dois radicalismos comparáveis.
no qual o centro, esse centro idealizado, esse centro chamado de independente, que tem uma superioridade moral, política, ou o que seja, está órfão. Então esse paralelismo forçado entre dois radicalismos não corresponde à realidade. Não são comparáveis. Um lado, a gente sabe, joga dentro da democracia, sempre jogou. Pode ter setores minoritários do PT que gostariam de fazer a revolução, existe, mas isso está completamente fora de questão.
Então você tem um partido que joga dentro da democracia e você tem um outro grupo do outro lado que não joga dentro da democracia. Ou que joga dentro e fora ao mesmo tempo. Ana Clara, neste pupurri de coisinhas ou políticas públicas e visita o Trump, também é uma ação de governo, como disse o Celso. O que você destaca?
Não, foi totalmente uma ação de governo e a gente já falou isso até na semana passada que o governo cavou esse encontro naquele momento para cavar uma agenda positiva, né? Assim, o governo está em modo agenda positiva, em modo precisamos nós pautar os assuntos, né? E essa pauta econômica, que é uma pauta que o Lula...
encomendou, esse desenrola foi encomendado pelo Lula numa reunião bastante tensa com a equipe econômica, com o Sidonio, isso foi anunciado e começa a ter os seus efeitos percebidos nas pesquisas, né? O desenrola claramente é uma medida que tem um impacto na popularidade do Lula e do governo imediata, né? Mas o histórico tem mostrado...
que essas ações econômicas do governo, elas têm tido uma vida útil muito curta. Elas geram um aumento de popularidade quando são anunciadas ou quando as pessoas sentem o impacto e, em seguida, as pessoas esquecem.
Então, também existe essa percepção no governo que um programa anunciado hoje e que vai ter um efeito ali na vida das pessoas nos próximos meses, talvez não tenha força suficiente para garantir uma popularidade mais alta até a data da eleição. Então, assim, por um lado, existe um novo modo de atuar do governo nesse momento, né? Mais, digamos, contundente.
também existe uma percepção de que há um limite. E a partir de determinado momento, o governo não vai poder mais anunciar plano nenhum porque a lei eleitoral não permite, né? Então, agora é a janela possível, entendeu? E aí, nisso, vem também, nesse pacote, vem o anúncio desse Ministério da Segurança Pública, que é um ministério que foi totalmente retórico, esse anúncio, né? Assim, é óbvio que...
esse vai ser o assunto da eleição, mas você anunciar o Ministério em maio você não vai colher frutos práticos disso até outubro, foi um anúncio pra eles poderem dizer na campanha olha o que o governo fez no campo da segurança pública, e é um Ministério que vem sendo discutido desde o dia 1 de 2023, mas enfim, por inúmeras razões inúmeras coisas que aconteceram no Ministério da Justiça e na disputa política interna, não aconteceu, né morna
Acho que quando você fala do assunto da eleição, para mim parece mais ou menos claro que a gente vai ter três grandes assuntos, que é segurança pública barra violência, corrupção em torno do epicentro escândalo do Vorcaro e economia, situação da economia. Esses três assuntos vão ter relevância.
E, historicamente, o que está em jogo nessa eleição, mais uma vez, é a democracia, a sobrevivência da democracia brasileira. Embora esse não vá ser o discurso predominante nem dos democratas, porque isso não vai dar voto. Mas isso não pode estar fora do radar da gente, porque o que está em jogo, no fundo, é isso.
Uma coisa é o que as pessoas vão debater, o que vai motivar o voto da população. Outra coisa é, em termos históricos e no longo prazo, o que é decisivo nessa eleição. Para mim, é a manutenção ou a ameaça muito grande, e talvez maior ainda do que na eleição passada, à democracia brasileira.
Agora, é inegável que, assim, num período muito curto, a mudança de clima no governo também é impressionante, né? Assim, duas semanas atrás era um clima de total desalento e agora, mesmo antes do áudio do Flávio, já era um clima melhor. A viagem para os Estados Unidos acabou proporcionando isso.
Antes, havia até uma discussão dentro do PT sobre um plano B para o Lula. Não que o Lula tivesse dado qualquer sinalização de que ele iria desistir de disputar. Mas o PT queria se precaver, porque a situação era tão dramática nas pesquisas, que eles queriam se precaver e já estavam testando o Haddad, o Camilo Santana e o Alckmin internamente. Mas isso é um outro momento, né? Agora, talvez esses testes tenham ficado na gaveta.
Agora, o momento do PT está sendo de escalar quem vai ser a tropa de choque da campanha do Lula, né? E entre as últimas definições, na verdade ainda não definições porque oficialmente ele não aceitou, mas enfim, tudo indica que irá aceitar, é o Marco Aurélio de Carvalho na coordenação jurídica.
da campanha do Lula, né? O Marco Aurélio do Grupo Prerrogativas, né? É um posto importante porque em meio à inteligência artificial, né? A tudo que vai ser feito, as notícias deturpadas e tudo que a gente sabe que acontece em campanha e que esse ano vai atingir um patamar exponencial em razão da inteligência artificial, é um posto...
que vai ser muito determinante, né? Então, esses nomes já estão entrando ali no radar e já estão sendo definidos. Os peões ali estão sendo colocados nas suas posições para o segundo semestre. Muito bem. Assim, a gente vai encerrando o segundo bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar da nova configuração do Tribunal Superior Eleitoral da presidência de Cássio Nunes Marques. Já voltamos.
Ministério da Cultura e Museu Paulista da USP apresentam Pensar o Presente, um podcast do Museu do Ipiranga com produção do Estúdio Novelo. A gente vai te mostrar como o Museu do Ipiranga tem questionado histórias que ele mesmo ajudou a criar e consolidar.
você vai entender como um museu pode ajudar a gente a pensar a história do Brasil. Este projeto é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, uma realização da Fundação de Apoio ao Museu Paulista e Ministério da Cultura e do Governo Federal, do lado do povo brasileiro.
Oi, ouvintes do Foro. E com licença, os queridos Ana Clara, Fernando e Celso. Aqui é a Vera e a Conelli. Você já ouviu o meu podcast com a Trovou Mídia chamado Isso Não É Uma Sessão de Análise? Toda terça-feira eu recebo alguém para falar de família. Essa semana eu conversei com a jornalista Natuza Neri. Está emocionante. Nessa temporada eu já falei com a Déia Freitas, o Cidarta Ribeiro, a Luísa Trajano e muito mais.
Quando acabar de ouvir o foro, é só procurar Por Isso Não É Uma Sessão de Análise, no seu tocador de podcasts. Eu te espero lá.
Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. Tivemos a posse do glorioso Cássio Nunes Marques na presidência do TSE. Você acompanhou? Acompanhei remotamente, não estava lá, infelizmente não pude ir. Não, mas acompanhou, ouviu, ouviu, falou com as pessoas. Conta tudo aí.
Eu queria contar uma cena que aconteceu nessa posse, que eu acho que ela permite que a gente faça algumas análises. O Lula foi à posse do ministro Cássio Nunes e antes de o evento começar, de fato, eles se encontraram numa sala reservada, as principais autoridades, os ministros do Supremo, o presidente do Senado, da Câmara.
E nessa sala, o Lula cumprimentou todo mundo, cumprimentou inclusive o Davi Alcolumbre, que tinha feito o que fez no episódio do Messias. E o que aconteceu depois disso, né? O Lula ficou conversando com o André Mendonça, e com o Cássio, e com a Carmen Lúcia, conversando ali, enfim, animadamente, digamos, né? Os três estavam extremamente simpáticos, e aquela conversa em que eles não dizem nada...
Nada muito relevante, mas para quem consegue ler o subtexto, o subtexto acaba sendo muito relevante, né? Foi aquele tipo de conversa. E até sobre isso, assim, as expectativas do governo em relação ao papel, aos papéis, na verdade, do Cássio e do André, né? Queria contar um pouco para vocês e dizer que são expectativas do governo, né? Não quero dizer que eu concorde, mas é o que eles estão achando. Que, assim, o Cássio vai ser uma...
digamos, uma operação do Flávio Bolsonaro no TSE, mas o André Mendonça, há dúvidas. Porque há uma percepção de que o André Mendonça tem uma agenda muito própria naquela posição, no sentido de ele ter acabado com a relatoria desses dois casos que são monumentais.
no sentido de ele estar agora no TSE neste momento e de ele ter, de certa forma, uma visão ou uma concepção de que ele é o escolhido por ter sido sorteado para estar nessa posição nesse momento. Então, mais do que obedecer a um senhor, ele tem uma agenda própria, né?
E aí, há uma visão ali no governo de que essa agenda pode ser uma mistura meio de Joaquim Barbosa com Barroso, assim, sabe? De ele querer criar uma biografia para si. E isso pode distanciá-lo um pouco de ser apenas um operador do Flávio no Supremo, o que ele tem dado demonstrações que não é, né? Até pela conduta, sobretudo a mais recente dele. Então,
havia essa conversa, né, lá, e eles estavam se dando bem. E o Davi Alcolumbre, num canto, sozinho, até que o Hugo Mota ficou lá conversando com ele, mas totalmente isolado do contexto ali, e totalmente diminuído diante da posição que ele ocupa, né. Ele estava longe do poder, digamos, naquele momento.
E eu aproveito essa cena que eu ouvi do evento pra falar do Davi Alcolumbre, que é o que eu quero falar nesse bloco. Na verdade, é um bloco que a gente vai falar do TSE, mas eu vou sequestrar o bloco nesse momento. Eu quero pegar essa cena dele isolado ali e falar de um novo momento do Davi Alcolumbre.
Eu acho que a gente pode entender a rejeição ao Messias como um turning point, assim, dentro da narrativa política atual, né? Porque foi o ponto mais baixo do governo, foi o ponto mais alto do Davi Alcolumbre, talvez tenha sido o ponto mais alto do Flávio também, e a partir disso o jogo começou a virar, e começou a virar inclusive para o Davi. Tem uma frase do Hegel, vocês me perdoem, que o ponto mais alto que algo pode alcançar é aquele em que começa o seu declínio.
Pois é, Hegel já tinha antecipado. Hegel já conhecia o Alcolumbo. Exato. Eu faço as citações escolares aqui e o Celso entra com a inteligência. Muito bom. Não, eu tô com a escolhão baçã.
Outra cena que aconteceu na posse do Cássio, que eu acho que ajuda a compor isso que eu quero contar, foram os aplausos ao Messias, né? Que foi aplaudido durante um bom tempo e o Davi não aplaudiu. E aí, o Messias não foi aplaudido porque as pessoas gostavam dele, ou, enfim, estavam sentindo pesar pelo fato de ele ter sido rejeitado, ou pela pessoa dele. Aquele aplauso não foi pessoal.
Mas houve um consenso naquele momento da rejeição de que o Senado foi longe demais, né? De que o Davi Alcolumbre foi longe demais. E esse consenso se revelou naquelas palmas, de certa forma, né? O Davi Alcolumbre é um vereador que...
Enfim, por uma coincidência, uma fatalidade do destino está comandando o Congresso Nacional. Eu não estou querendo aqui fazer nenhuma alusão pejorativa aos vereadores, entendeu? A ótimos vereadores no Brasil, mas ele é um cara da política paroquial, né? Dessa negociação dos bastidores, desses acordos espúrios. Ele se preocupa até com indicar o porteiro do Senado. Então, vocês imaginem os grandes cargos.
Mas ele não é o cara das grandes cortes, né? Dessa encenação política que a gente já viu tantas vezes, né? Então, por isso, é esse comportamento dele durante a posse do Cássio, né? De ele não saber se colocar nessas situações de encenação, né? É, e acho que ele tava constrangido, né?
Eu não sei se existe constrangido no vocabulário dele, mas ele acuado, ele com certeza estava. E acho que deve estar temendo pelo celular do Vorcaro também. Exato, exato. Porque olha o que ele fez, né? Ele rejeitou o Messias, aí ele anunciou um rompimento com o governo em off.
Depois de ter jogado aquela bazuca, que era a rejeição, depois de ter negado o convite para a solenidade lá no palácio, ele desprezou, na verdade, o governo, como se o governo de fato tivesse acabado, né? E é um distanciamento político tão radical que ele fez, com todos esses atos encadeados, que você só faz se você realmente tiver certeza que você não vai mais precisar daquela turma nunca mais, entendeu? Então, assim, ele se posicionou muito cedo no tabuleiro ali, muito cedo. E aí
E assim, sete dias depois, a casa caiu. Primeiro, o Ciro, né, que caiu na semana passada, que é um prenúncio do que pode acontecer com ele. Depois, esses aplausos que ele teve que engolir pro Messias. E agora, o que pode vir do celular do Vorcaro e o que pode vir de outra coisa.
que ele teme bastante também, que é a delação do Beto Louco, que é esse personagem que a gente fala aqui de vez em quando, que é o cara que pode delatar o centrão, né? O cara da máfia de combustíveis e tal. O Beto Louco, a Piauí já fez várias reportagens sobre os negócios dele, né? Mas tem uma reportagem específica que o Breno Pires e o Arthur Guimarães...
fizeram, que mostra a atuação dessa turma no Amapá, estado que estava recebendo a entrada de produtos importados com menos imposto e a percepção, digamos, generalizada de que para você conseguir usar esse corredor do Amapá para importar seus produtos, você tem que pagar dinheiro para bastante gente, para ter esse benefício que é você importar por meio do Amapá.
E é o que o Beto Louco fazia com as empresas dele de insumos do petróleo. A Piauí já publicou reportagens sobre isso, mostrando como que funcionava esse corredor da Amapá. Como o Antônio Rueda, que é o chefão do União Brasil, está super enrolado nesse corredor da Amapá. Tem mensagens trocadas pelo Rueda com o Beto Louco falando sobre pagamentos.
E aí o Beto Louco queria delatar tudo isso que ele sabe no ano passado, logo depois que foi deflagrada a Operação Carbono Oculto, né? Ele queria delatar tudo que ele sabia. Ele fugiu antes da operação ser deflagrada, o que demonstra que ele tinha informação privilegiada. E começou o processo de delação. Um dos advogados dele era o Celso Villardi, né? Que foi o advogado do Bolsonaro. Agora o Celso Villardi saiu da defesa dele.
Bom, no ano passado, quando ele começou a negociar essa delação, a PGR não quis essa delação. E todo mundo se perguntou, né? Por que a PGR não quer, se o cara tem tanto para dizer? E aí, enfim, tem várias teses circulando por aí. Uma delas é que ele não quer revelar o elo dele com o PCC na delação e a PGR não vai aceitar se ele não revelar.
Outra tese que ela encontra respaldo nos fatos do momento, que é o fato de o Gonê estar sendo reconduzido para a PGR naquele momento, no final do ano passado, e precisar da aprovação do Senado para essa recondução. Então, como é que ele ia aceitar uma delação que dinamitava o Davi Alcolumbre e o União Brasil, ao mesmo tempo que ele precisava do Senado para se reconduzir? Então, por isso ele rejeitou, mas como ele foi reconduzido agora...
as conversas voltaram a acontecer. Então, assim, o Davi Alcolumbre está numa situação delicadíssima no celular do Daniel Vorcaro e no corredor do Amapá. E é um cara que agora, diante dessa mudança de clima e diante do que aconteceu com o Flávio, ele está numa posição muito diminuída dentro do Congresso, sendo que duas semanas atrás a gente chamou ele de Eduardo Cunha, que também acabou preso, né?
Muito bem, muito bem. O alcoolumbrismo de resultados está em apuros. Celso Rocha de Barros, deixa eu te ouvir para a gente dar sequência a esse terceiro bloco.
Pois é, Fernando, a expectativa geral com relação ao Cássio Nunes no TSS esse ano, o pessoal vai formulando em termos de dizer que seria uma atuação mais discreta do que a do Alexandre de Moraes, menos intervencionista, alguma coisa. Mas eu acho isso um jeito ruim de descrever as coisas, porque a questão do Alexandre de Moraes não é que ele fosse indiscreto ou excessivamente intervencionista. O problema é que tinha os caras querendo dar golpe de Estado.
durante a última campanha eleitoral. Então, aqueles caras lá que estavam na internet fazendo campanha contra as urnas eletrônicas, não eram só umas pessoas dando sua opinião. Eram umas pessoas tentando jogar a opinião pública para o lado que apoiasse um golpe de Estado. Então, assim, a questão da atitude pessoal do presidente do TSE na eleição não me parece um negócio muito relevante nesse caso, não. A questão é se os bolsonaristas vão se comportar dessa vez.
E sejamos honestos, alguém tem expectativa que isso vai acontecer? Eu não tenho. Só pra dar um exemplo, a Patrícia Campos Mello, que provavelmente é a pessoa que mais entende dessas coisas de fake news e manipulação eleitoral com internet, esse tipo de coisa no Brasil, publicou na Folha outro dia uma questão que na eleição argentina teve um problema dos deepfakes, né? Desses vídeos feitos aí com inteligência artificial e coisa que vale, contra candidatos, né? Então, por exemplo, uma delas mostrava o candidato peronista cheirando cocaína.
A questão aqui é que essas imagens eram divulgadas por perfis em tese anônimos. Em tese seria Cidadãos Comuns. Mas você nunca sabe se é ou se é uma conta fake criada por uma campanha, né? Porque, obviamente, se a campanha fizer, vai ter punição, vai ser suspenso. Mas o que você faz com uma conta anônima que sai divulgando um deepfake sobre os candidatos? Então, esse é o tipo de coisa que os bolsonistas estão contando que o Cássio Nunes não vai intervir muito.
Dizer, não, não, não, você é um carinha lá isolado fazendo, eu não vou me meter, mesmo que o negócio tenha 6 milhões de compartilhamentos. Então é um negócio bastante perigoso e para se prestar atenção na eleição desse ano. Porque o que os bolsonaristas estão querendo dizer com eu quero só que o TSE seja imparcial, que o TSE não se meta tanto, é que o TSE me deixe cometer um monte de crime.
É, e se você olhar o Nicolas, assim, o alcance que ele tem, se o Nicolas cometer um crime eleitoral e o TSE fizer vista grossa, é um dano imensurável, né? Com certeza. Ou esses grandes influencers, né? Enfim. Agora, o que a gente não pode deixar de comentar também é que, assim, se você for ver quem são os membros do Supremo nessa composição do TSE, você tem...
o relator, do caso Márcia, que é o André Mendonça, você tem o Cássio, cujo filho foi contratado pelo ecossistema Márcia por uma grana preta logo depois de tirar o AB, e você tem o Toffoli, do Tayhaya. Então, esse ano, a gente não pode ter a menor expectativa que o TSE não vai ser assunto na eleição, porque a delação do Vorkar se sair ou o acesso aos dados do celular do Vorkar se sair vai ser no meio da campanha.
Então pode apostar que esse pessoal todo do TSE vai ser assunto durante a eleição. Exato. E mais do que isso, pode ter conflitos pesados entre eles. Por exemplo, entre o Mendonça e o Toffa. Entre o Mendonça e o Cássio. Exatamente. Então assim, não tem a menor possibilidade de você não ouvir falar do TSE durante essa campanha como algumas pessoas achavam que aconteceria.
Muito bem, perfeito. A gente encerra então o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo na volta. Momento em que a diretora tripodia sobre nós outros. Já voltamos.
Tem história que termina quando você acaba de ler. E tem história que continua nos bastidores. A Piauí lança o Caderno do Repórter, uma newsletter mensal, exclusiva para assinantes, em que um jornalista relata em primeira pessoa os bastidores de uma reportagem ou de uma cobertura.
A pauta que mudou no meio do caminho, a entrevista que quase não aconteceu e tudo aquilo que não coube no texto final. Para receber, é só se inscrever e ser assinante Piauí. Caderno do Repórter. Porque toda boa história tem outra por trás. Oi, eu sou o Paulo Vítor Ribeiro. Falei, eu não tô chapada, eu não tô louca.
Essa semana no Rádio Novelo Apresenta tem uma história que mal dá pra acreditar. Uma tragédia imensa, da história recente, que muita gente não tem ideia que aconteceu. Falei, eu tava sonhando, eu tava vendo ele, eu vi ele. É uma história sobre mães, filhos e encontros. Alguns encontros, que desafiam a nossa ideia da realidade.
Tudo o que é espiritismo, trato com os espíritos, isso não é algo que se conte muito abertamente. O episódio Mães e Madres já está no ar em todos os tocadores de áudio. E na semana que vem teremos um episódio bônus, exclusivo para os assinantes do Clube da Novelo. A gente vai explorar os bastidores e mergulhar ainda mais nessa história.
Depois de ouvir o foro, vem escutar a gente. Rádio Novelo apresenta, toda quinta, histórias que você nem sabia que precisava ouvir. Muito bem, estamos de volta. A diretora já afiando aí os instrumentos. Pode soltar o Kinder Ovo, diretora.
A palavra tem origem no latim, senatus, conselho de sábios, idosos. E às vezes há uma confusão em relação à responsabilidade de um senador, não é? Ai meu Deus do céu. Nossa, parece até o Raul Gil, assim. Nossa, eu vou ficar com muita raiva quando vocês disserem, eu não vou acertar. Álvaro Dias, não. Acertei? Álvaro Dias? Uau! Uhul!
Não acredito. Eu tirei do Senatos essa. Arrasou. Caraca, não acredito. Ó, gente, é tão raro eu ganhar que... Pô, você tá ganhando direto. Ganhando direto. Ganhei duas. Esse ano você já ganhou várias. É que esse ano teve muitas que ninguém acertou.
Álvaro Dias, precandidato ao Senado pelo MDB do Paraná. Em entrevista à Jovem Pan News, que eu ouço diuturnamente para ganhar o Kinder Ovo. Bom, depois deste momento glorioso, vamos para o melhor momento do programa. Agora sim, correio elegante, momento das cartinhas, momento de vocês. E eu vou começar com uma mensagem que nos levou para um relatório impressionante. Vejam só, a mensagem foi do Vitor Mafra.
Ele diz o seguinte, o foro de Teresina é constante há oito anos no meu fone de ouvido. E há algum tempo, todas as sextas-feiras, me traziam a mesma dúvida. Quem é a pessoa campeã do momento Kinder Ovo? Esse fim de semana, matei a minha curiosidade, que virou o site. Daí é www.kinderovo.com. E nós entramos e o Vitor contabilizou...
todos os momentos Kinder Ovo, de todas as formações do foro, com um link para os resultados. Você consegue pesquisar, inclusive pelo político, que é mencionado, que é a figura que a gente tem que adivinhar. Eu vou contestar esse negócio porque vários eu ganhei, deixei passar, mas tudo bem. Era uma época que não tinha vários futebol brasileiro, os erros eram muito mais constantes e enfim, então, tudo bem. Mas vale então esse www.kinderovo.com www.kinderovo.com
Vitor, ficou muito bom e vai especialmente pelo gifzinho que tem em cima. Achei sensacional. Malu Gaspar, você que é a campeã do Kinder Ovo até agora. Um beijo pra você, Malu Gaspar.
Eu nem vou olhar direito, porque ainda bem que a minha autoestima não depende disso. Porque olha... Ai, socorro. A Cacau nos agradeceu de um jeito muito particular. Quero agradecer a vocês porque hoje, depois de ouvir esse episódio, minha crise de ansiedade passou. Percebi que meus motivos ansiosos eram pífios comparados com o que acabei de ouvir. Vocês são a minha sertralina. Cacau, que bom!
Eu não sei se eu devo dizer que bom. Vamos encarar com o meu elogio, né? Eu sou a sertralina de alguém. Olha, isso aí é um baita elogio. É o maior elogio que eu poderia... Coisa mais linda. A gente adora aqui os psicotrópicos, barbitúricos, todas essas substâncias. Não sei do que se trata. Não sei o que são essas coisas.
No YouTube, o arroba Lercosta01 complementou um comentário do Fernando da semana passada. Adorei a associação do Fernando sobre as pizzarias em homenagem a personagens. Então vamos lá. A CPI Casa de Pizzas Inacreditáveis apresenta um novo cardápio comemorativo.
Pizza conservadora, sabor mussarela. Não pode ter muita coisa diferente pra poder agradar seus avós, por isso não vai incriminar ninguém. Pizza xandão, saboralho frito com ovos cozidos inteiros. Sonho do centrão que acusaria somente o ministro. Nogueira fedido, sabor gorgonzola com nozes. É aquele que acusaria somente o Ciro, funcionário do Vorcaro.
Pizza Master, sabor x tudo o que pegaria todo mundo envolvido um sonho de sabor duvidoso mas que todo brasileiro de verdade gosta e muito pouco provável de acontecer parabéns pelos programas maravilhosos e um grande abraço pra vocês que são fontes de informação e um fio de esperança pra gente pô ler Costa 01 valeu mesmo, ficou muito bom pizza de ovo do Alexandre de Mora
Se der tudo errado, a gente vai abrir a pizzaria do foro. Vocês já imaginaram o Celso de pizzaiô? Coisa mais linda, vai dar certo. Pô, muito bem, muito bem.
Muito bem. O que é bom dura pouco, o que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita, na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. Foros Teresina é uma produção do Estúdio Novelo pra revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira.
A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. Identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola.
O programa de hoje foi gravado aqui na minha showbana em São Paulo, na confraria de sons e charutos do Guto Escobar, também em São Paulo e no estúdio Rastro do Dani D no Rio de Janeiro. E despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Até semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem. Tchau, Ana.
piaui
assinaturaVolkswagen Caminhões e Ônibus
trabalho escravo