A derrota de Lula e a farra da tigrada
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a derrota do governo no Senado com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo, movimento liderado por Davi Alcolumbre que expõe a perda de força política de Lula e se conecta aos desdobramentos do caso Master. No segundo bloco, os jornalistas discutem as implicações dessa derrota para o cenário eleitoral e o risco de reconfiguração do Supremo em meio ao avanço da direita. No terceiro bloco, os jornalistas tratam da viagem de autoridades como Hugo Motta e Ciro Nogueira em avião ligado a um empresário investigado por envolvimento com bets, caso que levanta suspeitas apuradas pela Polícia Federal.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft110
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- Cenário de Lula reeleito com Senado bolsonaristaRejeição de Jorge Messias · Davi Alcolumbre · Perda de força política · Caso Master
- Eleições e PolíticaCenário eleitoral · Reconfiguração do Supremo
- Viagem de autoridades e investigaçãoHugo Motta · Ciro Nogueira · Polícia Federal
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Rádio Piauí. Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. Votaram sim 34 senadores e senadoras. Votaram não 42 senadores. Foi rejeitada a indicação.
Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda. Oi, Fernando. Oi, pessoal. Sou totalmente contra o aborto. Absolutamente. Da minha parte, não haverá qualquer tipo de ação de ativismo em relação ao tema aborto na minha jurisdição constitucional. Diga lá, Celso Casca de Bala.
Fala aí, Fernando. Estamos aí. Mais uma sexta-feira. Toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso. Mais uma sexta-feira. Antes dos assuntos da semana, eu quero agradecer, em nome do foro e da equipe da Piauí, a acolhida que a gente teve no primeiro foro de Teresina ao vivo, no Paço do Frevo, no Recife, no último sábado. Foi realmente um acontecimento, né, turma?
Foi demais, gente. Assim, a gente ficou muito feliz. Nossa, gente. O lugar é incrível, maravilhoso. As pessoas super engajadas ali no programa. Foi muito legal.
Não, foi maravilhoso mesmo. O passe do Frevo é lindíssimo. Assim, recomendo a todo mundo que for a Recife que visite. O pessoal de Recife foi muito gente boa com a gente. Tinha gente de João Pessoa, gente de Maceió. Realmente foi muito legal mesmo. Muito legal. O nosso próximo encontro ao vivo será na Feira do Livro, no dia 30 de maio, sábado, em São Paulo. A gente vai dando mais detalhes nas próximas semanas. Agora sim, vamos aos assuntos dessa semana. E que semana?
A gente abre o programa pela derrota que o Senado impôs a Lula ao rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O nome do advogado-geral da União, escolhido por Lula ainda em novembro do ano passado, foi derrotado de forma contundente pelos senadores liderados pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Foram 42 votos contra a indicação e apenas 34 a favor. Eram necessários 41 votos para que Messias se tornasse ministro do Supremo na vaga que foi aberta com a saída de Luiz Roberto Barroso. O governo trabalhava com uma projeção apertada a favor de seu indicado e foi surpreendido pela manobra que juntou boa parte do centrão à direita bolsonarista.
Horas antes da derrota em plenário, o placar na Comissão de Constituição e Justiça, de 16 a 11 a favor de Messias, já indicava um cenário pouco promissor. Ao Colombre, como se sabe, não havia engolido o fato de Lula ter preterido o senador Rodrigo Pacheco, seu antecessor na presidência da Casa. Lula optou por um nome de sua confiança, prevaleceu, como se diz, o critério da lealdade.
o mesmo que havia vingado nas escolhas de Flávio Dino e Cristiano Zanin. O ambiente, porém, mudou. Se a opção por Messias era ruim, e era, a sua rejeição é bem pior e aponta para um horizonte sombrio. O resultado da votação...
A derrota por lavada do governo é sintoma da erosão de expectativa de poder. Os senadores não teriam embarcado no jogo de Alcolumbre e se sentissem Lula como franco favorito à reeleição. O presidente do Senado já teria se comprometido, inclusive, a segurar a vaga para depois das eleições, o que reforça essa percepção. O país corre o risco de eleger Flávio Bolsonaro e ver uma Suprema Corte composta à imagem e semelhança do bolsonarismo.
O que significa o fim da democracia, nada menos do que isso. O Celso vem batendo nessa tecla há algumas semanas. Há, além disso, o caso Master. A Columbre, como se sabe, está envolvida até o pescoço no escândalo. Como ele, parte significativa do Centrão e ministros do próprio Supremo. A Columbre teria oferecido a cabeça de Messias em troca de um acordo para tentar barrar as investigações no âmbito do Congresso. A PF, no entanto, segue investigando o caso.
Resta saber, entre outras coisas, como reagirá André Mendonça, evangélico como Messias, que também foi derrotado. No segundo bloco, a gente continua com esse assunto, jogando luz sobre a questão do aborto, que esteve no centro da sabatina de Messias. O candidato usou a sua posição conservadora sobre o tema para tentar conquistar o apoio entre os senadores.
Não rolou, mas as concessões a respeito dessa pauta vão muito além da sabatina. Movimentações recentes no STF, pareceres da AGU e da Procuradoria-Geral da República e ações do Conselho Federal de Medicina, esse antro do obscurantismo, mostram uma ação consertada contra o aborto legal, bandeira política da extrema direita.
A Ana Clara traz uma apuração exclusiva sobre esse assunto. A visão do Conselho Federal de Medicina tem ganhado espaço no Supremo e isso é bem grave. Por fim, no terceiro bloco, a gente fala da viagem do presidente da Câmara, Hugo Mota, com o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas. No jatinho de Fernando Oliveira Lima, o Fernandinho Oigê, personagem equívoco do submundo das Betes.
que já foi esquadrinhado pelo João Batista Júnior na Piauí. O voo em questão saiu da ilha de São Martinho, paraíso fiscal no Caribe, pousou em São Roque, no interior de São Paulo, na noite de 20 de abril de 2025, há pouco mais de um ano. Veio à tona agora porque a Polícia Federal investiga irregularidades no desembarque de bagagens que não passaram pelo raio-x.
como ocorre com qualquer cidadão comum, mas não com esses cidadãos de bem. Além de Hugo Mota e Ciro Nogueira, estavam no voo, vejam só, os deputados Doutor Luizinho, do PP do Rio de Janeiro, e Esnaldo Bulhões, do MDB de Alagoas. Estava também o ex-vereador de Teresina, Vitor Linhares, alvo de uma operação que investiga a ligação entre o crime organizado e o setor de combustíveis. Além dessa turma da pesada, também estava no aviãozinho o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta.
Aquele condenado pela Lava Jato do Rio de Janeiro, o mesmo da farra dos guardanapos de Sérgio Cabral. É isso, vem com a gente!
Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Muita coisa para se falar. Você pode começar pelo relato aí, pela sua apuração do que ocorreu nessa quarta-feira, pelos desdobramentos. Te deixo à vontade para organizar aí o seu relato. Socorro.
Bom, eu quero começar primeiro me defendendo de mim, né? A gente tá gravando esse programa horas depois do ocorrido. Ainda tem muitas versões circulando sobre os fatos. Muita gente ávida pra comprar versões. Muita gente ávida pra emplacar versões. Então assim, só conforme os dias forem passando que as informações checadas e rechecadas e confirmadas vão aparecer, né? É muito difícil você ter exatamente o que aconteceu tão rápido. Então...
Me defendendo de mim, começo. Eu queria começar pelo que já sabemos aqui e já falamos aqui, nós e toda a torcida do Flamengo, time de vocês aqui, dessa insatisfação do Senado com o nome do Messias, né? O Senado queria o Rodrigo Pacheco desde o princípio, por algumas razões que se tornaram mais...
urgentes conforme o escândalo do Master foi transcorrendo. Primeiro, o Senado queria indicar o Rodrigo Pacheco porque era um cara da casa e o Senado achava que o Lula devia isso para eles, porque eles seguraram vários rojões para o governo, eles atuaram de maneira alinhada ao governo nos processos tanto econômicos quanto relacionados ao Bolsonaro e eles achavam que o governo tinha essa dívida com eles.
E o Supremo também via o Pacheco como um nome, digamos, consensual, né? Um nome de acomodação, talvez essa seja a melhor palavra, que acomodava vários interesses ali, né? O interesse do Senado, ou seja, que a oposição não faria uma crítica a essa indicação.
O centrão, a direita e até mesmo a esquerda não tem nada muito forte contra o Rodrigo Pacheco. Pelo contrário, até segundo momento, se nada acontecer até agosto, ele seria o candidato do governo ao governo de Minas. E o próprio Supremo manteve uma ótima relação com ele quando ele foi presidente do Senado.
Só que isso é a radiografia do ano passado. Quando o Master aconteceu, tem uma movimentação muito contundente da classe política pra matar esse inquérito que tá rolando com o André Mendonça.
E conforme o André Mendonça foi se movimentando nesse inquérito, ele foi dando indícios de que ele não vai poupar o Supremo nessa história. Ele agiu de uma forma não a demonstrar que ele vai, ele próprio, ser o autor de qualquer coisa que prejudique o Alexandre de Moraes. Mas ele também não vai impedir. E o Dias Toffoli, né?
Nem o Dias Toffoli, mas nesse caso, Fernando, verdade seja dita, o Dias Toffoli não tem, hoje, falando do jogo de como estão as peças no Supremo, quem tá tocando isso é o Alexandre de Moraes. O Dias Toffoli tá sendo levado a reboque, ele tá sem condições políticas e de articulação pra fazer qualquer coisa.
Não, eu digo só pra gente não esquecer que existe um tai-ai-ai no meio do caminho, no meio do caminho existe um tai-ai-ai. Claro, é só que é o Alexandre que tá liderando o movimento no Supremo. Perfeito, perfeito. O Alexandre e o Gilmar, né, no caso, por razões diferentes. O Alexandre porque ele quer sobreviver e o Gilmar porque ele acha que esse escândalo vai ser ruim pra instituição. E aí, indiretamente pra ele próprio, né, claro.
Então, quando o governo decide indicar o Messias, mesmo sabendo dessa contrariedade, e o Messias usa muito essa carta do evangélico para tentar conseguir apoio, né?
Se aproxima do André Mendonça, que também foi a AGU, né? Aliás, eles têm essa mesma origem, né? Coincidência. Também foi a AGU do Bolsonaro. Ele se aproxima do André Mendonça. E isso, hoje, é a preocupação número um do Davi Alcolumbre, do Hugo Mota, do Alexandre de Moraes.
de todas as lideranças políticas, é o master, né? É o que vai sair na delação do Daniel Vorcaro, qual reação vai provocar a delação dele nas forças políticas. Esse é o retrato do Brasil quando o Lula fala não me importa que vocês queiram Rodrigo Pacheco, eu quero que vá o nome do Messias.
E quando o Lula faz isso, ele está partindo de uma premissa histórica de que, já que é prerrogativa do presidente, uma vez que o presidente indica, esse nome é aprovado, que é o que aconteceu ao longo dos anos. O Lula acha, bom, eles vão ficar contrariados, ok, mas vai passar.
Até a gente falou aqui no foro há algumas semanas, o próprio Valdemar declarou publicamente, não, vai passar. E de fato ia passar. Só que conforme as coisas do Daniel Vorcaro foram se agravando, outras articulações foram sendo feitas ao longo do caminho.
para chegar no resultado que a gente teve agora. E foram articulações muito recentes. Então eu vou tentar dividir em partes para não ficar muito confuso. Eu acho que o protagonista dessa história é o Davi Alcolumbre, por razões paroquiais, mas também por razões conjunturais. Ele próprio está envolvido no escândalo do Master, seja por meio do fundo de previdência do Amapá, que familiares dele tocam e investiram dinheiro no Master e perderam esse dinheiro.
seja pela Carbono Oculto, que é aquela operação sobre a máfia dos combustíveis e como ela se associava com a Faria Lima. O Beto Louco, que é um dos operadores que era responsável por esse esquema e que está foragido, entregou uma proposta de delação denunciando várias pessoas e citando, inclusive o Davi Alcolumbre. Tem um caso específico que a Piauí publicou em que eles pagaram um show do Roberto Carlos.
para o Davi Alcolumbre no Amapá, em troca de uma decisão favorável na ANP, na Agência Reguladora do Setor de Combustíveis. Essa proposta de delação não foi aceita pela PGR até agora. Recentemente, um assessor do Davi Alcolumbre, a Polícia Federal, divulgou ali uma operação contra ele em que pegou ele com um monte de dinheiro vivo.
O Davi Ocolumbre, enfim, eu não vou ficar me estendendo muito sobre ele. Vocês podem ler sobre ele no perfil que a Piauí publicou no mês passado. Da Camille Lichotte e do Alan de Abreu. Excelente. Excelente mesmo. Tá esquadrinhado tudo ali, né? O modus operandi, como ele age. Quais são os interesses que movimentam as decisões dele, né? Toda a imoralidade de um cara que ocupa a posição que ele ocupa nesse momento. É um gangster.
Falo eu, não é o que está escrito. É um gangster do Centrão que foi alçado à condição de presidente do Senado e foi visto na ocasião como a opção menos ruim, né? Um possível aliado de ocasião do governo, dadas as circunstâncias bastante desfavoráveis, e está aí, é um gangster.
Exato. Então, ele é o protagonista dessa história, porque ele assumiu pra ele, por interesses particulares e por interesses da Casa, do Senado, essa função de derrubar o Messias. E aí ele teve colaboradores, cujo peso a gente ainda não consegue dizer ao certo. Então, assim, o Alexandre de Moraes seria um desses colaboradores.
O Davi Alcolumbre e o Alexandre de Moraes têm uma boa relação há bastante tempo. O Davi Alcolumbre sempre barrou tudo que o PL quis fazer contra o Alexandre de Moraes no Senado, ele barrou prontamente. Quando o escândalo do Master veio, o Davi Alcolumbre disse logo de cara que nada ia acontecer este ano contra o ministro do Supremo no Senado.
eles têm uma relação, digamos, próxima. E dentro dessa questão do Master, eles caminham juntos, né? No sentido de matar esse inquérito. E de avaliar que o trabalho do André Mendonça vai contra o que eles querem nesse aspecto, né? A gente já falou aqui algumas vezes que, inclusive, tem uma questão de atingir o próprio governo, mas o André Mendonça também quer que atinja o Supremo. Sim, todas as sinalizações do André Mendonça haviam sido, pelo menos até agora, nessa direção.
Bom, então essa posição do Alexandre de Moraes é vista como, digamos, importante para essa articulação toda contra o nome do Messias, mas não se sabe ao certo o que ele fez, quantos votos ele converteu. Ele pessoalmente negou qualquer atuação, foi procurado pelo Estadão e mandou uma nota dizendo que não falou com ninguém e tal. Mas antes da votação ele fez um jantar em que ele convidou o Davi ao Columbre e várias pessoas do Centrão para a casa dele. O jantar não era para o Davi, né?
E tinha pessoas do governo no jantar, etc. Mas nesse jantar, segundo a coluna da Mônica Bergamo, o Davi já teria falado que eles iriam derrubar o Messias em rodas nesse jantar. Tem uma outra questão, que é o próprio Messias. Ele teria... E aí
segundo as fontes com que eu conversei, garantido para o governo que ia dar, que ele ia conseguir esses votos. Que ele, nesse beijamão que eles fazem, né? Ele próprio tinha contabilizado que ele teria os votos. Que o governo poderia mandar para o Senado que ia dar certo. Então, essa proatividade dele, essa convicção dele de que daria certo, teve um certo peso, né? E o Davi Alcolumbre, ele agiu de uma forma muito ambígua.
O que dificultou pro governo se defender. Porque assim, o Davi Alcolume poderia ter falado abertamente, ó, não adianta vocês mandarem, não vai passar. Ele poderia ter falado isso. Porque era o que ele estava falando nos bastidores. Só que ele não falou isso pro governo. Ele dava declarações ambíguas na relação com o governo. Ou então não recebia, não conseguia receber o Guimarães e tal. E aí isso…
Deixou o governo também achando que podia conseguir chegar no laço, sabe? Conseguiu os votos bem ali no limite, mas conseguiu os votos. Um outro ponto importante. Dentro do governo, tem um cheiro de traição em relação ao Jax Wagner no Senado. O que acontece? O Jax Wagner, ao dar retorno para o Lula sobre essa articulação, teria dito para o Lula que eles estavam com os votos.
Só que quando você olha as cenas da votação, e essas cenas estão sendo divulgadas aí, o Jax Wagner tá ali interagindo com o Davi Alcolumbre, assim como se ele fizesse parte daquela turma ali, entendeu? Perguntando quantos votos. E no vídeo da votação, o Davi Alcolumbre fala pro Jax Wagner que o governo vai perder por oito.
O Jacques Wagner recebe essa notícia placidamente, até quase rindo, dá um tapinha nas costas e sai, como se fosse membro daquela própria confraria, entendeu? E não alguém que estivesse representando os interesses do governo. Então existe um cheiro ali dentro do governo, né? De traição mesmo, assim. Há uma percepção de que o Jacques Wagner não foi fiel ao governo e sim ao Senado, nesse aspecto.
E tem ainda o Flávio Dino, que também nega ter feito qualquer articulação, mas o governo recebeu informações nos bastidores de que a suplente do Dino no Senado teria votado contra o Messias, teria dito nos bastidores que votaria contra o Messias, na verdade.
E aí, por último, qual que seria a lógica? Você pensar como é que o Alexandre de Moraes ou ministros do Supremo estariam concordando com uma articulação para vetar este nome e correr o risco de essa vaga ficar para um próximo governo que talvez seja um governo do Flávio Bolsonaro. Que lógica explicaria que o Supremo fosse parceiro dessa articulação?
A explicação para isso, segundo as pessoas com quem eu conversei, é que aí que entra o Flávio Bolsonaro na história. O Davi Alcolumbre teria tido conversas com o Flávio, buscando uma composição para ele continuar na presidência do Senado, caso o Flávio ganhe, ou seja, a partir do ano que vem, porque a partir do ano que vem teria uma nova eleição para a presidência do Senado.
E todo mundo sabe, é público e notório, que o Rogério Marinho seria o candidato da direita para assumir o Senado. Isso é o que eles sempre quiseram. Mas que o Davi teria condicionado essa atitude que ele teve, ou seja, ele daria de presente uma vaga no Supremo para o Flávio caso ele ganhe, se o Flávio se comprometer a apoiá-lo. E aí, com isso, ele garante para o Alexandre que ele não vai pautar o impeachment do Alexandre ou de qualquer ministro do Supremo num governo Flávio.
Seria esse o encerramento do ciclo dessa operação que impôs essa derrota pro governo. E pro governo hoje falar, ah, então era o Pacheco que vocês queriam, então agora eu vou indicar o Pacheco. Não, entendeu? Porque daí já ficou humilhante demais. Então o governo não vai indicar um novo nome. Já tá claro isso. Você acha que eles não vão indicar ninguém e vão aceitar perder a vaga?
Porque diante da situação, se você indica um outro nome já, você tá muito fraco, entendeu? O que aconteceu foi uma situação de fraqueza extrema e que você corre o risco de perder de novo e aí só piorar a situação, entendeu? Então assim, o cenário hoje é de não indicar ninguém até a eleição.
Isso pode mudar ao longo das próximas semanas. O que me chama atenção nesse resumo que você fez também é a delicadeza, a dificuldade desse acordo que contempla ao mesmo tempo os interesses do Flávio Bolsonaro e da direita bolsonarista e do Alexandre de Moraes. Alguém vai ser traído no meio do caminho, claramente. Isso mostra um pouco onde estamos pisando. Agora Celso.
Pra te colocar na conversa, fragilidade do Lula, né? Isso expôs um pouco o momento, o que a gente já vem falando, o momento ruim. Não quer dizer que o Lula não é um candidato competitivo, ele é sim um candidato competitivo, mas esse episódio é ruim. Bem ruim.
Então, Fernando, pro governo é péssimo, né? Quer dizer, você dá uma impressão de governo já no final meio pato manco, né? Sem condição de fazer as coisas. Eu discordo de quem acha que isso é indicativo pra eleição. Isso eu acho que não. Sejamos honestos, assim, se você for agora ali na Central do Brasil perguntar pras pessoas o que você acha da rejeição do Messias, acho que ninguém nem viu isso, ninguém tá prestando atenção.
Não, eu concordo com você, mas isso é mais como uma percepção. Os senadores não queimam dinheiro, pelo contrário, né? Exato, exatamente. Mas, inclusive, se os aliados políticos do Florizão tiverem uma boa leitura política do caso, também não vão interpretar isso como sinal de fraqueza eleitoral. É um sinal de fraqueza do governo no momento para provar as coisas que ele quer. E o Lula, obviamente, pode perder a eleição por outros motivos, mas não porque, enfim, o Messias não foi indicado para o STF.
Bom, o que a Ana falou até agora é a melhor explicação que eu vi até agora sobre isso. E eu acho que esse processo todo, a rejeição do Messias, é fruto de dinâmicas diferentes que têm marcado a política brasileira recentemente. Primeira dinâmica, o master, né? Então, como a Ana disse, se você for procurar, que assunto une Flávio Bolsonaro e Alexandre Moraes, o banco master?
A direita está pesadamente envolvida com o Banco Máster, Alexandre de Moraes está pesadamente envolvida com o Banco Máster, e caso se confirme a manobra do Jacques Wagner contra o Messias, o PT da Bahia é basicamente o único ponto de contato da esquerda com o Banco Máster. Então, o Máster teria desempenhado um papel gigante nesse negócio. Para o pessoal que vem dizendo assim, por exemplo, isso me lembrou das semanas do impeachment, gente, o impeachment...
era a classe política pressionando a Dilma porque ela não conseguia matar a Lava Jato. Então isso pode ser perfeitamente também ser pressão da classe política para o governo, para todo mundo, dizendo matem esse escândalo do Master, porque se começar a fuçar esse negócio, vai ser muita gente. Como disse a Ana, é difícil ainda a gente pesar precisamente o peso de cada fator, né? Nesse aspecto.
mas que a história do Master teve relação com isso, me parece bem claro, pelos agentes envolvidos. E principalmente por essa aproximação entre bolsonarismo e Alexandre de Moraes, que eu realmente não imagino um outro assunto em que eles teriam interesses comuns para fazer uma aliança.
A segunda dinâmica recente da política brasileira que tem influência nessa rejeição do Messias é o enfraquecimento progressivo do poder executivo. A gente já falou aqui várias vezes, desde o segundo mandato da Dilma, o Congresso tomou para si um monte de prerrogativas que eram do executivo. O orçamento é o caso mais óbvio. A proporção do orçamento, que passou a ser composto de emendas parlamentares, é um escândalo. Inclusive, você está animado a votar para o presidente, dizendo, vou votar no cara, vai fazer um monte de coisa. Não vai. Eu não sei quem vai ser o presidente, mas sei que ele não vai fazer um monte de coisa.
que não vai ter dinheiro para ele fazer, uma grande parte do dinheiro vai para a emenda parlamentar. E não foi só isso que o Congresso vem fazendo. No começo do governo Lula, quando o Lula estava montando o governo dele, o Congresso foi lá e mudou as atribuições de ministérios. Não sei se vocês lembram disso. Eles se intrometeram na formação da estrutura ministerial, que nunca tinha acontecido. E agora...
Cá entre nós, o Alcolume está querendo que o Senado indique o ministro do STF. Não é que o Messias foi derrubado. Pelo que a gente está entendendo até agora, qualquer um que não fosse o Pacheco, o Alcolume iria trabalhar contra. O Alcolume não está exercendo sua atribuição constitucional de vetar o indicado pelo Poder Executivo, que é direito do Senado. O Senado tem o direito de vetar. Cá entre nós já devia ter vetado muito mais gente que entrou para o Supremo, né, gente? Pelo amor de Deus.
O Messias está muito, muito longe de ser o pior cara que já foi indicado para o Supremo, certo? Inclusive, se tivesse entrado para o Supremo, estaria muito, muito longe de ser o pior dos ministros. Agora, o que o Colombo fez não foi só vetar uma indicação do executivo, ele exigiu que fosse o cara dele.
E tudo isso é muito ruim para o próprio Pacheco, porque demonstra que ele seria um cara do acordão, né? Exato. Não um cara de cumprir o seu papel. Exatamente. Então, uma coisa que já está clara, é que ao contrário do que a Constituição determina, essa vaga de ministro do STF não vai ser preenchida pelo cara que teve a maioria dos votos em 2022, como a lei determina. Vai ser preenchida ou pelo cara que tiver mais votos em 2026, caso a indicação fique para o próximo mandato.
ou pelo presidente do Senado, que não tem atribuição constitucional de indicar ministro para o Supremo. Então, assim, é um caso de deterioração institucional mesmo isso aqui. Não é tratar só como se fosse, o Lula perdeu, o outro ganhou, não sei o que lá. Isso é um problema institucional sério, isso é um precedente bastante grave. Perfeito.
E inclusive, por exemplo, o bom do Moro é que ele é um fascista burro, então ele fala em voz alta o que os fascistas inteligentes fazem na enculha. Então ele falou durante a sabatina que ele achava que a vaga devia ficar pro próximo mandato, né? Que é o que os outros bolsonaristas também estavam tentando, mas ninguém falava em voz alta, né, cara? Porque é feio. E aí fica a minha pergunta pro Moro.
O Gilmar Mendes deve se aposentar em dezembro de 2030. Pelo menos essa é o limite para ele se aposentar pela idade. Vai ser o último mês do próximo mandato presidencial. O Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente, se compromete a deixar essa vaga para o presidente seguinte? Imagino que não. E antes de que pareça que seja uma questão teórica, foi exatamente isso que aconteceu nos Estados Unidos. Sim, isso é importante. Com o Obama.
No último ano do governo Obama, o Obama indicou o Merrick Garland para uma vaga que abriu na Suprema Corte quando morreu um juiz conservador. Os republicanos não deixaram nem sabatina. Falaram, não vai ter nada, ninguém mexe nisso. Vamos deixar o Trump preencher essa vaga quando ele se eleger. Foi isso que aconteceu. Não teve nem a argüição do Merrick Garland. E quando o Trump assumiu, ele indicou um outro cara e o Congresso confirmou.
Aí você vai dizer, tá bom, então a regra agora é que se for no último ano, fica pro próximo. Não, porque no último ano do mandato do Trump, morreu uma juíza democrata, o Trump indicou outro cara e o Congresso aprovou na maior alegria. Então assim, ninguém acredita que isso é uma questão de princípio, que enfim, será que não é melhor se for no final do mandato? Isso é tudo sacanagem, isso é tudo muito treto.
E como consequência do Trump ter conseguido uma maioria na Suprema Corte, graças a essa maracutaia, a composição republicana do Supremo restringiu o direito ao aborto, derrubou a decisão que legalizava o aborto em nível nacional, agora ficou para os estados e vários estados proibiram o aborto. E essa semana, cara, a Suprema Corte americana tomou uma decisão gravíssima. Ela quebrou um dos principais princípios que sustentavam o Voting Rights Act.
que foi a decisão que proibiu a segregação racial no voto nos Estados Unidos, que proibiu medidas que dificultassem o voto dos negros, principalmente no Sul, que é onde isso acontecia com mais frequência. Então, essa semana, a Suprema Corte barrou um mapa de distritos eleitorais da Lusiana. Os Estados Unidos têm voto distrital, então os deputados são...
são eleitos por distritos. E a gente já falou aqui algumas vezes que o desenho desses distritos é sempre uma sacanagem sem limites, né? Quer dizer, os caras desenham o negócio para favorecer um ou outro. E nesse caso, o que tinha acontecido é que a Lusiana tinha acrescentado mais um distrito, na hora de redesenhar, que ficava dois distritos de maioria negra.
Então, passou a eleger dois parlamentares negros. Os caras que entraram com essa ação na Suprema Corte americana, eles se identificam como não African Americans. Eles são o quê? Vamos lá, chutem aí vocês. Eles são esquimossas, o quê? E eles entraram com um pedido lá na Suprema Corte, pedindo para derrubar esse mapa eleitoral, e a Suprema Corte derrubou.
Então, a Luziana vai voltar a ter um distrito negro só. Porque uma das estratégias para melar o voto das minorias é você dissolver o voto das minorias em vários distritos em que elas ficam sempre minoritárias. Então, se você tem um cinturão ali onde só mora negro, você bota cada pedaço desse cinturão como uma minoria num distrito onde tem mais branco. E assim vai matando a chance de eleger uma minoria.
Isso acabou de acontecer nos Estados Unidos só porque houve essas maracutais todas em indicação de ministro da Suprema Corte. Então, assim, agora se o Flávio tiver o direito de indicar essa vaga, ele já tem tudo pra terminar o mandato com a maioria do Supremo. Enfim, quem quiser achar que não tem risco isso, continua fazendo o que tá fazendo.
Muito bem, a gente encerra então o primeiro bloco do programa por aqui, fazemos um rápido intervalo, na volta nós continuamos falando do Supremo e da questão do aborto, já voltamos.
Tem história que termina quando você acaba de ler. E tem história que continua nos bastidores. A Piauí lança o Caderno do Repórter, uma newsletter mensal, exclusiva para assinantes, em que um jornalista relata em primeira pessoa os bastidores de uma reportagem ou de uma cobertura.
A pauta que mudou no meio do caminho, a entrevista que quase não aconteceu e tudo aquilo que não coube no texto final. Para receber, é só se inscrever e ser assinante Piauí. Caderno do Repórter. Porque toda boa história tem outra por trás.
Oi, pessoal, aqui é a Stephanie Roque, editora da Companhia das Letras e apresentadora da Rádio Companhia. Eu quero te convidar para ouvir os episódios deste mês da rádio. Tem um bate-papo super legal com a Raquel Toledo e a Cecília Rosa sobre o escritor russo Dostoyevsky. É um episódio para quem já leu e para quem quer se aventurar na obra dele.
Tem também uma conversa sobre escrita criativa com Marília Garcia e Roberto Tadei, onde eles falam sobre como e por que escrever. Além disso, eu conversei com a Fabiane Sex, Natercia Pontes e Fabiane Guimarães sobre os seus novos lançamentos. Está um mês incrível para quem gosta de livro, então quando acabar aqui, eu te espero lá.
Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vou passar para você, que tem uma apuração a respeito da movimentação no Supremo, no próprio governo e na Procuradoria Geral, a respeito da questão do aborto, tentando consagrar esse retrocesso que está em curso.
É, estamos falando do aborto legal, não do aborto. Do aborto legal, sim. Não é da expansão do direito do aborto. A gente tá falando justamente da tentativa de solapar… O direito que existe. O direito ao aborto legal.
Eu queria começar, Fernando, pegando uma reflexão que o Celso fez no final da fala dele agora, sobre essa mudança na composição do Supremo, que num hipotético governo Flávio, a gente poderia ter então o Supremo de maioria conservadora. Eu discordo porque eu acho que a gente já tem um Supremo de maioria conservadora.
É só que ele se movimenta ao sabor das circunstâncias e acaba que, numa situação como o governo Bolsonaro, por exemplo, o Supremo acabou adotando uma postura de freio àquilo tudo. Mas eu não acho que isso signifique...
que é um supremo de maioria progressista, ou de maioria liberal, o que seja, né? As próprias indicações do Lula, o Cristiano Zanin não é um cara conhecido pela sua visão progressista ou liberal, de qualquer forma. O Flávio Dino, mais ou menos. Eu não sei, eu não acho que Alexandre de Moraes seja essa pessoa também. Bom, então, dito isso, eu queria pegar um pouco o que aconteceu na sabatina do Messias.
para trazer esse assunto que a gente já tratou outras vezes no foro, que é essa cruzada do mundo conservador contra o aborto legal, tá? Deixar claro que é legal. Aborto é que as mulheres têm direito legalmente quando são vítimas de estupro, quando a mãe corre risco de morrer e, no caso de anencefalia.
O Messias, ele usou a carta do aborto, né? De ser contra o aborto, se diz terminantemente contra o aborto e tal, como um ponto positivo da indicação dele dentro desse Congresso, desse Senado, desse Congresso, né? O ultraconservador que a gente tem, quando o assunto é aborto, né? E isso foi como se fosse um título de pertencimento pra ele, né? Tá vendo como eu pertenço ao mesmo grupo que vocês? Eu também sou contra, né? Eu também sou conservador.
Isso é um sinal de algumas mudanças que estão acontecendo no centro do poder e que podem resultar, inclusive, na perda do direito do aborto legal, que é o único direito que a gente tem. A gente tem que prestar atenção porque...
tá tudo acontecendo agora. Então, enquanto tá todo mundo olhando pro Master, né, imprensa, até a própria classe política e tal, tem movimentações acontecendo sobre esse tema que estão passando ao largo da cobertura ou da compreensão das pessoas muitas vezes interessadas nele. A gente já discutiu aqui, no passado, em 2024,
quando o Conselho Federal de Medicina, fazendo lobby no Congresso e tendo como patrono o deputado Sostenes Cavalcante, líder do PL, tentou criminalizar a mulher que faz o aborto legal acima de 22 semanas. O que estava acontecendo naquele momento e que se mantém até agora?
Não é que as mulheres estavam, as meninas, no caso as crianças, estavam indo fazer o aborto com uma criança de 4, 5 meses por vontade própria. Elas não estavam conseguindo fazer aborto na rede pública. E isso fazia com que a gravidez se prolongasse mais do que devia e chegasse ao ponto de chegar nos 5 meses de gravidez e o médico não querer fazer o aborto porque já é uma criança formada e ele não queria fazer aquele parto, enfermeiros, médicos e etc. Aquela interrupção.
fazer aquela interrupção, exato. Mas o problema é, a gente não tá conseguindo chegar no ponto de uma mulher poder fazer antes dos cinco meses, porque os próprios médicos e muitos enfermeiros não estão querendo fazer, seja por questões religiosas, seja por questões políticas, etc. Esse direito básico da mulher não tá sendo garantido e que tá fazendo com que ela chegue até mais de 20 semanas com essa gravidez mantida.
Bom, esse assunto foi para o Supremo, foi ser discutido no Supremo em 2024, e o que está acontecendo desde então? Primeiro ponto, a Procuradoria-Geral da República se manifestou agora, em março de 2026, defendendo essa posição do Conselho Federal de Medicina sobre a proibição da cistolia fetal a partir da 22ª semana de gestação.
A PGR adotou integralmente os argumentos do CFM e chegou a dizer o seguinte na manifestação da PGR, não existe direito subjetivo público de exigir dos serviços de saúde do Estado a realização do aborto legal. Eu quero bater no ponto da temporalidade, esse assunto está sendo tocado desde 2024 lá e justamente agora, nesse momento que a gente está vivendo tudo isso, a PGR se manifestou sobre esse tema.
Uma outra coisa que aconteceu recentemente, tem uma ADPF que também corre no Supremo sobre a possibilidade de enfermeiros poderem fazer o aborto legal sem a presença de médicos, já que os médicos estão adotando essa posição.
A Advocacia Geral da União, sob liderança do Jorge Messias, pediu para o Ministério da Saúde um parecer sobre esse pedido dos enfermeiros, de eles poderem fazer, já que os médicos estão criando todo esse problema. O Ministério da Saúde deu um parecer técnico favorável para a AGU.
Favorável ao pleito dos enfermeiros. Ao pleito dos enfermeiros. Pois bem, agora, recentemente, enquanto o Messias estava fazendo esse périplo pelo Senado, a AGU apresentou duas manifestações nessa DPF pedindo a improcedência dessa ação, ou seja...
Mesmo que o Ministério da Saúde tenha se manifestado a favor, a AGU desconsiderou essa manifestação, pediu a improcedência da ação, ou seja, enfermeiros não podem, e sustentando que o aborto é crime no Brasil e o procedimento deve ser restrito exclusivamente aos médicos. E essa manifestação também, o timing dela foi agora, né, neste momento em que essas coisas estão acontecendo.
A AGU do Messias. Tem uma outra ação que está correndo no Supremo, que está sob relatoria do Alexandre de Moraes, que é sobre autodeterminação de gestantes. O que significa isso? Significa a mulher gestante ter o poder sobre o que vai ser feito do corpo dela. Eu não estou falando de aborto.
Eu tô falando de violência obstétrica, escolher o método de parto. Por exemplo, vou dar um exemplo pra vocês. Na época da pandemia, as mulheres que estavam internadas em razão da Covid e grávidas, como escolher o que ser feito naquele momento, né? Que procedimento que ela queria, se era possível aquela gravidez continuar ou não. Há muitos casos de mulheres que não tiveram como escolher entre a vida delas e a do próprio bebê, por exemplo.
Há muitos casos em que médicos escolheram salvar os bebês e não as mães. Isso aconteceu na pandemia, há casos tramitando sobre isso. Então, você tem essa ação no Supremo sobre a autodeterminação de gestantes, que está com Alexandre de Moraes. Esse caso também está tramitando já tem alguns anos.
E agora, em abril, ele liberou também, nesse mesmo timing de todas essas manifestações contra o aborto legal, ele liberou essa pauta para julgamento. E é uma ação que, na verdade, o CFM é contra essa autodeterminação de gestantes, entendeu? O CFM é a favor que a mulher não tenha necessariamente que decidir nada e que seja uma decisão do médico.
Existe um retrocesso que está acontecendo que a gente não está olhando e que eu acho que ele está muito ligado menos a convicções de cada um deles, dessas forças políticas que estão se movimentando, e mais ao ano que vem, entendeu? Se for um Senado super conservador, se for um Senado liderado pelo PL, o que esse Senado pode fazer para o Supremo? Se o Alexandre de Moraes estiver no Supremo, ele vai ser o presidente do Supremo?
ele vai ter essas ações na mão pra pautar então ele tá jogando com isso seria ingênuo da nossa parte achar que ele não tá jogando com pautas que interessam pro bolsonarismo na hipótese dele ficar no Supremo na hipótese de a delação do Daniel Vorcaro não dinamitar o cargo dele, né
Eu tô falando dele especificamente, mas eu não acho que ele seja necessariamente o principal personagem dessa história que eu falei. Eu acho que é um movimento que tá acontecendo de todas as forças da República contra um direito garantido pela Constituição pra mulher.
Isso tudo que você fala tem um aspecto mais cruel e ao mesmo tempo assustador, que é um bando de homenzinhos ou de marmanjos dispondo sobre o direito da mulher. Não tem nenhuma mulher em posições de comando decidindo sobre isso, seja no Supremo, onde a Carmen Lúcia está sozinha, a AGU, a Procurador Geral, a maioria do Congresso, o próprio Executivo e o Lula é responsável nesse sentido.
pelas nomeações que fez, né? Por ter desconsiderado esse aspecto que não é menor. Pelo contrário.
E no caso da cistolia fetal, que o CFM quer proibir a partir da 22ª semana, o Barroso e a Rosa Weber já votaram contra o Conselho Federal de Medicina, né? Votaram pela permissão da cistolia fetal. E há várias organizações, sobretudo a CNBB, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, tentando no Supremo invalidar...
o entendimento de que votos de ministros que já saíram da corte devem prevalecer. O entendimento hoje é que esses votos devem prevalecer. Mas a CNBB já tentou com o voto da Rosa Weber e agora está tentando com o voto do Barroso, derrubar essa jurisprudência pra que esses votos não valham. Então, assim, a única mulher que votou sobre esse assunto, a CNBB quer que o voto dela seja cancelado.
É sinistro tudo isso. Celso, deixa eu te ouvir. Então, Fernando, eu fui dar uma olhada na resolução CFM 2378-2024, que é a resolução que eles fizeram lá sobre a sistolia fetal. Enfim, é um assunto difícil, como toda a discussão sobre aborto.
Bom, o procedimento de assistoria fetal consiste em você injetar drogas no feto antes do aborto para garantir que ele não nasça com sinais de vida. E aí você vai dizer, pô, mas aí se eu nascer um bebê mesmo, se nascer vivo, quer dizer, o que você vai fazer ainda? A resolução do Conselho Federal de Medicina é essa mesmo. Admite que um bebê nascido com 22 semanas, que são cinco meses, tem alta probabilidade de morrer, de qualquer maneira, enfim, por ter nascido tão pequeno.
Ou, na probabilidade remota de sobreviver, tem alta probabilidade de ter problemas de desenvolvimento neurológico muito graves. Então, o próprio Conselho Federal de Medicina recomenda que se o feto nascer nessas condições e não houver chances de sobrevivência, ou se houver risco muito alto de sobrevida com deficiências graves, deve-se realizar os cuidados paliativos. Quer dizer, boa parte desses procedimentos, se você não fizer a sistolia...
e o bebê nascer com sinais de vida, o que vai acontecer é que o médico vai tomar os cuidados necessários para que ele morra sem sofrimento. É o máximo que se pode esperar na maioria dos casos. Então, basicamente, o que o CFM está pedindo é que, depois de uma mulher ser estuprada, ela teria que dar à luz a um bebê com pouquíssimas chances de sobreviver.
E altas probabilidades de defeitos neurológicos graves que praticamente inviabilizariam, por exemplo, uma adoção. E assim, a crueldade envolvida disso aqui é um negócio meio chocante, né? Chocante. Como disse a Ana, a mulher que foi estuprada quer interromper essa gravidez na hora. O certo seria ela chegar na delegacia, darem pra ela uma pílula do dia seguinte e acabou, entendeu? Não tem o menor interesse em retardar essa interrupção de gravidez, certo?
Então, assim, se chegou em cinco meses e ela não conseguiu fazer isso, é porque ninguém deu para ela a pílula do dia seguinte, porque ninguém deu para ela uma assistência médica adequada no momento em que ela foi lá reportar o estupro, e porque, nesse tempo todo, ninguém proporcionou a ela o direito que a lei garante. Então, é uma tremenda vergonha da PGR dizer que o sistema de saúde não é obrigado a oferecer o serviço.
Porque o sistema de saúde é obrigado a oferecer os serviços de saúde necessários ao bem-estar da população brasileira. Uma mulher ser estuprada e ficar grávida é um problema de saúde seríssimo, cara. Seríssimo. E é uma sucessão de crueldades, né? Exato. Agora, tem um ponto, Celso, que você falou, dessa coisa que a mulher quer no dia seguinte, né? Já interromper essa gravidez. É que essa questão é mais cruel ainda quando se trata de crianças. Porque muitas vezes a criança não tem consciência do estupro. Ela não sabe que está grávida.
Exato. E aí, quando a mãe descobre que a criança tá grávida, já se passaram três meses, não sei, dois meses. E aí é que começa o périplo pra tentar o aborto legal. Então, quando se trata de crianças muitas vezes, o intervalo entre você descobrir a gravidez e esse prazo pra interromper a gravidez é muito curto. Caso esse prazo seja...
convertido em lei, né? Aí é que é a operação em pinça, né, que tá acontecendo. Por um lado, o Conselho Federal de Medicina vai lá e proíbe a histolia fetal aqui, quando a gravidez já tá adiantada. E do outro lado, o mesmo movimento político ao qual pertence a atual direção do CFM...
que são os caras, inclusive, que foram coniventes com o Bolsonaro durante a pandemia e, portanto, são cúmplices do assassinato em massa de milhares e milhares de brasileiros, esses mesmos caras, do outro lado, têm os seus advogados e as suas damares alves, por exemplo, tentando atrasar o acesso de crianças estupradas ao aborto legal. A gente teve um caso da...
da Damares em 2020, em que a segunda reportagem da Folha atuou para impedir o aborto de uma criança de 10 anos que havia sido estuprada pelo time. Então, basicamente, o que o CFM quer fazer aqui nesse caso é a Damares atrasa e o CFM aparece depois para dizer que agora não pode.
Então, não pode ser entendida essa resolução do CFM sem entender a ofensiva que vem pelo outro lado para fazer com que o aborto das meninas que foram estupradas não aconteça num prazo mais adiantado, né? Enfim, é realmente um negócio de uma crueldade completamente brutal.
E eu queria só reiterar algumas coisas que estão no parecer mesmo do CFM, que, obviamente, não pode legislar sobre aborto, né? Senão o Ministério do Trabalho ia lá fazer um Conselho Federal Trabalhista e os caras regulavam a legislação trabalhista brasileira. Isso não existe, entendeu? Quem quer aceitar isso? O Congresso ia aceitar um negócio desse? Não. O troço é elementar aqui. O Conselho Federal de Medicina não pode mudar a lei. E a outra coisa é, olha só, então já começa aqui, a decisão quase inteira é dizendo que a vida começa na concepção.
Cara, se a vida começa a concepção, como eles dizem, o que o prazo de 22 semanas seria relevante? Se é relevante discutir em que momento do desenvolvimento embrionário nós temos um ser humano, então, por exemplo, a ideia de que a vida começa na concepção está obviamente errada, porque um óvulo recém-fecundado, pra você dizer que é um ser humano, você tem que forçar muito a barra.
Então, por exemplo, é o que eu sempre digo, se você for um enfermeiro de um hospital, tem um terremoto qualquer e o prédio vai cair. Você pode salvar um bebê recém-nascido ou dois tubos de ensaio, cada um com um óvulo recém-fecundado. Se você acha que a vida começa na concepção, você tem que deixar o recém-nascido morrer para salvar duas pessoas.
Cara, quem faria isso? Ninguém faria isso. Ninguém acredita de verdade que a vida começa na concepção. Se os caras querem puxar esse assunto, de quando é que começa a vida humana durante o processo de gestionário, então legaliza o aborto para todas as outras mulheres até esse prazo, como é na maioria dos países. É um negócio que realmente é difícil você comentar isso aqui sem que o departamento jurídico interno da sua cabeça não se manifeste contra você, entendeu? Sim, é verdade.
Bom, a gente vai encerrando então o segundo bloco do programa por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar do aviãozinho, do Fernandinho, do Tigrinho, do Hugo Mota e do Ciro Nogueira. Já voltamos.
Ministério da Cultura e Museu Paulista da USP apresentam Pensar o Presente, um podcast do Museu do Ipiranga com produção do Estúdio Novelo. A gente vai te mostrar como o Museu do Ipiranga tem questionado histórias que ele mesmo ajudou a criar e consolidar. Você vai entender como um museu pode ajudar a gente a pensar a história do Brasil.
Este projeto é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, uma realização da Fundação de Apoio ao Museu Paulista e Ministério da Cultura e do Governo Federal, do lado do povo brasileiro. Oi, aqui é a Neka Setúbal. E aqui é a Sueli Carneiro. Esta semana, no Escute as Mais Velhas, a gente conversa com a educadora ambiental e ativista Rosália Lemos.
Eu comecei a refletir que a favelada fazia luta ambiental também, né? Só que a nossa luta ambiental não era uma luta em defesa do mico-leão dourado, em defesa da mata atlântica, da floresta amazônica. A busca por dignidade em territórios periféricos sempre foi um dos motivadores da Rosália.
A nossa luta era em defesa do saneamento básico, da água potável canalizada dentro de casa. Então era uma luta ambiental da pobreza, era uma luta ambiental da miséria.
E a Rosália também contou pra gente um pouco da trajetória dela dentro de uma das principais organizações pelos direitos das mulheres no Brasil, o Nizinga. O Escute as Mais Velhas é um podcast da Fundação Tietze Tubal, produzido pelo Estúdio Novelo, com episódio novo toda terça-feira. Siga o podcast no seu aplicativo de podcast favorito para não perder nenhum episódio.
Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. Esse voo sobre o qual falei na abertura ocorreu há um ano, mas a investigação veio à tona agora, a investigação da Polícia Federal. Há pelo menos cinco bagagens que não teriam passado pelo raio-x pela inspeção. Eu suspeito que não eram malas carregadas de ursinhos de pelúcia, né Celso? É, ou então aquelas camisetas assim, eu fui para a San Martins.
Sei lá, um coquinho pintado, assim, São Martins. É. Bom, pra quem não sabe, São Martins é um paraíso fiscal do Caribe, né? O Caribe tá cheio de paraísos fiscais. E de lá partiu o aviãozinho do... O aviãozinho do Fernandinho.
O IG, que é essa figura humana linda aí, que foi retratada na reportagem do João Batista na Piauí. E no aviãozinho do Fernandinho, estavam o Hugo Mota, presidente da Câmara dos Deputados. Olha que beleza. O senador Ciro Nogueira, que realmente merece um troféu, porque está em todos os escândalos, né, cara? É difícil você achar um escândalo de corrupção recente, que não tem o Ciro Nogueira. Está no centro do Mastra, né? Talvez se você escolher um cara mais identificado como Mastra na classe política, seria o Ciro Nogueira.
Além do doutor Luizinho, que é o chefe do PP do Rio de Janeiro, e o Isnaldo Bulhões, do MDB de Alagoas. E aí, quando chegou aqui o aviãozinho, pegaram as imagens de vídeo.
do piloto do avião, na hora de passar com as bagagens pelo raio-x, ele passa, numa primeira vez, com duas malas, aí passa pelo raio-x. Aí volta por fora do raio-x com as duas malas. Aí volta com aquelas duas malas e mais outros pacotes de origem desconhecida. Que devem ser as camisetas Bem-Vindo a São Martins, aquelas coisas todas lá.
Sabe aquela bonequinha que dança ula-ula, que você bota em cima do carro e ela fica dançando? E aí fica, a primeira suspeita é que trata-se de um amba, né? De contrabando. Mas não necessariamente contrabando, porque em especial, as malas que foram e voltaram...
Pode ter entrado coisa nela depois que ela voltou, certo? Ela passou uma vez oficialmente. Depois ela volta pra trás. E aí ela passa por fora. Nessa passagem por fora, ela podia ter coisa a mais que não tava quando ela passou pelo raio-x. Oficialmente. Oficialmente. E aí, a mala grande chegando e todo mundo querendo esconder, qual é a primeira coisa que você pensa? Dinheiro. Então, assim, o avião do cara das Betes chegou num paraíso fiscal que já teve um erro.
com um monte de mala que ele não quis que ninguém soubesse o que tinha. E nesse avião estava o presidente da Câmara dos Deputados, o ex-chefe da Casa Civil do Bolsonaro, o chefe do PP no IFE, essa turma toda. Ex-chefe da Casa Civil do Bolsonaro que tentou mudar a legislação para favorecer... Exato, tentou mudar a Constituição, tentou fazer uma emenda constitucional para salvar o Mastro, aumentando a cobertura do... Para salvar o Vorcaro, né?
E todos esses políticos operaram para beneficiar o setor de Betis, que é o dono do avião, para eles pagarem menos imposto. Primeiro para regulamentar do jeito que eles queriam e depois para pagar menos imposto. Exatamente. Essa é a bancada das Betis, né? Só faltou esses caras passarem ali no raio-x com o guardanapo na cabeça em homenagem ao Cavendish. Exato, porque lá estava o Cavendish, né, cara? A gente tinha esquecido do Cavendish, mas ele voltou, olha só. Arranjou uns amigos novos.
Ele é o pessoal de Bet, ele deve ser um cara muito sociável, muito bom de fazer amigo. E aí voltou aqui o noticiário, olha só que coisa bonita. E o primeiro fato que fica claro é que a promiscuidade da elite do Congresso Nacional com esse tipo de empresário, que é um empresário que eles regulam, né, cara? É absolutamente chocante, né, cara?
Imagina se você descobrisse que o Xandão não só voou no avião do Vorcaro, mas voou no avião com o Vorcaro e na volta tinha umas muamba. Imagina o que seria essa história, certo? Então, assim, agora que os caras... Foi isso que aconteceu, os caras chegaram aqui e... Tá todo mundo tratando meio como uma coisa folclórica, uma coisa meio...
Ah, o centrão é isso, é assim mesmo. Ah, esse centrão. Que é isso que me escandaliza mais, inclusive no caso do Márcia também. A gente se acostumou a tratar esses políticos da direita, corruptos, como se fosse parte da paisagem. O político brasileiro médio é um ladrão de direita. Você acaba tratando isso como se fosse a regra, o pano de fundo da ação que não pode ser mudado, não tem muito o que fazer com relação a isso. E aí a gente vai ficando chocado, como o pessoal costuma dizer, daquelas pessoas com quem você tinha expectativa.
E, cara, assim, você basicamente está punindo as pessoas por terem feito alguma coisa que te deu essas expectativas. Você está recompensando os caras por serem tão ruins que nem deixaram você criar nenhuma expectativa. E vai passando o tempo, essas coisas vão se acumulando, eles vão percebendo que eles podem fazer isso e vão fazendo coisas cada vez piores, né?
Então, enfim, você vai ver quem são os caras do aviãozinho do Fernandinho, quem são os caras da reportagem sobre Bet. Você pega a reportagem do Piauí sobre Bet, pega a reportagem do Piauí sobre o Master, vai ter uns caras lá igual, entendeu? Porque o tempo vai passando, eles não são responsabilizados por nada, eles vão continuar fazendo, né? Com sorte, chega a presidência da República, por causa do Temer.
Exatamente, exatamente Deviam estar lá trabalhando para vetar o Messias Quarta-feira O Temer aqui, como todo mundo viu, estava lá Negociando lá com os Emirados Árabes Para tentar salvar o Maestro Tenho certeza que foram só contatos republicanos Jamais me passaria pela cabeça Sugerir qualquer coisa aqui
Mas, enfim, essa história do avião vai mostrando como a sensação desse pessoal que comanda o Congresso, desde Eduardo Cunha, basicamente, mas depois com orçamento secreto, com toda essa tomada de poder que eles fizeram de atribuições executivas.
a sensação deles é que eles realmente podem fazer o que eles quiserem. E aparentemente podem, né? Sim, mas foi bom você falar com o Eduardo Cunha porque ali o negócio mudou de patamar, né? Sim, sim. Inclusive, o avanço do Congresso sobre orçamento público ou a avaliação começa com o Eduardo Cunha, né? Isso. Ana Clara, o Celso citou a matéria do João Batista e você lembrava que, antes da gente começar a gravar, que o Cavendish é reincidente, é isso?
Antes dessa viagem se trazida a público, o João Batista tinha relatado na Piauí uma outra viagem do Ciro Nogueira com o Fernandinho. O Sirim. Sirim. Sirim e Fernandinho. Eles fizeram uma volta ao mundo durante o carnaval. Opa! Nesse Gulf Stream que ele tem. Da Moamba.
E nessa viagem, nessa volta ao mundo que eles fizeram, foram pra Ásia, enfim, pra vários lugares. O Ciro Nogueira tava, a filha do Ciro Nogueira tava. A mulher do Cavendish, do Fernando Cavendish, foi fotografada e filmada também nos iates e, enfim, nos lugares por onde eles passaram. Embora o Cavendish não tenha aparecido nas fotos. Porque o piloto da aeronave fazia lives da turma.
O próprio piloto fazia lives da turma, enfim, se esbaldando na Europa, na Ásia. Isso aconteceu no carnaval. Ele não servia só pra passar por fora do raio-x, né? Ele também tinha essa... Pois é. Sempre que a gente vê alguém dando viagem, assim, né? Dando voo no seu Gulfstream, dando alguma coisa pra alguém. Não tem almoço grátis, né? A gente sabe. A amizade, ela tem alguns limites ali, né?
É curioso porque Samartan, acho que é Samartan, né? Não sei se a pronúncia é Martim ou Martan. Eu falei Martim antes, mas pode ser que seja Martan. Enfim.
Samartan fica a poucos minutos, 50 minutos de voo do principal hoje paraíso fiscal que tem no Caribe, que é as British Virgin Islands, BVI. Depois que as Ilhas Caimã rodaram nos Panama Papers, o BVI acendeu como principal destino. E Samartan é um arquipélago muito próximo ali. Só um detalhe geográfico que não interessa pra gente, não tem nenhum tipo de… É uma curiosidade assim, João.
independente do que eles carregavam nessas malas que estavam burlando a receita, né? Se era muamba, se era bebida, se era droga, se era dinheiro, né? A gente não sabe. Eu queria só recapitular um pouco a história desse Fernandinho. Ele era um assessor do Whindersson Nunes, humorista. E depois trabalhou com Wesley Safadão. E ele era um Zé Mané qualquer, assim, né? Tipo a gente, assim. Talvez um pouco pior. Tchau.
E ele ganhou muito dinheiro, assim, do nada, dela nada, trazendo o jogo do Tigrinho pro Brasil antes disso ser regulamentado. O João Batista conta isso bem nas reportagens dele, né?
E eu quero trazer esse assunto pra pauta dos nossos dois primeiros blocos, né? Essa história do Messias. Esse caso acabou caindo com o Alexandre de Moraes como relator, né? Depois que se soube que havia parlamentares nessa viagem. O caso corria em sigilo. Curiosamente, o Alexandre de Moraes deu um despacho sobre isso essa semana. Que ele levantou o sigilo desse despacho. Esse despacho se tornou público.
E aí, esse despacho também entra na conta dessas articulações que aconteceram nesses últimos dias sobre o caso do Messias. Por quê? Eu vou falar pra vocês a avaliação de algumas pessoas com quem eu conversei mais próximas do governo. Então aí vocês também…
modulem o que eu vou dizer em relação a tudo que a gente já falou aqui hoje, mas para essas pessoas mais próximas do governo, esse despacho do Alexandre é visto como uma estratégia bastante inteligente de colocar um clima de estado policial essa semana, durante a semana em que haveria o julgamento, em que os deputados, o Alguemota, as pessoas, os senadores, etc., olhassem para essa situação e falassem, tipo...
os caras não param de ficar atrás da gente, realmente o Supremo é um problema, vamos vetar essa indicação, entendeu? Como se fosse uma estratégia de colocar um clima policial sobre a classe política, mesmo que o autor seja o próprio Alexandre, desse clima policial, entre aspas, mas que isso poderia impactar o voto contra o Messias, não contra o Messias em si, mas seria um voto contra o Supremo, né? No sentido, não vamos votar isso agora, porque o Supremo tá, enfim.
A leitura do governo é um pouco essa, assim, que ele colocou esse despacho ali pra acender um pouco, pra dar um clima de estado policial. Por mais que ele fosse o autor do despacho e ele fosse a parte que queria que o Messias não tivesse sido aprovado, teria sido uma atitude dele pra ter esse impacto nos senadores, entendeu? Um impacto de clima. Eu acho essa leitura um pouco, sei lá, fantasiosa demais. Meio conspiratória, né? Meio conspiratória, mas é essa leitura que o governo tá fazendo.
E aí, só pra fechar com algo que a gente já falou em outros episódios do foro, que é essa relação do governo com o Alexandre de Moraes, né? Do governo com o Supremo. Eu acho que isso conclui bem o que acontece entre eles, porque há muita gente que acha que é uma turma só, né? Que o Alexandre de Moraes e o Lula estão no mesmo barco, todo mundo remando na mesma direção, e não é o que tá acontecendo.
Pelo contrário, é uma relação conflituosa, se tornou muito mais conflituosa nesses últimos meses. Não existe uma atuação em conjunto ali. O Supremo não acha que o governo está defendendo o Supremo. O Supremo acha, e aí especificamente a turma do Alexandre de Moraes, acha que o governo está usando a Polícia Federal para prejudicá-lo, para enfraquecer o Supremo. O Toffoli acha isso.
O Toffoli acha isso também, o Gilmar acha isso também. Enfim, eles queriam que o governo aparelhasse a Polícia Federal para impedir que o Supremo fosse maculado pelo Master. E eles acham que o governo deve isso ao Supremo em razão da conduta do Supremo no 8 de janeiro. E por isso, a relação está cindida, de certa forma. Ela se deteriorou nesses últimos meses.
Há uma movimentação do Alexandre de Moraes, que a gente ainda não conseguiu mapear exatamente qual foi. Contra essa indicação, é também contra o governo Lula. É mais um tijolinho nessa ideia de que essa harmonia entre esses dois poderes, na verdade, é uma ilusão, não sei de quem, na verdade. Você conversa com os dois lados e eles não têm nenhuma ilusão sobre isso. Mas criou-se em algum lugar da opinião pública a ilusão de que existe uma harmonia ali.
Muito bem. Acho que com isso, de la nada, como você disse no começo, el ser y la nada, eu lembro desse título em espanhol do Sartre, né? El ser y la nada. De la nada, vamos encerrando o terceiro bloco do programa por aqui. A gente faz um rápido intervalo na volta Kinder Ovo. Já voltamos.
Os cantores nordestinos estão muito mais próximos da odisseia do que a erudição. É o que diz Donaldo Schiller, professor e escritor catarinense que se aventurou a destrinchar e traduzir a obra de Homero. Aos 93 anos, Schiller mantém uma vida ativa em Porto Alegre, onde mora e trabalha. Ele dá cursos e palestras e ainda se mantém em movimento com caminhadas frequentes.
Na Piauí de abril, o repórter Jerônimo Teixeira faz uma visita ao escritório do tradutor para uma conversa sobre a trajetória dele nas letras, a proeza de traduzir a mais radical obra de James Joyce e as semelhanças entre Homero e Guimarães Rosa. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador.
Oi, eu sou a Branca Viana, da Rádio Novelo. Tem um comentário muito popular que é usado por mulheres quando elas não querem ser chamadas de senhora. Ah, senhora tá no céu! Eu não tenho nenhum problema em ser chamada de senhora, mas entendo quem tenha. De qualquer forma, no Rádio Novelo Apresenta, dessa semana, a gente traz duas histórias de mulheres que carregam o título de senhora sem nenhuma objeção possível.
A primeira delas, contada pelo Vinícius Luiz, é sobre a senhora que está no céu, a Nossa Senhora, Mãe de Jesus, e sobre as mensagens que ela supostamente anda mandando para alertar o Brasil e o mundo sobre os perigos do comunismo.
No segundo ato, a Paula Escarpim traz a história da senhora bisavó da Carol Pires. A dona Delfina teria morrido como a mulher mais velha do planeta aos 154 anos. Mas quando a Carol resolveu investigar, ela descobriu que a história não era bem assim. Depois de ouvir o foro, vem escutar a gente. Rádio Novela Apresenta. Toda quinta, histórias que você nem sabia que precisava ouvir.
Muito bem, estamos de volta. Mari Faria, diretora. Eu quero um Kinder Ovo gostosinho agora, depois desse programa difícil que fizemos. Pode soltar.
Eu sou do espectro político, não do bolsonarismo, não da extrema direita, mas da verdadeira direita que dialoga, que senta, que conversa. Agora, você quer ver uma coisa sobre o meu estado, essa história de rouba no rouba, ladrão no ladrão? Quem quebrou o Rio de Janeiro foi a direita. O Tony de Paula? Foi a esquerda. Então, eu posso ter crítica à esquerda, mas eu não sou desonesto intelectual. Não sou.
Fazia um tempão que eu não acertava, cara. Celso, casca de bala, brilhando. O Tonho de Pau tá um pouco fora do seu... Tá um pouco fora, mas é... Enfim, tô expandindo meu...
Ele já esteve mais no seu nicho, né? Para os anais, quem fala é o deputado federal Tony de Paula, PSD do Rio de Janeiro, em entrevista à BBC News Brasil. Muito bem, Casca. Com isso, a gente encerra o Kinder Ovo. Vamos agora para o momento das cartinhas, o melhor momento do programa. O Correio Elegante, o momento de vocês.
Eu vou começar então com o recado da Cláudia Dias. Minhas corridas noturnas no meu amado Museu do Ipiranga são mais felizes às sextas quando ouço vocês. Celso, sempre imagino você gravando um podcast sobre um assunto específico da política, como quem conta uma história. Não que eu ache que você trabalhe pouco, mas seria bom demais, hein? Fernando, vem correr no museu comigo. Ana, me contrata como sua assistente.
vou amar descobrir os furos de Brasília com você beijos da Cláudia Dias beijo Cláudia valeu Cláudia só se tiver escada aí no Museu do Ipiranga eu tô subindo escada só ele sobe, sei lá, 150 degrau mas corajosa, encaminhadas noturnas eu tô engatinhando é corridas noturnas
Corridas noturnas, então, mas mesmo assim, corajosa. A Cate Inácio mandou. Fui ouvir o foro enquanto fazia um almoço, rezando pra que minha pequena Cora de cinco meses não aprontasse um escândalo por ficar no carrinho me esperando. E não é que ela dormiu plenamente em cinco minutos? A política brasileira realmente não é para iniciantes. E de agora em diante vai rolar foro pra bebês toda madrugada na minha choupana. Agradecida.
Poxa, olha a Cora Dormiu com a gente Muito bom Muito bom É, mas não sei se a gente tá chato Até que ponto que a Cora não se animou Prestamos um serviço Não será por falta de emoções da política brasileira Deve ser O Kleber Gordiano escreveu Importante a observação do ouvinte a respeito da discrepância Entre nós, meros amadores E os atletas profissionais do Kindergüevo Como ele escreveu E aí
que ocupam a bancada do foro. Exemplifico. Estava escutando o último episódio e, enquanto tentava relacionar a fala do político que, nos longínquos tempos pré-bolsonarismo, fora até presidenciável ao nome do neto do Tancredo, Ana já havia finalizado a disputa. É como competir com o Usain Bolt. Ou com o Sauê, esse cara aí que correu a maratona em meses e duas horas.
Ai, pois é. Nossa, mas eu tava errando todas. O cara fez a maratona em menos de duas horas. Isso sim, é um… Meio de duas horas. Celso, você tá indo nessa direção. Você tá quase lá. Tô quase, tô quase. Tô chegando lá, tô chegando lá. O cara correu a maratona em menos de duas horas quer dizer que ele fez o tempo todo a mais de 20 km por hora. Eu não consigo correr cinco segundos a mais de 20 km por hora. Não consigo nem chegar. Enfim.
Bom, o que é bom dura pouco, o que não é tão bom também acaba. E nós vamos encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars para a gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí.
O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema.
A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha showpana em São Paulo e no Estúdio Rastro do Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Abração aí. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.