Os rolos do BRB, o voto econômico e a trincheira em SP
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam os novos desdobramentos do caso Master, com a possibilidade de delação premiada do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e a escalada da crise envolvendo o Supremo, que amplia a tensão no cenário político. No segundo bloco, os jornalistas discutem o papel da economia na disputa eleitoral e o descompasso entre indicadores positivos e a percepção do eleitor. No terceiro bloco, os jornalistas tratam da eleição em São Paulo, com a disputa pelo governo do estado entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft109
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- Banco MasterDelação premiada de Paulo Henrique Costa · Crise no Supremo Tribunal Federal · Esquema de corrupção no BRB
- Eleições e PolíticaPercepção do eleitor sobre a economia · Desemprego e inflação · Endividamento da população
- Eleições Rio de JaneiroDisputa entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad · Impacto da segurança pública na eleição · Polarização política em São Paulo
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[trecho inaudível]
Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. Eu pergunto a você, ministro Gilmar Mendes, a justiça não deveria ser seda? Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos. Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda.
Oi, Fernando. Oi, pessoal. Temer e Bolsonaro deixaram a tabela do Imposto de Renda congelada por seis anos. Bolsonaro foi ainda mais cruel. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira. Talvez gastemos muita energia com a polarização que nos leva a nada. Talvez tenhamos uma mediatização exacerbada da vida nacional, enquanto a liderança parece estar cada vez menos conectada aos anseios reais do povo.
Mais uma sexta-feira e recifenses nos aguardem amanhã, sábado, no Paço do Frevo, no Recife Antigo, estaremos juntos ao vivo. Não temos mais ingresso, infelizmente ou felizmente. A gente se vê lá. Animados, turma? Muito animados. Aí! Esperando muito por esse dia. Isso aí. Muito bem. Vamos agora sim, sem mais delongas, aos assuntos da semana.
A gente abre o programa pelas novidades do caso Master. Preso desde a semana passada, o ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB, Paulo Henrique Costa, trocou de advogado nesta quarta-feira e se prepara para fazer a sua delação premiada, assim como Daniel Vorcaro. Crescem com isso as expectativas sobre a extensão e o impacto das delações relacionadas ao escândalo, já que Costa, obviamente, não atuou sozinho na tentativa frustrada de compra do Master pelo BRB.
De acordo com a Polícia Federal, Costa recebeu de forcar os seis imóveis avaliados em mais de 140 milhões de reais em troca da facilitação do esquema envolvendo os bancos. No Supremo, as coisas andam bem ruins. Depois de pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade,
Gilmar Mendes fez uma notícia crime contra o ex-governador de Minas, Romeu Zema, pedindo a seu colega Alexandre de Moraes para que o investigue no âmbito do inquérito das fake news. Isso em razão de um vídeo humorístico publicado pelo presidenciável do Novo, que mostrava fantoches de Mendes e Toffoli em conversas telefônicas, combinando trocas de favores pouco republicanas.
Zema é um populista de extrema direita, nós sabemos, mas a reação de Gilmar Mendes acentua a sensação de que a Corte Suprema, já imersa numa profunda crise de credibilidade, é capaz de usar quaisquer instrumentos para agir de forma arbitrária em causa própria.
No segundo bloco, a gente olha para os números da economia e discute uma tese muito difundida de que ela, a economia, está perdendo força na definição da disputa eleitoral. O próprio Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, disse que a economia não deve decidir a eleição de 2026.
Parece haver um descompasso entre os indicadores favoráveis, desemprego baixo, inflação baixa, programas sociais ampliados e a percepção do eleitor a respeito de sua vida material. O Celso vai iluminar o assunto para nós. Por fim, no terceiro bloco, a gente trata da eleição de São Paulo. No estado mais populoso do país, parece configurada a disputa pelo governo entre Tarciso de Freitas e Fernando Haddad, com vantagem para o governador.
A disputa pode até ser decidida em primeiro turno, já que as demais candidaturas, além das duas, mostram reduzidas chances de decolar. Tarcísio é favorito, mas Haddad não está no jogo apenas para cumprir tabela e ajudar a reeleição de Lula. A gente vai entender isso melhor. É isso. Vem com a gente.
Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Podemos começar pelo BRB, porque tem muita coisa para falar do BRB e você, já vou avisando os nossos ouvintes, tem uma grande reportagem sobre o assunto no próximo edição da Piauí. Semana que vem. Confere? A imprensa apurou aqui. Esses adjetivos eu não assino embaixo, não. Ela é grande em tamanho, isso é verdade. Deixa por conta do apresentador o adjetivo. Vamos lá.
Bom, só recapitulando um pouco. A gente começou a falar do BRB quando o BRB anunciou que ia comprar o Master, né? Em março do ano passado. E aí essa operação de venda do Master para o BRB passou por um escrutínio ali do Banco Central que não aprovou. E por que o Banco Central não aprovou essa compra? Porque ele descobriu que o BRB...
desde o ano anterior, ou seja, 2024, vinha injetando dinheiro do Master. Então, o que o BRB fazia? Fingia que ele estava comprando carteiras de crédito do Master, que é um ativo que os bancos comercializam entre eles, carteira de crédito, só que o Master não tinha essas carteiras de crédito para vender. Ou seja, eles...
forjavam uma carteira de crédito por meio de empresas de fachada que o BRB comprava e o master recebia esse dinheiro. Ou seja, o BRB estava dando um dinheiro para o master. Por que o BRB estaria dando um dinheiro para o master? Por que um banco faria isso? Pela essência da atividade bancária, a generosidade não está lá na premissa de um estatuto de um banco.
Não é uma ONG, né? Exato. Se correr esse risco, né, de fazer uma operação fraudulenta, pra fazer uma doação pra um pobre banqueiro como o Daniel Vorcar, é realmente impressionante. Não foi qualquer doação. Foram bilhões, né? No fim, chegaram ao número de 12 bilhões entre 2024 e 2025.
Corta para agora. O CEO, o presidente do BRB naquela época, que era o Paulo Henrique Costa, foi afastado na época, saiu da presidência do banco e foi preso recentemente. Porque descobriram que ele recebeu...
mais de 140 milhões de reais em imóveis do Master, do Daniel Vorcaro. A operação, inclusive, que envolveu a prisão dele, aconteceu na semana passada, a gente mencionou. Ou seja, o presidente do banco participou desse esquema para entregar esse dinheiro para o Master.
Aí a questão é, é um esquema do presidente do BRB? Foi ele que arquitetou isso? O cara tá preso agora. Rapidamente decidiu que vai delatar. Imagina-se que ele saiba bastante coisa. Algumas mensagens dele...
ex-governador Ibanez Rocha, porque ele se desincompatibilizou recentemente, né? Então não tá mais no governo. Já saíram algumas mensagens na imprensa do Paulo Henrique Costa com o Ibanez, em que o Ibanez pede, inclusive, argumentos pro Paulo Henrique Costa pra ele defender publicamente a compra do Master na época que eles iam comprar. Ou seja, ele queria defender a compra.
Em outros momentos, outras mensagens que acabaram vazando, o Ibanez faz o contrário. Ele fala, bom, a pressão pública está muito grande sobre isso, eu acho que eu não vou aguentar. O Ibanez nega, ele fala essas mensagens, de jeito nenhum elas mostram qualquer interferência minha na negociação. Eu só estava querendo defender uma operação do banco, que o banco achava que era viável, isso que a defesa dele está dizendo. Mas assim, realmente é plausível que seja um esquema do presidente do BRB, que é um funcionário de carreira da Caixa?
Até ontem tinha uma vida de funcionário público, entendeu? Não sei, pode ser que seja um esquema dele, mas acho pouco plausível. Então, assim, a partir da delação do Paulo Henrique Costa, que vai começar a ser feita agora, a gente pode começar a ter um pouco mais de elementos desse andar de cima que estava operando toda essa estratégia de salvamento do Master no ano passado, né? De impedir que o Master quebrasse.
E da delação do Paulo Henrique Costa e do cruzamento das delações do Paulo Henrique Costa e do Vorcaro, que supostamente não tiveram tempo, pelo menos desde que o Vorcaro está preso, de combinar uma mesma versão.
Exato. Embora os advogados estejam aí atuando em conjunto, né? A gente não pode esquecer que é um grupo de advogados que tá atuando em conjunto pra um grupo de criminosos, né? Que querem fazer delação. Então, não sabemos o que esperar.
Agora, o que eu acho curioso é que o BRB está tentando vender ativos porque ele está com rombo. Bom, qualquer banco que pega 12 bilhões e entrega para outro de presente, certamente está com problema de caixa. Então, o BRB está precisando vender ativos para se capitalizar, para tentar cobrir o rombo que essas operações deixaram.
E aí, enfim, isso está sendo negociado no mercado e tal. É possível que o FGC, que é o fundo dos bancos, né? Que os bancos fazem para, enfim, intercorrências sistêmicas ali. Fundo garantidor de crédito. Exato, fundo garantidor de crédito tem que entrar com dinheiro no BRB. Eles não querem. Mas tudo depende da avaliação do risco que essa quebra do BRB pode representar. E aí tem uma outra questão que é política.
Como o Celso disse várias vezes e essa atuação do BRB mostra, é um esquema de políticos do centrão e da direita ali, né? Ciro Nogueira, toda essa turma. E o BRB é a expressão disso, né? O Distrito Federal é um governo do Ibanez, que é MDB, mas totalmente alinhado ao Bolsonaro. Celina Leão era a vice, agora é a governadora, né?
É a melhor amiga da Michele Bolsonaro. É um governo de direita para a extrema direita, o governo do Distrito Federal. Então, assim, o governo federal vai querer ajudar esse banco? Bom, o secretário de segurança do Ibanez era o Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do Bolsonaro. E, assim como o Ibanez, personagem central nos episódios que culminaram no 8 de janeiro.
Exato. Aí o governo federal vai querer entrar com auxílio para o BRB, que é o banco dos caras que fizeram toda essa confusão? Provavelmente não, né? Mas aí deixar quebrar também é uma alternativa possível, considerando o risco de uma instituição financeira quebrar no Brasil?
Também não é. Então, assim, é uma situação que está complicada essa do BRB. E a grande chance de sobrar para o correntista, para o cara que tem o fundo de previdência dele lá, é chance imensa. A verdade é essa. Muito bem. Celso, por falar em pequenos correntistas, sobrou para você. A gente pode falar um pouco do BRB e passar para o Supremo, que eu quero te ouvir sobre o Supremo, que eu mencionei na abertura.
É, então, Fernando, a Ana estava falando de quem vai pagar essa conta, né? Então, por exemplo, essa semana o BRB aprovou um aumento de capital social que pode chegar a 8 bilhões para tentar reequilibrar lá as contas do banco. Ainda não está claro, pelo menos pelo que a imprensa publicou, de onde vai sair esses 8 bilhões.
mas tem uma grande chance de entrar dinheiro do contribuinte nesse negócio. Ou seja, o contribuinte do Distrito Federal pode tomar uma facada histórica que desorganizaria completamente as finanças do Distrito Federal e o que é mais provável é que a governadora do Distrito Federal tente empurrar isso para o governo federal. Mas como disse a Ana, eu não vejo por que o Lula faria isso, por que o Lula aceitaria pagar essa conta. Mas de uma maneira ou de outra, os contribuintes brasileiros vão sofrer com esse negócio de BRB, vocês podem ter a mais absoluta certeza.
A mesma questão é o Master, que o FGC fez essa cobertura ali do CDB. Vocês, por um acaso, acham que isso não vai se converter em taxa bancária para todos nós em algum momento? E é bom você falar disso, porque justamente o que eu queria chamar a atenção é que a gente já começa a ter uma ideia de qual é o tamanho total do escândalo do Master. E ele, pelo menos, no mínimo, anda empatando com o Petrolão.
que gerou aquela crise política toda que a gente viu em 2015, o impeachment está fazendo 10 anos agora. As perdas contabilizadas da Petrobras no Petrolão foram de 6 bilhões. Então a Petrobras foi lá e botou lá no balanço dela, perdemos 6 bilhões. Mas em 2015 o Dallagnol estimou que os prejuízos totais, se você somasse uma série de outros mecanismos, de desvios e de perdas, etc., chegariam a 20 bilhões.
A Polícia Federal chegou a estimar em 40 bilhões, mas aí é usando uma estimativa com a taxa de suborno mais alta de todas, que era 20%. E a gente sabe pelos delatores que grandes operações tiveram muito menor, tipo 2, 3. Então esse 40 bilhões provavelmente está exagerado. Mas tudo bem, pode deixar o 40 bilhões.
E muita gente diz que teve efeitos do petrolão que eram mais difíceis de medir. Então, por exemplo, o valor da Petrobras caiu. Não dá para botar esse valor inteiro na conta do petrolão, porque na época também caiu o preço do petróleo no mercado internacional. Teve um monte de coisa de incompetência, de segurar preço de combustível. Mas algum efeito disso deve ter tido também. Então teve uma série de efeitos indiretos sobre a coisa.
O Master, só no toco que eles deram no FGC, já vai mais de 50 bilhões. Então aí você tem o Master, o Weeubank, o Banco Pleno e outros bancos ali do ecossistema Master. Além disso, você tem a grana que o Ibanez botou do BRB lá, que como bem disse a Ana, foram 12 bilhões. E a gente ainda não sabe como avançar as perdas adicionais que eles ainda vão ter por causa disso.
Então aí você já vai para 60 e tantos. E aí você ainda tem o dinheiro de aposentado que governadores e prefeitos botaram no Master, que é basicamente, como a Ana disse no caso do investimento BRB, é dar dinheiro para o Master, porque esse dinheiro não vai voltar nunca. Então só do Rio de Janeiro já foi 1 bilhão. Então claramente os dois escândalos já estão na mesma ordem de grandeza. E aqui, como no caso do Petrolão...
Tem um monte de efeitos que é difícil de medir. Por exemplo, essa grana do FGC, como bem lembrou a Ana, os bancos tiveram que repor. Essa grana que os bancos botaram lá era a grana que estava lá no banco, por exemplo, para ser emprestada para as pessoas. Essa grana não está mais disponível para ser emprestada para as pessoas.
O banco vai ter que recuperar dinheiro de algum jeito, ou com tarifa, ou aumentando juros, ou de alguma outra maneira. Isso aí vai bater no bolso de contribuícias que não tem absolutamente nada a ver com o Marshall, nem sabe o que é isso, mas vai acontecer. Então, são dois escândalos daqueles que realmente batem grande na economia, que tem um volume muito diferente do seu escândalo de corrupção regular.
Agora, só lembrando que uma das alegações do Roberto Campos Neto para não ter visto a história do Master acontecer foi porque era um banco de baixo impacto sistêmico. Pois é. Imagina, um banco de baixo impacto sistêmico ter resultado em tudo isso que a gente está vendo.
Não, é o que a Ana estava falando aqui comigo na reunião mais cedo, que muda um pouco a ideia do que é ter impacto sistêmico, porque não é tanto uma questão de quanto era o capital gerido pelo Master, é uma questão de as relações dos caras políticas se tornavam a coisa muito mais complexa.
Chamo atenção para isso, para começar, pelo contraste da cobertura, da maneira como está sendo vivenciado politicamente. O Brasil parou completamente por causa do petrolão. O Brasil foi governado de Curitiba durante um ano. E agora está todo mundo meio assim, bom, vamos ver se pegam os caras, a culpa é do sistema, chato isso, cega a vida. É um contraste bastante instrutivo.
Enquanto isso, o Supremo, que está no centro dessa história, você tem ali o Xandão, o Toffoli e o Cássio enrolados com o Banco Master, continua completamente alienado da realidade. Então você vê ali o Gilmar completamente sem noção do que está acontecendo. Ele acha que a vida continua exatamente como era dois anos atrás ou vinte anos atrás.
E dentro desse espírito, ele resolveu pedir para enfiarem o Zema no inquérito das fake news por uma palhaçada lá que o Zema fez, botou um videozinho de fantoches lá, que era o Toffoli e o Gilmar, e aí o Gilmar fazia um favor para o Toffoli, o Toffoli agradecia, o Gilmar dizia ah, você me compensa com o Estadia no Tayhaya, uma palhaçada dessa. Um negócio que inclusive parece meio sem graça. Não, olha, meu senso de humor, eu gargalhei com esse vídeo.
Eu não vi. Pois é, talvez seja melhor do que eu esteja dizendo. É um vídeo de teor calunioso, cômico, e o Gilmar mordeu a isca. Mordeu a isca e entregou pro Zema três dias de entrevista em toda a imprensa, dizendo que tava sendo perseguido, etc e tal. Tanto que o Gilmar teve que ele ir pra imprensa dar entrevista. Exatamente. Pra se defender.
Exato, entendeu? Então assim, foi uma estupidez atroz, inclusive o Gilmar você pode dizer o que você quiser, mas ele não era inábil politicamente, muito pelo contrário isso foi de uma inabilidade de amador uma inabilidade calouro de quem entrou no jogo agora porque ele ainda não percebeu que os candidatos de direita vão tentar ser processados pelo Supremo
porque isso vai eleger eles pro Senado, vai eleger eles pro que eles quiserem. Então foi um jogador absolutamente imbecil do Gilmar, que, por sua vez, tinha dado uma resposta legal antes ao Zema, quando ele dizia que o ajuste fiscal do Zema, todo mundo sabe que era 100% picaretagem, né? Basicamente ele conseguiu uma decisão judicial que permitiu que ele não pagasse conta. Ele não pagava as dívidas de Minas Gerais. Precisávamos de uma dessa, hein? É, imagina se o Haddad pudesse fazer isso. Falei, Haddad, é o seguinte, você tá dispensado de pagar a dívida pública. Pronto, resolveu o déficit público em 15 dias.
O ajuste fiscal do Zema era isso, ele conseguiu que um tribunal desse superior deixasse ele não pagar a dívida de US$0,00. E o Gilmar disse, quando era para fazer isso, ele gostava muito dos tribunais superiores. Essa resposta era boa, ele podia ter se limitado a isso, mas fez questão de fazer a imbecilidade de tentar enfiar o Zema no negócio das fake news, que como todo mundo já disse, já era para ter acabado. É, o inquérito das fake news é de março de 19.
a abertura dele. Exato. Ele já completou sete anos de vida, daqui a pouco vai ter bodas de prata do inquérito da fake news. Talvez já tenha outro golpe e ainda tá no mesmo inquérito de golpe, entendeu? É, e o Gilmar agora fez uma rodada de entrevistas aí, falando que o inquérito só acaba quando termina, né? Ou seja... Ah, bom.
Eles não perceberam ou não estão querendo perceber a mudança... De clima ideológico, né? De humor da sociedade e a mudança objetiva, porque tem cerca de 100 pedidos de impeachment lá no Senado. Enquanto Alcolume estiver lá, isso não vai prosperar. Os pedidos de impeachment até...
antes da inclusão desse escândalo e do envolvimento das histórias do Toffoli, do Alexandre de Moraes e, posteriormente, do Cássio Nunes Marques. Posteriormente, porque se soube depois, né? Não que os episódios envolvendo ele tenham sido cometidos depois. Mas, antes, os pedidos de impeachment poderiam ser atribuídos às virtudes do Supremo e às virtudes, especialmente, do Xandão, que é o mais visado. É o ministro contra quem tem mais pedidos de impeachment.
Não mais, porque desde o final do ano passado existem suspeitas muito desabonadoras envolvendo esses personagens. Então mudou o termômetro desse negócio. E o Gilmar Mendes está agindo à moda antiga. Exato, como se nada tivesse mudado. Como dizia Sócrates para o Sebiades, jovem, isso não vai acabar bem. Exatamente.
E aí eu só queria lembrar mais duas coisas. Primeiro que, pelo cálculo do pessoal que está acompanhando, é capaz dessas delações aparecerem bem no meio da campanha, então o Banco Master vai ser um ponto importantíssimo da campanha presidencial esse ano.
E eu só queria mais uma vez reiterar o meu choque com o fato que a direita está lucrando com essa crise no Supremo, num escândalo que tinha muito mais gente de direita do que de qualquer outro lugar. E num escândalo que tem, do lado do Supremo, o Cássio Nunes, que foi nomeado pelo pai do Flávio Bolsonaro, o Toffoli, que livrou o Flávio Bolsonaro do escândalo das rachadinhas, e o Xandão, que outro dia tentou uma manobra para limitar o uso de dados do COAF como ponto de partida de investigações.
que é extremamente semelhante à defesa do Flávio, no caso das rachadinhas, que foi aceita pelo Toffoli. Então, esse cara está se beneficiando do sentimento antissupremo e antissistema. Bom, a gente encerra, então, o primeiro bloco do programa por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar da relação entre a sucessão presidencial e o ambiente econômico. Já voltamos.
O ano de 2025 foi o mais atribulado da carreira do Emicida. Em março, ele anunciou o fim da parceria com Evandro Fiotti, irmão e sócio dele. Os dois eram parceiros na Laboratório Fantasma, a empresa que eles criaram juntos, e que virou um campo de batalha entre os irmãos nos meses antes do rompimento. Poucos meses depois, em julho, a mãe de Emicida e Fiotti morreu aos 60 anos.
Na revista Piauí de Abril, eu, Guilherme Henrique, converso com o emicida sobre a disputa com o irmão, a perda da mãe e os efeitos de tudo isso na vida e obra dele, enquanto ele trabalha em um novo projeto, uma trilogia homenageando os Racionais MCs. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador.
Oi, pessoal, aqui é a Stephanie Roque, editora da Companhia das Letras e apresentadora da Rádio Companhia. Eu quero te convidar para ouvir os episódios deste mês da rádio. Tem um bate-papo super legal com a Raquel Toledo e a Cecília Rosa sobre o escritor russo Dostoyevsky. É um episódio para quem já leu e para quem quer se aventurar na obra dele.
Tem também uma conversa sobre escrita criativa com Marília Garcia e Roberto Tadei, onde eles falam sobre como e por que escrever. Além disso, eu conversei com a Fabiane Sex, na Terça Pontes, e Fabiane Guimarães sobre os seus novos lançamentos. Está um mês incrível para quem gosta de livro, então quando acabar aqui, eu te espero lá.
Muito bem, estamos de volta. Celso, está na moda, principalmente entre os analistas políticos, que não estão entre as pessoas que passam necessidade propriamente, dizer que a economia não explica mais os humores do eleitorado. Pode ter um fundo de verdade nisso, mas como bom materialista, você há de desconfiar desses argumentos sempre que eles aparecem assim, sem ressalva, sem nuance. Vamos tentar entender isso.
Então, Fernando, eu acho o seguinte, pode ter uma certa verdade nisso. Nos Estados Unidos, eles criaram o termo que era o Vibe Session, né? O Recession das Vibes, né? A vibe tá negativa, né? Tipo, as pessoas estão com uma sensação ruim, o que poderia ser, por exemplo, relacionado à polarização política, à cultura de redes sociais e uma série de outras coisas, né? Porque já no governo Biden, e inclusive agora no governo Trump, a percepção da economia tá pior.
do que os resultados concretos, do que a taxa de desemprego. Uma explicação para essa Vibe Session americana é que as pessoas podem ainda estar profundamente insatisfeitas com a queda de qualidade de vida que elas tiveram naquela subida grande de preços que teve depois da pandemia. Porque quando a gente diz que a inflação caiu, a gente está querendo dizer que os preços estão subindo mais devagar, mas os preços não caíram. Então, você pode estar meio que parado na quantidade de arroz que você pode comprar, pode ter parado de piorar.
Mas o que você queria mesmo é que o governo desse um jeito de você poder voltar a comprar a mesma quantidade de arroz que você comprava antes. Então, nos Estados Unidos, há muito essa percepção de que as pessoas estão insatisfeitas com o nível dos preços, não com o ritmo de crescimento. E o nível deu um salto grande depois da pandemia que vem derrubando o governo mundo afora esse tempo todo. Então, a gente tem que ver se isso também não está acontecendo aqui.
Pra vocês terem uma ideia, recentemente o Haddad deu uma entrevista dizendo que ele acha que a economia esse ano nem ganha nem perde a eleição pro Lula, né? O que deve ser verdade, inclusive. Mas, assim, pelos números da economia atuais, devia estar ganhando. Então, assim, alguma coisa realmente tá diferente. Tem uma coisa que os americanos chamam de misery index. Que aqui a pessoa às vezes traduz literalmente como índice de miséria, mas não é isso. É índice de mal-estar, de depressão, de tristeza, enfim.
que seria simplesmente a soma da taxa de inflação com a taxa de desemprego. E o índice de mal-estar no Brasil esse ano tem grande chance de ser o menor de todos os tempos. O desemprego está baixo, a inflação também está baixa. Então, pelo critério tradicional, o Lula devia estar mais popular e a seleção provavelmente já devia estar ganha. Obviamente não está. Aí eu acho que cabem algumas considerações antes da gente embarcar totalmente na tese do Vibe Session, na tese de que a economia não importa.
Primeiro, a economia está desacelerando. A economia continua num estado bom, o desemprego está baixo, a inflação está baixa, mas o Banco Central subiu muito os juros e, eventualmente, a economia desacelerar. Então, por exemplo, ano passado, o crescimento do PIB foi de 2,3. Para o padrão do Brasil, nos últimos 10 anos, até que a média do crescimento no terceiro governo Lula foi melhor. Os índices do Lula são bem melhores que os índices do Bolsonaro, por exemplo.
Mas esses índices do Bolsonaro eram muito baixos. Bom, teve a pandemia durante o governo Bolsonaro. O Bolsonaro teve a pandemia, depois teve o rebote da pandemia, que cresceu bastante, mas no geral o índice foi baixo. Mas realmente, não é o melhor critério para avaliar o governo do Bolsonaro, o PIB.
Mas enfim, voltando. Esse índice de 2,3% de crescimento do ano passado não é alto pra caramba. Não é um negócio que, em comparação internacional, o cara olha e fala, pô, o Brasil tá bombando aqui, não sei o que. Não é verdade. A coisa tá desacelerando. E aí, se o Lula perder a eleição, é provável que o pessoal do PT vai botar a culpa no Galípolo, dizendo, olha só.
Você subiu os juros e a gente entrou no ano eleitoral desacelerando. Ao que os defensores do Galipo vão poder dizer. Bom, mas aí a culpa é de vocês que no final de 2024 teve aquele episódio em que o Haddad anunciou o ajuste fiscal e a reforma do imposto de renda ao mesmo tempo, mas sem a proposta concreta da reforma do imposto de renda. O pessoal do mercado não sabia o que ia acontecer com os investimentos isentos, com aqueles investimentos que não tinham.
Imposto de renda, todo mundo fugiu para o dólar O dólar disparou, a expectativa de inflação subiu O Banco Central teve que disparar os juros Então vai ficar uma briga aí do pessoal Dizendo se a culpa é do Galipo que subiu os juros Ou do Rui Costa e da Glaze Que sabotaram o Haddad dentro do governo Naqueles meses lá
No meio da desaceleração, a gente já está com um problema razoável, que é o preço do combustível, porque o nosso amigo Donald Trump resolveu invadir o Irã sem ter a menor ideia do que está fazendo, e agora ninguém tem a menor ideia do que vai acontecer com o preço do combustível. Então isso também impressiona não só a inflação, como dificulta para o Banco Central baixar os juros. E aí eu acho que a gente também tem que prestar atenção se aquelas coisas econômicas que a gente tratava antigamente ainda têm o mesmo significado. Por exemplo, desemprego está muito baixo.
O pessoal que defende a reforma trabalhista costuma dizer que parte desse desemprego baixo é por causa da reforma trabalhista, que diminuiu o custo de empregar a gente, facilitou a vida do empregador. Não tem, assim, uma massa de estudos atualmente que prove isso, não. Mas é possível que seja verdade. Agora, é possível também que tenha aumentado a oferta de empregos, mas caído a qualidade dos empregos. Isso era uma previsão comum na época da reforma trabalhista.
Então pode ser que esse pessoal que esteja com esses empregos atualmente simplesmente não esteja tão satisfeito quanto o cara que tinha aqueles empregos anteriores, que vinham com mais direitos. Tem a questão dos aplicativos também. Exato, isso somado à questão... Tem gente que está preferindo trabalhar no aplicativo do que uma vaga formal, que é a vaga...
Isso, exatamente. Então assim, você somando isso com uberização, etc, pode estar tendo uma menor associação entre emprego e satisfação com o governo, entendeu? O que não quer dizer necessariamente que a economia ficou menos importante. E finalmente tem a questão do endividamento, né? Que a gente já falou aqui dois programas atrás.
que bate na popularidade do governo por dois lados. Primeiro, porque o dinheiro que a pessoa tem para gastar diminui. Quer dizer, você ganha 100, mas você tem que pagar 20 de dívida, você não ganha 100. E se você ganhava 100, passou a ganhar 110, mas agora você deve 20, você está com menos dinheiro no bolso. Então, assim, o endividamento tira a sua renda disponível, tira a grana que você tem para gastar.
E em segundo lugar, se está todo mundo pegando dívida, a população está especialmente sensível ao aumento de juros. Então, assim, é possível também que, na verdade, esse aumento de renda não esteja pesando na popularidade porque ele não esteja se concretizando na vida das pessoas. Então, por exemplo, o cara pode ter ganhado, de fato, uma boa ajuda com a reforma do imposto de renda, mas se o endividamento dele subiu muito, ele pode ter a sensação de que está ganhando menos do que estava, do mesmo jeito.
Eu acho que deve ter alguma verdade no negócio do Vibe Session. Eu acho que tem um certo lado, que é a pessoa, por exemplo, está tão polarizada que se o governo que ela apoia é fazer uma besteira, ela vai dizer que é sabotagem do adversário. Ou se acontecer um negócio muito bom, ele não vai dar esse crédito para o governo que faz oposição. Eu acho que isso existe também. Mas eu acho que a gente tem que tomar cuidado para não ir nem tanto ao mar, nem tanto à terra nessa discussão sobre qual vai ser o papel da economia na eleição desse ano.
Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre isso. Você apurou, andou conversando com pessoas do governo. Como é que o governo está diagnosticando esse problema? E que providências está tomando? Primeiro, o que a gente precisa ter em mente é que, em geral, quando você tem uma eleição em que há um projeto de reeleição, essa eleição sempre vai ser sobre o governo vigente, né? Se ele merece ou não ficar. E a tendência...
do eleitor é sempre ter uma visão mais crítica com o governo vigente do que com o governo que almeja substituí-lo, né? Então, a gente já parte de um início em que o governo precisa mostrar muito mais do que o cara que está querendo disputar com ele. E aí, nesse caso, como o Flávio Bolsonaro nunca governou, de fato, ele realmente só tem para apresentar ilusões, né? Do que ele gostaria de fazer.
Então, assim, para o governo é uma corrida mais difícil. E a situação dentro do governo hoje está tensa. O governo sabe que o que ele tem para fazer a essa altura do campeonato é apresentar o que foi feito, né? É comunicar para a população o que ele fez e o que ele está pretendendo fazer até a campanha começar.
E aí, por mais que você possa entrar nessa reflexão hoje dentro do governo, será que as medidas econômicas são o que as pessoas querem? Será que é isso que vai impactar o voto ou não, etc? Não há tempo hábil de pensar em outra coisa. O que existe para hoje são essas medidas que é o clássico do PT. E o Lula fez muito isso nesse governo, o auxílio gás, o luz do povo.
Essa questão do consignado desde o ano passado, que tem um efeito um pouco ambíguo, porque desde o ano passado eles ajustaram ali a regulação para liberar o tal do consignado do trabalhador. Esse consignado do trabalhador é um crédito, digamos, mais barato do que um crédito no banco, mas não é tão barato quanto o consignado para servidor público, né? Então, assim, é um crédito caro.
Mas ainda é um pouco mais barato que o crédito bancário. Então, eles deram uma estimulada legal nesse crédito no ano passado. E quem tomou outros créditos também, por outras razões, cartão de crédito e etc, está endividado.
Então, assim, era uma medida que eles estimularam ali para tentar estimular o consumo, a economia, fazer girar, etc., né, clássico, e que teve um efeito rebote, que é esse alto endividamento da população, sobretudo de baixa renda. E nesse caso do crédito do trabalhador, eles acabaram também fazendo um modelo que você podia dar 10% do seu saldo do FGTS como garantia para tentar diminuir um pouco a taxa de juros, mas ainda assim é altíssima.
Bom, o fato é que, diante dessa questão do endividamento, o governo está buscando alternativas, né? E uma das alternativas que o Lula pediu, e que teve uma reunião tensa no Palácio com Sidônio, enfim, todo mundo ali, ele cobrou pesadamente, porque se chegou a essa conclusão, o problema é o endividamento, por isso que as medidas econômicas não fazem efeito, porque a população está endividada, é isso que eles discutiram lá, o Lula chegou e falou assim, então...
dá um jeito de acabar com essa dívida. Não vou entrar no mérito se isso é a melhor coisa a se fazer, é porque é uma medida altamente eleitoreira, né? Você falava pagar a dívida pessoal no ano de eleição. Mas aí eles pariram ali, muito rapidamente, o tal do Desenrola 2, que é esse programa para ajudar a saudar ali o endividamento das pessoas.
E aí você está no governo hoje vivendo uma situação que é a equipe econômica, que não está mais com o Haddad, agora está com o Dario Durigan, que era o secretário executivo do Haddad. Está super pressionada para produzir algo de impacto nesse campo econômico, diante do pouco efeito em popularidade de medidas como a da isenção do IR. E essa pressão na equipe econômica, ela vem com uma certa dose de desespero do governo. Desesperado, palavra.
estou falando desesperado, com o pouco impacto das medidas econômicas, tá? É sobre isso. O Palácio do Planalto já tende a contemporizar, a dizer, ah, a campanha ainda não começou, ainda tem tempo, as coisas não estão definidas ainda, as pessoas não estão falando de eleição, as pessoas não estão pensando em eleição, é esse um pouco o discurso, assim.
Mas eu tendo a ir com a equipe econômica, eu acho que o governo está meio desesperado mesmo diante disso. E eu sei porque eu acompanho esse assunto ao longo deste governo inteiro e eu me lembro muito bem de mais ou menos há uns dois anos, quando eles estavam debatendo a história da isenção do IR e o governo estava muito certo de que isso era garantia para a reeleição. E eu falei aqui, eu me lembro naquela época, que duas coisas que eles estavam contando muito como algo...
concreto para a reeleição era a isenção do IR, porque ela atinge uma população que, digamos, votou no Bolsonaro, porque uma renda acima de 5 mil, né, dentro dos levantamentos eleitorais de 2022, era o eleitor bolsonarista. E a questão da desoneração da cesta básica também era um ponto, que eles estavam contando muito como incentivo para a reeleição do governo. Nada disso tem impacto hoje nas pesquisas, pelo que a gente vê.
Agora, numa das conversas que eu tive com o Felipe Nunes, da Quest, sobre esse assunto, uma das coisas que ele me apresentou em pesquisas qualitativas que eles estão fazendo é uma coisa que foi muito forte no primeiro governo Lula e no segundo governo Lula e que agora está meio descalibrada, que é o seguinte, os programas econômicos ou os benefícios sociais dos primeiros governos, eles eram muito calcados na ideia de você...
Mudar de patamar de vida. Então assim, agora você vai poder andar de avião porque era o filho do rico que andava, era o rico que andava, agora você vai poder andar. Você vai poder ir para a universidade que antes era só o filho do rico que ia. Então todos os programas tinham um pouco esse viés de mudança de patamar. Mobilidade social.
É, do status, né? Agora eu vou ter aquele status. E hoje, se você pegar o auxílio gás, luz para o povo, né? A isenção, por mais que sejam programas focados na renda, a forma como eles são empacotados não é te colocando no status acima. Por mais que, o Lula falou, né? Essa isenção do imposto de renda vai te dar um 14º salário.
Pô, legal o 14º salário, mas assim, essa é uma ideia de status? Então isso é uma coisa que nesses programas deste governo, eles não estão calibrando os programas para essa coisa da população brasileira, dessa sensação.
Aliado a isso, você tem essa questão dessa economia informal dos aplicativos, que as pessoas enxergam isso como uma forma de complemento de renda, uma forma necessária e fundamental de complemento de renda. Então, elas querem que isso seja o mais fácil possível. Você conseguir trabalhar num aplicativo, seja ele qual for, que isso seja fácil, que seja uma coisa não burocratizada e etc.
E o governo tá agindo no sentido de regulamentar. E a forma como isso é comunicado pra população, eu não sei se é, enfim, de uma forma que não crie mais burocracia. A pauta da 6x1 é uma pauta relevante pro governo hoje. A CLT hoje, principalmente pra população jovem, a gente falou que várias vezes, assim, tem trend no Twitter, no TikTok, no Instagram, sei lá, nas redes sociais, de gente comemorando sair da CLT.
O jovem hoje, a CLT não é o que ele almeja. Ele quer poder compor a renda dele com mil possibilidades de trabalho. Enfim, acho que vale a pena a gente levar em consideração esses fatores sociais da sociedade brasileira. E independente de quem ganhar...
O que está parecendo é que os anseios da população por melhora na qualidade de vida, eles não estão mais passando pelo caminho tradicional da ascensão, que é a universidade e um bom emprego. E para a universidade, eu tenho dúvidas até que ponto essa nova geração do TikTok acha que isso é importante e ter um bom emprego tradicional, também tenho dúvidas. Se isso é o que almeja esse pessoal que tem 18 anos hoje.
Faz muito sentido. Ana, no campo da direita, da candidatura mais bem colocada que é a do Flávio Bolsonaro, quem está assessorando o Flávio Bolsonaro na economia? Em que pé nós estamos? Bom, eles divulgaram algumas coisas essa semana, né? O mercado está pedindo muito, né? Eles querem um nome para já, sem vergonha nenhuma, nem medo, né? O Paulo Guedes está assessorando o Flávio informalmente.
E virtualmente, agora ele está indo pra Brasília pra assessorar pessoalmente. O Gustavo Montesano, que foi o presidente do BNDES no governo Bolsonaro também. Ele tá, digamos, mais forte nisso, assim, tá mais dedicado. O Adolfo Saxida. Nossa senhora. Casca de bala vai ter uma cincopera. Caralho, é um pior que... O Guedes é disparado o melhor desses caras.
disparado. Com isso já dá pra gente saber o que você tá pensando. O artesano é o famoso craque que chuta com as quatro.
O Saxida era o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Paulo Guedes, e depois virou ministro de Minas e Energia. E aí você tem o Rogério Marinho, senador, também muito presente ali nessa equipe, que também foi secretário da Reforma da Previdência no governo Bolsonaro, no Ministério do Paulo Guedes, né?
E aí você tem também quem está trabalhando muito nessa turma aí, é o Eduardo Cury, que é um ex-deputado de São Paulo, um cara tucano, que foi para o PL e que está atuando junto com o Rogério Marinho ali, nessas conversas econômicas, digamos.
E aí tem a Daniela Marques, que também trabalhou no Ministério da Fazenda com o Paulo Guedes. Na verdade, ela trabalha com o Paulo Guedes desde quase recém-formada. Trabalhava com ele no mercado financeiro, depois foi para o governo com ele, voltou para o mercado financeiro e agora está com a roupa pronta para o governo Flávio, entendeu? Então essa é a turma do Flávio hoje.
Voltando ao que eu disse no início da minha fala, não é sobre eles, né? Não é sobre os projetos que eles vão apresentar ou que eles fizeram, né? Pode ser que na campanha o governo foque nessa coisa do que foi o legado do Paulo Guedes, se Paulo Guedes de fato se envolver. Mas assim...
Eles podem formar a equipe que for ali, a decisão do eleitor vai ser mais sobre este governo, o que é uma infelicidade quando se vê a comparação e o que fez esse governo Bolsonaro na economia pensar que isso não vai estar sob escrutínio nessa eleição. O Flávio, a estratégia de campanha até agora dele foi meio sumir, tentar virar uma alternativa em geral.
Sim, e até agora bem sucedida. Sim. Disso tudo que você está falando, fica claro que o mercado só está querendo algumas garantias para embarcar com as quatro, como disse o Celso. Pois é. Para embarcar. Eu não sei se está esperando, pensando bem, assim. Eu não sei se está esperando garantia. Eu acho que está todo mundo já. Vão, mas eles não estão contentes. Mas pede algumas garantias, enfim. Essas coisas estão em curso, isso que eu estou falando.
É só pra ter discurso, né? As garantias é só pra ter discurso. E acho que a gente, de fato, preferiu um outro candidato, sem dúvida. A gente estava contando com o Tarciso, uma coisa dessa, né? Preferiu o Tarciso, nós vamos falar disso no próximo bloco, então eu aproveito a deixa, a gente encerra o segundo bloco do programa, fazemos um rápido intervalo, na volta nós vamos falar justamente da sucessão no estado de São Paulo. Já voltamos.
Eu saí de um show de Paul McCartney direto pro hospital. E essa é a história de como eu morri. Na balança, tive que me livrar de 58 quilos. E nesse sarapatel teve de tudo. Obesidade, ultraprocessados, canetas emagrecedoras. Uma investigação com rigor de ciência, mas toda trabalhada num temperinho pernambucano. Eu sou Ed Vanderlei e esse é o A Última Bolacha, o novo podcast narrativo da agência pública. Toda segunda, em todos os tocadores de podcast.
Para cada podcast que a Rádio Novelo publica, tem muita coisa que fica de fora. A nossa tesoura é incansável. A gente diz que a gente gasta o nosso tempo para poupar o seu. Mas tem vezes que a tesoura vai longe demais. Por isso a gente está lançando o episódio bônus da série Avestruz Master, com uma grande história que ficou de fora do podcast.
É um trambique vintage que ajuda a explicar uma coisa muito importante. Por que a Avestruz Master não foi um esquema de pirâmide? Nesse episódio, eu, Flora Thompson Devon, explico para Paula Scarpin, para Carolina Moraes, o que eu descobri. E o livro que me fez sentir que eu estava dentro da cabeça do Gerson Maciel, o Rei do Avestruz.
O episódio é exclusivo para membros do Clube da Novelo. Só esse mês a gente está com desconto de 20% no plano anual, que te dá direito a conteúdo extra e também nossa linda bolsa com o logo da Novelo. É só usar o cupom CLUBE20. Vem brincar com a gente. E se você já é membro, dá esse presentão para alguém na sua vida.
Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. A disputa em São Paulo está polarizada entre o governador Tarcísio, Republicanos e a candidatura do Haddad, que em princípio não queria ser candidato e está lá para ajudar a eleição presidencial do Lula. Nos bastidores se falava e ainda se fala, a chance dele ganhar é muito pequena. Não é, porém, inexistente. Qual a apuração que você tem a respeito das movimentações dos dois lados?
Bom, Fernando, acho que primeiro a gente tem que dizer que a eleição de São Paulo é meio que um amálgama de tudo que a gente está falando aqui nos outros blocos que vai contar na eleição presidencial. A questão econômica é um ponto importante.
Em São Paulo, por exemplo, a gente falou aqui dessa questão do emprego formal, da CLT, do mercado de trabalho. São Paulo é onde isso está muito patente, né? Porque é lá que você tem uma economia informal muito ativa, essa questão dos aplicativos e tudo mais. É lá que o Pablo Marçal quase se elegeu prefeito.
vendendo essa ideia desse falso empreendedorismo, né? Como a salvação, né? Para as pessoas. O Pablo Marçal, inclusive, deu entrevistas dizendo que vai ajudar o Flávio, que vai ajudar quem for preciso contra o PT.
nessa eleição, inclusive no aspecto das redes. A questão da segurança pública está no Brasil inteiro, né? Não tem discussão. Mas em São Paulo, por ser o berço do PCC e ser uma cidade já super violenta por si, é uma questão mais forte. A sensação de violência em São Paulo é uma coisa...
De novo, cresceu no Brasil inteiro, mas em São Paulo isso é particularmente forte. Então tudo que a gente está considerando para essa eleição presidencial, em São Paulo ela está sendo como se fosse um laboratório, entendeu, disso tudo. E acho que por isso que o trabalho do Haddad talvez seja mais difícil do que foi nos outros pleitos, né? E vai ser difícil porque você tem um adversário ali que, embora não tenha resolvido a vida econômica de São Paulo, digamos, né?
O Celso me lembro que até falou aqui, quando a gente estava conversando sobre as contas públicas dos estados, alguns anos atrás, que o Tarcísio, na verdade, estava arrumando a casa em São Paulo e entregando a dívida para o governo federal. É, o plano de artesfiscal do Tarcísio era pedir dinheiro para a Dario, basicamente.
Pois é. Enfim, é um estado em que o Tarcísio, digamos, não resolveu a questão econômica, também não atrapalhou tanto, mas também não resolveu, longe de resolver a questão da segurança pública, a questão da sensação de insegurança que as pessoas têm. Embora nem sempre as pessoas olhem para isso como sendo uma responsabilidade do governo estadual, né? As pessoas tendem a associar tudo de importante, saúde, violência, etc.
ao governo federal, ao presidente, né, que é a figura que mais aparece, digamos, né, então por mais que aquela escola seja atribuição do governo estadual manter, se ela tá ruim, o governo é uma coisa maior e geralmente envolve o presidente, né.
É, e roubo de celular, por exemplo, que é um crime muito frequente, é um pequeno crime, é um pequeno crime quando não é com você, mas acontece uma quantidade tão grande, todo mundo tem medo em São Paulo de andar com o celular dentro do carro. Não, e roubo de celular do brasileiro pobre, é o cara que o celular quando é roubado, o cara pagou uma de 15 prestações, vai ter que pagar...
14 sem ter celular. Então, enfim... Tem um transtorno, um dano financeiro gigantesco, desorganiza a vida da pessoa. Se o cara trabalha com aplicativo, ele está desempregado. Exatamente.
Pois é. E a questão é que, assim, isso não está sendo associado ao Tarcísio. Ele continua com a popularidade alta, a chance de reeleição dele é grande. É possível que ele trabalhe em parceria com o Pablo Marçal nessa questão dos jovens e etc. Enfim, que seja uma coligação só ali, né? É uma situação complicada porque foram as grandes cidades, né? Sobretudo São Paulo, a grande São Paulo, a grande Belo Horizonte, foram muito decisivas na eleição passada.
E a grande questão agora é se essa população dessas regiões metropolitanas está enxergando no que o governo fez algo que mereça ser repetido. É uma zona muito perigosa para o governo.
E é onde a turma do Flávio, do Tarcísio, é onde eles vão chegar junto, né? Toda essa região metropolitana de São Paulo, BH, lá vai ser, na verdade, a grande eleição. Não vai ser nas regiões que já estão completamente calcificadas, né? Vai ser ali. Agora, para o Flávio, independente de o Tarcísio estar com a eleição dele garantida ou não em São Paulo, o que as pesquisas mostram que está, o Flávio precisa do Tarcísio em São Paulo.
Ele precisa que o Tarcísio se engaje na campanha dele. Ele precisa que o Tarcísio vá para a rua para ajudá-lo. E até este momento, o Tarcísio não deu indícios de que vai fazer isso. Porque, primeiro, nunca se deu bem com o Flávio, nunca se deu bem com os filhos, de uma forma geral. Talvez com o Flávio tenha sido a melhor relação entre os três filhos, mas nunca chegou ao ponto de ser uma relação de amizade. Pelo contrário, o Tarcísio sempre achou o Flávio um ladrão, picareta.
Desonesto, corrupto. De onde ele terá tirado essa imagem? Tanto que quando o Tarcísio estava naquela coisa, será que ele ia ser o candidato ou não? Quando ele estava se movimentando para tentar se cacifar, ele falava nos bastidores que, como vice, ele topava a Michele Bolsonaro, mas não o Flávio. Então, assim, até que ponto o Tarcísio vai se engajar nessa campanha? Não se sabe.
É, eles são rivais, inclusive 2030 tá muito distante, enfim, mas em tese o Tarcísio é candidato à presidência em 2030. E aí é muito mais difícil ele ser candidato em 2030 se o Flávio ganhar agora. É, sim, exato.
Só para concluir, diante da situação do Tarcísio, a gente poderia dizer, nossa, o Tarcísio deve estar soltando rojão, o cara está bem nas pesquisas, está tudo certo, a reeleição quase garantida ali para ele, vida ganha para ele, ele poderia estar soltando fogos e tudo certo. Não é o que está acontecendo. O clima no governo Tarcísio é totalmente desânimo.
Tá todo mundo muito desestimulado e frustrado com o fato de ele nem sequer ter falado com o Bolsonaro sobre a possibilidade dele se candidatar, porque o que se fala nos bastidores é isso, que ele não chegou a falar pro Bolsonaro, olha, eu quero, se você quiser me considerar, saiba que eu estou afim. Ele não teve essa conversa. A conversa dele com o Bolsonaro sempre foi, o que você achar melhor é isso, nunca se colocou de fato pro cargo. Então, assim…
Como a equipe dele acha que ele ganharia fácil a eleição presidencial, eles estão bem frustrados com ter que ficar mais quatro anos recebendo o prefeito do interior de São Paulo ali, entendeu? Que é uma coisa que o Tarcísio não gosta, a equipe dele não gosta, o Kassab gosta muito e por isso está convertendo todo mundo para o PSD.
Esse é o ponto que eu queria falar. O Kassab oficialmente está apoiando o Tarciso, né? Já manifestou isso. Embora ele tenha se afastado do Tarciso. É, a relação está muito difícil entre eles. Ele oficialmente apoia o Tarciso, mas não sabemos o tipo de conversa que ele está tendo com o Lula. E isso pode ter algum impacto na eleição, porque o PSD é disparado partido com o maior número de prefeituras no estado de São Paulo. Elegeu mais de 200 prefeitos.
na última eleição. E a vantagem do Tarciso, historicamente, a vantagem do campo da direita, do adversário do PT, é no interior. Na capital, a disputa é muito mais acirrada. Então, o Tarciso depende de um bom desempenho no interior do Estado para vencer.
Eu tenho dúvida de como o Kassab vai se comportar ainda. Eu acho que até o Kassab tem dúvida por enquanto. Ele está em aberto. A situação é complicada porque o Felício Ramut, que é o vice, e que o Tarciso disse que vai se manter vice, né? Não sei se vai se manter, mas o que ele disse até agora que vai se manter o vice na chapa dele, ele se desfiliou do PSD, do Kassab, se filiou ao MDB, né? Numa demonstração clara de que a relação com o Kassab está ruim, né? A partir do momento que o vice se desfilia... Sim.
do PSD, é porque realmente as coisas azedaram ali. Inclusive porque se o Haddad ganha o governo de São Paulo, o que não é provável, mas se ele ganha, no dia seguinte já é candidato à associação do Lula em 2030 e o Kassab quer ser governador de São Paulo, que todos sabemos em 2030. Até nisso as coisas combinariam. Vamos lá, Casca. Explique as coisas de São Paulo, que a Ana Clara chama de lá. Lá em São Paulo. Lá no Ceará. É uma estocada em meu coração cada vez que ela diz isso.
essa foi boa ai você não se conforma com a minha carioquinha lá em São Paulo lá em São Paulo não aqui nessa terra onde eu não quero nunca mais se quiser ao contrário do Tarciso que saiu daqui exato porra, na cara, pelo amor de Deus vira governadora do Rio
A Ana Clara é nossa governadora. Pelo amor de Deus. Então, Fernando, o Haddad recebeu uma boa notícia recentemente, e até acho que uma notícia meio inesperada, que foi a pesquisa da Atlas. Na pesquisa da Atlas, ele parte acima de 40%. Ele continua perdendo para o Tarciso, o Tarciso pode ganhar no primeiro turno, e até agora, pelo menos, está com cara de eleição de primeiro turno, mas que, cara, não é fora completamente do normal, o Haddad ganha no primeiro turno. Porque não está com cara que vai ter... que o segundo turno vai ser a mesma coisa, aparentemente.
Pode até ter segundo turno, porque alguém pode ter 3% lá, mas os outros candidatos, além dos dois, estão marcando muito pouco na pesquisa. E um deles é o Kim Kataguiri, pelo Missão, que é aquela porcaria de partido do MBL, mas que, não sei se vale a pena perder tempo por isso, mas anda com um negócio muito bizarro, para quem tiver interesse em acompanhar a atual situação do MBL. Eu não sei se o Kim Kataguiri vai ser candidato a governador, sabendo que ele pode se eleger deputado facilmente e a chance dele para governador é...
É muito remota, né? Nula. Eu é, então. Inclusive, não sei se esse cara vai ser candidato, pra falar a verdade. Então, tá com um cara que vai ser uma eleição muito polarizada e agora o Haddad começou num patamar, ao menos acreditando aqui na Atlas, ele começou num patamar bastante bom. Começou mais ou menos no patamar que ele saiu do último segundo turno.
É melhor do que o pessoal esperava. E é melhor do que as outras pesquisas estavam dando. Então, no mínimo, o Haddad parece bem posicionado para fazer a mesma coisa de puxar voto para o Lula dentro de São Paulo. Agora, ele tem chance de ganhar? Bom, como a gente já disse aqui, o Tarcísio ainda é o franco favorito. Inclusive, com boa chance de ganhar no primeiro turno.
Primeiro que a maldição do incumbente, que a gente sempre está falando, ainda não chegou nos governos estaduais. Se você ser situação para governador, ainda é uma vantagem razoável. Provavelmente porque ninguém bota a culpa em governador por questão de economia. Segundo, os índices de aprovação do Tarcísio são bons. E terceiro, porque a esquerda nunca ganhou o Estado de São Paulo. A esquerda já ganhou a Prefeitura de São Paulo algumas vezes. O Haddad ganhou a região metropolitana na última eleição para governador.
A esquerda já ganhou a prefeitura com a Erundina, com a Marta e com o próprio Haddad. E com o próprio Haddad. Além do Covas, né? Mas o Covas não foi eleito, né? A esquerda nunca ganhou quando o Lula tinha 75% de popularidade. Exato. Então, assim, é um território hostil, o interior de São Paulo. É o interior, o interior de São Paulo, que a Ana Clara conhece bem. Ela finge que...
Minha origem. Embora é bom que seja dito que anos 90, por exemplo, o PT ganhava um monte de prefeitura interior de São Paulo. A prefeitura já era Satuba, inclusive. Exato, já ganhou vários. E o Fernando. Já ganhou Campinas, já ganhou Ribeirão Preto, um monte de coisa. Sim. Guarulhos, que é a segunda maior cidade do estado, maior Campinas hoje. Olha só. E tinha Diadema, né? O Diadema, ou PT ou ex-petistas ganhavam sempre a eleição, recentemente que parou.
Enfim, mas realmente é uma dificuldade grande para o Haddad ganhar esse interior. Agora, tem algumas coisas que realmente complicam um pouco esse quadro. Uma é o que a Ana falou. O Tarcísio saiu menor dessa pré-candidatura dele a presidente. Ele teve uma campanha de mídia extraordinária a favor dele. Teve uma elevação de expectativas sobre ele como estadista, como líder, não sei o que lá. Muito grande nesse processo de construção do Tarcísio como candidato a presidente.
E no final, é o que a Ana falou, ele nem pediu para ser candidato. Quer dizer, o Bolsonaro falou, Tarciso, você não é candidato. O Tarciso falou, sim, senhor. No final, quer dizer, o Tarciso caiu de presidenciável para o candidato do Bolsonaro em São Paulo. Esse dano de imagem, a gente ainda não sabe ainda muito como vai ser processado. Até porque você vai dizer, ele quer ser candidato na próxima eleição presidencial. Olha, eu já disse aqui, se der certo para ele, é a primeira vez que dá certo para alguém, porque...
Todo cara que eu já vi dizer não, não vou nessa que eu vou na próxima, quando chega na próxima a situação é completamente diferente. Exato. Exatamente. Se não for preso no meio do caminho, que também tem precedente. Se for no Rio, o cara pra ser candidato precisa ser preso. Já tem que concorrer preso, exatamente. É, tem que concorrer preso. É quase uma... O senhor ainda não foi preso, não tá apto a... É, exatamente. Ele tem que fazer campanha naqueles celulares dentro do presídio.
Mas enfim, o Tarcísio saiu o menor dessa briga, né? Essa reorganização dentro do tarcisismo, que botou o Kassab meio pra escanteio e fez subir gente como o Temer, por exemplo, vou ser honesto com vocês, é algo que eu ainda não entendi. Se fosse o Tarcísio, não faria isso. É porque ele não confia no Kassab, confia no Temer. Então, isso que eu ia dizer. Se não confiar no Kassab, pô, parabéns, Tarcísio, certíssimo. Pô, vê se o seu cara tem gente. Mas você confia em quem, então? Pô, o Tarcísio.
Então, assim, é um negócio meio esquisito. E esses caras não têm voto, né, gente? O MDB ainda tem muito prefeito, mas não é o negócio que era antigamente. Eu tô vendo aqui, Celso, só porque é curioso isso. O MDB elegeu 66 prefeitos, acho. Tem muito. O MDB é um partido de prefeitos atualmente.
66 prefeitos em São Paulo. É. O PSD do Kassab elegeu 206. Pois é, é bem maior, né? É, o PL foi o segundo partido que mais elegeu o prefeito de São Paulo. Sim. Porque essa coisa do PT não conseguir entrar no interior é porque tem uma rede de prefeitos do interior, rede de máquinas políticas do interior, muito bem azeitada, muito bem articulada, que o PSDB, quando ganhou controle sobre isso, passou a vencer o governo de São Paulo...
quase que automaticamente, né, cara? A gente nem tinha interesse muito em comprar a eleição de São Paulo, porque a gente sabia que o PSDB ia ganhar de qualquer jeito. E, a princípio, essa máquina passou para o Kassab e para o taxismo. Então, assim, por que essa reorganização interna dentro do movimento do taxismo? Eu vou ser honesto. Eu posso te explicar. Eu quero ouvir. Ele não é político. Tudo isso que o PSDB fez em São Paulo, que o Kassab herdou...
pra ele não interessa, ele não gosta ele não tem a menor habilidade pra ficar lidando com essa política partidária local e ele prefere mil vezes se reunir com o pessoal da Faria Lima com os empresários que o Temer convida pra fumar charuto, essa corte paulistana esse status, ir pro condomínio da baronesa com o Roberto Campos Neto, ele gosta também receber a ligação do André Esteves é isso que ele quer, é isso que ele gosta é isso que...
Ele acha que é o mundo dele. Não é o mundo de receber o prefeito de Itu, entendeu? Isso ele não quer. Sim, isso gostava o Alckmin. De fato, gostava. E o Alckmin, amassar barro, vestir as sandálias da humildade. Exatamente, esse é o segredo.
Eu acho que essa máquina do Itacísio eu tô achando menos azeitada do que já foram aquelas máquinas tucanas que você olhava e realmente era uma muralha, assim. Você não furava aquilo de jeito nenhum. Não sei como é que isso vai funcionar nessa eleição. Tucanistão.
a gente tem que notar que essa eleição vai ser muito nacionalizada, né? Porque o Lula vai estar sob julgamento na eleição presidencial e o ministro da Fazenda dele é o candidato em São Paulo, né? Então, assim, o tempo todo o Haddad vai estar falando sobre coisas que o governo fez, sobre coisas que ele fez como ministro. Então, assim, essa não tem como essa eleição não ser nacionalizada. Muito bom.
Bom, vamos encerrar o terceiro bloco do programa. Rápido intervalo. Na volta, aquele momento em que eu brilho a cada ano bissexto. Kinder Ovo. Já voltamos.
Alô, Rio de Janeiro! O Grupo Corpo apresenta 21 Ipiracema, de 6 a 10 de maio, no Teatro Multiplan Vila de Mó. Garanta o seu ingresso em simpla.com.br ou na bilheteria do teatro.
Oi, aqui é a Carolina Moraes, da Rádio Novelo, e eu tô aqui pra te fazer um convite. No ano passado, eu, a Natália Silva e a Bia Guimarães passamos meses mergulhadas numa investigação sobre uma nova ameaça ao acesso ao aborto legal no Brasil. O que disparou essa investigação, e que virou uma série chamada Sala de Espera, lá no feed do Rádio Novelo Apresenta, foi o fechamento de um serviço de referência, o do Hospital Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo.
Depois de meses num embate jurídico, esse serviço acabou de ser reaberto, mas as ameaças ao aborto legal continuam pairando. Por isso, nós três resolvemos nos reunir para uma live no nosso canal no YouTube no dia 28, uma terça-feira, às 8 horas da noite. A gente vai conversar com os especialistas Romina Margarita Ramui e com o Rodolfo Pacanella para falar um pouco sobre a nossa série e entender o que está em jogo agora nessa disputa.
É só procurar por Rádio Novelo no YouTube e se inscrever para não perder a conversa. A gente te espera lá. Muito bem, estamos de volta. Mari, sem mais delongas, pode soltar.
Quer dizer, passou por uma lipoaspiração, tá hoje mais esgot. Aécio. Aécio. Mas nós temos o ingrediente fundamental que outros não têm. Nós temos liberdade. Ah, mas... Porra. Ai, ai. Eu também falei. Falei mais atrasado. Ah, é, é, é. Ah, é, é, é. Porra, cara. Ganhou a Ana Clara. Ganhou a Ana Clara. Você vai querer VAR de novo, cara? Não, VAR, essa eu perdi. Essa eu perdi. Essa eu sei que eu perdi.
Ó, falei nos primeiros três segundos, ouvintes. Lipoaspiração geral é voluntária, né, cara? É você que escolhe fazer, né? A S sempre aquele pastel de vento, né? Falando temos liberdade, não sei o que lá. É um pastel de vento.
O sujeito atrasado. Então é isto, quem fala é o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, em entrevista ao Metrópolis. Aécio Neves, menino do Rio, menino do Rio, seu conterrâneo aí. Aécio Neves, mais conhecido como menino do Rio, quando era governador de Mínio. Ele ainda tem aquele AP na Orla? Deve ter. Era visto frequentemente fazendo stand-up no forte de Copacabana.
Bom, encerramos então este glorioso momento de Ana Clara Costa. Vamos para o melhor momento do programa, o momento das cartinhas, o momento de vocês. Eu começo com o recado do Rogério Ferreira. Expectativa, diz ele.
Fazer pós-graduação em ciência política mirando no raciocínio crítico e bom humor do casca de bala. Realidade. Acertar dois Kinder Ovos seguidos, uma mãe falinha e o Pablo Marçal. Pô, tá melhor que eu. E ainda lembrar que fiz campanha pro Ciro no Longínquo 2018.
Pô, 2018, muita gente boa fez campeão do Ciro. Rogério Ferreira, casca de bala. Quer se mirar em você, tá certo. Valeu, Rogério. Casca de bala é um bom espelho. A Lorena Maia tem uma dúvida. Eu amo a felicidade do Fernando quando ele ganha. Qual é o signo dele? Lembrando que a astrologia é a cloroquina da esquerda.
Qual que é teu signo, Fernando? Sagitário. Sagitário, Lorena. Faz o mapa dele pra gente. Isso aí, manda que a gente lê ao vivo aqui. Faz o mapa, também quero saber. Cloroquina esquerdista, né? Isso daí.
Uma pessoa que se identificou apenas como Farney postou. Todas as vezes que um de vocês acerta um Kinder, eu me sinto vendo aqueles vídeos de pessoa comum em um esporte olímpico, onde vocês são os atletas. Eu gostaria também de ser atleta. Contudo, devido ao estado insalubre da política nacional, torço pela saúde mental de vocês da mesma forma que torço pela saúde dos joelhos dos nossos atletas. Perfeita sua analogia, Farney. Exatamente essa questão. Muito bom.
É isso então, gente. O que é bom dura pouco, o que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube.
Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes.
A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Chopana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do Dani D, no Rio de Janeiro. Eu me despeço, então, dos meus amigos. Tchau, Ana. Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.
Tchau Celso. Tchau Fernando. Tchau pessoal. Até semana que vem. Eu vejo vocês dois em Recife. Amanhã. É verdade. Aí. Até amanhã. Maravilha. É isso gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.
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