O rachadão de Vorcaro e as dúvidas da sucessão
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam os novos desdobramentos do caso Master, com revelações sobre repasses milionários a figuras da política, da economia e do Supremo que ampliam a dimensão do escândalo. No segundo bloco, o debate se volta para a reorganização partidária na largada do calendário eleitoral e a tentativa de Lula de administrar o desgaste provocado pelo caso Master. No terceiro bloco, o trio atualiza o cenário da guerra no Irã após o anúncio de cessar-fogo, as acusações de violação do acordo e os impactos no estreito de Ormuz.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.co/ft107
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- Caso MasterRepasses milionários · Viviane Barsi de Moraes · Alexandre de Moraes · CPI do Crime Organizado
- Reorganização política e janela partidáriaTroca-troca de legendas · Cátia Abreu · PSB e PT
- Conflito Irã-EUACessar-fogo · Impactos no estreito de Ormuz · Acusações de violação do acordo
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Feliz dia, o dia.
Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. O pedido de instalação da CPI específica para apurar o envolvimento de ministros da Suprema Corte com a organização criminosa materializada pelo Banco Master. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com o meu amigo Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro.
E com a minha amiga Ana Clara Costa, que está na confraria de sons e charutos aqui em São Paulo. Olá, Ana, bem-vinda. Oi, Fernando. Oi, Celso. Oi, pessoal. Você curtiu a biografia histórica desse país com o julgamento do 8 de janeiro.
Não permita que esse caso do Bocaro jogue fora com a biografia. Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernandes. Estamos aí. Mais uma sexta-feira. O todo o país pode ser tirado em uma noite. E essa noite pode ser amanhã. Mais uma sexta-feira. Vamos então aos assuntos da semana.
Dados da Receita Federal mostram que o Banco Master de Daniel Vorcaro pagou mais de R$ 80,2 milhões ao escritório da advogada Viviane Barsi de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Isso ao longo de 22 meses, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Continuamos sem entender bem o que exatamente o escritório fez para merecer ou cobrar valores assim exorbitantes. O levantamento do jornal Estado de São Paulo mostrou que nos últimos cinco anos o casal Barsi de Moraes desembolsou 23 milhões e 400 mil reais na compra de imóveis em Brasília e em São Paulo. Todos eles pagos à vista conforme os registros em cartório. Também vieram à tona registros de viagens de Moraes em jatinhos ligados a Vorcaro.
Tudo somado, a única coisa razoável seria que Xandão se defendesse das suspeitas longe do cargo. A sua credibilidade como ministro do STF está, como diria a dona Armênia, na Xon. A lista de agraciados com os milhões de Vorcaro inclui os ex-ministros da Fazenda, Henrique Meirelles.
18,4 milhões. E Guido Mantega, 14 milhões. O ex-presidente Michel Temer, o breve, 10 milhões. O ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social de Bolsonaro, Fábio Weingarten, 3,8 milhões, entre outros. Como diz a canção de Tom Jobim, é a lama, é a lama. E a gente vai se debruçar sobre esse pântano.
No segundo bloco, ainda tratando do impacto político do escândalo do Master, nós vamos comentar a entrevista de Lula ao ICL, na qual o presidente buscou marcar uma posição de relativa distância em relação a Xandão. Entrevista de resto, em que o presidente estava muito à vontade e jantou os entrevistadores, que se deixaram engolir em clima de absoluta cordialidade.
Do ponto de vista do Planalto, foi uma operação de comunicação bem-sucedida, como a gente vai ver. Nada de indigestão. Na largada do calendário eleitoral, a gente fala também da reorganização partidária, concluído o período de troca-troca de legendas e o prazo de desincompatibilização. A fusão entre o bolsonarismo e o centrão, ou entre a extrema-direita e a direita, está em alta, como mostra o crescimento do PL.
Por fim, no terceiro bloco, a gente atualiza o noticiário sobre a guerra no Irã, onde a situação segue bastante incerta depois do anúncio do cessar-fogo na terça-feira, quando havia o temor de que Donald Trump pudesse pôr em marcha o plano de destruição da civilização persa, como ele havia anunciado. O Irã acusou Israel de violar o acordo ao lançar um violento ataque contra o Líbano depois do cessar-fogo. Israel e Estados Unidos, por sua vez, insistem que o Líbano não faz parte do acordo.
O Estrito de Hormuz, estratégico para o escoamento de petróleo, seguia operando com menos de 10% de sua capacidade normal nesta quinta, praticamente fechado. Este, por hora, é o maior trunfo do governo iraniano. É isso? Vem com a gente!
Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Tá chovendo na horta de muita gente, né? Só não choveu na nossa, pelo jeito. O Orcaro regou a república. Inclusive o padrinho do ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente Vampirão, que foi agraciado aí com, segundo ele, 7 milhões e meio, segundo o noticiário, 10 milhões de reais. Esse era barbado, né, gente? Como é que ia ter um negócio desse e o Michel não tá ali no meio? Vamos lá.
Bom, eu acho que a declaração de imposto de renda do Master, que foi o documento que foi entregue à CPI do crime organizado e acabou sendo vazado para a imprensa, responde algumas dúvidas que a gente tinha em relação a esses pagamentos. Porque, embora o contrato do...
escritório da Viviane Barsi de Moraes com o Banco Master já tivesse sido divulgado, os pagamentos não tinham sido encontrados. Primeiro porque o escritório não disse quanto recebeu. A gente sabia que o contrato era por um período de 36 meses que não se concluiu porque o banco foi liquidado antes. Então, uma das informações que foram pedidas para o escritório era o quanto...
desse contrato de R$ 129 milhões tinha sido, de fato, pago. O escritório nunca respondeu. Quando foram vazados os relatórios de inteligência financeira do COAF, do Banco Master, que também estavam na CPI do crime organizado,
Nesses relatórios, não foram localizados, eu não estou dizendo que não estão lá, tá? Eu estou dizendo que não foram localizados à primeira vista esses pagamentos para o escritório da Viviane, porque o CNPJ do escritório dela não constava como beneficiário de pagamentos do Master segundo o COAF. Então, a imprensa que teve acesso a esses dados, né? Falo por mim também, eu procurei e todos os jornalistas que tiveram acesso procuraram e não encontraram esses pagamentos.
foram encontrados os pagamentos para outros escritórios de advocacia, como o do Vard, que a gente inclusive falou aqui no foro, quando esses dados saíram, né? Que inclusive era um pagamento bastante parecido com o contrato dela, né? No período que o Coaf olhou esses dados, o Vard tinha recebido 40 milhões em 10 meses, né? 4 milhões por mês. E ela recebeu 80 milhões em 22 meses.
Pois é, no final das contas, o Globo fez essa conta. Aí, o que aconteceu? Quando veio a declaração de imposto de renda, foi possível ver o quanto se recebeu em 2024 e 2025. E esse relatório do COAF era só de 10 meses. Então, foi um período maior que se teve acesso na declaração de imposto de renda. E aí, o Globo fez a conta de que o escritório da Viviane foi o escritório de advocacia que mais recebeu recursos do Master.
mais, inclusive, que o Vard, que era o escritório principal do Banco Master, né? Tanto era principal que estava coordenando a defesa do banco e do Daniel Vorcaro até pouco tempo atrás. E, segundo esse levantamento do Globo, o escritório, o escritório da Viviane, chegou a receber dez vezes mais que outras bancas que foram contratadas.
O escritório da Viviane chegou a receber 13 milhões a mais do que o escritório do Vard, que era o principal escritório do Banco Master. Depois da Viviane, foi o Vard o que mais recebeu. E depois do Vard, o que mais recebeu foi o escritório Gabino Kruschevski, que é um escritório de Salvador.
Até agora, não se sabe como o escritório Bárcio de Moraes recebeu esse dinheiro do Master, porque eles não constam do COAF do Master, o CNPJ do escritório, né? Eles podem ter recebido por meio de outro CNPJ, que a gente não sabe qual é.
É uma coisa que, inclusive, seria interessante saber, né? A gente já sabe que o escritório recebeu, a gente já sabe que o Banco Master pagou, a gente já sabe quanto foi pago, mas a gente ainda não sabe qual foi o caminho que esse dinheiro fez para chegar no escritório da Viviane Barsi e se converter em vários imóveis que eles compraram, né? Segundo uma outra reportagem do Estadão, mostrou que o crescimento patrimonial do casal em número de imóveis foi muito grande nesses últimos anos.
Mais de 20 milhões, né? Uma coisa... Exato. E esse relatório está mostrando também outros pagamentos, né? Feitos pelo Master, como para veículos de imprensa, né? O Metrópolis recebeu um valor expressivo, né? Ele recebeu 27 milhões. Seu proprietário, Luiz Estevam, disse que esse valor era publicidade para... Vocês que me salvem aí, vocês que entendem de futebol.
campeonato da Série D, mas depois foram ver que quando o patrocínio, esse suposto patrocínio chega, o campeonato só passou a exibir a propaganda três meses depois. Então ficou meio estranho esse timing, né? Explicação furada. O político brasileiro, inclusive Luiz Estevam, já se esforçou mais pra dar uma explicação, pelo amor de Deus. Exato.
Agora, outros pagamentos, né, que a gente já sabia. Primeiro, o escritório do Michel Temer recebeu 10 milhões em 2025, segundo os dados. Ele admite 7,5, né? Isso. Pra fazer mediação, o quê?
Ele fala mediação. É a mediação mais cara do povo. Lobista. Ok. Ele tem assumido esse papel, né? Ele foi contratado pelo Google, por outras empresas. Ele fez a carta do Jair em 2021. Exato. É o grande poder moderador, é o Michel Temer. Lobista, picareta.
E aí outros pagamentos que já se sabia, né? Do Lewandowski, do Guido Mantega, que também receberam. E o que eu achei curioso é o Antônio Rueda, né? Que tá como tendo recebido um milhão em pagamentos advocatícios ali. É o jurista.
Dado o envolvimento que se sabe do Antônio Rueda com o Master, eu acho que é possível que ele tenha recebido esse valor, mas ele pode ter recebido também por meio de outras empresas que ainda não foram rastreadas ali na declaração. E talvez não sejam pagamentos declarados.
Oi, pessoal, estou voltando aqui para fazer uma pequena correção. O valor recebido pelo Antônio Roeda do Master foi de 6,4 milhões. Esse valor foi pago entre 2023 e 2025. Apesar disso, segue a nossa reflexão de que o valor que ele recebeu e que consta na declaração de imposto de renda do Master ainda é incompatível com o tamanho do envolvimento do Antônio Roeda com esse caso.
E não é completamente impossível que o Master tenha estabelecido um modus operandi, que é virar, meu amigo, faz um escritório de advocacia aí, que eu contrato ele e é a maneira pela qual eu te dou dinheiro pra você fazer o que eu quero. Não é uma explicação hipotética, né? O Guido Mantega também abriu um escritório de advocacia? Capaz, capaz. Outro grande jurista. É uma vergonha, né? O Guido Mantega, que não sei como, foi ministro da fazenda durante oito anos. É o cara que mais foi ministro da fazenda. Ele bateu o recorde do Malan. Não sei como sobrevivemos a isso.
Depois teve o Paulo Guedes ainda, né? Exato. Tem um escritório que eu senti falta nessa declaração, que é um escritório que atua para todas as operações em Brasília, que é o escritório do Willer Tomaz. E ele não estava nessa declaração de imposto de renda. Mas, enfim, acho que tem muitos dados que ainda vão ser divulgados que a gente vai poder entender melhor o destino desse dinheiro, né?
Agora, vale dizer que no caso do Mantega, ele recebeu 14 milhões do Master, mas não por meio de um escritório de advocacia. Ele recebeu por meio da consultoria dele, a Polaris Consultoria, que foi o serviço que ele prestou para conseguir a reunião com o Lula para o Daniel Vorcaro. Que, no fundo, são duas maneiras de nomear o lobby.
Outro que também recebeu como consultor foi o Fábio Weingarten, que foi o ex-secretário de imprensa do Jair Bolsonaro. Recebeu 3,8 milhões e ele também faz serviços de consultoria, alguns deles em parceria com o próprio Valfrido Vardi. Celso, deixa eu te ouvir sobre este quadro.
Então, Fernando, você estava mencionando aí a DPF 199, que o Xandão ressuscitou essa semana, que foi uma ação do PT em 2021, que pretendia, em tese, esclarecer pontos ou regulamentar melhor aspectos da delação premiada, o procedimento para a delação premiada. O timing dessa ressurreição, logo depois da pátria, inclusive, é um pouco suspeito.
Mas o que eu conversei com o pessoal da área de direito é que eles estão preferindo esperar para ver se isso de fato tem alguma repercussão no caso de uma possível delação do Vorcaro. O jornalista Felipe Recondo, por exemplo, que é especialista em cobrir o judiciário, fez um vídeo no Instagram em que ele diz que o timing é esquisito mesmo porque está acompanhando esse noticiário completamente cabuloso sobre os pagamentos do Master ao escritório da...
da mulher do Xandão, mas que em tese, a maior parte dos pontos da ADPF reforçam questões que já estão na legislação. E o Recondo, por exemplo, acha que isso é mais ruído do que exatamente um grande risco. Outras pessoas que eu conversei dizem que preferem esperar pra ver como é que os ministros vão votar nesse negócio, pra ver o que eles aceitam ou não dessa ADPF, enfim. Pode ser que tenha alguma mutreta aqui, mas a simples entrada em discussão da ADPF, a princípio, não seria necessariamente mutreta.
O ADPF pede pra você regularmente algumas coisas, por exemplo, primeiro, reforce algo que já está na lei, que a delação premiada em si não é prova. Então, o cara dizer que você fez alguma coisa, se for só isso que tem, se ele não entregou nenhuma prova, não te deu nenhuma planilha, não te mostrou uma gravação, não te mostrou um print de WhatsApp, não fez nada além de falar.
E se o que ele disse não serviu para, por exemplo, a Polícia Federal descobrir outras coisas, aí você não pode condenar o cara só com base nisso. E aí isso teria repercussões, por exemplo, no caso de delações em que dois delatores falam a mesma coisa. Você pode usar uma como corroboração da outra? A DPF pede que não, dizendo que se uma não é prova, então também não é prova.
da outra, né? E por aí vai, assim, tem, por exemplo, discussões sobre o que você pode oferecer pro delator, em termos de alívio da pena dele, tem a discussão dos bens que ele pode manter, umas coisas assim, isso eu imagino que no caso do Vorcaro seja uma questão relevante. Mas que a princípio, segundo o pessoal que eu conversei, pode ser que eu esteja errado,
A DPF em si não garante nenhuma pizza, não serve uma pizza. Ela talvez possa ser interpretada ali na hora de julgar de uma maneira que sirva uma pizza. Bom, de qualquer forma, as circunstâncias, Celso, as circunstâncias em que isso foi ressuscitado do nada por esse personagem, Alexandre de Moraes, que apresentou uma evolução patrimonial incompatível com o que recebe no Supremo, supostamente ligada ao escritório de advocacia da mulher.
É o Master, é o dinheiro do Master, não tenho a menor dúvida sobre isso. É o dinheiro do Master, então. Então ele está sob suspeição, não tem legitimidade. É, mas eu acho que é bom a gente tomar cuidado com essas coisas, porque, por exemplo, saíram várias matérias sobre a história da DPF e nenhuma delas, pelo menos que eu vi, tinha uma discussão sobre o conteúdo da DPF. Eu acho isso ruim. Você tem razão. Assim, eu acho que a gente devia saber exatamente o que está em discussão.
Eu devo dizer, eu tenho expectativas baixas com relação à delação. Eu acho muito, mas muito mais importante o conteúdo dos celulares do Vorkar se torna a público. Assim, eu digo isso em primeiro lugar com base na experiência do Mauro Cid. A delação do Mauro Cid rendeu um aumento de pena pro Braga Neto, porque tinha aquela história do Braga Neto dar dinheiro pros golpistas. Mas o que o Mauro Cid foi importante mesmo foi quando ele foi preso, pegaram o celular dele e no celular dele estava lá a conspiração do golpe inteiro.
E o celular dele, não tinha como o Maurício voltar atrás e editar para ser do jeito que ele quisesse. Mas a delação ele pode editar 500 vezes, como o Elias fez. Então, assim, eu acho muito mais importante a gente ter acesso a essas informações que estão nesses celulares. Você tem razão. Até porque, assim, você vai dizer, proteger a intimidade do Vorcário. Meu amigo, já vazaram a conversa sobre o sexo dele com a noiva. Vocês vão proteger mais do quê? E eu acho que isso é que é o relevante.
É que supostamente tem a intimidade de outras pessoas da República nesses celulares que estão querendo poupar, entendeu? É, meu amigo, se ferrou, não mandei você ir na suruba do banqueiro ladrão, entendeu? Agora todo mundo vai te ver de cueca mesmo e é isso, entendeu? É só que essa foi uma das razões do André Mendonça ter colocado em sigilo, porque há pessoas da República que estão com a vida pessoal exposta e o André Mendonça foi sensível a esses apelos.
Ema, ema, ema cada um com seus problemas. O cara resolveu ir na festa do Vorcaro com as mineiras ucranianas, sei lá o que, não sei o que. Isso não é problema do público brasileiro, a gente tem que saber qual era a relação do cara. A proposta, obviamente não é crime o cara ir numa suruba, mas se você vai na suruba do cara que você vai julgar, por exemplo, do cara que te deu dinheiro de campanha, enfim, isso evidentemente é um sinal de proximidade, como por exemplo usar o jatinho do cara, ou ir no resort do cara, enfim.
Então, enfim, é triste, mas a gente vai ter que ler e talvez ver vídeos de um pessoal aí do Congresso. Não quero nem imaginar, sinceramente. Não era uma suruba honesta! É, exato. E aí, se tiver delação, aí surge o debate sobre exatamente o que seria uma pizza, né? Em caso de delação. Um dos riscos de pizza é justamente eles esquecerem esses celulares, fazerem uma delação meio chumbrega, aprovados, que deram uma satisfação aí pra opinião pública e acabou. Mas qual seria o sabor da pizza?
Os políticos envolvidos, naturalmente, preferiam uma dessas pizzas com 50 coberturas, aquela pizza x-tudão que só maconheiro consegue comer. Aquelas com provolone, presunto, ovo frito, sushi, aquele negócio. Exato, com ervilha, por cima. Exato, com todo mundo.
Não vai dar pra ser exatamente o que eles querem, porque ninguém vai aceitar uma delação nesse nível, que o cara não entregue ninguém. Vai na delação e fala, ó, todo mundo é inocente, né? Não vai servir. Então, uma versão um pouco mais light dessa pizza seria o Vocar entregar só aqueles caras que já estão ferrados mesmo, gente. Ciro Nogueira. Ciro Nogueira vai escapar disso? O Antônio Rueda vai escapar disso?
Se escapar, escapou todo mundo, entendeu? Então, assim, tem uns caras aí que já rodaram. Tem uma versão da pizza de maconheiro que seria só esses nomes óbvios que já estão ferrados mesmo, mas com uma borda recheada de uns petistas super representados ali comparado ao envolvimento deles no caso. Então, uma coisa que pega só esses caras de sempre e mais uns caras ligados ao governo.
É o que o pessoal mais ligado à direita gostaria. Uma versão da pizza que os bolsonaristas gostariam é essa pizza do maconheiro com o xandão em cima. Os bolsonaristas não gostariam do Toffoli nem do Cássio Nunes. Os outros ministros que têm parente aí ganhando um negócio ou travaram a investigação, enfim.
E uma versão mais light da pizza teria esses políticos que já rodaram, o Xandão e talvez o Toffoli, para dar uma satisfação para a opinião pública que bem ou mal acompanhou com grande interesse esse envolvimento do STF, e morri aí. A minha impressão é que boa parte da mídia brasileira toparia essa pizza. Porque é essa pizza que você serve para entregar para as pessoas e dizer foi o sistema, foi todo mundo, foi não sei o quê.
Agora, para não ter pizza, o Volcaro teria que quebrar os grandes partidos de direita brasileiros. Teria que fazer com os partidos de direita brasileiros em 2026 o que aconteceu com o PT na eleição para prefeito de 2016, quando o PT foi absolutamente lacerado, porque o nome dele ficou completamente associado à corrupção. Aquelas capas da verde estrela quebrada, agora teria que ter umas capas de camisa do Brasil enlameada, alguma coisa desse tipo. Então isso sim seria não ter uma pizza. Seria você contar para o público brasileiro também quem é que está majoritariamente envolvido nisso.
A probabilidade de acontecer, na minha estimativa, é zero. Vai ter pizza. Eu acho que a grande questão é o quão mais gordurosa ela vai ou não vai ser. Perfeito. Ana, para arrematar esse primeiro bloco, você queria falar do COAF.
Uma das medidas que o Alexandre de Moraes tomou recentemente, ele ampliou uma liminar para restringir a requisição e o uso de relatórios de inteligência financeira do COAF. Então, o que isso significa, esse juridiquês? Ele diminuiu o acesso a esses dados.
Porque o que acontece? Eventualmente, em algumas investigações, é o relatório do COAF que dá origem à investigação. Esse relatório é feito pelo COAF quando operações atípicas são identificadas e muitas vezes há investigações que nascem disso. O que o Alexandre de Moraes fez nessas últimas semanas foi fechar o cerco, então criar critérios mais rigorosos para que esses relatórios sejam feitos.
O que é uma coisa extremamente perigosa, porque a gente sabe o que foi feito do COAF no governo Bolsonaro, porque o COAF fez o relatório que mostrou a rachadinha no gabinete do Bolsonaro, do Flávio e tudo mais, né? Toda a investigação da rachadinha foi feita com base num relatório de inteligência financeira do COAF.
E no final das contas, só para lembrar um pouco do passado, porque ele é exemplar, primeiro, um ponto, o Bolsonaro queria enfraquecer o COAF de qualquer jeito no governo dele, justamente em razão disso, desse relatório. Quando essa discussão chegou no Supremo, em 2021, a segunda turma do Supremo decidiu anular esses relatórios do COAF que tinham sido usados na investigação da rachadinha, justamente usando esse argumento de que esses relatórios tinham sido feitos para entender o que esses relatórios, para entender o que esses relatórios, para entender o que esses relatórios, para entender o que esses relatórios,
antes do início da investigação, obviamente. Antes do início da investigação, porque a investigação veio por causa dele. Então, só para lembrar que essa decisão do Alexandre é mais ou menos o que aconteceu para livrar o Flávio do caso da rachadinha. O processo foi anulado no Supremo, né? E o que será que o Flávio vai dizer disso?
Pois é, o que o Alexandre, na verdade, está fazendo é reforçando essa jurisprudência dessa anulação dos RIFs que motivaram aquela investigação. Curioso ele fazer isso justamente agora, quando saem esses RIFs do Master, até depois do que eu falei aqui, que não se encontra no RIF o repasse para o escritório da mulher dele.
Isso parece ser, na verdade, um dos primeiros passos para lá na frente tentar anular todo o caso com base na história dos relatórios de inteligência financeira do COAF. E vocês podem ver que na resposta do escritório da Viviane sobre os pagamentos, quanto ela recebeu do Master, né? Mais de 80 milhões. Um dos argumentos dela é que esses vazamentos são ilegais, ela não reconhece esses números, esses dados são ilegais. Então, assim, tudo parece estar caminhando.
para uma ideia de que lá na frente eles vão tentar colocar isso como um fator para a nulidade do processo. Muito bom. O rachadão do Vorcaro. Bom, vamos encerrar o primeiro bloco do programa por aqui. A gente faz um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar da sucessão de Lula e ainda do caso Master. Já voltamos.
O ano de 2025 foi o mais atribulado da carreira do Emicida. Em março, ele anunciou o fim da parceria com Evandro Fiotti, irmão e sócio dele. Os dois eram parceiros na Laboratório Fantasma, a empresa que eles criaram juntos, e que virou um campo de batalha entre os irmãos nos meses antes do rompimento. Poucos meses depois, em julho, a mãe de Emicida e Fiotti morreu aos 60 anos.
Na revista Piauí de Abril, eu, Guilherme Henrique, converso com o emicida sobre a disputa com o irmão, a perda da mãe e os efeitos de tudo isso na vida e obra dele, enquanto ele trabalha em um novo projeto, uma trilogia homenageando os Racionais MCs. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br.
Oi, pessoal, aqui é a Stephanie Roque, editora da Companhia das Letras e apresentadora da Rádio Companhia. Eu quero te convidar para ouvir os episódios deste mês da rádio. Tem um bate-papo super legal com a Raquel Toledo e a Cecília Rosa sobre o escritor russo Dostoyevsky. É um episódio para quem já leu e para quem quer se aventurar na obra dele.
Tem também uma conversa sobre escrita criativa com Marília Garcia e Roberto Tadei, onde eles falam sobre como e por que escrever. Além disso, eu conversei com a Fabiane Sex, Natercia Pontes e Fabiane Guimarães sobre os seus novos lançamentos. Está um mês incrível para quem gosta de livro, então quando acabar aqui, eu te espero lá.
Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. Estamos em abril, prazo de desincompatibilização já vencido. A gente tem uma primeira configuração do quadro eleitoral com transferências partidárias, etc. Você se debruçou sobre esse novo ambiente, esse ecossistema, vamos dizer assim. O que te chama a atenção?
Então, Fernando, teve algumas reorganizações interessantes. A primeira coisa que eu sugiro ao ouvinte é o seguinte, não se pegue muito nessa questão que saiu em várias matérias sobre quantos deputados cada partido ganhou ou perdeu no líquido. Então, tipo assim, você vai ver, o partido tinha 12 e agora tem 14. Ah, então só aconteceu isso? Entraram dois? Em vários partidos o que aconteceu é que saíram nove e entraram 11. Então, na verdade, teve muito mais movimentação aqui do que parece.
do que o número final indica. É, o partido do Kassab, por exemplo, que é um partido bem, assim, fácil do cara usar como em trânsito, né? Tipo, por exemplo, eu tô num partido aqui no meu estado. O meu partido resolve lançar outro cara. Eu vou pro Kassab. E aí depois, dependendo do que aconteça, eu posso sair do partido do Kassab. Então, o partido do Kassab, por exemplo, tem muita gente que entra, muita gente que sai.
Agora, algumas tendências parecem ficaram claras. Primeiro, PSB, o Partido Socialista Brasileiro, que talvez seja o partido mais antigo do Brasil, se os comunistas não quiserem me matar. Ah, eles quererão te matar. E vão querer, e o PSB, enfim. Tem toda uma disputa sobre quem é o herdeiro do velho PCB, porque se tiver alguém que é o herdeiro direto do velho PCB, ele é o partido mais antigo do Brasil. Eu, sinceramente, acho que nenhum desses partidinhos que sobraram é o herdeiro do velho PCB.
E aí, baseado nisso, eu acho que o PSB é o partido mais antigo. O PSB foi fundado ali logo no fim do Estado Novo, né? Tinha lá aqueles intelectuais todos, o Antônio Cândido, aquele pessoal. A maior parte dos intelectuais com um pouco mais velhos que participaram da fundação do PT tinham sido do PSB. Antônio Cândido que era perseguido pelos comunistas e protegido tanto pelo Paulo Emílio Salles Gomes como pelo Caio Prado Júnior. Me contou uma das filhas dele, que chegou a sofrer a ameaça do Partido Comunista que ele devia sair do Brasil.
Ele, António Cândido, em determinado momento. Você vai vendo. É, o PSB agora parece ter encontrado um nicho interessante. Tá atuando um pouco como o aliado centrista do PT de preferência. Então, se você é um cara mais ao centro, ou progressista num sentido mais amplo, e você quer apoiar o Lula, mas você não quer entrar no PT, entendeu? Porque o PT é de esquerda demais pra você. Ou então você não quer diluir a sua máquina política própria.
nas disputas internas do PT. Então, em vez de entrar PT, você entra PSB, que está adquirindo uma certa cara ideológica de partido ali na centro-esquerda entre o PT e o centro. Então, o PSB recebeu a Simone Tebbit, que vai ser candidata ao Senado por São Paulo, e está aparecendo bem nas pesquisas. Recebeu a Soraya Tronic, que foi a candidata
A presidente de 2022 é a candidata que desmascarou o padre Kermess, recebeu Rodrigo Pacheco, enfim, vários outros nomes importantes da política brasileira que se moveram para a esfera de influência do Lula, mas não querem comprar o pacote inteiro do PT. De maneira que o PSB se saiu razoavelmente bem nessa janela de trocas. Companheiro Alckmin na vanguarda, então, né?
Agora, Celso, eles não querem comprar o pacote do PT, mas também o PT não quer, parte da estratégia, que sejam pessoas não do partido nessas regiões, né? Tipo São Paulo. Sim, mas eu já vou falar sobre isso, que tem um fato que dá uma bagunçada um pouco nessa... Vocês vão ter que falar da companheira Kátia Abreu. É isso que eu vou falar. Ah!
Essa história do PSB é clássico na trajetória do PT. O PT sempre teve aliados centristas, mas ele sempre brigou para manter uma certa unidade ideológica. Então, se você fosse um cara mais centrista, você entrava num outro partido de esquerda, ou de centro-esquerda, ou de centro, e se aliava ao PT. O caso da Cátia Abreu é completamente anômalo diante dessa história, porque ela...
Apoiar o PT não é uma anomalia, historicamente. Ela está num estado fortemente de direita. Então, assim, é inteiramente razoável que o PT busque uns aliados ali que der para arrumar. E principalmente para a eleição do Senado, né? Que é a grande prioridade de todo mundo nessa eleição, porque os bolsonaristas querem eleger uma maioria golpista. Agora, ela ser chamada a entrar no partido é muito singular. O PT nunca fez isso.
Por exemplo, o PT ficou aqueles anos todos no governo, dois mandatos do Lula, um mandato e meio da Dilma, e praticamente não cresceu por adesão, o que costuma acontecer com partidos que ganham a presidência da República. Aparece no dia seguinte 50 caras querendo entrar para o seu partido. O PT não aceitou esses caras. O PT botava os caras num partido aliado ali. E a entrada da Cátia Abreu é uma ruptura grande com isso mesmo, que está causando um certo choque na militância. Porque, por exemplo, a Elisiane Gama, que também entrou agora,
Ela estava no partido do Kassab, mas antes ela veio do Cidadania, que já que estávamos falando do Partido Comunista, é o antigo herdeiro, herdeiro extremamente distante do velho Partido Comunista, mas enfim, por exemplo, tem o mesmo número até hoje na urna do velho Partido Comunista. Aliás, quem quiser tem uma matéria interessante sobre a briga no Cidadania, para ver quem vai liderar o Cidadania no site da Piauí. Mas a Elisane Gama não gerou essa mesma comoção.
O PT aceitou que tudo bem, vai ter um pessoal mais de 100 que vai entrar aqui. Mas a Cátia abriu realmente foi um choque, né? É, o Caiado deve estar... Ô, Cátia, você... Ué, mas o Caiado não pode falar nada, porque o Caiado quase entrou no Partido Socialista Brasileiro em 2014. Você exagerou, Cátia. Ué, mas o Caiado queria entrar pro PSB pra apoiar o Eduardo Campos. Não sei se vocês se lembram disso. Quem vetou o apoio do Caiado ao Eduardo Campos é a Marina Silva. Traturada tem limite.
Agora, a Cátia Abreu comprou essa posição também. Eu falo comprou. Não estou me referindo a dinheiro, né? Estou me referindo a... É, esse foi o assunto do bloco anterior, né? Estou me referindo a influência também em razão do impeachment. Ela defendeu... Ah, total. A Dilma... Não, os petistas têm simpatia por ela pela fidelidade dela à Dilma.
Mas daí a querer que ela entre no partido e, por exemplo, participe das discussões programáticas do partido, isso aí o PT nunca tinha feito. E realmente, se isso virar uma tendência, é uma mudança grande na natureza do partido. Só acho que vale mencionar sobre a Elisiane Gama que ela foi relatora da CPI do 8 de janeiro.
Isso foi um ponto importante da biografia dela. Não, o pessoal do PT não está reclamando, eles não estão reclamando disso. Então eles falam, ah, sei que vai ter gente mais de centro mesmo, teve uma reforma partidária em 2017 que vai forçar os partidos a tentar incorporar novos setores, então isso aí o pessoal está achando normal. A Cátia Abreu é que tem todo aquele elemento da Serra Elétrica, né, que ela ganhou o troféu da Serra Elétrica, isso aí que realmente não fica bem, né.
E o filho dela é senador, não muito associado ao governo, né? Como é que chama o cara do Rio aí, o petista, o prefeito? O Quá Quá. Quá Quá.
É isso que eu ia dizer. O caso da entrada da Cátia Abreu parece ser um progresso da tendência coacoaísta. Porque são os caras que topam a aliança com qualquer um. Então parece que o coacoaísmo venceu essa briga. Quem apanhou pra caramba nessa janela de transferência foi o PDT, que caiu de 17 pra 9 deputados. Pela primeira vez nessa história, o PDT passou a ser menor que o PSOL, que tem 12.
E as perdas são causadas por vários motivos, desde membros do PDT que vão querer se afastar do Lula nessa eleição porque estão em estados muito de direito. O PDT não é um partido com uma identidade ideológica clara no Brasil inteiro. Você tem aqueles lugares onde tem o brizolismo, aquelas coisas todas, mas em vários estados brasileiros o PDT é meio legenda de aluguel. Teve jeito que o PDT capou o Bolsonaro em 2018, por exemplo.
E não se pode esquecer que o PDT tem o Carlos Lupe, que está meio no centro da história do INSS. Também atrapalhou o PDT, se você olhar um pouco mais a longo prazo, o Ciro, que foi meio que dono do partido por muitos anos, e impediu qualquer aproximação do PDT com o PT, por exemplo, para que o PDT, por exemplo, fizesse esse papel que o PSB está fazendo agora, de receber aliados mais centristas. Então, enfim, o PDT está realmente numa situação difícil.
Pode ter problemas aí com a cláusula de barreira. Agora, o grande vencedor da rodada é o PL do Bolsonaro, que recebeu uma imensa injeção de centrão. Se você achava que o PL não tinha como piorar, a filha do Eduardo Cunha, por exemplo, a Dani Cunha, entrou no PL. Olha só, Dani Cunha vai lá botar a camisa da seleção, gritar contra a corrupção.
De fato, o Eduardo Cunha já teve alguns problemas com o STF, mas são uns problemas de natureza muito específica. E essa aliança, para mim, é a força dominante da política brasileira no momento. Que são os caras que não gostam do STF porque roubaram dinheiro e os caras que só não gostam do STF porque deram golpe. Então, assim, o PL agora está fechando sua identidade como a aliança entre essas duas facções. Esse pessoal que entrou veio em grande parte da União Brasil e aquele pessoal direita centrão.
Que, enfim, é o padrão da política brasileira. Muito bom. Ana, deixa eu te ouvir sobre esse quadro que o Celso tão bem desenhou. Bom, eu acho que se por um lado o governo e o PT, no caso, né? E os partidos, enfim, se movimentaram para fechar os seus quadros ali para a eleição. Por outro lado, do lado do governo tem havido um movimento de comunicação forte.
Se ele é satisfatório no sentido de conseguir ter resultados, a gente não sabe. Mas a impressão que se tem é que, de fato, a comunicação agora está voltada para a eleição, né? Com uma presença forte nas redes sociais de anúncios, de programas e tal, de tudo que o governo tem feito. Tem havido uma cobrança imensa do Palácio do Planalto em relação aos ministérios para que resultados sejam anunciados em cascata, né?
Por quê? Porque eles foram informados que a população não está tendo muito acesso ou pelo menos não está entendendo as coisas que o governo fez. O que está chegando para a população em relação a este governo é mais negativo do que positivo. Há uma percepção de que eles não estão informados.
Eu acho que a entrevista que o presidente Lula deu para o ICL essa semana é parte dessa estratégia, né? E o que ele fala em específico do Supremo e do Alexandre de Moraes também. Porque qual que era a questão ali, né? Que a gente já falou aqui algumas vezes, né? Existe uma associação do Supremo com o governo.
Então, em razão do 8 de janeiro, em razão do papel que o Supremo teve no julgamento do Bolsonaro e tal, sobretudo do Alexandre de Moraes, as pessoas, parece que elas apagaram o passado inteiro do Alexandre de Moraes, que nunca foi conhecido por ser petista ou por ser de esquerda, né? Elas apagaram isso e colaram a imagem dele ao governo, ao Lula, à esquerda e tal, né? Uma coisa meio inédita.
E o fato de o STF estar contaminado pelo caso Master estava sendo percebido nas pesquisas como um fator de contaminação para o governo também. Então, o Lula foi avisado, foi orientado em diversos momentos que ele precisava, de certa forma, marcar uma posição ali. Não digo se dissociar necessariamente do Supremo, mas marcar uma posição de que ele não concordava com aquelas situações que estavam acontecendo.
Essa entrevista que ele deu para o ICL foi o primeiro movimento concreto dele em relação a essa narrativa, em que ele falou para o Alexandre de Moraes que ele precisa se declarar impedido de votar qualquer coisa relacionada ao Master.
Eu queria falar um pouco sobre isso, Ana, rapidamente. Primeiro que essa entrevista tem muito mais a ver com assessoria de imprensa do que com jornalismo, na minha opinião. É uma operação pensada pelo Planalto, faz todo sentido. E o Lula, aliás, estava muito bem, falou várias coisas. O Lula, diferentemente dos entrevistadores, me pareceu muito bem. Agora, ele falar que o Alexandre de Moraes precisa preservar a sua biografia, basta dizer que ele não tem nada a ver com o escritório de advocacia.
E que ele não vai julgar os casos relativos ao Banco Master. A essa altura do campeonato, too late, né? É ridículo o Lula falar isso, achando que com isso o Alexandre de Moraes vai preservar a sua biografia, falando que essa dinheirama que o escritório da Barça de Moraes recebeu não tem nada a ver com ele. O Lula pode até ter feito essa operação para...
fazer corte nas redes, etc. Agora, como argumento, isso não para em pé. Se tivesse ali um jornalista, perguntaria. Mas, presidente, diante disso, disso, disso, disso, isso que o senhor está falando basta? O senhor acha que isso é suficiente?
É, mas é por isso que ele não deu entrevista para um veículo da grande imprensa, né? Porque viria essa pergunta, possivelmente. Eu estou falando isso porque é importante a gente comentar o comportamento da imprensa. Acho que a imprensa é parte do assunto sempre. E eu acho que a imprensa é pouco debatida de maneira adulta no Brasil.
Agora, Fernando, eu queria conectar isso que o Lula falou e a forma como ele falou. Ou seja, ele não pregou a morte do Supremo, nada minimamente perto disso, né? Não teve um discurso contundente, mas tentou marcar uma posição.
E eu acho que isso conecta com uma fala do Felipe Nunes da Quest no podcast O Assunto, da Natuza Neri. Inclusive, recomendo que vocês ouçam. Eles analisam grupos que foram ouvidos pela Quest numa pesquisa qualitativa que eles fizeram. São grupos compostos de eleitores supostamente independentes, ou seja, que não sabem quem vão votar. Pode ser tanto em um quanto em outro, ou seja, não tem...
Nenhum tipo de conexão ideológica com nenhum dos lados. Uma pergunta específica que eles fizeram foi essa discussão sobre o Supremo, né? Sobre como a situação do Supremo impacta o voto desse eleitor específico que a gente sabe que é o eleitor que vai decidir a eleição de 2026. E o que eles dizem é que eles não querem a revolução no Supremo. Não existe esse furor da direita, né? Que tem que tirar os caras, impeachment e não sei o quê.
Mas eles falam de reforma no Supremo, de mudança. Enfim, não sei se esse código de ética do Fachin seria o suficiente para corresponder à ânsia por uma sanitização desse poder, né? Ah, muito interessante. Eles não pregam algo tão radical como a direita prega, mas também não passam pano totalmente como parte da esquerda tem passado, né? É um eleitor que quer que algo seja feito.
Eu me questiono também, não sei se essa quali foi apresentada ao governo pela Quest, mas o fato é que o Lula deu uma resposta ali do moderado para suave, né? E eu não sei se é também uma resposta que eles acham que o eleitor é o que ele anseia.
Eu acabei também conversando com o Felipe nesses dias e a gente estava falando um pouco do papel de São Paulo, né? Que vai ter essa eleição com o Haddad e o Tarcísio, porque foi o que decidiu, né? A grande São Paulo, a grande Belo Horizonte, foram fatores decisivos na eleição passada, sobretudo para a vitória do Lula, né? E vai acontecer isso de novo, né? Esse ano.
Para o Flávio, vai ser fundamental o Tarcísio, que foi preterido pelo Jair Bolsonaro para a posição de candidato a presidente, ajude o Flávio nessa história. Por exemplo, esse movimento do Flávio apresentou uma PEC contra a reeleição. Na verdade, é uma sinalização para o Tarcísio se engajar na campanha dele para ajudar ele em São Paulo, porque ele sabe que São Paulo vai ser fundamental.
Então, eu acho que de tudo que a gente tá falando, eu acho que a gente precisa olhar pra São Paulo com mais detalhe, com mais atenção daqui pra frente, porque é de lá que vai sair a decisão, no fim das contas, né? De lá, ela tá aqui em São Paulo, Celso, mas ela fala de lá. É mesmo. Ela é uma carioca, é uma... Eu carioquei de vez. A moça vem de Aracatuba, raiz, mas cariocou de vez. Eu sou uma traidora.
Só falta chamar de província de Piratininga. É da cidade que quase elegeu o Pablo Marçal, dois anos atrás, que vai sair provavelmente a decisão desse cenário. Muito bom. Você tá falando coisas sérias, eu tô fazendo brincadeira aqui. É que a competição com a política fluminense tá difícil. É outro patamar, né? Não, mas ó... É um dia. E aí
Aqui o negócio é pra profissional. É, eu vivo num estado pré-república, né? Um estado que nem governador tem. Tá pré-república velha. Tá na vanguarda. Exatamente. Bom, Celso, pra gente arrematar esse bloco, você também espiou a entrevista do Lula. Você tem algum comentário a fazer?
É, eu achei que o Lula foi bem. Agora, a resposta sobre o Master, sobre o Supremo, ele nunca vai poder dar a resposta que ele gostaria. Quer dizer, meu amigo, isso aí foi uma merda que a direita fez. Porque, enfim, ele vai precisar do apoio de União Brasil em vários estados. Vai precisar do apoio de PP em vários estados. Vai precisar do apoio de republicanos em vários estados. Ele não pode queimar esses aliados, porque ele vai precisar deles, inclusive, para governar se ele ganhar de novo. Agora, quem eu acho que deveria fazer isso é na imprensa.
Um dos motivos que faz as pessoas consumirem jornalismo político é pra se informar e votar melhor. Quer dizer, se você não informar o público no ano de eleição que um dos lados da disputa está predominantemente envolvido num escândalo desse tamanho, você está falhando com o seu consumidor. Você tem toda a razão. Agora, o Lula tem um constrangimento a mais envolvimento do PT da Bahia. Também acho necessário. Ah, sim, sim. Fora o Guido Mântega, né? Que o Guido Mântega é um negócio realmente... Ah, o Guido Mântega é dante-se, né, cara? Ninguém dá o menor bola pra aquilo.
O Lewandowski. O PT da Bahia já é um negócio maior, sem dúvida nenhuma. Mas eu acho que se fosse só isso, e se tivesse isso e poupar o PT da Bahia ou ganhar a presidência, ele ia preferir ganhar a presidência. Ele entregava os caras por saber. Se fosse, se chegasse nesse ponto. No final dessa entrevista, que durou uma hora e 37 minutos, quase uma hora e 40, e eu tive a pachorra de ver tudo.
O Lula falou do Lulinha no final. O Lula, que é mais safo do que os outros, para dar uma... Eu pensei, pô, vocês não vão me perguntar do Lulinha? Ele falou do Lulinha, agora estão querendo enfiar e tal. E daí foi ajudado, inclusive, pelos entrevistadores. Inclusive, nesse momento em que o Lula se refere, o Moreira fala, tentando defender o Lulinha, inclusive ele nunca foi chamado de Lulinha, ele sempre foi Fábio. Agora estão querendo associar o Lulinha, só para usar a sua imagem. Quase que ele fala, agora estão querendo associar o seu filho ao senhor. É constrangedor.
É, eu pessoalmente tenho minhas dúvidas sobre como é que o bolsonarismo vai lidar com o tema filho ladrão do presidente em uma eleição que o candidato deles é Flávio Bolsonaro, entendeu? Exato. Mas veremos. Exato, exato. Muito bom. Bom, a gente encerra o segundo bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar da guerra no Irã. Já voltamos.
Eu saí de um show de Paul McCartney direto para o hospital. E essa é a história de como eu morri. Na balança, tive que me livrar de 58 quilos. E nesse sarapatel teve de tudo. Obesidade, ultraprocessados, canetas emagrecedoras. Uma investigação com rigor de ciência, mas toda trabalhada num temperinho pernambucano. Eu sou Ed Vanderlei e esse é o A Última Bolacha, o novo podcast narrativo da agência pública. Toda segunda, em todos os tocadores de podcast.
Para cada podcast que a Rádio Novelo publica, tem muita coisa que fica de fora. A nossa tesoura é incansável. A gente diz que a gente gasta o nosso tempo para poupar o seu. Mas tem vezes que a tesoura vai longe demais. Por isso a gente está lançando o episódio bônus da série Avestruz Master, com uma grande história que ficou de fora do podcast.
É um trambique vintage que ajuda a explicar uma coisa muito importante. Por que a Avestruz Master não foi um esquema de pirâmide? Nesse episódio, eu, Flora Thompson Devon, explico para Paula Scarpin, para Carolina Moraes, o que eu descobri. E o livro que me fez sentir que eu estava dentro da cabeça do Gerson Maciel, o Rei do Avestruz.
O episódio é exclusivo para membros do Clube da Novelo. Só esse mês, a gente está com desconto de 20% no plano anual, que te dá direito a conteúdo extra e também nossa linda bolsa com o logo da Novelo. É só usar o cupom CLUBE20. Vem brincar com a gente. E se você já é membro, dá esse presentão para alguém na sua vida.
Muito bem, estamos de volta. Celso, deixa eu começar com você esse terceiro bloco. O Trump blefou. Há uma situação incerta nesse momento. É meio esquisito dizer isso, é uma daquelas coisas que eu não imaginaria dizer, mas até agora, ênfase no até agora, as coisas podem mudar. Enquanto eu estou gravando isso aqui...
o Irã está ganhando a guerra. O Daniel Dresner, por exemplo, que é um analista de política exterior muito bom nos Estados Unidos, e que inclusive tem passado republicano, ele tem um sub-stack muito bom, já foi da Foreign Policy, etc.
Ele fez um post dizendo assim, olha, até agora o quadro é de derrota estratégica dos Estados Unidos. E ele lista os objetivos que a administração Trump tinha proposto para a missão. A primeira seria destruir a base industrial do Irã que produz míssil. Isso ainda não foi realizado. O objetivo mais próximo de ter sido realizado seria destruir a marinha do Irã. A marinha do Irã realmente levou uma porrada muito grande.
E, num certo sentido, isso aí o Trump conseguiu mais ou menos. Mas isso não impediu até agora o Irã de fechar os treinos de Romux. O outro objetivo seria cortar a relação do Irã com seus aliados em outros países, o Hezbollah, aquelas coisas. Isso não aconteceu. O outro objetivo seria impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Aí é meio esquisito que o Trump disse que já tinha feito isso, enfim, é meio bizarro, mas de qualquer maneira continua não tendo feito.
E o mais grotesco de todos é que o Trump chegou a dizer que queria fazer mudanças de regime, né? Que queria derrubar o regime iraniano. E basicamente entrou o Flávio Bolsonaro lá do Kamenei. O Kamenei morreu, entrou o filho do Kamenei. Deve ter alguém lá dizendo que, olha só, esse cara deve ser mais moderado, o fato de ser filho do Kamenei não quer dizer nada, entendeu? Vamos dar uma chance pro garoto.
Mas é um cara lá que inclusive tem promovido alguns quadros bastante radicais dentro do regime, que são os caras que ele sabe que vão ficar com ele e aconteceram. Então nesse ponto de vista, a ofensão americana também foi um fracasso completo. O Trump anda num ritmo meio... Para os jovens não vão se lembrar de quem é, mas o antigo ministro da informação do Iraque e do Saddam Hussein, que na segunda guerra do Golfo, ele tinha a missão de ir lá e falar que o Iraque estava ganhando, não interessava o que tivesse acontecendo. É verdade.
Então assim, ele estava dando entrevista na sede do governo e você via pela janela atrás dele, os aviões americanos bombardeando tudo e ele falando, os americanos ainda não entraram no Iraque, nós estamos dando uma surra neles ali na fronteira, eles quando nos veem ficam com tanto medo que eles se suicidam e falavam qualquer coisa, e dane-se, se ele não falasse o Saddam matava ele. O Trump está bem nessa, ele disse que fez a mudança de regime porque saiu o pai e entrou o filho.
A mesma coisa, ele diz assim, não, eu vou destruir completamente o negócio do Irã. Ele fala, mas não destruiu. Não, não, isso aí que eu fiz é destruir. Mas isso não está convencendo muita gente nos Estados Unidos, não. Enquanto isso, o Irã descobriu um negócio que ele não sabia, que dá para ele fechar o Straight Womuz e cobrar pedágio de quem estiver chegando lá. E isso é uma mudança grande para ele, porque agora ele descobriu uma fonte de renda e de poder bastante considerável. Assim, se os Estados Unidos não conseguiu forçar ele a abrir o Straight Womuz, para entender o que ele fica.
ele vai ficar com aquilo ali, vai ficar cobrando dinheiro de quem estiver entrando ali, que é uma grana preta, estão dizendo que é cerca de 2 milhões de dólares por navio, pode ajudar o Irã não só a se reconstruir, como no fim das contas, pode financiar uma bomba iraniana numa dessas. Por outro lado, o fato dos Estados Unidos não ter conseguido derrubar o regime iraniano, não ter conseguido dar a porrada que eles prometeram no Irã, enfraqueceu os americanos.
diante daqueles aliados ali do Golfo, o Bahrein, os Emirados Árabes, o Qatar, etc. E vários desses governos tinham subornado a família Trump violentamente para conseguir uma garantia de segurança. Deram um dinheiro violentíssimo para aqueles filhos do Trump, que são basicamente...
coitado do Lulinho e do Flávio Bolsonaro comparado aos filhos do Trump, entendeu? São duas freiras carmelitas. E eles encheram esses caras com milhões e milhões de dólares com a garantia de que o Trump protegeria eles de qualquer coisa. E o Irã conseguiu bombardear esses países, assim, causar danos severos na estrutura deles.
Então, até agora, a ofensiva americana é um desastre considerável para os Estados Unidos. A gente não sabe o que vai acontecer. O Trump, felizmente, recuou da sua ameaça de destruir a civilização persa. E vamos aqui parar um minuto para pensar que isso existiu. O presidente da maior potência do mundo falou que ia destruir a civilização persa.
É um alívio que isso não tenha acontecido, mas o fato de nós estarmos num mundo em que um cara pode falar isso, mesmo que depois ele volte atrás, ele pode falar isso e não ser considerado louco, ele pode falar isso e não sofrer impeachment, ele pode falar isso e a comunidade internacional continuar tratando ele como um estadista legítimo, é um sinal de que o ambiente internacional está bastante deteriorado.
Sim. Ana, deixa eu te ouvir sobre isso. Bom, conforme as semanas vão passando e apesar dessa última ofensiva e dessa ameaça, realmente o que a gente está vendo, o que a Casa Branca parece estar vendo, é que a estratégia que eles tinham no início de tentar replicar o modelo Venezuela
no Irã, não vai rolar. Porque o que eles consideraram, na verdade, bem sucedido no caso da Venezuela, né? Você aniquila o chefe de Estado, né? Seja prendendo ele, seja matando, né? Como foi no caso do Irã. E aí vai ter um establishment que vai aceitar compor com você como aconteceu com a Delce na Venezuela, em Caracas.
E eles achavam que porque a sociedade iraniana estava descontente com o regime, porque eles queriam liberdade, porque eles queriam a volta de uma vida ali que houve até a chegada desses clérigos ao governo, que isso ia ser suficiente para fazer com que eles...
se organizassem em torno de um novo regime, uma nova configuração ali, né? Então era assim, ah, vamos tirar a cúpula que é o problema e aí a gente vai dar um jeito de resolver. E ele viu que não. A população não tá, e não sei se pode, né? Eu não sei se existe a estrutura pra isso, pra que haja alguém ali que faça alguma coisa. O que aconteceu, na verdade, foi...
a sucessão familiar, né, do Kamenei. Então, o que ele viu e ele não esperava era que aquela estratégia que ele achou que deu tão certo ela não é replicável em todos os casos de países que incomodam os Estados Unidos. Ele tentou a alternativa Cuba também, né, pra isso.
estava dialogando com o herdeiro da família Castro, achando que talvez pudesse encontrar uma solução parecida. Não conseguiu. Só que nesse caso do Irã, o impacto é muito maior do que no caso da Venezuela, porque você tem o impacto no preço do petróleo, você tem o impacto nos países vizinhos que acabaram sofrendo, seja com o fechamento do estreito...
de Hormuz, seja com o bombardeio no caso do Líbano, que passou a ser bombardeado em razão das regiões em que o Hezbollah domina. O preço do petróleo subiu nos Estados Unidos, subiu aqui no Brasil, subiu em todo lugar. É uma coisa que o Trump é muito sensível à subida de preço. Toda essa política econômica dele, do tarifácio, na verdade...
tem a origem numa crença de que isso ia acarretar aumento de emprego e diminuição de preço, e ele acabou criando toda uma situação desfavorável para ele, inclusive com repercussões no próprio Partido Republicano, no próprio governo dele. Tanto que o diretor de contraterrorismo do governo Trump renunciou ao cargo porque dizia que o Irã não representava de fato uma ameaça nuclear como o Trump queria fazer-nos crer.
Não sei se vocês se recordam do Tucker Carlson, que era um jornalista até respeitado em algum momento. Mais ou minha. Não, no passado, quando ele era jornalista da imprensa escrita. Ele era considerado um bom jornalista. Depois ele virou um apresentador da Fox News, super radical, assim, foi um dos principais motores da plataforma Trump na Fox News, né?
E ele acabou saindo do jornalismo, que ele já não praticava como apresentador da Fox News, e virou um dos aliados mais fortes do Trump. E até o Tucker Carlson rompeu com o Trump, em razão dessa questão no Irã. Porque ele é da turma maga que não acha que os Estados Unidos têm que usar o poderio militar, o orçamento americano para...
atacar outros países e sim olhar sempre para dentro. Tem uma turma grande do MAGA que é partidária dessa ideia. Então ele já estava descontente com essa política externa e agora houve uma ruptura de vez. Inclusive ele estava dizendo na imprensa americana que ele estava sendo perseguido pela CIA por ter anunciado esse rompimento.
Então, até os aliados estão baixando a guarda e saindo de perto dele nesse momento. Mas não dá para dizer que a população americana, de uma forma geral, embora sensível ao preço do combustível...
Seja isso que vai fazer a população americana ter uma atitude mais agressiva em relação a esse governo. Até agora as pesquisas não mostram isso. A popularidade dele continua baixa, mas continua baixa num patamar em que já estava. Não existe uma piora expressiva que tenha acontecido em razão do que ele está fazendo no Irã.
O último ponto que eu queria abordar sobre isso é a situação da ONU, que continua letárgica em relação a tudo isso que está acontecendo. E o que eu acho curioso é que a ONU não conseguiu aprovar nada que poupasse os países do Oriente Médio ou o próprio Irã, ou que, enfim, contestasse qualquer coisa do que está acontecendo ali. E não conseguem aprovar isso porque os Estados Unidos têm poder de veto e nada acontece sem eles quererem.
Já que não conseguem aprovar nada que pacifique a situação, ou pelo menos que caminhe para uma ideia de pacificação, eles estavam tentando aprovar uma coisa oposta, que era uma retaliação ao Irã, ou uma, na verdade, intervenção militar no Estreito de Hormuz.
Porque com o estreito fechado, os países da região não estavam conseguindo fazer as suas exportações, importações via mar, né? E aí o Bahrein propôs uma resolução no Conselho de Segurança para que houvesse uma intervenção militar da ONU para liberar o estreito. No fim, a Rússia e a China vetaram isso no Conselho de Segurança. Mas eu acho uma ironia, né? Que talvez a única resolução que a ONU conseguisse aprovar sobre essa situação toda seria uma resolução em tese contra o Irã. E aí
Se a China e a Rússia resolvessem se abster, a única resolução seria contra o Irã, que a ONU conseguiria aprovar hoje. Então acho que isso é exemplar do momento que a gente tá vivendo, do momento que a comunidade internacional tá vivendo e que a ONU tá vivendo. A ONU tá que nem a família do poema do Drummond, é apenas um quadro, um retrato na parede.
Faz como dói, não é isso? Que tristeza é isso, meu? A gente encerra o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo na volta. Kinder Ovo!
Alô, Rio de Janeiro! O Grupo Corpo apresenta 21 Ipiracema, de 6 a 10 de maio, no Teatro Multiplan Vila de Mó. Garanta o seu ingresso em simpla.com.br ou na bilheteria do TIA.
Oi, aqui é a Carolina Moraes, da Rádio Novelo, e eu tô aqui pra te fazer um convite. No ano passado, eu, a Natália Silva e a Bia Guimarães passamos meses mergulhadas numa investigação sobre uma nova ameaça ao acesso ao aborto legal no Brasil.
O que disparou essa investigação, e que virou uma série chamada Sala de Espera, lá no feed do Rádio Novelo Apresenta, foi o fechamento de um serviço de referência, o do Hospital Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Depois de meses no embate jurídico, esse serviço acabou de ser reaberto.
Mas as ameaças ao aborto legal continuam pairando. Por isso, nós três resolvemos nos reunir para uma live no nosso canal no YouTube no dia 28, uma terça-feira, às 8 horas da noite. A gente vai conversar com os especialistas Romina Margarita Ramui e com o Rodolfo Pacanella para falar um pouco sobre a nossa série e entender o que está em jogo agora nessa disputa. É só procurar por Rádio Novelo no YouTube e se inscrever para não perder a conversa. A gente te espera lá.
Muito bem, estamos de volta Diretora, solta aí a sua caixinha de maldades
Por mais que você não goste do mensageiro, entenda a mensagem. Se o cara está grudado no Valdemar da Costa Neto, esse cara nem pode ser um bom gestor, ser um bom político. Renato Embelli. Está amarrado a um mensaleiro vagabundo. Vocês têm que exigir mais do que o cara dizer que ele é de direita. Ah, sou de direita, gosto de Hermos Fábio. Nicolas. Kim Kataguirre? Puta que... Arthur Duval. Ah! Ah, eu não saberia.
Eu lembrei da voz, mas não... Entrevista ao portal TV Mais News, da filhada da TV Cultura em Mato Grosso. Pelo amor de Deus, o diretor. É o Mamãe Falei? Ah, é o Arthur Duval? É o Mamãe Falei. É o Mamãe Falei.
Bom, depois dessa humilhação, diretora, mais uma vitória da diretora contra a classe operária, Celso. Mais uma derrota da classe operária. A classe operária é só pena, gente. É difícil. Vamos para o momento cabeção. Hoje tem momento cabeção. Cabeção. Bom, Ana, vamos começar com você. Por favor, só dica.
Bom, eu queria indicar um livro que eu estou ainda lendo, mas já posso indicar. Que é O Adversário, do autor francês Emmanuel Carré. Que é um autor que vai estar na Flip, inclusive, esse ano. Um autor francês que escreveu aquele livro Yoga que eu gostei muito. Grande Emmanuel Carré. É muito bom mesmo.
Na verdade, esse livro, O Adversário, foi lançado, enfim, há mais de 20 anos na França, inclusive no Brasil também, ele já foi traduzido no passado. Ele foi lançado agora com uma nova tradução da Mariana Delfini para Alfaguara e que conta a história de um assassinato brutal, um homem que... O nome dele é Jean-Claude Romain.
Que matou toda a sua família quando a família descobriu que ele vivia uma farsa de dizer ser médico e não era e tal. E aí ele conta todos os pormenores do julgamento, todo o conflito moral. Ele é um autor impressionante, Manuel Carré. Muito bom. E é difícil, né? E tá aqui, né? É extraordinário. Celso, por favor.
Sua vez. Então, vou indicar dois livros. Um que eu acabei por agora, que é o Entre Bispos e Reis, A Trajetória de Mequinho, um Gênio Brasileiro do Xadrez. Ah, que legal. O jornalista Oerar Machado, que é um cara muito inteligente, que escreveu um belíssimo livro sobre um personagem fantástico. O Mequinho foi o primeiro brasileiro a se tornar grão-mestre de xadrez, que é o negócio mais fera do mundo e tal. Jogou com os maiores caras lá nos anos 70, virou meio que ídolo nacional, tá numa música do Raul Seixas, inclusive, quem tiver curiosidade.
Foi recebido num Flamengo e Vasco no Maracanã. Ele entrou no começo pra ser aplaudido por todo mundo. E depois teve uma trajetória super complicada, enfim. Que aí eu não vou dar spoiler do livro, mas recomendo muito mesmo. Eu não entendo nada de xadrez e mesmo assim adorei esse livro pelo personagem e pela história. Casca, você tem maior cara de que arrasa no xadrez, viu? Tenta enganar, não. Cara, mal sei jogar a dama. Tá certo.
E outro que eu quero recomendar é um chamado Diálogos em Tempos Difíceis, que é uma conversa entre dois caras muito inteligentes, dois grandes intelectuais públicos brasileiros contemporâneos. Um deles é o Michel German, o historiador e sociólogo judeu, que está sempre em todos esses debates sobre a gente médio e tal, e inclusive é crítico da atuação de Israel e apanha dos dois lados por causa disso. E o outro é um cara que eu gosto muito também, que é o Ronilson Pacheco, um teólogo e pastor evangélico negro.
É uma discussão muito boa sobre religião, sobre a apropriação disso pela extrema direita e mediado pela jornalista Ana Luísa Albuquerque, da Folha de São Paulo, que justamente fez um podcast muito bom, que eu sempre recomendo, que é o Autoritários. Então, assim, é realmente uma conversa de gente bem sabida aqui. Eu comecei a ler esse, é muito legal mesmo. O livro do Iraça saiu pela Todavia e o Diálogos em Tempo Difícil saiu pela Fósforo.
Muito bem, eu vou dar dicas teatrais. Está tendo muita coisa boa em São Paulo. Acaba nesse final de semana a apresentação de Escute as Feras no Teatro Cultura Artística, que é com a Maria Manoela. É uma peça baseada no livro da antropóloga Natasha Martin.
que foi atacada por um urso no interior da Rússia. E é um relato muito impressionante, uma grande atuação da Manuela. Vai acabar nesse fim de semana. Além disso, está passando Gota d'água, que é uma versão do Chico Buarque e do Paulo Pontes, da peça da Medéia.
do Eurípides, transportada para uma comunidade no Rio de Janeiro, feita uma versão atualizada, a peça é de meados dos anos 70, com a Georgette Fadel. É maravilhosa. Está passando A Senhora dos Afogados, no Teatro Oficina, dirigida pela Monique Gardemberg. Teve um rápido intervalo, está voltando em cartaz agora.
E finalmente vai estrear, no final deste mês, o fim de partida, o fim de jogo, o fim de partida com o Nanini, peça clássica do Beckett no Sesc Pinheiros. Então, Celso, são quatro bons motivos para você vir para São Paulo. Coisa boa aí, hein? Vá ao Teatro e Mechame. Venha, Celso, no Teatro. Bora.
Bom, a gente encerra sim o Momento Cabeção. Vamos para o melhor momento. Momento das cartinhas. Momento de vocês. Eu começo lendo a mensagem do Renato Campestrine. Amigos do foro, no 7 de abril passei para deixar meu abraço a toda a equipe pelo Dia do Jornalista. Vocês que nos abastecem com as melhores e mais apuradas informações da Terra Brasilis. Abraços. Abraço, Renato Campestrine. Obrigado.
E o Renato faz bem de lembrar o dia, porque, cara, eu vou dizer, nesses anos que eu fiquei de colunista e aqui fazendo podcast, minha admiração pelos jornalistas realmente cresceu bastante. É muito difícil fazer essa porra. Ainda vai dar tempo de você mudar de ideia. É, mas por enquanto eu tô naquela fase, né?
O Guga Valente escreveu uma mensagem que é quase um momento cabeção. Acompanho o programa há anos e destaco as imitações desconstrangidas do Fernando, que mandou um caiado sem que ninguém esperasse e como próprio assumiu pela primeira vez. E como goianiense, dou uma dica para a performance.
Nós, goianos, não dizemos você. Quem fala assim são os nossos irmãos mineiros, de quem tenho muita estima e do qual herdamos trem e uai. Mas aqui nós dizemos se, ou você. A propósito, Guimarães Rosa, na terceira margem do rio...
Aí sim, agora estamos falando sério. Inclui as três variações quando uma mãe diz ao pai, você vai ou você fique, você nunca volte. Maravilhoso. Que maravilha. Maravilhoso.
Fecho meu comentário linguístico dizendo que adoro o foro, que me ajuda a pensar o House of Cards brasileiro. Ainda rio sozinho do Alejandro de Morales que o Celso soltou no ano passado para metonimizar um juiz do Supremo importante da Venezuela. Eu também ainda rio disso. Guga, um abraço.
Um abraço, Guga. Maravilhosa a sua carta. Caramba, Guga. Arrebentou. É, maravilhoso. Se agora dá mal, Lânia. Se. É se, então, não é o se. É mal o se. Fica tão bom o se. A Bia Fra Galeno postou. O que mais me chocou no episódio passado foi o Fernando ter recebido o presente do síndico do prédio onde mora. Algo praticamente impensável em São Paulo.
Tá vendo? Cara, pior que eu realmente não acho isso muito comum não, Bia. Nenhum síndico até hoje me deu presente e alguns deles me causaram experiências ruins. É, não, eu só tenho... Não, o Fernando é um cara amado pelas massas. É o melhor síndico do bairro aqui, o melhor síndico da região. Eu realmente moro bem.
Bem, o que é bom acaba, o que não é tão bom também acaba, né Celso? A gente vai encerrando assim, então, o foro de hoje. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da Piauí.
Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão.
A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana em São Paulo, no estúdio rastro do Dani D e na confraria de sons e charutos em São Paulo. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana.
Tchau, Fernando. Tchau, Celso. Tchau, pessoal. Tchau, Celso. Tchau, Fernando. Até semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.
BYD
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