Rádio Em Rodapé
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Ana Isabel Reis
Carlos Coelho
Hugo Figueiredo
Marina Ramos
Mário Galego
Nicolau Santos
Nuno Reis
Teresa Correia
- Alteração de marca das rádios RTPMudança de nome das rádios RTP · Repercussões sonoras e visuais · Protestos de jornalistas · Identidade das marcas · Plano Estratégico RTP · Livro Branco do Serviço Público de Média · RTP · Antena 1 · RDP África · RDP Internacional
- Debate sobre a nova identidade visual da RTPLogotipos e microfones · Identificação de repórteres · Estratégia de marketing · Design de microfones · Hugo Figueiredo · Nuno Reis · Mário Galego · Ana Isabel Costa
- Serviço público de média na era digitalConcorrência e plataformas digitais · Atribuição correta de conteúdo · Relevância do conteúdo · Tempo de atenção do público · Hugo Figueiredo
- A voz do ouvinte e a ProvedoriaOpinião dos ouvintes · Provedoria do Ouvinte · Ana Isabel Reis
Em nome do ouvinte. Em nome do ouvinte. Em nome do ouvinte. Em nome do ouvinte. Um programa de Ana Isabel Reis.
Rádio em rodapé. As rádios mudaram de marca e foram notícia. Os jornalistas da Rádio e Televisão de Portugal estão contra as alterações das marcas que entraram hoje em vigor. A partir de agora, por ordem do Conselho de Administração, a Antena 1, por exemplo, passa a ser designada como RTP Antena 1, algo que é encarado pelos jornalistas como uma desvalorização do papel da rádio pública e de uma marca histórica no panorama da comunicação social.
Para esta hora, estão agendadas concentrações de protesto em frente às instalações da RTP.
No Afiteatro recebemos dois convidados. Marina Ramos é diretora de comunicação e marketing da RTP e o Carlos Coelho, que é fundador e presidente da EVIT. A RTP hoje está de cara lavada. Isto é um chavão, não é? É uma atualização de marca. Vem neste momento porque...
Ouvintes da Provaral, conheceram a mãezinha da RTP, a Marina Ramos, diretora de Marting aqui da RTP, também o Carlos Coelho da Ibiti. Os dois vieram falar de um assunto delicado, que é a mudança de muitos dos logos, sobretudo nas rádios aqui no grupo da RTP. Pronto.
Entramos na semana especial em que a RDP África assinala os 30 anos. Agora passa a RTP África Rádio. E hoje os convidados da entrevista são os diretores de informação e de programação da Rádio e Televisão de Portugal, da Rádio Pública, Nuno Reis e Mário Galego. Depois da manhã, a RDP África, o canal África de Rádio, faz 30 anos, mas já faz 30 anos a chamar-se RTP África.
Teresa Correia, em Lisboa, a acompanhar esta ação de protesto, que também acontece noutros locais do país, onde existem centros regionais da empresa Rádio e Televisão de Portugal. Esta semana, o assunto chegou à Assembleia da República. Os conselhos de redação...
da RTP, rádio e televisão estiveram hoje na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto no Parlamento. Durante a audiência, os elementos dos dois conselhos de redação apresentaram uma resposta do presidente do Conselho de Administração da RTP sobre as mudanças nas bolas de vento dos microfones. Nicolau Santos revelou que ontem teve uma reunião sobre o tema e que já foram debatidas alternativas concretas. A rádio na agenda mediática. Tem sido notícia dentro e fora de portas.
Foi tema de programas, um deles o prova oral da Antena 3, com telefonemas de ouvintes que reagiram à alteração das marcas. Os ouvintes, a razão de ser do serviço público. A transparência e o escrutínio são fundamentais. Ao gabinete de Provedora também chegaram perguntas sobre as alterações em curso.
A 1 de abril, a marca das rádios foi alterada, acrescentou-se RTP às antenas 1, 2 e 3, a RDP África mudou para Rádio RTP África e a RDP Internacional foi rebatizada RTP Mundo. A mudança teve repercussões sonoras e visuais, nomeadamente na imagem dos microfones.
Os logótipos das diferentes estações desapareceram, a cor e o nome RTP sobrepõem-se agora às cores e aos nomes de cada estação de rádio. No terreno, tornou-se visível a invisibilidade da marca das rádios, o que pode ter efeitos no trabalho, por exemplo, dos repórteres facilmente identificáveis pelo microfone. O problema já foi reconhecido pelo Conselho de Administração da RTP e vai ser resolvido como garante Hugo Figueiredo.
Sim, eu gostava de falar um pouco sobre esse tema e, de facto, nós muitas vezes só perante o lado visual é que também nos apercebemos da situação. Os microfones que eram utilizados antes deste rebranding, a televisão utilizava um microfone RTP e só dizia RTP.
E a Antena 1 utilizava um microfone, dizia Antena 1. Todo este movimento não foi um movimento específico da rádio, estamos aqui a debater a rádio porque faz sentido, é para o ouvinte, mas o movimento foi um movimento absolutamente transversal para todas as marcas da RTP. E uma das marcas que também teve uma alteração significativa foi a marca da informação da RTP. E a marca da informação é a marca RTP Notícias.
E o debate que nós tivemos relativamente aos microfones foi de criar um microfone RTP Notícias, uma vez que esse microfone é utilizado para produzir notícias, vamos chamar assim. E quando fizemos o DRTP Notícias, fizemos o DRTP Notícias. É evidente, e eu também reconheço, que os microfones são exigentes para poderem ser diferenciados. E, portanto, nesse sentido, nós estamos a ver qual é a melhor solução.
Mas ainda não temos. Temos que pensar, não sei se passará por alterar um ou por alterar o outro, ainda não sei exatamente o que é que fará mais sentido. Temos agora que pensar um pouco. Hugo Figueiredo, do Conselho de Administração da IRTP. Vai ser estudada uma imagem alternativa para as esponjas dos microfones das rádios? O assunto não está fechado, como também reconhece o diretor de programas das rádios, Nuno Reis.
Eu acho que realmente a questão dos microfones não deixa de ser uma questão necessária. É. Se tem pormenores importantes. Tem, claro. Para mim o mais importante é essa questão do marketing das marcas, sobretudo da Antena 1, que está muito no terreno informativo e, portanto, até mais do que a Antena 2, a Antena 3.
E, portanto, esse é o lado que me preocupa, porque, sim, é um bom momento de marketing da Antena 1. Agora, obviamente, em termos de imagem da marca, que é isso que mais me preocupa, sim, acho que há aqui uma questão, que, mais uma vez, digamos, essa falha de marketing que tem que ser compensada de outras formas, com outros meios ou com uma clarificação.
maior no design dos microfones, que possa resolver um bocadinho essas questões. Não sei se, como em tudo nos processos, as coisas podem ser afinadas. A Direção de Informação não subestima a identificação das rádios nos microfones, mas Mário Galego destaca outros pontos que considera fundamentais.
O trabalho que é feito pelos repórteres mantém-se com o rigor e a dignidade de ser rádio pública. A imagem, sim, a imagem fica naturalmente alterada para quem procura onde está a antena 1.
Tem uma barra só pequena a dizer Antena 1, como tem para os outros canais, essa é a diferença, mas eu acho, ao mesmo tempo também, que vai ser uma questão de tempo até os próprios jornalistas e o auditório se habituar ao novo modelo de como a Antena 1 se apresenta em público.
Acho que vai ser uma questão de tempo, assim como na rádio, e a minha preocupação desde o início foi sempre essa, que é preocupação oral. Nós não vamos deixar de ter a Antena 1. Vamos continuar a ter a Antena 1. A opinião diferente tem o Conselho de Redação. A jornalista Ana Isabel Costa diz que a nova imagem significa uma perda de identidade das rádios e avança com uma alternativa.
Se queriam manter ou pôr a chancela RTP em todos os canais, então tudo bem, porque é que não mantiveram o microfone da antena vermelho e punham o rodapé em azul a dizer RTP?
Mantinham o microfone roxo da Antena 2 e mantinham um rodapé azul a dizer RTP. O da Antena 3, idem com aspas. Há maneiras de se fazer sem apagar a identidade das marcas da rádio, que foi o que aconteceu, tornar igual.
Não é distinguir, não é valorizar. Quando nos dizem que, ah, não, agora é que as rádios vão ser valorizadas, porque agora, todas debaixo do chapéu da RTP, agora é que o serviço público vai ser valorizado. Desculpem, há qualquer coisa que me escapa, mas o serviço público não era valorizado antes? O serviço público, a diversidade do serviço público não deve ser mantida para ser então valorizada?
As novas esponjas para os microfones refletem a alteração de marca das rádios. O nome e a cor azul da RTP impõem-se aos nomes e às cores das diferentes antenas, remetendo-as para o rodapé. No caso da RTP África ou da RTP Mundo, não é distinguido o meio, se é rádio ou televisão. E no terreno, a identificação não pode gerar confusão nem equívocos. Tem de ser clara e imediata.
Não é um mero acessório do curativo, é a afirmação da presença nas reportagens e junto dos ouvintes. Sinal de que a sua rádio chegou e está lá. É identificação para as fontes de informação e para a audiência. É marketing para os ecrãs. O microfone é, por natureza, o que simboliza a rádio. Marca da sua identidade na diversidade.
A alteração da marca das rádios estava prevista no Plano Estratégico do Conselho de Administração da RTP. Foi também uma das recomendações do Livro Branco do Serviço Público de Média, elaborado em 2023 por uma equipe de académicos e profissionais. Hugo Figueiredo, do Conselho de Administração da RTP, explica o processo e o contexto da decisão.
Já não temos só ouvintes e espectadores e leitores. As plataformas cruzam-se e a concorrência aumentou de uma forma... Usa-se muito a palavra exponencial quando não é verdadeiramente exponencial. Neste caso é mesmo verdadeiramente exponencial. Portanto, há 40 ou 50 anos tínhamos a rádio pública e a televisão pública e pouco mais. No caso da rádio havia mais algumas rádios, no caso da televisão nem isso.
Então nós hoje podemos ler as notícias através das redes sociais ou através dos próprios sites da Al Jazeera, da BBC, do Guardian, do New York Times, do Le Monde, enfim, do que entendermos com muita facilidade. E isso vai tornando a vida do serviço público cada vez mais difícil porque as pessoas precisam de perceber para que é que serve o serviço público e precisam de perceber quando é que estão a ver ou a ouvir ou a ler o serviço público sem confusões.
E essa reflexão foi uma reflexão que nós tínhamos, de facto, no projeto estratégico, que demorou cerca de um ano e meio a ser feita. E é sempre um equilíbrio difícil de conseguir aquilo que são os objetivos de manter uma marca forte de serviço público, de rádio, televisão e digital, de média.
Contudo, que sejam as vontades de todos os intervenientes, que evidentemente querem sempre defender um pouco a sua dama, como se costuma dizer, e gostariam de ter mais autonomia e maior independência e maior personalidade, é nesse sentido, não é no sentido dos conteúdos, mas no sentido das marcas.
A reflexão foi longa e envolveu também muitos profissionais da RTP, portanto não se fizeram só bem dos marcos internacionais sobre o que é que fazem os serviços públicos e grandes marcas de média, nacionais e internacionais, mas também só escutaram um conjunto significativo de responsáveis da RTP que trazem esse peso também histórico de tudo o que se passou, que é uma herança que não se deve perder, mas também temos que olhar para a frente e perceber o que é que é relevante. E foi isso que foi feito.
É sobretudo um ato de gestão ou corresponde a uma nova estratégia? É uma nova estratégia, claramente. A concentração do serviço público de média debaixo da marca RTP é uma decisão estratégica porque acreditamos, de forma bastante convicta, que as pessoas, hoje em dia com o tempo que dedicam, que é muito curto a cada momento, a cada instante, a cada conteúdo,
Nós não podemos dar-nos ao luxo que elas estejam a descodificar que estão a ler um determinado artigo, isto particularmente no digital, onde isto é mais relevante, porque quando estamos a ouvir a rádio sabemos qual é o canal que estamos a ouvir, não é muito difícil. Mas no digital estamos sempre a saltar de umas coisas para as outras.
E é muito importante que haja aquilo que nós chamamos de atribuição correta do conteúdo à marca que o produziu. Nós precisamos que as pessoas entendam que ela foi produzida por alguém da RTP, porque é isso que dá relevância à RTP. As pessoas pagam uma taxa para que a RTP exista, têm que perceber porque é que o estão a fazer.
Ou seja, o investimento deve ser feito no nome ou nos conteúdos? As coisas andam a par. Os conteúdos são os programas, que eles próprios são marcas, são os próprios autores, que eles próprios também, de certa forma, as pessoas hoje em dia também têm comportamentos muito parecidos com os comportamentos de marcas. E depois, que isso tudo está debaixo de uma casa-mãe. Isso é muito importante. A relevância do conteúdo é o primeiro fator de existência do serviço público. Mas depois é preciso que as pessoas percebam também que as pessoas percebem.
que esse conteúdo foi consumido no âmbito do serviço público. Nós estávamos habituados a ouvir falar das marcas, a marca Antena 1, a marca Antena 2, 3, África Internacional, e depois passámos a ouvir falar de submarcas. Isto é uma desvalorização daquilo que existia? Não, claramente não. Os profissionais que trabalham com esse mundo precisam ter uma nomenclatura.
E essa nomenclatura é uma nomenclatura técnica para falar desses temas técnicos, porque as marcas são temas técnicos também elas. E a sua construção, e a sua divulgação, e o grafismo que está associado, e os sons, portanto, todo o universo da construção de uma marca que é multidisciplinar e multifatorial.
E, portanto, de todo, não deve ser interpretado assim. São marcas, se quiser. É mais fácil para nós dizermos que temos uma marca que é a marca RTP e que temos submarcas. Mas se quiser chamar marcas, todas elas são marcas na mesma. Depois não há sub-submarcas. Podia-se dizer, então, que os programas são uma sub-submarca da Antena 1. Não, são marcas.
A mudança de nome tem uma dimensão visual e sonora, significa alterar tudo o que identifica cada canal, ou seja, aquilo a que o ouvinte está habituado a reconhecer como a sua rádio. E neste ponto, o que Figueiredo, do Conselho de Administração da RTP, faz uma distinção.
Estes temas resultam sempre de equilíbrios. As pessoas são, em geral, avessas à mudança. Portanto, esta decisão estratégica não é uma decisão de fundo. Portanto, nós não alterámos o nome. As rádios continuam a se chamar Antena 1 e as pessoas continuam a se chamar Antena 1. Não tem problema. Há momentos institucionais onde para nós é importante que a marca se chame RTP Antena 1. Venha ouvir a Antena 1.
E o jornalista referia-se à Rádio Pública. E a Rádio Pública não é um nome. Mas, no entanto, eu não tenho nada contra chamarem a Rádio Pública. Uma entrevista que deu à Rádio Pública ou que deu à Antena 1. E, no caso da Antena 3, até muitas vezes dizem A3. Não tem problema nenhum. E, principalmente, não tem problema porque...
No caso da rádio, quando estamos a ouvir a rádio, as pessoas não estão a saltar com a dinâmica que saltam no digital. No digital, o site, o local, o nome da rede que nós utilizamos será sempre RTP Antena 1. Porque naquele momento é importante que as pessoas percebam que estão na RTP Antena 1. Eu não vou ter uma coisa que se chama RTP Antena 1 e outra que se chama Antena 1 e outra que se chama 1.
Não, é RTP, N1. Depois lá dentro, quando estamos nos conteúdos, quando as pessoas estão a falar, etc., não tem problema nenhum as pessoas referirem-se dessa forma. É preciso saber sempre em que caso é que estão. É este o ponto. A mudança dos jingles ocorre, já ocorreu várias vezes, já cá estou também há algum tempo, já ocorreu mais de uma vez desde que eu cá estou.
Isso faz parte também da atualização. Eu gosto muito do discurso do Marco Carney em Davos e dele eu retirei uma frase que é a nostalgia não é uma estratégia. E nós temos que olhar com confiança para o futuro. Não se perdeu nada com este movimento.
Eu penso que se acrescentou, acrescentou-se tanto à antena um continuo a ter sudo de personalidade. Ouvidas as explicações que levaram à alteração das marcas, resta saber se a mudança corresponde a uma mudança de estratégia nas rádios do grupo RTP, quem foi ouvido e o que ganham os ouvintes com estas alterações e como se avalia o impacto da mudança de marca, questões a abordar num próximo programa.
A caixa de correio da Provedora está aberta aos ouvintes das rádios, o web rádios e podcasts. Pode escrever a partir do sítio da RTP, em rtp.pt, enviar mensagem à Provedora do Ouvinte. Em nome do Ouvinte, um programa de Ana Isabel Reis, com apoio das jornalistas Célio de Sousa e Inês Fujares, gravação de Alberto Cardoso e montagem de Diogo Láxer.