Episódios de Fim de Expediente

Pesquisador que estudou consumo parcelado na periferia diz que endividamento não significa compulsão

01 de maio de 20261h13min
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Dan Stulbach, José Godoy e Luís Gustavo Medina receberam no Fim de Expediente o geógrafo e professor Kauê Lopes dos Santos, que falou sobre o livro "Parcelado: dinâmicas de consumo na periferia".

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Participantes neste episódio4
D

Dan Stubach

Host
J

José Godoy

Co-hostJornalista
L

Luís Gustavo Medina

Co-host
K

Kauê Lopes dos Santos

ConvidadoGeógrafo e professor
Assuntos5
  • Endividamento e ConsumoDinâmicas de consumo · Endividamento · Educação financeira · Crédito na periferia · Impacto do PIX
  • Pesquisa de Kauê Lopes dos SantosHistória de vida dos entrevistados · Contradições na periferia · Organização do orçamento doméstico
  • Custo do CréditoTaxas de juros abusivas · Inadimplência e insolvência
  • Desigualdade SocialRelação entre classe e consumo · Gênero e raça no endividamento
  • Impacto da PandemiaBancarização durante a pandemia · Mudanças no comportamento de consumo
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Na CBN, fim de expediente.

Apresentação, Dan Stubach, José Godoy e Luiz Gustavo Medina. Seis horas, trinta e três minutos, começou, hein? Está começando ao vivo, ao vivo para todo o Brasil e todo mundo. O fim de expediente, o programa que não tira férias, o programa que não tem gravação, o programa que não tem chinelinho.

Enquanto âncoras vão para a praia, âncoras saem de férias, estão em seus iates, estão em seus restaurantes, abrindo suas adegas. Nós estamos aqui, 6h34 para você. E para provar que estamos todos aqui, vamos começar com ele. Zé Godói, você está aí, Zé?

Fala, Teco, boa noite. Boa noite aos ouvintes. Estamos aqui no dia do trabalho, trabalhando. É isso aí. Somos os únicos âncoras dessa rádio a fazer isso. Todos os filiados. O fim do expediente quer inspirar você, jovem. Quer inspirar você que está na dúvida. O que fazer é isso. Vem aqui ao vivo, hein? Dan Stuba, que é o maior trabalhador deste país nesse momento. Está aí, Dan? Estou aqui, cara. Tudo bem? Tudo bem com você? Tudo bem, Zé?

Tudo bem para os nossos ouvintes? Imagino que não tantos hoje ao vivo, mas com certeza serão muitos, se não agora, ao longo da semana, do mês. A quantidade de gente que tem baixado o nosso programa só nos obriga a agradecer e celebrar. Muitíssimo obrigado para todo mundo que anda na esteira loucamente, sem parar, nos ouvindo ou correndo por aí, nos ouvindo ou fazendo qualquer coisa, inclusive amor, nos ouvindo.

É, eu não recomendo, né? Se você quiser fazer isso, a gente pode sugerir a playlist do fim do expediente, o Sol vai curar o mundo. Funcionará melhor, acredito eu, nunca tentei comparar, mas acredito eu que vai funcionar melhor.

Dan, Zé, nosso convidado já está aqui precisamos fazer as apresentações da casa mas só antes da gente começar fazer um enorme agradecimento pelo evento da semana passada em Vitória onde tivemos um programa com plateia o primeiro do ano em Vitória comemorando 30 anos da CBN Vitória 20 anos do fim de expediente

Foi uma cesta legal, obrigado a todos que fizeram parte disso. E tem aqui um caminhão de e-mail de pessoas que escreveram cesta passada, que eu só estou vendo agora, mas foi legal, né? Muito. Super, hiper legal. A gente tem, na verdade, primeiro agradecimento é para a gente ter sido convidados a fazer parte.

da festa, ser a festa dos 30 anos da CBN Vitória, né? Nos escolherem para esse momento, para celebrar esse momento que é deles, claro que é do jornalismo brasileiro como um todo, da CBN, mas principalmente da CBN Vitória, é muito legal para a gente, é uma honra, é uma parceria que, poxa, me deixa muito feliz eles podiam escolher qualquer pessoa. Depois, agradecer os nossos convidados que abrilhantaram a festa.

O Rusty Marceline, simpaticíssimo. Depois, ainda nos presenteou com o Vinho do Porto, Gorgonzola Dulce. E fora a sua simpatia, seu carinho, muito obrigado, Rusty. Tudo de bom pra você, que tá lançando aplicativo, já fazendo um jabá, todo mundo que quiser. E o interminável, inesgotável, o Benjamin Button brasileiro, Milton Jung. Milton Jung. Infinito, inoxidável, Milton Jung. Que ficou de eterno, né?

De terno, das 5 da manhã às 2h, à meia-noite.

Fomos testemunha de que ele fica de terno realmente o dia inteiro, ternos italianos, o dia inteiro sem amassar, né? E o pior, a meia-noite, Zé, parecia que era cinco da manhã pro Milton. A gente esgotado, amassado, zoado. E o Milton parecia que era cinco da manhã ainda. Porque era a hora que ele acorda, na verdade, né? Ele tava acabado quando começou o programa. Seis da tarde ele tava com uma cara de acabado. Depois ele melhorou, é o contrário.

Mas só também agradecer, claro, aos ouvintes que foram lá, fizeram parte da plateia. A gente adora fazer programa com a plateia.

E a todo mundo que participou, como o Teco falou, a gente não teve acesso a todas as mensagens hoje, quem sabe a gente bota junto dessa salada, desse programa de hoje, que de alguma maneira vai ser muito legal e muito livre também para a participação de todos.

O Teco, antes de você chamar o convidado, deixa eu já dar um break news aqui, importante para a gente e para toda a nossa comunidade que segue o Oscar. Tivemos mudanças importantes hoje no Oscar, para o ano que vem. Vamos ter, no ano que vem, na categoria internacional, que é onde nós estamos indo bem, vai se poder escrever mais de um filme por país.

Desde que esse filme ganhe um dos principais... Tem uma lista dos principais festivais do mundo. E se esse filme for contemplado nesse festival, ele pode ser indicado, mesmo que o país não indique. E a outra mudança... Sabe que legal isso? Desculpa, Zé. Termina não. Termina o teu pensamento. Achei que você tinha acabado. E a outra mudança importantíssima, atores e atrizes vão poder ser indicados na mesma categoria por filmes diferentes.

Uma coisa que só tinha no começo do Oscar e agora não tinha mais. E agora retorna.

E isso vai mudar muito o jogo. Podemos ter atores incríveis, sendo com duas indicações, e nos livrarmos de atores não tão bons que têm aparecido nessas listas. Essa eu não entendi, Zé. Por exemplo, Leonardo DiCaprio, ator principal, Leonardo DiCaprio por esse filme e Leonardo DiCaprio por esse filme. Isso, isso. Teve o caso da Sandra Huller, uns dois anos atrás, aquela atriz alemã, que ela fez dois filmes extraordinários, Anatonomia de Maquia e Zona de Interesse, e só pode ser indicado por um deles.

Bom, mas aí eu acho ruim, Zé, porque aí a pessoa vai perder duas vezes a mesma categoria, né? Aí se não tiver o compromisso de dar o Oscar pra ela, é judiação, porque ela vai perder com o filme A e com o filme B, né? Tem isso, e também ela vai perder pra si mesma de qualquer jeito, né? Pois é. Pois é.

Senhores, é o seguinte, Zé, você que trabalha com o mundo dos livros, quantos mil livros são lançados por ano nesse país? O Matinho da Suzuka, quando veio aqui, ele passou o número, depois ele me escreveu corrigindo, e o número é altíssimo, mas eu não tenho de cabeça, mas é muito. É muito, mas é milhares, né? Milhares, milhares. Eu quero dar uma pequena colaboração para o mundo do livro. O que importa no livro é o livro Sebon.

mas antes de você descobrir que o livro é bom, tem uma coisa que é fundamental o título do livro quero já dar o prêmio aqui de melhor título do livro de 2026 porque é o seguinte, você pega esse livro e compra o livro pelo título, depois você vai ver se o livro é bom ou ruim estamos aqui com ele, você que trouxe aqui Cauê Lopes dos Santos, que tem o título do melhor livro até agora, Parcelado espetacular peraí, liga aí Henrique carbohydrates

Obrigado por você estar com a gente no feriado, hein? Exatamente. Boa noite. Boa noite. Prazer estar com vocês aqui, Rádio CBN, Teco, Dan, Zé. Vamos que vamos. Vamos que vamos. Fala, cara. Pô, prazerzão te receber, viu? Obrigado você por ter vindo até o estúdio no feriado. Que legal. Tá tendo uma repercussão boa, o livro está feliz. Já acabou de sair, né, também? O livro saiu agorinha, pouco. Chegou nas livrarias no dia 20.

agora de abril, e vai ter lançamento no final do mês, dia 28, ao que tudo indica, mas está tendo uma boa recepção, acho que o tema é um tema que também está... O tema não podia estar mais na moda, né? Não podia estar mais na moda. Você lançou no dia certo também, né? Esse momento foi realmente uma coalizão de fatores.

E favoreceu, né? Zé, faça as honras aí da casa. A primeira pergunta, você tem a... O assunto é seu, você tem a primazia.

Oi, Cauê, boa noite. Obrigado por ter aceito o nosso convite em pleno feriado. Boa noite, Ana. Bom, o livro é muito bacana, realmente é um estudo bem interessante, ao mesmo tempo nada acadêmico no sentido de ser duro para ler, nesse sentido de afastar o leitor. Acho que é um livro que todos nós que vivemos nas dinâmicas de consumo no Brasil teremos interesse. Acho que você faz essa pesquisa na periferia de São Paulo e...

e mostra como mudou e como hoje acontece esse modo de consumir na nossa periferia. O Teco, nosso economista, há uns 20 anos, ele fala que o brasileiro vive do boleto. Se tem do boleto, mobiliza tudo.

Conta um pouco para a gente a ideia do livro, ou a ideia da pesquisa, acho que esse livro sai de uma pesquisa acadêmica, você transforma isso num livro de divulgação maior. Como é que esse começo dessa história, dessa pesquisa, o que você queria mostrar com esse seu trabalho?

Zé, essa pesquisa, quer dizer, a pesquisa que resulta nesse livro, ela começa como uma dissertação na FAO, na FAUSP, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O meu mestrado eu fiz na FAO, eu sou geógrafo, mas o mestrado eu fiz na FAO. E eu tinha interesse em entender um pouco...

As contradições que existiam na periferia, na paisagem periférica, que eram marcadas por uma precariedade de infraestruturas e serviços muito grandes, visíveis na paisagem, com a questão de saneamento básico, precário, pavimentação de ruas precárias e assim por diante. E, ao mesmo tempo, moradias autoconstruídas que tinham uma população enorme de objetos que a gente considera modernos, né? Então, televisões, aparelhos de DVD e assim por diante. Então, o exercício da pesquisa foi investigar isso.

Então, investigar quais eram os motivos que levavam à consolidação dessas contradições. Isso me levou à questão do crédito, evidentemente. Não tinha como ser diferente. O crédito é uma das variáveis fundamentais para a gente entender esse processo. Esse crédito que se capilariza para a população de baixa renda. Acho que talvez a mais importante, né? Porque as pessoas não compram nada à vista nesse país. Nem rico, muito menos pobre.

Essa questão foi se consolidando com o tempo. Esse é um estudo que começa em 2010, objetivamente.

e que com o tempo eu termino o mestrado na FAO, só contextualizando, defendo a dissertação, mas dissertação é sempre um material muito duro, muito engessado dentro de um rigor acadêmico específico. Eu continuo com os campos, fazendo entrevista com os moradores da periferia, e enfim, fiz um doutorado em outra área, voltei para a geografia, outro tema, mas ainda na economia urbana.

E aí, nesse momento, 2022, 2023, eu fiquei com essa ideia de fazer um livro que organizasse essa pesquisa dos últimos 12 anos, 12, 13 anos, e que fosse capaz de comunicar com a população, com o leitor, um público mais amplo, para além do público acadêmico, que eu acho que o público acadêmico, quer dizer, o público acadêmico não, mas as teses, dissertações, elas têm um rigor muito centrado no mundo universitário e pouco da universidade para fora. Então, minha preocupação era que essa pesquisa...

também fosse mais difundida, enfim, que essa reflexão fosse um pouco mais difundida para um público mais amplo.

Cara, eu achei o livro muito legal e assim, vou falar, dá para você fazer mais uns três livros só por aqui, né? Porque, só também para contextualizar para todo mundo, essa história do crédito é super recente, né? Não existia, se você olha qualquer propaganda de TV, jornal da década dos anos 90 para cá, era tudo, compre sua TV aqui em três vezes sem juros.

era o grande chamariz, porque como tinha uma inflação absurda, não existia crédito. Se você desse três vezes sem juros, para o cara já era a maior boiada da vida, né? Porque ninguém tinha a menor ideia quanto ia ser o dinheiro dali a três meses, né? E ali, quando você estabilizou a economia, primeiro estabilizou, depois, no começo do governo Lula, foi criado o mercado de crédito. E engraçado que ele foi usado como uma ferramenta...

extraordinária, um canhão para a economia e agora se mostrou também um problema porque aconteceu de sempre os caras dão crédito, de repente dá crédito para as pessoas de repente você que nunca teve dinheiro para comprar nada pode entrar nas Casas Bahia que é nosso personagem principal aqui e compra qualquer coisa em 36 meses, e as pessoas não foram ensinadas também, é como é que administram isso, então é um negócio que permite permite permite permite

cá para nós até que demorou para dar muito errado, porque é muita novidade, é muito difícil que o cara se organize. Essa dimensão do orçamento doméstico mesmo, esse cálculo é uma questão fundamental para a gente pensar, em termos de política pública também. E realmente é uma estrutura que se consolida a partir do início dos anos 2000.

Mas se pavimenta nos anos 90 também com a estabilização da moeda, etc. E aí a gente sai de um cenário no qual o entesouramento era a regra para você comprar os produtos. Então as famílias nas periferias compravam também televisão, mas era a partir do entesouramento. Juntava o dinheiro e comprava. Aí você tinha essas modalidades depois, três vezes. Você tinha o carnê entrando, as casas Bahia entrando ali já conhecendo um pouco essa população e sacando que essa população pagava no limite. Sim.

Então, a gente tem um sistema que se consolida nesses últimos 20 anos e que traz alguns resultados, quer dizer, o que eu quero dizer, esse consumo que essa população acessa melhorou a vida da população objetivamente, isso em termos estatísticos a gente pode olhar, mas também em termos mais subjetivos mesmo. Se for perguntar para a população, eles vão falar, não, minha vida melhorou a partir do momento que eu comprei a geladeira, que eu comprei o fogão, a máquina de lavar, etc.

Tinha uma quantidade enorme de desejo reprimido das pessoas, né? Exatamente. Porque também precisava de crédito para comprar tudo isso e, de repente, tem a chance do cara comprar a TV que ele sempre quis, a geladeira. Perfeito. E fazer uso disso no cotidiano é um...

um dado que dignifica essas pessoas na periferia que já vivem numa situação de precariedade cotidiana enorme, quando a gente fala de infraestruturas e serviços. Então, esse contraste, voltando para essa ideia desses contrastes, que eram algo que me chamava a atenção desde o começo da pesquisa e que estão aí até hoje, na verdade.

essa convivência que é muito nossa, muito brasileira, dessas periferias, que tem muita precariedade material, ao mesmo tempo que tem objetos muito modernos, se a gente for considerar em termos dessas tecnologias da informação. Dan Stuba, que o homem que não parcela. É verdade. Comecei a parcelar agora, recentemente. Eu sempre quis pagar à vista.

Porque eu não gosto desse... Eu gosto de terminar as coisas na minha vida. Não gosto de deixá-las... É, sabe? É uma coisa de pendência. É. Eu gosto de lista pra poder só arriscar o que eu fiz, né? E eu tenho uma lista no celular e a outra no papel. Só porque quando eu termino uma coisa, eu quero só... Eu penso só que quando eu cheguei em casa, eu vou arriscar de papel. Então, mas eu queria te perguntar, qual a relação do teu livro, se é que tem alguma, com o livro do Alcoforado? Assim, se tem...

essa leitura da nossa sociedade, dos comportamentos da sociedade a partir do ponto de vista econômico, se um livro, para usar uma expressão, dialoga um com o outro.

Acredito que sim, né? Acho que o Michel Conforado abre um debate importante, quer dizer, um debate que no mundo acadêmico já existia, mas ele populariza esse debate sobre a questão da riqueza no Brasil. E a gente não entende riqueza sem pobreza no Brasil também, né? Um dos países que tem as maiores desigualdades do planeta, se a gente compara com, enfim, a África do Sul. Então, tem um ranking das desigualdades, índice de Gini que vai medir isso.

E eu entendo que a gente está falando de um mesmo processo, em alguma medida, de enriquecimento no topo da pirâmide e empobrecimento na base. Ou o debate grande que tem no caso da população de baixa renda é da inclusão financeira, dessa inclusão da bancarização, da inclusão no sistema de crédito, etc.

E aí o livro problematiza muito essa questão de como a natureza dessa inclusão, problematiza no sentido de que é uma inclusão desigual, que opera com taxas de juros altíssimas. Mas o que eu acho que é um ponto de sinergia entre os dois livros é o debate do consumo, propriamente dito. Porque o consumo é uma chave da nossa sociedade, a forma como esse consumo se estrutura na nossa sociedade, que torna o Brasil uma desses grandes...

dessas grandes potências de mercado consumidor. E a gente tem a publicidade funcionando de forma muito eficiente para isso, a obsolescência programada das mercadorias funcionando de forma muito eficiente para isso. E a gente está o tempo todo comprando. O Brasil é um país que absorve muita novidade e que gosta de consumir. A população brasileira consome e acessa muita informação, um volume enorme de informação o tempo todo.

E é interessante ser notado que essa informação é consumida não só pelas elites, mas também pela população de baixa renda. O tênis moderno que foi lançado, ele é um objeto de desejo, não só para o jovem estudante das escolas internacionais, mas também para o jovem na periferia, estudante de uma escola pública. Então, o desejo de consumir é o mesmo, mas a forma como vai se acessar esse objeto é muito diferente.

É um papo muito legal. Você sabe que, também, uma informação que eu estava pesquisando, eu descobri que a gente está no pico de inadimplência, de renda comprometida. E sabe o que eles estão tentando rastrear? O que é um dos causadores dessa história nova? O PIX.

O Pix no cartão? Não, o Pix. Porque é o seguinte, com essa história do Pix, que é espetacular, você trouxe muita gente, você bancarizou muita gente. Muita gente agora tem Pix, né? Que não tinha conta em banco. E aí o cara fica sujeito a essas ofertas de, olha, crédito, pega isso aqui, cartão. Entendeu? É um consumidor que tá entrando pro banco, né? E aí, de novo, o cara entra meio sem saber. Ele sempre quis aquilo, mas estão dando pra ele.

Pô, que legal, mas ninguém ensina muito ele a... É um carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates carbohydrates

a lidar com isso. E essa bancarização ganha muita força na virada dessa década de 2010, a partir da pandemia, principalmente. Era uma forma da população também acessar os auxílios durante a pandemia. E o PIX também como uma modalidade de pagamento importante. Então é isso, esses bancos digitais ganharam grande espaço e essa bancarização...

Foi vorace nesse momento. Uma coisa que eu fiquei curioso do seu livro é que você mostra ali na segunda metade, tem exemplo de famílias que estão... Eles até falam, né? Que trabalham, trabalham, trabalham pra pagar dinheiro. Não é nem pra ascender, é só pra sobreviver ali, né? De tanto carnê que tem. E tem gente que faz o contrário, que é mais organizado. Mas em todos os casos, eu fiquei com a impressão de que...

A galera do seu livro, e talvez seja todo mundo, eles não abrem mão de comprar. Quer dizer, a compra vai acontecer e depois eu vou lidar com as consequências disso. E não o contrário, né? Não do tipo, vou trabalhar mais porque eu preciso para comprar alguma coisa. É isso, você percebe isso? É.

Porque essa é a lógica que foi estruturada. Nos anos 80 era o contrário. Tinha um entesouramento, juntava-se e comprava-se. A regra agora é essa. É de você parcelar e já entender que isso é parte de uma dinâmica orçamentária.

É interessante notar uma coisa, que é o seguinte, mesmo em situações nas quais você poderia comprar um objeto à vista, porque o seu orçamento, sua renda familiar permitiria, já existe um comprometimento tamanho com outras parcelas que você já não pode mais.

o que teria de renda disponível é muito menor. Então, a saída acaba sendo parcelar também. Então, de repente, sei lá, um tênis, um objeto que custa menos do que uma geladeira, enfim. Esse produto também vai ser parcelado porque isso é a condição que garante o consumo dentro desse cenário, no qual é essa engenharia de...

de parcelas a serem pagas no futuro. Mas tem uma coisa importante também. A gente bate muito na tecla da educação financeira. Uma coisa que eu queria colocar também para a gente pensar é que existe uma organização dessa população também com relação ao orçamento.

Tem algumas questões que podem ser problematizadas com relação à natureza do crédito, a complexidade das parcelas e, por exemplo, qual é a taxa de juros, quais são as mais abusivas, as menos. Acho que tem algo a ser trabalhado nessa educação financeira, mas existe, na maior parte dos meus entrevistados, mostraram uma dimensão de organização do orçamento doméstico.

É porque, para a gente não achar, isso é muito comum, que a causa do endividamento é uma compulsão de gastos, de consumo desenfreado. Não, o que a gente foi observando era a compra de objetos necessários para o cotidiano, mas que o orçamento dessas famílias não conseguiriam cobrir tudo à vista. Então, a condição para garantir esse consumo era o crédito. Então, essa que é a complexidade da coisa. Tem um conhecimento e tem uma gestão desse orçamento.

Mas, claro, acho que seria importante a gente também pensar em formas de entender como seriam esses juros compostos, enfim, trabalhar um pouco numa educação financeira. Zé, o homem que parcela, a sua vez. Não tem que dar intervalo não, Teco? Perdão, desculpa. Quer dar intervalo agora? Podemos. Não, porque senão você vai ter que voltar no outro bloco com dois intervalos.

Eu me perdi aqui e estamos aqui. Tranquilo. Vamos pro intervalo, Henrique? Então vamos, vamos pro intervalo. E reporta o CBN e depois a gente volta. Peraí, peraí, só mais uma coisa. Tem participação do ouvinte também, hein, cara? Esquecemos de dar os caminhos, é isso. É, a galera que tá querendo participar e quer escrever, a gente tá ao vivo, então participa, que eu tô mais de gente escrever pra gente melhor.

fim de expediente, arroba cbn.com.br, e-mail, arroba fdcbn é Twitter, ou ex, como você preferir. E o WhatsApp vai na palavra da nossa produtora maravilhosa. Não, nesse momento não vai na palavra de ninguém, vai na sua. 11-99-11-9981, é isso? É isso. Então, repete pra mim, 11-99-11-9981. Escreve o WhatsApp que a gente lê tudo na volta. Valeu, beijo de hoje.

Na CBN, fim de expediente.

E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.

Muito bem, hein? Estamos de volta. Sete horas, quatro minutos, ao vivo, diretamente de São Paulo. O chamado cala a boca no chinelinho brasileiro, hein? Um abraço para Milton Jung, que está agora terminando o churrasco, se preparando para a sexta. Estamos aqui. Quem é, Zé?

Disco novo do Foo Fighters, saiu, acabou de sair, o Windows, essa faixa. Disco bem pesadão, bem Foo Fighters, assim, achei bacana o disco, bom disco.

Mandaram um abraço, estamos aqui com o Cauê Lopes dos Santos, que está lançando o livro Parcelado. Leiam, você vai gostar demais. É um livro muito bom, muito interessante, sobre problemas do dia de hoje, de ontem, e infelizmente, talvez da próxima semana. Dan Stuba, que é a nossa comunidade no Canadá, aqui, Flávio Arsani mandou aqui dizendo, aqui no Canadá, a vida é dura. Juros oficiais, 2,5 ao ano.

Mas os bancos, os bancos, sempre eles, 15% ao ano para emprestar dinheiro. O governo fica em cima para não deixar isso descambar. E aqui só se parcela uma coisa, a hipoteca, que é uma coisa americana e canadense, só se parcelam lá. Qual a saída para o Brasil, educação? Aí precisaríamos de fazer um programa de 14 horas aqui.

E é isso, mandar um abraço aqui pro Lílio também, que fala que a Marcela faz aniversário. Um monte de gente aqui de Vitória mandando mensagens, querendo saber onde nós somos lá em Vitória e depois revelaremos. Zé, bola tua. Ó, mandar um abraço, pessoal, que também tá no Twitter. Nossa comunidade é assim que é mais presente, assim, sempre com a gente aqui. Narciso, Wilson Lima, Evelyn, a Renata Bastos, Serginho, a Helena, Patrícia, Gilmar, todo mundo aqui com a gente conectado aí no feriado.

Cauê, uma das coisas que estruturam a tua pesquisa e o livro são as entrevistas que você fez. Se eu não me engano, foram 150 entrevistados e é muito interessante esse contato, essas conversas que você vai tendo ao longo da obra. E acho que é muito revelador.

esse modo de pensar o consumo. Eu fiquei bastante... Eu acho que é uma dos personagens que mais chama a atenção logo no começo do livro. Você vai na casa, toma um café, vê que a casa tem algumas necessidades de reparo, mas tem uma televisão gigantesca ali no meio da sala. Como que foi para você entrar na casa das pessoas e, ao mesmo tempo, conversar e observar como elas viviam ou no lugar onde elas trabalhavam? Também acontece.

Essa é, para mim, a melhor parte do processo de pesquisa, assim, era trocar com as pessoas, entrevistá-las, né? Entender a partir da voz delas as condições de vida, as histórias, porque essa é uma das partes também que eu mais gostei do processo, que eram as entrevistas sobre...

A história de vida, quando vieram para São Paulo, caso fossem imigrantes, então a relação com o bairro, isso é uma parte que está presente no livro com força, sobretudo na primeira metade. E é impressionante como eu fui bem recebido ao longo do processo. Não tenho nenhuma memória de algo ruim que tenha acontecido.

Era cansativo, obviamente, porque foram muitas entrevistas. Durante o mestrado, eu fiz parte dessas entrevistas na Brasilândia e no Jardim Ângela. E depois eu continuo fazendo as pesquisas, sobretudo no Jardim Helena, na periferia da Zona Leste. E muito bem recebido pela população. A população gostando de falar da própria trajetória de vida. Isso é uma coisa bonita de se ver.

E aí quando entrava na questão do consumo, etc., também era um tema que eles gostavam e que eles mostravam bastante orgulho com relação ao que eles tinham na casa deles. Era algo... Mostrava aqui a televisão, olha aqui o... DVD é uma coisa que não tem muito mais, né? Mas o computador, etc.

e também muito humor diante das situações de precariedade. Então, aquele clássico de que não pode ligar três coisas ao mesmo tempo, senão cai a luz, então tinha um senso de humor diante dessas limitações aí infraestruturais. Mas você chegou nessas pessoas como?

Eu usei uma técnica chamada snowballing. Na etnografia é comum você ir chegando nas periferias, depende do que você vai estudar. Mas os meus entrevistados, eu chegava na casa, batia...

me apresentava, falava que eu era pesquisador da USP, que o objetivo da minha pesquisa, se seria possível conceder uma entrevista. Às vezes tinha desconfiança, às vezes não. E aí, quando a entrevista era feita, eu perguntava se poderia me indicar uma outra pessoa, e aí já tinha um vizinho que podia, uma vizinha que podia. Isso foi uma das estratégias. A outra estratégia também eram associações de bairro.

E isso resolveu uma parte numérica importante, porque às vezes teve na Brasilândia, né? Jardim Elisa Maria, eu fiz na associação de bairro e aí, numa reunião, eu ficava sentado num canto da sala, entrevistando e aí vários vieram me dar entrevista nesse mesmo dia. Então foi algo... ali concentrou bem. Mas são múltiplas estratégias que são adotadas para ir chegando e...

e conseguindo. Uma coisa que também está muito presente no livro é a história do nome limpo, né? Isso é uma... Qual o tamanho disso para a comunidade ali? Porque é uma coisa que... Eu me lembro que antigamente era muito... Todo mundo morria de medo de ter um nome sujo, mas depois que eu achei que todo mundo ficou com o nome sujo, eu achei que tinha ficado meio que... Não, faz parte, paciência. Mas não.

A questão do nome limpo e de ter orgulho de ter pago as parcelas, de estar com tudo em dia, é uma questão que surge em diferentes pontos das entrevistas. Eu trago isso no livro. Isso é posto num lugar de valor mesmo. Então, essa população valoriza, os meus entrevistados valorizam...

Quase uma honra mesmo, essa questão de ter o nome limpo. E aí se a gente for pensar historicamente a precariedade da forma como essas populações conseguiram acessar moradia, acessar as infraestruturas e serviços, dá para entender por que isso é um valor. Porque possuir um objeto que aumenta a dignidade, melhora a qualidade de vida dessas pessoas, porque isso é tão importante. E uma coisa que é latente também, isso apareceu mais de duas ou três vezes.

era a questão da eletricidade quando regulariza, né? Porque eles tinham gambiarra, há muitos entrevistados, mas aí regularizou, acabaram os gatos e aí regularizou, e eles falaram, não, agora eu pago a conta. Então isso é uma coisa que aparece nas entrevistas, e é interessante ser notado. Fazia-se o uso da forma irregular, mas a partir do momento que se pode usar a forma regular, isso é externalizado, isso é dito, né? Orgulho. Orgulho, com orgulho.

E acho que é isso, é uma dimensão importante para a população. Acho que é um pouco também do nosso caráter como população brasileira. A gente tem, no discurso, pelo menos, esse senso de dignidade, de retidão, de fazer as coisas de forma correta.

Mais uma coisa importante de ser dita é que eu também estava ali na figura de pesquisador, né? Tinha uma institucionalidade da minha presença no campo. Então, ele é um pesquisador da USP, que está estudando isso. Então, também as respostas devem ser consideradas pensando nessa interface, né? Do sujeito ali diante de um pesquisador. Então, sempre tem uma modulação. Quer dizer, não é porque está falando que o nome está limpo que necessariamente esteja limpo.

Eu tenho que acreditar no que está sendo dito, porque são os meus entrevistados e eu vou fazer essa aposta. Porque, na verdade, é isso. O entrevistado está lá, a gente construiu uma relação de troca honesta e as entrevistas vieram, as respostas vieram, as informações vieram e estão organizadas. Enfim, essa questão da retidão é recorrente. E quando ela é recorrente, isso tranquiliza o pesquisador, porque aí a gente vê a questão da saturação da informação.

Deixa eu falar, isso é recorrente, então não é uma anedota, né? Isso é algo que tá amplamente disseminado. Dan Stuba, que o homem que nunca teve o nome sujo, bola tua. Eu acho que eu já tive, sabia, por uma bobagem dessas de quando eu fui vender alguma coisa. Essa informação é um belo corte. Artista da Globo teve o nome sujo. Imagina, já tô vendo a manchete amanhã.

E dessas coisas que você não pagou, eu não tinha pago o quê? Era uma parcela de... Não era uma parcela, acho que era um IPVA.

algum imposto que voltou e eu não paguei de novo, porque eu não sabia. E daí, quando eu fui vender, acho que minha casa, o apartamento, alguma coisa, apareceu. Mas tanto faz. Desculpa esse meu momento, Cauê. Cauê, eu queria saber, você deve ter aprendido muita coisa, né? Mas eu queria saber o que te surpreendeu na tua pessoa. Eu imagino você um cara preparado.

que já tinham uma opinião e um estímulo para desenvolver esse trabalho. Mas você, nesses encontros, claro, você deixa isso bem claro no livro, os encontros humanamente são todos surpreendentes ou trazem coisas que você não imaginava. Mas, de modo geral, de uma leitura geral, o que é que te surpreendeu? O que é que te surpreendeu? O que você sai diferente do que entrou depois de fazer esse livro? Nossa, que...

Boa pergunta e difícil, né? Eu nunca parei para pensar, porque a lógica acadêmica é tão calculada também, então essa questão da surpresa, né? Uma questão que acho que foi um grande aprendizado para mim ao longo desse processo foi tentar desmoralizar o consumo.

Então, o que eu aprendi com esses entrevistados era que não caberia a mim fazer juízo de valor do que estava sendo consumido. Que era o que meus amigos, colegas faziam quando eu falava para eles o que eu estava estudando. Eles falavam, ah, mas essa população de baixa renda também sai comprando coisa por aí e... Não se ajuda. É, não se ajuda. Tem que investir em educação, tem que investir em saúde, tem que investir...

E aí, o que eu fui entendendo a partir do momento que as entrevistas foram acontecendo, eu fui acompanhando a vida das pessoas ali, é que as pessoas estão cientes dos problemas que atravessam a vida delas e que consumir é uma variável importante também, que nem a gente estava conversando antes, é algo que dignifica, né? E que melhora objetivamente as condições de vida.

objetivamente e subjetivamente, porque a percepção do consumo também é algo importante, a percepção do sujeito enquanto pobre, não pobre, periférico, não periférico, é algo que também impacta essa leitura. Então, assim, eu diria que...

Para minha surpresa, eu fiz um exercício de desmoralizar leituras que talvez eu tivesse, entendeu? E uma coisa que é importante, no campo a gente sempre... Todo mundo que tem uma pesquisa vai já cheio de hipóteses, né? Mas a gente tem que estar preparado para...

quebrar as pernas, porque pode ser que nada disso aconteça, que essa hipótese não se verifique. Então, tem gente que já chega no campo com muita resposta. Na verdade, a gente tem que chegar com muitas perguntas. Isso me parece uma questão fundamental para poder entender a realidade e não para tentar fazer com que a realidade caiba a sua hipótese. Então, esse foi um exercício meu ao longo do processo. Deixa eu aproveitar uma deixa aqui. Desculpa, Teco. É só para aproveitar essa deixa. E o jogo, hein, cara? As bets.

Como é que elas entram nessa história toda aí? Bom, essa é uma questão agora, uma variável nova e que está chegando com tudo, né? Terrível, né? Terrível. A gente está conversando sobre isso agora. O período da maior parte das entrevistas não cobre a questão da BET, porque eu estou pegando, sobretudo, década de 2010, né? Algumas entrevistas 20 e 21. Então, a questão das BETs, elas não surgiram na amostra das entrevistas.

O que eu fiz em paralelo foi acompanhar um pouco esse debate e a abertura dos nossos mercados para as bets. E é algo que está realmente sendo muito problemático, algo que está levando muitas famílias ao endividamento numa dimensão ainda mais séria, porque é um endividamento que não está nem ligado a uma mercadoria específica. Então, não é que você está endividado, mas tem uma televisão ou tem uma geladeira que vai conservar seus alimentos. É um endividamento para nada. Para nada. E um vício também. E um vício.

E aí entra uma dimensão importante que aí, se eu for olhar para isso para os próximos anos, e me parece que é uma questão importante de ser olhada, vai precisar também uma interface forte no diálogo com a questão da saúde mental, com a questão da saúde pública, porque essa é a discussão de Bet, a gente está falando de vício, de jogo. Então, por enquanto, eu estou ainda preparando o terreno num âmbito mais teórico para poder...

abordar essa questão da forma séria como ela precisa. Mas as histórias, ainda mais em tom anedótico do que eu vim observando, é algo gravíssimo que vem se desenhando. E já tem alguns dados coletados sobre isso também que mostram isso. Nossa, é grave em diversas frentes ali, não é só na mental, não é só...

É no vício, porque acaba viciando, mas assim, em termos de dinheiro, eu estava falando com você, né? A última conta que soltaram são despejados 20 bilhões por mês em bet. Se o governo despejar 20 bilhões por mês na economia, movimento PIB.

Sim, o PIB ACX, o governo resolveu que vai jogar 60 bi na economia no trimestre. No outro dia, os bancos vão revisar e falar o PIB vai crescer 0,1, 0,2 a mais do que ia por causa disso. Só que esse dinheiro, ele não gera nada para a economia. Assim, por mais que falem, ah, está gerando algum emprego, o máximo que gera é um patrocínio melhor para uma camiseta de futebol em algum momento. Mas assim, não vai parar no comércio, não gera emprego, não gera compra que movimenta indústria.

Então é um dinheiro que está evaporando, literalmente. E que não entra nem nessas grandes redes varejistas, mas nem no pequeno também. Porque você poderia estar comprando pão na padaria da esquina e não. E estão deixando de comprar o comércio varejista de roupa. Por exemplo, a gente já fala que caiu muito a venda de casaco, de coisas que as pessoas não compram mais roupa de frio.

para se virar porque não tem dinheiro ou querem gastar dinheiro com o bet. Então, assim, está mudando o consumo das pessoas isso. Ontem, foi ontem, acho que foi ontem, o presidente anunciou o Desenrola 2, né? Que vai ser anunciado, na verdade, oficialmente na segunda-feira. E uma das coisas que ele comentou foi a proibição do jogo de bet para quem entrar no Desenrola 2, né? Então, não poderá, durante um ano, fazer uso das plataformas de aposta quem topar entrar no Desenrola 2.

Então, o governo está olhando, qualquer governo vai ter que olhar para essa questão do endividamento e das apostas nessa nova conjuntura. Qual é um aspecto também importante do livro?

Vamos dizer assim, é quase uma pesquisa, ela tem um traço etnográfico, no sentido de ir num lugar onde as pessoas, pelo menos a classe média ou as classes mais abastadas, não vão, que são as periferias. Então, é quase um... você está revelando espaços urbanos que não são cotidianos da parte mais abastada da cidade. E uma coisa que me chamou a atenção bastante no livro, assim...

Tem essa, obviamente, todo mundo quer estar incluído nas dinâmicas de consumo, querem ter os bens, querem estar participando de tudo que todo mundo quer participar, em termos de compras, mas tem uma precariedade ao redor enorme, de infraestrutura, a própria precariedade de emprego, você tem gente que é faxineira, gente que trabalha em empregos muito precários, em alguns aspectos.

As pessoas têm essa clareza, e para elas, elas não veem muito como movimentar esse lado da precariedade. Porque se a vida fosse menos precária, se ela tivesse condições melhores de vida, talvez o consumo fosse outro. Talvez você não precisasse tanto de uma TV tão grande, talvez você não ligasse tanto para uma TV tão grande, ou sei lá, ou quisesse ter uma casa diferente, não sei. Como isso poderia mobilizar o lado do consumo pela mudança da precariedade?

Acho que essa dimensão do trabalho que está associada à renda no Brasil, em qualquer lugar, na verdade, ela é importante na pesquisa. Então, nessas periferias, são os lugares onde moram as populações com os menores salários e com as situações mais vulneráveis de emprego, com grande parte da população trabalhando em situação de informalidade, inclusive.

Isso é algo para ser pensado quando a gente está discutindo essa questão do endividamento também, porque o aumento da renda é uma variável fundamental para a gente reduzir o endividamento. Obviamente, diminuir a situação de inadimplência e insolvência, porque as pessoas confundem endividamento com inadimplência e insolvência. Isso é uma coisa sempre importante de ser dita.

endividados, todos nós que parcelamos estamos, que temos algum tipo de compromisso futuro com pagamento de parcela. Quando você atrasa essa situação, quando você atrasa essa parcela, aí você efetivamente é um inadimplente depois de 90 dias, isso depende do cálculo, e se você não tem condições de pagar, você é insolvente, mas isso só para fins de contextualização. E aí o que a gente tem nas periferias são as populações que já têm o pior acesso às infraestruturas e serviços,

os piores empregos e as piores remunerações. Uma população, importante ser dito, majoritariamente negra nos bairros que eu estudei. Então, a gente tem essa dimensão racial que não pode ser negligenciada, como já foi durante muito tempo pela universidade. A universidade falava de pobreza sem falar de questão racial. Era uma coisa fantástica como conseguiram fazer isso por tanto tempo. E a gente tem esse cenário com essa população...

mais pobre, também pagando as maiores taxas de juros. Então, tem uma perversidade gigantesca. O ouvinte do Canadá comentou das taxas de 2% ao ano. Como é que é? 2% é a taxa básica do Canadá. E os bancos que cobram muito, cobram 15, né? Ah, sim. Os bancos... É, então.

A gente tem uma situação de taxas de 5% ao mês, entendeu? E a gente tem um quadro que também saíram os dados recentes do Banco Central, mostrando que as mulheres negras na periferia, inclusive, são as que pagam as maiores taxas de juros do país, aproximadamente 140%. Com os dados do Cade Único, aproximadamente 140%.

ao ano é uma taxa exorbitante. Então, a gente tem essa dimensão muito complexa dessa ou nova classe C ou dessa nova pobreza urbana. A gente pode pensar em várias formas de chamar. É claro que nova classe C é uma coisa mais eufórica, ela é mais positivada. Mas eu prefiro pensar que, em função da carência de infraestrutura e serviços, a gente está mais diante de uma nova pobreza do que de uma nova classe C.

Vamos para o... Preciso ir para o intervalo. Eu ainda acho que... Não sei se era isso que você queria saber também, Zé, mas, assim, eu acho que precisa trabalhar um pouco... A informação é muito precária quando você dá crédito para as pessoas. Então, assim, exemplo, a taxa de cartão de crédito no rotativo é 400% ao ano. Ou seja, multiplica por 5 o que você deve.

Só que como é que é o cartão de crédito? Você entra hoje em qualquer loja de departamento e o cara te dá um cartão de crédito. As pessoas, muitas delas, sonhavam em ter um cartão de crédito que ninguém nunca deu. Agora estão dando. Mas ninguém fala para elas essa conta. Olha o seguinte, a cada R$10 que você gastar aqui, se não pagar, vira uma dívida de R$40, R$50.

O cara, ele sai com uma, né, com o seu cartão de crédito é uma navalha. E é isso um pouco também, né? Usando de outra maneira a frase do Cazuza. Porque é o seguinte, se você passa o cartão e não paga, talvez esse cara vai descobrir lá na frente que ele agora deve 500 reais num McDonald's que ele não pagou.

Posso falar uma coisa? Vocês precisam entrar no intervalo, mas só uma história recente. Recente de ontem, uma amiga minha estava me contando. Ela estudou comigo na USP. Quando ela se formou, ela tinha conta universitária. Eu não vou citar banco nem nada, mas ela tinha uma conta universitária e tinha menos 10 reais. E ela foi viver a vida.

E tinha uma cobrança que não aparecia nunca, um e-mail, ia para a spam, sei lá. Quando ela viu, o valor já estava assim, dos menos 10 reais que ela tinha, já estava uma coisa de 5 mil reais, já estava uma coisa completamente fora. E aí ela falou, não, não vou pagar isso. Aí tem uma história de ficar 5 anos negativado, que aí você é positivo automaticamente, mas enfim, é uma...

Então, mas as pessoas têm que ser avisadas disso antes, né? De dar o cartão, de dar o crédito, de dar qualquer coisa, porque as pessoas não têm... Quer dizer, elas deveriam saber, mas elas não sabem de um monte de outras coisas. Não, a comunicação com relação ao crédito precisa melhorar muito. Muito. Muito, né? Muito. O crédito composto, né? Perdão, na medida que essa comunicação vem da parte interessada em obter lucro...

Ela sempre vai ser enviesada, né? Ela nunca vai contar a história toda. Mas esse é o erro, cara. Porque assim, também não adianta você emprestar o dinheiro se você não vai receber depois, cara. Não adianta depois ter que ficar tendo feirão, entendeu? Que o cara vai dar um perdão de 90%. No final, quem empresta dinheiro, ele quer receber o dinheiro. Se você vai criando problemas para não receber, por mais que você receba algum, você fica administrando problemas para o resto da vida.

Quem empresta também, né? Assim, o sistema seria mais saudável se todo mundo jogasse outro jogo.

para todo mundo. Mas é por exemplo, eu não sei, agora vamos pegar esses três minutos, se você topar, a gente faz repórter e o intervalo depois, acho que essa é a melhor maneira, só para desenvolver rapidinho uma coisa. Eu estava aqui pensando, quando o Correio estava falando, qual é a melhor maneira de a gente proteger as pessoas que de alguma maneira não tem preparo para lidar com essas situações. A gente se inclui nesse despreparo muitas vezes também.

Porque a gente, mesmo pessoas de uma camada menos desfavorecida, às vezes não tiveram preparo, não tiveram educação para isso. E as seduções são muito fortes. Então, qual que é? Além, claro, de um preparo pessoal, psicológico, seu, e de que cada um desenvolve a sua maneira, o que pode ser feito de uma maneira mais maciça para que grande parte da população se proteja?

Não sei, o Cauê vai ter uma resposta melhor que a minha. Mas assim, perdão, Cauê, só para eu completar. Na minha cabeça, é educação financeira na escola. Educação de modo geral e educação financeira na escola. Mas complementa, você com certeza vai ter uma resposta melhor. Eu acredito, estou contigo, acho que a educação financeira é uma das frentes importantes de serem atacadas. Nas escolas, e aí pensar também, para quem já passou pelo período escolar, como é que a gente vai fazer também, que é muita gente.

Para ver como é que haverá esse letramento financeiro. E isso é importante ser dito. Uma educação financeira que não fique restrita a uma dinâmica do orçamento particular e doméstico. Uma educação financeira que explique para o cidadão o que é o sistema financeiro nacional. E quais são as taxas de juros nas quais ele opera. Que são as mais abusivas do planeta. Isso não pode deixar de ser dito. Porque senão parece que a culpa é somente do tomador de crédito.

Então, acho que tem uma lógica de conscientização também da população e de organização, claro, porque a gente sabe que a informação sobre o crédito é passada de forma muito pior do que deveria, mas, ao mesmo tempo, essa conscientização maior de toda a engrenagem da coisa.

Isso por um lado... Mas para a engrenagem melhorar... Ah, perdão. Não, não, não. Só para acrescentar que a engrenagem melhorar, o fato das pessoas terem mais autonomia e consciência sobre o que elas estão fazendo, obriga o sistema também a cobrar menos juros, porque ninguém mais vai querer entrar nessa, né? De alguma maneira, uma coisa vai estimular a outra. Mas vai ser mais saudável, Dan. Para o sistema é melhor saudável. Para todo mundo é melhor, né?

Então, em tese, sim. Mas assim, em tese é mais saudável e eu estou plenamente de acordo. Mas a gente observa que os bancos batem recorde atrás de recorde de lucro no Brasil. Então assim, também capilarizando, absorvendo parte dessa renda. Porque o que a gente vem observando é que por mais que tenha insolvência e inadimplência, o trabalhador trabalha, aumenta o tempo de trabalho, aumenta seu salário e esse salário é drenado para o sistema financeiro.

Porque é pagamento de parcela atrás de pagamento de parcela. Muitas vezes o objeto já foi pago, muitas vezes, e o trabalhador está ainda trabalhando para pagar uma coisa que já foi paga. O trabalhador da periferia pagando os juros mais altos, enquanto o trabalhador do centro, que comprou em menos parcelas ou que comprou à vista, já pagou pelo mesmo objeto por um preço menor há muito mais tempo.

Então tem uma arquitetura que a gente tem que olhar de forma muito crítica E eu estou de acordo, eu acho que educação financeira é um caminho fundamental Junto com políticas de valorização da renda, redução de taxas de juros Então a gente tem um sistema financeiro no Brasil que é muito fechado A gente precisaria olhar um pouco como é que poderiam entrar outros atores Que poderiam melhorar essa situação

Vamos para o Repórter CBN, intervalo, e voltamos mais falando com o Cauê Lopes do livro, hein? Anotem aí, em parcelado. Eu quero saber que série o Cauê assiste. É, vamos ver. Se vê a televisão. Vamos lá. Se vê. Repórter CBN. Ah, não é bom ver série. Série é parcelado. É isso aí. Na CBN, fim de expediente.

Muito bem, estamos de volta, hein? 7,38. Não é a Shakira. Essa é a original. A mãe de todas. Ela voltou, Zé?

Tá lançando um disco novo agora, comecinho de julho. Liberou duas faixas. Essa com a Sabrina Carpenter. E é uma retomada, né? 20 anos depois, é o Confessions on a Dance Floor, número 2. Esse disco foi ótimo, né? Discão de pista, assim. Vai ser bom pra dançar por aí, pra quem gosta. Era a época dos clipes com patins, né? Era loucura aquilo ali. Vai voltar tudo.

Muito bem, estamos aqui, daqui a pouco vou dar uma geral aqui nos ouvintes. A nossa produtora aqui, ela mandou uma pergunta pra eu fazer para o convidado, mas não faz sentido, né, Zé? Ela tá aqui na CBN, feriado. Jornalista, pô, vive disso? Faça a pergunta, Karina, manda bala, meu.

Muito obrigada, Teco. Obrigada, Zé, Dan. Cauã, eu tenho uma pergunta sobre a questão de gênero e de raça que vocês já estavam comentando antes. Eu queria saber qual foi a sua percepção de estar ali no ambiente, qual foi a sua...

é percepção mesmo, acho que essa é a exata palavra, desse recorte de gênero e de raça. E eu digo isso porque a gente escuta constantemente aquelas piadinhas de mulher não tem controle com dinheiro, mulher não sabe parcelar as coisas, a mulher não pode dar um cartão de crédito na mão da mulher. Só que eu acho que isso é um tipo de piadinha que reflete muito a nossa sociedade.

É como a sociedade sempre acreditou que a mulher lida com o dinheiro, que não é ela que trabalha, então ela lida com o dinheiro como se fosse algo que não tem controle. Mas a gente sabe que isso não é verdade. E eu acho que entender todos os aspectos sócio-econômicos, o contexto em que aquilo está acontecendo, você citou dados aí também, eu trago mais um que é do emprego, aumentou, mas as mulheres continuam recebendo cerca de 21% a menos.

Enfim, a minha pergunta é sobre isso, qual é a sua percepção desse estudo todo, e como é esse contexto hoje, como é que a gente pode, acho que equiparar, e se equiparar talvez seja muito forte, mas entender para resolver isso de alguma forma. Obrigada.

Obrigadíssimo. A melhor pergunta do programa veio agora, né? 7h40. É isso. Inclusive, um dos capítulos do livro chama Eu Sou a Matemática da Família. Ótimo capítulo. Que é de uma entrevista de uma dona de casa que ela vai contar um pouco como ela organiza esse orçamento doméstico.

E ao longo das entrevistas, a gente vê a presença feminina importante como gestão financeira, também dentro das casas. Então, o cálculo, e muitas vezes era cálculo em planilha, variava, né? Cálculo em planilha, caderninho, tinham várias situações aí que eu coletei desde 2010 até...

2021, 2022. Então, o que a gente tem é uma situação que, evidentemente, essas construções são de um caráter de misoginia, então a gente não tem nem que levar isso a sério, mas objetivamente você tem as mulheres...

diante do orçamento doméstico, organizando para garantir, inclusive, para prover a qualidade de vida, para prover o pagamento das contas, para prover que tudo esteja correto, esteja limpo e tudo mais. Então, isso me parece uma questão importante. Acho que é importante a gente incorporar...

A dimensão de gênero e raça nesse debate, inclusive alguns dados da Serasa mais recente, mostram que é muito equilibrada a tomada de crédito e endividamento entre homens e mulheres, a dimensão de gênero. E um estudo mais recente do Banco Central, a partir dos dados do Cade Único e do Raiz, mostram que quem paga os maiores juros no Brasil são as mulheres negras. Então, a gente...

coloca mais essa dimensão. Então, é classe, é raça e é também gênero articulados, né? Que é a cara do Brasil isso, né? Essas dimensões. Então, é muito ruim a gente só olhar numa perspectiva, porque não é só classe que explica, é na articulação também com a dinâmica de gênero e de raça.

E também, essa história do endividamento, eu também acho que tem que... É difícil para o Brasil ter um número, porque é muito comum que você se endivide no nome do outro. Opa! Pegue crédito no nome do outro. Aposentado, nossa, avô e avó que pegou consignado para pagar dívida de filho, de neto. Então, no final dá uma bagunçada ali que a gente consegue muito bem saber. É uma capilarização do crédito que... É isso.

como diriam meus pais, na verdade, várias pessoas dizem isso, mas é desigual e combinado. Você tem uma lógica dialética, porque ao mesmo tempo que o crédito propicia uma melhoria na qualidade de vida, você tem impactos que são deletérios no médio e longo prazo. Então, essa questão desse endividamento crônico, essa ideia de que você organiza a sua vida e o seu futuro em função de pagamento de parcela. Isso é muito grave do ponto de vista de um projeto de sociedade. Qual é o nosso projeto de sociedade? É consumir?

É isso que a gente está aqui para fazer? Consumir e pagar parcela? Como é que a gente vai acessar cultura? Porque isso é um outro aspecto importante. A infraestrutura mais mal avaliada dos meus entrevistados eram os equipamentos públicos de cultura e lazer. Isso significa praças ruins, ausência de parques, ausência de cinemas. Vamos ver a distribuição de cinema na periferia, por exemplo, de teatros.

E aí, o que isso traz como também uma contrapartida? As melhores infraestruturas eram as de energia e telecomunicação, que é justamente o que você precisa para ligar um computador, para ligar uma televisão, para ligar um videogame, para ligar o celular. Então, essas duas dimensões parecem que estão dissociadas, mas, na verdade, elas ajudam a gente a entender uma internalização do lazer.

Então, cada dia mais dentro de casa, enfurnado e acessando e usando o tempo livre para esse tipo de consumo. Uma pergunta capciosa aqui, talvez... Eita! Não, talvez meio ruim até de fazer, mas é que eu realmente tive curiosidade. Você acha que tem, assim... Só para situar as pessoas do Brasil, você foi em bairros muito periféricos aqui de São Paulo, onde, assim, na partida, a gente imagina que as pessoas têm uma vida muito dura ali.

Mas você vê que tem um desejo da televisão, que acho que é a paixão do brasileiro, é ter uma TV bacana na parede. Mas uma coisa que é muito presente hoje, está até no livro, é a história do celular. Impressionante. E a gente vê muita gente falando assim, pô, todo mundo tem um novo celular. Rico, pobre, novo, velho.

O quanto isso é um pouco de consumo, de desejo de ter, de pertencer, ou o quanto isso é um pouco de ser perdulário, entre aspas, dado que você, teoricamente, não devesse racionalmente gastar? Entende? Você acha que as pessoas têm tantas parcelas, estão tão endividadas, mas elas...

precisam isso por qualquer razão social, psicológica e tudo bem, ou você acha que nem percebe, você fala pô, talvez não precisasse aqui de ter tal coisa, entende? Assim, talvez a pessoa não perceba que comprou uma coisa que é ok pra ela, mas que vai gerar 200 parcelas, isso vai tirar dinheiro de alguma coisa. É que seria um uso, é, é uma miria de situações. É, que ela poderia fazer um uso melhor pra ela do dinheiro, né? Sim.

Bom, são uma mirilha de situações que a gente tem, porque existe uma compra e uma renovação do objeto que está ligada a uma necessidade mesmo, porque, de repente, o celular é um instrumento de trabalho também, então precisa de uma renovação no ciclo mais curto.

Aquela questão que a gente estava conversando, às vezes, você pode até cuidar bem do seu aparelho de celular ou da sua televisão, mas a partir de um momento o software não gira mais, ou seja, você é obrigado a comprar um outro, mesmo se você conservar direitinho e não fizer questão de comprar. Então, é uma engenharia, é isso que eu acho importante, é uma engenharia, tem muitas variáveis que se articulam. Então, tem cenários nos quais realmente a gente pode identificar uma compulsão, um descontrole de gastos.

Mas tem cenário que, jogando certinho, em função das necessidades, uma saída ou outra... Desculpa, mas para explicar, para não me entenderem mal, eu falo porque, se a gente achasse que tem um pouco de compulsão, também é uma coisa que precisa ser trabalhada, de tentar mostrar que a pessoa, às vezes, vai se enrolar por uma coisa que ela precisa esperar. Quando precisa, porque é trabalho ou qualquer outra coisa, aí tem jeito, né?

Não, certamente. E tem uma dimensão do consumo que a gente observa em todas as classes sociais, que é a vontade de se assimilar à classe que está acima de você.

Então, na classe média, a gente vê isso, pessoas comprando com salário de 15 mil reais, comprando uma passagem de executiva que custa 20. Isso também mostra uma dimensão, uma ausência de educação financeira, talvez, de muitas pessoas. Então, isso é algo que se reproduz em todas as classes sociais. E nas classes de baixo poder aquisitivo, esse consumo catapultou, durante muito tempo, aquilo que a gente já falou da nova classe C. Então, a gente festejou isso muito nos anos 2010.

E que agora, na minha visão, nunca houve nova classe C. Para mim, era uma nova pobreza urbana, mas enfim. De que esse consumo está aí e ele é muito desejado. E ele é muito desejado por vários motivos. Dentre eles, a vontade de... O desejo de ter o objeto porque aquilo te dignifica socialmente.

Então, a televisão, porque quando a pessoa fala com orgulho que olha a televisão que eu tenho aqui na parede, uma parede de uma casa que está com rachadura ali no canto, quer dizer, tem uma dimensão de infraestrutura presente ali também, que me revela uma outra coisa, né? Então, esse orgulho que está expresso pelas entrevistas me mostra isso, esse interesse de possuir.

um objeto, sobretudo numa sociedade na qual essas populações periféricas, majoritariamente negras, foram historicamente excluídas de qualquer processo de posse. Então, acesso à propriedade privada dos meios de produção, acesso à propriedade privada da moradia mesmo. Então, a gente tem aí uma... Dá para entender historicamente por que isso acontece, do ponto de vista mais cultural mesmo.

Vamos para o intervalo e voltamos, que temos muitas coisas de cultura para dizer. O Diabo Veste Prada vem aí, Shakira vem aí, The Weekend está aqui. Vamos falar tudo isso depois do intervalo. Vamos lá. Na CBN, fim de expediente. Na CBN, fim de expediente.

Muito bem, estamos de volta, hein?

7h55, está pronto para Shakira? Zé, você vai amanhã? Não, né? Estou pronto. Não, estou prontíssimo. É. Mas não vai, né? Não, não vou, mas estou pronto. Está pronto. Como é que está o Rio de Janeiro? Festa? Sentiu? Tem uma comoção pela Shakira? Ou depois a Lady Gaga mudou um pouco?

Um pouco menos, pelo menos por enquanto, eu tenho observado. Mas eu não passei para o Copacabana, onde a concentração é maior. Pelo meu data zero, eu diria que o ano passado estava mais agitado. Shakira que já deu mole para o Teco e o Teco não quis nada. Não, eu não posso contar essa história, mas é muito próximo disso. Lá em 1996, já contei essa história um dia.

ninguém liga os pontos porque ela fala português fluentemente. Ninguém perguntou pra ela como ela aprendeu português. Aí, Cauê. É isso. Pode tomar fé, não?

interlocutor aqui. No Moinho Santo Antônio. Quem estava lá, viu? Shakira no Moinho Santo Antônio? 96. Ingressa a 10, 15 reais o valor de hoje. Você sabe que ela fez uma turnê no Brasil? Uberaba, não foi? Uberaba, tocando em Botequinho aqui, né? Shakira Raiz. É isso. Vamos lá, então põe a Dicas da Semana aí. Temos muita coisa aqui para ver, hein? Dica da Semana Dica da Semana.

Vai lá, Zé, quer começar você aí com... Ó, jogo rápido. Em São Paulo, quem tá aí e gosta de livro, tem a feira do livro da Rocha, no Bixiga, programação legal, várias editoras. Pra quem quer ficar em casa, no streaming, tem um ótimo série criminal, que é o Histórico Criminal, segunda temporada, série inglesa, excelente. De boa? Pra quem gosta de futebol. Calma, vai com calma. Histórico Criminal, aonde?

Tá na Apple. É a segunda temporada. Pra quem gosta de futebol. Não lembro da primeira. Não lembro da primeira. É ótimo. Na hora que você vê a foto dele, você vai lembrar. E tem o documentário, a série documental do Ronaldinho, pra quem gosta de futebol, pra quem gosta dele. É muito legal, tá no Netflix. Você curtiu?

Eu curti, eu acho que era muito correto. O primeiro produto criado bom sobre o Ronaldinho, né? Porque o irmão dele conseguiu estragar tudo pós-carreira dele, mas é o primeiro produto bem feito, né? Pra quem gosta de futebol também, vai estrear um filme que eu acho que deve ser legal, que é o Samurai de Quintino, né? Do João Weiner aqui. É, estreou ontem. Tem um Aue nele, eu acho que, pô, merecidíssimo pro Zico, né? Eu já vi. Eu já vi. E é absolutamente sensacional.

É uma das dicas pra quem quiser ver, mesmo que não é flamenguista, mas ir pro cinema pra você poder ver aquelas imagens. É um imenso canal 100, sabe? É muito legal, uma homenagem dele. Todos os homenagens ao Zico são poucas, perto da sua grandiosidade, mas é das mais legais que eu já vi serem feitas aqui no Brasil pra alguém. E o fato de estar no cinema deixa tudo mais especial. Que legal, achei que era só semana que vem, mas já fica aí. Continua, pode emendar já o resto.

Ah, o Matt Locke é uma série anos 80, claro, feita agora, mas meio anos 80, tá na Globoplay, muito simpática, tem a Cat Bates como protagonista, muito simpática, gostosa, boa de ver, inofensiva. E uma série que eu falei rapidamente, daí sim, ofensiva, complicada, densa, é o Devil in Disguise, que eu falei pra vocês na outra semana. Pô, essa série é muito forte, Dan, não dá pra ver essa série. Você insiste nessa série?

Não, não, se eu tô complementando, eu falei dois opostos, né? Não, mas o Devin Desguys é muito bem feito. É, mas não dá pra dormir, eu vi um episódio e meio, eu não consegui dormir uma semana, depois é muito violento aquilo. É a reconstrução da história de um serial killer.

E talvez acho que o maior das Américas, que matava garotos. Mas é tão bem feito, tão bem interpretado. Mas é pesado, sem dúvida, o tema é horrível. Mas é daquelas séries típicas. Que história americana tinha uma... Que fez o O.J. Simpson, fez o Versace.

Essa galera consegue reconstituir com perfeição, com excelentes atores. E, por fim, uma série pra você não ver. Em algum momento eu citei nesse programa uma série chamada Assassino Sem Memória. Ela vira uma bobagem gigante, amigos, da CBN. Não assisto. Boa. Acabei. Tem mais, se quiser. Vamos lá. Primeiro, um filme que tá quicando ali pra você ver que eu vi e gostei, não amei, mas gostei bastante, A Noiva.

com a Guilherme Hall dirigindo lá, com a menina que ganhou o Oscar pelo Hamnet, que faz a noiva... Jesse Buckley. Jesse Buckley, que faz a noiva do Frank Stein. Cara, o filme é bem interessante, assim, vale muito ver. Tá...

Tá aí, acho que no Prime ou em algum lugar pra você ver. Tem o Diabo Veste Prada, que tá estreando, Imperdível. Vá ver isso. Pule o Michael, veja o Diabo Veste Prada. E uma série que eu comecei a ver, que eu gostei muito com aquele ator que fez uma série que a gente adorou ano passado, que é o Matthew Rhys, que fez aquela série do Monstro lá, tá tal. O Segredo de Weedle Bay, que tá na...

Na Apple. Tem dois episódios lá. Cara, série boa. Boa, muito boa. Vale a pena ver. Tem dois episódios, tá começando. Ele é bom, né? Esse ator, ele não erra nunca, né? Muito bom ator. E agora eu descobri que ele é marido da moça do Diplomata. Gostei mais ainda dele. E também pra você, ó, o livro. Esse aqui, ó. Parcelado.

Fósforo, né? Editora Fósforo, Cauê Lopes dos Santos. Tem dica, Cauê? Tá vendo alguma coisa? Lendo alguma coisa? Eu tô assistindo, mas eu não sei se seria uma boa dica, porque eu não tô gostando tanto, que é euforia, euforia. Euforia. Terceira temporada. Essa daí tá ruim essa temporada, né? Que é o mesmo erro do White Lotus, né? Chega na terceira temporada, é uma coisa arrastada, supostamente inteligente, mas eu não sei se tá bom, eu não sei se eu tô gostando. Às vezes melhora, né? Mas...

Cauê, eu vou te dizer o que acontece. O urso foi a mesma coisa.

eles assinam por duas temporadas, eles já sabem que vão fazer a quarta. Então, eles economizam a terceira pra botar as ideias boas na quarta, entendeu? E já sabe que você vai vender uma terceira, aí você fica em dúvida, mas aí a quarta vai ser tão boa que você vai ver as duas. A gente vai ter que assistir White Lotus e Euphoria, então, esperar. Quatro, é. E de forma parcelada, né? Porque eles lançam aos domingos. Você vê que a parcela faz parte da nossa vida até quando a gente não quer, cara.

Muito bem, então é isso. O Leonardo Dai já está aqui, vai falar da rodada do Brasileirão. Vai falar do dinesismo? Vamos. Vamos, né? Nenhum gol sofrido. Nenhum gol sofrido. A minha pergunta é... Sim. Quero que você leve para a discussão no 4 em Campo. Depay hoje é banco?

O pai pode ir embora que ninguém sente falta dele Falar em banco A gente vai abrir o programa falando que o Paulinho Vai pro banco amanhã do Palmeiras, voltou, ressurgiu Só acredito vendo Tá confirmado no banco de reservas amanhã Tem isso e muito mais Eu parcelaria Essa expectativa Muito bem Vamos nessa, obrigado Foi demais, papo, ótimo livro, boa sorte com livro Leiam parcelado, semana que vem tem mais

Zé, Diniz, melhor começo de técnico da história do Corinthians. Calma, minha gente, calma. O Diniz é parcelado também, você vai ver quando chegar a segunda parcela. Obrigado, Caetano. Obrigado, obrigado. Tchau. Bom feriado. Um abraço.

Na CBN, fim de expediente. Apresentação, Dan Stubach, José Godói e Luiz Gustavo Medina.

Pesquisador que estudou consumo parcelado na periferia diz que endividamento não significa compulsão | Castnews Index — Castnews Index