Episódio 10 - A Viagem de Chihiro
Kobata
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- A vida como um processo de aprendizadoAprendizado com dificuldades · Lidar com escassez · Simplicidade
Kobata aqui! Quanto tempo, minha galerinha! Vixe Maria! Hoje, 2 de julho de 2026, eu tô voltando com esse podcast aqui, gente. Kobata Reflect. Cara, pensa numa doideira na minha vida e coisas que aconteceram. Olha só, vou dar o panorama para vocês. Eu hoje em dia moro em Belo Horizonte com um namorado que é catarinense, tenho canal no YouTube de tarô e voltei a ser artesã. Estou fazendo kimonos, bolsas e whatever. É brincadeira?
Ou vocês querem mais? Porque eu tenho muito mais pra contar pra vocês. Puts, mas pensa a pessoa que passou por aventuras e aventuras e aventuras e aprendeu muitas coisas e se fodeu muito no processo, mas tudo serve de aprendizado, né, galera?
Bom...
Quando eu gravei, quando eu comecei a gravar esse Kobata Reflect aqui, na época o Spreaker ele não permitia que a gente gravasse mais do que 10 episódios, tá? Não tinha espaço pra você fazer upload de mais de 10 episódios. Então, agora 4 anos depois, eu posso gravar o episódio 1. Que eu tive que deletar lá no passado. Que é pra falar sobre uma série que eu gosto muito de animação do Miyazaki, que é A Viagem de Chihiro. E aí eu vou falar sobre essa série e vou fazer um paralelo com a minha vida, porque realmente eu passei por uma história igual.
A Viagem de Chihiro é uma menina que tá com os pais e daí de repente Eles vão parar em uma cidade fantasma, praticamente. E daí os pais, eles viram... Eles comem uma comida lá que está disponível e viram porcos. E aí a Chihiro, ela é obrigada a ir para essa cidade e trabalhar. Quando ela vai entrar nesse castelo onde ela precisa trabalhar, ela recebe ajuda de um garoto que fala para ela que a primeira coisa que ela tem que fazer é procurar emprego.
E aí ela chega para pedir emprego para a Yubaba, que é a anciã da da mansão onde ela vai trabalhar lá. E aí o que que ela fala para ela? Ela tira uma parte do nome dela. Então ela chamava Chihiro, aí de repente ela começou a chamar Sen, porque na escrita japonesa, né, é como se ela tirasse um pedaço do nome. Por exemplo, meu nome, Kobata, né, "Ah, você não vai ser cobata, você vai ser co—" entendeu? Tipo isso. Você vai ser coba, por exemplo.
Aí o que acontece? Ela começa a trabalhar nesse local e aí fica muito claro pra gente durante todo esse percurso que ela tem lá, trabalha pra caramba que ela tá naquele local mais com uma missão de salvar, sabe, de uma certa forma, de salvar os clientes. Isso fica muito claro quando entra um cliente lamacento lá, tipo assim, fedozão, fedorento pra caramba, né, um monstrão de lama. Ele entra na mansão E ela que tem que levar o fedorentão lá para banheira para poder lavar, né, o cliente e tal, não sei o quê.
E por fim, numa confusão daquelas dela tentando jogar água na banheira e tal, não sei o quê, ela acaba caindo. E aí ela enxerga que lá embaixo do cliente tem um "Esse espinho", ela fala, "tem um espinho aqui". E aí todo mundo ajuda a puxar aquele espinho desse cliente. E aí quando eles puxam, sai um tanto de lixo, um tanto de lixo. E aí o que que era o espinho que ela tava enxergando? Era o guidom de bicicleta. E quando eles puxam aquele lamaçal, toda aquela coisa toda, eles entendem que o cliente era na realidade um rio poluído.
No final das contas, o cliente ele aparece como sendo um dragão super limpo assim, tal, não sei o quê, super satisfeito. Por ter recebido aquela cura, aquela limpeza que ele precisava. Então, só que nesse processo ela sofre muito, chora, né, e sempre tem lá esse rapaz que ajuda ela, o menino que ajuda ela, e que na realidade é um dragão, é o Haku, né? E que ela é apaixonada, né? Se apaixona, se apaixonam, né, os dois. E aí eu sei que, cara, a minha vida foi muito parecida com isso.
Por quê? Porque eu saí de Goiânia, fui morar em Santa Catarina, sabe? Eu peguei 2 aviões para chegar lá, galera. Fui morar na Praia do Rosa ali. Na verdade, eu morei em Bituba no começo, depois eu fui morar em Garopaba, que é mais ou menos Praia do Rosa de qualquer forma ali, né. Gente, o que eu sofri naquele lugar não tem condições. Sabe?
Não tem condições.
É muita escassez. É exatamente o cenário de Chihiro. É uma cidade fantasma que só funciona durante a temporada. Então, durante a temporada, aquela cidade ela lota de turista, sabe? Muito turista, muito turista. Lá eles vivem basicamente de comércio turístico, não tem outra fonte de renda ali. Por quê? Porque as próprias pessoas do local não têm uma ideia e nem o prefeito, sei lá o quê, daquele lugar não investe na cidade para que a cidade se torne se torne autossuficiente, sabe, o ano inteiro.
Então as pessoas, elas estão sempre batalhando o tempo todo, mas todo mundo é sofrido naquela cidade. Por quê? Porque eles se preparam para receber os clientes na temporada, que é só durante o verão. Chegou o inverno, aquela cidade é depressiva. Eu entrei em depressão naquele lugar, tá? E diversas pessoas que eu já conversei também passaram por isso. E aí, cara, a cidade é maravilhosa, tem praia, sabe? As praias são naturais, as praias são lindas, são diversas praias.
Só que a hora que as dificuldades têm que vir ali, gente, a energia ali é muito forte, sabe? Sabe? E daí vem uma onda de merda, mas não é uma onda, é um tsunami de merda, entendeu? Que daí você, cara, e não tem uma pessoa naquele lugar, independe de classe social, de gênero, de qualquer coisa, todo mundo se fode naquele lugar, entendeu? Todo mundo sofre o que tem que sofrer ali. Eu enxergo como sendo mais ou menos um purgatório, porque você chega, parece que é lindo, sabe?
É muito lindo o local, tal, não sei o quê, mas vive lá pra você ver a dificuldade que é. Eu morei em locais que eu não tinha máquina de lavar, não tinha micro-ondas, fogão todo fodido, sabe? Às vezes tinha uma boca só que funcionava no fogão. Sabe umas coisas, sabe escassez absurda? Não tem ventilador, não tem isso, não tem aquilo, sabe? Sabe quando você... Cara, eu não tinha nada. A gente não tinha veículo de locomoção nosso.
No caso, o meu era uma bicicleta, porque eu comprei uma bicicleta pra mim lá. E era só, a gente não tinha carro, né? Então, no começo... Eu e o Anderson, nós andamos muito a pé, muito a pé lá, sabe? Até que no ano seguinte, né, eu falei: eu não aguento mais andar a pé. Aí fui lá e comprei uma bicicleta, bicicleta toda fodida, tá? Comprei uma bicicleta usada, tá? Mas aí, o que aconteceu lá, eu aprendi muito a como lidar com escassez com simplicidade, sabe?
Não me prender tanto a necessidades que eu tinha antes. Por exemplo, ter um micro-ondas, ter uma máquina de lavar, sabe? Eu nunca imaginei na minha vida que eu não ia ter uma coisa dessas dentro de casa. Hoje em dia aqui em Belo Horizonte eu não tenho geladeira e eu vivo super bem. Sacou? Por quê? Porque eu aprendi através de muita dificuldade a como lidar com escassez ao extremo. Sacou? Foi isso que aconteceu comigo naquele lugar.
E aí tá, tá. Que que rola lá? Lá eu trabalhei para diversas pessoas, né? E nesse meio tempo, eu não sei se eu comentei com vocês que eu fiz um canal no YouTube, né, de tarô, chama Histórias de Tarô. Em 2 anos eu consegui 14 mil seguidores, sabe, mas eu ter ido lá para Praia do Rosa me atrapalhou muito nessa questão do YouTube, sabe, porque eu tive muito problema lá, sabe, com vizinho sem noção, com música alta, com barulho de obra o tempo todo, que eu falei, que o povo é louco lá, sabe?
Fica todo mundo trabalhando o ano inteiro para ganhar dinheiro em uma temporada, sabe?
Lá não existe, como é que fala, as pessoas Cara, e nem é culpa das pessoas, mas não tem como você manter alguma coisa, sabe? As coisas todas fecham lá, os estabelecimentos fecham, eles abrem somente durante a temporada. É triste porque é um local lindo, só que impossível de morar. É foda lá, é foda morar lá se você não tiver tipo uma base muito boa, não tiver como comprar uma propriedade ou ter uma pousada, alguma coisa do tipo, você tá fodido lá, sabe?
Você não mora bem, você não vive bem, você não dorme bem, você não come bem, nada, nada acontece. A única coisa que faz a diferença é a hora que você chega na praia, que daí parece que essas coisas elas abrandam um um pouco, sabe? Mas eu não pretendo voltar para lá. Eu só volto para lá quando eu tiver condições de trabalhar dentro de casa. Do contrário, eu não pretendo morar naquele lugar nunca mais. Daí agora eu tô aqui em Belo Horizonte, como eu falei para vocês, né?
Eu tô aqui no apartamento da minha família, tá? E aí o que acontece? Estão mandando currículo aqui do mesmo jeito, tal, não sei o quê. Saí do YouTube, não aguentei mais porque eu não obtive retorno do YouTube, nem dos inscritos, nem do YouTube, sabe. Eu cansei de me doar e não receber nada e ser presa, sabe. Agora tenho meu site. No meu site ele virou tipo um portal. Então ele tem De tudo um pouco e tá acabando o meu tempo, gente.
Agora que eu tô vendo. Então fica pra próxima, tá, galera? Esse aí foi o relato da história de Chihiro que eu tive que apagar no passado e que eu trouxe aqui pra vocês de volta. Ok, gente? Um beijo pra vocês e até o próximo episódio. Beijinho!