A Vida de Pitágoras
O começo de conversa é um programa que antecede o "Uma Conversa" da semana, sempre com algum artigo que vai ajudar a compreender o tema a ser abordado. Nessa semana lemos um trecho da Vida de Pitágoras, escrita por Porfírio.
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- As habilidades sobrenaturais de Pitágoras e outros filósofos antigosprevisões de terremotos·advertências sobre epidemias·interrupção de fenômenos naturais·Empédocles·Epimênides·Ábaris
- A capacidade de Pitágoras de acalmar a alma e o corpo através da músicaritmos·cantos·encantamentos·harmonia do universo
- A visão de Pitágoras sobre a harmonia universal das esferas e astroslimitação da natureza humana·Empédocles·conhecimentos profundos
- Os hábitos cotidianos de Pitágoras e seus conselhos para uma vida equilibradaevitar ambição e vaidade·evitar aglomerações·conversar na entrada de casa·cantar peãs de Teletas·recitar versos de Homero e Hesíodo·praticar danças
- A extraordinária estima de Pitágoras por seus amigos e o cuidado com elesbens dos amigos são comuns·amigo como outra versão de si mesmo·cuidado com a saúde física e mental·palavras de encantamento·música para curar
- A teoria de Pitágoras sobre as 9 musas formadas pelos sons celestiais7 planetas·esfera das estrelas fixas·Antiterra·Mnemósine
- A dieta e os preparados alimentares de Pitágoras para combater fome e sedefavo de mel·pão de milho miúdo·bolo de cevada·sementes de papoula e gergelim·cebola-do-mar·sementes de pepino e uvas passas
Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos ao Começo de Conversa, o programa que antecipa os assuntos que serão tratados no próximo Uma Conversa, que irá ao ar daqui a uma semana. Dessa vez nós vamos ouvir um trecho da Vida de Pitágoras, escrito por Porfírio. Voltamos então daqui a pouco. De fato, contam-se a respeito de Pitágoras previsões inequívocas de terremotos, advertências rápidas sobre epidemias, o fim de ventos violentos e de uma tempestade de granizo, além da interrupção das ondas dos rios e do mar, para que depois os seus discípulos pudessem fazer uma travessia tranquila.
Empédocles, Epimênides e Ábaris, que também realizaram feitos dessa natureza, muitas vezes teriam realizado prodígios semelhantes. Seus poemas dão testemunho disso. Empédocles, sobretudo, recebeu o nome de Aquele que repele os ventos, Epimênides o de Purificador e Ábaris o de Caminhante pelos Ares. Conta-se que Ábaris, montado na flecha que lhe havia dado Apolo, o deus dos Hiperbóreos, atravessava como se caminhasse pelo ar rios, mares e lugares inacessíveis.
Foi justamente algo semelhante que alguns imaginaram ter acontecido com Pitágoras, que num mesmo dia ele teria estado em Metaponto e também em Tauromênio. Relacionando-se com seus discípulos nas duas cidades. Por meio de ritmos, cantos e encantamentos, Pitágoras acalmava os sofrimentos da alma e do corpo. Ele ensinava essas práticas aos seus discípulos, mas acima de tudo dizia ouvir a harmonia do universo. Compreendia também a harmonia universal das esferas e dos astros que se movem dentro delas.
Uma harmonia que nós não conseguimos perceber por causa da limitação da nossa natureza. Empédocles dá testemunho disso quando diz: Entre eles havia um homem que possuía conhecimentos profundos e dominava toda espécie de ação, sobretudo aquelas que exigem sabedoria. Ele havia alcançado naturalmente uma riqueza imensa de inteligência, E sempre que lançava toda a força da sua inteligência sobre alguma coisa, conseguia facilmente enxergar cada um dos seres existentes em seus detalhes, mesmo ao longo de 10 ou 20 gerações humanas.
Expressões como conhecimentos profundos, enxergar cada um dos seres existentes e riqueza de inteligência, entre outras semelhantes, revelam a capacidade excepcional e extraordinariamente precisa de Pitágoras para organizar e compreender as coisas, superando os demais no campo da visão, da audição e do pensamento. Além disso, Pitágoras afirmava que o som dos 7 planetas, juntamente com o som da esfera das estrelas fixas e o da esfera que se encontra acima de nós, a qual se acrescentava a chamada Antiterra, formavam as 9 musas.
À mistura, à sinfonia, e por assim dizer, ao vínculo que unia todas elas, ele dava o nome de Mnemósine, a memória. Cada uma dessas 9 manifestações seria uma parte, uma espécie de emanação da Mnemósine, como algo que provém de uma realidade eterna e não gerada. Diógenes, ao descrever os hábitos cotidianos de Pitágoras, diz que ele aconselhava todos a evitar a ambição e a vaidade, porque elas causadoras da inveja, e também pedia para evitar as aglomerações e os encontros com multidões.
Desde o amanhecer, Pitágoras costumava passar o tempo conversando na entrada de sua casa, acompanhava a própria voz com a lira e cantava antigos peãs de Teletas. Também recitava versos de Homero e de Hesíodo, pois acreditava que eles suavizavam a alma. Praticava ainda certas danças que, segundo ele, davam ao corpo agilidade e saúde. Quando saía para caminhar, não costumava ir acompanhado de muitas pessoas para não provocar inveja.
Ia apenas com 2 ou 3 companheiros, passando por santuários ou bosques sagrados e escolhendo sempre os lugares mais tranquilos e mais belos. Pitágoras tinha uma estima extraordinária por seus amigos, Foi aliás um dos primeiros a afirmar que os bens dos amigos são comuns e que um amigo é como uma outra versão de nós mesmos. Quando seus amigos estavam saudáveis, passava seu tempo com eles. Quando estavam doentes do corpo, cuidava deles.
E quando suas feridas eram da alma, procurava dar-lhes ânimo. Como já dissemos, para alguns utilizava palavras de encantamento e fórmulas mágicas. Para outros recorria à música. Também havia cantos destinados às doenças do corpo, quando os entoavam, os enfermos recuperavam a saúde. Havia ainda outros cantos que faziam esquecer a dor, acalmavam os acessos de cólera e afastavam os desejos desmedidos. Quanto à sua alimentação, no desjejum ele costumava comer favo de mel ou mel.
A refeição principal era composta de pão de milho miúdo ou de uma espécie de bolo de cevada, acompanhado de verduras cozidas ou cruas. Raramente comia carne dos animais sacrificados nos rituais, e mesmo assim não comia qualquer parte da vítima. Em geral, quando decidia entrar nos lugares mais secretos dos deuses e permanecer ali durante algum tempo, alimentava-se de preparados que afastavam a fome e a sede. Para combater a fome, preparava uma mistura de sementes de papoula e de gergelim com a casca da cebola-do-mar cuidadosamente lavada até que todo o seu suco fosse eliminado.
Acrescentava também hastes de asfódilo, folhas de malva, farinha de cevada e grão-de-bico. Triturava tudo em quantidades iguais e misturava com mel do ímito. Para combater a sede, preparava outro alimento com sementes de pepino e uvas passas, das quais retirava as sementes, acrescentava flores de coentro, semente de malva, beldroega, queijo ralado, farinha fina de trigo e coalhada. Você ouviu um trecho escrito por Porfírio sobre a vida de Pitágoras e esse foi o Começo de Conversa.
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