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Os Cristãos e as Tatuagens

13 de agosto de 202612min
0:00 / 12:23

O começo de conversa é um programa que antecede o "Uma Conversa" da semana, sempre com algum artigo que vai ajudar a compreender o tema a ser abordado.

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Assuntos2
  • Cristãos e Tatuagens· ReligiaoLevítico 19:28·1 Coríntios 6:19·Corpo como santuário·Tatuagens satânicas·Marcas de campos de concentração·Automutilação e pecado·Riscos de infecção e doenças·Imagens religiosas em tatuagens
  • Peregrinos Medievais e o Corpo· ReligiaoCorpos como tabernáculos de devoção·Perigos da viagem medieval·Ameaças de estalajadeiros·Hospitais e mosteiros de acolhimento·Ergotismo e doenças·Corpo como relíquia
Transcrição3 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos ao Começo de Conversa, o programa que antecipa os assuntos que serão tratados no próximo programa que irá ao ar na próxima semana. Dessa vez você vai ouvir dois trechos de dois artigos diferentes. O primeiro, A Moralidade das Tatuagens e dos Body Piercings, escrito pelo Padre Peter Joseph, e depois um trecho, ou melhor dizendo, uma seleção de trechos do artigo Corpos Negociados: Peregrinos Medievais e o Tecido da Fé, de Jorge Grinia. Escute aí um trecho de cada artigo e a gente volta daqui a pouco.

?Voz B

No Antigo Testamento, O povo escolhido recebeu a ordem específica: não façam cortes na carne nem tatuem marcas em vocês. Eu sou o Senhor. Levítico 19:28. Inspirado por Deus, São Paulo nos adverte: acaso vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês? O qual vocês receberam de Deus? 1 Coríntios 6:19. Sendo um templo do Espírito Santo, devemos ao nosso corpo o devido cuidado, proteção e decoro.

Tatuagens de demônios ou coisas parecidas são bastante comuns, mas nenhum cristão deveria exibir a imagem de um diabo ou um símbolo satânico. A exultação da feiura é uma marca do satânico, que odeia a beleza da criação de Deus e tenta destruí-la. Ironicamente, até mesmo tatuagens vistosas e coloridas desbotam com o tempo e acabam parecendo escuras e monótonas. Quando consideramos como em campos de concentração os prisioneiros eram tratados como animais e marcados no braço com um número, é surpreendente pensar que as pessoas hoje adotam marcas semelhantes como se fossem elegantes ou sofisticadas.

Este é verdadeiramente o sinal de um retorno à barbárie, o comportamento de pessoas que não têm qualquer senso de dignidade da pessoa humana. A automutilação e autodesfiguração é um pecado contra o corpo e contra o 5º mandamento. Na melhor das hipóteses, múltiplas perfurações corporais são um abuso auto-infligido. O corpo humano não foi feito por Deus para ser um alfineteiro ou um mural. Tatuagens e piercings podem causar infecções, e um instrumento usado, se não for devidamente esterilizado, pode transmitir hepatite ou HIV.

É sempre imoral fazer ou exibir tatuagens com imagens ou frases indecentes, ou figuras zombeteiras de Nosso Senhor ou de sua mãe, ou de coisas sagradas. Às vezes, as pessoas tatuam grandes imagens de crucifixos ou outras imagens religiosas. O corpo humano é um local extremamente inadequado para tal imagem, mesmo que seja bonita. Sempre que essas pessoas vão nadar, por exemplo, estão exibindo essa imagem de forma inadequada. Nenhum padre jamais iria a um shopping center com vestes litúrgicas, não porque haja algo errado com as vestes, mas porque existe um tempo e um lugar para usar símbolos religiosos especiais.

Alguns homens em particular tatuam os braços para serem ostentosos e impressionantes. É uma forma de chamar atenção para si mesmos, a ponto de se tornarem uma constante distração. Isso prejudica a pessoa e concentra demais a atenção na aparência externa do corpo. Os jovens dificilmente conseguem justificar o alto gasto, sem mencionar a dor, envolvido em fazer uma tatuagem. Também é injustificável e simplesmente ridículo marcar o corpo para sempre com imagens sem grande valor ou com o nome do namorado atual.

A remoção de tatuagens grandes pode deixar grandes áreas da pele permanentemente desfiguradas, ou manchadas como pele queimada. Muitos adultos se veem inelegíveis para certos empregos porque as empresas não os contratam com as mãos cobertas de tatuagens impossíveis de esconder anos depois de sua imprudência juvenil. Jamais nos deixemos enganar pela estratégia de argumentar a partir de casos limítrofes ou difíceis, que não existem diretrizes ou princípios.

O corpo humano deve ser tratado com cuidado, não maltratado ou desfigurado. Sua dignidade e beleza devem ser preservadas e cultivadas para que sejam uma expressão da beleza mais profunda da alma.

?Voz A

Os peregrinos cristãos medievais não seriam nada sem seus corpos. Todos os detritos sagrados que transportavam e manuseavam, todos os presentes que levavam na ida, as relíquias e lembranças que agarravam no retorno, eram meros acessórios. A forma humana que partia em uma jornada sagrada era assessorizada para assumir uma nova identidade. A viagem disciplinava e sujava o corpo, expunha os viajantes ao perigo e à morte e os privava de seus confortos normais.

Para sustentar sua dignidade, os peregrinos limpavam escrupulosamente seus corpos antes de entrar em recintos sagrados e se enfeitavam com insígnias e até tatuagens para a viagem de volta. As formas carnais eram tabernáculos de devoção. A melhor oferta do viajante ao chegar, e um corpo transformado em relíquia era o melhor jeito de se retornar. O corpo de um peregrino durante a Idade Média também enfrentava uma variedade de ameaças, algumas impostas pelo terreno e outras pelas pessoas encontradas ao longo do caminho.

As terras pelas quais os peregrinos cristãos caminhavam incluíam cidades movimentadas e portos repletos de comerciantes, Mas também trechos selvagens sem abrigo e com poucos habitantes para vender provisões ou indicar o caminho. Muitos viajantes lutavam em passagens de montanhas difíceis onde mosteiros de acolhimento eventualmente substituíram antigos eremitérios ao longo das trilhas. Na Terra Santa, por exemplo, os desertos ao redor do Monte Sinai eram notórios por seus perigos, havendo uma necessidade premente de guias confiáveis.

Guia-livros medievais relatam locais hostis e rios poluídos venenosos, dos quais nem a água nem os peixes eram seguros para consumo. As estradas de peregrinação eram muitas vezes trilhas rústicas ligando vilarejos ou vias comuns de comércio e transporte para tropas, mercadores e gados. A ameaça mais insidiosa e comum era a própria pessoa a quem os peregrinos tinham que confiar seus corpos adormecidos. O amplamente desprezado estalajadeiro.

Ao longo de rotas isoladas, proprietários de estalagens abusavam de estranhos vulneráveis e exaustos, cobrando preços excessivos por comida e alojamento essenciais e mexendo em seus pertences pessoais enquanto dormiam. Os peregrinos eram comumente servidos com provisões estragadas e suas enfermidades eram ocasionalmente tratadas com porções tóxicas, na esperança de que morressem para que suas propriedades pudessem ser confiscadas.

Rotineiramente, não havia autoridades locais a quem denunciar tais crimes. Se houvesse, poderiam vir simplesmente que o estalajadeiro havia aceitado as roupas e os suprimentos do falecido como pagamento pelas despesas incorridas. Estabelecimentos Pio surgiam precisamente nos lugares de maior perigo. Exemplos notáveis na rota para Santiago incluem os hospitais fundados por Santo Domingo de la Calzada, ou seu discípulo San Juan de Ortega, que optaram por construir em trechos despovoados onde os salteadores eram mais selvagens.

Os monges abrigavam os peregrinos de ataques e abusos, e se um viajante debilitado falecesse, seus pertences podiam ser entregues aos seus companheiros para serem devolvidos à família ou redistribuídos entre os necessitados que chegassem na noite seguinte. Aqueles que morriam sob o abrigo da igreja, amparados pelas orações de seus irmãos espirituais, eram considerados como tendo concluído a sua peregrinação e eram enterrados em arredores sagrados.

A peregrinação medieval era uma exposição concentrada a um mundo de ossos quebrados e carne doentia. Era um axioma na Idade Média que os ricos tinham médicos e os pobres tinham a peregrinação, De modo que a multidão de viajantes lutando para alcançar seus santuários era frequentemente um espetáculo de sofrimento que evocava tanto piedade quanto repulsa. Na entrada de muitas cidades importantes havia hospitais dedicados a São Lázaro, leprosários de caridade que isolavam viajantes proibidos de entrar na cidade.

Os hospitais ofereciam hospedagem e cuidados aos peregrinos, fracos demais para viajar, mas rotineiramente os expunham a novas enfermidades. O ergotismo, por exemplo, era amplamente difundido no norte da Europa durante os séculos de intensa viagem para a Espanha. Era causado por grãos infectados por um fungo proliferado pelo clima úmido. Os doentes viam-se curados ao longo do caminho para Santiago quando começavam a consumir cereais mais frescos cultivados na Castela Central, Um milagre que atribuíam aos bons monges que os alimentavam ao cruzar a vasta meseta espanhola.

Você ouviu dois trechos de dois artigos diferentes. O primeiro, A Moralidade das Tatuagens e do Body Piercing, escrito pelo Padre Peter Joseph, e o segundo, Corpos Negociados: Peregrinos Medievais e o Tecido da Fé, de George Greene. E esse foi o Começo de Conversa. Acesse o nosso site umaconversa.com.br. Lá você encontra o endereço de nossas redes sociais, nosso email de contato e também a página de apoiadores financeiros. A gente volta na próxima semana. Até lá!

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