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Pesquisa Quaest: Lula, Flávio e a direita na pausa para a hidratação

16 de julho de 202636min
0:00 / 36:29
Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest. A última pesquisa realizada pelo instituto antes do início oficial das campanhas eleitorais, em 16 de agosto, mostra que o presidente Lula (PT) abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações de 1º turno (40% a 28%) e de 2º turno (45% a 37%). A sondagem, que foi divulgada nesta quarta-feira (15), dá sinais de que Lula está recuperando pontos na aprovação de seu governo e em segmentos importantes – por exemplo, entre eleitores independentes e eleitores jovens. Essa edição da Quaest também indica que Flávio perdeu espaço entre os eleitores dispostos a votar em candidatos da oposição e demonstra que a direita que não se identifica como bolsonarista pode buscar alternativas na urna. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Felipe Nunes, diretor da Quaest. Felipe disseca todos os dados desta pesquisa e analisa os sinais positivos e negativos para Lula, para Flávio e para os candidatos da chamada terceira via. Ele também avalia os impactos eleitorais dos eventos mais recentes da política brasileira e conta o que as projeções do instituto indicam.
Participantes neste episódio2
N

Natuza Nery

HostJornalista
F

Felipe Nunes

ConvidadoCientista político
Assuntos7
  • Pesquisa Quaest intenção de votoLula lidera intenção de votos · Flávio Bolsonaro · Cenários de segundo turno · Eleitores independentes · Direita não bolsonarista
  • Pausa para Hidratação da DireitaEleitor indeciso · Direita não bolsonarista · Primárias da direita · Debates eleitorais
  • Crise da oposiçãoCrise político-familiar Bolsonaro · Michele Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Banco Master
  • Politicas PublicasIsenção do Imposto de Renda · Desenrola · Expectativa de trabalhar menos · Renda familiar
  • Eleitorado de Baixa EscolaridadeIdentidade política com PT · Pragmatismo e melhoria de vida · Lula · PT
  • Possível afastamento do governoOperação da Polícia Federal · Jax Wagner · Caso Master
  • Flávio Bolsonaro e VorcaroPercepção de radicalismo · Intenção de voto · Base bolsonarista
Transcrição56 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
NNNatuza Nery

Você conhece a expressão ombro a ombro? É uma imagem emprestada das corridas de atletismo e indica dois competidores que seguem lado a lado. Ora um coloca a cabeça na frente, ora o outro. Aí um deles toma a dianteira. Não é uma disparada, mas uma dianteira. E agora já não dá mais para dizer que eles estão assim, ombro a ombro. Emparelhados. É exatamente essa fotografia que a nova pesquisa Quest apresenta a 80 dias do primeiro turno, o último levantamento antes do início oficial das campanhas eleitorais, marcado para dia 16 de agosto.

?Voz B

Começando então pela intenção de votos, que mostra o presidente Lula liderando todos os cenários de primeiro e segundo turno. Margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O Lula do PT aparece aqui com 40% das intenções, e aí a gente tem pela margem de erro de 38 a 42. Flávio Bolsonaro tem 28%, variando de 26 a 30%.

?Voz C

Que que traz de novo nessa pesquisa é a queda não expressiva, mas uma queda contínua de Flávio Bolsonaro. Ele tinha 32% em abril, quando vem a revelação da sua conversa com Daniel Volcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse. Ele tinha 33, vai para 29% em junho e agora para 28%. Não é uma queda gigantesca, brusca, mas uma queda contínua e gradual. Ou seja, ele perdeu apoio nesse período.

?Voz B

A Quest também pesquisou 4 cenários de segundo turno. Vamos ao primeiro cenário com Lula e Flávio Bolsonaro. Na pesquisa atual, Lula do PT lidera com 45% das intenções de voto. Pela margem, varia de 43 a 47. Flávio Bolsonaro do PL aparece com 37%, pode ter de 35 a 39%. Brancos, nulos e não vou votar 14%, indecisos 4%.

NNNatuza Nery

A pesquisa registra cenários de alerta para ambos os lados. Para o governo, a operação da Polícia Federal que atingiu Jax Wagner no caso Master é a pior delas. O episódio é visto como um desgaste para o Palácio do Planalto, já que o senador é amigo de longa data do presidente Lula e era o líder do governo no Senado.

?Voz B

Para 37%, impacta muito negativamente. Para 25%, impacta negativamente, mas só um pouco. Para 22%, não impacta negativamente. 16% não souberam ou não responderam.

?Voz D

Quais as suspeitas que pairam sobre Jax Wagner e Augusto Lima? Eles são alvos por conta da investigação que apura a suposta participação dos dois no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro ligados ao Banco Master. E ainda há uma suspeita de repasses da empresa para a nora de Jax Wagner. Até o momento, Jax Wagner, ele nega qualquer tipo de irregularidade, qualquer tipo de ligação de forma fraudulenta com o Banco Máxima.

NNNatuza Nery

Do lado da oposição, os sinais de perigo se multiplicam. Por exemplo, o bolsonarismo viu agravar a crise político-familiar entre Flávio e Michele.

?Voz B

Quest também perguntou sobre a percepção do eleitor em relação a essa briga pública entre o Flávio e a Michele Bolsonaro. E aí fez a seguinte pergunta: você tem concordar com quem? 18% disseram Flávio Bolsonaro, concordam mais com Flávio. E 42% concordaram mais com Michele. 3% concordam com os dois em parte. 22% não concordam com nenhum dos dois.

NNNatuza Nery

Também observou a presença de Daniel Vorcaro do Master em meio ao clã.

?Voz E

Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não Você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando.

NNNatuza Nery

E essa relação de Flávio com o Master segue gerando dor de cabeça para o filho 01 de Jair Bolsonaro.

?Voz F

Uma foto do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, o sicário, foi publicada em uma reportagem do site ICL Notícias. Sicário apontado pela Polícia Federal como operador no perfil violento e ligado a fraudes financeiras de Daniel Vorkar. Esse cara morreu depois de tentar o suicídio dentro da cela da Polícia Federal em Belo Horizonte.

NNNatuza Nery

O resultado da Quest dessa quarta-feira ainda não capta a repercussão da carta escrita por Jair e lida por Flávio Bolsonaro no último sábado. Esse episódio, vamos lembrar, motivou o ministro Alexandre de Moraes a suspender as visitas do senador ao pai. Mas a pesquisa já demonstra que o principal nome da oposição perde tração justamente em parte do público que mais precisa conquistar: o eleitorado independente e a direita não bolsonarista.

Isso muda o humor no mercado dos apoios políticos. Partidos do Centrão que vinham negociando alianças com Flávio Bolsonaro passaram a reavaliar essa aposta depois da sequência de crises. E quando possíveis aliados começam a procurar outros caminhos, a discussão começa a ser sobre para onde está indo esse eleitor.

?Voz C

Conversando ali com interlocutores do bolsonarismo, o que que eles destacam que seria algo, um atenuante, é que essa queda dele não migra para outros candidatos, não migra para Ronaldo Caiado, Renan Santos, não migra para Romeu Zema, vai para indecisos, né? Os indecisos ali de abril, maio saem ali de 4, 5%, vão para 11% agora. Então é um grupo de um eleitorado que está saindo ali de Flávio Bolsonaro momentaneamente e migrando.

E quem que tá saindo? São os eleitores independentes e a direita não bolsonarista. Na avaliação do governo Lula, ele começa a entrar num período importante, que exatamente chegando na campanha com a estabilidade, podendo subir. Mas é interessante notar que esses dois eventos que geraram crise na campanha de Flávio Bolsonaro, eles não mexem com o apoio do bolsonarismo raiz. O bolsonarismo raiz não enxerga nesses dois casos motivo para abandonar o filho do ex-presidente.

NNNatuza Nery

Da redação do G1, eu sou Nátuzaneri e o assunto hoje é: a pesquisa Quest e a pausa para hidratação na direita. Neste episódio, eu converso com Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV de São Paulo e diretor da Quest. Quinta-feira, 16 de julho. Felipe Nunes, que bom receber você aqui. Adoro quando você vem assim, eu fico frente a frente com você. Quero começar essa nossa conversa te perguntando sobre o sentimento geral dessa pesquisa, tanto intenção de voto quanto avaliação de governos.

FNFelipe Nunes

Natuza, primeiro, prazer estar aqui de novo nesse frente a frente com Natuza. Não tem como separar a aprovação e avaliação da intenção de voto, né? Até porque, como a ciência política mostra, o dado de aprovação é um dos principais indicadores numa reeleição para a gente entender a probabilidade de sucesso de um incumbente. E o que que tá acontecendo com o Lula? Nos últimos 4 meses, o Lula conseguiu crescer 5 pontos percentuais na sua aprovação de governo.

Quando a gente estudou mais de 140 eleições na América Latina nos últimos 30 anos, considerando dados de 18 países, a gente percebe que é natural que incumbentes latino-americanos cresçam em média 4 pontos percentuais nesse trimestre que antecede o período eleitoral. Então, Lula tá crescendo exatamente aquilo que se imaginava. O que não dá pra saber, porque pesquisa não é bola de cristal, é que mecanismo vai ser utilizado pra isso acabar acontecendo.

No caso brasileiro, o que a pesquisa da Quest hoje mostra é que isso vem como consequência de 3 fatores. Primeiro, o sucesso do Desenrola 2.0. A gente tá vendo cair o número de brasileiros que se dizem endividados. 2, o sucesso da produção da expectativa de que a vida pode ser melhor se você trabalhar menos. Isso tem a ver com a escala 6 por 1. E terceiro, a expectativa de finalmente mudar de padrão de vida, porque agora o efeito do Imposto de Renda, da isenção do Imposto de Renda, começa a aparecer nos estratos maiores.

E é claro que isso tem efeito nas intenções de voto. Isso está consolidando a vantagem do Lula no primeiro turno E no segundo, contra qualquer um dos nomes que a gente simula. Então entender a eleição a partir dessa perspectiva é fundamental, porque geralmente esse é um dos modelos que a gente utiliza para olhar para o desempenho que os incumbentes vão ter nas intenções de voto.

NNNatuza Nery

É a primeira vez depois de muito tempo que a avaliação positiva do governo se encontra com avaliação negativa. Durante muito tempo, a negativa estava maior do que a positiva. E aí Tem um ponto que me chamou atenção. Tanto Lula quanto Flávio, se a gente olhar desde março deste ano, eles aumentaram de tamanho. Flávio também aumentou, mas é que Flávio teve uma desaceleração em relação à pesquisa anterior de junho. Então a gente tem aí dois movimentos, né?

Aliás, três movimentos. Um movimento de melhora em algumas áreas do governo, como você acabou de pontuar. Essa melhora empresta para Lula um desempenho também um pouco melhor para ele nas intenções de voto. Embora o Flávio tenha sofrido essa desaceleração, o piso dele é muito alto e a direita tradicional, ou a direita que não tem Flávio, ela não recebe esses votos. Para onde estão indo esses votos, Felipe?

FNFelipe Nunes

O que a gente tá observando é quase um processo de transição de opinião pública, né? Sempre importante explicar para quem nos escuta: pesquisa é um termômetro deste momento. Muitas vezes o termômetro mostra aceleração, aquecimento ou esfriamento do processo eleitoral. Nesse momento, a pesquisa captura um, né, um aquecimento para o Lula e um, né, um relativo esfriamento para o Flávio. E aí você me pergunta, lembrando que Flávio tem um cobertor quente que é a base bolsonarista, claro, que na pesquisa a gente estima que ela varia entre 13 e 23%, seria esse piso de Flávio Bolsonaro.

Mas se o Flávio tá sofrendo, né, um pouco neste momento diante de todas as questões que a gente tem analisado, para onde que eleitor tá indo. O que essa pesquisa captura é muito claro: as alternativas de direita ainda não são capazes de atrair esse eleitor. Quem cresce nesse momento é a indecisão. De maio para junho duplicou o número de eleitores que se dizem indecisos. Então o dark horse produziu isso, e agora esse número chegou a 11 pontos percentuais.

Ou seja, Natuza, há eleitores que estão olhando para o jogo entendendo essa melhora do governo, mas não se movimentando naquela direção, entendendo as crises do Flávio e se distanciando dele, mas ainda não encontrando um caminho que ele considere uma alternativa viável na disputa eleitoral desse ano.

NNNatuza Nery

É como se esses eleitores da direita estivessem fazendo uma pausa para hidratação, é isso? Para ficar com o termo da Copa?

FNFelipe Nunes

Por aí, né? A eleição só começa depois que a Copa termine, então podemos continuar falando disso. É exatamente isso, o eleitor tá dando um tempo. Ele tá pensando sobre eleição. É muito interessante perceber isso. E é mais interessante perceber, Natuza, que essa pausa para hidratação ela acontece não no eleitor que a gente prestou muita atenção até aqui, que foi o independente. Ela tem acontecido fundamentalmente na direita não bolsonarista.

A direita não bolsonarista é antipetista, ela não quer a vitória do Lula, ela até topou a candidatura do Flávio, né? Ele chegou até 92% dos votos dos bolsonaristas e 74% do voto da direita não bolsonarista. Essa direita não bolsonarista começa a repensar: será que é mesmo esse o melhor caminho para encontrar uma alternativa? É isso que a gente vai ver nas cenas dos próximos capítulos, depois da pausa de hidratação.

NNNatuza Nery

Na espontânea, lembrando que é o que tá na cabeça do eleitor entrevistado, o Flávio sai na direita não bolsonarista de 44 em junho para 32, um recuo considerável. E o O indeciso nesse campo, indeciso que se classifica como direita e não bolsonarista, ele sai de 46 para 57. Então isso ajuda a começar a entender em números o que você tá nos explicando. Só que se a gente vai para direita bolsonarista, também teve um impacto, porque o Flávio tinha 50% na pesquisa espontânea de junho e agora ele tá com 45%, e os indecisos que não estavam, apesar de bolsonaristas, não estavam completamente convictos sobre o voto em Flávio Bolsonaro, saíram de 45 para 49.

Então há uma entropia, há uma desorganização no eleitorado de direita não bolsonarista, mas algumas interrogações também no eleitorado bolsonarista.

FNFelipe Nunes

Particularmente satisfeito com o fato de você ter trazido a discussão para o voto espontâneo, porque pouca gente presta atenção nesse indicador e ele é super importante, né, Atuza? Esse é um indicador que o eleitor não está diante de nenhum tipo de estímulo. Ali é a decisão dele, a informação dele.

NNNatuza Nery

E aí o número é muito claro, independe de horário eleitoral, independe de campanha, na maioria das vezes, né?

FNFelipe Nunes

Voto convicto, né? O voto espontâneo a gente diz que é o voto que dificilmente vai mudar. Neste caso, o que a gente tá vendo é que no último mês houve sim uma inflexão de opinião em favor do Flávio. Ela vinha crescendo ao longo do tempo e se inverteu. E agora a gente vê que a direita não bolsonarista tá bastante, né, em dúvida em relação ao que pode acontecer com o Flávio, o que começa a contagiar, a influenciar também a opinião do bolsonarismo.

Isso fica mais claro, Natuza, quando a gente olha, por exemplo, para uma outra pergunta, né? As pessoas dizem que vão votar em A, B ou C, e depois a gente pergunta: esse voto que você acabou de me dizer que vai dar, ele tá definido ou você pode mudar? Aumentou o número de eleitores do Flávio que dizem: vou votar no Flávio, mas posso mudar. Nos outros nomes, não. Ou tem uma estabilidade, ou, como no caso do Lula, aumentou quem disse que tá certo que vai votar nele.

Quando a gente olha para Lula e Flávio no segundo turno, caiu de maneira muito significativa o número de brasileiros da direita não bolsonarista que dizem: talvez eu não vote no Flávio nesse segundo turno, também não vou votar no Lula, mas prefiro encontrar uma outra opção. Quando a gente olha para Zema, Caiado e Renan, que são os 3 nomes que aparecem mais bem pontuados na pesquisa de primeiro turno, por isso a gente simula o segundo, mas a gente olha para o segundo turno deles, mesmo eles sendo altamente desconhecidos, os 3 estão conseguindo, dentro da direita não bolsonarista e do bolsonarismo, crescer o seu apoio.

Ou seja, há de fato um movimento silencioso que essa pesquisa tá capturando, que mostra que a direita pode estar se reorganizando à véspera da eleição desse ano.

NNNatuza Nery

Eu confesso que os dados de segundo turno são os que eu gosto menos, porque ele me diz pouco. Primeiro porque a gente tá muito distante do segundo turno, mas tem algo nele que eu não dispenso completamente, que é o tamanho do eleitorado, porque ele dá um cheiro do tamanho do eleitorado, né? E aí, no caso do segundo turno, o que me mostra aqui é que o antilulismo ele vai de 33%, que que é a intenção de voto do Renan Santos, que é o que apresenta o menor índice de intenção de voto no segundo turno, e vai até aqui 37%, que é o que é dado a Flávio.

Já foi maior esse antilulismo porque Flávio tava melhor na posição de segundo turno. Como sofreu essas fricções na campanha dele, isso diminuiu de tamanho, mas ainda assim me traz esse cheiro do peso.

FNFelipe Nunes

As simulações segundo turno só são feitas na verdade agora para medir exatamente isso que você tá chamando atenção, que é mesmo diante de uma alternativa desconhecida, será que o eleitor rejeita tanto a alternativa que ele topa qualquer uma? A gente já chegou a discutir em eleições anteriores a eleição do poste, né? Ah, vota em qualquer um. E na tudo você tem razão. Quer dizer, hoje eu nem diria que o antipetismo diminuiu neste caso.

É o Flávio que não está conseguindo mobilizar o antipetismo como ele fazia no passado. E os outros nomes aí nem se fala, porque claro, eles são muito desconhecidos e ainda não foram totalmente apresentados. Mas esse antipetismo me parece ainda vai se organizar em torno de um nome. Ele esteve muito convencido que o Flávio era o melhor nome. Hoje eu tenho dúvida e a pesquisa reforça isso. Talvez ele esteja olhando para outras alternativas.

NNNatuza Nery

Agora vamos aqui supor que a gente já avançou algumas semanas no tempo, o horário eleitoral gratuito já começou, os candidatos começaram a ser mais observados pelos eleitores. E aí esses eleitores olham para o grid de candidatos à direita e chegam à seguinte conclusão: olha, não acho que o candidato XYZ vai crescer, então eu vou com Flávio mesmo. Isso pode acontecer também?

?Voz C

Claro que pode.

?Voz B

Uma das hipóteses.

FNFelipe Nunes

E por isso eu tenho chamado atenção para a importância da campanha e em especial dos debates e entrevistas que vão acontecer ao longo da campanha. Eu vou te dizer por quê. O eleitor que tá na pausa de hidratação, ele vai prestar atenção no conteúdo, na performance e, claro, na proposta que esses nomes vão lhe apresentar. Se os 3 candidatos alternativos não forem capazes no conteúdo, nas propostas e na performance de mobilizarem e engajarem esse eleitor antipetista contra o Lula, eu não tenho dúvida que que ele tende a voltar para o Flávio Bolsonaro no médio prazo.

Então nós veremos de fato uma disputa que eu diria que vai inaugurar as primárias da direita no Brasil. A gente vai ver pela primeira vez as entrevistas e debates sendo utilizadas pelo eleitorado como se elas fossem uma primária americana só daquele campo político. E quem conseguir performar melhor, ter as melhores propostas e um conteúdo que de fato cria empatia, vai ajudar o eleitor a navegar nessa indecisão que a gente tá mensurando.

NNNatuza Nery

Nossa, interessantíssima essa imagem que você que você traz, porque nos Estados Unidos, antes de cada partido ter o seu candidato, eles fazem uma eleição interna, eles fazem uma escolha interna, e essa escolha interna é chamada de primárias. É exatamente isso.

FNFelipe Nunes

É bom dizer, Natuza, muita gente diz, ah, os candidatos da direita não podem competir uns com os outros. É o inverso, hein? Nas primárias americanas, os candidatos disputam de verdade. O conflito entre os nomes potenciais é altíssimo, as críticas, o apontamento de defeitos. As primárias americanas, eu acho que muito, né, para quem gosta de acompanhar eleição no mundo. Na minha visão, o que vai acontecer no Brasil, os candidatos vão ter que decidir se vão bater uns nos outros, vão criticar uns nos outros, que eleitor ele vai perder ou não.

Porque a depender da escolha que for feita, você vai aumentar ou diminuir a chance de capturar esse eleitor que, como eu disse, tá procurando. Ele pode voltar para o Flávio? Claro que pode. Se ele olhar para as outras alternativas e disser, essa turma não me convenceu, ele volta. Mas ele está em busca de alguma coisa que, por enquanto, ele ainda não sabe o que é.

NNNatuza Nery

Tem um ponto aqui que me chamou atenção também, a a capacidade desses candidatos de fincar uma cunha num eleitorado que é muito grande, que é o eleitorado que tem até o ensino fundamental. Na tua pesquisa, Felipe, esse eleitorado— Lula tem 51% das intenções de voto dessa população, é a maior diferença de Lula para Flávio em relação à diferença de Lula para Flávio no ensino médio, no ensino superior, só para dar um exemplo. Nos eleitores de ensino fundamental, Lula tem uma vantagem de 29 pontos sobre Flávio.

Nos de ensino médio e nos de ensino superior, tem uma vantagem só de 3 pontos. A gente tá falando de muita gente, a gente tá falando de mais de 60 milhões de eleitores. O que isso diz para os candidatos que querem disputar essa população? O que dizer sobre esses eleitores? O que sensibiliza esses eleitores?

FNFelipe Nunes

O eleitor de baixa renda e o eleitor de baixa escolaridade há 20 anos fez uma escolha e não mudou de lá para cá. Ele titubeou em 18, porque ali você teve uma competição um pouco maior nesse grupo, mas nas eleições de 2, 6, 10, 14 e depois 22, o eleitor de baixa renda e baixa escolaridade votou sistematicamente no candidato petista, seja ele o Lula ou seja alternativa que o Lula apoiou. Essa é uma definição de por que que eu, né, defini a eleição brasileira como uma eleição calcificada, em que você tem grupos que dificilmente mudam.

O jogo. Esse é um tipo de eleitor que tá nisso. Há dois motivos aí. Um é um motivo de identidade, empatia. O PT e o Lula conseguiram de fato constituir com esse eleitor uma visão de que eu entendo o que você precisa e o que você deseja porque eu sou um de vocês. Isso é uma construção histórica de muitos anos. O segundo é pragmático. Essas pessoas respondem sistematicamente nos surveys que nós fazemos, nas pesquisas, que a vida deles melhorou significativamente nos últimos 20 anos, depois que o PT chegou ao poder.

Então isso constitui uma identidade política que não existia antes de 2002 e passou a existir com a vitória do PT a primeira vez lá atrás. O que a pesquisa de agora e as últimas têm mostrado é que esse é um campo difícil de ser disputado pela oposição. É claro que houve já várias tentativas de campanhas nos últimos 20 anos para tentar entrar nesse eleitorado, e nenhuma delas foi bem-sucedida, dada essa empatia e esse pragmatismo combinados.

Eu tô muito curioso para ver como esse comportamento vai se dar esse ano, porque há um cansaço em torno das políticas. As políticas sociais, elas continuam sendo valorizadas, mas tem uma certa, eu diria, um cansaço mesmo, se elas produzem os mesmos efeitos que já produziram no passado.

NNNatuza Nery

E quem recebe considera já o que é importante como um direito.

FNFelipe Nunes

Exatamente, deixou de ser aquela questão de um favor para ser um direito. Então eu tô curioso para ver como essa dinâmica vai se dar, mas a quest deste mês só reforça a tese de que esse é um campo muito bem conquistado pelo Lula e pelo PT nos últimos anos, e parece que vai continuar assim por um tempo.

NNNatuza Nery

A desaprovação a Lula no Nordeste oscilou 4 pontos percentuais para cima. Não dá para dizer que cresceu porque a margem de erro dessa população aqui é de 4 pontos. Então teve uma movimentação que pode sugerir ao longo das próximas pesquisas algum tipo de tendência. A gente não sabe, por exemplo, se a próxima Quest vai mostrar uma correção de rota ou não, mas é um sinal de alerta aqui.

FNFelipe Nunes

Para quem analisa eleição no Brasil, é óbvio que ter uma lupa sobre o comportamento do Nordeste é fundamental, porque na última eleição o Lula só foi eleito porque conseguiu garantir uma ampla maioria no Nordeste. E aí virou cidades importantes como São Paulo, região metropolitana de Belo Horizonte, a Baixada Fluminense e tal. Quando a gente olha para trás, na média o PT tende ter 70% de voto válido no Nordeste. Hoje a Quest mostra que 61% do eleitor do Nordeste aprova o governo Lula.

Se a gente traduzir esse 61 em voto válido, ele vai crescer um pouco, vai ficar em torno de 64, 65 pontos. Ou seja, esses 5 pontos de queda se confirmando podem ser decisivos para eleição desse ano. Eu continuo acreditando, olhando para os indicadores globais dessa pesquisa, que o Lula tende a recuperar espaço no Nordeste. Acho difícil que ele tem uma derrota lá. Mas o que esse número que você tá chamando atenção pode estar sinalizando, e a gente portanto tem que estar atento, é que principalmente nas capitais do Nordeste o desgaste do Lula pode fazer preço na eleição desse ano.

NNNatuza Nery

Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Felipe Nunes. Tem um ponto aqui que tá me chamando atenção, é no eleitorado de renda familiar de 5 salários mínimos para Então aqui tá pegando classe média brasileira até os muito ricos, mas a maior parte desse eleitorado é classe média brasileira. E classe média brasileira não é a classe média americana, é uma classe média que ganha 5 salários mínimos. A desaprovação ao Lula caiu bastante aqui, caiu de 63%, a desaprovação, para 54%.

Portanto, a situação de Lula neste público despiorou e a aprovação subiu. Subiu de 34 para 41%. Eu sei que a margem de erro nesse caso é maior, mas você tem um movimento que me chamou atenção. O que que tá acontecendo para explicar isso?

FNFelipe Nunes

Tem uma tendência assim, e independentemente do patamar, justamente por essa dinâmica da margem de erro, mas a tendência tá colocada.

NNNatuza Nery

Não é uma população cativa de Lula como era, como são os eleitorados de menor renda.

FNFelipe Nunes

Claro, esse é o eleitor que o Lula tá tentando conquistar na eleição, até porque sabe, teve muita dificuldade em pleitos anteriores. Aqui a explicação tem nome e sobrenome. A combinação da evolução do efeito da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5.000 isento, dali para cima, né, porque individualmente você pode ter nessa família um indivíduo que ganha até R$5.000 e outros que compõem a renda para aumentá-la, né, ganham R$3.000, R$2.000, eles estão nesse grupo.

O outro efeito, sobrenome, é o desenrola. Então quando o governo consegue acertar aplicar uma política que tem altíssimo impacto eleitoral, ele consegue produzir um efeito de aprovação dessa magnitude, diminuir o endividamento aumentando o estoque de renda dessas famílias. É aqui que o efeito de fato tinha que estar mais sentido, porque a Quest faz o extrato da sua pesquisa não por meio da renda individual, mas por meio da renda familiar.

Então aqui nesse extrato, se tiver duas pessoas trabalhando, cada uma ganhando R$5.000, os 2 estão isentos de imposto de renda. Se você tiver 3 pessoas, uma ganha R$4.000, uma R$2.000, um, você vai ter ali 2 deles pelo menos afetados por esse efeito e o endividamento afetando. Além do nome e sobrenome, tem uma assinatura final que vem com a expectativa. O governo conseguiu produzir uma expectativa nos brasileiros que eles poderão trabalhar menos do que trabalham hoje, e isso foi simbolizado pela luta que o governo feito em torno do fim da escala 6 por 1, aprovada na Câmara. 75% dos brasileiros souberam disso, é muito impressionante.

E agora aguarda movimentação no caso do Senado. Então, quando a gente combina o efeito do Imposto de Renda, o efeito da diminuição do endividamento, com a expectativa de trabalhar menos numa escala menor, isso ajuda a entender como esse movimento ali naquele extrato de renda mais alta, como está impactando esse segmento.

NNNatuza Nery

E a maior parte quer descansar, 53%, quer usar esse de dia a mais, 13% querem trabalhar mais, 12% querem estudar e 9% querem ir para igreja. Então tem um caminho eleitoral aí curioso nessa história, né, de tentativa de conquista desse eleitor mais religioso.

FNFelipe Nunes

Eu acho essa discussão sobre o que que você vai fazer no dia que sobrar muito importante para caracterizar esse Brasil de hoje, né. Você vê que as pessoas estão cansadas, por isso querem descansar, elas estão preocupadas com renda, algumas querem trabalhar mais, e aí uma boa parte delas quer poder ter mais tempo para igreja e outro para ficar com a família. Ou seja, é muito a cara, né, desse Brasil que a gente tem estudado e descrito nos últimos anos.

A gente fez um assunto sobre pesquisas qualitativas naquela conversa, Natuza, que eu também considero que foi super importante para entender a eleição brasileira. A gente chamou atenção para o que tava acontecendo com as bets e o comportamento, né. O que eu andei estudando foi que depois que o Desenrola foi feito e os CPFs de quem renegociou suas dívidas foi bloqueado de apostar, o volume de apostas caiu significativamente. Há dados oficiais sobre isso.

Ou seja, quando você junta menor acesso ao jogo, mais acesso à renda pelo Imposto de Renda, com uma renegociação da dívida, você produz nesse público um sentimento de bem-estar que naquela época a gente chamava, né, a gente analisou que era o dilema do affordability. Eu diria, né, para resgatar esse tema, que o governo atacou exatamente aquele problema que a gente viu naquele episódio, que é a capacidade de você pagar suas contas, pagar o seu custo de vida.

NNNatuza Nery

Quando eu olho para os dados de Lula, é nos eleitores independentes, porque eu aprendi com você que os eleitores independentes são eleitos, que se declaram independentes, melhor dizendo, são eleitores importantes. Essa é uma eleição que tende a ser uma eleição super disputada, com uma diferença de votos semelhante ao que a gente viu nas eleições de 2022. E eu aprendi com você que os eleitores que se declaram independentes, eles têm um papel protagonista numa eleição reída assim, super disputada.

E aqui nos que se declaram independentes, Lula tem 30% e Flávio 15%, e há 17% de indecisos. O que esse placar nos diz?

FNFelipe Nunes

Primeiro que, como a gente também previu naquela conversa, o eleitor independente, ele é independente por natureza. E o que se espera de um eleitor independente? Que ele seja volátil. A gente falava do swing voter naquela época, né, quando a gente descrevia esse eleitor. E ele já mudou muito na Tusa ao longo desse, dessa cobertura desse ciclo eleitoral. Ele já teve mais propenso a votar em ninguém, ele já teve mais propenso a votar no Flávio, e agora ele tá mais propenso a votar em Lula.

É típico desse eleitor variar, oscilar, ser volátil ao longo do processo eleitoral, vai depender do noticiário, da conjuntura, do desempenho econômico, né, da maneira como ele tá enxergando o conflito. Nesse momento, o apontamento de que o dobro de independentes vota no primeiro turno no Lula e não em Flávio dá a dimensão de por que o Lula tem aumentado ao longo das rodadas de pesquisa o seu favoritismo para reeleição, né. Quando a gente faz projeções na Quest usando modelos matemáticos que combinam todos esses dados, O Lula saiu de lá em fevereiro de uma probabilidade de 38% de reeleição para hoje tá próximo de 60% de reeleição, olhando claro para essa foto.

Como vocês podem ver, os números mudam, as probabilidades mudam. Vamos ver se o Lula mantém essa probabilidade alta ao longo da campanha. Mas isso só se configura justamente porque houve uma mudança muito forte nesse eleitor independente, que é pragmático, não apaixonado, tá preocupado com a vida, com a violência, com a sua família, com a renda com a capacidade de lidar com o custo de vida.

NNNatuza Nery

Voltando para o Flávio, a gente já falou antes, quero tocar num ponto com você. O eleitorado tá achando Flávio mais radical. Ele veio com aquela proposta de que era o Bolsonaro que se vacinou, mas o eleitor não está se enxergando assim. E eu pego esse dado e me lembro de um vídeo de agora que o Flávio postou meio meio que mimetizando o pai, falando indignado, falando bastante palavrão. E aí, quando chegou a pesquisa, eu falei, puxa, talvez esse não seja o caminho bom para o Flávio, porque o eleitorado tá o vendo mais como um radical. E a pesquisa também traz que há um medo do Bolsonaro na população.

FNFelipe Nunes

Esse indicador a gente começou a mensurar justamente quando a gente observou que o Flávio entrou na campanha depois de ser indicado pelo pai tentando se apresentar como um nome mais moderado que o pai. Ele veio com o pai de menina, ele veio com Bolsonaro que vacinou, né, alguém capaz de conversar com diferentes segmentos. E é muito curioso, né, quanto mais moderado é a percepção do eleitor sobre o Flávio, maior a sua intenção de voto na série histórica mais recente.

Quanto mais radical é a percepção em torno do Flávio, que é o que tá acontecendo nesse momento, menor a sua intenção de voto. Então, de fato, há uma evidência muito clara de que o caminho de uma certa radicalização pode até proteger a base, mas fragiliza muito as probabilidades de desse nome na eleição desse ano.

NNNatuza Nery

E o fator Michele para Flávio, que que tá acontecendo? Que que os eleitores estão dizendo?

FNFelipe Nunes

Essa pesquisa é fundamental para a gente conseguir documentar como ficou a base potencial do Flávio nessa eleição. Então eu vou analisar fundamentalmente o bolsonarismo e a direita não bolsonarista. E ali você tem dois elementos muito importantes. De um lado, o bolsonarismo defende o Flávio, acha que ele é que tá certo, acha que, né, o que aconteceu no vídeo foi equivocado. Mas a direita não bolsonarista tem dúvida, ela tende um pouco mais para Michele, o que sinaliza, portanto, que o vídeo pode não ter tido um efeito de todo destrutivo, né, de despencar a campanha do Flávio.

Que eu sempre, né, tenho um pouco de receio de análise assim, ah, mudou tudo. A opinião pública geralmente muda em processo. Nesse caso dá para ver que o ponto é a divisão. A direita bolsonarista não se dividiu sem saber para que lado vai um pedaço, ficou de um lado, outro do outro. E isso óbvio, né, em qualquer processo de disputa disputa significa enfraquecimento. O enfraquecimento global da campanha do Flávio é em grande medida fruto dessa divisão que torna o eleitor mais confuso sobre, né, para que lado ir, que argumento defender, como ele se apresentar na disputa do dia a dia.

NNNatuza Nery

Por fim, a gente continua com um cenário bastante indicativo de segundo turno.

FNFelipe Nunes

Sim, quando a gente soma o número de eleitores, o percentual de eleitores que votam em Flávio e nos outros nomes, a gente ainda tem nesse caso um percentual que é maior do que o percentual de intenção de voto que o Lula tem neste momento. Então pesquisa ainda não indica, né, que haja uma probabilidade de que a eleição termine no primeiro turno. E aqui, se você me permitir, o assunto tem uma audiência super qualificada para a gente tratar desses assuntos.

É um bom momento para a gente introduzir o tema dos likely Insiders, porque desde a eleição de 2022 eu tenho mostrado que a gente não pode mais ignorar a abstenção eleitoral no Brasil, que vem crescendo. Hoje o patamar de ausência do eleitor brasileiro nas urnas é quase do mesmo tamanho do americano, e olha que lá o voto é facultativo, aqui é obrigatório. Então tem uma mudança de padrão. Por isso vai ser muito importante ao longo do processo eleitoral a gente comparar o eleitor que tem chance de ir votar ou não para além da sua intenção de voto.

O que que a gente tem descoberto nas análises que temos feito sobre isso? O Lula tende a ser um pouco mais penalizado pela abstenção do que o Flávio ou outros candidatos, o que só reforça a ideia de que as chances de terminar em primeiro turno podem ser afetadas por esse talvez menor engajamento do eleitor. Claro, se o eleitor se mostrar muito motivado, animado, quiser votar, isso que eu tô que eu tô dizendo pode mudar, mas historicamente o voto no Lula é um voto menos mobilizado pelo padrão de renda e escolaridade. Isso pode ter efeito para essa conta do primeiro turno.

NNNatuza Nery

Lembrando, gente, e achei que não fosse mais ser necessário dizer isso, mas aparentemente é: pesquisa de intenção de voto não é previsão de futuro. Pesquisa de intenção de voto é uma fotografia parada de um tempo que passou. Que tempo é esse que passou? No momento em que o entrevistado terminou de responder a pergunta do entrevistador. Depois disso pode acontecer um monte de coisa que muda a opinião daquele entrevistado. Meu querido Felipe, muito obrigada pela entrevista.

Eu queria você toda semana aqui no assunto. Não podendo, vou aqui. Por isso que eu vou aproveitando, tirando todas as casquinhas possíveis quando você vem aqui conversar com a gente.

FNFelipe Nunes

Sempre um prazer, obrigado. Vamos fazer muito assunto esse ano porque tem, né, uma boa eleição pela frente para cobrir. Obrigado Natusa.

NNNatuza Nery

Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catellan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natusa Neri, fico por aqui. Até o próximo assunto.

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