De Ormuz a Bab el-Mandeb: a expansão da guerra no Oriente Médio
- Guerra no Oriente MédioEstreito de Ormuz · Estreito de Bab el-Mandeb · Houthis · Donald Trump e a NASA
- Consequências econômicas das guerrasPreços do petróleo · Fertilizantes · Inflação
- Pressão dos EUA sobre Israel e LíbanoHezbollah · Governo libanês
- Pressão Política sobre o PresidenteProtestos nos EUA
O mundo inteiro começou a sentir os efeitos da guerra no Irã quando o regime dos ayatolás trancou o trânsito de navios pelo Estreito de Hormuz. Naquele corredor de água de largura entre 30 e 50 quilômetros de borda a borda, passam cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. É muita coisa. Tanto que os preços da energia dispararam e a economia planetária começou a sentir o golpe.
É uma faixa marítima rasa e estreita. Isso força os navios a passar a poucos quilômetros de distância do Irã. Mais de 15 embarcações foram atacadas ali. Mais de 3 mil navios seguem presos no Golfo Pérsico. Muitos são petroleiros, com até 300 mil toneladas de combustível.
Eles transportam essa energia de alguns dos principais produtores de petróleo do planeta, principalmente para a Europa e para a Ásia, incluindo para algumas das maiores economias do mundo, China e Índia. E o que já estava ruim pode piorar. Isso porque entrou no problema um outro estreito, o estreito de Babel Mandeb. Ele fica na Península Arábica e agora está no centro do problema, porque também corre o risco de ser fechado.
A situação é a seguinte. Todo petróleo que é extraído e refinado no Oriente Médio tem dois canais de escoamento marítimo. Imagina um mapa do Oriente Médio na sua frente. À direita desse mapa tem um corredor de água com um trecho bem apertado. Esse é o Estreito de Hormuz. Foi essa passagem que o Irã fechou. Agora vamos olhar para o lado esquerdo desse mapa.
Nele, há um outro corredor de água que separa a África da Ásia. No finalzinho desse corredor, tem uma passagem ainda mais apertada que o de Hormuz. Esse é o Estreito de Babel-Mandeb. É um corredor de pouco mais de 30 quilômetros de largura que liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho, o portão de entrada para o Canal do Suez. Por lá, passam outros 12% do petróleo e mais 20% das exportações globais de fertilizante.
E mais, segundo a Organização Marítima Internacional, um quarto de toda a navegação mundial passa por essa rota.
Os navios saem da Ásia, China, Índia, sobem pelo Oceano Índico, passam por um gargalo estratégico, o Estreito de Babel Mandeb. Entram no Mar Vermelho, sobem até o Canal de Suez, no Egito, e dali seguem para a Europa. O que torna mais grave é que não são só o petróleo e o gás natural que passam por ali.
Mas os eletrônicos da China, peças automotivas, máquinas industriais, roupas, eletrodomésticos, basicamente tudo o que abastece as lojas europeias, também alimentos e insumos. O controle desse gargalo está nas mãos dos Hutts. Eles formam um grupo rebelde dentro do Iêmen que domina a capital e a costa do país, banhada justamente por esse estreito.
Os Houthis são aliados estratégicos do Irã. Um mês depois do início do conflito, uma nova frente se abre na guerra. O porta-voz militar Houthi afirmou que a operação contra Israel teve uma parceria com o Irã e o Hezbollah no Líbano e que vão continuar os ataques até que a agressão cesse. No último fim de semana, os Houthis entraram oficialmente na guerra.
O grupo reivindicou ataques com mísseis de cruzeiro e drones que bombardearam alvos em Israel e colocaram mais peças no tabuleiro de um conflito que expande ao sul, no Mar Vermelho, e ao norte, no Líbano. Imagens verificadas pela agência France Press e pela rede britânica BBC mostram um avião de vigilância aérea dos Estados Unidos destruído num ataque iraniano à base aérea Príncipe Sultan.
na Arábia Saudita. A aeronave atingida é um E3 Sentry, modelo usado para monitoramento aéreo e coordenação de operações militares. Com o impacto, o avião ficou partido ao meio. Enquanto novos fronts se abrem na guerra e os mercados se assustam com os riscos econômicos disso, Donald Trump segue enviando sinais contraditórios e vive sob uma verdadeira pressão interna.
Num dia, ele acena com um acordo iminente com o Irã. No outro, diante do desmentido de Teheran, volta a subir o tom. O presidente publicou uma mensagem na internet afirmando o seguinte, abre aspas, se por qualquer motivo um acordo não for firmado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Hormuz não for aberto aos negócios imediatamente, concluiremos nossa adorável estadia no Irã.
explodindo e destruindo completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, postos de petróleo e a ilha de Carg. Fecha aspas. E a pressão doméstica nos Estados Unidos só sobe. Também no último fim de semana, cidades americanas foram tomadas por protestos massivos contra a condução da guerra e a escalada de preços. Milhões de americanos foram às ruas em protesto contra o governo de Donald Trump. Em países europeus também houve manifestações.
Nos 50 estados do país, americanos frustrados com o presidente Donald Trump tomaram as ruas. John veio de Massachusetts para protestar mais perto da Casa Branca. Esse país está irreconhecível. O que está acontecendo agora vai contra os princípios democráticos dos nossos fundadores. As guerras, as deportações, o desrespeito ao Congresso, isso ultrapassa a humanidade, o certo e o errado, as leis constitucionais.
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é a expansão da guerra no Oriente Médio, do Estreito de Hormuz ao Estreito de Babel Mandeb. Neste episódio, eu converso com Guga Chakra, comentarista da Globo, da Globo News, da CBN e colunista do jornal O Globo. Terça-feira, 31 de março.
Guga, você escreveu um texto na sexta-feira que tinha um tom, digamos assim, premonitório sobre a entrada dos Ruts na guerra. No sábado, os Ruts atacaram Israel com o lançamento de mísseis de cruzeiro e também de drones. Então, para começar, quem são eles, quem são os Ruts e por que finalmente eles entraram nesse conflito?
Natuza, os Huts são um movimento tribal do norte do Iêmen. Huts, inclusive, é o apelido dos líderes do movimento Huts, tem esse nome, que é um nome tribal, mas na verdade é Ansar Allah, que é o nome da organização. Seguidores de Deus, alguma coisa nessa linha. Os Huts, eles seguem uma vertente do islamismo conhecida como Zaid, que é derivada do islamismo chiíta, mas não é a mesma coisa que o islamismo chiíta. É algo que só existe...
nessa região do Iêmen, onde eles são, inclusive, majoritários, seguidores do islamismo Zayed. Os Houthis, ao longo das últimas décadas, nos anos 90, nos anos 2000 e no começo dos anos 2010, eles lutavam contra a ditadura do Abdullah Sáler. O Abdullah Sáler, que foi a figura, conseguiu unir o Iêmen. O Iêmen era dividido em Iêmen do Norte, que era mais tribal, e o Iêmen do Sul, que era do bloco socialista.
Os rebeldes ganharam força depois da invasão do Iraque em 2003 com slogans contra os Estados Unidos e contra Israel. Eles se alinham ao Irã e se dizem parte do eixo da resistência, encabeçado pelo Irã, e que inclui grupos como o Hezbollah, Hamas e o regime sírio de Bashar al-Assad.
eles não são como o Hezbollah. O Hezbollah foi criado pelo Irã. Hezbollah no Líbano. O Hezbollah segue o islamismo chiita como regime iraniano. É direta a relação da guarda revolucionária com o Hezbollah. Os Houthis não. É algo independente tribal do Iêmen que fez uma aliança contra o Irã por terem inimigos comuns.
por um período da Arábia Saudita, depois até o Irã se reaproximar da Arábia Saudita, agora naturalmente não mais, mas também Israel, porque os Luts têm um discurso forte para a Palestina, e também os Estados Unidos. Então essa que é a origem do movimento Lut, Natuza.
A gente vem falando, ao longo dessa guerra, do estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Mas a entrada dos Ruts nessa jogada mexe em outro estreito. Queria que você falasse desse outro estreito, as consequências dessa entrada dos Ruts no conflito e como esse tabuleiro é movimentado a partir disso.
Olha, o grande impacto, os Houthis lançaram, como você colocou, os mísseis contra Israel, mas ainda não foi a grande entrada dos Houthis nessa guerra. Eles ainda seguiriam por essa aliança que eles têm com o Irã, eles podem, a qualquer momento, entrar, seja com disparos contra a Arábia Saudita, mas não necessariamente, mas acima de tudo, para fechar o Straight Babel manda.
que seria algo como a palavra para porta ou portal em árabe. O mandab que vem mais ou menos como lamentações, algo nesse sentido. Então, é um estreito que liga o Golfo de Áden, o Golfo que se abre para o Oceano Índico.
liga o Oceano Índico, na prática, ao Mar Vermelho. E o Mar Vermelho é a artéria de ligação, via esse canal de Suez, posteriormente, ao Mar Mediterrâneo. Então, todo o comércio da Europa com a Ásia, todo o comércio marítimo, se dá através desse corredor. Mar Mediterrâneo, canal de Suez...
Mar Vermelho atravessa o estreito Babel Mandap, cai no Golfo de Aden e segue pelo Oceano Índico. Os Houthis conseguem fechar esse estreito, por quê? Basta disparar alguns mísseis, alguns drones. Não é com minas marítimas, não há essa necessidade hoje em dia. Se você lança um drone por semana e atinge uma embarcação, na prática se consegue fechar. E os próprios Houthis conseguiram isso em determinados momentos da Guerra de Gaza. Aí os Estados Unidos bombardeou o Iêmen e eles fizeram um acordo com...
para parar os bombardeios e eles liberaram o tráfego ali no Straight Bubble Mandub. Mas eles poderiam fazer isso de novo e manter fechado por um período longo. E isso é complicado, porque se você não tem essa artéria de ligação, você precisa fazer a rota do Vasco da Gama.
Por conta do risco de navegar pela região, embarcações com comida que saiam da Índia para o Sudão, um dos países mais vulneráveis do mundo, agora estão contornando toda a África até o Mediterrâneo e indo para o Mar Vermelho pelo canal de Suez. Milhares de quilômetros extras significam semanas de atraso e ainda mais custos.
Os do petróleo já subiram cerca de 40%, do frete até 20%, mas a guerra também está aumentando o preço dos fertilizantes. Então teria um impacto econômico muito grande a entrada dos ruts. Eles são bem aleatórios, Yonatusa. Os ruts são bem difíceis de controlar e são grandes guerreiros, são conhecidos por serem grandes guerreiros.
Mas tem armamentos para isso? Eles têm arsenal? Tem drones e tem mísseis. Não muito, não é? Militarmente, Natusa. Os Estados Unidos é a maior potência da história da humanidade. Israel é uma superpotência. Todos nós sabemos disso. Militarmente, por exemplo, eles, claro que já ganharam do Irã. Não tem como. Mas em termos estratégicos, não. Porque você faz uma guerra assimétrica. Uma guerra assimétrica é isso. É você fechar o Estreito de Hormuz, é você...
fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, porque na prática você impõe um custo elevadíssimo para os Estados Unidos, para a comunidade internacional inteira, com o fechamento desse Estreito. Então é dessa forma que eles agem, ou atingindo alvos dentro da Arábia Saudita ou dentro de Israel, por mais que não seja algo que seja muito destruidor, mas gera um impacto grande no dia a dia das pessoas desse país, como a gente viu observando com os ataques iranianos às nações do Golfo.
O Pesco, quer dizer, os Emirados Árabes, Dubai, que nos últimos anos já se tornaram uma das grandes metrópoles internacionais, ou o Catar, que se diou a Copa do Mundo, todos esses viram a imagem de se desgastar bastante para atrair futuros investimentos, como eles vinham conseguindo, tudo isso já gerou impacto. Então, é dessa forma simétrica que o Irã e seus aliados, os Hutts mais especificamente, em uma menor escala o Hezbollah também, que eles agem, é a guerra simétrica.
Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Guga Chakra.
Eu estou aqui imaginando, para quem mexe com dinheiro ou para quem é influenciado por uma situação grave econômica do mundo, ou seja, todos nós, essa entrada em cena de maneira mais forte, ela tem um impacto econômico que eu queria muito que você traduzisse. Porque enquanto a gente fala no Estreito de Hormuz, sobretudo...
De petróleo, a gente está falando, no estreito de Babelmandeb, a gente está falando de fertilizante, a gente está falando de grão. Dá uma dimensão para a gente do risco, do perigo disso. Olha, o impacto para o Brasil não seria tanto, porque o comércio do Brasil com a Ásia não precisa cruzar esses estreitos. Os europeus... E mesmo...
Os Estados Unidos, porque o caminho da Ásia para os Estados Unidos, claro que você tem aquele caminho inverso indo para a Califórnia. Por isso que a Europa é o mais impactado nesse sentido. Porque o comércio tem que passar para lá. Então, escala muito o preço das coisas e acaba impactando para todo o mundo. Apesar de os europeus serem os mais impactados, claro, naturalmente os asiáticos, mas todo mundo acaba pagando preço, porque se gera a inflação de preços em determinado produto na Europa...
acaba também impactando no Brasil, ainda que numa menor escala. A Organização Marítima Internacional estima que até um quarto da navegação mundial passe justamente por essa rota. Pesquisadores do Royal Institute of International Affairs
chamam essa região de choke point, que é um ponto de estrangulamento da produção mundial de alimento. Se a gente já está sofrendo as consequências da guerra via estreito de Hormuz, dá para imaginar que isso escalaria sobremaneira com esse estrangulamento também. Agora,
Tem um ponto que eu queria tratar com você que tem a ver com a relação de Israel e Líbano. Você vem dizendo, tanto nas suas colunas do Globo, quanto nos seus comentários da Globo News, do erro que é Netanyahu.
atacar o Líbano mirando no Hezbollah. Eu queria que você desenhasse para a gente por que você considera isso um erro e nos explicasse qual é o cálculo que Benjamin Netanyahu faz ao agir assim, colocando o Líbano na rota de tiro, entre aspas.
Essa é a Romilda. Como ela, mais de um milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas no Líbano, desde que a guerra entre Israel e Hezbollah recomeçou. E a gente indo para frente, e as bombas caindo lá na minha cidade. Sabe filme de terror? Sabe filme de guerra? Assim.
A gente acordou de madrugada com as bombas, né? Com a minha cidade sendo bombardeadas, sem aviso prévio. Foi muita gritaria no prédio, na cidade toda. As pessoas na rua passando necessidade, as pessoas voltarem para a sua casa, ver tudo quebrado, é muito triste isso. Sinceramente, é muito triste você voltar e ver sua casa toda no chão. É uma imagem forte que eu nunca tinha visto antes na minha vida.
Isso mexeu comigo. Natuza, quando terminou a guerra de 2024, foi feito um cessar-fogo. Segundo esse cessar-fogo, o Hezbollah não poderia mais atacar Israel, Israel não poderia mais atacar o Líbano e o governo libanês teria que desarmar o Hezbollah.
Em 2025, chegou ao poder no Líbano um governo que o Thomas Friedman do New York Times descreve como um dos mais respeitáveis da região. Ele considera o melhor governo do Líbano em cinco décadas, pelo menos. Por quê? Porque o primeiro-ministro do Líbano era simplesmente o presidente da Corte Internacional de Ayai, um dos juristas mais respeitados do mundo, o Nawaf Salan. O presidente do Líbano, José Faun,
Ele era comandante das Forças Armadas Libanesas e foi treinado nos Estados Unidos, ambos poliglotas, ambos figuras brilhantes. E ambos defendendo o desarmamento do Hezbollah. Essas duas lideranças, o presidente do Líbano e o primeiro-ministro. Líderes que chegaram ao poder de forma democrática. O Líbano tem democracia, não é perfeita, tem a questão sectária.
Mas é uma democracia. Então, quando a gente ouvia falar que Israel dizia que não tem parceiro na faixa de Gaza, porque o Hamas está no poder. Não tem esse argumento no caso do Líbano. Como é que você vai dizer que não tem parceiro, sendo que o primeiro-ministro e o presidente do Líbano são opositores ao Hezbollah, defendem o desarmamento do Hezbollah e são figuras respeitadas internacionalmente, tanto no Ocidente como no mundo árabe. E entre esse período de novembro de 2024,
E até o dia 28 de fevereiro de 2026, ao longo de todo esse período, o Hezbollah não realizou nenhum ataque contra Israel. Zero na Tusa. O governo libarês conseguiu conter o Hezbollah nesse período todo. Ao mesmo tempo, segundo a Unifil, que são as forças de paz da ONU na fronteira do Líbano com Israel,
Israel teria violado milhares de vezes o cessar-fogo. Segundo as autoridades libanesas, cerca de 500 ou 600 libaneses, acho que são 600, foram mortos nos bombardeios israelenses no período de cessar-fogo. O governo libanês já disse publicamente que está disposto a negociar com Israel, criminalizou os armamentos do Hezbollah, fez tudo que foi pedido, tudo assim.
e está disposto a negociar, mas o Netanyahu optou por levar adiante a ocupação do sul do Líbano, mais uma vez, Israel já ocupou em 78, ocupou entre 82 e 2000, ocupou por um breve período em 2006, por um breve período em 2024, embora tenha ficado em cinco pontos, mas áreas pequenas, e agora volta a ocupar, e dizem que é até o Hezbollah se desarmar, embora membros do governo Netanyahu defendam...
a anexação do sul do rio Litani, desses 30 quilômetros, tornaria Israel mais ou menos como eles fizeram com as colinas do Golã. As figuras radicais, o Netanyahu não falou isso. Mas seria melhor negociar com o governo libanês, porque tem um governo respeitado, aliado, que poderia trabalhar conjuntamente. Para fechar essa nossa conversa, eu preciso te perguntar sobre o fator Trump. Pesquisas não estão boas para ele.
Protestos no fim de semana em diferentes cidades. Essa é a terceira edição do protesto não aos reis contra o governo de Donald Trump. Acontece no momento da pior aprovação do presidente, depois que lançou duas ações militares na Venezuela, em janeiro, e no Irã, há quatro semanas.
A guerra ilegal, a invasão ilegal de outros países e os sequestros de seus líderes são um grande problema para mim. Nossa reputação no cenário mundial foi arruinada. Uma crítica que parte do seu próprio quintal, crítica dentro do próprio MAGA.
Mas ele segue dizendo a mesma coisa, que a guerra está sob controle, a gente sabe que não está, que os objetivos estão sendo cumpridos. E especialistas analisam que a guerra de escolha de Trump passou a ser uma guerra de necessidade. Eu queria saber qual é a tua avaliação e que você explicasse esse paradoxo entre a escolha e a necessidade.
O que aconteceu com o Trump nesse momento? Ele precisa que o Estreito Jormuz seja reaberto, porque estava aberto antes da guerra. Quer dizer, o objetivo final virou algo que ele próprio criou com os ataques ao Irã, porque antes disso não tinha problema nenhum para a circulação de navios através do Estreito Jormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Então esse virou o objetivo, passou a ser uma necessidade para o Trump.
Nesse momento... Só para deixar uma coisa bastante clara, o fechamento do Estreito de Hormuz tem um impacto inflacionário no mundo inteiro, mas tem um impacto inflacionário bastante negativo para os Estados Unidos também. E inflação é um tema que fez com que ele ganhasse a eleição de Joe Biden depois de Kamala Harris, quando houve a troca.
Ele batia muito nessa tecla da inflação, sem dúvida alguma, e também no fato de ele ser contra guerras, que ele iria resolver acabar com as guerras que existiam, Gaza e Ucrânia, e ele inventa que acabou com outras oito guerras, mas aí é exagero da parte dele, ele não acabou com a guerra da Ucrânia, e não é culpa dele, no caso da Ucrânia, é culpa do Vladimir Putin, mas ele não acabou, e ele criou mais uma guerra.
Ele criou uma guerra de um potencial gigantesco, que é a guerra do Irã. Tudo que ele criticava do ex-presidente George W. Bush, ele está fazendo não igual, mas criou uma guerra no Oriente Médio, que ele sempre foi contrário. Não só ele, como membros do governo dele, como o próprio secretário da Defesa, o Pete Hagsuff, e o vice-presidente J.D. Vance. Aí uma defesa em relação ao J.D. Vance, que ele tem se mantido calado, ele não tem apoiado publicamente o conflito. Ao contrário.
do Rexhaf e de outras figuras do governo que passaram a apoiar bastante. Mas o Trump, nesse momento, ele precisa decidir se ele opta entre duas decisões péssimas. Ou ele faz um cessar fogo hostil. O que é cessar fogo hostil? Ele dizer...
ganhamos a guerra, vamos retirar nossas tropas daqui e acabou o conflito. Ele já está falando que mudou o regime no Irã, não mudou, ele não ganha ninguém com isso, mas ele pode ficar com esse discurso e vai mudando de assunto, se foca em Cuba ou em alguma outra questão internacional. O problema dele com essa alternativa é que o Estreito de Ormuz talvez fique fechado.
ou o Irã mantendo o controle do Estreito de Hormuz, falando, agora para passar para o Estreito de Hormuz, vai ter que pagar tanto, se você apoiar Israel, não vai passar, enfim, pode colocar uma série de condições. Então, o Trump, nesse caso, sairia perdedor, o Irã sairia mais forte do que entrou nessa guerra, a guerra teria sido claramente um fracasso. A segunda alternativa para o Trump, que talvez seja pior,
ainda seria a de realizar uma operação terrestre. O funcionário para o Trump é bastante complicado e isso, claro, gera um efeito grande aqui nos Estados Unidos, especialmente em setores da ala trumpista. Eu acho que vocês conversaram com o Carlos Gustavo Pojo recentemente sobre isso, sobre as divisões do MAG, a guerra aqui nos Estados Unidos. Isso tem impacto para o Trump também.
Guga Chakra, meu amigo, muito obrigada. Bom trabalho para você. Obrigado, Natuz. Abraço, ouvintes. Este foi o Assunto Podcast Diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida.
Comigo na equipe do assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti e Stephanie Nascimento. Colaboraram neste episódio Nayara Felizardo e Catarina Cobaiaste. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo assunto.