A agenda-bomba do Senado em ano eleitoral
- Pautas-bomba no SenadoLinhas de crédito rural · Piso salarial de médicos e dentistas · Aposentadoria de agentes de saúde · Imunidade tributária de igrejas · Impacto nos cofres públicos · Lei de responsabilidade fiscal
- Relação entre Davi Alcolumbre e LulaDavi Alcolumbre · Lula · Indicação de Jorge Messias ao STF · Judicialização das pautas-bomba · PEC da Segurança Pública · Fim da Escala 6x1
- Gastos EleitoraisPressão eleitoral sobre parlamentares · Aumento de gastos públicos em ano eleitoral · Dívida pública brasileira · Déficit primário
- Investigação sobre Cláudio Castro e Banco MasterBanco Master · Amprev (Amapá Previdência) · Operação da Polícia Federal em Macapá · Daniel Vorcaro
- Mudanças na Fazenda e articulação políticaDario Durigan · Fernando Haddad · Taxa das blusinhas · Relação com o Supremo Tribunal Federal
Os senadores aprovaram 3 projetos que somados podem custar quase R$300 bilhões para os cofres públicos, de acordo com o governo federal.
Os textos aprovados pelo Senado são os seguintes: 2 projetos de lei. Um deles cria uma linha especial de crédito rural para renegociação de dívidas dos produtores. O outro eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões dentistas. E uma proposta de emenda à Constituição que muda a regra para aposentadoria de agentes de saúde de combate a endemias. No mérito, são pautas que merecem, e muito, a atenção dos governantes e da sociedade em geral, mas que infelizmente caem como uma bomba nas contas públicas brasileiras.
Isso lá na frente tem um impacto na Previdência que não é uma coisa sutil, não é uma coisa pequena. Nisso aqui não tem juízo de valor porque a matemática é muito simples.
Está também na mão do Senado a aprovação da o PEC das Igrejas, que passou pela Câmara e que estende a imunidade tributária a entidades religiosas. Na prática, elas passariam a pagar menos impostos. Os parlamentares falam que o impacto dessas medidas todas ficará na casa de dezenas de bilhões de reais. A conta do Ministério da Fazenda é outra. Lá na Fazenda, o cálculo é que esse pacote de pautas bomba pode gerar prejuízo para os cofres públicos de até 2 trilhões nos próximos 10 anos. E sim, você ouviu certo: 2 trilhões de reais, com T mesmo.
Pode ser que não o projeto como um todo, mas partes do projeto têm que serem revistas na Câmara dos Deputados, ou eventualmente em veto do presidente da República. E se preciso, a gente vai questionar eventual ação do Congresso que não cumpra a lei de responsabilidade fiscal no Supremo Tribunal Federal.
Não que o governo federal também não tenha aberto a carteira em ano eleitoral. O conjunto de políticas de Lula em 2026 já passa dos 140 bilhões de reais, de acordo com o levantamento realizado apontado pela Folha de São Paulo. A dívida pública geral do país já superou os 10 trilhões. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que está preocupado.
Num ano de eleição, isso aqui é muito complexo. Porque o que botar para votar isso aqui, todo mundo vai votar sim por conta da eleição e vai ter que arrumar 10 Brasil para pagar.
Mas foi ele mesmo, Alcolumbre, quem pautou a agenda bomba no Senado Federal, ignorando um pedido do governo para segurar as pautas. Se não tiver saída, o Palácio do Planalto vai judicializar essa questão. E parece ter apoio do decano da Suprema Corte.
É a manifestação pelas redes sociais do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, apontando que há gastos que podem acabar sendo judicializados por infringir a lei de responsabilidade fiscal, que determina a exigência de previsão de receitas para cobrir despesas.
É o resultado de meses de distanciamento e de desgaste na relação entre os chefes do Executivo e do Legislativo. Que chegou ao seu ponto mais crítico no fim de abril.
Numa decisão histórica, o Senado rejeitou a indicação do presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Pela primeira vez em 132 anos, um nome indicado pelo Palácio do Planalto foi reprovado pelos senadores. Jorge Messias, advogado-geral da União, não conseguiu número suficiente de votos.
Agora, o que se diz lá em Brasília é que Lula e Davi Alcolumbre precisam se reaproximar com a eleição no horizonte. O governo ainda quer mais uma chance para aprovar Messias como ministro do Supremo. Davi Alcolumbre não pode nem falar nisso. E a sociedade aguarda a votação das PECs da segurança pública e do fim da escala 6x1. Ambas paradas no Senado. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é: a agenda bomba do Senado em ano eleitoral.
Neste episódio, eu converso com Tiago Prado, editor de política e Brasil do jornal O Globo, e responsável pela newsletter Jogo Político. Sexta-feira, 12 de junho. Thiago Prado, te recebo aqui para que você nos ajude a entender o que que tá acontecendo, porque que o Senado tá plantando essa agenda bomba, porque é mais de uma pauta, são várias, que aumentam de maneira muito brutal o gasto público. Não é a primeira vez que o Congresso faz isso, e fazer isso significa abrir mão do compromisso as contas públicas, ou seja, você não pode gastar mais do que você tem porque você quebra o Estado brasileiro.
E eu me lembro que lá atrás, não muito tempo atrás, antes do impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha fez o mesmo tipo de plantio, plantou pauta bomba e fez isso para colher o impedimento da então presidente. O que que tá acontecendo agora, Tiago? Porque a gente tá vendo o Senado fazendo firula sem que o Estado possa bancar?
Eu acho que tem duas perspectivas aí para a gente analisar. Começar falando do ano eleitoral que a gente tá, né? Então, muito comum isso acontecer, esse tipo de pauta, principalmente no primeiro semestre, né? Segundo semestre, os deputados, né, senadores, né, vão para as suas campanhas, né, para os seus redutos, né? Então, Senado essa semana nessa questão das dívidas, né, os ruralistas ali, né, dando essa benesse ali. É um segmento muito importante do eleitorado Nessa outra questão envolvendo o piso salarial de médicos e cirurgiões dentistas ali, também é um segmento muito importante do eleitorado.
Agora, é isso assim, a gente tá num ano em que, por exemplo, existem 20 categorias hoje querendo pisos salariais. E sem entrar no mérito aqui, eu acho que tudo é super legítimo.
Você entra num ponto que é importante, porque uma coisa é avaliar que essas categorias merecem ter uma remuneração melhor, e elas merecem mesmo, isso é genuíno. A outra coisa É a condição que o Estado não tem de pagar. Acaba sendo uma venda de terreno na lua, porque essas categorias não vão receber esse piso porque o Estado não tem condição de bancar isso.
Exatamente. E aí a gente mistura isso com um monte de pauta. A impressão que fica dando é que são debates que surgem do nada. A gente teve aí recentemente também uma PEC aumentando a isenção das igrejas também. Então hoje as igrejas brasileiras já tem o benefício garantido na Constituição para não pagar PTU, determinados tributos. Eles ampliaram isso para aquisições. Então, por exemplo, compra de aeronaves. O Pastor Silas Malafaia tem aeronave, então se ele for comprar uma aeronave, ele teria isenção.
Então assim, fica parecendo uma série de agendas, de novo sem entrar no mérito delas, que não tem discussão de previsão orçamentária, que não tem discussão de prioridade. Certamente nós temos um país com várias prioridades, então fica parecendo agenda de ocasião, agenda de circunstâncias. E no ano eleitoral isso é muito comum, né, Natuza? E o que para mim é muito curioso é, dando uma olhada na tramitação, por exemplo, nessa questão dos pisos, assim, chegou uma hora que o PT parou de se manifestar contra o avanço disso no Senado ali.
Isso é muito comum também, quer dizer, chega uma hora que quem tá ali se opondo a uma questão acaba tirando um pouco o pé do acelerador, porque tem o medo também de ter impacto eleitoral isso, né? Eu vou mostrar um pouquinho aqui no início desse ano a questão da tramitação do projeto de lei da criminalização da misoginia, por exemplo, que o Flávio Bolsonaro era contra e votou a favor simplesmente pensando na campanha eleitoral.
Ele que tem ali um desempenho muito pior entre as mulheres, né? Então a gente acaba com um debate que acaba sendo oportunista e que mesmo quem é contra determinadas propostas acaba se escondendo com medo do impacto eleitoral, assim. Então é isso que acaba acontecendo. E eu acho que isso explica um pouco essa semana, assim, um ano eleitoral, que todo mundo tá querendo fazer o gesto para o seu eleitorado.
Eu concordo com você que o ano eleitoral dita muita coisa na agenda do Congresso e nas condutas dos parlamentares, mas eu tenho impressão que nesse caso, Thiago, não sei se você avalia da mesma forma, tem um algo mais. Eu tenho impressão de que Davi Alcolumbre tá tentando mostrar para o governo o poder que ele tem e o poder de estrago que ele pode lançar mão. Faz sentido isso?
Faz. Acho que é o segundo aspecto que eu queria abordar. Falei do primeiro ano eleitoral, acho que esse é o segundo, que se assemelha um pouco com o que você falou no início, né, essa relação Eduardo Cunha-Dilma. É claro que a gente não tá falando de um cenário de impeachment de Lula, nada disso, mas sim do governo federal tendo uma relação ruim com um chefe de poder, no caso Davi. Essa relação ficou muito exposta ali, né, na época ali que o Senado derrubou a indicação do Lula.
Uma coisa super rara, o Senado indicar, derrubar a indicação de um presidente da República para o Supremo Tribunal Federal. E desde então, isso já aconteceu um tempinho, a gente tá naquele momento, já são alguns meses que isso aconteceu. O presidente Lula já falou que quer enviar de novo o nome do Messias. Acho que ficou muito claro assim que o Lula aposta que vai conseguir emplacar o Messias. O Messias que chegou a querer sair do governo não saiu.
Na Marcha para Jesus, o Messias foi enviado pelo governo de novo. Então claramente o Lula vai dobrar a aposta. E o que a gente tá vendo é o Davi dobrando a aposta também nessa, nessa relação com o governo.
Como A diferença é que a indicação do Messias, concorde-se com ela ou não, goste-se do Messias ou não, não tem gasto público, né?
É, exatamente. E a gente tá aqui batendo um papo em meio a um noticiário de que finalmente vai haver o encontro Lula e Davi Alcolumbre, né? Isso aí tá em todas as matérias e tal. Todos os bastidores que a gente apura, a gente tem uma divisão clara no governo de gente que acha que o Lula deveria partir para cima do Davi e ir para um rompimento mesmo, e tem gente que acha que deveria haver uma composição, né. O Zé Guimarães, que hoje tá na articulação política do governo, vocaliza demais essa turma que acha que deve haver uma composição política.
Então acho que vai ter muita conversa para os dois fazerem. Agora, vale lembrar ali, se o Davi levar para esse encontro a questão do Banco Master, né, porque o que que a gente sempre interpretou? Que o Davi fez o movimento de brecar ali o Messias muito porque o Rodrigo Pacheco não virou o indicado, e muito porque as investigações da Polícia Federal avançaram sobre o Davi Alcolumbre, todos os aportes do fundo de previdência do Amapá.
A Polícia Federal está nas ruas de Macapá para uma operação que investiga possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime de Previdência Social do Amapá. A apuração envolve aplicação de R$400 milhões em títulos do Banco Master. Entre os alvos estão dois integrantes do comitê de investimentos, além do presidente da Amprev, Amapá Previdência, Josildo Silva Lemos. Lemos foi indicado ao logo pelo presidente do Congresso, do Senado, Davi Alcolumbre. Ele é senador pelo Amapá. Alcolumbre não está entre os investigados.
Assim, eu acho que se o Davi levar para o encontro uma perspectiva de blindagem, ele vai se frustrar novamente, porque assim, na verdade, não tem como parar as investigações da Polícia Federal, não tem como controlar a delação do Daniel Vorcaro. Então, se a agenda for por aí, novamente eu acho que a gente vai viver um impasse dessa relação continuando ruim. Eu acho que a novidade desse encontro, diferente do momento que o Lula foi reprovado ali, né, a indicação do Messias foi reprovada, é a popularidade do Lula e o Flávio ter piorado ali nas pesquisas.
Nesse momento, o Lula vai encontrar com o Davi sendo favorito para eleição. Há poucas semanas ali, alguns meses ali, com essa reprovação do Messias, o jogo não tava assim. Então acho que tem um momento diferente dessa conversa Lula e Davi agora do que era um tempinho.
E a gente aqui avaliando, né, o cenário de um possível rompimento, eu fico pensando aqui como é que se daria esse rompimento. Porque daí o Davi Alcolumbre nesse rompimento: "Ah, não quero mais falar com você, você não vai me blindar e tal, então tá aqui uma pauta bomba, tá aqui outra pauta bomba, aquilo que você quer aprovar que é o fim da escala 6 por 1 eu não vou aprovar coisa nenhuma e você que se vire, Lula." O Lula também pode devolver para ele, ou pelo menos contra ele, algo assim.
O Davi Alcolumbre está, pode verbalizar, que é uma coisa que o Lula não faz, o Bolsonaro fazia muito, mas que o Lula pode fazer. Lula pode dizer, fazer pronunciamentos, entrevistas, dizer que só tem uma pessoa que tá contra e impede o fim da escala 6 por 1, que é o Davi Alcolumbre. Então ele coloca 7 em 10 brasileiros contra o presidente do Senado. Ele pode dizer que o Davi Alcolumbre tá contra o Brasil, ou seja, ele pode botar o Davi Alcolumbre na boca de Matilde, né, na boca do sapo.
E isso para ele não é bom, até porque ele tem um longo caminho pela frente no Senado. Então eu acho que nem o Lula se interessa por esse rompimento, mas para o Davi também não, que é perigoso, né? Ainda mais se o Lula for reeleito.
Acho que você falou bastante do que que é prejudicial para o Davi. Queria falar para o Lula assim, 6 por 1, por exemplo, né? Que eu acho que é uma pauta muito importante para o governo ter como plataforma na campanha, né? Passou na Câmara, passar pelo Senado. Acho muito importante o governo fazer isso avançar até 17 de julho, né, que é a data do recesso. Acho que levar esse assunto para o segundo semestre é muito ruim para o governo.
Então esse rompimento seria, seria complicado para o governo para conseguir avançar nessas próximas semanas, né?
Você acha que Davi Alcolumbre pode engavetar o fim da escala 6x1 para derrotar o governo?
É uma pergunta difícil porque é uma pauta muito popular, né? Então estaria eu aqui apostando num Davi Alcolumbre que faz uma agenda muito impopular, vamos dizer assim. Agora, o Davi não tem eleição esse ano, né? É claro que ele tem os interesses no reduto lá dele, mas ele não tem a reeleição dele esse ano. Então acho que ele poderia fazer isso. É provável? Talvez não, assim, mas eu vejo o Davi muito mais corajoso do que um Hugo Mota, por exemplo, que claramente faz um ano de 2026 muito diferente do ano de 2025, pelos interesses eleitorais do Hugo Mota também na Paraíba de eleger o pai senador.
Você tá falando do presidente da Câmara, Hugo Mota. Qual é a diferença entre 25 e 26 que você vê? Que Hugo Mota você assistiu em 2026 diferentemente de 25?
Ah, assisti um Hugo Mota ali fazendo muito jogo da da oposição ali em muitos momentos, né. Então a gente teve uma virada de ano em que o Hugo Motta, até pelo movimento que a oposição fez num determinado momento de ocupar ali o plenário, né, a mesa dele, etc., foi um movimento agressivo ali. Então ele enfrentou uma oposição mais aguerrida ali no Congresso. Naquele momento ali o Hugo Motta fez mais esse jogo. A gente cobria muito mais o ano de 2025 como o Davi sendo o grande aliado do governo e não Hugo Mota.
A gente tem uma clara diferença esse ano em que o Hugo Mota vai sendo o grande aliado do governo no Congresso e o Davi não, né? Tanto que essas pautas bombas estão sendo todas desgestadas no Senado. E acho que tem uma segunda questão aqui para o governo Lula que tem a ver com quem tá ocupando o Ministério da Fazenda nesse momento, que é o Dario Durigan. O Fernando Haddad foi ser candidato em São Paulo e claramente o Haddad tem mais peso nessas discussões ali com o Congresso. A gente publicou, por exemplo, um perfil sobre Sedônio no Globo.
Sedônio, que é o ministro da comunicação social, né, é o responsável pela imagem do governo.
Exato. E a gente mostra ali como o Sedônio foi contra a taxa das blusinhas, né, aquele imposto de importação em cima das compras internacionais, e ele só conseguiu derrubar depois que o Haddad saiu e o Dario Durigão entrou no governo. Havia sim divisão no governo, mas acabou pesando o modo eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A divisão era Claro, você tinha equipe técnica e aí isso foi defendido lá atrás e quem acabou vencendo lá atrás foi o então Ministro da Fazenda Fernando Haddad com a taxa e também o então Ministro do Desenvolvimento e Vice-Presidente da República Geraldo Alckmin.
A área política foi vencida lá atrás. Agora aconteceu exatamente o contrário. O que acabou pesando nesse momento foi o fato de que o governo tinha pesquisas internas que apontavam rejeição de até 70% na taxa das blusinhas. A gente viu durante essas semanas todas o Doriga tentando travar essas pautas bombas e não conseguiu. E não por inabilidade dele. As pessoas que a gente conversa sempre falam muito bem da capacidade de diálogo dele, mas ele não tem o peso do Haddad assim.
Então hoje o governo, ele é mais frágil nessa articulação política assim. Tanto que o que a gente tá vendo agora como estratégia do governo é uma conversa com o Supremo Tribunal Federal. O Dario já foi no no Zanin. Ontem teve a postagem do Gilmar Mendes criticando esse tipo de iniciativa do Congresso sem previsão orçamentária. O governo claramente vai apostar na judicialização dessas pautas bombas. Te respondendo assim sobre aquilo que a gente estava falando sobre romper com o Davi ou não, quer dizer, a gente já falou aqui, para o Davi não é interessante, mas para o Lula também não é interessante uma briga com o presidente do Senado, tendo em vista essa urgência de votar a pauta bomba e por estar com uma articulação política mais fraca.
Não só o fora, como a Glaze também foi para o Paraná disputar eleições assim. Então é o time B do Lula no ano eleitoral ali, não é o time A que tava em 2025, sem dúvida nenhuma.
Agora, o Lula precisando tanto do Davi Alcolumbre de passar as pautas dele, por que que ele não chamou antes o Davi Alcolumbre para conversar? Ele ainda tá tão mordido assim por causa da derrota do Messias, ou tem algo mais?
Eu acho que ele tá mordido. Você sabe que eu tava lá na posse do Nunes Marques no no TSE, né, na presidência do TSE, do ministro Nunes Marques. E foi o primeiro evento público que a gente, pós o veto do Messias, que a gente ficou observando muito, nós jornalistas, o gestual de tudo aquilo ali, Lula e Davi, né. Impressionante, eles não se olharam, não se falaram. É claramente um Lula mordido e claramente tendo um presidente do Senado também muito incomodado com tudo que tá acontecendo.
Acho que a gente tá vendo uma disputa de dois egos grandes assim, sabe. Eu tô interpretando por aí, muita gente a gente interpreta por aí assim. E vamos ver se essa conversa distensiona. Eu acho que o Lula já deu muitas demonstrações de que é muito hábil nesse momento. Davi também, não à toa tá aí onde chegou. Vale lembrar, o Davi lá atrás ganhou uma eleição do Renan Calheiros quando virou presidente do Senado pela primeira vez, que ninguém acreditava que o Renan Calheiros ia cair do Congresso ali, né, da presidência.
E assim, o Davi, eu falei aqui que ele não tem eleição esse ano, mas ele tem a vontade de continuar na presidência do Senado no ano que vem. E a gente tá falando aqui sobre um momento político em que o Lula é favorito para vencer eleição, né? Então eu acho que o Davi também, num outro momento, tava também fazendo um jogo olhando ali para direita, que tem também potenciais candidatos à presidência do Senado no ano que vem, né?
Vide Rogério Marinho, né?
Exato. Tereza Cristina. Mas agora eu acho que o Davi tem que começar a olhar com a perspectiva de quarto mandato do Lula, que é o que tá posto. A gente teve uma Quest essa semana que coloca o Lula como favorito para vencer. O Quest testou alguns cenários de segundo turno, caso a eleição fosse hoje, claro. A pesquisa, Lula aparece com 44% das intenções de voto no segundo turno, Flávio com 38%, uma diferença de 6 pontos percentuais.
Aqui você tinha um empate técnico na pesquisa de maio, agora Lula oscilou positivamente 2 pontos percentuais. Pontuais foi a 44, assim como Flávio. E o movimento contrário oscilou negativamente aqui, 3 pontos percentuais. Não temos mais uma situação de empate técnico. Agora, favorito não é ganhar, a gente não consegue prever assim, mas é uma equação diferente do momento em que o Davi claramente trabalhou para derrubar o Messias assim.
Então eu acho isso, Natuza, eu acho que se for, claro, a gente não tem bola de cristal aqui, mas eu acho que a gente vai ter certas composições acontecendo, mas não será tudo nos termos que todo mundo queria assim também. Entendeu? Então volta a falar muito do master assim. O Lula não consegue entregar para o Davi o controle da Polícia Federal, das investigações. Isso não existe, acho que tá provado aí diante de tudo que tá acontecendo.
Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Tiago Prado. A situação do Davi Alcolumbre, não tendo ele uma bola de cristal, é uma situação difícil porque o Lula pode ser reeleito presidente do Brasil Mas a extrema-direita pode capitanear uma maioria vitoriosa nas eleições para o Senado Federal. Então, nesse caso, ele fica entre a cruz e a espada, porque se ele fecha com Lula agora e a direita e a extrema-direita ganham a maioria das cadeiras do Senado, com quem que ele fica nessa história, né?
Também não é uma costura fácil. Diante disso, Isso eu te pergunto: quando você fala que cada um vai ter que ceder um pouco, você tá dizendo que do ponto de vista dos projetos da agenda bomba, o governo vai ter que assimilar um gasto que não tava esperando e para o qual não tem dinheiro para usar?
Sobre a sua primeira observação, perfeito. Acho que isso é uma realidade política, principalmente de 22 para cá, que é muito diferente do Lula 1 e Lula 2, né, os dois primeiros mandatos. Quer dizer, o presidente da República se eleger, o partido que tem maioria ser o de oposição, tanto na Câmara e provavelmente no Senado. Concordo com você, se a gente for olhando estado por estado, a direita vai ganhar em vários estados e provavelmente vai eleger vários senadores.
Então é uma equação bem difícil para o Davi, sim. Por isso que eu acho que ele vai tentando se equilibrar ali entre os dois lados, ali como ele sempre fez muito bem. Então esse é um ponto, sim. Segundo ponto sobre se o governo vai aceitar pagar, enfim, bom, enfim, se o governo não conseguir de alguma forma derrubar empurrar, seja com veto, né. O Lula ainda tem o instrumento de veto, tem pauta aqui que ainda vai para Câmara, que ele pode tentar ali, né, com essa boa relação com Hugo Motta, segurar.
E tem a questão do Judiciário. São 3 formas aqui que o governo ainda tem, pelo menos, para empurrar com a barriga. Agora, Natuza, é um governo que até ontem eu vi que o TCU aprovou com ressalvas as contas do governo, apontando ali para o endividamento do governo crescente ali, quase 80% do do PIB é um governo Lula 3 que aceita mais o déficit público do que Lula 1 e 2, com Palocci fazendo superávit primário de 4,25%. São realidades que não existem mais.
Hoje a gente vive com déficit primário de 0,4% mais ou menos. Eu tô falando de déficit primário, ou seja, excluindo a conta de juros. O déficit nominal é muito maior. Então foi um Lula— e aqui eu não tô querendo fazer também de novo a discussão de mérito, tá, porque eu acho que o mundo mudou muito. O Lula, por exemplo, deu declarações falando qual o problema ter déficit de 2%. Os Estados Unidos têm dívida muito mais alta, dívida PIB e tal.
É um olhar fiscal do Lula 3 diferente do Lula 1 e 2, e porque os tempos mudaram mesmo assim. Então eu tive assim, para encerrar aqui, um papo com Haddad tem 2 meses mais ou menos em São Paulo, falando um pouco sobre: e aí, Haddad, o que que você acha que poderia ter sido diferente no seu, nos seus 4 anos? E ele acha que em 2024 o governo deveria ter dado uma apertada maior nos gastos assim, já que em 23 ele veio com a PEC da transição, em 24 ele acha que deveria ter apertado.
Tô falando tudo isso porque eu acho que mesmo com as pautas bombas, etc., o governo Dario tá tentando, Dorigão tá tentando derrubar ali. Acho que é um governo que aceita mais o gasto, mas acho que em 27, e é isso que o Haddad também fala muito, provavelmente será necessário um ajuste, seja Lula vencendo, Flávio vencendo, quem quer que seja vencendo. É meio que uma previsão assim de todo mundo, principalmente com um ano eleitoral que a gente tá tendo.
Vale lembrar também, para finalizar, a gente tá falando muito das pautas bombas do Congresso, mas há várias agendas do governo estimulando a economia com gastos para ter popularidade também. E aí, desde incentivando a compra de automóveis por motoristas de aplicativo, etc. Então tá todo mundo gastando mais no ano eleitoral, e isso vale tanto para o governo quanto nas iniciativas do Congresso Nacional.
Bem lembrado, Thiago. Thiago, muito obrigada por iluminar essas questões todas aqui para gente. Bom trabalho para você.
Valeu, Natuza. Até a próxima.
Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Querida, comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catellan, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natuzaneri, fico por aqui, até o próximo assunto.