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A nova suspeita de fraude no caso 'Dark Horse'

02 de junho de 202640min
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Convidados: Rodrigo Rodrigues, repórter do g1 em São Paulo, e Guilherme Balza, repórter de política da GloboNews. Nessa segunda-feira (1), a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca em apreensão na sede da Prefeitura da capital paulista e em mais sete endereços ligados à empresária Karina Ferreira da Gama. A operação foi motivada pela suspeita de fraude em um contrato celebrado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) que determina a instalação de 5 mil pontos de wi-fi pela cidade ao custo de R$ 108 milhões para o município – Karina é dona dessa ONG. O que a investigação apura é o destino desse dinheiro, que pode ter sido usado para o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, uma realização da produtora Go Up, que também pertence a Karina. Neste episódio, Natuza Nery conversa com dois jornalistas. Primeiro, ela fala com Rodrigo Rodrigues, que cobriu a operação da PC-SP e que apura as relações entre Prefeitura de São Paulo, IBC e Go Up desde que primeiras denúncias. Depois, quem participa é Guilherme Balza: ele amplia o leque de suspeitas no caso 'Dark Horse', que vão desde o uso de emendas parlamentares até o financiamento de Daniel Vorcaro.
Participantes neste episódio2
N

Natuza Nery

HostJornalista
R

Rodrigo Rodrigues

ConvidadoRepórter
Assuntos4
  • Caso Dark Horse e impacto na campanhaGo Up (produtora) · Jair Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Banco Master · Emendas parlamentares · Mário Frias · Tabata Amaral · Flávio Dino · Eduardo Bolsonaro · Heavengate · Paulo Calixto · Bia Kicis · Carla Zambelli · Alexandre Ramagem · Marcos Pollon · Lindbergh Farias · Alexandre de Moraes · André Mendonça · Jim Caviezel
  • Fraudes DigitaisInstituto Conhecer Brasil (ICB) · Prefeitura de São Paulo · Karina Ferreira da Gama · Contrato de R$ 108 milhões · Suspeita de superfaturamento · Desvio de dinheiro público · Prodan · Favela Conectada · Alex Bispo · Tribunal de Contas do Município · Edital direcionado · Complexity · André Feldman · J.R. Feijão do Ceará
  • Emendas ParlamentaresMário Frias · PL (partido) · Bia Kicis · Carla Zambelli · Alexandre Ramagem · Marcos Pollon · Flávio Dino · Controladoria Geral da União · Tribunal de Contas da União
  • Governo BolsonaroOsmar Terra · Academia Nacional de Cultura · Lei Rouanet · Secretaria Especial de Cultura
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A Polícia Civil cumpriu hoje mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura de São Paulo e em uma ONG que presta serviços de instalação de internet na cidade. Uma operação no centro do poder da maior metrópole do país. A suspeita de fraude no contrato firmado entre essa ONG, chamada de Instituto Conhecer Brasil, e a Prefeitura de São Paulo. O acordo era esse, mais de 100 milhões de reais para instalar cerca de 5 mil pontos de Wi-Fi pela cidade. Acontece que o dinheiro pode ter encontrado um outro destino.

Investigação apura se houve uso indireto de dinheiro público da Prefeitura de São Paulo em filme de Bolsonaro. Investigação fala em suspeitas de utilização indireta de recursos públicos para oriundos financiamento da produção audiovisual. As três empresas controladas pela Karina da Gama, que é a dona da ONG e a sócia da produtora que fez o Dark Horse, esse é o aspecto que há em comum entre a ONG e a produtora do filme.

Três empresas controladas por ela estão sendo alvos da polícia civil nesta manhã. A Go Up, que é a produtora, o ICB, que é o instituto responsável por distribuir a internet gratuita por São Paulo, e a Go 7, assessoria. O filme biográfico sobre Jair Bolsonaro foi parar nas páginas policiais com a revelação de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude financeira.

Flávio enviou um áudio para Vorcaro, dizendo que havia risco de paralisação da produção do filme sem o dinheiro do Master. Irmão, preferiria te mandar o áudio aqui para o seu vídeo com calma? Bom, aqui a gente está passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai acabar, vai estar na mão de Deus aí.

Também surgiram denúncias de que entrou dinheiro público de emendas parlamentares no empreendimento. O STF foi acionado pela deputada federal Tabata Amaral, pedindo a apuração de repasses de emendas, incluindo de Mário Frias, para o que ela chamou de ecossistema de empresas, comandado por Carina Ferreira da Gama, que é a responsável pela produção do filme Dark Horse. A gente está falando de Mário Frias, que é o produtor executivo do filme.

ele teria destinado 2 milhões para essa ONG ligada ao filme. O ministro Flávio Dino determinou que Mário Frias se manifestasse a respeito disso. O mesmo Mário Frias, que foi secretário de Cultura do governo Bolsonaro e que é a voz deste áudio a seguir. Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente. Vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?

As mensagens eram para Daniel Vorcaro, agradecendo pelo apoio financeiro ao projeto. No áudio enviado no dia 11 de dezembro de 2024, Mário Frias disse que manteria Vorcaro informado sobre o andamento do filme. Os investigadores agora apuram se todas essas pontas se conectam de alguma forma.

A polícia identificou sinais de direcionamento na licitação e de superfaturamento dos serviços. Há suspeitas de que parte do dinheiro público destinado à internet tenha sido desviada para a produção do filme, que foi produzido por uma empresa ligada à representante do Instituto.

Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é a nova suspeita de fraude no caso Dark Horse. Neste episódio, eu converso com Rodrigo Rodrigues, repórter do G1 em São Paulo, e com Guilherme Bausa, repórter de política da Globo News em Brasília. Terça-feira, 2 de junho.

Rodrigo, a personagem que recebeu a visita da polícia civil na segunda-feira, que é quando a gente grava, se chama Karina Ferreira da Gama, como eu disse na abertura. A dona desse instituto, o ICB, se chama Karina Ferreira Gama.

também está à frente da produtora que é responsável por estar fazendo o filme Dark Horse sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Inclusive, essa ONG que tem o contrato com a prefeitura e a produtora do filme, elas ficam em um mesmo endereço aqui na capital paulista. A GOAP é a produtora. E o Instituto Conhecer Brasil?

Como é que ele virou também personagem de uma investigação da Polícia Civil que você vem cobrindo? Conta pra gente. O Instituto Conhecer Brasil, antes desse episódio, ele era conhecido por fazer palestras, eventos de literatura gospel aqui na cidade de São Paulo, com apoio de alguns parlamentares evangélicos da Câmara de Vereadores de São Paulo.

A partir de junho de 2024, portanto, poucos meses da eleição municipal aqui da cidade de São Paulo, esse instituto ganhou um contrato de 108 milhões de reais com a prefeitura de São Paulo para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi na periferia de São Paulo. Não há registros de que essa empresa tivesse experiência na instalação desse tipo de serviço de tecnologia aqui na cidade de São Paulo.

E o que aconteceu a partir da celebração desse contrato ali nas vésperas da eleição de 2024? Diga-se de passagem, gestão Ricardo Nunes que fechou esse contrato foi vencedor daquelas eleições. A partir do momento que o Instituto...

Conhecer Brasil, da Karina, ele ganha esse contrato, ele terceiriza esses contratos, essas instalações desses pontos de Wi-Fi na cidade de São Paulo para pequenas empresas da periferia de São Paulo, que também estão sendo investigadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

para que esses pontos sejam instalados. Porque era um instituto que não tinha know-how para fazer isso e, portanto, ela precisava cumprir o contrato que estava sendo assinado. Então, ela terceirizou esse serviço por menos da metade do preço. Há registros, por exemplo, na própria prestação de contas do instituto para a Prefeitura de São Paulo, de que cada ponto custou, em média, 713 reais para que o sinal fosse instalado, o aparelho e o serviço começasse a funcionar e distribuísse sinal de Wi-Fi gratuito nessas periferias da cidade.

Então deixa eu só entender. No contrato que esse instituto da Karina firmou com a prefeitura, ela firmou um contrato em que cada ponto desse de Wi-Fi mais a manutenção levaria o quê? R$ 1.800 por ponto, é isso? Exatamente. Quando a gente dividiu 108 milhões de reais por 5 mil pontos, a gente chega a um número que é de aproximadamente R$ 21 mil, só que esse número é pago por mês, então cada ponto tem um custo mensal. Então cada ponto da cidade de São Paulo, esses 5 mil pontos...

teria um custo de R$ 1.800 por mês. O MP também questiona o valor cobrado, porque a prefeitura está pagando R$ 1.800 por ponto de Wi-Fi instalado, quando a média do valor desse serviço aqui na capital paulista é de R$ 230.

Mas parece que tem uma empresa pública que já faz isso por bem menos, não é isso? No inquérito que baseou a operação dessa segunda-feira, a Polícia Civil disse que a própria Prodan, que é a empresa de processamento de dados da Prefeitura de São Paulo, oferece esse mesmo serviço de instalação de pontos de Wi-Fi pelo preço de R$ 230 a instalação e R$ 306 a manutenção por mês.

portanto, 536 reais tudo. A Karina recebeu por esse contrato 1.800 por cada ponto instalado e feita sua manutenção. Ela subcontratou esse serviço por 700 e pouco, mas tinha uma empresa pública que cobrava menos do que isso, 536 reais. Então, deixa eu só resumir aqui os pontos estranhos dessa história. Primeiro, uma empresa, uma ONG... Uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

uma instituição que nunca instalou um ponto de Wi-Fi, ganhando um contrato de 108 milhões na prefeitura, num ano de eleição municipal. Segundo ponto estranho, o valor de cada ponto de Wi-Fi para regiões de baixa renda da capital aqui em São Paulo.

E o terceiro ponto estranho nessa história foi o valor recebido por esse instituto. Explica pra gente. O instituto instalou todos os pontos de Wi-Fi que prometeu no contrato? Recebeu quanto por isso? Ele tinha 12 meses para executar os 5 mil pontos. Então o contrato foi assinado em junho de 2024 e ele teria até junho de 2025 para fazer essa instalação. E o que a Polícia Civil está dizendo? Que até... Que até...

o período eleitoral, portanto, até outubro de 2024, houve uma aceleração da instalação desses pontos. E aí a ONG instalou pelo menos 1.605 pontos antes do período eleitoral. Depois do período eleitoral, depois que passou a eleição, esse ritmo caiu, segundo a apuração do próprio delegado que está no curso desse inquérito. E...

Ao final dos 12 meses que ela tinha, nem 2 mil pontos já tinham sido instalados na cidade de São Paulo. Houve uma queda do ritmo de implantação desses pontos de Wi-Fi na cidade. Então, no período de 12 meses, eles não conseguiram cumprir a meta de 5 mil pontos. E aí, um novo aditamento foi feito para que eles tivessem mais um tempo, mais um ano. Esse novo ano também não foi cumprido. Acabamos de entrar em junho de 2026. Eles não instalaram os 5 mil pontos. Portanto, dois anos depois, só temos...

3.200 pontos instalados na cidade de São Paulo e ainda faltam 1.800. Um novo aditamento foi feito e eles têm agora o prazo ou 2027, podendo ser prorrogado até 2029 para a instalação desses pontos restantes. Ou seja, o contribuinte de São Paulo está pagando uma empresa por um serviço que a empresa não conseguiu concluir e aí teve a prorrogação do contrato, um aditamento desse contrato, a empresa não conseguiu concluir e aí agora já há uma terceira...

prorrogação, me corrija se eu tiver errada, que a empresa promete concluir. E ela recebeu toda vez que teve um aditamento de contrato ela foi recebendo dinheiro? Quanto que ela já recebeu? Fica claro no inquérito? Ainda não está claro o quanto ela recebeu no total nesses dois anos, mas...

Por exemplo, no primeiro ano, o delegado diz que ela deveria ter recebido 43 milhões de reais pela instalação dos pontos que ela efetivamente instalou na cidade de São Paulo. Só que a prefeitura pagou 69 milhões por esses mesmos pontos que ela diz que instalou. Ou seja, a prefeitura pagou mais de 20 milhões.

26 milhões. Para ser exato. Pagou 26 milhões a mais para uma empresa que não estava cumprindo com a totalidade do contrato para o período equivalente ali. É isso? Exatamente isso. E tem uma característica que é uma reportagem que vai ao ar ainda nessa segunda-feira.

P2, que nós visitamos alguns desses pontos de Wi-Fi que essa ONG deveria ter instalado. E o que a gente constatou? Primeiro, em muitos desses lugares há, de fato, os pontos instalados, a internet funciona muito bem e é um benefício que as pessoas elogiam, etc. Só que não se obedece uma distância mínima.

entre um ponto e outro, então numa mesma rua, uma distância de menos de 200 metros, você acha 4 ou 5 pontos instalados, quando o site da ONG diz que a distância mínima deveria ser de pelo menos 100 ou 200 metros. E outra característica que eu acho que é mais preocupante é que esses sinais de Wi-Fi, eles não têm placa de sinalização. Tem um aparelho externo que fica na porta da casa.

e alguns vizinhos desse local que a gente perguntou, você sabe que aparelho é esse? Algumas pessoas disseram, não é um chuveiro? Porque não existe uma placa de sinalização. Ou seja, os vizinhos que estão do lado, em alguns dos casos, esses pontos já são instalados há quase dois anos, completando dois anos agora, em alguns casos, e os vizinhos nunca usufruíram. Vizinhos, assim, de porta com porta, porque não existe uma sinalização, uma plaquinha dizendo, olha, aqui tem um Wi-Fi grátis, e não foi dada uma explicação.

e as pessoas têm esse benefício à sua disposição e não estão usando, o que caracteriza um desperdício de dinheiro público. Só que nem todos os endereços que constam na lista da Prefeitura têm mesmo o equipamento. Um deles é aqui na Vila Mariana.

oficialmente o número 154 da rua essa de queiroz deveria ter wi-fi gratuito mas nesse caso a numeração nem bate ela vai do 142 na esquina de lá

para o 172, nesse prédio aqui em frente. Eu quero voltar para a conexão entre o Instituto Conhecer Brasil, que é essa do Wi-Fi, do contrato que não foi cumprido totalmente, com a GoUp, que é produtora do filme Dark Horse.

O que a polícia aponta de conexão entre esses dois assuntos? O Wi-Fi e o filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro? Eles falam que é uma confusão de patrimônio em relação à Karina. Todas essas empresas funcionam no mesmo endereço. É um prédio, é um escritório de co-working, que são aqueles escritórios compartilhados, segundo os registros que estão no Ministério da Fazenda, na Junta Comercial do Estado de São Paulo. E aí a polícia...

entender o que paga o que, né? Porque você tem um contrato de 108 milhões, a prefeitura, esses 108 milhões, tá sendo usado pra bancar, por exemplo, a estrutura de produção do filme, por exemplo, uma das coisas que o Ministério Público, os promotores e a Polícia Civil quer saber. Por isso que teve o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à Karina, que são os escritórios, os apartamentos, as casas ligadas a ela, e também a secretaria que fechou esse contrato, que é a Secretaria de Inovação da Prefeitura de São Paulo.

Ou seja, a gente sabe, Rodrigo, que dinheiro não tem carimbo. Então, o que a polícia suspeita é que o dinheiro de um contrato, um dinheiro público que sai da Prefeitura de São Paulo para um contrato para instalação de Wi-Fi, que não foi nem completamente cumprido pela empresa da Carina, possa estar abastecendo o filme em homenagem ao ex-presidente Bolsonaro. É isso.

É exatamente isso que os promotores disseram e o delegado também, que está responsável pela investigação, argumentaram para a justiça que autorizou essa busca e apreensão nesses endereços. Eles querem saber principalmente o destino desses R$ 26 milhões que foram pagos a mais, teoricamente a mais, para essa ONG e que o serviço não foi exatamente prestado. Então uma das linhas de investigação é que esse dinheiro pode, isso a gente está dizendo aqui é numa hipótese porque tudo está em investigação,

pode ter abastecido, de alguma forma, a estrutura que ajudou a produzir esse filme. Mas o prefeito Ricardo Nunes também falou sobre esse assunto aqui em São Paulo. E aí sinalizou que a operação pode ser resultado de uma perseguição política.

Então um dos pontos que agora eles vão avançar, o Ministério Público e a Polícia, é justamente saber pormenorizar as movimentações de cada uma dessas principais empresas da Karina e saber o que entrou, o que não entrou, as movimentações, as notas fiscais, se isso tem ou não lastro, para que se são ilícitos ou lícitos, tudo vai ser investigado a partir de agora. Eu tive a oportunidade de conversar no começo da minha apuração com a Karina por telefone.

E eu perguntei, Karina, você não acha muito difícil para você também se defender tendo todas essas empresas funcionando no mesmo lugar? Não há uma confusão de gestão para você? E a resposta que ela me deu foi que ela precisa que todas as empresas estejam operando no mesmo lugar para que ela possa ter controle de tudo que acontece nesses contratos todos que ela administra.

Ricardo Nunes é um aliado da família Bolsonaro de primeira hora, enfim. O que o Ricardo Nunes, que é do MDB, diz sobre esse contrato e as ilegalidades apontadas pelas autoridades? Ele diz que o serviço está sendo prestado da forma como deveria ser prestada.

Até o presente momento, a prefeitura não identificou nada de errado nesse contrato, muito pelo contrário, ele atendeu a questão da vantajosidade, ele atendeu todos os critérios que a gente tem de economicidade e de prestação do serviço para atender as pessoas. E, por conta de vista da prefeitura, eu garanto para vocês que eu estou absolutamente tranquilo.

Mas não é isso que a polícia está dizendo nem o Ministério Público. Se eu faço um contrato para atender 5 mil pontos e eu não estou cumprindo esse contrato, estender o contrato, pagou 26 milhões a mais do que deveria por algo que não foi integralmente cumprido. Pois é, esse é um dos pontos que a Prefeitura vai precisar esclarecer ao longo desse inquérito. A Prefeitura de São Paulo, ela diz que fez um pente fino e não encontrou nenhuma irregularidade nesses contratos e, portanto, segue...

fazendo os pagamentos, porque os pontos de Wi-Fi continuam funcionando normalmente. Eles, inclusive, criaram um site para que a população possa acessar e saber onde estão sendo instalados esses pontos. Mas eu acho que o ponto primordial é saber por que uma ONG que não tinha expertise nesse tipo de serviço ganhou um contrato tão robusto.

que, segundo a polícia, passou de 108 milhões para 157 milhões depois de todos esses aditivos que foram assinados. Ah, o aditivo não foi só para aumento de prazo? O aditivo foi para aumentar o dinheiro também? Segundo a polícia...

civil, sim. A gente pediu esclarecimentos pra prefeitura a respeito desse valor e até esse momento que a gente tá gravando o podcast não nos foi esclarecido o motivo desse aumento de preço desse valor. Mas a polícia afirma no inquérito que o contrato de 108 milhões passou para 157 milhões. Um aumento de 45%.

O prefeito questionado sobre isso, ele falou que não dava para a Prodan fazer esse tipo de serviço, porque ele precisava de uma ONG que tivesse capilaridade na prefeitura para mapear os locais que precisava ser instalado esse Wi-Fi. Nas andanças que a gente fez pela periferia de São Paulo, a gente de fato ouviu dos moradores que em determinado momento do ano de 2024 pré-eleitoral, algumas pessoas chegavam na porta da casa dela e diziam, você quer Wi-Fi? Aí a pessoa dizia sim ou não, entendia o processo.

e eles iam lá e instalavam e tal. Como era um momento pré-eleitoral, precisava ter uma aceleração, como indicou aqui a polícia civil nesse inquérito. Então teve uma derrama, vamos dizer assim, na periferia de São Paulo, para a instalação a toque de caixa de alguns pontos, mas mesmo assim a empresa não conseguiu fazer, porque era justamente uma empresa que não tinha expertise, ela precisava terceirizar, e essas empresas que foram terceirizadas também são alvo de investigação, porque algumas delas têm inclusive ligação com pessoas que estão e vão estar com as palavras dele. E aí

Presas. Presas? Presas por quê? Uma das empresas terceirizadas que se chama Favela Conectada. É uma empresa que pertence a um empresário de nome Alex Bispo. É um contrato de 12 milhões de reais que a ONG da Karina Gama assinou no início do contrato.

Ela não tinha a expertise e contratou essa outra empresa. Isso, favela conectada desse Alex Bispo, que a partir de dezembro de 2025, agora, começou a ser investigado por feminicídio da morte da ex-companheira. As fotos da perícia mostram como ficou o banheiro. A alegação dele é que ele precisou arrombar a porta porque ela se trancou sem querer no banheiro.

Neste outro registro, Catiane já aparece novamente na garagem. Aí acontece aquela cena que é uma agressão mesmo, uma violência física contra a própria mulher. Alex empurra Catiane para o elevador e eles sobem para o apartamento. Essa é uma sequência toda que nos fez chegar àquela conclusão de que ia acontecer no feminicídio.

Outra câmera, Alex já está na garagem e corre até o corpo de Catiane. Parece tentar reanimá-la. Chegam os bombeiros. O corpo dela é coberto. Ele está preso desde fevereiro deste ano. E aí, esse caso do Alex sendo dono dessa empresa de contrato de 12 milhões com essa ONG...

foi revelado pelo site Intercept Brasil lá em dezembro. Depois que a publicação foi feita, a empresa Favelas Conectadas deixou de ser do senhor Alex, trocaram o dono, a nova dona é uma senhora que chama Tatiane, que mora no mesmo endereço do seu Alex. A gente não conseguiu contato com eles para saber que tipo de parentesco ela tem com o seu Alex, mas se é que tem algum. Mas o fato é que existe um senhor que está preso por feminicídio.

que tem um contrato milionário com essa ONG para a execução de um serviço público na cidade de São Paulo. E, Rodrigo, é bom explicar que isso não é nem a sua apuração que está dizendo, é o próprio Tribunal de Contas do município. Porque o Tribunal de Contas do município, quando foi olhar o contrato da prefeitura com a ONG da Carina, falou, opa, tem muita coisa estranha aqui. E aí o Tribunal de Contas, que faz o acompanhamento de todo o dinheiro público que uma prefeitura gasta, por exemplo,

apontou ao menos 20 irregularidades graves no edital que chamou as empresas. Então há uma suspeita, inclusive, de um edital feito sob medida para a ONG da Karina conseguir atender. Essa é uma das linhas de investigação? O direcionamento do edital é um dos itens que foi apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil nessa operação que teve autorização judicial nessa segunda-feira.

Por quê? O que acontece? A prefeitura lançou esse edital e apenas uma empresa se ofereceu para prestar esse serviço. E essa única empresa, durante 30 dias, foi o Instituto Conhecer Brasil. Então, o Ministério Público acha que pode haver um indício de favorecimento. A Prefeitura de São Paulo diz que, nesse caso do TCM, o TCM de fato apontou as 20 irregularidades e todas essas 20 irregularidades foram corrigidas antes da assinatura do contrato com o Instituto...

Conhecer Brasil e, portanto, o próprio TCM liberou para que o edital continuasse e, portanto, o contrato fosse assinado. Mas o Ministério Público quer saber, quer detalhar quais são esses 20 pontos para saber se existia de fato no mercado alguma outra empresa que tivesse know-how ou expertise para poder oferecer esse serviço. Mais barato, inclusive. Exatamente.

A Karina Gama precisa prestar muitos esclarecimentos públicos, principalmente com relação a essas ligações que as empresas dela têm, todas essas conexões. Por que ela não separa uma empresa da outra, sendo que são empresas, por exemplo, no caso do filme, é um filme de 65 milhões de reais. Você imagina que um filme de 65 milhões de reais de produção precisa de uma estrutura própria para...

para pagamentos, para contratações e etc. E a gente não sabe qual é essa estrutura que a Karina tem para atender, por exemplo, só esse contrato de 65 milhões da produtora do filme. Mas o contrato agora...

de 157 milhões do Wi-Fi na cidade de São Paulo. Uma das coisas que a minha apuração apontou é que assim, a gente encontrou durante o pente fino que a gente fez nas prestações de conta dessa ONG, muitas notas fiscais, por exemplo, emitidas da empresa pra própria empresa. É tudo muito estranho.

A prefeitura disse que já corrigiu essas notas que foram emitidas da empresa para a própria empresa, do instituto para o próprio instituto e que a Karina já devolveu esse dinheiro para os cofres públicos. Mas a gente encontrou outros casos, por exemplo, de uma empresa que chama Complexity, de um amigo da Karina, uma nota de 2 milhões de reais, que estava lá no drive em que ela apresenta as prestações de conta para a prefeitura de São Paulo. Essa nota de 2 milhões de reais.

foi emitida, horas depois da emissão ela foi cancelada. Ou seja, a partir do momento que ela é cancelada, ela perde o seu valor fiscal, ela não pode ser usada numa prestação de contas. E o dinheiro foi repassado pra essa empresa. E o mais curioso nesse caso da Complexity, é que essa mesma empresa já prestou serviços para o gabinete do Mari Frias.

Complexo Soluções Integradas LTDA. Ela foi alvo da Polícia Civil por suspeita de emitir notas fraudulentas para o Instituto Conhecer Brasil, que é esse Instituto da Carina Gama. Ao todo, foram R$ 150 mil, foram pagos de setembro de 2024 a abril de 2026. O serviço prestado é o CRM político, que seria um serviço de escritório, de otimizar.

os processos no gabinete do deputado Mário Fri. A empresa é do empresário André Feldman. Então, tem muitos pontos soltos e muitas outras notas que a gente achou de, por exemplo, uma empresa chamada J.R. Feijão do Ceará, que foi usada para justificar despesas dessa ONG no contrato de Wi-Fi, no valor, se eu não me engano, de 400, cerca de 400 mil.

E que quando a gente vai consultar essa mesma nota no site do Ministério da Fazenda, a gente descobre que essas notas também estão canceladas. Ou seja, tem um processo contábil esquisito envolvendo empresas ou instituições em nome da Carina. A Carina é dona de uma empresa que fechou um contrato de 108 milhões de reais com a prefeitura de Wi-Fi sem nunca ter instalado um ponto de Wi-Fi. E também fechou um contrato inédito.

com o filme Dark Horse de 60 e tantos milhões de reais sem ter nunca produzido nenhum filme na vida. E ela diz que o dinheiro do Dark Horse foi pago via aquele fundo que agora está sendo investigado inclusive pela Polícia Federal por receber supostamente dinheiro das empresas do Vorcaro, do Banco Master. Rodrigo, muito obrigada pelos esclarecimentos e obrigada por dividir sua apuração aqui com a gente. Muito obrigado.

Espera um pouquinho que eu já volto para falar com Guilherme Bausa. Bausa, eu quero te pedir para começar a ligar os pontos para a gente. Por que uma produtora audiovisual que antes do filme Dark Horse não tinha produzido um filme na vida foi alvo de uma operação que mira contratos de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo?

Olha, Natuza, essa produtora, a Karina Gama, se tornou alvo da polícia civil porque ela é a representante, ela é a dona de algumas entidades barra empresas que receberam recursos públicos e privados para uma série de produções, de iniciativas, de projetos, etc. Então, ela está à frente da produtora Go Up, que foi a produtora, é a produtora responsável pelo filme Dark Horse, que conta a trajetória, um pedaço da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ela também está à frente do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu emendas parlamentares de deputados federais, de deputados estaduais, e que também tem esse contrato de mais de 100 milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi-Fi. E também ela está à frente de uma outra entidade chamada Academia Nacional de Cultura.

também dedicada a projetos culturais. E todas essas entidades receberam recursos, no caso, o ICB, o Instituto Conhecer Brasil, e a Academia Nacional de Cultura receberam dinheiro público, seja de emendas parlamentares ou contratos, como esse contrato com a Prefeitura de São Paulo, e a GoUp... Uéééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééééé

recebeu dinheiro de investidores, entre eles o Daniel Vorcaro, para produzir o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Então, a Karina Gama é uma peça central porque ela está à frente de todo esse ecossistema de entidades, de entidades barra empresas. E o que os investigadores querem saber, isso está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo, mas também tem uma apuração preliminar no Supremo.

tem investigação no âmbito ali do Banco Máster, o que todo mundo quer saber é se houve transferência de recursos entre essas diversas empresas. Então, às vezes, uma empresa que recebeu um recurso de emenda, uma entidade que recebeu um recurso de uma emenda parlamentar, se transferiu para essa outra entidade, para a produtora GoUp. Então, isso é que vai ser objeto de investigação daqui para frente. E outro ponto interessante é que essas empresas todas funcionam no mesmo escritório na região da Avenida Paulista.

Quem era a Karina Gama antes de tudo isso, Bausa? Ela sempre foi uma empresária bem-sucedida? Qual é a história dela? Você a entrevistou dias atrás para entender melhor como é que ela cruzava o destino, seja da família Bolsonaro por meio do filme Dark Horse, seja nos contatos que ela tem com o deputado Mário Frias, de quem ela é apontada como sendo muito próxima.

Olha só, a Karina Gama tem 46 anos, ela é do bairro da Brasilândia, um bairro da periferia na Zona Norte de São Paulo, e ela, desde jovem, atuava em igrejas evangélicas. Ela é evangélica e fazia atividades culturais, de produção cultural, audiovisual, etc., para denominações evangélicas. Por meio dessas igrejas, ela conheceu pessoas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, pessoas que, inclusive, estão envolvidas em outros projetos, como, por exemplo, o Dark Horse.

Quando chegou o governo Bolsonaro, ali em 2019, ela manteve um contato com o Osmar Terra, que era o ministro, na época era o ministro da cidadania, e era a pasta responsável pela cultura naquele momento. Porque o Bolsonaro acabou com o Ministério da Cultura, virou uma secretaria especial dentro do Ministério da Cidadania, e o ministro era justamente o Osmar Terra.

Ela conta que conheceu o Osmar Terra nessa época, ali no começo do governo de Jair Bolsonaro, e numa reunião eles estavam discutindo alternativas ali, a Lei Rouanet, enfim, questionando pontos da Lei Rouanet, e o Osmar Terra deu a ideia para ela criar essa entidade, chamada Academia Nacional de Cultura, para projetos que não dependeriam de recursos da Lei Rouanet.

O dinheiro entra num lugar e vai para outro. Tudo isso porque essa produtora, de fato, a Go Up Entertainment, que nunca tinha feito um filme, que não tinha autorização para inclusive veicular o filme sobre Jair Bolsonaro, tem outros braços, outras teias. Há exemplos do que acontece com o Daniel Vorcaro no mundo financeiro. Aliás, muito mais, né, Daniel Vorcaro. Mas ela também tem uma teia de negócios que passa por Wi-Fi e cinema.

Essa investigação é pra saber se o bolsonarismo trocou a Lei Rouanet pela Lei Rouba-Ae, ou seja, se o filme foi financiado com dinheiro desviado de contratos públicos. É disso que se trata.

Posteriormente, já no contexto de pandemia, ela teve um encontro com o então secretário especial de cultura, Mário Frias, que entrou para essa vaga, ele era o titular da cultura no governo Bolsonaro. Ela participou de uma reunião junto com outros produtores, outros artistas, para discutir medidas para socorrer artistas que estavam impactados por causa da pandemia.

E ela conta que nessa reunião, contou os projetos que ela participou, ela falou que tinha contatos no exterior, e o Mário Frias contou a ideia que ele tinha de fazer um filme sobre a história de Jair Bolsonaro. E é ali que a ideia nasceu, desse encontro dela com o Mário Frias. Ela falou que tinha acesso ao Jim Caviezel.

que interpreta Bolsonaro no Dark Horse, e ali a ideia começou a ganhar atração. Depois disso, entrou Eduardo Bolsonaro, alguns anos depois, à frente do filme, e em 2024 foi quando entra o Flávio Bolsonaro com a missão de captar recursos para esse filme, e aí ele faz o contato com o Daniel Vorkari.

Sobre o Dark Horse, há uma baita interrogação em relação a como o filme foi financiado. Porque não se tem o contrato, se sabe apenas que foram transferidos 60 e poucos milhões, mas a gente não sabe.

se o dinheiro efetivamente foi para o filme ou não. Isso não está claro. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência, também comentou essa operação da Polícia Civil de São Paulo contra a ONG, que pertence à mesma produtora sobre o filme do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro ressaltou que a operação não tem relação com esse filme.

São duas coisas distintas. O que eu estou sabendo que foi o que a Prefeitura de São Paulo anunciou é que é um contrato antigo de uma prestação de serviço de internet que não tem absolutamente nada a ver com o filme. Eu só não quero crer que a gente está sendo vítima, mais uma vez, de uma pescaria probatória, de uma perseguição. Na conversa que você teve com a Karina, ela afirmou que o Daniel Vorcaro intermediou mais de 90% dos recursos do filme.

Mas os investigadores já apuraram que a produtora também trabalha com emendas parlamentares, federais e municipais, como você mesmo levantou aqui. Até onde uma investigação, na sua avaliação, Balsa, sobre a GoApp pode avançar? Eu acho que tem um ponto...

importante dessa conversa que nós tivemos quando ela diz que o Vorcaro foi responsável por 90% dos recursos. Ela diz o seguinte, que até a prisão do Vorcaro, no final de 2025, a única pessoa que estava intermediando, ela diz intermediando, mas o próprio Flávio fala investindo recursos. O Vorcaro era a única pessoa que estava colocando dinheiro no Dark Horse. A partir do momento que ele é preso, aí eles buscam outros investidores.

Ela conta que são 10 investidores ao todo, ela diz que não pode revelar quem são porque há um contrato de confidencialidade, mas ela diz que o orçamento do filme está em torno de 13 milhões de dólares. O próprio Flávio já falou que o Vorcaro colocou 12 milhões de dólares no filme, pouco mais de 60 milhões de reais. Então isso dá para dizer que 90% do filme foi bancado pelo Vorcaro. É uma informação que a gente pode ter duas interpretações.

A primeira delas, há um avanço ali em relação ao que já tinha sido dito, porque até então a aversão é que o Vorcaro era apenas mais um investidor. Essa informação mostra que o filme só existiria por causa do Vorcaro. Por outro lado, há uma outra linha de investigação que seria pior para eles, que agravaria a situação.

que esse dinheiro ter sido usado para outro fim. O dinheiro que o Vorcaro colocou no filme poderia ter sido utilizado para sustentar a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior, no momento em que ele fazia gestões junto ao governo americano para que o governo americano fizesse o tarifácio contra o governo brasileiro, contra o Brasil, impusesse aquelas tarifas todas.

O Eduardo Bolsonaro está sendo investigado no inquérito por coação no curso do processo, porque esse tarifácio teria como objetivo pressionar o Supremo para o Supremo absolver Jair Bolsonaro. O Eduardo chegou a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República e houve um pedido nos últimos dias endereçado.

tanto ao ministro Alexandre de Moraes quanto à Polícia Federal. Um, não, vários pedidos, entre eles um pedido do deputado federal Lindbergh Farias do PT, para que as investigações do Dark Horse sejam tocadas nesse inquérito do Eduardo Bolsonaro, de coação no curso do processo.

o Alexandre de Moraes está analisando ainda esse pedido e a Polícia Federal também. E aí são três possibilidades. Uma, entrar para esse inquérito da coação, cujo relator é o Alexandre de Moraes, ou ele continuar no inquérito do Master, cujo relator é o André Mendonça, ou...

abriu um novo inquérito e aí seria sorteado um novo relator. É nesse pé que a gente está dessa investigação. Agora, tem um ponto que é interessante a gente observar. A Karina Gama disse que todo o dinheiro que chegou até a produtora dela passou pelo fundo Heavengate, um fundo sediado no Texas, cujo administrador é o advogado Paulo Calixto, um aliado. Ele é advogado de Eduardo Bolsonaro e um aliado também, um amigo pessoal do Eduardo Bolsonaro. Então, ela disse que o dinheiro...

Saiu do fundo Heavengate, foi para a produtora Go Up nos Estados Unidos, porque tem um braço americano da Go Up, tem um sócio que atua nos Estados Unidos, o sócio da Karina Gama, e da produtora do braço americano, veio para Go Up Brasil para pagar o filme aqui no Brasil. O filme inteiro foi rodado no Brasil, não teve nenhuma cena gravada nos Estados Unidos. Então o caminho do dinheiro é...

sai do Vorcaro, pia aquele fundo chamado Entre Investimentos e Participações, vai para o Heavengate, do Heavengate vai para a Go Up americana, da Go Up americana vai para a Go Up brasileira. A Polícia Federal suspeita muito desse caminho do dinheiro. Eles estão convencidos de que esse dinheiro muito provavelmente não foi só para o filme. E eles querem avançar nessas investigações. Para conseguir avançar nessas investigações, tem a necessidade de haver cooperação com as autoridades americanas.

Para ter acesso às movimentações dentro do fundo Heavengate, sem cooperação dos Estados Unidos, é impossível avançar. Há um acordo já de cooperação que permite a troca de informações. Então, se aqui no Brasil houver alguma decisão judicial quebrando o sigilo do fundo Heavengate...

Os americanos, nesse acordo de cooperação, eles têm que repassar as informações para o Brasil. E muitas vezes não precisa nem ter decisão judicial nos Estados Unidos. Basta a atuação do equivalente ao Ministério Público lá para que essas informações sejam compartilhadas. O que eu ouvi na Polícia Federal é que, normalmente, quebra de sigilo, troca de informações, não tem blindagem política.

É algo mais corriqueiro, algo ali do dia a dia. Essas informações são trocadas sem grande dificuldade. Mas no Ministério da Justiça eu já ouvi, quando os temas sobem para a ala política, digamos assim, do governo americano, para o Departamento de Estado, aí a coisa pode complicar.

pode ter algum tipo de embaraço, demora em compartilhar as informações. Então, há uma certa preocupação com isso. Há ainda muita confiança de que, se a investigação avançar, essa cooperação vai existir. Mas é importante a gente lembrar que tanto o Flávio Bolsonaro quanto o Eduardo Bolsonaro têm acesso a figuras do Departamento de Estado. Isso ficou evidente agora com a decisão de classificar as facções brasileiras como terroristas. Então, tem todo esse componente envolvido. Além disso, Natuza...

tem a questão das emendas parlamentares, porque a Carina Gama recebeu quase 5 milhões de reais em emendas parlamentares, 2 milhões emendas do Mário Frias e os outros 3 milhões de outros deputados do PL, 5 milhões só de emendas de deputados federais. Então, Bia Kicis, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Marcos Polon.

colocaram emendas nas empresas, nas entidades da Carina Gama, além do Mário Frias. O Mário Frias, inclusive, uma informação que é muito importante, uma empresa, uma outra empresa da Carina Gama, prestou serviços, foi contratada pelo Mário Frias na campanha de 2022. E depois, em 2023, 2024, ele empenha R$ 2 milhões em emendas para ela.

Então pode haver ali algum conflito de interesses, isso também vai ser investigado. Essa investigação das emendas, por enquanto, é uma apuração preliminar conduzida no gabinete do ministro Flávio Dino, não é ainda uma investigação, não é um inquérito da Polícia Federal, então ele está na fase de pegar informações com a Controladoria Geral da União, com o Tribunal de Contas da União, para entender o que aconteceu com essas emendas.

Então, isso, posteriormente, a tendência é que vire um inquérito policial, tocado pela Polícia Federal, tanto é que o ministro Flávio Dino colocou isso em sigilo. E o que chamou a atenção do gabinete do Dino para essa história foi que eles não conseguiram encontrar Mário Frias.

Para eles, o Mário Frias fugiu quando ele tentou ser notificado pela Câmara para prestar esclarecimento. Mais uma vez, um oficial de justiça não conseguiu intimar Mário Frias. Desde março, o deputado é procurado para se manifestar sobre a destinação de emendas para a produtora do filme Dac.

Hors, acionou o STF para poder pedir essa investigação sobre a destinação de emendas parlamentares para uma produtora, inclusive a produtora Karina, que é responsável por esse filme que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O repasse, segundo ali, está sendo apurado, seria de R$ 2 milhões em emendas parlamentares por Mário Frias, que é o produtor executivo do filme.

Eles tentaram falar com o Mário Frias várias vezes na Câmara, um oficial de justiça foi lá, endereços que foram apontados pela Câmara dos Deputados, contatos telefônicos e não tiveram sucesso. E isso deixou todo mundo ali com a pulga atrás da orelha, então agora a tendência é que essa seja uma outra frente de investigação e aí a gente está falando de recurso público, recurso de emenda parlamentar.

E uma outra possibilidade é, via essa investigação da Polícia Civil, de se chegar, pelo menos, a alguma pista da atuação da Go Up da Karina Gama. Pode ser que haja alguma luz para os investigadores, até mesmo da Polícia Federal. Lembrando que uma coisa é a investigação da Polícia Civil, que fica subordinada ao Estado de São Paulo, e outra coisa é a Polícia Federal, que aí é a União.

Não tem nada a ver com a investigação sobre o qual a gente abriu este episódio. Bausa, te agradeço muito pela disposição de explicar para a gente esses meandros todos. Bom trabalho para você. Natuza, eu que te agradeço. É sempre um prazer imenso estar aqui no assunto. Grande abraço, grande beijo.

Este foi o Assunto Podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelã, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo assunto.