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Fim da escala 6x1: o acordo político e o futuro da proposta

01 de junho de 202632min
0:00 / 32:37
Convidada: Ana Flor, comentarista da GloboNews e colunista do g1. Na noite da última quarta-feira (27), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição que altera a escala de trabalho padrão de 6 dias trabalhados por 1 de folga para 5 por 2 e reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas. Construído a partir de uma PEC apresentada em 2019 e resultado de um acordo costurado entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, o texto foi aprovado por ampla maioria e, agora, vai ao Senado Federal – onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, irá pautar nova análise da matéria. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a jornalista Ana Flor, que acompanhou de perto os bastidores da construção do consenso em torno da aprovação da PEC. Ana Flor relata também o que ouviu de economistas e setores organizados da sociedade sobre os pontos positivos e negativos da proposta.
Participantes neste episódio9
N

Natuza Nery

HostJornalista
A

Ana Flor

ConvidadoComentarista da GloboNews
D

Davi Alcolumbre

ConvidadoSenador
E

Erika Hilton

ConvidadoDeputada
H

Hugo Motta

ConvidadoPresidente da Câmara dos Deputados
L

Lula

ConvidadoPresidente
N

Nicolas Ferreira

ConvidadoDeputado
R

Rogério Marinho

ConvidadoLíder da oposição no Senado
S

Sostenes Cavalcante

ConvidadoDeputado
Assuntos3
  • Fim da escala 6x1Proposta de Emenda à Constituição (PEC) · Acordo político entre governo e Congresso · Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas · Escala 5x2 (cinco dias trabalhados, dois de folga) · Regra de transição de 14 meses · Escala 12x36 · Impacto econômico e nos preços · Produtividade dos trabalhadores · Apelo social e eleitoral da proposta · Oposição e estratégia política · PEC do horário flexível
  • Senado FederalDavi Alcolumbre e a pauta da PEC · Interesse eleitoral na aprovação da PEC · Comparação com a rejeição de Jorge Messias ao STF · PEC alternativa apresentada por Rogério Marinho
  • O Argumento de Ludmila Grillo e o Contra-argumentoArgumentos a favor: decisão humanitária, transformação trabalhista, atração de trabalhadores, apelo popular · Argumentos contra: custo adicional, adaptação difícil para pequenos negócios, impacto em preços e emprego · Levantamento da FGV-Ibre sobre produtividade · Levantamento da FGV sobre empresas com escala 5x2
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A gente liga 99,8% do Brasil. Liga histórias, liga momentos, liga vida. Distribuidoras de energia. A gente liga o Brasil.

A proposta de emenda à Constituição, que hoje muda a escala de trabalho, foi apresentada lá atrás, ainda em 2019. Na época, o texto do deputado Reginaldo Lopes, do PT, parou na Comissão de Constituição e Justiça. Mas nas redes sociais, o fim da escala 6x1 não saiu da pauta. Um vídeo publicado pelo então balconista de farmácia Henrique Azevedo, hoje vereador pelo Rio de Janeiro, viralizou.

Gente, eu estou aqui revoltado com essa escala 6 por 1. Eu fico pensando, eu que não tenho filho, que não tenho nada, sou sozinho, não dá para fazer as coisas. Imagina quem tem filho, tem marido, tem casa para cuidar. No começo de 2025, uma outra PEC, ou seja, uma outra proposta de emenda à Constituição, foi apresentada na Câmara.

A proposta da deputada do PSOL, Erika Hilton, era mais ambiciosa. Reduzir a escala de trabalho de seis dias e mais um de folga para quatro dias de trabalho e três dias de folga. Aos poucos, o governo passou a abraçar a pauta. Em ano eleitoral, tornou-se prioridade no Palácio do Planalto. O presidente da Câmara, Hugo Mota, falou sobre o projeto do fim da escala 6x1. Ele disse que chegou num acordo com o presidente Lula sobre a regra de transição.

E eles deram esse anúncio, um anúncio que foi, na verdade, combinado, um texto combinado com o governo federal. Esse consenso entre executivo e legislativo buscou uma versão intermediária. Então a proposta lá de 2019 foi resgatada. Sob relatoria do deputado Léo Prates, do Republicanos da Bahia, alguns pontos foram alterados e o texto seguiu seu curso.

A comissão especial aqui da Câmara que discute a redução da jornada de trabalho acabou de aprovar o parecer do relator deputado Léo Prats, prevendo a redução de 44 para 40 horas semanais da jornada em um período de transição de até 14 meses. No plenário da Câmara, o espírito foi o mesmo. O texto passou em dois turnos, com votações aceleradas e por uma ampla maioria.

Abriu o placar 472 votos sim, 22 votos não, total 494 votos. A PEC está aprovada em primeiro turno. No segundo turno foram 461 votos favoráveis contra apenas 19.

A proposta segue agora para o Senado e pode sofrer alterações e até devolvê-la para a Câmara. Seu conteúdo prevê escala 5x2, jornada de 40 horas semanais e 14 meses de transição para o novo modelo.

detalhes da regulamentação virão em um projeto complementar, um projeto que já foi enviado em regime de urgência pelo governo federal. Aí nós teremos o detalhamento sobre algumas categorias específicas, que não podem se encaixar, por exemplo, em uma regra de oito horas por dia. Um ponto importante é sobre a escala 12 por 36, que hoje é muito utilizada por vigilantes, por profissionais que trabalham em hospitais, enfim, por várias categorias. Esta escala não sofre nenhuma alteração.

Para ser aprovado, o texto da PEC precisa do apoio de no mínimo 49 senadores. Gumota comunicou a Davi Alcolumbre sobre o andamento da PEC na Câmara. Já o presidente do Senado demonstrou a Aliados que vai dar o rito normal ao texto da PEC, sem acelerar nem atrasar a matéria na casa.

Da redação do G1, eu sou Natuza Neri e o assunto hoje é O fim da escala 6x1, o acordo político e o futuro da proposta. Neste episódio, eu converso com Ana Flor, comentarista da Globo News e colunista do G1. Segunda-feira, 1º de junho.

Ana, antes da gente entrar mais a fundo na proposta de emenda à Constituição que estabelece o fim da escala 6x1, eu queria entender contigo como é que foi a costura que viabilizou a aprovação na noite de quarta-feira pela Câmara dos Deputados.

Olha, Natuza, houve uma costura, claro que começou de uma vontade do governo de ter um ativo eleitoral e que, a partir disso, começou a trazer para o Congresso uma discussão que já existia. Um texto lá de 2019 era um antigo desejo de alguns grupos dentro do Congresso e de boa parte da sociedade.

Mas o calendário eleitoral fez com que o governo abraçasse essa proposta e isso também se espalhou entre outras lideranças do Congresso. Então, é importante dizer o quanto o governo conseguiu conquistar para sua trincheira o presidente da Câmara, também por razões eleitorais.

E aí se deu uma costura que tornou inevitável a aprovação desse texto. Pelo fato de ele ter um apelo social importantíssimo, isso se traduz também em apelo eleitoral e de voto.

inclusive a oposição votando a favor, oposição que lutou contra esse texto em vários momentos e aí no final acabou votando a favor porque iria ter uma perda também eleitoral muito grande por conta disso. E aí a gente tem toda a discussão sobre o Senado, onde também tem uma discussão que vai perpassar pelo calendário eleitoral.

A oposição, inclusive alguns políticos do bolsonarismo, fizeram muitas falas em redes sociais. O embate foi muito forte durante a sessão que aprovou o fim da escala 6x1. E um discurso em particular chamou muita atenção e viralizou demais, que foi o discurso do deputado Nicolas Ferreira.

Quer jogar o jogo? Eu sei jogar o jogo também. A narrativa vai cair. Vamos falar o que agora? Que a gente votou ao contrário? A gente é contra o trabalhador? Não. Mas sabe o que eu vou falar? E vou falar assim, exaustivamente, sabe o que é? Quando tiver demissão em massa, quando aumentar o preço dos produtos, quando o empreendedor não conseguir mais e vai ter que demitir a pessoa pra contratar outro, aí meus amigos, esse dia vai ser maravilhoso porque vocês queriam colocar algo e vai ter que ver.

e fugir da consequência. Ana, eu queria entender com você os argumentos a favor da PEC e, na sequência, os argumentos contrários à PEC. Depois a gente fala como os políticos se posicionaram em torno dessas ideias.

Bom, o que se fala a favor dessa PEC? O fato de que é uma decisão humanitária, a aprovação dela se ocorrer no Senado e acontecer a promulgação quando passar a valer, vai ser provavelmente a maior transformação trabalhista dos últimos tempos, porque realmente tira muitos trabalhadores...

brasileiros de trabalhar seis dias para ter um dia de descanso, para trabalhar cinco dias e ter dois dias de descanso. Isso é uma transformação enorme na vida das pessoas e isso, segundo especialistas, pode inclusive ajudar na produtividade. Além disso, há um argumento muito interessante que não aparece num primeiro momento. Eu vi hoje de um empresário no ramo de farmácias que já implementou no ano passado a escala 5x2.

que é o fato de que agora se consegue atrair mais trabalhadores, porque a escala 6x1 muitas vezes faz com que os jovens não queiram a carteira assinada e prefiram a informalidade. O processo da própria pandemia acelerou isso, a vontade de ter mais tempo e então ficar na informalidade.

algumas, alguns setores têm dificuldade de atrair esses trabalhadores e aí a 5x2 ajuda nesse recrutamento. Acho que tem um outro fator que é o amplo apelo popular, né? Tem um outro fator que é o amplo apelo popular. A própria pesquisa Datafolha recente, desse mês de maio, trouxe que 7 em cada 10 brasileiros.

apoiam essa mudança, o fim da escala 6x1. Então isso traduz em uma vontade da sociedade de ter mais tempo, de ter um trabalho que a gente pode falar, mais digno inclusive. São fatores que trazem uma pressão política também.

Então todos esses fatores são os fatores a favor dessa mudança importantíssima para a vida dos trabalhadores. Quais são as críticas levantadas por setores da economia, empresários, especialmente pequenos empresários, algumas confederações que representam esses grupos, né? Que há um custo adicional, sem dúvida, né? Custos de contratação, porque vai precisar, especialmente alguns setores mais intensivos, serviços, segurança, precisam mesmo.

O próprio comércio é de mais funcionários para poderem atender o cliente. Isso vai trazer custos adicionais. Há uma adaptação mais difícil para os pequenos negócios, que tem menos empregados, e que isso tudo pode levar a um impacto em preços e no próprio...

Emprego, porque essa emenda constitucional, essa mudança, significa que as pessoas não terão diminuição de salário. Isso é uma das premissas. Diminui um dia trabalhado e não terão redução de salário.

Segundo a CNC, que é a Confederação Nacional do Comércio, 93% dos trabalhadores do varejo e 92% dos trabalhadores do atacado trabalham mais de 40 horas semanais. Isso obriga as empresas a contratar mais pessoas, reorganizar horários ou pagar mais. E nada disso pode reduzir o salário. Então, o custo...

aumenta para aquela empresa. A CNC usou o modelo econômico e concluiu, cada 1% a mais no custo salarial é igual 0,6% de aumento nos preços. Se a folha sobe 21%, então os preços podem subir 13% no consumidor. Mas o próprio estudo admite que as famílias não têm renda para pagar um aumento desse tamanho. Então o comércio pode tentar...

tentar segurar os preços, mas as vendas podem cair. Então há, sim, esse impacto que se fala nos empregos, que poderia haver nos empregos e nos preços que as pessoas pagam por produtos e serviços. São os dois lados dessa discussão que alguns setores dizem que foram pouco discutidos. Para o presidente da CNI, é importante debater os efeitos da proposta sobre a economia.

Existem peculiaridades em cada atividade. Peculiaridades no porte das empresas, nas atividades, em empresas de serviços, em setores industriais, faz parte da cadeia produtiva. Isso tudo existe, essas peculiaridades que efetivamente impactam. Nós temos estudos de que esse custo vai ter um impacto sobre o PIC, vai ter um impacto sobre os preços, que seja de cesta básica. Nós temos um país com uma preocupante informalidade.

A Câmara fala que houve uma ampla discussão a respeito disso. Sem dúvida houve uma discussão, andou mais rápido por conta do calendário eleitoral, mas teve essa discussão sim e há um processo praticamente inevitável social empurrando para essas mudanças.

Tem muita discussão, Ana, sobre produtividade em torno dessa PEC. Um levantamento, por exemplo, da FGV-Ibre aponta que a produtividade média dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros cresceu somente 0,6% desde 1981. Na última década, esse patamar foi ainda pior, 0,1%. Isso por ano, ao ano.

A conclusão desse estudo é que, nesse cenário, a redução de horas trabalhadas teria um impacto negativo na economia. Outro levantamento, com dados da FGV, mostra o seguinte, que 72% das empresas que adotaram a escala 5x2 no Brasil registraram ganho de produtividade e até aumento de receita.

Você conversa com muita gente, você conversa com líderes políticos, você conversa com empresários, você conversa com formadores de opinião. Que cenários eles têm apontado? Em primeiro lugar é esse diagnóstico que o Brasil tem uma das maiores cargas de horas trabalhadas, né, de países parecidos, né, em desenvolvimento e mesmo em comparação com países desenvolvidos.

e ao mesmo tempo tem uma baixíssima produtividade. A nossa produtividade está estagnada desde os anos 80 e caindo, inclusive, desde a pandemia. Então, defender a escala 6x1 pelo viés da produtividade é difícil. Pedro Fernando Nery, professor de Economia do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa.

O que a gente sabe da experiência internacional é que mudanças desse tipo, de redução da jornada semanal, não tem nenhum efeito relevante tanto para aumento de emprego quanto para redução de emprego. Em geral, ela é neutra. O que não quer dizer que não tenha setores que sofram, porque o efeito pode ser heterogêneo. Pode ser heterogêneo dentro de um próprio setor. A gente pode imaginar o setor de hotelaria ou bares e restaurantes.

mais pessoas estão de folga e podem ir consumir e gastar seu dinheiro nesses lugares. Por outro lado, esses setores empregam muitas pessoas na escala 6x1, então ele é afetado nas duas pontas. Se uma escala 5x2 trará mais produtividade, é algo que a gente vai ter que ver no caso brasileiro. Em outros países, aumentou sim produtividade.

que este ainda é um nó no Brasil, como melhorar a produtividade. Mas dar mais descanso aos trabalhadores é um argumento que também está sendo usado para aumentar a produtividade de muita gente. Quem já implementou a 5x2 fala que este é um processo que tem que ser avaliado num período muito mais longo, mas que há benefícios já visíveis até de atratividade para os postos de trabalho.

Nos últimos três meses de implantação dessa jornada reduzida, a gente conseguiu perceber que as pessoas estão mais dispostas para o trabalho durante o período em que elas estão efetivamente trabalhando, os resultados têm melhorado, a disposição das pessoas têm melhorado e os feedbacks que eu recebo deles é de que hoje eles conseguem fazer coisas que antes não eram possíveis dentro da jornada tradicional. Resumindo, não é quanto mais você trabalha...

mais produtivo você é. Adicionalmente, o que a gente vê hoje no mercado é pessoas com burnout, com questões psicológicas por conta de pressão. E isso fez a gente começar a repensar como é que a gente poderia entregar uma qualidade de vida melhor para as pessoas e, obviamente, obter um retorno disso daí dentro do cenário de produtividade.

Eu quero olhar bastante para o futuro dessa proposta de emenda à Constituição, que é o Senado. Mas antes, queria tentar entender contigo quem tende a se beneficiar mais. Eu te pergunto porque na última hora ali do jogo...

A oposição que estava contra, você inclusive diz isso, que muitos parlamentares bolsonaristas, alguns com muitos seguidores, como o deputado Nicolas Ferreira, se colocaram contra a proposta, mas aí, horas antes da votação, um dia antes da votação, eles começaram a entender que seria muito difícil impedir a aprovação. E aí eles mudaram de estratégia.

passaram a dizer que eram não só a favor da escala menor, mas que iriam além, que ao invés da 5x2, eles defenderiam a 4x3, o que não era fato, era só uma estratégia para fazer com que o governo se mantivesse na defesa da escala 5x2.

E em tese, a oposição, os bolsonaristas, liderados ali pelos parlamentares bolsonaristas, defenderiam até uma proposta mais ousada. Eu queria saber se essa estratégia do se for cair e deita da oposição funcionou.

E quem tende a se beneficiar com isso? São todos os parlamentares que votaram a favor? É o governo? É o próprio presidente da Câmara que você citou? Alguém que já foi muito criticado por pautas muito impopulares, como a tal da PEC da blindagem, que blindava políticos com mandato que fossem alvo de algum tipo de acusação e por aí vai. Ele se agarrou à pauta do fim da 6x1 como uma tentativa de ter um trufo político também.

A discussão sobre como fazer essa redução, se ia ser 4 por 3, 5 por 2, me lembrou muito alguns outros capítulos que o Congresso já passou. Por exemplo, a decisão sobre auxílio emergencial lá na pandemia era R$ 200, ia ser R$ 400, acabou sendo R$ 600. Também a própria proposta da isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil. Então, um lado que é contrário e vê um movimento...

que é impossível conter, acaba tendo que aderir. Foi o que a oposição fez. Fez essa estratégia de propor algo ainda mais ousado. A oposição faz isso para ter um trunfo eleitoral. Quer dizer, alguém vai poder dizer que, olha, o governo aprovou a 5x2, do fim da 6x1, mas a gente queria algo melhor ainda para o trabalhador. Bom, a tentativa de não perder tanto.

que até o pré-candidato de PL, o principal pré-candidato da oposição ao governo, Flávio Bolsonaro, criticou muito a proposta do fim do 6x1 em evento com prefeitos, que tem de ganha-ganha dentro do Congresso.

O governo ganha, essa pauta foi puxada especialmente por Lula. Há motivação eleitoral, mas é uma forma do governo também se voltar para as suas raízes trabalhistas. Então é uma pauta muito forte, tem um impacto eleitoral sim. E também o presidente da Câmara ganha porque fez parte dessa negociação com até questões lá na Paraíba, no seu estado, que o seu pai vai concorrer ao Senado, enfim.

mas ganha um discurso também para os seus eleitores. O Congresso como um todo vai ganhar, se aprovar, porque isso não passa por sanção presidencial, é uma promulgação. Como é uma emenda constitucional, é promulgada no Congresso. Então o próprio Congresso vai poder fazer um evento e promulgar e dizer que eles estão tomando essa decisão. Para o governo...

o ganho já está bastante claro e agora o Congresso também quer capitalizar com essa medida. Por isso que lá no Senado vai ser uma discussão forte, a oposição quer trazer a discussão dessas críticas, uma mudança tão rápida para o fim das 6x1, mas tende a passar em um mês. Inclusive, conversamos já na Globo News, na Tuza, sobre...

é o fato de que Hugo Mota negociou diretamente com Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, para que acertassem esse prazo e que fosse aprovado antes da eleição. Espera um pouquinho que eu já volto para falar com a Ana Flor.

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Ana Flor, a impressão que eu tenho é que a discussão, essa votação, deu um nó na cabeça das pessoas, né, que acompanhavam a sessão. Mas acho que também deu um nó na cabeça dos parlamentares, porque eu vi, por exemplo, o deputado Sostenes Cavalcante meio que desafiando a deputada Érica Hilton, dizendo, olha, nós temos uma proposta mais avançada que a sua, que era de 4 por 3, que você já explicou que não era uma proposta para valer.

trabalhador brasileiro trabalhe quatro dias e tenha três dias pro seu descanso com a sua família, pro lazer, pro esporte, pra fazer uma atividade familiar. Se a esquerda fosse de verdade defensora do trabalhador, eles hoje votariam conosco do PL, da direita, a redução da jornada para quatro dias trabalhados.

Três dias de descanso. Hoje é uma noite histórica para a classe trabalhadora brasileira. Muitos tentaram impedir com que essa matéria fosse avançada. Propuseram PECs, propuseram destaques que atrasassem o processo. Mentiram ao povo brasileiro querendo defender a retomada da nossa proposta.

Então, a impressão que eu tenho é de que houve um nó nos discursos e na percepção das pessoas nos seus líderes políticos. A oposição ao fim da escala 6x1, que se combina muito com a oposição ao governo Lula, foi atropelada nessa discussão, porque vinha tentando postergar. Se a gente lembrar, até alguns meses, muita gente acreditava que neste ano não andaria essa discussão.

Ela andou, mais uma vez, por conta do próprio processo, pelo apelo eleitoral que ela tem. Mas a oposição, atropelada, precisou correr atrás. Então faz uma proposta que é ainda mais difícil de se implementar, que é 4x3, que Sostens Cavalcante, uma das lideranças importantes do PLN na Câmara, trouxe e ficou num embate com Erika Hilton, deputada.

que realmente tocou em frente o fim das 6x1, as 5x2, e também essa frase de Nicolas, que sempre se expressa muito bem, especialmente em redes sociais, e agora vai ter que lidar com esse recorte bastante complicado para ele. Mas era uma forma também de prestar contas a setores que os apoiam ou para quem eles defendiam dentro do Congresso uma discussão.

mais ampla, maior, ou uma transição, se falava em transição de 10 anos, o que era, na prática, deixar para depois algo que a gente está vendo aí, que é inevitável mundo afora, reduzir jornada de trabalho que a Câmara acabou aprovando.

Então, eu resumo isso dizendo, a oposição foi atropelada, precisou correr atrás e aí acabou votando a favor, porque não podia ter essa perda eleitoral tão grande. Bom, você fala da próxima batalha em torno da 6x1, que é o Senado Federal.

E aí, o que muitos líderes políticos do Senado dizem é que Davi Alcolumbre, presidente do Senado, vai acabar colocando em pauta e permitindo a aprovação. Eu digo permitindo porque as coisas em Brasília são feitas de tal forma que se o presidente de uma casa, no caso Davi Alcolumbre, não quiser que uma proposta seja votada, ele tem muitos meios de evitar que isso chegue até o plenário.

A minha pergunta para você é qual vai ser a conduta de Davi Alcolumbre? Todo mundo está dizendo que ele vai pautar e que não vai demorar para fazer isso. Mas todo mundo dizia que a aprovação do Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal aconteceria no Senado com Davi Alcolumbre permitindo isso. E no final das contas, Messias foi recusado. Eu sei que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, mas eu queria te perguntar...

se há alguma chance de estar todo mundo enxergando que Davi Ocolumbre vai pautar e passar esse texto que saiu da Câmara, ou se a gente pode ter alguma surpresa ali no meio do caminho e, no fim das contas, ele embarrerá a PEC.

Eu acho que o ganho eleitoral político é bastante diferente e estimula, claro, Davi Alcolumbre a tocar para frente essa pauta. Até porque, sem dúvida, quando um presidente de uma casa não quer, os assuntos, os temas não andam.

Esse tema mesmo era lá de 2019, depois em 2023 se movimentou um pouco e ficou parado. Agora em fevereiro de 2026 que voltou a andar mais uma vez por empurrão eleitoral. Então, a columbre é essencial para que esse tema ande, entre em vigor, porque sem o Senado aprovar não tem promulgação.

Por isso que eu digo que o governo não quis conversar com a Columbre e quem fez essa negociação foi o presidente da Câmara. O presidente da Câmara não queria se expor a travar uma discussão dessas na sua casa legislativa.

sem ter o ok do presidente do Senado. Então, é por isso que os dois se conversaram. Já houve, no passado, bem recente, eventos e votações em que o Senado deixou a Câmara na mão. Não parece ser o caso dessa vez, porque o Columbre tem interesse em entregar aliados, é um discurso positivo, né? E acho que tem um ponto aqui também, já que você falou da comparação com a rejeição de Messias ao Supremo Tribunal Federal, né? Naquele momento...

Flávio Bolsonaro estava subindo na crista da onda e Davi Alcolumbre queria fazer uma entrega a ele. Essa gangorra está sempre mudando, mas neste momento uma boa vontade de Alcolumbre com o governo se justificaria. Tem a natureza também de uma derrota, a derrota do Jorge Messias para o Supremo.

É uma derrota para o governo, não para o país. A derrota da escala 6x1 seria interpretada por 7 de 10 brasileiros como uma derrota dessa maioria da sociedade. De certa maneira, a Câmara já deu início a um processo de melhor condição para o trabalhador. Vai ficar no colo de Davi Alcolumbre e de alguns senadores.

especialmente os de oposição ao governo, brecar esse processo, eu não sei se eles ainda conseguem politicamente segurar. Apesar de confederações de alguns setores estarem dizendo que querem uma ampla discussão no Senado. Ana, você nos mostrou que o presidente da República nem falou com Davi Alcolumbre.

Deixou para Hugo Mota conversar com ele, fazer esse acordo, né? Olha, eu passo aqui na Câmara, mas não me deixa sozinho com desgaste com setores que são contrários ao fim da escala. Portanto, quero saber se você aprova no Senado, e aí todo mundo interpreta que a resposta de Davi Alcolumbre foi positiva. Mas eu conversei com bastante gente que considera essa postura do Lula um erro, né? Porque Lula está bastante incomodado com a derrota de Messias ainda e não procurou por Davi Alcolumbre.

O presidente Lula afirmou que vai reenviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal, que está em aberto desde o ano passado. A indicação dele foi rejeitada pelos senadores. Mas nesse caso da escala 6x1, sendo estratégico do ponto de vista eleitoral, alguns aliados do próprio presidente da República entendem que ele deveria sim, em nome disso, de não ter nenhum empecilho à aprovação que o Lula deveria se posicionar. Mas essa é uma outra história. O que eu queria saber é o seguinte.

Vamos aqui desenhar um cenário hipotético de Davi Alcolumbre querendo derrotar o governo e barrar a votação da escala 6x1, pelo menos antes da eleição. Vamos supor que ele faça isso. Nesse caso, o Lula perderia, porque eu ouvi um argumento que eu queria testar com você, um argumento de que se passar a escala 6x1, o Lula vai capitalizar o discurso.

Mas que se Davi Alcolumbre barrar a votação, que ele também capitalizaria dizendo, olha, foi ele, foi o sistema, foi a oposição, foram os bolsonaristas que não quiseram aprovar essa proposta em benefício do trabalhador. Você acha isso também?

Eu acho um ponto importante para se discutir, porque a pauta da escala 6x1 surge como prioridade do governo, e já nesses últimos meses, por conta da dificuldade de Lula com o Congresso. Então há dentro daquele núcleo próximo de Lula quem defendia que Lula também se mostrasse como antissistema, o que significa anti-empresários, anti-classes mais altas, anti-o próprio Congresso.

Isso está um pouco de lado agora, mas de qualquer maneira, a campanha do Lula vai explorar o fato de que Lula propôs e conseguiu aprovar na Câmara essa proposta. Eu vejo uma vitória eleitoral de discurso, quer dizer, o discurso é bom para Lula ao longo da eleição, o que já aconteceu, independente do que o Senado vai fazer.

Mas Lula ganha um trunfo para atacar o Columbre, nomes do Senado, porque o Columbre não vai poder fazer isso sozinho. A gente tem visto o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, atacar bastante o que se chama de pressa para aprovar o fim da escala 6x1. Isso vai estar em todas as discussões eleitorais também.

Então, o que eu vejo agora é que o discurso de Lula já ganhou muitos créditos eleitorais com o que já aconteceu. Se não passar no Senado, a oposição e o próprio Columbre tendem a perder mais. Não vejo Lula perdendo se essa discussão parar. É claro que aprovado e promulgado, os trabalhadores vão sentir a mudança sendo implementada. Vai levar um tempo para implementar, mas já vai se criar a expectativa, a discussão dentro das empresas.

Isso traz também um bom humor de votos que pode ajudar o governo. Isso, o senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, que é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, inclusive, Ana, apresentou uma outra PEC para concorrer com essa que encerra a escala 6x1. E a oposição chama essa proposta de PEC do horário flexível, que libera o empregador de pagar o trabalhador por hora trabalhada numa espécie de regime alternativo à CLT.

E aí o texto já tem apoio de 40 senadores, foi enviado à CCJ no Senado e, pelo que eu estou entendendo, ele tem potencial para inviabilizar a proposta que foi aprovada na Câmara. Sem dúvida, ele tem esse potencial de travar a proposta que saiu da Câmara. Por quê? Porque essa é uma PEC alternativa, como os senadores estão chamando, que já chegou à Comissão de Constituição e Justiça, antes mesmo.

do texto da Câmara, e mais, com apoio de 40 senadores, praticamente metade da casa, se a gente descontar o presidente do Senado. E aí, falando em Davi Alcolumbre, por mais que ele tenha já conversado com o Gumota para bater o martelo sobre a 6x1...

ele tem um outro calendário que o interessa, que é a reeleição à presidência do Senado no ano que vem, em 2027. Então ele também não pode desagradar um grupo tão grande de senadores, mesmo na oposição, são do setor produtivo, mas da oposição.

é sim uma possibilidade de travar, se correr em paralelo e mesmo se tentar em algum tipo de aglutinação. Sempre lembrando que se o Senado mudar a proposta que veio da Câmara, isso volta para a Câmara para ser discutido pelos deputados. O presidente Davi Alcolumbre do União Brasil vai decidir em uma reunião de líderes de partidos como será a tramitação. A tendência é que a PEC passe pela Comissão de Constituição e Justiça e siga depois para o plenário.

Agora, só olhando para esse texto, ele não acabaria com a escala 6 por 1 e ele criaria uma jornada flexível, quer dizer, por horas. E mais, ele tira o poder do empregado, porque ele fala que esses detalhes todos vão ser discutidos entre empregado e empregador, em convenção coletiva, em contrato individual. E nessas negociações o empregado sempre tem menos poder de barganha. Então...

Para a população, é uma proposta bem pior. E isso vai bater na esfera eleitoral que a gente vinha falando. Então, a gente vai ter que ver como fica. Senadores nem sempre têm esse calendário da reeleição batendo na porta deles, mas os deputados têm. Ana Flor, minha amiga querida, muito obrigada por ter topado conversar com a gente aqui no assunto. Obrigada mais uma vez, Natuza. Estamos juntos.

Este foi o Assunto Podcast Diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelã, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natuzaneri, fico por aqui. Até o próximo assunto.

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