O que fizeram e disseram os candidatos à Presidência no lançamento das campanhas
- Lançamento de Campanhas Presidenciais· PoliticaLula·Flávio Bolsonaro·Ronaldo Caiado·Romeu Zema·Renan Santos·Horário Eleitoral Gratuito
- Discurso e Simbolos de Flávio Bolsonaro· PoliticaLegado do pai·Candidato por procuração·Jair Bolsonaro·Copacabana
- Discurso e Simbolos de Lula· PoliticaOrigens sindicais·Janja·Dona Marisa Letícia·Pastor Kleber Lucas·Davi Alcolumbre
- Análise de Tempos de TV· EntretenimentoLula·Flávio Bolsonaro·Ronaldo Caiado·Romeu Zema·Renan Santos
- Horario Eleitoral Gratuito· PoliticaTempo de TV·Redes Sociais·Eleitorado jovem·Eleitores indecisos
- Estrategias de Caiado e Zema· PoliticaGestões como governadores·Direita confiável·Goiás·Minas Gerais
- Palanques Regionais· PoliticaCandidatos a governador·SBT·PL·PSD·Sul do Brasil
Já conhece o empréstimo com garantia de veículo do Banco BV? Com ele, você tem o dinheiro que precisa para organizar sua vida financeira.
Acesse bv.com.br.
A partir do último domingo, 16 de agosto, a eleição ganhou contornos definitivos. Candidatos e partidos podem agora pedir votos para você. Ou seja, foi dada a largada da corrida presidencial de 2026. Lula, do PT, começou a campanha no ABC Paulista.
Porque a gente precisa ganhar as eleições.
Flávio Bolsonaro, do PL, em Copacabana.
Começou a caminhada, é hoje.
Ronaldo Caiado, do PSD, no entorno do Distrito Federal.
Eu espero poder chegar lá.
Romeu Zema, do Partido Novo, em Montes Claros.
Tô percorrendo todo o Brasil para ficar mais conhecido.
E Renan Santos, do Partido Missão, no Largo São Francisco, capital paulista.
Já imaginaram o dia da posse? No dia 5 de janeiro de 2027.
Os candidatos buscaram construir nas ruas a imagem que querem levar para a campanha. Lula, por exemplo, apostou nas origens.
Nestes 47 anos de trajetória política e luta minha.
Flávio, no legado do pai.
Eu sei que vocês estão aqui olhando para mim nesse momento e lembrando de uma pessoa. Eu sei que eu pareço com ele.
Caiado e Zema na vitrine de suas gestões como governadores.
Sou conhecido muito em Minas, aonde fui governador por 7 anos e meio. O que eu fiz aqui, nós vamos fazer no Brasil todo.
E Renan Santos nas críticas contra o sistema político.
Nós brasileiros não podemos, eu repito, ficar refém desses malditos.
São imagens que começam a ser testadas agora, mas que terão outro palco a partir de 28 de agosto. É a data que marca o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. E a TV ainda tem um peso muito importante nessa disputa.
Interrompemos nossa programação para transmitir o horário eleitoral gratuito obrigatório de propaganda eleitoral, sob responsabilidade dos partidos políticos.
Pra você ter uma ideia, esse é o meio pelo qual parcelas importantes do eleitorado se informam sobre os candidatos. Vou dar dois exemplos disso. No recorte regional, os eleitores do Sudeste, região mais populosa do país, têm na TV sua principal fonte de informação. Outro recorte, o de gênero. A TV também lidera entre as mulheres, uma preferência apontada por 38% delas na mais recente pesquisa Quest. Pros homens, esse índice é de 29%.
Pra um lado, pro outro, pra cima, pra baixo, não importa, mas a mulher é o voto mais importante dessa disputa.
Agora acompanhe comigo a análise do cientista político Felipe Nunes, da Quest.
Não há dúvida que a televisão vai ser fundamental, mas é bom lembrar que tanto Zema como Renan vão tentar capturar o eleitor da rede social, que é o eleitor jovem, que nesse caso dá ao Renan a possibilidade de ter ali um desempenho que, aliás, ele já tem nas pesquisas. Ele tem 10% de intenção de voto estimulado no eleitor de 16 a 34 anos.
E aqui uma projeção seguindo as regras do Tribunal Superior Eleitoral. Lula vai ter mais do que 5 minutos de tempo de TV. Flávio Bolsonaro, um pouco mais do que 4. Caiado, 2 minutos e alguns segundos. E um candidato que sequer pontuava nas pesquisas iniciais, Augusto Cury, do Avante, deve ter 36 segundos.
Vocês estão contentes com essas brigas que tem havido entre direita e esquerda?
A eleição, portanto, começa com uma disputa pelo tempo, pela atenção e principalmente pelo eleitor.
É muito importante a gente destacar duas variáveis. Primeiro, os indecisos, né? Ainda há 10% nessa pesquisa estimulada dizendo que não decidiram em quem vai votar. Você imagina esses 10% se migrarem para uma das opções que estão colocadas, né? Uma dessas três alternativas, eu diria, mais competitivas: Renan, Caiado e Zema. Isso pode obviamente animar, mobilizar uma parcela do eleitorado para mudanças importantes. O outro elemento é que a gente ainda tem 51% de eleitores, quando perguntados espontaneamente, que dizem: não decidi, não tenho um candidato.
Ou seja, mesmo com esse duopólio, o volume de convicção no voto ainda é baixo, o que sinaliza que a gente está diante de uma disputa ainda que não engajou mobilizou ou empolgou o eleitor brasileiro.
Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é: o início da corrida presidencial de 2026. Neste episódio, eu converso com Thomas Trauman, comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo. Terça-feira, 18 de agosto. Thomas, quero começar a falar dessa largada das campanhas, o lançamento oficial das candidaturas deste domingo, dos últimos dias, e começo por Lula. Lula voltou às origens sindicais dele no ABC, falou num estádio cheio na Vila Euclides, algo com conteúdo simbólico grande.
E no palco, Lula falou de projeto de segurança pública, falou de Alcolumbre, atrelou aprovação do projeto que está esperando votação no Senado. Mas não só, que avaliação você faz do discurso e dos símbolos usados nesse evento político no domingo?
Ele é um evento totalmente cenografado para servir de imagens para campanha eleitoral e para, assim, tanto para TV como para internet. Então ele foi muito pensado, o PT fez um grande esforço para reunir, sabe-se lá, 20 mil pessoas, não tem, não teve uma estimativa, mas foi muita muita gente que tava em São Bernardo no dia de muito sol para criar imagens e exatamente dar essa lógica de que o mesmo sujeito, quem em maio de 79 tava fazendo um discurso em Euclides defendendo a reposição salarial, é o sujeito que em 2026 é o presidente que vai reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas sem redução de salário.
Então essa era a lógica, eu acho que essa era a narrativa que os maqueteiros do PT então criavam com esse evento. Agora, eu achei o discurso do Lula muito falando do passado e pouco falando do futuro. Não foi um discurso feliz no sentido de que Nós que acompanhamos o presidente sabemos que ele faz melhor do que aqui. Ele se perdeu em alguns momentos, falou demais sobre situações que haviam acontecido ali, perdeu tempo grande falando sobre a situação dos finais dos anos 70.
E eu acho que não falou o suficiente sobre o que ele pretende fazer, para que ele precisa de mais 4 anos, por que ele está pedindo um quarto mandato. Eu acho que essa é a questão principal que eu acho que faltou.
Para até combinar com o slogan, né, que me parece que está sendo usado, que é o pronto para mais, né, alguma coisa assim, o Brasil pronto para mais.
Exatamente, porque você pegar e falar, ah, o Ministério de Segurança Pública, não desculpa isso. Na promessa de campanha, que assim, o que que exatamente significa isso? O que isso muda na vida da Dona Maria, a eleitora, no final das contas? Eu acho que falta ainda ao Lula uma linha de raciocínio explicando por que que ele precisa de mais 4 anos. Eu acho que essa é uma questão que o presidente ainda vai ter que responder nos próximos 70 dias de campanha.
No uso dos símbolos ali, o que que você destaca? Me chamou atenção ali a música gospel cantada pelo Pastor Kleber Lucas. Lucas e Janja. Te chamou atenção também?
Muito, muito. É muito relevante que o PT, que é um partido que historicamente tem uma relação difícil com o mundo evangélico, tenha trazido basicamente duas apresentações artísticas. Uma foi do grupo de hip-hop que apresentou ali o rap do Lula, o rap do Silva, que é a música oficial da campanha. E a outra foi o pastor Kleber Lucas cantando junto com a Janja, e depois a própria Janja. E aí eu acho que a Janja, ela fez uma participação, eu acho, muito relevante.
Primeiro com isso, quer dizer, ou seja, dela cantar junto com o pastor e trazer ele para dentro, quer dizer, ou seja, ser ela a pessoa que acolhe ele dentro daquele comício, que não é o comício padrão de receber música gospel. Foi muito natural nessa acolhida. E a segunda foi o discurso que ela fez. Vamos lembrar que a Janja, quando ela se casa com o presidente, há um rompimento de— ela quase que cria um distanciamento muito forte entre o presidente e vários dos seus antigos assessores, inclusive a família, que eram ligados à Dona Marisa.
Então o fato da Janja fazer o discurso dela em homenagem, usando a Dona Marisa Letícia, que morreu em 2017, com um símbolo da mulher, e um símbolo mais de uma mulher petista, né, alguém que, né, que bordou a primeira bandeira historicamente, teve sempre ao lado do marido.
Bandeira do PT, né?
Exatamente, a minha primeira bandeira do PT. Eu achei muito relevante porque isso tenta conectar a Janja a essa história, como se ela fosse uma continuadora da Dona Marisa, coisa que a Janja nunca tentou ser. Então, para mim, isso é uma grande novidade. Lembrar Poucas semanas atrás, a Janja tava dizendo que ela era a primeira primeira-dama que tinha um papel realmente ativo na política do país, o que não é verdade. Mas ela, ao tentar fazer isso— e aí é uma questão, né, Dona Marisa nasceu em São Bernardo do Campo, ela tava falando na cidade da Dona Marisa.
Então é o fato dela fazer isso, fazer esse reconhecimento da participação da Dona Marisa, eu acho que foi uma coisa simbólica de tentar colar, né, aquele Lula de 79 com o Lula de 2026.
E por fim, por que que você acha que ele cita Davi Alcolumbre no discurso dele?
Eu acho muito interessante porque essas coisas lógicas, o presidente, ele tá num namoro firme, digamos assim, eu acho que um relacionamento firme com o presidente do Senado.
Um relacionamento firme que acabou de ser reatado, né, digamos assim. Dá para acreditar em relacionamento firme que recém começou de novo?
Não, não, mas é como se fosse, né, ele, um casal que teve uma briga muito séria, mas eles estão tentando voltar. E aí o fato dele citar é uma tentativa também de jogar sobre o Alcolumbre uma responsabilidade, né? Porque 3 projetos fundamentais nessa nova campanha do Lula dependem de votações no Senado. A questão de terras raras, que tá parada lá no Senado para ser votada. A questão do PEC da segurança, que é o que pode fazer criar o Ministério da Segurança Pública.
E principalmente o fim da escala 6 por 1. Se o Lula conseguisse aprovar essas 3 medidas ainda no primeiro turno, daria uma sustentação efetiva para o que ele tá falando. Falou, olha, tanto eu estou falando que em relação a terras raras, Olha, acabamos de aprovar no Senado. Então você tá falando sobre maior responsabilidade federal sobre a segurança da população, que aprovamos aqui o PEC da Segurança. Então estão falando sobre reforma trabalhista, que olha aqui, mudamos, reduzimos a jornada de trabalho de 44 para 40 horas. Então eu acho que no fundo é puxar o Davi para dentro da campanha.
Agora, olhando para o evento de Flávio Bolsonaro, ele começou a campanha em cima de um carro de som em Copacabana, local de discursos do pai Jair Bolsonaro. Eu queria que você se avaliasse o discurso, a retórica, portanto, e os símbolos desse momento de largada do Flávio.
O que me marcou no domingo, aí vou aqui contar para quem tá nos escutando, no domingo de manhã no Rio tava nublado, meio mormaço assim, no sábado havia chovido muito, mas foi a falta de entusiasmo. Segundo aí as estimativas, tinha 9 mil pessoas, etc. Não é público excepcionalmente ruim, mas também não é público bom para um dia de lançamento, mas você não sentia entusiasmo nas pessoas. E mesmo assim, durante os discursos, Me pareceu que faltava, tinha gente demais que era ligado ao Cláudio Castro, ligado à política local do Rio de Janeiro, e pouca gente nacional.
Não tava ali, por exemplo, o Pastor Silas Malafaia, que sempre esteve nos comícios com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não tava ali a Michele Bolsonaro, não tava ali o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não tava ali o deputado Nicolas Ferreira. Então eu achei o Flávio muito sozinho, era o Flávio com seu vice e vários políticos locais que não tem nenhum impacto nacional. A minha impressão é que era como se no fundo o que o Flávio imaginava ser o grande dia seria o evento que tinha programado para segunda-feira, que era retornar para Juiz de Fora, no local onde o pai sofreu a facada em setembro de 2018 e que mudou toda a história da campanha e toda a história do Brasil.
Como as condições meteorológicas impediram que ele fosse, ele ficou devendo, sabe? Então acho que a largada dele foi, se a gente for fazer uma comparação, a largada dele foi muito mais tímida que a largada do Lula.
E como é que foram as referências, o uso da imagem do pai no discurso do Flávio?
O Flávio Bolsonaro começa com uma frase pensada. Eu sou até parecido com ele, mas é impossível você comparar o Pelé com o filho do Pelé. Ou seja, na lógica de que ele não é o candidato. Houve uma compreensão do Flávio, que eu acho que é uma compreensão correta da campanha, de que o Flávio não é o candidato. Flávio é simplesmente o representante do Jair Bolsonaro. E eu acho que essa é uma lógica inteligente que pode funcionar ao longo da campanha.
No fundo, como se fosse um candidato por procuração.
Exatamente. E que, vamos lá, né, ironicamente nos recorda 2018. Quem que era o candidato por procuração? Haddad com procuração do Lula, né? É uma história se repetindo de uma outra forma no Brasil. Mas eu acho muito claro, Flávio, assim, por exemplo, Flávio tava de colete à prova de bala. Havia alguma necessidade de colete à prova? Nenhuma, zero. Mas o que que ele queria mostrar? Mostrar que ele era uma pessoa que podia sofrer um atentado a qualquer momento, que ele corre riscos, né?
Ele tentou falar como se ele fosse contra o sistema, o que de novo é ridículo, porque enfim, presidente da República 4 anos, totalmente pró-sistema. Mas ele se colocando como um representante do pai, como um procurador do pai.
Eu acho que essa é uma tática inteligente ela pode realmente funcionar.
Porque no resto, tanto que você vê no final, quando ele vai citando o pai várias vezes e explicando basicamente que ele tá ali em nome do pai, ele fala várias vezes essa coisa, mas ele termina com o slogan que marcou a vitória do Jair Bolsonaro em 2018, né? O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Então é uma forma de tentar emular essa figura do Jair Bolsonaro. E nesse sentido, até o fato das coisas serem um pouco mambembe ali até lembra um pouco o que a gente assistiu naquela primeira campanha do Jair Bolsonaro.
Em termos de futuro, você fez essa menção em relação a Lula. Flávio faz propostas específicas para futuro?
Não, não faz. A questão é, o Flávio, ele fala coisas genéricas sobre segurança pública, sobre os preços nos mercados, mas não tem uma lógica especificamente de o que vou fazer para mudar a vida das pessoas. Assim, é como se a gente tivesse dois candidatos que tivesse muito falando sobre seus passados. Lula falando dessa trajetória, como existe uma lógica na trajetória dele, e o Flávio falou assim, eu vou levar o Brasil para onde eu vou levar, eu vou levar para os tempos do meu pai.
Eu acho que a gente tem aqui dois candidatos que olham para trás ao invés de olhar para frente.
E tudo que eles têm para oferecer é: eu não sou o Lula, no caso do Flávio Bolsonaro, eu não sou o bolsonarismo, no caso do Lula. E você tem ali apenas referências ao passado, é o Lula fazendo referência à década de 70. A nova geração não quer saber da década de 70. Com todo respeito, a década de 70 foi importante, você teve, você teve ali uma série de lutas, etc., pessoas acabaram lutando pela democracia brasileira. Mas as pessoas, de uma forma geral, querem saber: e os próximos 4 anos?
Os próximos 4 anos, o outro candidato, tudo que ele tem para dizer é: ah, eu sou, eu sou um Bolsonaro. Daí que você é um Bolsonaro, né? O que que você tem para oferecer de concreto? Você não consegue nem definir se você é um radical ou se você é um moderado.
Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Thomas.
Já conhece o empréstimo com garantia de veículo do Banco BV? Com ele, você tem o dinheiro que precisa pra organizar sua vida financeira e realizar seus planos, sem vender o seu carro. Aproveite com taxas reduzidas e mais vantagens. Acesse bv.com.br.
Bom, Thomas, em relação aos demais candidatos, o que que dá para falar de Caiado, por exemplo, de Renan Santos? Faz uma geral para gente dos demais candidatos, por favor.
O ex-governador Ronaldo Caiado, ele tenta criar uma lógica que é uma lógica assim, a pessoa que é a direita confiável. E quando quer dizer confiável, eu não tô dizendo no sentido de alguém que tem experiência, né, de experiente, até no visual visual, você vê que o visual que tava com um coach assim, do tipo, né, camisa apertada, falando como se ele tivesse falando com o público, não com um comício, mas como um local, como se tivesse numa gravação mesmo, TED Talk, sabe, em relação a ele.
E no fundo é: eu sou a direita que pode vencer o Lula. Ele não tá ali na lógica de tentar ganhar do Flávio atacando o Flávio abertamente, mas no tipo assim, olha, é quase que um voto racional. Eu acho que a lógica do Caiado, que eu não sei se vai dar certo, mas é falar com o eleitor antipetista de uma forma racional. Falou: esse aqui perde, eu eu posso vencer. Eu acho que essa é a lógica que ele quer se mostrar, essa pessoa que tem um domínio.
E por isso que eu citei a palavra coach no sentido de alguém que tem um pouco mais, que está um pouco acima dos outros, entendeu? Não é alguém que tá se colocando no mesmo padrão.
E ele fala de propostas? Ele coloca coisas específicas no discurso dele?
Não, eu acho que o Caiado se coloca melhor em relação às propostas, porque, por exemplo, na questão da segurança pública, que é a grande bandeira dele, ele tem mais o que dizer. A proposta dele fica muito mais de pé em relação às lógicas. Você pode discordar ou não concordar, mas ele tem uma lógica sobre o que ele pretende fazer. E tem uma experiência em relação ao que foi o governo dele, os dois governos dele em Goiás, que eu acho que permitem a ele ter uma visão um pouco mais ampla.
Então ele começa com um ponto, acho que a questão toda é como que ele vai traduzir isso, que Goiás, como é que você faz, você replica, porque uma coisa, governador tem responsabilidades muito distintas em relação a de presidente da República. Então, portanto, tem um problema de como que ele faz esse salto. Eu acho que esse vai ser o desafio.
O perfil do estado também conta, né, porque os problemas de segurança pública que Goiás enfrenta é completamente diferente dos problemas de segurança de Rio, São São Paulo, estados, por exemplo, da região amazônica, por onde o tráfico passa, são realidades distintas, né?
Muito distintas. E, por exemplo, a proposta principal dele, quer dizer, seja a questão de colocar o Exército, ela assim já deu 40 vezes errada no Rio de Janeiro. Então não é uma proposta que ela não se sustenta. Porém, pelo menos ele pegou, ele fala melhor em relação à questão de segurança, por exemplo, tanto do que Flávio, do que contra, do que Lula. O Renan volta para o MBL, né, faz uma pesquisa, faz um, né, um ato estudantil ali no Lago São Francisco.
Quer dizer, a lógica muito ainda do rebelde, né, do período do impeachment, do período do início do MBL. Então eu achei que, enfim, eu acho que faz lógica também, acho que cola com o que, enfim, é que ele vai tentar se apresentar, que é alguém que tá fora do sistema. Vai ser um desafio porque ele não tem tempo de televisão, ele, o que ele tem para apresentar, o que ele tem de potencial de internet ele já usou, então não tem muito o que crescer nesse sentido.
Mas eu entendo como com a lógica de alguém que é contra tanto Flávio como Lula. Então eu acho que ele pega um nicho que é de pessoas que estão completamente desiludidas da política, e esse nicho não é pequeno no Brasil. Acho que tem um, existe sim ali uma capacidade razoável dele crescer e talvez até chegar eventualmente até ficar em terceiro lugar em algum momento durante a campanha. E sobre o Zema, eu acho que o Zema faz uma campanha muito local, né?
Ele volta para Minas e no fundo é, eu acho Acho que depois de tudo que aconteceu nessa campanha do Zema, eu vou aqui lembrar um pouco da história da campanha do Zema. O Zema sai candidato a presidente, fica ali numa situação como se fosse uma linha auxiliar do bolsonarismo, faz uma campanha de internet muito boa com essa questão do que ele chama dos intocáveis, né, que são— ele assume uma briga com o Supremo que nenhum outro candidato teve coragem de assumir, a ponto de ser processado pelo ministro Gilmar Mendes.
Mas chega um momento depois que se revela o escândalo do do caso Forcaro, da ligação do Forcaro com o Flávio Bolsonaro, que quando o Zema tenta criticar o Forcaro, ele quase perde a legenda. O bolsonarismo dentro do Novo é tão grande que quase impediu o Zema de ser candidato. Então o Zema ficou limitado. O discurso dele de ser uma pessoa contra a corrupção, ela só funciona se for Supremo. Se for alguém da direita, não vale. Daí perdeu muito do seu potencial.
Então a minha impressão é que o Zema, ao lançar a campanha da forma como ele lançou nesse domingo, ele no fundo, ele tá ali tentando manter pelo menos o poder dele em Minas, ser relevante na política mineira e ajudar o candidato dele, que é o governador Matheus Simões, a se reeleger.
Agora, tudo isso ganha um sentido diferente com o início do horário eleitoral gratuito. E o tal do tempo de TV é o que os candidatos chamam de campanha de fato. Eles vão para rua, eles pedem voto, fazem os seus eventos de campanha, mas o que é o grosso mesmo de uma corrida eleitoral é o tal do horário eleitoral gratuito, né? O programa grande e os comerciais pequenos de poucos segundos de rádio e de TV. Esse início, essa fase da campanha eleitoral no horário eleitoral gratuito, ou para quem vive no Nordeste, no guia eleitoral, eu queria analisar contigo os tempos de campanha de cada um desses personagens candidatos.
Então, Lula tem na nossa projeção aqui, numa projeção feita pela GloboNews com base nas regras do TSE, Lula vai ter mais ou menos ali uns 5 minutos e 32 segundos. Flávio vai ter uns 4 minutos minutos e 20, Caiado 2 minutos e 2 segundos, Zema, Renan Santos não terão tempo de TV. Como é que você avalia essa dinâmica do horário eleitoral em termos de vantagens e desvantagens?
É lógico que a televisão não é o que era, sei lá, até 2014. Eleição 2014, quem tinha mais tempo de televisão ganhava eleição, né? Era televisão, dinheiro e apoio nos estados resolvia a eleição presidencial no Brasil. Isso a partir de 2018 deixou de ser, com o, né, com a força das redes sociais explodindo isso. Então hoje é uma combinação entre redes sociais e televisão. Agora, é inegável que quem tem tempo televisão tem uma capacidade de contar uma história melhor do que um corte de 30 segundos.
Quer dizer, os 5 minutos e 32 que o Lula vai ter na campanha, ele vai conseguir explicar melhor o governo dele que só um comercialzinho de 15 segundos, etc. Então acho que é muito relevante para o Lula ter mais tempo que os demais, porque ele pode explicar o terceiro governo dele e dar versões dele sobre como estão as coisas e apontar melhor o que ele quer fazer no quarto governo. Então eu acho que é inegável que ter mais tempo de televisão é uma grande vantagem para o Lula.
Isso faz com que, além, porque além de você, a gente, você tá aqui contando, isso aqui é o tempo o tempo grande, né, daquele programa que vem, que vem à noite. Mas você tem além de todos os comerciais ao longo da programação. Então tá lá o sujeito assistindo a Ana Maria Braga e daí de repente aparece um comercial no candidato, né, de um candidato. Ou seja, ele pega também, mesmo que você não queira assistir o programa da noite, você acaba assistindo, você acaba sendo atingido porque você tem dezenas, centenas desses comerciais de 15 segundos, de 30 segundos ao longo da programação, mesmo que esteja assistindo um futebol.
Então é isso Isso faz com que, tendo mais tempo, Lula tem obviamente uma vantagem. O Flávio tem menos tempo, e 1 minuto, é 1 minuto e 10 segundos nesse cálculo que você, que a GloboNews e o G1 fizeram, é muito tempo, é muita, é muita diferença. Mas ainda assim é um tempo, assim, um tempo relevante, assim, ele pode explicar melhor a relação dele com o governo Bolsonaro, o que ele pretende fazer, dá para ele atacar. Então eu acho que esses dois tempos são muito razoáveis para alguém que é candidato a presidente da República.
A partir do momento que a gente vê o Caiado com 2, ele vai falar muito de Goiás, ele vai ficar falando sobre qual a experiência de Goiás. E aí a questão toda é como que o eleitor, como você falou, como eleitor, como eu brinco, o eleitor de São Gonçalo, o eleitor de Viamão, vai olhar para aquilo, falar, vou fazer do Brasil um grande Goiás. Eu acho bem difícil, veremos como isso vai funcionar. O marqueteiro do Caiado vai ter, vai ter muito, muito trabalho.
O pior na situação é o Zema, que tem zero e tem um partido que é muito dividido, que em muitos lugares ele é mais, mais a impressão que dá vai votar no Flávio Bolsonaro, vai votar no Zema, no caso do Paraná e do Rio Grande do Sul. E o caso do Renan, ele já tem uma, assim, ele não, o tempo de TV não é uma questão, porque a lógica dele sempre foi ser um sujeito de internet. Então eu acho que não faz diferença nesse sentido, porque ele não tem o que mostrar no sentido de nunca foi, nunca teve nenhum cargo, mas a lógica dele de ser esse franco atirador durante a campanha.
Então acho que olhando isso aqui assim, o melhor claramente é para o Lula, o pior é claramente para o Zema. O Flávio tem um tempo mínimo para conseguir se posicionar, e o Renan vai ser o franco-atirador da internet. Agora eu só recordo o seguinte, né, esses são os tempos do primeiro turno. Os dois candidatos que forem para o segundo turno vão ter o mesmo tempo, vão ter tempos equivalentes no segundo turno. Então assim, se o Flávio conseguir chegar ao segundo turno contra o Lula, daí no segundo turno tudo igual.
Agora, Thomas, para finalizar, tempo de televisão, de rádio é bastante importante, né? Ainda que você veja o crescimento da campanha digital nas últimas eleições, é inegável que o peso da TV ainda é, ainda é bastante relevante. Mas há uma outra relevância numa corrida eleitoral, que são os palanques regionais. Ou seja, ter candidato a governador, ter candidato a senador, senadora, governador, governadora, ter candidato o máximo possível Câmara dos Deputados, e por aí vai.
Por que que é importante? Porque quando você tem nos estados alguém fazendo campanha para si mesmo, do seu partido, da sua coligação, está fazendo também para o candidato a presidente. Então a palavra da campanha lá para campanha ao Palácio do Planalto é levada para os eleitores na ponta, né, quem vive nas cidades, nos estados e tal. Nesse aspecto, quem é que tá se saindo bem nessa história e quem tá tendo bastante dificuldade?
Eu acho que aí, assim, se a gente for olhar objetivamente, o presidente Lula sai melhor porque tem mais, mais candidatos, tem mais palanques feitos aí, palanques em todos os estados.
Agora, o presidente Lula é o único pré-candidato que tem palanque em todas as unidades da federação, nas 27 unidades da federação. E claro que os palanques do PT, eles estão mais presentes numa região em que Lula performa melhor e onde o partido também tem um melhor desempenho. Quando a gente chega, por exemplo, na região sul, que é onde a Quest mostra que o presidente Lula tem mais dificuldade, aqui o PT acaba apoiando aliados.
Flávio Bolsonaro, ele não conseguiu formar palanque em todos os estados, ele teve dificuldade principalmente no Nordeste. Então, com muita força, o PL vem principalmente no Centro-Oeste, com candidatura Goiás e Mato Grosso, e na região Sul, que é onde é considerado o QG da candidatura do PL. Candidatura à reeleição de Jorginho Melo em Santa Catarina, Zucco, que tá performando muito bem nas pesquisas no Rio Grande do Sul, e Sérgio Moro no Paraná.
Então o PL vem muito forte bem aqui na região Sul. E Ronaldo Caiado, por outro lado, teve uma dificuldade maior para ter seus próprios palanques. Isso porque, apesar do PSD ter diversos candidatos ao governo dos estados, o PSD liberou que os seus candidatos façam, deem apoio para o candidato à presidência que preferirem. Então vou dar um exemplo: Eduardo Paes no Rio de Janeiro tá no palanque do presidente Lula, Fábio Mitidiere no Sergipe a mesma coisa.
E há também candidatos do PSD que estão apoiando Flávio Bolsonaro ou que estão neutros nas suas disputas estaduais.
Possível a gente imaginar que São Paulo, Bahia, Pernambuco Pernambuco, talvez até o Ceará. Nós estamos falando então de 5 dos 8 maiores colégios eleitorais se resolvem no primeiro turno. Isso diz a literatura da política, da ciência política, indica que sem um candidato, mesmo a forma que você falou, você precisa de um candidato, você não ter um segundo turno em todos os estados pode significar um segundo turno, aspas, mais esvaziado, ou seja, menos gente tentando levar os eleitores, tentando convencer os eleitores para votar, né?
Quando você no primeiro turno tá lá, o candidato a deputado estadual, vários, né, os dezenas de candidatos estadual, federal, senadores e governadores tentando, ajudando o candidato a presidente aí, que faça o eleitor sair de casa e votar, seja em quem for. No segundo turno, talvez a gente tenha muitos estados em que você não tenha isso, que o presidente vai ter que trabalhar sozinho para trazer, para levar, convencer esse eleitor a votar.
Isso talvez seja um fator muito relevante para o resultado final da eleição do segundo turno.
Só para ilustrar um estado como São Paulo, se tiver uma definição em primeiro turno, isso tende a beneficiar mais quem? Na Bahia, se tiver uma definição em primeiro turno, tende a beneficiar mais quem?
Só essa, eu acho, talvez a pergunta que vai resolver a eleição, porque não tem nenhum estudo sistemático sobre isso. O que que a gente tem são questões anedóticas, né? Então, por exemplo, em 2014, 2014, o então governador Geraldo Alckmin venceu a eleição no primeiro turno e o candidato dele, Aécio Neves, cresceu. E aqui eu vou falar de memória, memória, posso estar equivocado, mas algo como 7 pontos no segundo turno. Fez uma vitória gigante, é, né, em São Paulo.
Ao mesmo tempo, o Felipe Pimentel foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, e a Dilma Rousseff tem um crescimento nos seus votos no segundo turno em Minas. Em 2022, Cláudio Castro ganhou no Rio de Janeiro e ampliou a vantagem do Bolsonaro no segundo turno sobre o Lula. Também em 2022, o Romeu Zema venceu a eleição no primeiro turno em Minas Gerais, e ele conseguiu 9 pontos de voto, 900 votos a mais para o Bolsonaro.
O segundo turno quase empatou com o Lula, né, o segundo turno em Minas Gerais. Então o que que essa, esse, esses exemplos nos mostram? Mostram que quando o governador eleito se empenha verdadeiramente pelo candidato a presidente dele, candidato a presidente dele cresce sistematicamente em relação aos votos. Então, dito isso, é explicar, se os candidatos, vamos dizer aqui no estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes vencer a eleição ele trabalhar para o Lula no segundo turno, é provável que o presidente Lula faça um desempenho muito melhor do que ele fez em 2022.
E assim é o caso de São Paulo. Se o Tarcísio de Freitas fizer, vencer uma eleição no primeiro turno em São Paulo e se empenhar muito, é provável que o Flávio faça um desempenho muito maior. Pergunta é, tanto no caso do Rio, todo caso, no caso de São Paulo especificamente, o quanto que Tarcísio de Freitas vai se empenhar para que Flávio tenha um desempenho excepcional em São Paulo, que possa ser, ele pode ser decisivo no resultado eleitoral. Para mim, essa pergunta que vai, pode valer a eleição.
E tem muita gente que acha que, como Tarcísio quer ser o candidato em 2030, que ele faria um cálculo simples, né? Flávio, se se eleger presidente da República, será natural que ele se candidate a uma reeleição em 2030. E aí os caminhos ficam obstruídos para Tarcísio. Logo, o empenho dele pode, poderia, segundo essa tese, poderia não ser um empenho assim tão engajado.
Exatamente. Eu acho que essa pode ser uma grande diferença. Assim, eu acho que isso no final, isso pode ser uma— porque como nós estamos falando, uma eleição muito disputada, Natuza, onde vai ser uma eleição de menos de 4 milhões de votos, provavelmente até menos de 3, mas enfim, tão disputada, qualquer movimento, quer dizer, ou seja, qualquer aumento de abstenção, qualquer empenho a mais de um candidato em algum desses estados pode decidir o resultado final.
Thomas Trauma, meu amigo, muito obrigada pelas explicações todas. Bom trabalho para você.
Sempre um prazer.
Querida.
Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Carlos Catellan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stephanie Nascimento e Marco Antônio Martins. Colaborou neste episódio Tomé Granneman. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo.
Próximo assunto.
O gás, gás do Brasil é o nosso gás e tá em tudo que o Brasil faz.