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A corrida pelo governo de MG e o seu impacto na eleição nacional

11 de agosto de 202624min
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Convidados: Valdo Cruz, comentarista da GloboNews e colunista do g1, e Carlos Ranulfo Melo, cientista político, professor e pesquisador da UFMG. O líder nas pesquisas de intenção de votos disse que seria candidato ao governo do estado de Minas Gerais, mas seu partido disse que não. Ele insistiu e, mais de uma semana depois, conseguiu: na sexta-feira (7), o Republicanos confirmou que o senador Cleitinho Azevedo irá concorrer. A indefinição sobre a candidatura de Cleitinho embaralhou os arranjos políticos no estado e deixou rastros que podem interferir nas eleições presidenciais – Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e, desde 1989, o candidato a presidente que ganhou no estado venceu a eleição nacional. Sem a chance de contar com o apoio do candidato do Republicanos, partido que anunciou neutralidade na disputa presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro terão palanques mais tímidos: o PT lançou Patrus Ananias e o PL, Flávio Roscoe. Neste episódio, Natuza Nery conversa com dois analistas da eleição em Minas Gerais. Primeiro, ela fala com o jornalista Valdo Cruz sobre os bastidores e sobre os acordos que culminaram na formação das candidaturas ao governo e ao Senado no estado. Depois, ela entrevista o cientista político Carlos Ranulfo Melo, que analisa o comportamento do eleitor mineiro.
Participantes neste episódio3
N

Natuza Nery

HostJornalista
C

Carlos Ranulfo Melo

ConvidadoCientista político
V

Valdo Cruz

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Corrida eleitoral Minas Gerais· PoliticaCleitinho Azevedo·Indefinição de candidaturas·Partidos Republicanos·PL·SBT·PSD
  • Impacto em Eleicoes Presidenciais· PoliticaMinas Gerais como colégio eleitoral·Lula·Flávio Bolsonaro·Palanques políticos
  • Eleitor Mineiro· PoliticaDiversidade regional·Comportamento eleitoral·Belo Horizonte vs. interior
Transcrição68 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

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NNNatuza Nery

Em um texto de 1957, Guimarães Rosa escreveu uma frase que se tornaria famosa: Minas são muitas. E talvez não haja expressão melhor para descrever um estado que tem uma característica plenamente nacional: a diversidade. Minas Gerais reúne no seu território regiões com indicadores comparáveis aos do Sul e do Sudeste, mas também aos do Norte e do Nordeste. E não para por aí. Desde 1989, nenhum candidato à presidência venceu a eleição nacional sem vencer também entre os mineiros.

?Voz D

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e, dentro dos 853 municípios, O perfil não só do eleitor, mas também do candidato, tem se tornado mais diverso.

?Voz B

Não existe uma sociedade e um brasileiro, existem brasileiros no plural. Nós somos diferentes, né? E quanto mais diferentes, nós somos mais ricos. A gente começa a entender o outro, e isso é que desenvolve a democracia.

?Voz D

E é essa diversidade de eleitores que vai ajudar a definir os próximos deputados estaduais, federais, senadores governador e presidente, uma escolha que também tem muito a ver com o perfil de quem vota.

NNNatuza Nery

E é nesse estado, tão importante para a disputa nacional, que a eleição de 2026 virou uma corrida maluca. Acompanha comigo o resumo dessa história. Um candidato confirma que seu nome estará nas urnas. O partido dele desmente horas depois. Só que no mesmo dia, o mesmo político reafirma que quer e vai ser candidato. Isso tudo aconteceu em pouco mais de 24 horas, uma quinta-feira.

?Voz B

Saiu uma última pesquisa agora, faltando 10 dias para a eleição, que mostra eu com 40%. Então a voz do povo é a voz de Deus.

NNNatuza Nery

Na segunda-feira da semana seguinte, essa candidatura foi dada como encerrada. Mas aqui um detalhe: o candidato em questão era líder disparado nas pesquisas de intenção de voto em Minas. E a justificativa dele era séria: o luto pela morte de um irmão.

?Voz A

Meu momento não tá fácil para mim, para minha família. Não adianta entrar numa campanha agora do jeito que eu tô.

NNNatuza Nery

Em menos de 24 horas, mais uma reviravolta. O mesmo candidato pede para voltar à corrida que ele mesmo havia abandonado. O vai-não-vai durou até sexta-feira. Foi aqui que o partido dele confirmou: ele estava de volta à disputa. E desde então, em caráter definitivo. Parece confusão? E é. O Partido Republicano confirmou Cleitinho Azevedo como candidato ao governo de Minas. Foi a terceira vez que o senador anunciou a candidatura ao Palácio Tiradentes.

Analistas comparam Cleitinho Azevedo a Jânio Quadros. A tese é de que ambos anunciaram uma renúncia como parte de um plano. E que, na verdade, isso seria um blefe, uma ficção proposital para resgatar aquela ideia de que ele voltaria, entre aspas, nos braços do povo. Forçando o próprio partido e os aliados a aceitarem suas condições.

?Voz B

E atenção, atenção, ouvintes! O senhor Jânio Quadros acaba de renunciar à presidência da República.

?Voz A

E aí, depois de um tempo, se descobriu que na verdade, ele próprio confessou isso, ele morreu em fevereiro de 1992 e ele revelou que ele tinha blefado. Então ele disse assim: vou anunciar a minha renúncia, né, e os militares e as outras forças não vão deixar esse jango, esse comunista, esse João Goulart tomar o poder.

?Voz B

E vou voltar ao poder nos braços do povo.

NNNatuza Nery

Mas assim como aconteceu com o Jânio, a suposta estratégia não funcionou como esperado. Os líderes partidários se cansaram do impasse e seguiram com as suas próprias articulações. Esses partidos foram montando outros palanques, escolhendo outros candidatos. E o campo da direita teve que se organizar como pôde.

?Voz E

As últimas horas para o fim das convenções partidárias foram de uma reviravolta nas composições das legendas na disputa ao governo de Minas. Até então sem vice, o governador Matheus Simões, do PSD, que tentará a reeleição, conseguiu garantir o apoio da Federação União Brasil Progressistas, que indicou o ex-deputado federal Danilo de Castro, do União Brasil, para a vaga. Antes, o posto seria ocupado pelo Partido Novo, que indicará agora um candidato ao Senado.

Com essa articulação, Matheus Simões também escanteou a candidatura do ex-secretário de governo Marcelo Aro, do Progressistas, que rompeu com o governador devido à possibilidade de ser candidato. Após a aliança, Marcelo Haro disputará uma das vagas ao Senado numa candidatura avulsa.

NNNatuza Nery

O desenho ficou assim: em Minas Gerais, 3 candidaturas com palanque forte são de direita. E isso pode soprar os ventos para um lado no primeiro turno, mas mudar totalmente de direção no segundo. Vale para Minas, mas também vale para eleição nacional. E as muitas minas mais uma vez, podem estar sinalizando o que vai acontecer no resto do Brasil. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é: a corrida maluca pelo governo de Minas Gerais e os palanques para os candidatos à presidência da República.

Neste episódio, eu converso com Waldo Cruz, comentarista da GloboNews, e com Carlos Ranulfo Melo, cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Terça-feira, 11 de agosto. Valdo, depois da novela Cleitinho, né, meses de indefinição, ele sem dizer se ia ser ou não candidato, aí depois ele ia, depois não ia, depois acabou, acabou indo, acabou sendo oficializado na última sexta-feira candidato ao governo de Minas Gerais, mas isso acabou bagunçando completamente os palanques num estado que é central para disputa presidencial.

Explica para gente, se for possível, essa novela e qual a consequência dessa indefinição por tanto tempo do Cleitinho para Flávio Bolsonaro, Lula e companhia.

?Voz A

Olha, Natuza, tá difícil de explicar Minas Gerais, a minha Minas Gerais. Cleitinho era, deixou de ser, aí depois era de novo, deixou de ser, e Acabou sendo quando na verdade ele viu que tava perdendo o controle sobre o processo e ia deixar de ser candidato. E aí o Marcos Pereira, presidente dos republicanos, tudo bem, então você vai, mas sem dinheiro dos republicanos. Não sei se isso vai acontecer até o final. Com o Cleitinho virando candidato, bagunçou todo o coreto.

NNNatuza Nery

Teve até nessa história um vídeo dele falando com o pai e com o irmão que morreram. Como é que foi isso?

?Voz A

Então ali naquele momento é aquele quando ele percebeu que já tava quase perdendo a candidatura, ele vai e grava esse vídeo dizendo, olha, o pai dele que morreu há mais tempo, o irmão que morreu recentemente, aparecem como espíritos para ali insatisfação dos republicanos que têm a Igreja Universal e é totalmente contra espiritismo, né? E aí ele coloca aquele vídeo lá com o pai e o irmão pedindo para não desista da sua missão, você tem que seguir com a sua missão.

Eu não lembro qual dessa novela ele faz um vídeo em que, de inteligência artificial, que o pai e o irmão falecidos aparecem, entregam a bandeira de Minas a ele, mandando ele ser candidato.

?Voz B

Meu filho, por que você tá aí pensativo?

?Voz A

Pai, sem o senhor e sem o Mateus, eu tô inseguro, em dúvida e com medo. E que dia que você teve medo na sua vida?

?Voz B

Cadê a sua fé?

?Voz A

Vai em frente!

?Voz B

Mas agora, sem o senhor, sem o Mateus, como eu vou fazer?

?Voz A

Vai e faça o que precisa ser feito. Nosso pai e eu estamos sendo muito bem cuidados aqui em cima. Estaremos orgulhosos de você. Seja forte e corajoso. Não olhe nem para a esquerda e nem para a direita. E à noite ele acaba acertando com Marcos Pereira. Não, desisti de ser candidato. Ah, desisti de ser candidato? Não vou ser mais candidato. E quando o Marcos Pereira decide, então você não vai ser candidato? Ele diz, não, eu quero ser candidato.

Faz uma caminhada lá em Minas Gerais para ser candidato. Vira uma confusão geral. Ele acaba virando sendo candidato mesmo depois dele ter gravado esse vídeo dizendo que ser candidato, e depois depois gravado outro vídeo chorando, dizendo que tinha desistido. Ou seja, uma confusão generalizada no estado como eu nunca vi. Você perguntava sobre Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro decidiu lançar Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, como candidato pelo PL.

NNNatuza Nery

Partido Liberal anunciou o empresário Flávio Roscoe como candidato ao governo de Minas. A confirmação foi em publicação nas redes sociais do partido. Presidente licenciado da FIENG, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. O empresário disputará um cargo eletivo pela primeira vez.

?Voz A

Então é o candidato tédio agora, é Flávio Voskay.

NNNatuza Nery

Ou seja, com a confusão do Cleitinho, o Flávio queria o Cleitinho. Com a confusão do Cleitinho, o Flávio Bolsonaro foi obrigado a procurar um outro candidato ao governo.

?Voz A

O Flávio Voskay tinha o apoio do PP e, teoricamente, do PP e do União Brasil, que haviam abandonado o Mateus Simões para apoiar exatamente a a candidatura do Marcelo Alckmin. Agora estão ensaiando voltar para candidatura de Mateus Simões.

NNNatuza Nery

E o PSD confirmou a candidatura de Mateus Simões ao governo de Minas Gerais.

?Voz B

Aos 45 anos, Mateus Simões disputa pela primeira vez o cargo de governador. Na trajetória política, foi vereador de Belo Horizonte entre 2017 e 2020. Depois assumiu a Secretaria-Geral de Governo na primeira gestão de Romeu Zema. Em 2022, foi eleito vice-governador E em março deste ano assumiu o governo de Minas.

NNNatuza Nery

Eles vão desistir do Marcelo Haro, vão rifar o Marcelo Haro.

?Voz A

Rifando Marcelo Haro, acredite, quem Marcelo Haro agora quer apoiar? Cleitinho. Ainda não fechou. Então Flávio Bolsonaro vai ficar com Flávio Rosqui? Nem tanto assim, porque Nicolas, Nicolas Ferreira, que teoricamente iria apoiar Flávio Rosqui, que é o candidato do PL, tá querendo apoiar quem? Mateus Simões. Tá querendo apoiar Mateus Simões. Com as bênçãos de Michele e Bolsonaro. E aí bagunça tudo e quer derrotar Cleitinho. Por quê?

Porque ele sabe que Mateus Simões na próxima eleição não pode ser candidato, porque já agora é governador, vai poder só ter uma reeleição. E aí Nicolas acha que em 2030 ele pode ser o candidato ao governo de Minas. Então, Natuza, uma confusão danada.

NNNatuza Nery

Para quem não é de Minas entender, é o fato de que os candidatos à presidência da República que estão mais bem posicionados na pesquisa, Lula e Flávio, têm dificuldade dificuldades nos seus palanques em Minas Gerais, que é, como eu já disse, um estado central para se eleger presidente da República. Cleitinho, e aí é bom saber da situação dele no estado, ele é importante porque ele pode fazer campanha ou para Flávio ou para Lula ou para ninguém.

Você acha que ele tende a quê? A declarar apoio em Lula, a declarar apoio em Flávio, ou a ficar independente nessa história?

?Voz A

Essa é uma boa pergunta. E se tratando de Cleitinho, a gente não dá para cravar, né?

NNNatuza Nery

O Cleitinho talvez tivesse que dar palanque para o Flávio Bolsonaro lá.

?Voz A

Qual é o meu ponto?

NNNatuza Nery

Ele é mais alinhado no discurso, nas pautas, ao campo bolsonarista do que ao campo do presidente Lula.

?Voz A

Na verdade, é muito eleitor cruzado do Lula, vota, gosta do Cleitinho, né? Não dá para cravar nada na Tuso porque ele pode, por exemplo, se o PL decidir apoiar o atual governador, aí rifa o ex-presidente da Federação da das Indústrias de Minas Gerais, que seria o candidato. A Tusa é muito confuso. Traduzindo o seguinte: Lula, que queria lançar Rodrigo Pacheco, que queria lançar Josué Gomes, o filho do vice-presidente José Alencar, vice-presidente do Lula, que namorou Alexandre Kalil, tentou lançar Marília Campos, que vai ser candidata ao Senado pelo PT, acabou fechando com Patrulha Ananias.

Então tem um palanque lá do PT. Não queria, queria desde o início Rodrigo Pacheco, mas pelo menos definiu seu palanque. Flávio Bolsonaro tá perdido. Flávio Bolsonaro, diante da essa confusão toda decidiu apoiar Flávio Rosca do PL. Agora o PL pode abandonar Flávio Rosca. Por enquanto, Flávio Bolsonaro não tem um palanque certo em Minas Gerais. E a gente lembrando que tem até o dia 15 de agosto para fechar toda essa confusão no estado.

Eu nunca vi uma eleição no meu estado ser tão confusa como essa. Eu acho que você não entendeu, eu não entendi, o eleitor mineiro não está entendendo. E tudo isso por conta de um personagem chamado Cleitinho.

NNNatuza Nery

Bom, até o Cleitinho não entendeu, né, Nevaldo? Porque do jeito que você tá falando, nem ele, nem ele entendeu, né?

?Voz A

Agora ele tá dizendo que vai ser candidato, tem como vice o Luiz Falcão, que é ex-prefeito de Patos. Então parece que isso tá definido na seara dele, candidato a governador e a vice, chapa puro-sangue do Republicanos, né? Isso tá definido. Mas o Marcelo Haro podendo apoiá-lo, Marcelo Haro que havia traído o governador para ser candidato e agora tá sendo traído, e talvez apoie Cleitinho. Olha, Duma com essa confusão toda, Natuza.

NNNatuza Nery

De toda essa novela, como é que fica a situação de Lula? Você disse que Patrulha Ananias é um nome importante. Daí, se a gente for pegar o cenário 1 da Quest, Cleitinho Azevedo com 35%, Alexandre Calil, ex-prefeito de BH, do PDT, com 12%, Patrulha Ananias do PT com 10%, e Mateus Simões com 6%. Gabriel Azevedo do MDB, Mateus Simões do PSD com 6%, Gabriel Azevedo do MDB com 4%. Há outros, Flávio Roscoe, como você disse, do PL, com 2%.

Tem muita gente para subir, para descer nessa pesquisa ainda, né? Mas o Patrus com 10% é um palanque forte para o Lula?

?Voz A

Para quem estava sem palanque, para um candidato que na primeira pesquisa já saiu com 10%, não é para desprezar. É claro que não é o ideal para o Lula. O ideal é que ele tivesse ali o apoio de um candidato que estivesse em segundo lugar. Não está, está atrás do Alexandre Kalil. Mas pode baixar o Kalil? Pode, que estão empate de técnico. Então, de repente, pode surpreender. O problema é que a imagem do PT no estado tá muito, muito, continua muito negativa.

Eu não vejo espaço para o PT subir, a não ser uma figura como Patrícia Ananias, que é respeitado, já foi prefeito de Belo Horizonte, já foi ministro tanto do governo Lula quanto governo Dilma. Então é alguém respeitado no estado, que tem credibilidade. Ele pode surpreender? Pode. É fácil? Acho que não. Mas nesse cenário acabou sendo o melhor nome, depois que o Lula não teve Rodrigo Pacheco, não teve Josué Gomes, não teve Marília Câmara, que é a favorita hoje para ser eleita pelo Senado numa das duas vagas pelo PT mineiro.

Então Lula não está no melhor dos mundos, mas pelo menos pode ter esse candidato ali para ser um palanque razoável para ele. E Flávio Bolsonaro, eu não vejo, por exemplo, Mateus Simões fazendo campanha contra Flávio Bolsonaro. Vai fazer campanha contra Lula? Muito provavelmente. Cleitinho, Cleitinho é grande incógnita. Vai fazer campanha para quem? Para Lula? Para Bolsonaro? A gente observa que alguns momentos Cleitinho aqui no Senado já já votou em projetos de interesse do Palácio Planalto, mas vota sempre mais em projeto de interesse do bolsonarismo.

Mas como era uma caixinha de surpresa, ninguém pode garantir exatamente o que vai acontecer. E tem Alexandre Kalil, tá no PDT e não quer de jeito nenhum estar aliado ao PT, desistiu. Lula chegou a pedir que ele fosse o palanque dele lá, ele não quis porque ele acha que o PT é uma mala pesada demais para carregar durante a eleição. Então ele desistiu. Então você tem esse cenário. Talvez se Flávio Bolsonaro conversar bem ali, ele pode não ter só um palanque, mas pode ter pelo menos outros candidatos que vão atacar Lula e não vão atacar ele candidato do PL no país.

NNNatuza Nery

Valdo Cruz, meu amigo, conto com você para traduzir Minas Gerais, por favor, porque você tem lugar de fala. Você é de que cidade?

?Voz A

Belo Horizonte, da capital.

NNNatuza Nery

De Belo Horizonte. É isso, meu amigo, muito obrigada por ter topado conversar aqui comigo. Um beijo para você.

?Voz A

Saúde, pai.

NNNatuza Nery

Espera um pouquinho que eu já volto para falar com Carlos Ranulfo Melo.

?Voz A

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NNNatuza Nery

Professor Carlos, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, um estado que concentra um pouco de tudo que há, né? Tem regiões com indicadores equivalentes ao Sudeste, regiões com indicadores equivalentes ao Nordeste. Eu quero pedir para o senhor fazer uma espécie de desenho, né, desse estado espelho, podemos dizer assim, ou de um estado síntese do Brasil.

?Voz B

É fato, Minas se caracteriza por ter uma região Norte e Nordeste muito próxima do Nordeste brasileiro, por ter um Sul muito influenciado por São Paulo, por ter uma Zona da Mata onde as pessoas torcem pelo Flamengo e pelo Botafogo e não pelo Atlético, pelo Cruzeiro, e por ter um Triângulo Mineiro que é influenciado tanto por São Paulo como pelo Planalto, né, por gasto, tem a questão do agro, tem muito peso ali. E por outro lado, Belo Horizonte, a capital, não tem tanta ascendência assim sobre o interior.

O estado muito grande, o eleitorado em Belo Horizonte é muito menor do que o eleitorado do estado. Na última eleição, por exemplo, Kalil venceu em Belo Horizonte, mas perdeu de longe em Minas. Então a capital tem pouca influência sobre o interior, e o interior ele é muito diversificado. De fato, dá um retrato do Brasil sem ter um polo aglutinador, que seria Belo Horizonte, né?

NNNatuza Nery

E o eleitor mineiro, como é que ele se posicionou nas últimas eleições? Como é que a gente define o eleitor mineiro?

?Voz B

Seria mais conservador, assim como o eleitor brasileiro hoje é mais conservador, mas costuma dar vitória ao PT.

?Voz D

Lula venceu em Minas, né, com essa porcentagem de 48,29% dos votos, mas Bolsonaro ganhou em Belo Horizonte, no maior colégio eleitoral, né, que Bolsonaro ganhou nas maiores cidades do estado, em Belo Horizonte, Uberlândia, e também em Contagem. Já Lula venceu em Betim, Ribeirão das Neves e no interior do estado, em cidades como Juiz de Fora e Montes Claros. Aqui em Belo Horizonte, a diferença entre Bolsonaro e Lula foi de pouco mais aí de 60 mil votos.

O Norte, Nordeste do estado, uma predominância maior onde Lula teve mais êxito. Nas cidades aqui do Triângulo, Alto Paranaíba, sul do estado, onde Bolsonaro teve mais votos que o candidato do PT.

?Voz B

Deu vitória ao Lula na última eleição, deu vitória à Dilma nas duas que ela disputou. Então é difícil caracterizar esse eleitor, né? Até porque, como eu disse, são diversas áreas. Eleitor sulista do sul de Minas é muito influenciado por São Paulo, embora o PT tenha governado algumas cidades no sul de Minas, já governou cidades no Triângulo, mas tem muita dificuldade no Triângulo Mineiro. Minas são muitas, né? Como já disseram mineiros ilustres, né? Essa que é a verdade.

NNNatuza Nery

Exatamente. E é isso que faz Minas tão especial em todas as disputas presidenciais. Eu vou pedir então para que você nos explique, professor, as candidaturas que despontam com maior força em Minas e por quê. E também, aproveitando para o assunto que não é de Minas, o que que representam os candidatos dentro do cenário eleitoral mineiro?

?Voz B

Essa eleição em Minas é eleição assim única. Nunca Minas Gerais esteve num quadro tão indefinido. Então isso já diz muita coisa, né? Por exemplo, o líder das pesquisas não era candidato, o PL iria apoiar o Cleitinho, que depois, que não ia ser mais candidato. Aí o PL lança candidato, o Marcelo Haro ia sair para um lado e ameaçou sair para o governo, vai sair para o Senado em candidatura avulsa. Você tem ideia, o Cleitinho, que é o líder das pesquisas, pelo menos das pesquisas que nós conhecemos, ele não tem candidato senador.

Então, um quadro muito confuso. São 6 candidatos com alguma competitividade. É claro que o Cleitinho deve aparecer à frente, mas você tem uma direita com 3 candidatos, É o Flávio Roscoe do PL. Esse é uma coisa muito importante. O PL esperava um acordo com Cleitinho e o apoio a Flávio Bolsonaro. Isso não se configura. O Flávio inclusive já declarou que não quer palanque duplo. Então o PL deve manter a candidatura. Até 10 minutos atrás o PL tava mantendo a candidatura do Flávio Roscoe, que tem 2% nas pesquisas.

Então o fato de você ter 3 candidatos de direita faz com que a direita, que parecia ter um estado onde ela ganharia fácil, a coisa se complica um pouco. E 3 outros candidatos de centro ou centro-esquerda, que é Kalil, Patrus e Gabriel Azevedo, que é um ex-vereador. A chance de se definir no primeiro turno, eu diria que é nula. Resta saber quem vai para o segundo turno.

NNNatuza Nery

6 candidatos. Quais são os candidatos da direita?

?Voz B

Então, são Flávio Roscoe, Cleitinho e Mateus Simões, que vai pelo PSD. À esquerda temos o Patrus. E ao centro, vamos dizer assim, temos o Kalil, que foi prefeito de Belo Horizonte, e o Gabriel Azevedo, do MDB, que que é um ex-vereador, atualmente acho que tá sem mandato. As últimas pesquisas davam Cleitinho à frente, com Calil e Patruso em segundo, Mateus Simões em terceiro e Gabriel Azevedo atrás. O Flávio Rosco ainda não havia sido testado.

Se não me engano, a única pesquisa que ele aparece, o candidato do PL, tinha 2%.

NNNatuza Nery

E quais são as principais demandas para o eleitor mineiro no voto para presidência da República? É possível detectar que ansiedades ou que demandas há no eleitorado mineiro?

?Voz B

A eleição em Minas entre Flávio Bolsonaro e Lula tá equilibrada, com ligeira vantagem para o Lula. O ex-governador Zema sai com uma avaliação razoável, 53% de aprovação. Não é espetacular, mas pelo menos é positiva. Eu acho que aí tem um certo revés por Flávio Bolsonaro, porque ele esperava contar com Cleitinho, e agora o PL lança o Flávio Roscoe. O Flávio Roscoe vai querer crescer, vai ter que disputar o eleitor do Cleitinho.

Sim, porque como é que o Flávio Rosco pode crescer? Tem que disputar o eleitor bolsonarista, que não havendo um Flávio Rosco iria voltar no Cleitinho. Então vai haver uma disputa aí que nós não sabemos qual o desfecho, não sabemos como é que vai se dar. Se o Flávio Rosco se confirma, vai haver uma disputa renhida pelo eleitor que vota à direita entre Flávio Rosco e Cleitinho e o próprio Matheus Simões, que por enquanto patina, né, nunca passou de 10% em pesquisa Mas o Matheus Simões vai ter um tempo de televisão razoável.

Ele é apoiado pela União Progressista e tem o PSD. Então ele vai ter mais tempo de televisão do que, por exemplo, o Cleitinho, ou mesmo do que o Flávio Rosco, ou do que o Patrusso. E além do fator Cleitinho, né, há 6 meses que ele não sabia se ia ser candidato. Ficou 6 meses sem saber se ia ser candidato ou não.

NNNatuza Nery

Uma novela maluca, né? Uma novela maluca.

?Voz B

Tem esse aspecto novelesco, mas tem uma coisa por trás, que é o fato do senador ter uma brutal insegurança para assumir a proposta. É uma evidência de que ele, ele no íntimo se perguntava também se ele estaria preparado para isso.

NNNatuza Nery

Seria largar uma cadeira tranquila do Senado para disputar um abacaxi como é o governo, como é Minas Gerais, um estado que começou 2026 com um caixa negativo de R$11 bilhões e uma dívida muito, muito grande de mais de R$160 bilhões.

?Voz B

A dívida do Estado é absurda, ela cresceu com o Zema.

NNNatuza Nery

Professor, eu te agradeço muito por ter trazido um pouco de Minas Gerais para o episódio de hoje do Assunto, para a gente entender um pouco os rumos dessa campanha. Te agradeço muito e te desejo um excelente trabalho.

?Voz B

Tá bom, para vocês também então. Obrigado.

NNNatuza Nery

Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do assunto estão Luiz Felipe Silva, Carlos Catellan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stephanie Nascimento e Marco Antônio Martins. Colaborou neste episódio Tomé Granneman. Este episódio usou áudio do canal Buenas Ideias no YouTube. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo assunto.

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