ESPECIAL: Natuza Nery e Andréia Sadi entrevistam Renan Santos
- Outras frentes de combate ao crime· SegurancaBukelismo·João Barradas·Prisão sem mandado·Estado de defesa
- Parecer da base governamentalComposição de governo·Centrão·PEC da transição
- Revisão do Pacto FederativoDesmame financeiro·Ciclo de pobreza·Classe política parasitária
- DesfavelizaçãoPolítica de Estado·Título de propriedade·Gentrificação
- Responsabilidade Fiscal· EconomiaMetas de desempenho·Inelegibilidade de prefeitos·Fundo partidário
- Propostas FiscaisDesindexação do salário mínimo·Desvinculação de receitas·Drama fiscal
- Liberdade de Imprensa· PoliticaNotícias falsas·Páginas de fofoca·Financiamento público
- Definição de machismoAusência da figura paterna·Criminalidade juvenil·Provocação
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Direto da sabatina do G1 e da GloboNews, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é a entrevista com Renan Santos.
Olá, muito boa tarde, bem-vinda à série de entrevistas da GloboNews e do G1 com os candidatos à presidência da República. Foram convidados os 5 mais bem colocados na última pesquisa Datafolha e, pela sequência definida em sorteio, a gente recebe hoje Renan Santos, do Missão.
Amanhã nós vamos receber Romeu Zema, do Novo. Na sexta-feira, Ronaldo Caiado, do PSD. Flávio Bolsonaro, do PL, é o convidado da próxima segunda-feira. O presidente Lula, do PT, não aceitou o convite. A GloboNews e o G1 transmitem ao vivo esta série de entrevistas especiais e conjuntas. A entrevista terá 1 hora e meia de duração, contado a partir de agora. Candidato Renan Santos, é um prazer recebê-lo aqui.
Prazer é todo meu, uma honra estar com vocês, prazer muito especial mesmo assim. É um momento de realização para os meninos e todas as pessoas que ajudaram a coletar as garotas na chuva, no sol, para ter esse partido político e eu estar nesse momento representando eles. Então espero, espero responder bem as perguntas de vocês.
Candidato, queria começar perguntando das propostas desse plano de governo que o senhor já entregou ao TSE. Tem uma série ali de informações de planejamento. O senhor fala na PEC da regra fiscal, da nova regra fiscal, mudança na lei penal, mudanças ali em programas sociais. Mas o senhor se coloca como um candidato antissistema. Acompanho muito as falas do senhor. O senhor já falou, já chamou o Centrão de vagabundo, de parasita.
E o senhor sabe exatamente como funciona uma PEC, né? Assim, precisa de apoio, precisa de muito voto. Como que o senhor pretende fazer isso?
Sadi, eu aceito a alcunha do antissistema no sentido de que eu não participo do grande jogo e seus vícios, mas eu entendo o funcionamento da fábrica de salsichas que é o Congresso Nacional. Durante o impeachment da Dilma Rousseff, eu organizei manifestações de rua, eu participei do próprio comitê do impeachment. A gente tem parlamentares no Congresso que aprovam projetos mesmo sendo oposição aos governos. O caso do Kim é o mais emblemático, ele foi oposição ao governo Bolsonaro e aprovava projetos e relatorias.
E mesma coisa agora no governo do Lula, em que ele também é oposição. Existe um momento de você, assim como existe um momento de eu ser o Renan militante do MBL, existe um momento de eu ser o Renan presidente no Partido Missão. E existe um momento também dos candidatos dos partidos adversários se agredirem mutuamente, apontarem os problemas, e o momento deles sentarem na mesa para poder discutir projetos. Mesma coisa, diferenças postas chamando os membros do Centrão que são parasitas.
Olha, é o momento de chamar de parasita, é o momento de chamar o parasita na mesa e ele me chamar de irresponsável, do que ele quiser chamar. E colocar as diferenças e a gente começar a tratar dos projetos. Eu acho que a função da democracia é justamente essa, é a gente sentar, e o parlamento, as instituições entregam essas possibilidades, é sentar, colocar os projetos. Aí eu tenho a obrigação de trazer os projetos e com base nisso discutir.
Mas eu sei da dificuldade, e a dificuldade está para todos. Mas o que eu sinto, e não quero me estender nessa pergunta, mas ela é muito importante, que era sobre governabilidade num país que vive em crise. O que eu sinto é que quando você tem um presidente que tem vontade de realizar algo que ele tem um plano, mesmo quando ele não é bem aprovado ou quando ele tem dificuldade de construir maioria— e eu posso dar um exemplo: Fernando Henrique no segundo mandato, ou Michel Temer com seus 3, 4% de aprovação— quando você tem agenda, você mesmo assim consegue compor.
E aí governos que não têm agenda— e aí a gente pode pegar o governo do Bolsonaro, que ele chegou lá sem meio que saber o que ia fazer, em grande medida o governo Lula, que não tinha muito a propor— eles passam meio que andando de lado. Então a ambição é querer fazer algo e lutar para realizar.
Um ponto bastante relevante da sua proposta é aprovação de uma proposta de emenda à Constituição antes mesmo da sua posse, caso o senhor se eleja. É uma proposta muito ambiciosa e de histórica dificuldade de aprovação em diferentes composições do Congresso Nacional. Uma aprovação dessa monta requer o Centrão, que a lógica da política brasileira é de manutenção do Centrão como grupo político no Congresso Nacional. Exatamente. Mas aí eu quero ver qual é a viabilidade de passar essa proposta ambiciosa.
E aí, com base no que o senhor já disse em outros momentos, cerca de um ano e meio atrás, o senhor já disse o seguinte: o Centrão é o verdadeiro inimigo. Mas esse não é nem o ponto, porque o senhor já respondeu para Sadi o que que do Centrão. O ponto é que numa fala de um ano e meio atrás, o senhor reconheceu a dificuldade de passar reformas de peso, dizendo basicamente o seguinte: toda reforma no Brasil tem que ser minorada, ou seja, ela precisa ser desidratada para poder passar, para acomodar os interesses do Centrão.
No fim do dia, uma máquina viciada que impede o presidente de governar. Os cortes todos não me parecem possíveis sem uma gigantesca reforma constitucional. Visto que eles não vão mudar as regras do jogo que os beneficiam, eu lhe pergunto: como é que o senhor vai fazer para aprovar uma PEC que mexe em tudo? A gente vai tratar disso mais na frente. Mexe em tudo, de benefício social a tantos outros pontos, com esse centrão, de maneira clara, antes da posse.
Antes da posse, a gente tem que passar ela como PEC da transição. Você tá se referindo à PEC, Natuza, que o Kim já protocolou junto com Pedro Paulo e mais um outro deputado federal e tá no processo de coleta de assinaturas. Eu adoraria passar ela integralmente, entendendo que, como eu mesmo disse, você fez uma citação minha, que ela tende a ser minorada diante de pressões parlamentares de bancadas ali durante esse período da transição.
E eu entendo também que, se for o caso, eu precisaria passar pedaço dessa PEC. Por exemplo, desvinculações, desindexações, que são temas que foram interditados e colocados de lado pelos meus adversários na seleção. Eu não vejo, por exemplo, Flávio falar em uma reforma fiscal baseada no corte de despesa, e ele tá falando inclusive em reforma fiscal baseada no aumento de receita.
Você tá falando de desindexação, só para a gente colocar todo mundo na mesma página, é recurso desvinculado para saúde, educação?
Não, essas são as desvinculações das receitas. Isso. Uma desvinculação das receitas e a desindexação é do valor do salário mínimo, aumento do salário mínimo indexando o aumento da aposentadoria e do BPC. Porque isso acaba gerando não apenas pressão sobre o aumento de juros, porque aumenta a dívida, e aumenta a dívida aumentando, você aumenta os juros, o seu dinheiro desvaloriza, desvalorização do dinheiro gera menos poder de compra, que é o famoso, e a minha grande crítica, você dá com uma mão para o aposentado ou para um beneficiário e tira com a outra, que é o que as pessoas sentem hoje.
Você indexa e ao mesmo tempo as pessoas sentem que o poder de compra delas diminui. É esta impressão, somada ao drama fiscal que a gente vem passando, precisa ser respondida agora. E por quê? Para o próximo presidente governar, tem que haver um clima de confiança de que o Brasil será capaz de arcar com seus compromissos, com suas dívidas, e que você vai ter um controle fiscal tal que a curva de juros no longo prazo comece a alterar, o Banco Central, sem ser na marretada, comece a alterar os juros numa tendência de queda.
Isso tem uma pressão também orçamentária. E aí você consegue tocar as outras políticas, também são políticas de corte de despesa que estão inseridas naquela PEC, e somadas a reforma de competitividade, o que vai gerar um efeito de crescimento na economia, que é o que a gente pretende ter.
Candidato, eu queria entender, porque eu faço essa cobertura de Congresso há muito tempo e eu sei da dificuldade que é, eu vejo das articulações para você aprovar um projeto como esse, uma proposta como essa. O senhor falou que a PEC está protocolada. As informações que a gente tem levantadas junto à Câmara é de que ela não está protocolada. Peça do Kim, tem um número mínimo de assinaturas, o senhor sabe disso. Então, é, o senhor disse ontem inclusive numa entrevista para o Antagonista que não é nem para esperar a posse, é para já no dia seguinte, no segundo turno. Eu tava assistindo. Mas como é que vai fazer isso?
Compondo.
Mas não tá nem protocolada.
Não, assim, você tem 61 de 150 de coleta de assinaturas. Com essas assinaturas que você obtenha, você faz o protocolo. Sim, você tem que correr com isso. Ou você separa dois elementos que eu citei, as desvinculações e as desindexações, você separa e você entra com um projeto específico. Aí vai depender da correlação de forças que a gente estabelecer após a vitória. O elemento central é: eu sou o único pré-candidato que tá indo para as eleições, candidato agora, que está indo para as eleições falando que vai fazer isso.
Se eu vencer a eleição, uma questão lógica, significa que eu venci a eleição com essa agenda. Se eu venci com a eleição com essa agenda e com as expectativas futuras de mercado de que, caso essas medidas não passem, o Brasil quebra, até o Centrão— e aí, em conversas com membros do Centrão, vocês são jornalistas experientes e conhecem, todo mundo sabe que a rota nossa é de colisão fiscal, há um problema fiscal que tá se aproximando cada vez mais.
O carrapato sabe que o boi não pode morrer, e eles sabem que em alguma medida reformas terão que passar. Na transição é o melhor momento. Na transição eu posso negociar com deputados e senadores que perderam suas respectivas eleições, eu posso fazer durante o processo de composição de governo em que, um, eu estou um momento de alta, são os famosos 6 primeiros meses.
Mas então o senhor sabe que não dá para governar sem o Centrão?
Eu tenho certeza disso. Eu não— você não verá um discurso de molecagem no sentido de, não, eu vou governar. É impossível. Até porque o nosso modelo democrático pós-88, ele é uma mistura de parlamentarismo com presidencialismo. Então eu não apenas não— eu falo que eu terei que governar com eles, eu terei que compor um governo com eles, eu terei que compor ministeriado. O que eu vou precisar fazer é estabelecer as regras para isso. Isso é inegável. Tem mais um elemento que a gente vai passar aqui.
Admitindo nesse caso que o senhor vai governar com palavras suas, parasitas, vagabundos.
O eleitor, vou complementar, o eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos. Como eu sou um democrata, eu vou ter que compor, não com bandido nomeado por um membro do PP.
Mas você vai compor ou ceder?
Compor. Ceder na vida faz parte de negociações. Se eu fizer uma negociação republicana, ceder faz parte. O que eu não farei são negociações não republicanas. E esses são os limites impostos por um candidato que venceu com essa agenda. Agora, as pessoas vão eleger um candidato a presidente, não um showman ou um cara que vai fazer um statement anti-sistema. Não é possível fazer um statement ou uma declaração: sou candidato do sistema que vou governar sozinho.
Não dá, o Brasil tá quebrado, não dá. Assim, a gente só falou agora da parte fiscal que precisa passar. Tem muitos outros elementos que a gente precisa resgatar em termos de nação que vão precisar de maioria no Congresso. Maioria para PL e para PEC. Então eu já aviso para o eleitor, eu já venho avisando nos meus comícios, nos meus eventos: eu vou ter que conversar, eu vou ter que negociar e compor com membros deste parlamento, desses partidos que vão para eleição mais corrupta da história brasileira.
Agora, candidato, no último Congresso do Missão, no último fim de semana no Congresso do Missão, o senhor deu a seguinte frase: vamos matar quem roubar. Eu quero entender o que que essa declaração quer dizer. O senhor tá dizendo que vocês vão matar o ladrão de celular, o sonegador de impostos, o político corrupto, a mulher que rouba na venda 2 litros de leite para alimentar o filho? Quem que o senhor tá dizendo que vai matar?
Foi uma bela declaração que eu dei no púlpito, foi transmitido aqui inclusive pela GloboNews. Então vou contextualizar a declaração para responder você de maneira muito precisa. Eu estava falando que nós vamos viver num país em que você vai poder andar com seu celular na rua e você vai comprar as coisas que você quer e você não será assaltado. Quem tentar te fazer isso vai morrer. O que que eu tô demonstrando? Um discurso político.
Se você tiver diante de um assalto à mão armada, que é o grande problema que gera medo das pessoas na rua— São Paulo, a taxa de homicídio a cada 100 mil habitantes no meu estado, que é São Paulo, diminuiu bastante. Já já São Paulo vai ultrapassar uma taxa menor que a dos Estados Unidos da América em termos de Homicídios a cada 100 mil habitantes. Entretanto, todo mundo fica inseguro ainda em São Paulo, é o assalto à mão armada.
O assalto à mão armada hoje, um policial em São Paulo, não só no Brasil, ele tem a possibilidade de legítima defesa de terceiros, que é se alguém tá assaltando você à mão armada, ele poder agir de maneira armada, tentar um tiro não letal. Se acontecer de ser letal, aconteceu. O que eu tô avisando é o approach, a resposta que a presidência da República tem que dar é O bandido será tratado como bandido e o cidadão como cidadão. E que o cidadão não tem que ter medo.
Aquilo é um recado político, um recado político importante de uma intenção de um próximo presidente de enfrentar de maneira muito dura o crime.
Mas isso não tem um risco de matar inocentes? Eu tô falando isso porque o senhor tá falando que foi um discurso que o senhor fez lá na convenção, a gente assistiu, a gente acompanhou. É um slogan da campanha, eu já vi o senhor falar várias vezes, a gente leu aqui o plano de governo, tem, o senhor explica do que se trata. Teve até bichinho de pelúcia sendo vendido ali com essa frase. Então o senhor usa muito isso, né? É uma marca da campanha. Você não teme abusos em nome do senhor como líder do grupo usando esse slogan?
Não, não temo. A gente já vive numa sociedade do abuso. Primeiro, a gente vive numa sociedade em que o abuso e a violação de direitos humanos se tornou a regra. A exceção se tornou viver em lugares seguros em que você não é assaltado por todos os lados. A gente vive uma sociedade de medo. Portanto, eu quero inverter isso. A minha declaração foi muito clara: hoje, diante de um cidadão armado, uma pessoa— acho que nem tem como haver muito engano.
Se você é um policial e tá na rua, está diante de um bandido que tá apontando uma arma para uma pessoa, como agora, não sei se acompanha o caso horroroso aqui no Rio de Janeiro do menino autista, tava no meio da rua, um bandido armado tentou roubar o cordão dele, ele entrou em pânico, o menino fugiu, o cara atirou, ele matou ele pelas costas. O que um policial deveria fazer diante desse caso? É fazer o uso da força. O uso da força nesse sentido, ele tem que ser apoiado pelo Estado, suportado pelo Estado.
A autoridade policial, ela tem que ser respeitada e dignificada nesse sentido. Isso não significa que o abuso ele tem que ser acobertado ou achar que as consequências do abuso são meros números.
Não, mas isso é diferente de matar como política de Estado, né? O que o policial pode fazer no momento de uma ocorrência como essa Tá permitido, sim, né, constitucional. Agora, o que eu entendo quando o senhor fala vamos matar, que isso vai ser uma política de Estado.
Aí é uma confusão, Natuza, desculpa, desculpa interromper, entre um slogan e uma prática. Eu não vou permitir que policiais fiquem andando atirando a esmo, isso nem existe. Agora, a ideia própria de que o Estado ele vai iniciar sua luta para fazer um enfrentamento total ao crime respeitando preceitos constitucionais Me parece meio óbvio. As pessoas não entendem dessa maneira.
Mas então, deixa eu só ver se eu entendi, tá? O que o senhor tá me dizendo é que o senhor se divide em duas pessoas: uma pessoa campanheira, de campanha, que fala tudo, e uma outra pessoa que, se eleito for, vai governar?
Não. Por exemplo, quando você publica uma notícia no G1, você vai ter o título, você tem a foto da matéria, você tem o corpo da matéria. Cada um é constituído de uma maneira para você ter camadas diferentes de interpretação do mesmo fato.
Mas o título é um resumo fidedigno do que está na matéria.
Olha só, prendeu, matou, para falar o bichinho de pelúcia que a gente vendeu e está disponível na nossa loja no partido. Se você é um bandido, você tem apenas duas opções no meu governo: ou você vai ser preso, ou se você reagir, você vai terminar morto ou machucado. Não tem outro caminho. Se você é um bandido armado, tá cometendo um assalto—
Mas isso já é assim hoje. Se o bandido reagir numa ocorrência, ele pode morrer.
Sim, espero que aconteça mais. E se ele for preso, que ele fique preso. Porque hoje a regra é prender ou soltar. Hoje você prende, vem uma audiência de custódia, solta. Eu aposto dinheiro que aquele cara que matou o menino autista agora com cordão, ele é um reincidente, porque tem quase aquela proporção Pareto. Quase todo mundo que comete crime são as mesmas pessoas, e essas pessoas são reincidentes e retornam à rua. Hoje a regra é prender ou soltar.
A provocação do Prendeu Matou é: você tem que ter dois caminhos, o prendeu ou matou, não tem outro caminho.
O senhor se inspira muito, e eu ouço muito o senhor falar do Bukele, é o salvador. Eu queria saber do senhor se é nisso aqui que o senhor se inspira, agora ampliando mais para o plano de segurança como um todo. Olha só, a gente sabe, ele reduziu de forma drástica o crime, mas olha só que custo: prisão sem mandado, ampliação do tempo de prisão sem ordem judicial, redução drástica de habeas corpus, dificuldade de acesso a advogados.
Prisões baseadas em denúncia anônima, perfil territorial e até tatuagem. O senhor sabe disso, o senhor acompanha. Isso aqui é a fórmula. Queria saber se o senhor vai fazer alguma coisa parecida dessas no Brasil.
A fórmula é o que tá disposto no Livro Amarelo, e boa parte daquilo que a gente defende passou agora no Congresso Nacional.
Mas isso aqui que eu falei, o senhor bebe nessa fonte?
Não, não, eu bebo na fonte da capacidade de ação e resolução do Estado. El Salvador não é igual ao Brasil. Eu vou dar um exemplo. Eu respeito e acredito muito na ideia de que O Poder Executivo tem que ser capaz novamente de executar coisas. As pessoas em El Salvador não tinham mais autoestima, as pessoas não conseguiam andar nas ruas, e ele teve um approach, ele teve uma vontade de ação que ele conseguiu realizar e concretizar uma mudança.
Eu respeito isso. Agora, o Brasil não é El Salvador, eu não vou concordar com tudo que ele faça, nem ele vai concordar eventualmente me tornando presidente com tudo que eu faça. O Noboa, vocês pegarem um caso para fazer uma crítica boa ao modelo de El Salvador, o Noboa tentou copiar o que o Bukele fez em El Salvador num contexto equatoriano. Não funcionou como El Salvador, porque o Equador tem um tráfico internacional de drogas, tem um cartel chamado Los Lobos, poderosíssimo.
Mas onde a diferença do senhor para ele então?
Já que o senhor falou de diferença, critico que ele faz, por exemplo, julgamentos coletivos ou prisões sem mandado.
Não faria isso, até porque a Constituição aqui não permite.
Mas não é uma transposição. O que o Bukele fez tá no contexto el salvadorenho, dentro de um sistema normativo dele. O que nós vamos fazer vai ser dentro do contexto nosso, com as dificuldades e vicissitudes de um país como o Brasil. O país é— o crime organizado no Brasil é muito diferente de El Salvador. O PCC não existe. Você tentar explicar para uma pessoa de El Salvador o que é o PCC, ele mesmo não vai entender. Os Estados Unidos não entendem como funciona o PCC.
Os mecanismos que você vai ter de enfrentamento serão outros. Agora, a vontade de agir para resolver esses problemas tem que ser a mesma. A vontade, a disposição do líder em resolver um problema histórico. Desculpa, vale a pena pegar um outro cara que eu cito, que é o Milei. Millet tava na convenção do Flávio Bolsonaro agora. Eu não teria nenhum motivo para falar, é, gosto, acho o Millet maravilhoso. Dito isso, a intenção do Millet durante a campanha de falar dos problemas econômicos argentinos, mesmo quando impopulares, é uma dinâmica que eu gosto também. É, o Brasil é igual Argentina? Não, as potencialidades são diferentes.
Então, já que a gente tá falando de Brasil, vamos fazer um ponto a ponto aqui.
Prisão sem mandado, não acredito em prisão sem mandado.
Ampliação do tempo de prisão sem ordem judicial, tem que ter ordem judicial. Redução drástica de habeas corpus.
O habeas corpus, se você foi, se você cometeu um crime hediondo, você não tem direito a habeas corpus.
Dificuldade de acesso a advogados.
Não, você tem que ter acesso a advogado.
Julgamentos coletivos, o senhor já falou. Prisões baseadas em denúncia anônima, perfil territorial e tatuagem.
Para você, para você ser enquadrado como membro de uma facção, você tem que ter uma investigação prévia.
Mas então o que que você vai fazer de parecer do Kubrick? Eu não entendi.
Pelo amor de Deus, eu acabei de falar, é o enfrentamento ao crime organizado.
É a intenção, a forma, a bula.
Se essa é a bula, não, a bula dele pode ter esses elementos: a construção de grandes presídios, a ideia de que você vai tratar a facção criminosa como um ente anômalo dentro da sua sociedade, e aí você vai ampliar a capacidade de ação do Estado. Por exemplo, ele criou um estado de exceção. O estado de exceção, eu quero só para a gente entrar nisso, mas essa é a minha resposta para ela.
Eu vou complementar, aí você vai ter chance de dar resposta para as duas. São muitos vídeos, muitos vídeos, muitas falas suas em que o senhor parece ter muito mais inspiração, se inspirar muito mais no Bukele do que o senhor tá descrevendo agora. E aqui de novo acho que vale a pena dizer como o Bukele conseguiu essa fórmula, como ele chegou à implantação dessa fórmula. Ele demitiu todos os ministros da Corte Constitucional, ele aposentou compulsoriamente um terço dos juízes.
Hoje ele controla o Congresso de lá, a Assembleia, Ele, a imprensa não é livre, muitos jornalistas tiveram que sair do país para não serem presos. Basicamente, em outras palavras, não há democracia por lá. E no seu plano de governo, o senhor deixa muito claro que o senhor vai combater o crime fazendo decretos sucessivos de estado de defesa, e que essa é a sua, IGL, que essa é a sua fórmula. O senhor, em nome do seu combate, do seu plano de combate à criminalidade, está disposto ao custo de um regime autoritário ou de atropelar o Supremo Tribunal Federal se ele viesse colocar contra suas medidas, por exemplo?
Não, eu não vou atropelar nada, vou fazer o estrito cumprimento da lei. O estado de defesa que é necessário para que uma operação policial aconteça numa favela ou numa cidade tomada pelo crime se necessário, será colocado naquela região.
Então você não vai fazer nada como Bukele?
Mas eu não sou Bukele, eu sou brasileiro. Meu nome é Renan Santos, eu não sou neto de palestinos, eu tenho outra família, eu nasci na Moca, eu moro no Brasil, e eu vou criar políticas de segurança muito duras para destruir o crime num contexto brasileiro. Não adianta achar que é uma regra de três, porque senão eu vou falar o seguinte: olha, um país que virou uma ditadura foi a Venezuela, e um dos momentos para criação da ditadura foi o senhor Hugo Chávez crescer a economia de maneira artificial e aplicar políticas sociais.
Isso significa que se eu aplicar políticas sociais e crescer o país economicamente, eu vou virar um ditador? Não. Isso significa que eu vou ter que deixar de fazer políticas econômicas e sociais para crescer um país?
Não.
Eu tô só falando que uma coisa não precisa ser correlacionada com a outra. Você pode ter políticas de segurança séria e você pode ser um democrata. Essas coisas cabem numa democracia. Você não tá vendo eu falar, ah, eu vou sobrepor a democracia brasileira em nome do meu combate ao crime. Inclusive, é uma maneira de garantir a existência da democracia brasileira. Estamos exatamente no Rio de Janeiro. Existe democracia plena no Rio de Janeiro com aquela turma toda que foi presa lá na Lerje?
A própria Polícia Federal falou que havia uma relação muito clara entre Comando Vermelho e o Bacelar. TH Joias na campanha do Flávio Bolsonaro, que é do Comando Vermelho, na campanha do Flávio Bolsonaro. Existe qual o modelo democrático aqui? Há uma ficção de democracia nesse sentido. A melhor maneira de garantir a democracia é você garantir que os instrumentos republicanos do Estado funcionem. Senão você não tem nada. Eu fui para uma cidade no Ceará que chama Santa Quitéria.
Essa cidade foi tomada pelo Comando Vermelho. Prefeito ganhou eleição usando o Comando Vermelho.
Ele importou aqui do Rio de Janeiro um monte de bandido dos bairros abandonados, não é isso?
Não, não, não, não, isso é Uiraponga. Santa Quitéria é uma cidade que tem urânio. Inclusive, eu acho que tem um parente do Kassab lá próximo querendo atuar na área. Santa Quitéria, o prefeito ganhou eleição chamando membros do Comando Vermelho para participar, servindo como capangas, impedindo que as pessoas votassem. E isso não é opinião minha, ele foi afastado por conta disso. Pegaram relação Comando Vermelho. Como é que eu vou atuar ali se o Comando Vermelho esconde arma na casa das pessoas?
Uma GLO às vezes lá não será suficiente para pegar um bandido que se esconde na casa de alguém. Você precisa do instrumento do estado de defesa.
Mas o senhor fala desses sucessivos decretos de estado de defesa pontuais em locais diferentes. Eu sei, mas como é que garante? O senhor sabe, suspende direitos.
A gente vai atuar.
Como é que garante que o morador que não tem nada a ver com crime não vai ter os direitos suspensos?
O morador já não tem direito nenhum. Aí é acreditar numa ficção de aquele morador de uma favela ou de uma cidade tomada pelo crime organizado, ele é um titular de direitos, ele tem direitos nomeais. O direito tá na Constituição nominal para ele. Aquela pessoa nunca viu um direito. A vida, liberdade, propriedade, direitos humanos de primeira geração, a gente aprende no primeiro ano de faculdade de direito. A pessoa dispõe disso na favela?
Se eu pegar, chamar vocês para a gente andar agora num complexo, tá falando de prisões sem mandado.
O senhor sabe disso?
O senhor fez prisões?
Mas se suspender direitos? Não, porque Eu tô perguntando como é que garante que isso não vai acontecer.
De acordo com a lógica do próprio direito que a gente tá aplicando aqui, não é nem a gente que tá querendo, que já passou essa legislação, é das facções. Você determinar que a pessoa é membro de uma facção criminosa, essa pessoa que vai ser alvo de uma operação policial, não morador. A gente tá falando de decreto de estado de defesa, para você fazer operações, e nestas operações você buscar os teus instrumentos de estado para buscar os bandidos.
Se você é uma dona de casa que teve sua casa, por exemplo, invadida. Para dar um caso concreto que acontece aqui no Rio de Janeiro, conversando com membros do BOPE, eles explicando as dificuldades. E porque é o próprio BOPE que é favorável a isso. Se é morador de uma dona de casa, que aí vem o bandido, ele se esconde na sua casa e coloca armas na sua casa, eu preciso entrar na sua casa para retirar ele. Agora, você não vai ser retirada.
A investigação que levou o Estado a saber este aqui é um membro do Comando Vermelho que tá operando nessa favela não necessariamente vai buscar você simplesmente porque sim. Apenas a polícia tem mais meios de ação para poder buscar ele.
E eu queria entender como é que isso vai se dar, porque no seu plano de governo o senhor vai cuidar da segurança pública por meio desses institutos, o estado de defesa e a GLO.
Posso complementar? Esses são os instrumentos excepcionais para eu vencer a guerra contra eles. Eu quero viver um país de normalidade, eu não quero precisar de fazer nada, eu quero fazer o que for meramente necessário para recuperar os territórios.
Ok.
Entendi.
Agora, como é que o senhor vai fazer isso em 2 meses? Porque no caso de estado de defesa, o senhor tem um limite de 60 dias. O senhor sabe disso? Sim. Tem um limite de 60 dias, 30 dias e mais 30 dias. O que eu entendo e quero saber do senhor é o seguinte: ou o senhor vai resolver a criminalidade por meio do estado de defesa em 60 dias, ou o senhor vai atropelar a Constituição.
Não, porque não é assim que é feito o enfrentamento. Você tem dois modelos de enfrentamento ao crime organizado, tem duas operações de crime organizado no Brasil. Uma é a operação do Comando Vermelho, que é uma operação territorial, ela é operação muito similar que tem em El Salvador, que é ocupação de território e atividades econômicas ilegais que acontecem naquele território. Essa é uma operação mais fácil que o estado de defesa debela ela de maneira mais intensa.
Eu consigo pegar todos os grandes nódulos, as regiões em que eles têm boa parte do faturamento, em um período de tempo menor eu consigo tocar as operações e fazer isso. A do PCC é diferente. A do PCC é o que eu chamo de operação vertical, porque a infiltração deles é institucional. É o que torna um país um narco-estado. É mais parecido com Colômbia, como houve o problema com eles, é parecido com o México. Na infiltração vertical, olha só o trabalho de articulação do Estado que você tem que ter.
Você tem que ter o trabalho de inteligência com a AFI, você tem que ter um trabalho de ligação da Polícia Federal, você vai ter que detectar dinheiro que entra e sai, você vai ter que fazer compromisso de cooperação com outras nações. Por exemplo, Holanda. Encontrei embaixador da Holanda. Encontrei, não sei se é tipo o corpo diplomático holandês reclamando: olha, a droga vai parar no porto de Rotterdam, porque o PCC exporta droga, sai de São Paulo, vai para Rotterdam.
Então tem que falar com outras nações, eu tenho que ir com a Bolívia lá na fronteira evitar entrada da droga, e eu tenho que ter a Marinha atuando lá no Rio Amazonas, na Bacia Amazônica, para evitar entrada de droga por via fluvial. Eu tenho que ir no Porto de Santos eventualmente fazer lá no porto uma intervenção, porque a droga é escoada por lá. Eu tenho que recuperar o território da Baixada Santista. Eu tô falando compromisso com polícias de estados diferentes, o uso de forças armadas, tanto aeronáutica quanto a marinha, em áreas diferentes, atuação da nossa força diplomática em áreas diferentes.
Eu tô falando uma atuação hipercoordenada com diferentes órgãos do governo, inclusive com outras nações. Então o que eu quero dizer, desculpa, desculpa, Sadie, é que é muito complexo. Então cada remédio para cada área é diferente. Agora, o estado de defesa, ele representa a resposta para reocupação de algo que é constitucional, que é o controle do nosso próprio território. Eu preciso retomar o meu território, viver a fiel— desculpa, mas 5 segundinhos, eu já passo a bola.
É o mal de cara que faz live, eu gosto de falar. É, se eu não vou recuperar o território, eu não tô cumprindo o meu, eu tô prevaricando como presidente. Eu preciso recuperar o território, senão o Brasil não é um país.
Agora, candidato, como é que vai fechar essa conta? O senhor falou dos super presídios, tá? Isso tem aos montes nas falas do senhor, tá no plano de governo. O senhor se inspira no sequestro, falando em El Salvador.
Isso eu gosto muito.
Então o senhor acabou de repetir isso aqui, mas como é que vai fechar essa conta? Porque o senhor promete cortar 3 trilhões, o senhor quer construir superpresídio, de onde vai sair esse dinheiro?
O novo regime fiscal, o corte de gastos não é no papel matemático, não, não, matemática de maneira clara. Eu preciso fazer o corte de gasto que aí tem um novo regime fiscal. O que que é o novo regime fiscal? Tudo aquilo que envolva gatilhos para aumento automático de gasto, por exemplo, as indexações e as vinculações, eles vão virar corte A redução deles vai virar superávit. Eu vou resolver questões orçamentárias com esse superávit.
Tudo que for corte de gasto vira aumento em investimento. E presídio é um gasto que o Estado vai ter que fazer um investimento em infraestrutura para receber esse corpo prisional. Então eu vou ter que gerar espaço fiscal para investir nisso também.
Quanto que gasta hoje? Qual é o gasto hoje com presídio?
Eu não sei estimular aqui quanto eu gasto com presídio. Eu sei que eu preciso conseguir 300 a 500 mil vagas.
O senhor tem essa— o senhor tá falando das vagas, ainda falando de violência. Queria falar um pouco de feminicídio. O senhor acompanha os números? A gente viu uma redução dos crimes violentos como homicídio, latrocínio em 2025, mas feminicídio na contramão subiu, bateu recorde no ano passado, 4%. 4 mulheres morrem em média no Brasil por dia. Eu li o programa de governo do senhor, eu, se eu estiver errado, o senhor me corrija, mas não tem nada sobre feminicídio. Queria saber qual que é o plano do senhor para combater o feminicídio.
Não só feminicídio, como violência contra a mulher como um todo, Ele tá inserido no contexto do, da Lei de Responsabilidade Gerencial. O que que é a Lei de Responsabilidade Gerencial? É uma série de metas que nós vamos estabelecer. Inclusive, eu não sei se haverá tempo da gente falar desse tema, que para mim é o tema central nosso para enfrentamento de oligarquia, que é o sistema de metas para municípios e estados. Eu vou pegar o qual, quem tá fazendo muito bem a lição de casa na questão do feminicídio, violência contra a mulher.
Novamente, alguém que tá apoiando o meu adversário, faz Bolsonaro, mas eu tenho que ser justo. Tanto o prefeito Ricardo Nunes quanto o governador Tarcísio.
Mas por que que não tem nada no plano do senhor específico?
Porque isso tá no sistema de metas.
O senhor não acha que o feminicídio—
não, não, não, porque a maior parte das políticas são estaduais e municipais para atender isso.
Mas o senhor não acha que— eu acabei de dar os números, o senhor acompanha o tema de segurança, de combate à violência, isso não deveria ser destacado?
Eu destaco nas minhas falas, eu tenho vídeos gravados, eu tenho participações em congresso, eventos que eu trago esse assunto.
Mas o senhor tem algum problema Contra a palavra feminicídio?
Não, eu tenho um problema muito específico contra querer ficar fazendo proselitismo fingindo que se preocupa, como é o caso do Flávio que ficou querendo dar celular agora, falar que gosta de mulher.
Não quero fazer proselitismo fingindo que me preocupa. O senhor não se preocupa?
Não, não, não, me preocupo, mas eu não vou fazer proselitismo vagabundo.
Mas o senhor não acha que é urgente?
Eu acho que é urgente o tema do enfrentamento à violência contra a mulher, sim. Por isso que isso entra na Lei de Responsabilidade Gerencial, é um dos 10 temas que vão estabelecer as métricas para municípios e estados. Para avaliação, porque as principais políticas estão sendo tocadas para enfrentamento à violência contra a mulher, estão sendo tocadas em municípios e estados, o uso das polícias, das guardas civis. A política que tá sendo tocada em São Paulo vai ser o padrão para a gente estabelecer como a métrica geral para lei de responsabilidade gerencial nos municípios.
Desculpa, a lei de responsabilidade gerencial, o que que tem sobre feminicídio lá?
Deixa eu explicar. Você sabe, você leu o livro amarelo? O que que a lei de responsabilidade gerencial estabelece? Que KPIs, indicadores de desempenho, em áreas fundamentais. Por exemplo, você falou, eu não vi feminicídio, eu não vi, ou quase não tem eu falando sobre saneamento básico no Livro Amarelo. Aí é um tema importantíssimo. E por quê? Porque a execução de política de saneamento básico, ela está, deixa eu complementar aqui que é importante, ela tá dada nos entes municipais, ou até consórcio de municípios e entes estaduais.
O governo federal pode ajudar com financiamento lá nos indicadores da Lei de Responsabilidade Gerencial que são colocados para os municípios. Está ali saneamento básico, cobertura de água, cobertura de esgoto, desempenho escolar, SAEB, DEB. Um deles, um deles que está incluso é violência contra a mulher. São os indicadores e as políticas vão ser adotadas. E essas políticas são adotadas pelos municípios e o governo federal cobra.
Se o prefeito não entrega esses indicadores de acordo com a nossa regra do Legislativo Gerencial, ele pode se tornar inelegível. E se ele consegue entregar essas metas com as políticas que serão auxiliadas inclusive pelo governo federal, Aí ele recebe, ele fica graduado para receber, por exemplo, mais.
Então combate ao feminicídio, o senhor tá reduzindo a um tema gerencial, é isso?
Não, é um tema, em última instância tudo envolve gestão, é um tema gerencial e legislativo. Eu posso no governo federal aumentar penas, agora a gestão desse enfrentamento é uma gestão que envolve estados e envolve municípios.
Mas o senhor defende aumentar a pena?
Defendo, eu defendo todo tipo de violência, incluindo violência contra mulher.
Não, mas eu queria, eu vou ler para o senhor o que que é feminicídio. E aí o senhor me diz se concorda. É assassinato de uma mulher por razões da condição de sexo feminino, ou seja, quando o crime é motivado por menosprezo, ódio ou discriminação à condição da mulher. Eu já falei várias vezes aqui, eu falo sempre na GloboNews, esses dados mostram sempre que ele, que os contextos onde esses feminicídios acontecem é de violência doméstica e familiar. O senhor acha que isso aqui não existe? Quem disse que eu tô perguntando?
Não, eu acho que existe sim, inclusive não é reportado. Inclusive, assisti um podcast teu falando com uma pastora evangélica muito interessante sobre isso, sobre os não reportes, sobre a ideia de que há uma espécie de naturalização e as pessoas tentam manter os núcleos familiares achando que a violência— porque o homem que comete não só o feminicídio, a violência contra a mulher, ele é o mesmo homem que fala, tem que matar os bandidos.
Ele não se vê como alguém que tá cometendo um crime. E às vezes a mulher, na ânsia de manter o núcleo familiar dela vivo, ela não reporta. Então você tem um número gigantesco de casos não reportados.
Eu tô falando isso, candidato, para explicar porque a pena foi aumentada. No ano passado, né? Se fosse um caso só de endurecer a pena—
mas eu não acho que seja só endurecer.
Não, mas é porque o senhor falou, eu sou a favor, né? Qual que é o plano?
Qual que é a ideia?
Qual que é o detalhe?
Falta isso.
Vou dar um exemplo, candidato.
O senhor falou da lei de responsabilidade gerencial. Eu confesso que custei a encontrar uma prioridade do seu governo para redução de feminicídios.
Então eu Eu falo pouco de saneamento básico e minha campanha toda eu tratei do assunto, mas o livro não fala porque são políticas federativas. Você tem entes federativos responsáveis por isso. O município de São Paulo, para ser claro, município de São Paulo tem uma política sensacional. Eu já gravei com Amanda sobre isso. Uma mulher que ela consegue uma medida protetiva, ela recebe um aplicativo com outro nome. Se ela sente que o cara que ela tem a medida restritiva tá aproximada, ela chama a polícia municipal, a Guarda Civil Metropolitana aciona carros para ajudar ela.
Você tem aluguéis sociais. Todas essas políticas que a Prefeitura de São Paulo adotou são por isso que a gente tem que adotar em âmbito nacional. A Lei de Responsabilidade Gerencial vai estabelecer, dando determinado peso orçamentário para municípios que têm mais ou menos dinheiro, as regras para estabelecer essas políticas. A regra é inspirada no modelo paulistano e é de estado ao governo do estado de São Paulo. O governo de São Paulo tá fazendo um baita trabalho.
Usar o Smart Sampa como eles estão usando para pegar um cara que cometeu uma violência contra a mulher é um elemento central disso. Usar tecnologia, por exemplo, o governo do Estado de São Paulo veio com a tornozeleira eletrônica, ela tem o rastreamento, a geolocalização, e a mulher tem a geolocalização no celular. Se bate que eles estão ficando próximos, é acionado uma viatura. Tem um outro elemento que também entra aí. Há uma parte dos casos de violência contra a mulher e as reclamações gerais que você vê, especialmente nos rincões dos centrões, Centrões, regiões contadas pelo Centrão também, acho que cabe, é de que a mulher não tem o acesso.
Existe uma questão de acesso à justiça, ela não sabe como utilizar, ela não tem dinheiro para pagar um advogado. Vou continuar, vocês falaram que não importa com o assunto. Os plantões de Defensoria Pública vão todos nessa linha. Eu preciso ter plantões de defensores públicos para eventualmente mulher precisa de uma decisão liminar contra um agressor, um ex-namorado que é um stalker e que ela precisa de decisão, esteja presente.
Essas, assim como políticas que eu vou te dar um exemplo ligado à saúde e água, são políticas que estão, não estão presentes no texto, mas são métricas que vão ser utilizadas para avaliação.
Isso é um ponto, candidato. Eu não disse que o senhor não se importa com o assunto, eu disse que lendo o seu plano de governo eu não vi esse assunto sendo abordado. Agora, mas eu quero falar de homens também, tá? Quero falar de homens também. Dados do próprio Tribunal Superior Eleitoral de julho agora de 2026 mostram que o Missão tinha mais de 90% de filiados homens e menos de 10% de filiadas mulheres. As mulheres são maioria do eleitorado.
O que que da sua mensagem não está chegando ao eleitorado feminino? Por que não está chegando segundo esses dados do TSE?
Isso se reflete em algum grau na nossa militância também. Isso reflete algum grau na direita jovem, não só no Brasil como no mundo. A direita jovem costuma ser mais masculina, assim como a esquerda jovem tende a ser mais feminina. Isso não é nem opinião minha, são estudos internacionais que mostram isso. É natural da dinâmica das redes sociais. Conforme as idades avançam, meu grupo é muito jovem. Quando eu vou pegando, por exemplo, a distribuição de mulheres mais velhas e homens mais velhos que nos apoiam, já é mais equânime.
Existe uma questão de militância jovem, que são as pessoas que se filiam, é o militante mais quente. É óbvio que eu não fico feliz com isso, porque eleitoralmente inclusive não faz sentido, é ruim pra gente, é ruim pra criar candidatos. Agora, dentro do nosso universo, a gente precisa entender, ser uma mulher candidata é muito difícil. A Amanda, que é minha coordenadora de campanha, ao que Amanda já sofreu: invadir a casa dela, sequestrar a mãe dela, atacaram ela, fazem montagem de ar dela pelada.
Dentro do nosso universo, ser uma candidata, os ataques a gente recebe de esquerda, direita, são muito pesados. E isso afasta as mulheres da atividade política mesmo. Então construir inclusive um grupo de meninas que vão ser candidatas necessariamente é mais difícil, tanto que o padrão das nossas candidatas costuma ser mais velho, mesmo que a gente é um grupo jovem. Porque as mais novas ficam inibidas, porque a porrada que vem em rede social é muito pesada.
E aí, entrando, inclusive tem um Jonathan Haidt, fala muito disso, é um autor que eu gosto. Ele fala da ansiedade que existe por conta das redes sociais. As mulheres são mais afetadas por depressão e ansiedade por conta do uso das redes do que os homens. A mulher jovem da geração Z, que é quem, minha geração que eu sou talvez dominante, meu grupo político seja nesse bloco, a mulher da geração Z está muito ansiosa. Então, nesse sentido, o caminho da política dá gatilhos ainda maiores de ansiedade nela.
Então é uma coisa que a gente tem que trabalhar para acolher melhor e trabalhar melhor. Mas lógico que eu assim, eu não gostaria de ficar nessa situação de maneira alguma.
A gente vai ver um vídeo agora, daqui a pouco a gente volta para poder comentar. Pode rodar, por favor.
O que a gente tem que fazer, que é o que eu acho, é o restabelecimento enquanto poder de características profundamente masculinas na nossa sociedade. E assim, você é machista, o Eu sou, eu sou, eu sou. Então me chamem, eu sou, porque tem que, certas coisas tem que ser, tem que dar o nome aos bois.
Esse vídeo, candidato, é de 25 de abril do ano passado, no programa da internet que o senhor tinha, tá ali com alguns colegas.
É um carro Alfa Romeo, tá? Antes que vocês façam construções outras.
Eu queria pedir para o senhor esclarecer essa afirmação, porque eu olhando me dá a impressão de que o senhor passa um certo orgulho em ser machista.
Não, essa, inclusive, vocês viram o vídeo inteiro? Vemos o vídeo inteiro. Uma das coisas que eu discuto, aquele é um influenciador digital masculinista sobre a questão homem-mulher. E sobre a questão, eu tenho uma opinião muito diferente da dele, de que ele defende, eu tenho que lembrar dessa entrevista, mas ele defende a ideia de que as leis, por exemplo, de direito de família são muito punitivas com relação aos homens. Eu falo, a maior parte dos casos no direito de família envolve homem que não paga pensão e homem que não tá presente.
A figura do homem, a figura do homem presente Ela deixou de existir. E a provocação que eu faço ali, que é uma provocação válida, é: a figura masculina, ela tem que retornar de maneira positiva na nossa sociedade.
O que que é isso? O que que significa?
A maior parte dos jovens que cometem crimes no Brasil não tem a figura masculina por perto. Eu quero até entrar, mas deixa eu te complementar. O estudo da GV de 2007 mostra que os meninos que vão parar na FEBEM e os meninos que cometem crime, em 80% dos casos, eles não têm a figura paterna. A figura, ausência da figura masculina tem uma correlação mais forte do que o índice Gini, que é o índice de desigualdade, para o cometimento de crime.
O que eu quero dizer? A figura do bom pai, do bom avô, de um bom homem de referência faz falta para inclusive para menino e para menino, mas especialmente para menino. E essa figura tem que ser construída. E aí entra um grande, um grave problema que tá pegando a sociedade brasileira como um todo. Nós estamos vivendo uma sociedade de famílias desconstruídas, da figura masculina moída.
Mas o senhor se coloca como homem machista?
Não, ali é uma provocação. Você tem que saber o momento da provocação.
Acabou de mostrar O senhor tava bastante, o senhor tava bastante à vontade ali. E no vídeo todo são raros os momentos em que o senhor de fato discorda desse momento.
Eu vi todos, a gente viu todos.
Então eu só queria, só para concluir, porque se conecta com o que o senhor tava dizendo. O senhor também disse, aqui é uma aspas sua, tá, candidato: ausência de presença masculina é um dos maiores elementos constitutivos de um jovem que comete um crime. Crime. Ele não tem exemplo, ele não tem limite, ele não tem estruturação. A gente tá falando de um país em que metade dos lares brasileiros chefiados por mulheres, e não significa que não haja a figura masculina nesses lares, tá?
Isso é diferente de mãe solo. O senhor tá culpando as mulheres pela criminalidade? É isso?
Não, não, eu queria entender.
Isso se relaciona com essa fala, porque quando não tem homem, o lar fica desestruturado e vai a mulher, vai educar um criminoso.
E por isso que as famílias que são biparentais, tem o pai e a mãe, elas são mais funcionais. A família monoparental brasileira, em que o homem não paga pensão e não tá presente, ela vai gerar o menino problemático. Ausência da figura paterna. Isso não só no Brasil, tem estudos nos Estados Unidos da América. O Thomas Sowell fala muito disso. A ausência da figura masculina, ela tem um efeito gerador de garotos indisciplinados que vão ter um pior desempenho escolar e que vão cometer crimes, que afetam a sociedade como um todo.
Passa a impressão, candidato, mas eu não tô—
mas eu não deixou concluir.
Não, eu vou deixar o senhor concluir, porque isso passa a de que o senhor não tem apreço pelo que as mulheres fazem na educação dos seus filhos. Por que que eu tô te dizendo isso? Isso soa como só o homem, se não tiver homem— e eu não tô dizendo aqui que as famílias, os filhos não precisam de pais, todo mundo precisa, responsabilidade afetiva, responsabilidade financeira, tudo isso aqui é dado como o céu está azul hoje, tá? Só para não ter confusão disso.
O meu ponto é, quando o senhor diz isso automaticamente passa-se a impressão de que os lares em que não existe a figura masculina são lares de filhos desestruturados. Isso não é verdade.
Vamos lá, a maior parte dos casos de rapazes que cometem crimes vem de famílias em que o pai não está presente, ponto. Isso é estatístico, são dados. Esses rapazes também apresentam desempenho escolar inferior, ponto. Famílias monoparentais têm renda menor, Ponto. Isso é um dado da realidade. Se alguém acha que a impressão vai machucar ou não, aí paciência. Talvez eu não seja o melhor comunicador do mundo, só que eu tô falando é uma verdade, e eu quero falar a verdade porque eu tenho que resolver problemas de verdade.
Eu não quero passar a impressão A ou B quando eu falo isso. E a impressão maior é: existe um número gigantesco de homens que se relacionam com mulheres, a relação não dá certo, o homem não tem compromisso nem afetivo com a criança, especialmente com esse menino, e ele não tem compromisso inclusive de pagamento de pensão. A minha discussão nesse podcast foi sobre isso, uma discussão desse tema. O que que é o machismo? Que isso é uma provocação.
O que que é o machismo? Vamos restabelecer a boa autoridade masculina ali. Eu sei, você pode, você pode, talvez com provocação, só que para mim eu tô ouvindo o senhor. A questão, a questão central, eu quero fazer uma pergunta na sequência, só isso.
Tudo bem, eu tô esperando o senhor terminar.
Tá ótimo. É, a questão central é, você não restabelece este tipo de postura próxima, se não do pai, de uma autoridade masculina que esteja próximo do rapaz estabelecendo limites e exemplo, que sirva de espelho, a tendência desse rapaz não é apenas é o cometimento de crime, mas é de ter uma vida mais disfuncional e reproduzir ele naquela sociedade da qual ele faz parte comportamentos que são deletérios para ele, para outras moças que nessa sociedade acabam se perpetuando.
Desculpa, deixa eu terminar. Em um contexto de empobrecimento As famílias mais, a tendência de ter famílias monoparentais em grupos sociais mais humildes é maior.
Eu fiquei muito, o senhor usou a palavra exemplo, era isso que eu ia perguntar. O senhor acha que, que exemplo que isso aqui dá? Eu honestamente não estou preocupado com isso, mas o senhor é um líder de um grupo político, tem seguidores. Só que as pessoas, quando o senhor diz eu sou macho, tem que dar nome aos bois.
Deixando muito claro, as pessoas entenderam minha mensagem.
O que que elas entenderam com essa mensagem?
A mensagem que eu falo, eu falo sempre disso, esse tema que inclusive a Natuza citou, a figura masculina presente, o bom pai, o bom tio, o homem presente, o bom avô. Isso tem que ser restabelecido e não combatido. E existe um combate inclusive na internet que acontece sobre isso, discussões bizantinas em geral entre pessoas de classe média envolvendo mulheres e homens, movimento red pill versus movimento feminista, que são inúteis no contexto em que a maior parte da população mais pobre não tem a figura do pai presente.
Em vez da gente discutir como restabelecer a autoridade, a boa autoridade masculina, candidato, quando o senhor diz que o senhor é machista, o recado que passa é que é um discurso violento contra mulheres.
Bom, então tente achar Tá falando alguma coisa de discurso feito contra mulher nesse contexto aí?
O senhor disse: sou machista, tem que dar nome aos bois.
Olha só, se você entendeu uma provocação, então paciência. Se eu passei essa mensagem para você, lamento. O que eu tô tratando o tempo todo, inclusive nessa entrevista, é isso.
O senhor acha que as mulheres entenderam que ser machista é um afago?
Não sei, não sei, não sei que elas entenderam. Agora, a mensagem que eu quero tratar e o que eu trato como programa não é isso. Eu não vou ficar apegado aqui se eu machuquei, eu passei impressão A, B ou C. Eu não sou a melhor pessoa do mundo para fazer o marketing de mim mesmo. Agora, a ideia que eu tô defendendo aqui tá certa, e é isso que importa.
Candidato, em agosto de 2021, uma jovem de 21 anos registrou um boletim de ocorrência contra o senhor por estupro. O senhor foi absolvido por insuficiência de provas. Ainda assim, como o senhor é candidato a presidente da República, eu queria entender o que que aconteceu naquela noite.
Eu saí com ela, a gente tinha um namoro, a gente tinha um relacionamento. O relacionamento termina, a gente tava naquele rescaldo, é o período da pandemia, tava, ela tava muito estressada. E foi isso, a gente ficou a noite, não teve relações sexuais. Ela retorna para casa dela, os parentes dela não gostavam de mim, ela saiu escondida porque era o período da pandemia e havia todas essas restrições para sair. Ela não sabia como explicar, a família convence ela a me dar um corretivo.
E aí ela faz uma falsa acusação contra mim no mesmo dia. Eu tenho todas as provas disso. Ela, ela liga para mim da delegacia: Renan, o que que eu tô fazendo? Me ajuda, me ajuda, me ajuda. Eu não atendo o telefone, que era de madrugada. E aí depois eu converso com ela no dia seguinte. Ela vai para casa da mãe dela em outro estado. Nesse outro estado eu converso com ela, ela retorna para São Paulo. E aí, retornando para São Paulo, ela retira o boletim de ocorrência.
Mesmo assim, o Ministério Público entra com investigação, que isso é muito importante. Quer checar o que aconteceu. E com ela fazendo: o Renan não fez nada, eu errei, eu menti. A mãe dela: por favor, não punam minha filha, ela mentiu sobre o Renan. O Ministério Público leva a julgamento e o juiz, na audiência, Ministério Público pede a minha absolvição, ela pede a minha absolvição, e eu sou absolvido.
Candidato, tem um vídeo que viralizou em 2021, acho que foi gravado em que o senhor aparece sorrindo ali, falando para um grupo de apoiadores, de amigos, dizendo que vocês queriam entrar num bar, num estabelecimento. Se vocês não entrassem nesse estabelecimento, vocês iam estuprar uma moça ali, uma colega de vocês. Queria perguntar para o senhor, eu vi esse vídeo, a gente viu várias vezes, eu pensando em trazer essa pergunta aqui. O senhor não acha que dá para brincar com estupro?
Não, não, não, esse vídeo não é de 2020, esse vídeo é de 2017 que viralizou em 21, né? Então é o seguinte, a gente tava numa festa e a gente tava simulando que eu era um rei, era uma brincadeira que ela estava participando.
Mas então o senhor acha que dá para brincar com isso? Foi o que eu perguntei.
Você tem que deixar eu terminar. Você pediu um contexto, então deixa eu te dar o contexto antes de ficar se adiantando aí. Vou contar a história e depois você pode me retrucar numa boa. Essa história foi uma piada que eu fiz no contexto com ela presente. Com amigos presentes, deve ter umas 20, 30 pessoas, e que a gente ficava imitando. Foi uma piada muito ruim, um ambiente privado que alguém filmou. E aí, tirando de contexto, parece que eu tô fazendo aquele comentário ou como uma piada, como um statement, ou como uma declaração.
Não, era uma piada muito ruim que eu me arrependo. Isso eu me arrependo. Aquilo lá daquele podcast eu não me arrependo, porque é um comentário dentro de um contexto que a gente tava falando dessa relação homem-mulher. Agora, daquilo ali me arrependo, e me arrependo muito pela minha amiga Bárbara, que ela todas as vezes é usada como um porrete para ficar dando porrada em mim. É minha amiga, me defendeu todas as vezes. Esse tema foi alvo de denúncias da Damares Alves, do Nicolas Ferreira, que falaram que eu tava incitando estupro.
Todas as vezes essa minha amiga Bárbara teve que ir lá me defender, me defendeu todas as vezes muito bem. E a defesa que ela fez toda vez, ninguém se preocupa, estão enchendo o saco dela, estão expondo ela.
Mas vocês que expuseram ela, candidato.
Não, não, eu não expusei não, não, não, eu não gravei esse vídeo.
Vocês, eu não gravei esse vídeo, você alguém gravou. Mas só uma coisa, só o fato de falar Eu não me arrependo da piada.
Candidato, quero falar de desfavelização, que é um ponto que o senhor bate bastante no seu, na sua proposta de governo. O seu plano, me corrija se eu estiver errada, promete transformar 12 mil favelas no Brasil em bairros em 10 anos, territórios onde vivem mais de 16 milhões de pessoas. Isso segundo o censo de 2022, pode ser até que seja um número maior, né? Como é que o senhor vai fazer isso? Porque para fazer uma política de desfavelização, o senhor vai ter que tirar as pessoas dessas casas para poder colocar saneamento, para poder arrumar moradia.
Elas voltam de fato para casa? Onde é que o senhor vai colocar essas pessoas enquanto o senhor está desfavelizando as comunidades no país?
Bom, a primeira coisa, o que que é uma política de desfavelização? Primeiro é atestar que viver numa favela é indigno, que uma pessoa que vive hoje numa favela ela não é titular de direitos, que ela tem taxa de tuberculose maior, taxa de gravidez na adolescência maior, presença endêmica do crime organizado. A anomalia urbanística chamada favela precisa ser confrontada, enfrentada e resolvida. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: países sérios não têm favelas.
Países sérios enfrentam o problema da favela. Eu posso pegar levantar da China a Singapura, eu posso levantar da Colômbia a Argentina, experiências de países que estavam no terceiro mundo. Tô falando, inclusive a Índia tem fortes políticas de desfavelização acontecendo agora, todos eles tentando resolver. Culturalmente, o Brasil adotou outro caminho, que é de aceitar a favela como elemento da própria personalidade. A favela faz parte da nossa cultura.
Eu não acho que isso seja, deva ser aceitado. E é um enfrentamento que é urbanístico, estrutural e cultural também. Então envolve um, retirar o crime organizado, 2, a variar qual a natureza daquela favela e daquelas, daquelas pequenas propriedades informais. Por enquanto, no Livro Amarelo a gente fala de 4 modelos: lugares que têm interesse econômico, vou dar um exemplo, vai, um Vidigal aqui no Rio de Janeiro, mas que são aclives.
Lugares que têm interesse econômico e são planos à maré. Aí lugares sem interesse econômico e que são, vamos dizer, com aclives ou acidentados. E sem interesse econômico, planos, e planos, ou seja, uma planície. Cada um terá uma política diferente de desfavelização.
O que tem interesse econômico, a pessoa que mora lá vai ser tirada de lá para que possa se construir empreendimentos? É isso?
Muito pelo contrário. Você pode fazer um aproveitamento adjacente, com levar empresas para região, levar empregos para região, só que você vai fazer um leilão reverso. Você tem mais possibilidades no leilão reverso de você atrair investimento privado. Agora, se é uma área de pouco interesse econômico, o investimento será majoritariamente público. A questão do interesse econômico é para você poder vincular a participação econômica nisso.
Então, por exemplo, uma região distante, de baixo interesse econômico, mais plana, qual a principal questão dela? Em muitos lugares essas casas já são de alvenaria. Você tem que fazer, como aconteceu na Argentina, uma adequação da construção à legislação nossa, conferir essa pessoa o título de propriedade. Qual o principal problema dela? É o problema de você conectar ela em termos urbanos, você ter vias de acesso. Então boa parte da desfavelização vai se transformar aquilo num bairro arborizar, levar equipamento urbano e conectar de maneira mais eficiente essas pessoas com o metrô ou com vias de acesso melhores.
Mas se valorizar, vai ter remoção?
Oi?
Isso eu quero saber, a gente quer entender como é que vai ser.
Como é que eu vou remover uma pessoa?
Mas como a gente quer entender como no detalhe?
Isso não consta no programa. Isso seria de uma desumanidade gigante.
Então o que que o senhor vai fazer exatamente?
Só vai ser dono do título de propriedade dela.
Mas por quê? Eu não entendi.
Um título de propriedade de uma casa que vai ser reformada num bairro que vai ser digno, tadinho. Por que que eu ia remover? Eu não entendi a pergunta. Por que que eu ia remover essa pessoa?
Não, a gente tá perguntando se isso não é remoção com outro nome, que o senhor faz um longuíssimo capítulo no programa de governo falando sobre isso.
Acho que esse é o maior problema social do Brasil.
Então a gente quer os detalhes. Acho que é justo para quem tá assistindo saber o que que o candidato tem a dizer sobre isso.
O diagnóstico central disso: a favela é um problema transversal. Social. Ela congrega inúmeros outros problemas dentro dela: problemas de saneamento, de acesso à água, problemas que vão de tuberculose a pior desempenho escolar. Resolver a favela é você resolver múltiplos problemas ao mesmo tempo dentro de uma chaga que é urbana, né, chaga que atende a paisagem urbana. Resolver ela é você atacar muitos problemas ao mesmo tempo.
Por isso que nós temos um capítulo enorme dedicado a isso, que envolve desde a autoestima da pessoa que mora lá à ideia própria de uma cidade séria no século 21.
Tem um trecho, eu queria que o senhor explicasse, que o senhor fala de remoção de Demolição em 48 horas.
Sim, mas isso é muito claro. Isso não é— se você monta uma favela agora, você faz uma invasão, nós não vamos permitir que aquela invasão se erga. Movimentos de moradia, movimento de especulação imobiliária, vilagem. Em 48 horas você não constrói uma casa, né? Uma pessoa vai tentar montar um barraco, você vai ter que apenas cumprir a lei, que é impedir aquele barraco de ser montado. Você, senão você não tem direito de propriedade no Brasil.
Isso é um país sério. Pai sério, existe propriedade pública e privada, ela é respeitada. Senão não tem regra. Mas isso é uma regra básica. Nós vamos tecnologizar inclusive satélites, georreferenciamento, para evitar novas invasões. Existe uma indústria da grilagem que acontece no ambiente urbano e que também acontece no ambiente rural. A mesma lógica para evitar, por exemplo, ocupações de grileiros de áreas de proteção ou áreas de manancial.
Em São Paulo, as áreas de manancial foram inteiras invadidas, foram invadidas para construção de favelas, e depois o PCC ocupou. Isso quando não é o próprio PCC que organiza as invasões. Então sim, isso precisa ser feito. Eu não vou permitir o surgimento de nenhuma outra favela. É isso que um presidente sério tem que fazer. Isso é lei e ordem. Agora, quem mora na favela, aqueles 16 milhões de inscritos, esses 16 milhões terão direito a título de propriedade e viverão em bairros que não terão mais o crime organizado, que serão devidamente urbanizados.
E se eles estão no meio, para dar mais exemplos, uma pessoa que tá numa encosta, igual aconteceu em Juiz de Fora agora, não dá para morar numa encosta. Vai ter que tirar as pessoas dali, vai ter que fazer um prédio para essas pessoas morarem. Se não há interesse econômico em participar dessa atividade, o poder público vai ter que fazer a construção de prédios. Para isso eu preciso liberar espaço fiscal, por isso que eu preciso fazer as reformas.
Isso é uma política de Estado para o Brasil se comprometer, igual Singapura se comprometeu, ou igual a China conseguiu evitar de se tornar um lugar favelizado, da dignidade para as pessoas. Resolver favela é um tema central para o Brasil se tornar um país sério.
Como é que você vai proteger o morador? Avaliando aqui um dos 4 eixos, tá, que é de forte interesse privado, econômico. Avaliando aqui um caso concreto, uma família que mora numa área como essa, o senhor citou o Vidigal, por exemplo, as coisas começam a acontecer. Supondo que o seu plano, que o senhor seja eleito e o seu plano funcione para aquela área, forte especulação imobiliária, forte interesse econômico, aquela família pode ser levada a sair de lá porque ela já não dá conta de pagar o IPTU, ela já não dá conta de viver com que ela ganha porque ela trabalha, a mãe de família trabalha na casa de alguém, como é que o senhor vai fazer para proteger essa família nessas circunstâncias?
Você tá falando que essa pessoa— vamos contextualizar. Eu já terminei de fazer uma obra, então o cara que vivia hoje na mão do Comando Vermelho ali na casa dela—
aqui eu tô assumindo já que o senhor já fez isso.
Eu vou pintar o cenário, despintar o cenário que eu entreguei para essa pessoa. Eu retirei o crime organizado, ela tem uma via urbanizada, o filho dela sai daquela casa que ela tem com título de propriedade, vai estudar na escola, volta ela tá pagando um IPTU social, ela tá pagando uma conta de luz social, porque você vai ter que fazer uma transição para uma pessoa hoje que ou usa o gato ou outros instrumentos para poder ter luz à disposição, que não vai poder precisar pagar um pau para pagar uma propina para um traficante para poder ter acesso a um determinado serviço.
Essa pessoa que está vivendo nesse novo contexto, essa pessoa, se há uma valorização, que é a tal da gentrificação, talvez, imagino que seja essa questão Há uma gentrificação, começa a valorizar aquela pessoa. Havendo um enriquecimento da renda dela, ela se mantendo lá, não vai ter um aumento na prestação da casa dela, tampouco aumento de IPTU, porque nós vamos fazer uma transição nesse processo. 1, 2, se essa pessoa quiser alugar ou vender aquela casa, até agora um título de propriedade, coisa que ela nunca teve.
E aí, se isso se valorizou, ela se valorizou, ficou mais rica. E aí, se essa pessoa está mais rica, eu consegui através de cidadania fazer com que uma pessoa que foi, que hoje não tem nada, que hoje é uma semiescrava num regime quase feudal tocado por um lorde criminoso do Comando Vermelho, essa pessoa é um feliz proprietário de uma, de um imóvel que pode locar ou continuar morando lá. Eu fico muito feliz se esse for o dilema dela de agora em diante, porque hoje o dilema dela é saber se ela sobrevive.
Candidato, ontem nessa entrevista que o senhor deu na sabatina do Antagonista, o senhor disse que vai usar a emenda parlamentar a nosso favor, tá? Tô colocando entre aspas. E aí o senhor disse que vai cortar despesa obrigatória, despesa obrigatória, por exemplo, saúde, educação. Queria entender do senhor como é que vai ser isso. Vai tirar, vai cortar despesa obrigatória para aplicar emenda?
Não.
Explica, por favor.
Eu não falei nada disso.
Não, eu quero que o senhor explique. O senhor falou, vou usar emenda parlamentar a nosso favor. Não é o discurso mais antissistema?
Não, eu não.
O senhor até faz esse, fala isso dentro desse contexto.
Eu não falei que eu vou cortar de saúde, educação. Não sei se você viu eu falar isso.
Eu estou que despesa obrigatória como saúde e educação. O senhor sabe disso, né?
Despesa obrigatória, lógico, mas eu não falei que ia fazer isso.
Mas eu tô perguntando como é que vai ser feito.
Então aqui você só colocou palavras na minha boca.
Não coloquei, eu acabei de dizer para o senhor, despesa obrigatória como saúde e educação. Eu acho que é importante dizer isso, né?
Essa despesa não vou alterar. O gatilho da desvinculação— vou te explicar primeiro. Saúde, educação, gatilho de desvinculação são os aumentos automáticos baseados no aumento de receita. Eles vão ser corrigidos pelo IPCA. E se você quiser investir mais em educação é um investimento, porque isso é um piso, não um teto.
Mas qual despesa obrigatória então? É isso que eu queria entender.
Vou dar um exemplo. Hoje você tem inúmeras renúncias fiscais que passam em projeto de lei. Você vai poder cortar renúncias fiscais que estão hoje prendendo o nosso orçamento. Esse é um exemplo que eu vou cortar para gerar aumento de espaço fiscal discricionário. A gente tem muita despesa obrigatória nesse sentido. Onde mais a gente vai andar? Cortes, por exemplo, de super salários judiciários, que vão ter impacto em cascata também para os estados.
Nós temos um problema do orçamento judiciário, ele afeta também os estados. Esse aumento, e não só cortes aí, o corte das desindexações, o que eu estou jogando aqui, a cenourinha da governabilidade, que é chegar para o Congresso Nacional e falar: olha, o quanto vocês aumentarem de espaço discricionário para aumento de investimento, o percentual da emenda é estabelecido ali.
Logo, quanto mais vocês cortarem mais vocês terão as emendas.
Exato, exato. Você vai, e a diferença é que aí a emenda será disciplinada. Hoje a emenda, apenas você aumenta a receita, aumenta a emenda, eles gastam como querem, e hoje eles recebem um rebote de 30%, 40%, 50%.
Mas como é que, como é que, desculpe, pode continuar.
Não, então hoje a emenda ela virou um caos. Hoje ela aumenta como quer e hoje ele gasta como ele quer. Nós vamos ter que disciplinar o funcionamento das emendas. Até o Flávio Dino, vou vindo citando, até pessoas que têm linhas, falou isso ontem também, eu vi linhas políticas diferentes a minha concordam com isso, a forma como a emenda é conduzida não está sendo funcional e bom para o Brasil. A gente tá financiando a captura do Estado, como vem acontecendo pelo Centrão, através do uso das emendas.
O funcionamento da regra de compra de voto que mitiga a existência de democracia no Brasil se dá através das emendas. As emendas parlamentares hoje se tornaram parte central desse, é o óleo que move a engrenagem do Centrão. A emenda, o que eu tô colocando, é ela tem que ser utilizada como um instrumento bom de governabilidade E ela se encaixa naquilo que eu te falei da lei de responsabilidade gerencial. A emenda, eu não vou conseguir fazer ela desaparecer, pelo menos no primeiro mandato meu.
Não tem essa pretensão, não tem esse tamanho. O problema brasileiro é gigantesco. Como eu disse para vocês, o Brasil vai eleger pelo menos 300 parlamentares no mínimo complicados, para colocar um português mais tranquilo. O que eu vou precisar fazer é a emenda ela se adequar à lei de responsabilidade gerencial e ela se adequar a políticas públicas dentro daquelas metas que eu havia comentado, que vai desde segurança, educação, obras de saneamento, combate ao crime contra a mulher.
Por isso que eu te falei da lei de responsabilidade inicial. Essas políticas, as emendas, elas vão ser disciplinadas para atender estes temas junto aos municípios. O prefeito que entrega os bons indicadores se qualifica para receber mais emendas. O prefeito que não se qualifica, ele recebe menos emenda. Esse é o critério. E aí a emenda aumenta ou diminui de acordo com o espaço discricionário. E aí você consegue ter um regime fiscal mais funcional e gerar governabilidade.
Por isso que eu acho que isso aí é um instrumento virtuoso para o uso das emendas.
Deixa eu falar um pouco do vice do senhor, Haroldo Medina. Eu já vi o senhor falando várias vezes, o senhor reconhece, admite que teve, houve uma tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro. Eu já vi o senhor falando isso algumas vezes, mas o Haroldo Medina, o senhor também sabe, visitou acampamentos em frente aos quartéis, apoiou ali os golpistas. Como é que o senhor, qual é o recado que o senhor dá tendo um vice desse? Na chapa do senhor, na defesa da democracia?
É o melhor recado possível, porque ele se arrependeu. É um homem que se arrependeu, que o 8 de janeiro inclusive ele acha que foi um golpe de Estado. Ele condenou, ele acha que foi um golpe de Estado.
Ele se arrepende de ter ido nos quartéis?
Ele foi no quartel antes de ter sido o atentado, dia 8. Ele foi antes, ele foi ainda, ele era um bolsonarista, ele foi uma pessoa que era bolsonarista, entendeu que estava errado, fez seu meia-culpa. E o que eu acho que é belo nessa história toda é abrir a porta para uma geração.
Quando que ele entendeu? O senhor pode detalhar?
A virada do 8 8 de janeiro, ele já condenou. Tem vídeo dele condenando 8 de janeiro. Agora, a virada dele, que foi a transformação de um homem que acreditava em grande parte na ideia de que o Bolsonaro foi vítima de uma armação do TSE para alguém que falou, olha, o caminho não é esse, é uma porta aberta para outras pessoas da geração dele, especialmente pessoas 60 a mais que acreditavam naqueles sites de notícias esquisitas, canais do YouTube que defendiam que a urna tinha sido fraudada.
Ele é a porta de saída para essas pessoas, e eu acho importante Porque tem pessoas que foram levadas a crer, que volta a colocar aqui, que a urna não funcionou durante as eleições, que você teve interferência chinesa, todas aquelas teorias da conspiração. E o Haroldo, ele foi uma pessoa que fez essa transição de alguém que tava nesse torpor para alguém que viu: eu estava errado. E esse reconhecimento, ele arrasta. É importante porque essas pessoas existem na nossa democracia.
Uma pessoa que votou, que acreditou nisso, não é um criminoso. Então sim, é importante que ele exista, é importante que ele esteja na minha chave. Inclusive porque existe um, a gente citou o elemento feminino, agora o principal elemento e principal desafio meu para crescimento é o elemento geracional. As pessoas, eu tenho que chegar nas gerações mais velhas e a porta de saída deles é justamente um elemento como Arondo.
Candidato, a gente vai dar uma olhada em mais um vídeo e em seguida a gente segue a nossa conversa.
Estou no estrito cumprimento do meu dever como presidente da República e para passar o estado de defesa eu preciso do Congresso. Congresso, eu pedi, Congresso aprovou dia 5 de janeiro de 2027 Se vier uma decisão do STF, não é que eu vou, eu só não vou cumprir, eu não vou cumprir. Eu vou apenas com as forças policiais, se precisar de auxílio das Forças Armadas, vou fazer o meu estrito cumprimento do meu dever constitucional.
E aí eu pergunto, candidato, é o senhor quem vai decidir o que é ilegal ou não ilegal a partir do Supremo? Como é que o senhor avalia hoje essa declaração? O senhor mantém?
Mantenho, e está certíssimo.
O senhor é que diz o que é ilegal ou não?
A Constituição diz. Se eu cumpri o devido processo legal, numa medida ela passou no Congresso Nacional, eu cumpri todos os ritos, não pode vir uma decisão monocrática parar o estrito cumprimento da lei. Até porque eu estaria prevaricando. O presidente da República tem que cuidar do território nacional, o presidente da República e as Forças Armadas. Eu reconheço que existe uma guerra. A gente não está— eu não acho que existe um estado de normalidade de coisas.
O Brasil não está vivendo uma normalidade. Se eu sair andando aqui no Rio de Janeiro, no meio da rua, e eu andar a 2, 3 km, já já vou cruzar com uma favela, vou cruzar com uma área que eu não posso andar, vou cruzar com uma área que se uma pessoa pedir um Uber ela vai tomar porrada, vou passar numa área controlada pelo crime. Eu não reconheço que essa normalidade. Eu espero que o STF também entenda. E para até aprofundar essa discussão, meu partido entrou com uma ação no STF tratando disso, para reconhecer o estado inconstitucional de coisas no território brasileiro, nos territórios em que estão tomados pelo crime organizado. A ação inclusive está nas mãos do Flávio Dino.
A pergunta que eu fiz foi: é o senhor quem vai decidir? O Supremo Tribunal Federal Federal, Supremo Tribunal Federal toma uma decisão que contraria os seus interesses, uma vez eleito, o senhor vai decidir que não vai cumprir?
Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre, ponto.
Mas ele é o guardião da Constituição, é o senhor que decide o que é legal?
Não, ele tá rompendo a Constituição e existem precedentes.
É o senhor que decide isso?
Não, não sou o senhor, é a própria Constituição. Então eu vou dizer que é o Alexandre de Moraes que vai decidir. Isso, que é o exemplo que eu dei ali. É um ministro que vai monocraticamente, sem passar pelo processo legislativo, definir se algo que teve o processo legislativo é válido ou não. Não é, é errado isso. E é por isso que a gente tá vivendo um estado completamente confuso de coisas, em que o STF se torna última instância para um processo legislativo, em que o Legislativo cuida do orçamento. A gente tá vivendo num país doente.
O senhor vai entrar no Supremo? O senhor tá criticando agora?
Sim, porque eu sou um democrata, sabia?
Mas o Supremo é o guardião dessa Constituição, que garante E se ele não cumprir a Constituição? O que garante que qualquer governante possa rotular o que é ilegal ou não?
Não é rotular, existe o texto da lei.
Então, na Constituição, o senhor tá concordando?
Eu cumpri. Eu citei o exemplo dado ali. Eu entro, olha, decreto estado de defesa para resolver aquela situação, igual Michel Temer faz a mesma coisa. GLO, GLO do Temer aqui no Rio, passa pelo processo legislativo completo. Aí vem uma ADPE, alguém entra lá no STF, a rede de sustentabilidade contra. Ai, não pode por não sei o quê. Aí vem uma decisão monocrática. Eu vou, eu não vou cumprir uma decisão monocrática.
Não vou cumprir. É que um democrata, mesmo discordando da decisão da justiça, ele cumpre a decisão e recorre. Não cumprir uma decisão da justiça é papel de um democrata ou é um, ou é um ato de um democrata?
Não, porque não é um ato.
Tô confusa aqui.
Não, porque não é um ato democrático você passar por cima do devido processo. Processo. Há nesse instante no Brasil um estado inconstitucional de coisas quando o STF fica passando o tempo todo sobre atribuição de outros poderes. E cabe ao presidente da República também não aceitar isso. E eu vou falar, teve precedente, houve uma decisão tomada em 2016 por parte do STF, missão monocrática, contra o Renan Calheiros, que a época que ele seria afastado, Renan Calheiros não cumpriu a decisão e o STF reviu.
E foi um golpe de estado, não foi? A questão toda é quando você está invadindo as prerrogativas essenciais de um determinado poder, aquele poder pode sim surgir, não de maneira golpista, mas não acatando uma decisão que em si é ilegal. Lógico que eu vou discutir junto ao STF, eu não vou cumprir imediatamente uma decisão que é ilegal, eu não vou cumprir. É errado isso. Eu tenho que cumprir meu papel de presidente. Eu, se eu virar presidente da República, eu vou estar botando a minha vida em risco enfrentando o crime organizado, minha vida é devassada, eu tenho que vir aqui fazer sabatina com vocês vocês, ser exposto.
Eu não vou ser destruído para ser um boneco lá. Eu serei um presidente, não boneco. E assim, minhas qualificações democráticas estão aí desde sempre. Quando eu organizei as primeiras manifestações pelo impeachment da Dilma, surgiu a turma lá da intervenção militar. Eu entrei na justiça e proibi eles de comparecerem às minhas manifestações. Nunca quis andar com essa turma. Tenho asco da turma que é da golpe de Estado. E acho que as violações contra a democracia acontecem não só do Bolsonaro, Acontece com o Lula comprando voto no Congresso, como em salão.
Acontece no petrolão, acontece de muitas maneiras quando um político do Centrão compra voto na base. A democracia brasileira hoje ela é meramente nominal em muitos termos. Ela precisa ser respeitada e o exemplo tem que se dar da parte de todos os poderes, inclusive do presidente da República. E esse é um recado para todo mundo: eu vou respeitar a tudo, mas eu vou exigir respeito. Eu não vou lá ser um boneco.
Vamos falar do Código Unificado de Imprensa que tá no plano de governo do senhor. O senhor propõe esse código para, aspas, aspas, disciplinar o setor. Que que isso difere daquela tentativa no primeiro governo Lula de controlar a imprensa? O senhor pode detalhar para a gente?
Posso detalhar inclusive em termos históricos nossos. A primeira manifestação nossa aconteceu quando atacaram a revista Veja. Nós sempre fomos a favor da imprensa livre e sempre seremos muito a favor da imprensa livre. O que a gente tá tratando aqui, ó, até tratei ontem na entrevista, tentou fazer no governo Lula só para, só para, e não somos nem um pouco favoráveis a nada que eles fizeram aqui é um ataque direto à imprensa.
Como isso difere do que o PT fez?
Vou dar um exemplo que tá acontecendo agora que não tem nada a ver com o que o PT fez nesse instante. E eu tô falando muito de uso de emendas, infiltração do Centrão, quebra da institucionalidade. Hoje, páginas de fofoca espalhadas pelo Brasil que se passam por veículos de imprensa, e esse é o exemplo mais grave, que muitas vezes tem audiência maior do que a da própria GloboNews. Essas páginas de fofoca recebem dinheiro público, estão recebendo dinheiro que vão desde emenda até contratos que estão na rubrica de publicidade contratados por agências se passando por veículos de imprensa, estão criando não apenas notícias falsas, mas influenciando o debate público ao redor do Brasil.
E ninguém sabe. Alguém sabe que aquilo não é veículo de imprensa? Alguém sabe que, sei lá, o Bacabal News, uma página de fofoca local que apenas um cara fazendo fofoca recebe eventualmente R$20 mil por mês, um prefeito, e que aquilo não tem transparência? Aconteceu isso com a famosa agência Mind agora durante o governo Lula. Esse tipo de coisa, imprensa, imprensa, imprensa tem checagem, imprensa tem redação. Um site que se passa por imprensa não.
E receber dinheiro público na casa dos muitos milhões, como tá acontecendo no Brasil, mas esse código não pode ser usado contra o jornalismo sério? Não, porque não, nunca houve da nossa, em todo o nosso histórico como movimento político e com o nosso partido, nenhum tipo de objeção com relação a isso.
Porque o senhor não faça o controle nem censura da imprensa uma vez eleito. Em algum momento o senhor vai sair daqui da presidência da República, se o senhor for eleito. Quando o senhor faz uma lei e cria um código de imprensa, o senhor basicamente tá dando uma licença para qualquer governante, inclusive o senhor próprio, mudar de ideia e resolver censurar. Porque no fim das contas, quem tá dizendo se o jornalista é sério ou não é o presidente da República.
Não, não é só isso. Não porque não é um decreto do presidente da República, não porque é uma discussão que tem que ter no parlamento, E eu acho que boa parte do jornalismo é favorável a isso. Na verdade, isso aqui me veio como reclamação de jornalistas ao redor do Brasil. Quando você roda o interior do Brasil, o jornalista sério ele tá quebrando e a página de fofoca comprada pelo prefeito tá bombando. Então você tá deixando de ter cobrança sobre políticos porque não existe nas pequenas e médias cidades praticamente nenhum veículo jornalístico.
Você já ouviu as entidades de representação do jornalismo brasileiro?
O senhor já conversou com esses representantes para saber a posição do jornalismo profissional em relação a Não, não estive numa reunião com a Abrage, que precisa vir a público todas as vezes para atacar a gente, não por motivos verdadeiros, mas eventualmente um apoio a um outro site aqui ou ali. Eu não fiz isso e não preciso fazer isso para detectar que é um problema no Brasil. Até porque, se eles tivessem detectado esse problema antes, eles estariam tratando.
E às vezes eles estão muito mais preocupados com problemas setoriais deles do que um problema nacional que envolve a democracia brasileira. Não haver imprensa e haver um monte de lacaio com página de Instagram comprada recebendo dezenas de milhões de dinheiro público. Isso é um ataque à democracia. E o fato dessas associações não estarem se preocupando com isso me preocupa de verdade. Isso aqui eu tô falando de assim, assim como a compra de voto, porque falar novamente em democracia nos interiores do Brasil é falar disso em termos meramente nominais, é como se fosse um teatro, é como falar da imprensa local.
A compra de voto e a página comprada, alguém tá ligando para isso? Alguém fez um manifesto sobre disso. Eu gostaria de ter visto, que eu apoiaria, seria o primeiro a subscrever. Agora, ninguém tá tratando desse problema, que é gigantesco, gigantesco, um dos maiores problemas da democracia brasileira. Páginas de fofoca comprado por político com dinheiro público, com dinheiro de emenda, virou regra no Brasil. E não é que é mil páginas, são dezenas de milhares de páginas.
Cada cidade que você vai tem umas 20, 30. Ninguém está— se essas associações se preocuparem com isso, mostrar, me chama agora, se reúnem comigo, subscrevam. Agora, eu lamento que nunca estão a fim de tratar desses problemas. São temas essenciais que a gente tá tratando.
É porque não significa que isso que o senhor tá dizendo não seja um problema. O ponto é o controle da infraestrutura. Mas eu quero já mudar para um outro assunto, que é a lei de responsabilidade gerencial. Tá na sua proposta de governo, já falou diversas vezes: prefeitos que não cumprirem metas específicas definidas para saúde, para saneamento, de crescimento do município, portanto de PIB, educação, ficariam inelegíveis por 8 anos.
E aí eu pergunto: o senhor vai definir essas metas uma vez eleito? Como é que vai ser debatido isso? Como é que o senhor pretende caçar direitos políticos? Com base exatamente em quais critérios? Eu queria entender.
Perfeito. A Lei de Responsabilidade Fiscal, que passou durante o governo Fernando Henrique, ela foi marco que ajudou a disciplinar o uso de recursos públicos em municípios e estados no Brasil. Foi em grande medida uma revolução. A sequência natural é estabelecer metas de desempenho nos municípios e estados, senão um prefeito é eleito e, ao ser eleito, ele não tem nenhum compromisso em melhorar os indicadores nas áreas que importam.
E isso somado— e você é uma pessoa que estuda muito desse tema, a cooptação do Estado— isso somado ao modelo político baseado em emendas e ausência de atividade econômica nesses municípios, criou municípios fantasma que não tem atividade econômica, que vivem da cooptação da própria população, e que foi turbinado agora com as emendas do orçamento secreto, em que dinheiro é desviado, vira caixa 2, compra população, não se melhora a vida das pessoas, se faz um show com algum cantor sertanejo próximo do período eleitoral.
O Wesley Safadão foi inclusive processado por ele por tratar desse assunto. E aquele município não atinge seus objetivos básicos, você não consegue ter metas de fornecimento de água. Eu fui para Melgaço no na Ilha do Marajó não tem água, pessoas bebem esgoto. Você não tem meta, a pessoa não cumpre nenhuma melhoria no ranking do SAEB, Unideb, e mesmo assim o prefeito é reeleito. Estabelecesse indicadores, estabelece um parâmetro de desempenho mínimo.
Se um prefeito não cumpre nenhum desses parâmetros de desempenho mínimo, mesmo com recurso federal chegando, recurso do FPM, ele tem que ter algum tipo de punição. Senão o que ele vai, o que a gente vê é a reprodução de um modelo político baseado estritamente na cooptação, que é justamente a base daquilo que a gente chama de Centrão. Por que que nós somos escravos de políticos do Amapá ou políticos do Piauí ou políticos do Maranhão, municípios mais pobres?
Que essas pessoas não prestam contas para os seus eleitores, porque eles apenas administram. Prefeitos são receptores e gerenciadores de recursos, por vezes ilícitos, que ajudam a manter essa lógica. Entregar para o município, município metas que vão ser cobradas por parte do governo federal e que vão ser discutidas no Congresso, porque esse é um projeto que tem que passar no Congresso, estabelece as metas e os critérios de avaliação, são instrumentos que vão permitir que aí sim o gestor público, independente da sua cooptação natural em lugar, cooptação que eles fazem da própria população, falando de compra de voto pura e simples ao cargo na prefeitura, eles vão ter que atingir aqueles indicadores objetivos.
Japão trabalha com isso, China trabalha com isso, você tem isso em alguns lugares na Inglaterra, Isso é uma maneira da gente qualificar a gestão pública ao redor do Brasil.
O deputado depende do prefeito para se eleger, o prefeito depende do deputado para conseguir recurso. Como é que o senhor imagina que o senhor vai conseguir aprovar uma lei de responsabilidade gerencial, por exemplo?
Da mesma maneira que Fernando Henrique Cardoso passou a lei de responsabilidade fiscal, também desagradava os prefeitos à época. Construindo base, construindo convencimento, construindo maioria. O lugar que eu fiz a grande apresentação desse projeto foi na Marcha Nacional dos Prefeitos, para uma massa de prefeitos. Eu imaginei que eu seria xingado, falei, alguns de vocês vão perder o direito político. Só que entretanto há um outro lado: os prefeitos que tiveram desempenho melhor, eles vão se qualificar para receber mais emendas.
Para um prefeito significa até um grau de independência orçamentária para investimento, caso ele seja um bom prefeito. Eles gostaram dessa ideia. Então há um trabalho de convencimento com prefeitos, há um trabalho com os deputados e com os partidos. Um partido político que— porque uma das coisas que a Lei de Responsabilidade Gerencial faz é, além de não apenas entregar punição, mas entregar mais recursos para o município que funciona bem.
O partido político que tiver mais prefeitos que atingem metas de desempenho, o fundo partidário passa a ser determinado pelo número de pontos que aquele prefeito obtém, ponderado pela população, multiplicado pelo número de municípios que o partido também. Aí então você cria um incentivo robusto para que os partidos políticos invistam em quadros técnicos e bons prefeitos, que isso vai garantir o recurso do partido. E aí isso se torna um benefício e um incentivo positivo para os partidos, para os prefeitos e também para bons deputados.
Então é uma mudança no sistema de incentivo do Estado e uma forma de diminuir a política de cooptação, que é a base daquilo que a gente chama de centrão. Para mim, isso é a base para uma verdadeira reforma política no Brasil, porque a política no Brasil, a gente foi discutir, ah, eu vou fazer voto distrital, é licitar o misto. Em grande medida você consegue adaptar o modelo atual de emenda e cooptação em cidades com baixa atividade econômica para qualquer modelo.
Se você não alterar este sistema de incentivo e recompensa, você não consegue melhorar.
O senhor que vai decidir isso?
Eu vou propor isso. Quem decidir, eu nem tenho condição de eu decidir sozinho. Quem faz isso é o presidente da República, manda para o Congresso, se discute. Aí o Poder Executivo, disciplinado por uma legislação que passa no Congresso Nacional, Federal atua junto aos municípios.
Muita articulação, mas precisa, mas concentrando, eu não nego isso.
Eu passei o impeachment da Dilma fazendo articulação. Eu nunca vendi a mãe para fazer o que eu acredito, eu nunca entreguei meus valores, só que eu negocio. Eu tô lá para ser um negociador e uma pessoa que vai convencer, convencer todo mundo. Eu vou ter que vir aqui na imprensa quando eu quiser passar todos esses projetos difíceis, vou ter que vir aqui no programa de vocês explicar.
Como vai convencer aqui da fusão dos municípios também, que o senhor fala disso? Isso da redução?
De maneira clara, a gente vai ter que criar uns instrumentos de incentivo, inclusive para fusão dos municípios.
Mas vai fazer os plebiscitos, cerca de 4 mil plebiscitos, como determina a lei? Porque o plano do senhor reduz de 5.570 para 1.500, né?
A viabilidade, e aí, como é que você vai fazer? É através da redução deles. A maior parte dos municípios hoje são inviáveis. Você vai ter instrumentos, inclusive a Lei de Responsabilidade Gerencial vai encaminhar eles para isso, porque caso o município não tenha atividade econômica condizente para se manter no longo prazo, ele vai ser incentivado, como o Japão faz, a se juntar. Se ele se junta, você vai ter mais investimentos federais nessa união.
E vamos fazer uma campanha política para as pessoas participarem desse processo, porque as pessoas vão ser convencidas. E até fácil convencer todas as cidades minúsculas que eu rodei ao redor do Brasil que não são funcionais. Quando você mostra para as pessoas que aquela cidade é apenas um cabide de 9 vereadores e um prefeito inútil, que não melhora os desempenhos e a vida da pessoa, e que a pessoa tá pagando aquele preço, a pessoa primeiro achar esse projeto racional.
E aí é uma tarefa de presidente da República de fazer o convencimento do projeto. Naturalmente o Congresso Nacional vai querer participar disso, e naturalmente a gente vai chegar num projeto articulado, ponto. É uma questão negociada. Eu não tenho condição de impor isso, que a Constituição me impede hoje.
O senhor queria falar um pouco de educação, tema super importante. Eu vejo também que o senhor fala muito disso. O senhor já disse que vai cortar o financiamento das faculdades que o senhor chama de unesquinas. Né? Se eu tiver errado, o senhor me corrija aqui. Quase 80% dos universitários brasileiros estão na rede privada, a maioria em universidades que não são de ponta também, o senhor sabe disso, e boa parte via o ProUni e o FIES. Pergunto para o senhor, esses jovens vão estudar onde?
Nós vamos alterar a dinâmica hoje de formação de capital humano no Brasil. Você simplesmente entregar para uma pessoa que mal sai alfabetizada da escola um endividamento ou um programa em que ela acredita que ela vai ganhar um diploma forma para depois virar Uber ou virar entregador, eu tô apenas iludindo essa pessoa. Países muito mais desenvolvidos do que o nosso, Alemanha é um exemplo mais claro, ou a China, que é um país em desenvolvimento, ou vou citar também o próprio Vietnã, trabalham muito com ensino técnico, a formação técnica das pessoas, que é mais rápida, mais adaptada aos contextos.
E essa pessoa quiser fazer uma universidade, ela pode ter acesso à universidade pública e boas universidades, boas universidades privadas com financiamento. O que não vai ter é praticamente uma máfia que foi construída através de muito lobby, numa propaganda que foi feita pelo Lula de que, ah não, eu vou te dar um diploma e sua vida vai se resolver. Não se resolveu. Inclusive, esse é o drama da minha geração. Minha geração, todo mundo achou que ia conseguir um bom emprego com diploma e terminou enganado, e terminou na mão do Pablo Marçal dizendo que ela fracassou porque não tinha o mindset certo.
Foi exatamente o que aconteceu. A minha geração, geração Millennium, acreditou. Olha, ampliou, tive acesso agora à universidade, fiz relações internacionais numa uni alguma coisa. Ela pegou esse diploma, diploma, pendurou na parede e foi fazer Uber. Lógico que existem externalidades econômicas que envolvem o problema dessa pessoa, mas definitivamente um diploma mal qualificado é apenas ilusão, e as pessoas acreditaram nessa ilusão.
Candidato, eu não vou entrar aqui na discussão sobre a qualificação do diploma porque é um tema bastante complexo de fato, mas o financiamento estudantil é um um caminho, uma porta de entrada de jovens pobres no mercado de trabalho. E vou além, o senhor fala em abolir o sistema de cotas. O sistema já fez mais de 10 anos de aniversário, conseguiu mobilidade, ascensão social de pessoas com renda baixa, pessoas pretas. Por que que o senhor vai abolir o sistema de cotas, a exemplo do que o senhor tá falando?
Vou começar pelo que você colocou inicialmente, Vai haver financiamento, mas vai haver qualidade e fiscalização. Tá vendo?
Você não vai acabar com prêmios, não vai.
Eu vou qualificar. Não, a universidade que entrega péssimo ensino e acabar recebendo ou renúncia ou incentivo governamental não receberá, ponto. Eu vou ficar fingindo? Vou ficar fingindo que o cara recebeu um diploma? Ah, sou formado em medicina? Não, não haverá isso. A gente não tem que trabalhar com essa ilusão, até porque isso é enganação, isso termina sendo no fim do dia, qual, especialmente com a pessoa que tá pagando, ou com pagador de imposto que tá sendo iludido, que tá vivendo numa sociedade em que aumentou a produtividade e a escolaridade.
A ilusão, a mentira vai acabar. Segunda coisa, eu e o meu grupo político, nós não acreditamos em termos principiológicos do sistema de cotas. Agora, a nossa política para substituir o modelo de cotas, que é uma política de sistema de incentivo e recompensa para bons alunos desde a base, ela vai substituir paulatinamente É igual a tudo, envolve uma transição. Não vou, entrei no governo, acabei com esse modelo. Não, nós vamos fazer uma substituição.
Eu acredito no poder não só da educação, mas o poder da integração. E eu acredito que existem pessoas talentosíssimas espalhadas por todo o território nacional. Um exemplo muito claro é boa parte das pessoas que passam no ITA e nas melhores universidades vem lá do Ceará, o Colégio Farias Brito, acho que Aridesá. Como é que eles fazem a cota? Eles coletam muitos meninos e meninas dos interiores no próprio estado do Ceará estão indo bem em escolas públicas.
Eles coletam essas pessoas, treinam, passam em grandes vestibulares, viram inclusive uma bandeira. Olha, essa escola é muito boa. O que nós pretendemos fazer? Nós queremos qualificar as crianças primeiro, um sistema de alfabetização muito poderoso, porque o Brasil hoje ele não está focando no método fônico, que é o principal método referendado por pesquisa para alfabetizar crianças. Crianças estão saindo semialfabetizadas da escola.
Aliás, sobre escola e primeira infância, tem todo um trabalho que a gente tá tratando É um dos temas que a gente mais fala no nosso livro de propostas. Mas as crianças e as famílias que performarem melhor em provas objetivas feitas pelo governo federal vão receber bolsas desde já nas escolas.
Isso é agora, se o senhor for eleito.
Eu quero falar, eu só quero voltar, só dá um recado que faltam 5 minutos, tá?
Eu quero só voltar para as cotas. É, por que que o senhor dissesse assim: no futuro o meu desejo é acabar com as cotas porque a desigualdade estaria superada e nesse caso não precisaria mais de reparação.
Exatamente o que eu tô falando.
Não, mas não foi isso que o senhor disse aqui. Esse é um ponto. O outro ponto é o seguinte: acabar com o sistema de cotas, se o sistema de cotas promoveu inclusão de pessoas pretas não só na universidade, mas no mercado de trabalho também.
Eu acredito no mérito, eu acredito que pessoas pretas, pessoas brancas, indígenas que escolas, elas têm que entrar pelo mérito, competindo em igualdade de condições, as condições mais próximas possíveis das demais. Eu acredito que a universidade é um espaço de mérito, e o crescimento econômico vai ser baseado em mérito. E eu vou dar instrumentos não na universidade, depois essa criança ter passado por um ensino deficiente. Eu quero detectar quem são as crianças, quem são os outliers que vão entrar nessas faculdades, que vão ser objeto dessa política pública, e desde já pegar essa criança, colocar nas melhores escolas, dá uma bolsa para ela, acabar com o programa pé e transformar o pé de meia numa política de incentivo aos bons estudantes, baseado em mérito, para que essa criança concorra em igualdade de condição ao longo da vida dela e que ela já vá para universidade preparada.
É isso que eu quero fazer, baseado no mérito dela e na integração que eu vou ter entre a escola, a família dela e o Estado. É isso que eu acredito, é você antecipar os efeitos disso ainda no ensino fundamental, não fazer um, vamos ser claro, uma correção. Você não consegue entregar nada em termos de desempenho quando você compara o ensino público com privado para formar esse capital humano, aí depois agora dá uma cópia para corrigir e faz uma propaganda.
Não acredito nisso, não é baseado em mérito e não é justo. Eu vou voltar para base: é o outlier, é o garoto especial, é a menina especial. Vamos dar uma bolsa para essa pessoa, vamos já inserir ela nas escolas, vamos colocar nas melhores escolas públicas ou privadas, a escolha da família, no seu município, no seu estado, para que ela concorra em igualdade de condições.
É isso que eu quero, candidato. O senhor já falou em desmame financeiro do Nordeste, que o senhor considera injusto que estados recebam mais do que arrecadam. Mas isso não é romper o pacto federativo, punir o eleitor nordestino?
Muito pelo contrário, o eleitor nordestino é a maior vítima disso. Basta ver que a classe política do Nordeste, ela se mantém firme e forte num processo de exploração das pessoas mais humildes, e ainda assim o dinheiro continua sendo retirado dos outros estados e mandado para essa classe política. Porque a quantidade de dinheiro que é colocada, ela é desproporcionalmente mais alta. O pacto federativo é profundamente injusto com outras Só que isso não se transforma em benefício para as pessoas do Nordeste.
Então, se tá ruim para pessoa do Sul, Sudeste, Centro-Oeste, que paga o quinhão maior, tá ruim para pessoa que mora no Nordeste, que inclusive se muda para outros estados, para quem tá bom? Para alguém tá bom, tá bom para o político. Eu rodei o interior do Nordeste, graças a Deus, falo isso de rádio em rádio. E aí você explica isso, para quem tá boa essa história? O fluxo migratório, tirando o Paraíba, Calemba, é de sair do agendado de pessoas.
As pessoas estão indo embora, estão metendo o pé, e estão metendo o pé. A qualidade de vida tá ruim, o crime organizado chegou, não houve um aumento de renda quando comparado a outras regiões. Só que a classe política parasitária de lá continua atuando e ganhando dinheiro. Isso não pode continuar. Isso é um sistema de incentivo ao mau trabalho. E é por isso que a gente é administrado na Câmara dos Deputados pelo Hugo Mota e no Senado pelo Alcolumbre.
Isso não inclui só Nordeste, parte do Norte também. Os lugares que têm menos atividade econômica, que são menos independentes, eles mandam nos que estão pagando a conta.
Mas a solução para o Nordeste é mandar menos dinheiro?
Não, a solução para o Nordeste é estabelecer um crescimento econômico, colocar lei de responsabilidade gerencial para quebrar esse ciclo de pobreza. E as pessoas mesmo, de maneira democrática, como cidadãos e cidadãs livres, capazes de votar sem precisar de um carguinho do governo, de uma compra de voto, eles vão substituir essa elite política maldita, que são eles. Para voltar, para a gente fechar o ciclo da entrevista com o começo, são eles os deputados e senadores que em grande medida vida, eu vou ter que negociar e compor.
O senhor tem o timing, o senhor tem. A gente tá encerrando aqui a nossa entrevista, mas queria dar um minuto para o senhor para as considerações finais.
Eu adorei a entrevista. Vocês são jornalistas realmente muito boas, vocês são tudo aquilo que eu imaginava na nossa batina. Perguntas difíceis, perguntas boas. Eu fiquei muito feliz porque precisa ser assim. Espero que seja ainda mais difícil com meus adversários, mas eu adorei, adorei. Fiquei feliz, espero que muitas pessoas tenham me conhecido hoje. Muito obrigado pela oportunidade, fiquei muito honrado.
Obrigada, obrigada pela participação. Amanhã aqui nos nossos estúdios a gente vai receber o Romeu Zema do Novo na sexta, o Ronaldo Caiado do PSD, Flávio Bolsonaro do PL é o convidado da próxima segunda-feira. A GloboNews e o G1 transmitem ao vivo essa série de entrevistas especiais e conjuntas. Muito obrigada.
Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até mais!
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