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Por dentro das convenções de Lula e Renan Santos

04 de agosto de 202637min
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Convidados: Nayara Felizardo, repórter de Política do g1; Rosana Cerqueira, repórter da GloboNews; e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da Rádio CBN. A convenção partidária do PT confirmou neste domingo (2) que Lula será mais uma vez candidato à Presidência da República – será sua sétima candidatura. Em seu discurso, que durou mais de uma hora, o presidente pediu desculpas pelos erros que cometeu, mas defendeu sua gestão e anunciou uma série de promessas para um eventual quarto mandato: pautas sobre educação, transição energética, idosos, indústria militar e exploração de terras raras. Lula ainda disse que não será o "Lulinha Paz e Amor", mas, sim, o "Lulinha Porreta", e garantiu que irá brigar com o Congresso sobre as emendas parlamentares. No sábado (1), o Missão confirmou Renan Santos como candidato – ele já havia sido indicado pelo partido na convenção online. Na convenção, Renan recusou o rótulo de "terceira via", buscou se apresentar como a alternativa anti-Lula e anti-Bolsonaro e prometeu endurecimento nas políticas de segurança pública. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista três jornalistas. As repórteres Nayara Felizardo e Rosana Cerqueira relatam suas coberturas nas convenções de PT e Missão, respectivamente. Depois, Bernardo Mello Franco analisa os discursos de Lula e Renan e comenta as propostas apresentadas pelos candidatos.
Participantes neste episódio4
V

Victor Boyadjian

HostJornalista
B

Bernardo Mello Franco

ComentaristaJornalista
N

Nayara Felizardo

ReporterRepórter de Política do g1
R

Rosana Cerqueira

ReporterRepórter da GloboNews
Assuntos5
  • Possível quarto mandato de Lula· PoliticaExpectativa de reeleição de Lula · Discurso de Lula · Promessas de campanha · Legado de Lula · Defesa da mulher e voto feminino · Lula 4
  • Ideologia e Influências de Renan SantosIdeologia e Influências de Renan Santos · Rejeição ao rótulo de terceira via · Discurso populista e conservador · Propostas de segurança pública · Críticas a Lula e Bolsonaro · Estilo de campanha 'show business'
  • Estratégias eleitorais e perfil de candidatos· PoliticaLula: 'Lulinha Porreta' e briga com Congresso · Renan Santos: outsider e radicalização · Apelo ao eleitorado feminino (Lula) · Populismo de ultradireita (Renan Santos) · Foco em juventude e empreendedores (Renan Santos)
  • Desafios eleitorais e infraestruturais· PoliticaRejeição e aprovação do governo Lula · Polarização e busca por votos · Papel do Congresso e emendas parlamentares · Manutenção do status quo no Legislativo
  • Análise da cobertura das convençõesDiferenças na estrutura dos eventos · Venda de ingressos e produtos (Missão) · Controle de imprensa e acesso restrito (PT) · Discursos com apelo midiático e 'coaching'
Transcrição63 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

O que eles não sabem é que essa Copa minha é a sétima. O que ele não sabe é que eu já fui candidato em 89, já fui candidato em 92, em 90, em 94, em 98, em 2002, em 2006, em 2022. Sendo que nós ganhamos, se eu ganhar essa, são 4 Copas.

?Voz B

Foi assim que Lula abriu o discurso na convenção nacional do PT neste domingo, quando o partido oficializou a candidatura do presidente à reeleição.

?Voz 1

Eu não quero ser mais um presidente só do Bolsa Família, só do Matriz do Ordem, só é tudo mais, mais e mais. É preciso ter mais. E esse ter mais, a gente vai ter que mudar de comportamento. A gente vai ter que ser mais ousado, a gente vai ter que ser mais ousado para a gente mudar muita coisa.

?Voz B

No palco, Lula pediu desculpas por erros do governo, mas saiu em defesa da gestão e apresentou as principais promessas de campanha e pediu apoio para o seu quarto mandato.

?Voz 1

Agora que nós estamos com o básico garantido, agora é a hora de dar um salto de qualidade, agora é hora de pensar nesse país.

?Voz B

No fim do discurso, o tom mudou. O presidente disse que o Lulinha Paz e Amor ficou no passado e sinalizou uma campanha mais dura.

?Voz 1

Vocês vão ver, eu não quero Lulinha Paz e Amor, eu quero Lulinha Porreta.

?Voz B

Lula também quebrou o protocolo ao chamar a primeira-dama, Janja, para discursar na convenção.

?Voz 1

Eu quero fazer uma crítica a mim, uma crítica, porque Não é possível que a gente tenha esquecido do principal evento da nossa campanha não ter colocado uma mulher para falar.

?Voz B

E em meio à discussão sobre o futuro do PT, apontou quem é o seu candidato para a sucessão.

?Voz 1

Qual é o país do futuro que eu vou lhe entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por 8 anos, quisesse perder da República.

?Voz B

Na véspera dessa convenção, o partido Missão reuniu militantes em um grande evento em São Paulo para marcar o início da campanha de Renan Santos.

?Voz 2

Ele já havia sido oficializado candidato em uma convenção virtual, não como a tal da terceira via, porque se o antipetismo é a negação do petismo se definindo como oposição, a terceira via é oposição da oposição. Nós não somos nada de terceira via.

?Voz B

Renan tenta se apresentar como uma alternativa à polarização, diz que não representa nem o projeto de Lula nem o de Flávio Bolsonaro.

?Voz 2

Nós não somos a negação do PT, nós não somos antipetistas, nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: veja só, eu sou o oposto do Lula.

?Voz B

E e promete endurecer as políticas de segurança pública.

?Voz 2

Meu país não vai oferecer esmola para ninguém. Vocês vão comprar seu celular, vocês vão comprar sua casa, vocês vão comprar seu carro, vocês vão comprar seu celular e ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar.

?Voz B

Agora o tabuleiro da eleição tem as principais peças na mesa. Lula e Renan Santos se somam a Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema como candidatos à presidência da República mais bem colocados nas pesquisas. De intenção de voto. Eles agora têm até o dia 15 de agosto para registrar seus nomes no Tribunal Superior Eleitoral. No dia seguinte começa para valer a campanha.

RCRosana Cerqueira

Da redação do G1, eu sou Nato Zaneri e o assunto hoje com Vitor Boiadjian é as candidaturas do PT e do Missão à presidência da República.

?Voz B

Neste episódio eu converso com Nayara Felizardo, repórter de política do G1, Rosana Cerqueira, repórter da GloboNews, e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Terça-feira, 4 de agosto. Rosana Cerqueira, você foi a uma das coberturas das convenções partidárias nesse fim de semana, mas você tem um histórico de coberturas ao longo da sua carreira. E esse evento especificamente do Missão, que lançou a candidatura de Renan Santos, O que que você vê de diferente de toda a sua experiência de cobertura?

RCRosana Cerqueira

Interessante falar sobre isso, porque realmente eu até fiquei bem impressionada quando eu cheguei lá no local, porque você tá acostumada com convenção partidária, aqueles ônibus de correligionários, o deputado leva uma turma do bairro dele, da região dele, da cidade dele. E dessa vez nós chegamos lá, a convenção tava marcada, a abertura dos portões para meio-dia, demorou um pouco para abrir, e aquela fila de pessoas como se você tivesse tá chegando num show, um evento musical.

As pessoas pagaram ingressos, isso eu nunca tinha visto numa convenção, variando de preços assim a R$94, mil e pouco reais, até R$7.000, uma categoria top ali.

NFNayara Felizardo

Ninguém tem pessoas que vieram aqui pagando de R$300 a R$7.000, e não é nem aquele refrão, vim de graça, não.

RCRosana Cerqueira

Aqui todo mundo veio pagando, e as pessoas dispostas a pagar, alguns obviamente nessas categorias mais caras, pagando porque tinham direito, né, dava direito o convite ao pagamento de você gravar um vídeo com os candidatos que disputam a presidência e vice-presidência, de poder filmar, de poder se fotografar nitidamente. Pessoas que pagaram mais caro ali obviamente são candidatas a deputados, né, estão disputando alguma vaga estadual e até alguma vaga federal como deputados.

E até pensando, alguns encontrei lá pensando numa futura candidatura a vereadores, a vereança daqui a anos, pessoas lá construindo suas carreiras políticas, mas pessoas que não estão construindo nenhuma carreira política se dispondo a pagar R$90 para entrar numa convenção partidária. Para mim isso foi bastante diferente. E quando eu entrei, a gente tá acostumado convenção no estádio, numa área mais aberta, tal. Não era um show, parecia um show, mas não tinha música com música ao vivo, tinha música ambiente, mas aquele ambiente de espetáculo, de entretenimento, que era tudo meio escuro Não absolutamente escuro, mas aquela luz mais bem baixa.

E aquele palco, aquelas luzes direcionadas para o palco, um palco que ele seguia assim, avançava por cima da plateia e luzes embaixo desse palco destacando os que iriam falar ali. Um púlpito que só foi utilizado pelo Renan Santos. E assim, um esquema meio show business, coisa que eu nunca tinha visto, confesso a vocês, numa convenção. E tudo vendido. Tudo, camiseta, broxinho, tinha lá pelúcia, o bichinho de pelúcia da onça, que é o símbolo lá, o mascote do Partido Missão.

?Voz B

No evento, brinquedos de pelúcia com a frase prendeu, matou estavam à venda. A pena de morte é proibida no Brasil e não pode ser alterada nem por emenda na Constituição.

RCRosana Cerqueira

E o livro amarelo que é o livro amarelo do Missão, que são as propostas do partido para o país, organizado pelo deputado Kim Kataguiri, com várias participações. Então tudo vendido e tudo num esquema meio show midiático. E todos os discursos, depois a gente pode falar do discurso, mas tudo meio coaching, sabe? Uma coisa muito diferente. Você fala assim, fala para um público específico. Tudo ali era muito pensado, muito direcionado para esse público que se deixa influenciar por essa coisa não só midiática, mas coach mesmo, aquela coisa meio guardadas as devidas proporções, bem Pablo Marçal.

?Voz B

Agora, discursos, você mencionou do Renan Santos, né, do candidato agora do Missão.

RCRosana Cerqueira

Olha, um discurso bem longo, bastante populista, frisando bastante as frases e pontuando o tempo todo, demonstrando que ele fez aquele discurso esperando aquelas reações e um discurso bastante direcionado para a juventude e para os empreendedores. Não era, não foi um discurso para a classe operária, não foi um discurso para as pessoas mais simples, tanto que ele focou muito, uma boa parte do discurso dele, nas críticas aos programas sociais do atual governo.

E muitas críticas também ao atual governo na pessoa do Lula e também ao Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro, criticando esses dois lados e nitidamente numa postura de eu sou diferente, eu sou a verdadeira direita, quando ele critica o Flávio Bolsonaro. E ele absolutamente ignorou os outros candidatos da direita, ele se colocando que obviamente é natural que faça isso, né, que eu faça, é que ele vai para o segundo turno, que é a única pessoa capaz de derrotar Lula.

Lula. Agora, um discurso, voltando àquilo, bastante à direita, conservador, sim, mas não é um conservadorismo de costumes. É bem interessante isso, é um conservadorismo econômico. E muito, ele colocou pontos no final, depois de criticar, acho que tá muito Lula e Bolsonaro, PT e Bolsonaro, ele criticou muito o que existe hoje do ponto de vista de segurança pública, um detalhe interessante, e econômico também, tudo que a gente tem na economia e não só a crítica aos programas sociais, mas tipo, vou resolver muito rapidamente tudo isso.

As nossas propostas são de solução rápida, nós vamos, mas não diz a solução, só diz que vai fazer. E isso tem um apelo muito forte, teve um apelo muito forte. Olha, eu vou acabar com o problema da segurança rapidamente, da falta de segurança rapidamente, eu vou desenvolver o país rapidamente, vou acabar com os programas sociais porque as pessoas vão ter dinheiro Não vão precisar do Bolsa Família, não vão precisar do Vale Gás. Tanto que na coletiva, imediatamente, qual foi minha pergunta?

O senhor vai acabar com os programas sociais? Aí ele espertamente olhou para mim e falou assim, olha, muitas pessoas querem que eu responda a sua pergunta com sim, vou acabar, mas eu não sou bobo, eu não sou idiota de acabar com programa social, os programas sociais são necessários. E daí ele fez o discurso. Mas uma pessoa de um poder aquisitivo menor que tem para pessoas, esse programa social é muito importante. Ali, ouvindo o discurso dele, que era para uma massa de direita, para uma massa que queria ouvir aquilo, que entende que os programas sociais— e existe isso na sociedade, sabemos— atendem os mais pobres, os programas, e não aquela classe média.

Muitas críticas, sabemos, existem aos programas sociais dessas pessoas que não se sentem representadas no que tá aí. Então ele falou para essas pessoas E esse me pareceu o foco do discurso dele. E falando principalmente nesse foco do discurso por jovens, muitos jovens lá, muitos jovens. E quando ele falava para os jovens, ele falava: nós somos a geração. Ele se colocando como jovem da nova geração da política. Outro ponto que me chamou no discurso dele, mas principalmente nos discursos que o antecederam dos candidatos a governador, o próprio Kim Kataguiri, eles falando, tentando já antecipar as críticas que eles possam receber, que o partido não tem experiência, que o partido nunca governou, que ele nunca se candidatou a nada, Renan Santos.

Também a falta de experiência, inclusive acadêmica, dele, porque ele não concluiu, né, a universidade. Ele entrou numa excelente universidade de direito, a Lago São Francisco, mas não é formado pelo Lago São Francisco. Então também teve essa discussão lá.

?Voz B

O deputado federal Kim Kataguiri falou sobre o trabalho de Renan Santos. Antes de se lançar à presidência.

BMBernardo Mello Franco

Ele nem gostava de aparecer durante todo esse tempo. Ele poderia ter sido deputado federal, ele poderia ter sido vereador, poderia ter sido deputado estadual. Ele não quis. Ele sempre se colocou a serviço de um projeto, de um propósito maior.

RCRosana Cerqueira

E ele fala muito bem, ele se posiciona realmente muito bem, mas a gente percebe ali naquele, em alguns trechos já, eles criando talvez o antídoto às críticas que possam vir da falta de conhecimento político, de experiência política, não conhecimento, corrigindo, de experiência política, porque ele é a primeira disputa dele, ele não se elegeu nunca a nada. Então ele já criando um certo antídoto a isso. E nessa criação desse antídoto, ao mesmo tempo, no discurso dele tem isso, nos outros discursos, eles lembrando a criação do MBL, ele como um dos cofundadores.

O movimento político que eles consideram maior movimento político popular do país dos últimos tempos. Eles taxaram a criação do MBL, creditam o MBL a isso. Eles dizem que eles é que levaram o impeachment da Dilma Rousseff, o que sabemos que é um ponto ali dentro daquele período histórico, mas o período histórico é muito mais amplo do que isso. Mas eles têm esse discurso. Então o discurso o tempo inteiro assim, com discurso longo, muito bem pontuado, com muitas críticas.

E em alguns momentos, viu, Vitor, é muito assim nesse populismo, uma coisa muito agressiva mesmo, chamando Lula de velho caquético, criticando Moro traidor. E isso ele foi muito aplaudido e gerou lá uma reação imediata do público com críticas a Sérgio Moro, dizendo que ele era um traidor, teria deixado a Lava Jato e se vendido ao governo Bolsonaro.

?Voz 2

Quem se lembra do, de saudosa memória, Ministro Sérgio Moro? Hoje um vassalo, uma pessoa que cantamos o nome dele, um vassalo, um homem que não teve a estatura de defender o próprio legado e se submeteu a ser escravo daqueles que destruíram a sua grande obra, que era a Lava Jato.

RCRosana Cerqueira

Enfim, muitas críticas até muito fortes e pesadas nesse populismo do discurso. Foi uma coisa muito numa linha à direita empreendedora, sabe? Tanto que tudo tinha a ver com finanças ali, tudo que eu disse era vendido, mas com o objetivo de arrecadar fundos para o partido, o que é correto, né? Eles precisam de dinheiro para fazer campanha. Agora, muito bem organizado, viu, Vitor? Teve pouquíssimos atrasos ali. A gente percebia, tinha toda uma estrutura montadinha, uma assessoria de imprensa funcionando bem.

A gente jornalista sabe que isso é importante. Tudo muito bem organizado, com telões e drones. Teve um investimento bom ali, mas um show, um espetáculo, repito, sem música ao vivo. Até porque a candidatura do Missão, as candidaturas já estão registradas desde o dia 20 de julho no TSE, porque eles fizeram uma convenção virtual no dia 20 de julho, primeiro dia da data do cronograma eleitoral. Então, neste fim de semana, no sábado, foi assim a apresentação à sociedade, e eles tentando se colocar como um partido alternativo dentro da direita, da discussão à direita.

Com personagens como eles, né? Como você disse, com uma boa retórica, falando, se posicionando bem e querendo gerar um impacto. E me pareceu que eles obtiveram sucesso porque foi uma aclamação, viu? E lotado, lotado, no espaço gigante, uma antiga fábrica ali na Moca, que é um espaço de eventos, shows e tal. E eles usaram, não tenho ideia de quantas pessoas, mas muito cheio.

?Voz B

Transmitei. Rosana Cerqueira, muito obrigado pelo seu relato, pela sua cobertura, mais uma de muitas aí que você tem na sua coleção, e que venham outras. Uma ótima cobertura dessa campanha eleitoral.

RCRosana Cerqueira

Virão outras coberturas. Obrigada pelo espaço, adorei participar.

?Voz B

Nayara Felizardo, você e o Arthur Stabl fizeram a cobertura da convenção que confirmou, né, o nome de Lula candidato à reeleição pelo PT, né? Então eu queria te ouvir, como é que foi esse evento do PT no domingo passado?

NFNayara Felizardo

Foi um evento mais fechado, né, para um público bem menor. A gente já sabia que o partido tava focando em um evento maior para uma militância, né, maior no dia 16. Então nesse, no domingo, tinha basicamente duas arquibancadas que estavam bem ocupadas, mas que era assim, parecia mesmo bem restrito, né, para poucas pessoas ali do partido. Era um ambiente fechado, né, esse Center Norte. A previsão, ao que a gente soube lá, pelo que a gente soube lá, até que seriam 3 mil pessoas esperadas, mas eu diria que tinha menos que isso.

E aí uma coisa que eu observei, Vitor, ausência de pessoas de vermelho, poucas pessoas vestidas assim. Tinha, né, tinha militante ali de vermelho e tudo, mas não era a maioria. O Lula mesmo e a Janja estavam todos com roupas completamente brancas. Quem discursou no palco também Outra coisa que eu observei também, cartazes com a bandeira do Brasil, né, assim, cartazes com a, em defesa do fim da escala de trabalho 6 por 1, e também já sinalizando ali o que vai ser mote de campanha.

A imprensa ficou num cercadinho, me chamou atenção essa distância que nós ficamos. Para você ter ideia, eu sou baixinha, não conseguia ter visibilidade do palco. Então meu colega, o Arthur, que fizemos juntos essa cobertura, ele que teve que subir em cima de uma cadeira para conseguir ver e fazer algumas imagens. A gente não teve acesso a outras áreas do evento. Então, por exemplo, a gente quis ainda entrevistar alguns militantes, e quando a gente tentou acesso ao local, os seguranças disseram que não tínhamos acesso lá, mesmo sendo da imprensa.

Então percebi uma certa certo controle ali, né, para que a gente não saísse daquele ambiente. O Lula não passou tão perto de onde a gente tava, passou assim de lado, mas não dava, por exemplo, a gente sabe aquela coisa que jornalista faz, fazer uma pergunta assim, aproveitar o momento e fazer uma pergunta. Não tivemos essa oportunidade.

?Voz B

Você destaca do discurso do candidato agora, para onde que foi a linha dessa primeira fala agora do candidato?

NFNayara Felizardo

Bom, o discurso ele já encaminha bem o que vai ser o mote de campanha, embora não tenha tido propostas de do teatro, ele até falou lá, eu não vou falar de proposta de governo, do programa de governo, eu vou falar isso só no dia 16. Mas já dá um indício do que vai ser o mote mesmo dos assuntos prioritários. Então, fim da escala 6 por 1, é isso, tava presente tanto na fala do Lula, mas também dos outros que discursaram. Foram poucos discursos.

Quem discursou no palco foi o Edson Silva, presidente do PT, o Haddad, o Alckmin, a Janja, que foi chamada pelo Lula, não estava prevista para falar, mas ele chamou também, já sinalizando um outro ponto que vai ser destaque no tema da, vai ser tema destaque na campanha, que é a defesa da mulher, a importância da mulher, do voto feminino, a força da mulher para decidir, né, e a soberania a defesa da soberania. Então eu destacaria esses 3 pontos que são um mote de temas centrais no discurso do Lula.

Ele faz aquele resgate, né, da história dele, que a jornada do herói, né, daquele menino pobre. Ele diz que ele é um milagre. É, no discurso ele falou que ele era um milagre que tivesse uma foto dele aos 5 anos porque ele não tinha morrido antes. Por conta da mortalidade infantil na época, que era muito alta. Destaca muito essa do menino que veio do Nordeste, que veio do sertão. Uma coisa também importante, que é o destaque do Lula internacionalmente.

Até ouvi um dos vídeos que foram apresentados lá, um jingle lá que foi apresentado para a militância, destaca isso, né? O tapete vermelho para o filho do Nordeste, é um trecho da música. Então isso também, ele destaca essa relevância dele internacional. Ele fala muito do Lula saudável, do Lula disposto, que treina, que corre. Ele disse que tá melhor hoje aos 80 do que aos 57 anos. E aí, de proposta, ele não falou de proposta, mas ele destacou o que ele chamou de 5 compromissos.

É, até nesse momento ele disse: prestem muita atenção, eu vou falar aqui de 5 compromissos. Quem tiver com celular, solte o celular e anote. O primeiro que ele falou foi sobre a educação, falou sobre um programa para idosos, sobre a defesa, investimento, maior investimento na defesa, na defesa das fronteiras do Brasil. Citou até o caso da Venezuela, né? Então riscos de ataque, para defendendo que o Brasil precisava se defender, investir mais no Ministério da Defesa, transição energética.

Terras raras e minerais críticos. Ele disse, se a gente produz, a gente que tem que lucrar com isso. Não é chinês, não é os Estados Unidos, não é a França, não. É o Brasil quem tem que lucrar com isso. E aí essa coisa, né, no começo do discurso ele já chamou a Janja para falar, disse que era um erro dele que não tivesse nenhuma mulher para falar naquele momento, que era o momento mais importante do partido. E aí chamou ela, e aí ela veio falar, né, e o discurso dela foi basicamente sobre a mulher.

E eu quero dizer que eu tenho muito orgulho de você ter abraçado uma causa que para nós mulheres já trabalhamos há tanto tempo, lutamos, sofremos há muito tempo, que é o combate à violência contra as mulheres. Não só a questão do feminicídio, mas toda forma de violência contra as mulheres. Tem muitos ataques diretos. Ele teve uma hora que ele falou assim, que não é, não é mais o Lulinha paz e amor, agora é o Lulinha porrada. Ele usou a expressão, mas não se direcionou, não se dirigiu diretamente a um ou outro adversário.

?Voz B

Você já começou a falar, só queria contornar melhor sobre o aceno que ele fez ao eleitorado feminino, né? De que forma que isso foi feito? Além da fala da Janja, ele fez algumas manifestações também, né?

NFNayara Felizardo

Sim, foi boa parte do discurso dele esse assunto. Teve uma parte que ele falou assim: não quero voto de agressor de mulher. O agressor, quem agride mulher, quem bate mulher, vote em outro. Eu não quero que vote em mim. Eu acho que aí também sinalizando um discurso indireto dizendo que os seus adversários é que gostariam de ter esse apoio de agressor, né?

?Voz 1

O cara vai ter que escolher, ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser.

NFNayara Felizardo

Ele disse, falou também que agressor tinha que colocar uma tornozeleira, mas uma tornozeleira inteligente, que a mulher conseguisse monitorar se ele estava chegando perto dela, é ali dando um pequeno sinal de uma proposta, né, na área da segurança pública. Ele destacou também uma coisa que foi uma história pessoal, né, que a mãe dele, a Dona Lindu, deixou o marido, pai dele, depois que descobriu uma traição. E ele dizendo assim que as mulheres deveriam se inspirar na Dona Lindu para ter força de sair desses relacionamentos abusivos.

Ele não usou essa palavra, mas assim, há relacionamentos tóxicos. E ele dizendo que inclusive um dos milagres, né, que ele era fruto de milagres, e um dos milagres era a mãe dele ter largado esse pai e ter conseguido criar 8 filhos sozinha. E aí uma coisa também, além do discurso dele, Lula, outros, outros que discursaram também falaram muito disso, né, da força da mulher empoderando esse eleitorado, né? A mulher que é capaz de decidir o futuro do país, né? Dando muito poder a esse público.

?Voz B

Na Era Felizada, muito obrigado pela sua cobertura, pelo seu relato.

NFNayara Felizardo

Obrigada, Vitor, me chame sempre que precisar.

?Voz B

Daqui a pouco eu já volto para falar com o Bernardo Melo Franco. Bernardo Melo Franco, então candidatos do Missão, Renan Santos, e do PT, o presidente Lula, foram oficializados em convenções dos seus partidos nesse fim de semana. Quero começar falando do Renan Santos, porque um pouco antes, um outro episódio, Natuza conversou com Thomas Trauman, que identificou lá em Renan Santos uma tentativa dele se colocar como um candidato outsider.

E no discurso a gente viu Renan Santos rejeitando o rótulo de terceira via. Então, afinal, o que é Renan Santos na sua opinião? Até onde pode chegar essa candidatura e a formação da identidade desse candidato que debuta agora na candidatura à presidência da República.

BMBernardo Mello Franco

Uma convenção partidária, ela é uma espécie de ensaio geral da campanha, né? O candidato testa o discurso, marqueteiro testa o jingle, e nós na imprensa ficamos buscando sinais do que que vem pela frente ao longo da campanha. No caso do Renan Santos, me parece que algumas coisas ficaram bastante claras. Ele, embora faça um discurso nem-nem, nem Lula nem Bolsonaro, ele se situa claramente no campo da extrema-direita. O que significa que ele vai atrás dos votos que hoje, segundo as pesquisas, estão com Flávio Bolsonaro.

Agora, qual é a forma que o Renan escolheu para fazer isso? Se apresentando como um candidato ainda mais radical do que o Flávio, ou seja, mais bolsonarista do que o filho do Bolsonaro. Ele quer de fato vestir esse figurino de outsider, de alguém de fora da política, mas ele copia algumas fórmulas que já são conhecidas porque foram usadas por outros políticos de extrema-direita na América Latina. Ele usa um pouco da cartilha do Javier Milei, da Argentina, um pouco da cartilha do Nayib Bukele, em El Salvador.

Aliás, se a gente for espremer o discurso do Renan, talvez o principal seja o momento em que ele promete construir um mega presídio na Amazônia, né, aquele discurso de lei e ordem, estoque de ordem contra o crime organizado, e fala abertamente: vamos matar quem roubar. Isso, Vitor, é uma coisa grave porque evidentemente é uma proposta inconstitucional. Constituição brasileira proíbe a pena de morte, proíbe a execução extrajudicial.

E o Renan tá usando esse discurso sabendo que ele não tem amparo na Constituição, mas porque sabe que isso fala ao coração de muitos eleitores que estão assustados com a violência e com a criminalidade urbana. Então é um populismo de ultradireita, né, com essa promessa de de repressão, de usar a letalidade policial, e que a experiência mostra que acaba conquistando muitos eleitores que caem nesse discurso do bandido bom é bandido morto.

Na forma, né, isso falando do conteúdo, na forma me parece que o Renan Santos ele é uma espécie de Pablo Marçal 2.0. Para quem se lembra do candidato do PRTB a prefeito de São Paulo na última eleição em 2024, Pablo Marçal era um personagem também outsider, também no partido da e que fazia de tudo para chamar a atenção do eleitor, inclusive bater nos seus adversários abaixo da linha da cintura. Claro que numa campanha é normal os candidatos provocarem os seus adversários, mas o que o Renan Santos fez no sábado foi muito além disso.

Ele xingou, né, ele usou o insulto como arma política, xingou Flávio Bolsonaro de mongoloide, xingou o presidente Lula de cachaceiro senil, indicando que ele tá naquela linha do falem mal, mas falem de mim. Né, provocar impacto, provocar polêmica e provocar engajamento nas redes sociais, que é o terreno onde ele se movimenta com mais velocidade. Agora, qual que é o problema dele e a desvantagem dele em relação ao Pablo Marçal?

É que para essa estratégia ir adiante, tem impacto, o candidato precisa do debate de televisão, precisa estar ali no cara a cara, xingar o seu oponente diante dele, né, e depois fazer o corte para rede social UOL mostrando a reação. E ao que tudo indica, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro estão reticentes quanto à possibilidade de participar de debates de TV no primeiro turno, ou pelo menos debates de TV que incluam candidatos como Renan Santos, né, que pela lei eleitoral não teria a obrigatoriedade da participação.

?Voz B

Bom, vamos falar agora da convenção do PT. O presidente Lula fazendo algo incomum, que foi pedir desculpa por erros, né. Mas também afirmando que não quer ser o presidente só do Bolsa Família. Que que sinaliza esse discurso? Ele tá tentando buscar algum eleitorado que hoje é refratário ao nome dele?

BMBernardo Mello Franco

Esse discurso do presidente Lula era bastante aguardado. Eu escrevi até na minha coluna no Jornal O Globo que essa eleição de 2026 vai ser uma espécie de um tiratema do Lula com a história. É a 7ª eleição presidencial dele, ele perdeu 3, ele ganhou 3, e agora vai tirar a média. Vai ser provavelmente a última eleição da vida dele. Então ele, além de estar preocupado com a manutenção no poder, ele também mostra uma clara preocupação com o legado que ele vai projetar e com a sucessão lá na frente, a continuidade do projeto do Partido dos Trabalhadores.

O principal desafio do presidente Lula nesse momento não tá no campo adversário, não tá no Flávio Bolsonaro ou em outro candidato, tá na rejeição que ele tem enfrentado segundo as pesquisas e no empate entre a aprovação e a reprovação do seu governo.

NFNayara Felizardo

Avaliação de governo mudou muito pouco e continua é mais negativa do que positiva, porque 38 consideram, 38% deles consideram ruim ou péssimo, 32 bom ou ótimo.

RCRosana Cerqueira

Então Lula, o seu governo ainda tem essa visão.

NFNayara Felizardo

Já o trabalho de Lula, pela primeira vez, teve uma variação que é positiva para Lula, apesar de ser muito próxima. 49% deles aprovam o trabalho de Lula e 48% desaprovam.

BMBernardo Mello Franco

Tá empatado, mas há uma variação aí que subiu aprovação do trabalho de Lula, o que é um cenário muito diferente da outra vez em que o Lula disputou a reeleição, lá em 2006, quando a gestão dele era muito aprovada. Ele acabou aquele segundo mandato sendo chamado pelo Barack Obama de político mais popular do mundo. Hoje a gente sabe que a coisa é diferente. A sociedade brasileira tá muito polarizada, muito dividida, e o Lula sabe disso.

Por isso, certamente, esse pedido de desculpas na linha de: olha, eu não fiz tudo que eu gostaria de fazer, mas se vocês me derem um quarto mandato, eu vou tentar.

?Voz 1

Peço desculpa pelos erros que eu cometi, peço desculpa pela coisa que eu não fiz. Olha, eu quero dizer para vocês que o nosso governo tá dando a vocês armas, argumentos, sabe, que vocês nunca tiveram na história desse país. Você tem um governo que entregou mais do que comprometeu e que vai entregar muito mais. Só depende de vocês.

BMBernardo Mello Franco

Me parece que a maior fragilidade desse discurso da convenção do PT foi uma dificuldade do presidente de apontar propostas para o futuro. O Lula faz uma defesa muito, muito forte, né, do legado dele, mas ele não consegue apresentar muitas propostas ou propostas muito compreensíveis para o Lula 4. Os marqueteiros costumam sempre dizer, Vitor, que o eleitor não vota por gratidão, né, pelo que passou. Ele vota pelo que virá, pelo que ele acha que vai conquistar ou vai receber.

Talvez tenha sido esse o principal, a principal lacuna desse discurso inicial do presidente Lula.

?Voz B

Agora apontar para o futuro, mas falando de coisas que ele poderia perfeitamente fazer no presente. Ele colocou aí que vai fazer uma briga pelas emendas parlamentares, uma briga lá no Congresso. Não falou de ajuste fiscal, se é que vai ter algum na proposta dessa candidatura do PT, e também não falou de segurança pública, né? Eu queria te ouvir um pouco sobre o que a gente viu, o que a gente ouviu e o que a gente não ouviu nessa, nesse discurso.

BMBernardo Mello Franco

Vitor, eu tava presente na convenção do PT, na cobertura desse evento no domingo aqui em São Paulo. E eu percebi depois nas conversas um certo clima de frustração de aliados do presidente Lula. Consideram que de certa forma foi uma oportunidade desperdiçada. O PT tinha feito um roteiro de convenção, achava que tinha convencido o presidente Lula a ler um discurso no teleprompter, algo que não é comum em se tratando de Lula, mas ele jogou esse roteiro fora e falou de improviso.

Fez um discurso muito longo, longo, mais de 1 hora e 10 minutos, e com muitas mensagens, e na visão de aliados mesmo, pouco foco. Então questões importantes, como você citou, segurança, questão fiscal, ficaram de fora. Por outro lado, ele parece ter gastado muito tempo ali com reminiscências, falando de aliados, de quem ele sente falta, da trajetória dele, do sindicato até o Planalto. Foi um discurso com muitas mensagens e talvez pouco foco. As manchetes dos jornais trataram muito desse embate com o Congresso.

?Voz 1

E vai ter briga, vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel que hoje tem o Poder Legislativo. Não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. O presidente da República vai perdendo o direito de indicar agência, vai perdendo direito de indicar ministro da Suprema Corte, vai perdendo direito de indicar coisa do CADE, vai perdendo direito de criar Ou seja, daqui a pouco, qual é o direito que tem o presidente da República?

BMBernardo Mello Franco

E isso de fato é relevante, porque a gente sabe que o presidente Lula reclamou o mandato inteiro, nesse terceiro mandato, da perda de poder da presidência da República, especialmente por causa do avanço do Congresso no orçamento federal via emendas parlamentares. O que o Lula diz para os aliados o tempo todo é que o presidente hoje manda muito menos do que mandava nos mandatos anteriores dele. E que o governo federal de certa forma ficou de mãos atadas porque fica sem espaço fiscal para tocar seus próprios programas, uma vez que tem mais de R$60 bilhões por ano reservado para as emendas de deputados e senadores.

Então, de certa forma, ele tá tentando repactuar essa relação e dizer que no quarto mandato vai ser diferente. O problema é que no terceiro mandato ele já fazia esse diagnóstico e não conseguiu mudar as coisas. De certa forma, Lula terceirizou essa tarefa para o Supremo Tribunal Federal né, que por meio do ministro Flávio Dino impôs uma série de exigências de transparência, de rastreabilidade nas emendas. Mas o problema principal, que é o sequestro do orçamento da União, esse problema não foi resolvido, né.

Na prática, o Lula 3, ele é um refém do Congresso, ele tem muito menos margem de manobra, de negociação, do que foi o Lula 1 e o Lula 2. E esse discurso da convenção do PT é quase um desejo, né, em voz alta, de que o Lula 4 eventualmente, se ele for reeleito, seja diferente.

?Voz B

E aí é curioso que dessas duas candidaturas que a gente falou hoje, tanto uma quanto a outra vão depender de um Congresso que tem ido majoritariamente para o centrão, né?

BMBernardo Mello Franco

Pois é. E esse próprio sistema das emendas parlamentares impositivas, ou seja, de desembolso obrigatório, ele criou uma vantagem enorme para os parlamentares que estão nesse momento exercendo mandato e que são candidatos à reeleição. Claro que a gente tem que esperar a voz do eleitor, mas tudo indica que o índice de renovação do Congresso vai ser menor. Ou seja, vai ser uma eleição no Legislativo, mas de manutenção do status quo.

E isso seria uma péssima notícia para o presidente Lula, que depende de fazer uma bancada maior. Então o Congresso sabe que ficou mais poderoso, sabe que ficou mais forte, e não tá disposto a abrir mão de nenhum milímetro desse avanço dele sobre o orçamento. Agora, na prática, isso cria uma espécie de um imobilismo, é aquele presidencialismo de coalizão que a gente conhecia até a segunda ordem, acabou. Hoje tem um Congresso com superpoderes e um Executivo muitas vezes de mãos atadas.

?Voz B

Estamos aí a poucos dias do pontapé inicial da campanha eleitoral. Então, Bernardo, te agradeço mais uma vez para nos ajudar a compreender quem são os candidatos que estão nessa disputa. Muito obrigado mais uma vez, Bernardo.

BMBernardo Mello Franco

Tá certo, Vitor, eu que agradeço. Passamos do ensaio, agora vamos para campanha de fato. Um abraço, um abraço.

?Voz B

Este foi O Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Carlos Catellan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stephanie Nascimento, Guilherme Gama e Marco Antônio Martins. Eu sou o Vitor Boiadian e fico por aqui até o próximo assunto.

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