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A morte do homem forte do Irã e a reação do regime

18 de março de 202625min
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Convidado: Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Ali Larijani, o líder efetivo do regime iraniano desde o início da guerra, foi alvo de um bombardeio aéreo israelense na madrugada desta terça-feira (17). Além dele, morreu também Gholamreza Soleimani, chefe da Basij, uma milícia paramilitar e voluntária da Guarda Revolucionária do Irã. A morte de Larijani é a maior baixa do regime dos aiatolás desde o primeiro dia de ataques israelenses e americanos ao Irã, quando o líder supremo do país, Ali Khamenei, foi assassinado. Larijani era o chefe do Conselho de Segurança, o cérebro por trás das estratégias de defesa e da política nuclear do país e o mais influente canal diplomático do governo com o Ocidente. Para explicar quem era Larijani e as consequências da morte dele para o regime e para o futuro da guerra, Natuza Nery conversa com Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Demétrio também avalia o risco de uma incursão terrestre no Irã e analisa os objetivos militares de Israel e dos Estados Unidos – onde o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo se demitiu nesta terça.
Assuntos15
  • Morte de Ali LarijaniBombardeio israelense · Chefe do Conselho de Segurança · Negociador nuclear · Impacto no regime iraniano · Sucessão de liderança
  • Paradoxo: fraqueza do regime vs. capacidade de resistênciaDecapitação de liderança · Devastação militar · Manutenção de resistência · Importância da estrutura civil do regime
  • Perspectiva de saída negociada vs. militarDiplomacia e regime · Pragmatismo de Larijani · Canais diplomáticos com o Ocidente · Futuro das negociações
  • Dilema político de TrumpFalta de saída clara · Impossibilidade de cantar vitória · Aprisionamento político · Pressão interna · Derrota política apesar de vitória militar
  • Conflito Irã-EUAGuerra de escolha dos EUA · Ameaça existencial para Israel · Sobrevivência do regime iraniano · Derrocada do regime · Definições de vitória
  • Mojtaba Khamenei Lider IraSucessão após morte de Ali Khamenei · Posicionamento contra diplomacia · Mensagem de desafio · Oposição de Larijani
  • Morte Gholamreza SoleimaniChefe da Basij · Repressão interna · Milícia paramilitar · Guarda Revolucionária
  • Saida Joseph KentDiretor do Centro Nacional de Contraterrorismo · Carta de renúncia · Oposição à guerra no Irã · Comparação com guerra do Iraque · Revolta dentro do MAGA
  • Infiltração de inteligência israelense no IrãEspionagem · Agências de inteligência · Execuções direcionadas · Segurança do regime
  • Impacto dos ataques na mobilização popular contra o regimeSecagem da revolta popular · Ataques a infraestrutura civil · Desejo de futuro vs. oposição ao regime · Desmobilização
  • Promessas descumpridas de Trump sobre guerras externasCampanha contra guerras sem fim · Crítica a administrações anteriores · Guerra de escolha atual · Traição do MAGA · Falta de objetivos claros
  • Operações terrestres planejadas: Karg e SafanIlha de Karg - terminal de petróleo · Central nuclear de Safan · Urânio enriquecido a 60% · Delta Force · Risco para soldados americanos
  • Necessidade de invasão terrestre para derrocar regimeComparação com Japão 1945 · Guerra do Iraque · Limitações da guerra aérea · Rejeição americana a novo atoleiro
  • Sucessao Lider Supremo IraResiliência do regime · Sucessores preparados · Impossibilidade de derrocada por decapitação · Radicalização de successores
  • Protestos InternacionaisLevante de janeiro · Mortes de manifestantes · Prisões · Papel de Larijani na repressão · Organizações de direitos humanos
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O homem forte do regime iraniano está morto. Segundo autoridades israelenses, Ali Larijani foi alvo de um bombardeio aéreo na madrugada de terça-feira. Até o momento do ataque, Larijani ocupava o posto de chefe do Conselho de Segurança. Mais do que isso, trata-se de um dos mais influentes políticos do país e o cérebro por trás das estratégias de defesa e de política nuclear do regime. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o Larijani foi morto.

Reza Soleimani, que é chefe da Basij, uma milícia paramilitar e voluntária da Guarda Revolucionária do Irã. Ou seja, são dois nomes muito importantes para o regime. Larijani serviu durante muitos anos como porta-voz do parlamento iraniano e era uma das vozes mais importantes do regime nas negociações do programa nuclear do país com o Ocidente. A morte de Larijani pode representar a maior baixa do regime desde o primeiro dia de ataques, quando o líder supremo, Ali Khamenei, foi morto.

Isso porque Larijani é a figura política que segura as rédeas de um país em guerra, mesmo depois que Mojitabá Kamenei, o filho de Ali Kamenei, foi escolhido como novo líder supremo. Para países da Europa e do Ocidente, ele era um moderado. Larijani nasceu em 1958 e teve muitos papéis políticos. Ele foi o negociador nuclear do Irã lá no início dos anos 2000, trabalhou junto à Agência Internacional de Energia Atômica, também na ONU.

Não é apenas o Irã que perdeu seu chefe de segurança. O Ocidente também terá que lidar com o fim do mais influente canal diplomático do regime. Tudo isso no momento em que a economia global flerta com o colapso energético e Donald Trump escala a pressão para reabrir à força o Estreito de Hormuz.

O que ele quer é que europeus e asiáticos mandem navios de guerra para lá. Para que, quem sabe, a navegação seja liberada logo. A Alemanha praticamente dizendo, vocês americanos que resolvam. Itália, Espanha e Grécia ampliaram o coro das negativas e já recusaram o pedido de Donald Trump. O preço do barril do petróleo já opera acima dos 100 dólares. E mais uma vez,

A guerra faz seu preço. E pela primeira vez o Irã atingiu instalações de produção de petróleo e gás. Até agora o regime tinha atacado refinarias, terminais ou depósitos. Um dos maiores campos de gás do mundo suspendeu hoje parte da atividade. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas alertou que as cadeias de suprimentos estão à beira da interrupção mais grave desde a pandemia e o início da guerra na Ucrânia.

continuar, o mundo pode ter o maior número já registrado de pessoas passando fome.

Matou a Lilarijani, a principal figura operadora do regime iraniano. Então, eu quero começar te pedindo para que você nos conte quem é esse personagem e qual é o tamanho do poder que ele concentrou ao longo dos últimos anos. Natuza, desde a eliminação do líder supremo, que caminei, a Lilarijani funciona como o chefe de fato do regime iraniano, ou funcionava até ser eliminado.

do regime iraniano. Nada mais, nada menos do que isso. Larijani é, há muito tempo, uma figura central no núcleo do poder iraniano. Ele esteve no centro das negociações do acordo nuclear do Irã com os Estados Unidos e outros países. Ele foi diretamente responsável pela repressão sangrenta de janeiro, que deixou, no mínimo,

manifestantes mortos no Irã. Mas ainda permanecem ali marcas do que já é considerado um dos maiores levantes populares desde a Revolução Islâmica. Os iranianos acusam o regime de prender e até de matar manifestantes. Organizações internacionais de direitos humanos calculam mais de 19 mil prisões e cerca de 3 mil assassinatos. Ele desempenha uma função muito particular. É um erro chamá-lo moderado.

algumas vezes aparece, e é um erro chamá-lo radical. Ele é um pragmático da sobrevivência do regime iraniano. E nessa condição ele funciona como uma ponte entre os setores políticos mais ou menos moderados, não há moderados no Irã, mas mais ou menos moderados do regime, e os setores mais radicais, tanto do clero-xiíta quanto da guarda revolucionária.

esses dois setores no sentido de manter ou adotar as posições que fossem melhores para a sobrevivência do regime. Ele é um operador internacional, ele negociou com vários governos e ele era visto como um potencial negociador se houvesse uma saída negociada no conflito entre o Irã de um lado, Estados Unidos e Israel de outro. Uma apuração de uma jornalista do The New York Times, uma jornalista iraniana,

que vive nos Estados Unidos há um bom tempo, deu conta de que o Larijani se posicionou contrariamente à ascensão do Mojitabá como líder supremo. Conta um pouquinho para a gente dessa história, por favor, Demetrio. Tudo indica que a Lilarijani foi contra a ascensão de Mojitabá Khamenei, que é o filho do antigo líder supremo executado.

Porque a ascensão dele é o mesmo que uma mensagem do Irã, de que o Irã não está disposto a negociar nada. Que ele não quer uma saída negociada para o conflito, a não ser nos seus próprios termos. É uma nomeação de desafio a Donald Trump e a Netanyahu. E, aparentemente, Larijani achava isso um erro.

manter abertas as portas da diplomacia. Repito, não por moderação, manter as portas abertas da diplomacia em busca de hipóteses, as que fossem melhores para a sobrevivência do regime iraniano. Porque do ponto de vista do regime iraniano, o que está em jogo é a sobrevivência. É uma situação muito diferente da situação de Donald Trump, que faz uma guerra de escolha, ou mesmo da de Netanyahu,

a eliminar a principal ameaça existencial ao Estado de Israel. Demetrio, além do Larijane, Israel afirma que matou também o general Soleimani. Ele é o chefe do Basij, a milícia da guarda revolucionária, que vigia cada canto, cada palmo do Irã. Então, eu entendo que ao eliminar o estrategista político do regime, como você diz, e o homem da repressão interna, do dia a dia do regime,

Israel conseguiu abater dois personagens muito importantes. Diante disso, diante dessas mortes, o que a gente pode esperar da estrutura do regime a partir de agora, sem esses dois pilares? Veja, essas execuções, elas revelam a extensão e a profundidade da infiltração das agências de inteligência israelenses, dos espiões israelenses,

no centro do aparelho estatal do Irã. E isso se repete, isso aconteceu às execuções de várias altas figuras iranianas na guerra de 12 dias do ano passado. O governo de Israel alega que essa ofensiva mira o que seria um plano secreto do Irã para construir uma arma nuclear. Trump foi categórico.

iraniana em pânico. Quem será o próximo a ser eliminado? Essa é a pergunta que, obviamente, todas as altas figuras do Irã se fazem, porque mesmo com a máxima segurança que foi decretada desde o início desse conflito, estão sendo eliminadas figuras cruciais do regime. A mais importante, Larijani hoje é mais importante do que Motapa Khamenei. Então, isso deixa o regime iraniano em uma posição muito difícil. Mas,

Não se deve, a partir daí, acreditar que o regime cairá por decapitação. Isso não vai acontecer, porque o regime iraniano tem uma série de camadas de dirigentes que estão preparados para substituir dirigentes eliminados, dirigentes executados na guerra. O que provavelmente vai acontecer agora é que setores mais radicais,

ideológicos do regime, menos dispostos a saídas negociadas, tomem o lugar dos dirigentes eliminados, em particular de Larijani. E, portanto, em tese, a eliminação de Larijani e também de Soleimani torna o caminho mais longo e não mais curto para o fim desse conflito. Interessante, porque é o inverso do que as autoridades israelenses e americanas,

aparentemente tentam fazer crer. Do ponto de vista de Donald Trump, em função do cenário atual, o fim mais rápido possível da guerra é um objetivo, é o seu objetivo. Do ponto de vista de Netanyahu, não. Do ponto de vista de Israel, Israel quer aproveitar essa oportunidade para eliminar o Irã como uma ameaça a Israel.

quanto for necessário. É uma situação diferente dos Estados Unidos. Agora, a minha dúvida é o seguinte, como deve reagir a população iraniana? A gente tem visto protestos estimulados pelo regime, mas vi uma avaliação também de especialistas, de jornalistas especialistas, dizendo que esses ataques, sobretudo quando atingem alvos civis, pode fazer com que aqueles mesmos jovens que foram às ruas no início

do ano e foram mortos, parte deles foi morta por uma repressão violentíssima do regime, eles aumentem a sua resistência aos Estados Unidos em razão desses ataques. Qual é a sua avaliação sobre isso? Faz sentido? Você tem toda a razão, Natursa. O que os Estados Unidos e Israel estão fazendo é secar a revolta popular contra o regime iraniano. E não pela primeira vez. Lá, em junho do ano passado, havia uma greve

sendo organizada contra o regime, que foi cortada pela Baís quando começaram a cair as bombas de Israel sobre o Irã. Em janeiro, houve uma vasta mobilização que não tinha desaparecido. Eles não querem que o país seja destruído, que as infraestruturas civis sejam destruídas, que hospitais, escolas, centros comunitários, usinas elétricas,

sejam destruídas. Eles querem um futuro para o seu país. Isso não faz com que a população passe a apoiar o regime. Isso não acontecerá. Mas faz com que a população fique em casa e deixe de se mobilizar. Então, a ideia da derrubada do regime pela população, a ideia difundida pelo Netanyahu, a ideia difundida por Trump, essa ideia está fora de questão enquanto houver guerra.

estão fazendo, mais uma vez, é salvar o regime das manifestações populares.

Bom, você dizia há pouco que os objetivos desta guerra são diferentes entre Estados Unidos e Israel. Pois bem, houve nos Estados Unidos um fato novo nesta terça-feira, que é o dia em que a gente grava. O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, o Joseph Kent, ele publicou na rede social dele

Joe Kent, do Partido Republicano do presidente Donald Trump, publicou numa rede social a carta de demissão. Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã. O Irã não era uma ameaça iminente à nossa nação.

guerra por pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos, escreveu. Kent também comparou a ofensiva com a guerra do Iraque, em 2003, que chamou de desastrosa. Ele é um pro-maga, pro-Trump, mais identificado com a administração trumpista, impossível e, no entanto, ele sai e ele sai, digamos assim, atirando. Como é que a gente pode interpretar esse mais novo movimento nos Estados Unidos?

É muito importante, porque é a figura de mais alto escalão que renuncia. Houve outras renúncias em escalões menores, mas principalmente porque, como você explicou, ele é uma figura tipicamente formada, do ponto de vista ideológico, no MAGA. Donald Trump fez a sua campanha toda criticando os governos Biden, Obama, inclusive George Bush Filho,

Estados Unidos em guerras externas. Aquilo que Donald Trump chamou de guerra sem fim no exterior. E prometeu que não faria essas guerras externas sem objetivos claros, a não ser para defender a segurança nacional. E ele está descumprindo essa promessa. Ele tentou inventar a narrativa de que os Estados Unidos estavam sob ameaça nuclear, ameaça de mísseis balísticos do Irã,

São mentiras muito claras que foram desnudadas ao longo do processo. Então, o que existe aí nessa demissão é a prova de uma revolta ainda bastante subterrânea, nomaga em relação à traição das promessas de Trump de não envolver os Estados Unidos nessas guerras.

Mas não pode encerrar a guerra sem conseguir vitórias palpáveis. O que seria uma vitória? Ele já falou em derrubar o regime, ele já falou em encerrar o programa nuclear iraniano, ele já falou em acabar com os mísseis do Irã, ele já leu várias definições do que seria a vitória. Mas, no momento, nenhuma dessas definições está se realizando.

Ele precisa apresentar uma vitória para não sair dessa guerra desmoralizada. Mas, ao mesmo tempo, em função da pressão interna, da pressão diplomática internacional, da pressão econômica em função dos preços dos combustíveis, ele precisa encerrar a guerra o mais rápido possível. Daí que, provavelmente, tudo indica, ele prepara ações ainda mais aventureiras, ações internas.

preparam para uma operação de tomada terrestre da ilha de Kaark, que é o grande terminal de exportação de petróleo do Irã, e talvez uma operação terrestre ainda mais aventureira, uma ação de comandos em busca de retirar da central de Safan, que é uma central subterrânea nuclear iraniana, o urânio enriquecido a 60%

que o Irã tem. Então, há indícios de que Trump partiria para essas ações terrestres para poder, depois delas, encerrar a guerra. Confirmou agora à noite que os Estados Unidos atacaram a ilha de Karg, considerada o coração da infraestrutura de petróleo do Irã. A ilha fica a 30 quilômetros da costa, ao norte do Golfo Pérsico, e ali funciona um terminal estratégico da produção iraniana.

uma tropa especializada em ações cirúrgicas, normalmente letais, quando há situações que requeram que se aniquile inimigos e que pressupõem a presença física de tropas americanas. E nesse caso, diferente do que aconteceu na Venezuela, os comandos teriam que ser protegidos e acompanhados por alguns milhares de soldados.

Trata apenas de uma operação de comando tradicional, onde uma pequena equipe realiza uma missão. Em função das características da Ilha de Cargo e de Safan, e não há elemento surpresa aí, isso teria que envolver uma impulsão terrestre mais ampla, bem mais ampla, com apoio aéreo, com apoio de helicópteros, com apoio de aeronaves

E cada soldado americano que morre, na opinião pública, o estrago é grande para Trump.

A acusação de Joe Kent, que se demitiu, e a acusação que circula no MAGA, a acusação feita por outros arautos do MAGA, o próprio Tucker Carlson, que é um arauto muito importante, é que os Estados Unidos estão travando a guerra de Israel. É que a iniciativa foi de Israel e Donald Trump teria sido convencido por Netanyahu de que essa ofensiva conjunta,

produziria rapidamente um triunfo completo com a queda do regime iraniano. Eu acho que é a melhor hipótese. A melhor hipótese é que Donald Trump foi convencido por Netanyahu de que o regime iraniano precisava apenas de um empurrão para cair. E a queda do regime iraniano seria um triunfo para Donald Trump ainda maior, muito maior,

Maduro na Venezuela. Provavelmente, o triunfo que foi a extração de Maduro na Venezuela levou o Trump a acreditar que ele poderia fazer mais, que ele poderia conseguir um triunfo ainda mais espetacular. O que está acontecendo nesse momento é coisa bem diferente. O que está acontecendo nesse momento é que uma guerra que já começou como uma guerra impopular nos Estados Unidos vai se tornando

mais impopular e vai emparedando Donald Trump. Ele não tem hoje uma saída muito clara, ele não tem como cantar vitória e encerrar o conflito, principalmente porque nada indica que o Irã está disposto a reabrir o Estreito de Orbus. E eu termino contigo, Demetrio, tentando explicar para quem nos ouve um aparente paradoxo.

imprensa internacional uma avaliação de que o regime iraniano estaria mais fraco. Tanto é que a gente está fazendo um episódio sobre a queda de dois importantes titulares do regime. O líder supremo, o Ayatollah Ali Khamenei, foi decapitado, foi abatido. O regime foi decapitado, na expressão que vocês especialistas usam.

manutenção dessa resistência. Então, se por um lado dizem que o regime está fraco, porque ele está ficando sem os seus principais líderes, por outro se fala em resistência e manutenção dessa guerra por mais tempo. Eu queria entender esse paradoxo e se na sua avaliação essa guerra vai durar muito mais tempo do que queriam Trump e Benjamin Netanyahu.

triunfos completos sem invasão terrestre. Existe um exemplo, a capitulação do Japão após o uso das duas bombas atômicas Hiroshima e Nagasaki em 1945. Excetuando esse exemplo, não existem outros exemplos em que uma guerra produz a capitulação do inimigo sem a invasão terrestre. Então, do ponto de vista do Irã,

A vitória é a mera sobrevivência do regime, em meio à ruína da sua estrutura militar. A estrutura militar iraniana está praticamente devastada, exceto pelos drones. Mas a estrutura de mísseis iranianos, que eram a sua principal arma, foi de fato devastada. Mas isso não derruba o regime, porque para derrubar o regime seria preciso uma invasão terrestre,

da que foi feita no Iraque. E é isso que Donald Trump não fará porque os Estados Unidos, a sociedade americana, não tem a menor intenção de se envolver num novo atoleiro, como se envolveu no Iraque, como se envolveu no Afeganistão. Essas histórias criaram um limite. E Donald Trump expressa esse limite. Ele não fará isso. Então, o paradoxo que você vê é o paradoxo que todo mundo vê.

Estados Unidos e Israel vencem militarmente a guerra, e isso é indiscutível, politicamente Donald Trump, não Netanyahu, porque há apoio na sociedade israelense por uma guerra até o fim contra o Irã. Mas Donald Trump, politicamente, se encontra numa encruzilhada. Ele não tem uma vitória a apresentar e, ao mesmo tempo, se torna cada vez mais difícil, politicamente,

para ele manter a guerra. Então nós podemos ter uma situação na qual o vencedor militar é derrotado politicamente na guerra. Impressionante isso, muito impressionante. Demetrio, que bom te ouvir. Muito obrigada por ter topado conversar de novo com a gente. Sempre um prazer estar tudo.

Moretti. Colaboraram neste episódio Arthur Stabile e Genise Colasso. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo assunto.

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