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As mensagens-bomba de Daniel Vorcaro

11 de março de 202631min
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Convidada: Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN. Em Brasília, o caso do Banco Master está no centro das atenções. Nesta terça-feira (10), foi protocolado no Senado um pedido de CPI para investigar as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. No STF, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, se reuniu com colegas para discutir os desdobramentos da crise. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma vota para manter ou não a prisão do dono do Master. Conversas de Vorcaro extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal vieram à tona depois da segunda prisão do banqueiro, em 4 de março, por ordem do ministro André Mendonça – ele que assumiu o caso depois que o ministro Dias Toffoli renunciou à relatoria. De acordo com reportagens do jornal O Globo, horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro, o banqueiro trocou mensagens com um contato salvo em seu celular como Alexandre de Moraes. O ministro nega ter recebido as mensagens. Parlamentares e dirigentes partidários também foram citados em diálogos encontrados pela PF nos celulares de Vorcaro – caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chama de “grande amigo”. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da GloboNews e da rádio CBN, sobre as mensagens que expõem a proximidade de Daniel Vorcaro com as esferas de poder em Brasília. Ela também comenta as explicações dadas a respeito do contrato de R$ 3,5 milhões por mês assinado por Viviane Barci, mulher de Moraes, para advogar para o Banco Master. E analisa o impacto da crise para a imagem do ministro e para a opinião do eleitorado que vai às urnas em outubro deste ano.
Assuntos15
  • Contrato Viviane Bassi Banco MasterValor de R$ 3,5 milhões por mês · Duração de 3 anos · Escritório de advocacia da família de Moraes · Explicações sobre prestação de serviços · Comparação com valores de mercado
  • Mensagens Vorcaro-MoraesTroca de mensagens no WhatsApp · Uso de bloco de notas · Negação de Moraes · Análise pela Polícia Federal · Timing da comunicação
  • Emenda Master e seus impactosElevação de cobertura do FGDC · Risco sistêmico ao mercado financeiro · Proteção de bancos médios · Redução do poder dos grandes bancos · Discussão sobre fraude parlamentar
  • Lavagem de dinheiro e crime organizadoFundo REAG ligado ao Master · Operações com PCC · Investigações da Polícia Federal · Falta de denúncias do Ministério Público · Vulnerabilidade frente a Trump
  • Atuação de Lucia na políticaSenador Ciro Nogueira como grande amigo · Emenda Master apresentada por Nogueira · Encontro na casa de Moraes em Brasília · Presidente do Senado Davi Alcolumbre · Presidente da Câmara Hugo Mota
  • Resposta oficial do ministro MoraesNota da Secretaria de Comunicação do STF · Análise técnica não especificada · Distanciamento do colegiado · Ataque ao Supremo Tribunal Federal · Falta de aval de Edson Fachin
  • Voto da Segunda Turma do STFRatificação da prisão de Vorcaro · Decisão de André Mendonça · Posição de Toffoli · Influência da crise no voto · Votação marcada para sexta-feira
  • Créditos de CarbonoCarbono Oculto · Inflação de operações · Justificativa de liquidez do banco · Emenda de Hugo Mota · Operações fraudulentas
  • Eleições PresidenciaisPerda de fôlego nas pesquisas de Lula · Exposição do status quo · Impacto antissistema · Vulnerabilidade do governo · Ganho da oposição
  • CPI Caso MasterPedido de investigação · Trancamento da CPI · Envolvimento de Moraes e Toffoli · Necessidade de convocação de sessão · Davi Alcolumbre como presidente do Congresso
  • Fundos de previdência estaduais e municipaisAplicação em Banco Master · Falta de proteção do FGC · Exposição de funcionários públicos · Diversidade política dos gestores · Risco de perda total
  • Agenda de Vorcaro com autoridadesEncontros com Lula · Encontros com Alexandre de Moraes · Encontros com Davi Alcolumbre · Padrão de relacionamento com poderes · Tráfico de influência
  • Mudança de relator do inquéritoTransição de Toffoli para Mendonça · Acesso franco às provas · Liberação de informações · Proteção do diretor da PF · Impacto nas investigações
  • Análise da resposta de MoraesEstratégia de silêncio inicial · Espera pelo assentamento da crise · Timing da resposta · Influência de Mendonça como novo relator · Pressão inevitável
  • Ordem para simular assaltoAssalto à empregada de Vorcaro · Incômodo com jornalista Lauro Jardim · Sicário Luiz Felipe Mourão · Reação a notícias desfavoráveis · Uso de violência como ferramenta
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Noite de segunda-feira, dia 9 de março. Numa reunião que não entrou na agenda oficial, o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin, se encontrou com o ministro André Mendonça, que é o relator das investigações sobre as fraudes no Banco Master. Nesse encontro, eles chegaram a um consenso.

Naquele dia, Fachin já havia se reunido com outro integrante da Suprema Corte. O presidente do STF recebeu ainda o vice-presidente, o Alexandre de Moraes. E ele vem sendo citado em reportagens pelo fato de ter trocado mensagens com Vorcaro no dia da primeira prisão dele, em novembro. Daniel Vorcaro, a gente lembra, é o dono do Banco Master. Em novembro, ele foi preso numa investigação de fraudes operadas pelo Banco Master.

A jornalista Malu Gaspar de O Globo teve acesso com exclusividade aos prints

A troca de mensagens começou às 7h19 da manhã e só terminou às 8h48 da noite, menos de duas horas antes de o dono do Banco Master ser preso pela primeira vez pela Polícia Federal. O contato do ministro Alexandre de Moraes está na agenda de Vorcaro desde dezembro de 2023.

Dois escreviam os textos que enviariam um para o outro no bloco de notas dos celulares, fora do WhatsApp. A Polícia Federal não se pronunciou. De acordo com uma reportagem da Folha de São Paulo, os investigadores não viram até o momento nenhum indício de conduta suspeita de Moraes. Já o ministro nega que as mensagens tenham sido enviadas para ele. Alexandre Moraes disse que não recebeu as mensagens referidas na reportagem e afirmou, abre aspas,

no sentido novamente de atacar o Supremo Tribunal Federal. Fecha aspas. Os celulares do banqueiro estão sendo analisados pela PF e também pela CPI mista do INSS no Congresso. Parte das mensagens já é conhecida. Por exemplo, as conversas de Vorcaro com uma ex-namorada. Por meio desses diálogos, ele relata proximidade com autoridades dos três poderes. Comemorou a eleição do deputado Hugo Mota, do Republicanos, para a presidência da Câmara e falou com a então namorada,

sobre os encontros com o presidente Lula, com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e com o presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre, do União Brasil. O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, voaram em helicóptero do banqueiro Daniel Vorcaro. Vorcaro se referiu ao senador Ciro Nogueira, do Progressistas, como um grande amigo. E o que se vê é uma crise cujos estilhaços já estão espalhados.

O senador Alessandro Vieira já protocolou um pedido para criar uma CPI que investigue a relação de Moraes e de Astófoli com o próprio Vorcaro. Essa CPI do caso Master, ela está aqui até esse momento trancada, inclusive esperando uma sessão do Congresso Nacional, que teria que ser convocada pelo presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre, que até aqui não chamou para fazer a leitura da CPI. E também no Supremo, onde a segunda turma deve analisar nesta sexta-feira a decisão de Mendonça

preventiva do banqueiro. Primeiro você tem essa votação na segunda turma, a tendência de confirmação da decisão do ministro André Mendonça. Por quê? Porque ficaria muito difícil para a Suprema Corte, essa altura do campeonato, desautorizar o relator. De todo jeito, a percepção é que, a essa altura do campeonato, o Supremo Tribunal Federal ficou na defensiva. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é as mensagens bomba de Daniel Vorcaro e a relação do banqueiro com Alexandre de Moraes.

Neste episódio, eu converso com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da Globo News e da Rádio CBN. Quarta-feira, 11 de março. Maria Cristina, é inegável que o ministro Alexandre de Moraes se tornou um personagem importante no caso Master. Vou aqui rememorar o que aconteceu nos últimos dias. De acordo com a Amalu Gaspar, nossa colega, que publicou uma reportagem no jornal O Globo,

conversaram por meio de mensagens. No dia em que essa conversa foi publicada pela Malu Gaspar, o ministro Alexandre de Moraes negou ter recebido os arquivos com essas mensagens, disse que esses arquivos não eram para ele. Então, eu quero começar por aí contigo. Como foi a resposta de Moraes? Formalmente, o ministro Alexandre de Moraes não tem relação com o caso Master,

atuar em várias instâncias do judiciário, do sistema financeiro, que não o Supremo. Na prática, a teoria é outra. A gente sabe, desde o ano passado, graças a Malu e ao Lauro Jardim, que Alexandre de Moraes teve vários encontros com Gabriel Galipo, presidente do Banco Central, e o contrato firmado pela Viviane Barsi de Moraes, mulher do ministro, no escritório que seus dois filhos também integram,

Teve um valor fora dos padrões do mercado. Globo revelou que o escritório de advocacia de Viviane Barsi, mulher do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato com o Banco Master no valor de mais de 3 milhões e meio de reais por mês, por um período de três anos, o que totalizaria 129 milhões de reais. E agora, com esta quebra de sigilo dos celulares, que o ministro trocou mensagens com o Daniel Vorcário no dia em que ele foi preso.

E, além disso, teve outros encontros com o Borcaro ao longo da vigência do dito contrato. O ministro nega que tenha trocado essas mensagens e o fez por meio de uma nota. E eu acho muito interessante a gente se debruçar sobre essa nota, Natuza, porque tem uns dados ali nesta nota que não são exatamente detalhes. Eu recuperei aqui, Maria Cristina, a nota para quem nos acompanha.

A nota que o ministro Alexandre de Moraes solta na última sexta-feira foi o seguinte. A Secretaria de Comunicação Social do Supremo, por solicitação do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, informa dois pontos. É isso que você está falando, né? Tem um aposto aí, né? E esse aposto não é por boniteza, né? Como diria Guimarães Rosa, não é por boniteza que ele está aí. Ele tem uma função. Ele está aí para dizer essa nota é dele, não é nossa.

existe aval do colegiado, o colegiado não deliberou sobre este tema e nem aval do presidente do Supremo, o ministro Edson Fachin. E não parece que é à toa que inexista este aval, porque a nota fala que foi feita uma análise técnica, mas não diz exatamente de quem fez essa análise, porque até aqui, em todos os inquéritos do Supremo, inclusive aqueles nos quais o Alexandre de Moraes é relator,

como o inquérito das fake news, o inquérito do golpismo. Quem faz esta análise, quem faz esta perícia é a Polícia Federal. Então, se o ministro Alexandre de Moraes deixou de confiar na Polícia Federal, é plausível imaginar que ele o tenha feito, porque, desta vez, ele não é, ao mesmo tempo, sujeito e juiz da ação em questão, como tem sido em alguns outros casos.

É isso que você está dizendo. Não diz quem fez essa análise técnica na nota, é isso, né? Exatamente. E o fato de o ministro dar preferência aos dados da CPMI,

ignora o fato de que seu presidente, o presidente da CPMI, é um dos contatos do celular do Daniel Vorcaro, senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais. Isso não prova nada, o fato dele ser contato do Vorcaro. O Vorcaro poderia ter contato de muita gente, certo? Mas em outros tempos, este fato teria gerado mais cautela no ministro, que é sempre tão rigoroso em relação às fontes de informação,

Mas ele trabalha, né? Essa forma de se posicionar, porque num primeiro momento o contrato da Viviane Barsi, que era um contrato fora dos padrões em termos de preço, que muita gente notou que não tinha um objeto claro de prestação de serviços advocatícios, essa explicação só veio agora três meses depois. Quer dizer, alguma explicação, melhor dizendo, só veio agora três meses depois.

período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica por meio de uma equipe composta por 15 advogados, que para fazer o serviço contratou outros três escritórios especializados. Os nomes não foram divulgados. Na nota, o escritório de Viviane Barsi afirmou ainda que não conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

E no caso do ministro Alexandre de Moraes, a primeira resposta dele tinha sido uma resposta muito breve, dizendo que era um ataque ao Supremo Tribunal Federal. Olhando no geral, como é que você acha que o posicionamento do ministro se deu ao longo desse período todo? Porque o contrato com Viviane Barsi, que ele virou, inclusive, ele também foi questionado várias vezes, ou a conduta dele foi questionada várias vezes, aconteceu em dezembro.

respostas ao longo desse tempo todo, né? Sim, foram poucas respostas. Ele esperou que, de alguma maneira, a coisa assentasse, o executivo tomasse providências em relação ao inquérito. O inquérito acabou saindo de mãos, né? A Polícia Federal, que estava ali amarrada pelo ministro Dias Toffoli, acabou tendo franco acesso às provas,

quando o inquérito mudou de relator e foi para o ministro André Mendonça. E aí sim, os diálogos passaram a sair e tornou-se inevitável que o ministro tivesse que se posicionar. A gente ouve lá no Supremo que a Polícia Federal está descontrolada e este argumento, que é um argumento válido, que foram expostos diálogos íntimos,

deveriam ter sido expostos, mas não pode servir diálogo para que a Polícia Federal não dê transparência a este inquérito. Então, esta pressão para, digamos assim, um certo cabrecho na Polícia Federal, isso não se deu e não me parece que vá se dar, uma vez que o ministro André Mendonça, inclusive, proibiu que as informações subam na hierarquia,

para a direção-geral da Polícia Federal, o que eu diria que protege o diretor da Polícia Federal, o Andrei Rodrigues. O fato é que a mudança de mãos ali, de fato, mudou bastante. O posicionamento do Supremo nesses últimos dias, em relação ao caso, também mudou. A gente fala na tarde da terça-feira, na manhã de hoje,

No nosso país, porém, é saudável o distanciamento que mantemos das partes e dos interesses em jogo. Isso é o que permite, na prática, um mínimo de justiça social. A imparcialidade não é frieza. A imparcialidade é condição de possibilidade da equidade.

Não porque nos observam, mas porque é o que somos. Então, ele não podia ter sido mais claro, né? Para a gente resumir aí, a democracia brasileira é devedora do ministro Alexandre de Moraes. Eu acho que ninguém deve ter dúvida disso. Agora, hoje, o ministro está em débito com o país. Ele permitiu que esse contrato fosse firmado com o escritório da sua família. Errou ao ter aceitado participar de cemitérios promovidos pelo Master.

disso que o Borcaro falou nos seus diálogos, errou de ter participado de todos esses encontros na casa do Borcaro, de ter mantido conversas quando ele já estava na mira do Banco Central e da Justiça. Então, são erros que, óbvio, ele é humano, todos os juízes são humanos, mas eles não foram admitidos ainda. A Viviane deu explicações sobre o contrato escritório.

Natuza, o Estadão fez uma excelente matéria sobre ouvindo os maiores escritórios de advocacia do país, mostrando ali por A mais B, fazendo uma conta, porque os escritórios cobram por hora. Então está lá 79 reuniões presenciais, 13 reuniões com presidência, duas reuniões com a equipe jurídica do Master, 36 pareceres, revisão da política de compliance, implementação do código de conduta,

horas de trabalho dá 264 horas a 5 mil reais por hora, que é muito bem pago. É o que se paga nos escritórios de elite do país. Isso dá 1 milhão e 300 e pouco. Ainda que todo o valor não tenha sido pago, porque o acordo vigiu por 22 meses. Então, equivalente a 2 terços da duração total do contrato, que era de 3 anos. Mas você ainda está longe aí dos

129 milhões. E neste contrato não consta a ida dos advogados do escritório às instâncias que estavam no escopo do contrato, que é Banco Central, CVM, TCU, CAD. Então, torna as explicações pouco convincentes, ainda que o contrato seja resguardado. Os advogados não são obrigados.

gente privado. O que impõe essa transparência no momento é a circunstância. A única explicação possível para o contrato ter sido firmado neste valor é o envolvimento do marido poderoso ministro do Supremo Tribunal Federal. Só isso poderia vir a explicar eventualmente a inflação no valor deste contrato que não está mencionado. Mas há uma

tentativa ali de explicar. O ministro Alexandre de Moraes, até o momento com esta nota, não explicou. Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com a Maria Cristina.

Agora, Maria Cristina, evidentemente, o escândalo master, ele é maior do que a fronteira do Supremo Tribunal Federal. Ele vai pra muito além dessa fronteira, mas em razão de tudo isso que você explicou, ele está reduzido à fronteira do Supremo Tribunal Federal, né?

Palácio, na Praça dos Três Poderes. Até que ponto as outras fronteiras que ajudaram o Master a erguer essa estrutura poderosa e blindada no Congresso, por exemplo, se satisfazem ou se beneficiam com essa ideia de que o escândalo estaria restrito ao Supremo Tribunal Federal? Completamente.

é tratar o Vorcaro como um milionário excêntrico, cabeça de uma operação milionária, fraudulenta, um playboy responsável que enganou muita gente. É mais conveniente para todo mundo que se associou. Agora, o organograma é muito mais complexo desta operação. Se a gente pega essa lista de contatos do Vorcaro, tinha inúmeros políticos, tinha advogados,

Tinha apenas dois representantes de grupos empresariais. É muito curioso isso, né? É muito curioso. Não é a agenda de um homem de negócios. Exato. É a agenda de alguém que traficava interesses nos poderes. Então, ele é um operador. E mesmo, Natuz, assim, os detalhes... Eu posso estar indo longe demais, mas eu, às vezes, me apego a esse tipo de detalhe. Aquela ordem para simular um assalto, dar um susto na empregada dele, né?

Um dos alvos do grupo foi o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Na troca de mensagens entre Vorcaro e Luiz Felipe Mourão, o sicário, o banqueiro demonstrou incômodo com a atuação do jornalista, que havia publicado uma notícia desfavorável aos interesses de Vorcaro.

Então, esse tipo de ordem sai de operador. Ele é o operador de uma engrenagem que serve a muitos interesses. Ele é o operador dessa engrenagem.

Ele não é o cabeça dela. Se a gente fosse fazer um sobrevoo de drones sobre os lugares em que Vorcaro parecia ter influência, a gente está falando de quem, Maria Cristina? Porque teve a emenda master no Congresso Nacional, a agenda do Vorcaro que você disse que é uma agenda que tem de políticos a juízes. Quem são esses políticos da agenda de Vorcaro?

todos eles, até porque ele cita o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, que apresentou aquela inexplicável emenda master, elevando de 250 mil para 1 milhão, a cobertura do FGDC, que já está com um buraco de 60 mil. Imagine se tivesse passado de 250 mil para 1 bilhão. Teria um efeito sistêmico no mercado financeiro. Instituições quebrariam, né? Pois é. E só para a gente ter uma ideia como,

O ministro Alexandre Moraes deve realmente explicações e, no mínimo, desculpas à República. Quando o ministro tomou posse como vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, vice do Fachin, ele fez um pequeno jantar em sua casa de Brasília, convidou um pouco mais de 20 pessoas. Neste jantar estava o Círio Nogueira, que já tinha apresentado a emenda master, que já tinha sido vista por todo mundo como algo inexplicável. Numa das mensagens de celular,

o celular de Vorcaro, em 2024. O banqueiro comemora com a namorada a apresentação de uma emenda parlamentar feita pelo senador Ciro Nogueira, que é do Progressistas do Piauí, que, segundo o diálogo, favoreceria o Banco Master, se aprovada. Nas mensagens trocadas em 13 de agosto, Vorcaro diz Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro. Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes. Está todo mundo louco.

Antes, no diálogo entre Vorcaro e a namorada, ela pergunta, quem é esse outro com você? Não conheço, né? Daniel Vorcaro responde, Ciro Nogueira é um senador, muito amigo meu. Quero te apresentar, um dos grandes amigos de vida. Então, eu acho que o Ciro Nogueira é o grande contato político do Vorcaro, mas não é o único. Está lá na agenda e é um nome que aparece pouco aí, que é o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do presidente da Câmara,

O Gumota, o presidente da Câmara, quando ainda não estava no cargo, era deputado, apresentou uma emenda obrigando os fundos de previdência dos estados e municípios a aplicar em operações de crédito de carbono. Isso porque o Grupo Master tinha ali inflado algumas operações com crédito de carbono para justificar a posse de ativos.

para liquidez do banco. E o presidente do Senado também tem relações que vêm desde o patrocínio do Master a festas no Amapá e outras relações que ainda não ficaram muito claras na TUSA. E tem uma outra coisa muito sensível que eu traria aqui, que é que desde a Carbono Oculto e as operações associadas a Carbono Oculto, que se investiga os serviços de lavagem de dinheiro,

registrados pela REAG, que é um fundo associado ao Master. Lavagem de dinheiro até para o crime organizado. Em agosto, a REAG foi um dos alvos de busca e apreensão em uma mega operação contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro usado pelo PCC. Segundo os investigadores, fundos administrados pela REAG, que não estavam disponíveis a qualquer cotista, eram abastecidos com dinheiro ilegal.

dos clientes. Então, olha a responsabilidade das autoridades que se envolveram com este banco, para manter esse tipo de relação. E quando você olha, por exemplo, para os pouco menos de 20 fundos previdenciários de estados e municípios que aplicaram dinheiro no Banco Master, você tem aí quatro que são administrados por governos do PSDB,

PSD, 3 pelo PL, 2 pelo MDB, PP, PSB, PRD, Podemos, União Brasil, Solidariedade, também, quer dizer, é uma operação ecumênica, ele também tem relações com o PT da Bahia, ele não tinha nenhum preconceito político partidário, né? Não, não tinha, e estava aí a força dele, né? Ele saía, digamos assim, operando em todo o espectro político, em todas

das instituições e, com isso, buscando proteção. Você falou aí desses fundos de previdência, mais uma pegada do Davi Alcolume, porque o Fundo de Previdência do Amapá colocou bastante dinheiro no Master, um dinheiro que não está protegido pelo FGC. Esses fundos de previdência não têm proteção do FGC. Então, estão expostos aí os funcionários públicos do Amapá, do Rio de Janeiro, do município de Maceió. E esse é um dado de conjuntura, Natuza,

que o bolsonarismo está cavalgando em cima do judiciário porque justamente quer jogar ralo afora o inquérito do golpe. E a gente tem que distinguir uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O inquérito do golpe está aí, teve provas, as pessoas foram condenadas, não é possível se questionar o inquérito do golpe a partir do que se foi feito aqui com o Master. Mas o fato é que é o Estado brasileiro que está na chuva.

está exposto o judiciário, está exposto ao Congresso e o Executivo. E essa semana a gente publicou uma entrevista com o Edinho Silva, que é o presidente do PT, que ele abertamente reconhece, olha, se o status quo está sendo posto na Berlinda, o presidente da República, como representação máxima desse status quo, é quem mais está exposto. Então ele reconhece que esse estado de coisas e de denúncias,

contra o Master e toda essa exploração está caindo no colo do Lula e isso é o que está fazendo com que ele tenha perdido o fôlego nas pesquisas. Essa era a minha pergunta para você. Na verdade, duas em um. Com que clima os ministros da segunda turma chegam para avaliar, para votar, julgar a prisão de Vorcaro, que foi uma decisão do ministro André Mendonça que precisa ser ratificada pela segunda turma e qual é o efeito na eleição?

Quem está perdendo mais em termos de grupo político, se é governo ou se é oposição com esse atual estado do escândalo? Por uma questão de sobrevivência, me parece que a segunda turma não terá alternativa. É o que a gente colhe lá dentro também. Segunda turma, Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Toffoli, além do próprio André Mendonça. A não ser confirmar os pedidos de prisão, busca e apreensão,

decididos pelo Medonça. O que causa isso aí é o Toffoli, depois de não se declarar impedido para conduzir o inquérito, até outro dia ele conduzia, apesar de já ter feito negócios com um fundo do Grupo Master, o famoso Kisort Itayayá, dobrar a aposta e participar desta sessão e votar. Imagina-se que se ele quer votar é porque ele queira limpar a sua barra, ou seja,

referendar a decisão do Mendonça. A dúvida é se tem lavagem possível, limpeza possível dessa barra, com essa participação. Então, é o mínimo que o Supremo pode fazer, que a segunda turma pode fazer. Agora, o impacto disso para a sucessão, eu acho que tem esse impacto antissistema, que reforça muito e cai no colo do Lula, é isso que está explicando, eu acho que não tem muita dúvida, o Edinho está dizendo que, na verdade,

e os analistas todos estão apontando. Agora, isso pode ainda não ser o fundo do poço, porque eu quero acrescentar um outro dado de conjuntura que pode tornar as coisas um pouco mais complicadas. Donald Trump quer carimbar o PCC e o Comando Vermelho de narcoterroristas. E o Brasil está muito vulnerável nesse embate. Por quê? O presidente é óbvio que tem que defender a soberania nacional e se opor a isso, não me parece que haja muita dúvida.

que a lavagem de dinheiro do crime organizado no Master, os arquivos ainda estão trancados. Há lavagem de dinheiro já comprovada em fundos como REAG ligado ao Master. Naquelas operações que a gente viu meses atrás, isso já foi evidenciado. Agora, Natuza, não há uma única denúncia do Ministério Público, nem do Ministério Público de São Paulo, nem do Ministério Público Federal nessas operações. Existe uma certa letardia ainda do Ministério Público, que é o órgão encarregado de denunciar.

aprovou o PL antifacção apertando embaixo e afrouxando em cima, afrouxando para o colarinho branco. Então, qual é a efetividade do conjunto de instituições brasileiras responsável pelo enfrentamento do crime organizado? Isso vulnerabiliza o Brasil frente ao Trump, que quer dar esse carimbo para poder tratar o Brasil como um quintal. Se tiver crime organizado aqui é anarco-terrorista,

os interesses dos Estados Unidos, então a gente pode interferir. Então, olha a gravidade da coisa, a dificuldade e a lerdeza em se dar respostas concretas nessas operações que elas foram construídas para isso, para gerar a letargia das instituições na apuração dos seus malfeitos. Maria Cristina Fernandes, como sempre, um prazer enorme receber você aqui.

Obrigada e bom trabalho. Eu que agradeço, Natuza. Sempre uma alegria. Um beijo.

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