Nova prisão de Daniel Vorcaro: de golpe financeiro a formação de milícia
- Segurança OperacionalAutorização do ministro André Mendonça · Crimes financeiros e fraude · Risco de obstrução de justiça · Bloqueio de bens (22 bilhões) · Transferência para presídio estadual
- Milícia privada de VorcaroFormação de braço armado · Intimidação de autoridades · Monitoramento ilegal de opositores · Recrutamento de capangas · Coordenação operacional da 'Turma'
- CorrupçãoServidores públicos subornados · Belline Santana e Paulo Sérgio Souza · Consultoria de fachada (Varajo Consultoria) · Informações sigilosas compartilhadas · Revisão de documentos oficiais · Antecipação de movimentações de fiscalização
- Caso Lauro JardimPlano de agressão física · Ameaças de violência · Caçada nas redes sociais · Remoção de links negativos · Intenção de quebra de dentes
- Acesso ilegal a sistemas públicosPolícia Federal · Papel do Ministério Público Federal · Acesso à Interpol · Acesso ao FBI · Crimes Ciberneticos · Obtenção de senhas
- Envolvimento financeiro do ministro Dias ToffoliRecebimento de 35 milhões de reais · Compra de fatia de empreendimento · Sócio em negócio de Vorcaro · Conflito de interesses · Continuidade de pagamentos até 2024
- Morte Felipe MouraoSuicídio em cela · Auto-enforcamento com camiseta · Medo de represálias · Lógica mafiosa · Informações sensíveis comprometidas
- Diferença de atuação entre ministros (Dias Toffoli vs André Mendonça)Constrangimento da Polícia Federal por Toffoli · Constrangimento do Banco Central por Toffoli · Obstaculização de investigações · Perícias demoradas propostas por Toffoli · Mudança de conduta com Mendonça · Agilidade nas medidas cautelares · Bloqueio rápido de bens
- Interceptação de ordem de prisãoAcesso a inquérito sigiloso · Infiltração em jornal de notícias · Pagamento a jornalista para publicação · Petição estratégica 18 minutos após ordem · Tentativa de fuga para Dubai · Captura no aeroporto de Guarulhos
- Lavagem de DinheiroOcultação de valores · Fundo Garantidor de Crédito (FGC) · REAG e possível lavagem para PCC · Transferências de 2 bilhões · Empresas de consultoria de fachada
- Crime OrganizadoLógica mafiosa de execução · Nomenclatura de cartel · Operação de submundo · Cifras astronômicas de recursos · Mentalidade mafiosa inédita · Crimes violentos contra vulneráveis
- Supremo Tribunal FederalMendonça como player da eleição 2026 · Caso INSS com Lulinha como próximo alvo · Mudança na dinâmica interna do STF · Possível delação premiada de Vorcaro · Corrida por acordos colaborativos
- Presos e investigados na operaçãoFabiano Zettel (cunhado, operador financeiro) · Marilson Roseno da Silva (policial federal aposentado) · Beline Santana (servidor Banco Central) · Paulo Sérgio Neves de Souza (servidor Banco Central) · Leonardo Augusto Furtado Palhares (empresário) · Ana Cláudia Queiroz de Paiva (empresária) · Investigados com tornozeleira eletrônica
- Análise de gestão do Banco CentralRoberto Campos Neto como diretor · Gabriel Galípolo como diretor · Demora na ação contra Master · Duas gestões empurrando com a barriga · Investigação interna do BC · Descoberta via auditoria
- Possível ampliação da investigaçãoInvestigações em instituições públicas · Contaminação de órgãos federais · Possível envolvimento BRB · Cúmplices ainda não identificados · Dinâmica disseminada de crimes · Análise pela Segunda Turma do STF
Tempos fugite. O tempo foge. Assim escreveu o ministro André Mendonça ao justificar a urgência para prender de novo o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao autorizar nova operação da PF contra o dono do Banco Master, Mendonça viu indícios de crimes que vão muito além da fraude financeira. E entendeu que uma demora para encarcerá-lo seria extremamente perigosa para a sociedade. O que a Polícia Federal diz ter encontrado é algo impressionante. Um braço armado. Uma milícia criada em torno de Vorcaro,
para monitorar ilegalmente e intimidar autoridades e até jornalistas. Trocas de mensagens entre Vorcaro e um de seus capangas, Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, mostram esse modus operandi.
O alvo era o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN.
Em relação à mensagem, ato contínuo, Mourão responde. Estamos em cima de todos os links negativos, vamos derrubar todos e vamos soltar. Enfim, eles iam preparar uma caçada nas redes sociais para remover os links em que Daniel Vorcaro tinha os seus interesses confrontados pelo jornalista Lauro Jardim. Depois de ser preso, Luiz Felipe Mourão cometeu suicídio.
Mourão, o sicário. Segundo a PF, Luiz Felipe se enforcou dentro da cela usando a própria camiseta. Além das ameaças, a polícia também encontrou indícios de que a turma de Borcaro teria acessado indevidamente sistemas sigilosos de órgãos públicos, caso da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol. O esquema contaria ainda com um núcleo de servidores públicos federais que trabalham no Banco Central, que serviriam, segundo a investigação,
como consultores informais, passando informações sigilosas, chegando até a revisar documentos do Banco Master antes de serem entregues ao órgão regulador, o órgão que deveria fiscalizar o Banco Master. São apurações que tingem crimes financeiros com tons mafiosos. Acho que isso chega a ser praticamente surreal, algo da ficção e que a gente está vendo agora na prática com trocas de mensagens,
Daniel Vorcaro agia como ele planejava o seu dia a dia. Este é um ponto. O outro é, mais uma vez, como o poder e o dinheiro conseguem se infiltrar, o dinheiro se infiltra nas instituições públicas. Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é a turma de Daniel Vorcaro, quando a fraude financeira revela uma milícia.
Malu, o que o ministro André Mendonça alegou para justificar a prisão de Daniel Vorcaro e de outros na quarta-feira?
uma ação de obstrução de justiça, praticamente. Como a gente viu aí, ameaça a jornalistas, ação para neutralizar pessoas, acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público, até do FBI. A gente viu que ele tinha acesso, ele pagava funcionários do Banco Central para ter informações sobre as investigações que estavam acontecendo, movimentações financeiras e outras informações necessárias para o processo.
O vocário tinha um grupo de pessoas, em especial um ex-telionatário conhecido como sicário e um ex-escrivão da polícia, que agiam como capangas mesmo do vocário, intimidando pessoas e atuando para amelar o processo judicial. Inclusive, as investigações depois contratavam influenciadores, contratavam jornalistas, inclusive, para julgar versões de interesse do vocário. Então, ele tinha uma máquina bem azeitada, feita para impedir qualquer ação,
do aparelho repressivo contra ele. Mas é muito impressionante, né? A começar pelos bens bloqueados, 22 bilhões de reais, de um personagem que achava que podia tudo, de um capanga cujo apelido era sicário, ou seja, matador, nomenclatura de cartel, que fazia tudo isso que você acabou de relatar. A gente tá falando de um caso muito excepcional, Malu, porque você já cobriu inúmeros casos de corrupção, já escreveu livros sobre eles, já cobri muitos casos de corrupção,
Algo que junte corrupção, compra de influência com dar porrada em jornalista e ameaçar meio mundo de gente desta forma, de maneira violenta, é relativamente novo para escândalos de Brasília. Eu já ouvi falar muito de gente que contratava, que investigava jornalistas e até os próprios policiais, mas eu nunca tinha visto isso surgir de forma tão crua numa investigação.
Em outra troca de mensagens entre Vocaro e Mourão, o tema alusivo ao mesmo jornalista se repete. Daniel Vocaro diz, segundo a decisão do ministro, esse Lauro quero mandar dar um pau nele, quebrar todos os dentes no assalto. Tinha que colocar gente seguindo esse cara para pegar tudo dele. Vou fazer isso. A gente sempre ouve falar isso, né? Vez por outro alguém me pergunta, você não tem medo de ser ameaçada? Você não acha que pode acontecer alguma coisa com você?
esses esquemas, eu tô sempre enfiada em algum caso escabroso, eu tô sempre nessa. Então, as pessoas me perguntam muito, ah, você não tem medo? Você nunca foi ameaçada? E, de fato, eu nunca fui ameaçada diretamente, né? Na verdade, todas essas ações do Boacar ocorreram de forma subterrânea, verdadeiramente um submundo ali. Então, esse submundo veio à tona de uma forma muito crua e bastante didática pra gente entender. Uma coisa que eu acho muito importante, Matuza, é que
Apesar de todo o choque com essa situação, eu acho que tem uma utilidade, sabe? Essa investigação viatona. É para a gente entender que não é pelo fato do sujeito estar engravatado, para plantar gabinete cheiroso, suntuoso, que ele é menos perigoso. Nós tivemos aí uma votação de uma lei de facção do aumento das penas ou acusados de crime do colarinho branco, como se eles não integrassem organizações criminosas, e aumentou a pena dos soldados do tráfico.
a pena dos soldados do tráfico, vamos considerar graves crimes violentos, gente que sujeita populações vulneráveis, mas nada disso existiria sem pessoas como o Vocaro comandando todo esse esquema. Você mesmo falou, 22 bilhões de reais. A gente está lidando com cifras astronômicas e com uma falta de limite, com uma falta de noção, com uma mentalidade mafiosa também inédita. Tem um outro ponto importante nessa história,
que é a diferença de atuação entre os dois relatores do caso. O primeiro relator, Dias Toffoli, e o segundo relator, André Mendonça. A começar pela decisão do ministro André Mendonça. Por quê? Segundo consta, essas mensagens que mostram essa intenção de violência, para dizer o mínimo, elas são do ano passado. Mas André Mendonça optou por encarar esses e outros aspectos como muito graves.
A gente vê uma diferença de atuação entre Dias Toffoli e André Mendonça. Queria que você falasse um pouco mais dessas disparidades, digamos assim. A diferença é gritante, a diferença de atuação, de conduta mesmo, desses dois ministros em relação ao caso. Primeiro, o ministro Dias Toffoli queria constranger a Polícia Federal. Muito claro que ele estava ali num movimento de constranger a Polícia Federal, de constranger o Banco Central.
se movimentando numa linha que era a linha que o Master queria, de dizer que o Banco Central tinha liquidado o banco cedo demais, quando as mensagens mostram que, na verdade, tudo contribuiu para que providências não fossem tomadas. Diretores do Banco Central avisavam ao Borcaro de todas as medidas. O Bellini Santana e o Paulo Sérgio Souza estavam com o Borcaro até mesmo na reunião que ocorreu no dia em que ele ia pegar
para Dubai e acabou preso. Então, isso estava muito evidente. Paulo Sérgio Neves de Souza. Ele é ex-diretor de fiscalização do Banco Central. Segundo a PF, ele também atuava como consultor informal antecipando informações sobre fiscalização e sugerindo as estratégias para serem adotadas no BC. As investigações mostram que Paulo Sérgio alertava previamente sobre movimentações do Banco Central e revisava documentos oficiais antes de serem entregues à própria
Autarquia. Outro nome é Leonardo Augusto Furtado Palhares. Como representante da empresa Varajo Consultoria, ele assinou uma proposta de um projeto de elaboração de um estudo relacionado à inserção de jovens no mercado financeiro. Na verdade, tudo isso, gente, era um contrato fictício para essa empresa ligada a essa pessoa conseguir repassar o quê? Recursos para o Bellini Santana, que é justamente o responsável no Banco Central sobre a supervisão
do sistema financeiro e do Master. A polícia fala que era uma consultoria de fachadas sobre jovens no sistema financeiro para repassar os pagamentos, para pagar a corrupção, do que a PF vê como corrupção por parte desse servidor, Vorcaro pagando a ele. E o ministro Dias Toffoli também trabalhou no sentido de obstaculizar as investigações, atrapalhar, atrasar as investigações. Por exemplo, designando ele mesmo os próprios feritos para acessar o material do Vorcaro,
segundo a Polícia Federal, se fosse feito da forma que ele queria, levaria cinco meses para ter 20 semanas para ter concluído a perícia, ou seja, nós não estaríamos nem no começo desse trabalho, nessa altura, e também criando obstáculo também para que outras etapas da Operação Zero Complex fossem realizadas. Isso é autófalo. Já o Mendonça mudou completamente de conduta, não só ele fala direto com os delegados, como ele cobrou a agilidade do Procurador-Geral da República
E ele também determinou medidas cautelares sobre todos esses personagens, incluindo o Vorkaro, voltou para a cadeia com medida preventiva, bloqueio de bens, muito rapidamente. O ministro escreve, enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir um rombo bilionário deixado pelo Master, Vorkaro ocultava dos seus credores e vítimas mais de 2 bilhões,
perigosas organizações do Brasil e que isso continuou mesmo depois de ele ter sido posto em liberdade. Está falando aqui de dinheiro que estava na REAG, aquele fundo, que na Carbonoculto lavou dinheiro, tudo indica a investigação para o PCC. A gente está vendo que virou completamente o jogo em relação a isso e eu acho que isso muda também, Natuza, o jogo dentro do próprio Supremo.
não só é relator do caso Master, como também é relator do caso do INSS, que tem como protagonista agora, próximo alvo, Lulinha, filho do presidente Lula. O Mendonça, de uma hora para outra, se tornou um player da eleição de 2026. Ele virou o personagem político mais importante de Brasília no momento. E isso vai ter efeito sobre toda a dinâmica interna do Supremo, sobre toda a dinâmica da eleição, mudou completamente o jogo para o Vorcaro
também para todo esse sistema político que gravitava em torno dele. Acho que agora o que a gente vai ver é uma corrida pela delação premiada. Porque o Vorkaro entrou na cadeia, ele sabe que ele não vai mais sair. Não tem ninguém mais a quem ele possa recorrer. Todos os esquemas aos quais ele recorreu para se proteger estão eliminados. E todo mundo que está em torno dele sabe disso. Com o Mendonço, a probabilidade de uma delação do Vorkaro aumenta muito. Se ele não fizer essa delação, outros farão.
dos jogos diminui a recompensa pro próprio Vorcaro no final. Ah, não, eu tenho certeza absoluta, porque das conversas que eu tive hoje pra apuração que precisei fazer, esse era o ponto. E uma constatação de que Daniel Vorcaro, com a vida anababesca, rica e luxuosa que tinha, não aguentaria, segundo duas das pessoas com quem eu falei, um mês num presídio estadual. Porque a Polícia Federal disse, não, aqui não. Aqui a gente não quer,
Daniel Vorcaro. E aí André Menonça mandou ele para o presídio estadual. E aí, Malu, você falava dos métodos de Daniel Vorcaro? Tem duas outras, né? Além do que estava ali sendo tramado contra o jornalista Lauro Jardim, ele fala em moer uma funcionária a quem ele xinga, ele fala de dar um sacode num chefe de cozinha. Mas esse não foi só o que Vorcaro fez.
no seu blog, que ele conseguiu acesso a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do FBI, da Interpol. Conta essa história para a gente. Matos, ele se infiltrou nesses sistemas usando diferentes métodos. Na Polícia Federal, por exemplo, que ele conseguiu senhas do Ministério Público Federal, da PGR, através de um sistema de um golpe chamado phishing, que é apresentar para funcionários aleatórios
senha falsa, ele entrou no sistema da Polícia Federal por meio desse ex-escrivão, um escrivão aposentado da Polícia Federal que foi preso agora nessa operação e atuava como intermediário para obter senhas de funcionários da Polícia Federal, abriu inquéritos, abriu investigações, comprou informações de todo mundo que ele conseguiu e com isso ele monitorava a própria investigação sobre ele mesmo. Uma matéria que a gente deu também no blog mostra que assim que ele soube
e obteve por esses meios a informação de que havia um inquérito sigiloso sobre ele, que era aquele inquérito que acabou levando a prisão dele na décima vara federal de Brasília, e para poder entrar com uma petição, tentando ali de última hora interromper a ordem de prisão, se apresentar como disponível para a justiça, olha, não precisam me prender e tal, ele conseguiu botar uma informação em um site de notícias de um jornalista que tudo indica, segundo as mensagens recolhidas pela própria polícia,
A Polícia Federal recebia dinheiro dele para publicar as informações. Uma vez que essa informação foi publicada, os advogados dele pegaram o site e disseram olha aqui a informação que eu tenho sobre o processo aí na sua vara e apresentaram uma petição. Uma petição, Natuza, que entrou no sistema da Justiça Federal 18 minutos apenas depois da expedição da ordem de prisão pelo juiz. A Polícia Federal tomou um susto. Como que ele sabia daquilo se ninguém sabia? Ele estava para ser preso.
Eles deduziram, por toda a movimentação, que havia uma preparação para a fuga. E foi assim que ele foi pego no aeroporto de Guarulhos, prestes a entrar no seu avião para Dubai. Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com a Malu Gaspar.
E essa trama tão intricada, ela tem muitas pontas, né? Então você tem a ponta que a polícia chama, né? De braço armado, né? Com a contratação de capanga pra perseguir.
quem Vorcaro considerava adversário, tem a ponta da lavagem de dinheiro, tem a ponta da compra de servidores públicos, que por enquanto está no Banco Central, mas a gente sabe que pode ter passado pelo BRB e por outras instituições que a gente ainda não tem conhecimento, tem Polícia Federal também nesse caso, mas também tem nessa trama, Malu, morte. Porque no momento em que a gente grava, chega a confirmação de que
Um dos auxiliares de Daniel Vorcaro, que era chamado de sicário, ele tinha sido noticiado ao longo do dia que ele preso, porque foi preso na quarta-feira também, assim como o Vorcaro, ele tentou se matar na cela da PF em Minas Gerais. E agora chega a confirmação de que ele, de fato, morreu. Ele foi levado pela Polícia Federal até o hospital, mas a informação é de que ele não resistiu. Então, também tem morte nessa história.
uma coisa terrível para você ver. Se esse sujeito, que tinha um amplo histórico de crimes, se era conhecido como sicário, era um criminoso experiente, achou que a única alternativa para ele era se matar dentro da cadeia, isso acho que desvaneceu. É o medo do que poderiam fazer com ele pela quantidade de informações que ele tinha. Você vê que é a lógica mafiosa levada ao extremo. Tudo isso que a gente está descrevendo aqui, que aparece com detalhes,
representação da Polícia Federal, que ainda está sigilosa, nem veio à tona, a gente conseguiu aqui e ali algumas informações, tudo isso revela uma dinâmica mafiosa de execução de crimes. Quer dizer, está tudo indicando para um quadro muito, muito ruim, muito, muito perigoso. Mas, apesar de tudo isso, a única coisa que pode sanar esse embrolho, diminuir o problema, é chegar até o final dessa investigação. É a única saída que a gente tem para isso. E eu acho que é isso que vai acontecer,
dica que isso vai acontecer a partir de agora. Não era o que aconteceria antes e a gente sabe por que o ministro de Astófoli recebeu, a família dele e ele, inclusive, receberam 35 milhões de reais do Vorcaro até outro dia, até o final de 2024, ele estava recebendo dinheiro do Vorcaro pela compra de uma fatia de um empreendimento dele, do qual ele é sócio. Então, é óbvio que não podia ter chegado a esse momento que nós estamos vivendo hoje se ele continuasse sendo relator.
Agora, a partir de agora, é difícil prever as consequências desse caso, mas é o que a gente está falando. A morte desse sujeito só demonstra que nós estamos diante de uma grande máfia. Agora, Malu, tem outro aspecto que eu queria conversar com você. Na semana que vem, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal vai analisar a decretação da prisão de Daniel Vorcaro, aliás, não só dele.
uma milícia para monitorar, perseguir e intimidar autoridades e jornalistas. Além do banqueiro, o cunhado dele, Fabiano Zettel, foi preso em São Paulo. Zettel é suspeito de fazer pagamentos e elaborar contratos de supostas consultorias para viabilizar o fluxo financeiro do esquema. Em Minas Gerais, a PF prendeu Luiz Felipe Mourão, apontado como coordenador operacional da milícia. Também está preso Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado que usava o acesso à corporação
Vigilância clandestina. Outros quatro investigados vão ter que usar tornozeleira eletrônica. Dois são funcionários do Banco Central. Paulo Sérgio Neves de Souza e Beline Santana, já afastados desde janeiro. Recebiam propina para dar informações privilegiadas a Daniel Vorcaro. Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócios de empresas que, segundo as investigações, foram usadas para transferências mensais ao núcleo da intimidação.
Pouco de Banco Central nessa história, porque afinal de contas, talvez pelos motivos errados, quando se dizia lá atrás que era preciso investigar o Banco Central, tinha que se investigar mesmo, porque a gente agora está vendo dois servidores, porém, naquele momento se dizia isso para não olhar para onde se devia olhar na investigação. Mas agora a gente está vendo, a partir do que se tem de elemento contra dois servidores do Banco Central, que sim, precisa olhar. Eles são de que gestão, esses dois servidores do Banco Central?
gestão Roberto Campos Neto e permaneceram na gestão Gabriel Galipo. Eles só foram afastados recentemente depois que o Banco Central constatou numa auditoria tudo isso que a gente está vendo agora. Parte das informações utilizadas pela Polícia Federal foi recebida do próprio Banco Central. Então, nós estamos falando de dois chefes, chefe adjunto e chefe de supervisão, a quem cabia fiscalizar o Márcio. E o que eles estavam fazendo, que ficou provado o que eles estavam fazendo, era atuando como consultores
consultores para usar um eufemismo, eles eram funcionários longa-manos do Master dentro do Banco Central. E o que a investigação demonstra que eles faziam a soldo do Vocaro era avisar o Vocaro se houvesse alguma investigação, alguma movimentação financeira dele que chamasse atenção a algum movimento do Banco Central sobre ele, antecipar esses movimentos para que o Vocaro pudesse se prevenir. Eles orientavam o Vocaro sobre como se comportar em reuniões
com o Banco Central, eles revisavam documentos que o Volcaro deveria apresentar para o Banco Central. Eles praticamente, dentro do Banco Central, eram funcionários do Daniel Volcaro. E a investigação demonstra que o Volcaro montou, o próprio Banco Master, o próprio esquema do Volcaro montou empresas de consultoria de fachado para que esses caras recebem sem mesadas do Banco Master. O que a gente ouve no mercado financeiro, o que a gente ouve dos operadores, o que a gente ouve dos próprios investigadores,
é que existe uma chance de haver mais coisa aí nesse caldo, sabe? E mesmo que não haja Natuza. Eu acho importante que a gente leve em conta que tanto o Roberto Campos Neto, e em especial o Roberto Campos Neto, mas também o Gabriel Galípolo, atuaram de forma a empurrar com a barriga a crise do Master. Então, quando a gente fala que demorou, demorou de verdade. Foram necessárias duas gestões,
Qualquer coisa para dar ao Volcaro mais tempo, mais crédito, mais alívio, aí o Banco Central agiu. Nenhuma grande fraude, nenhum grande esquema como esse do Volcaro sobrevive sem muitos cúmplices. Então, esses dois são os que aparecem agora. Mas se a investigação seguir como a gente espera que ela siga, vai se descortinar um quadro muito, muito disseminado de cúmplices e de instituições que foram contaminadas por esse esquema do Daniel Volcaro.
muito obrigada por topar conversar com a gente já de noite desta quarta-feira agitada em que você trabalhou muito. Trabalhamos muito. Obrigada. Um abraço. Estou sempre aqui para vocês. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sara Rezende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco. Eu sou Natu Zaneri e fico por aqui. Até o próximo assunto.
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