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Cláudio Castro e o dinheiro dos aposentados no Banco Master

27 de maio de 202623min
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Convidado: Octavio Guedes, comentarista da GloboNews e colunista do g1. A oitava fase da operação Compliance Zero teve como alvo de um mandado de busca e apreensão o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, suspeito de integrar um esquema que aportou R$ 3,7 bilhões de recursos públicos em títulos podres do Banco Master. Essa foi a segunda vez em 11 dias que os agentes da Polícia Federal bateram na porta de Castro: primeiro na operação Sem Refino, que investiga a participação do ex-governador na fraude fiscal bilionária da refinaria Refit; agora, diante da suspeita de ter facilitado a transferência do dinheiro da Rioprevidência – fundo público que gere os recursos de 235 mil aposentados e pensionistas do Rio – para o banco de Daniel Vorcaro. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o jornalista Octavio Guedes sobre o esquema que drenou bilhões da Rioprevidência – e de outros fundos públicos identificados pela investigação da PF. Guedes também analisa o “enterro” da candidatura de Cláudio Castro ao Senado e as consequências políticas para Flávio Bolsonaro e PL.
Participantes neste episódio2
N

Natuza Nery

HostJornalista
O

Octavio Guedes

ConvidadoComentarista
Assuntos6
  • Banco MasterRioprevidência · Daniel Vorcaro · Aportes de recursos públicos · Letras financeiras · CDBs · Comissão como propina · Nelson Tanuri
  • Operação Compliance ZeroCláudio Castro · Banco Master · Rioprevidência · Daniel Vorcaro · Operação Sem Refino · Fraude fiscal
  • Fiscalização e controlo de fundosInstitutos de previdência estaduais e municipais · Banco Master · Dinheiro público · Engajamento político · Fundo do Amapá · Prefeitura de Maceió
  • Denúncias contra Cláudio CastroCláudio Castro · Flávio Bolsonaro · PL · Senado · Inelegibilidade
  • Outras investigações envolvendo Cláudio CastroOperação Refit · Ricardo Magro · Operação Catarata · Flávio Chadu · Propina em dinheiro vivo
  • Delação de Daniel VorcaroPolícia Federal · PGR · Celular apreendido · Encontro fortuito de prova
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E no Rio de Janeiro, a Polícia Federal está na casa do ex-governador Cláudio Castro. A operação agora é para investigar o envolvimento dele nas transferências de dinheiro público do Fundo de Previdência de Servidores do Estado, o Rio Previdência. A oitava fase da Operação Compliance Zero cumpre hoje 10 mandados de busca e apreensão, tanto aqui no Rio de Janeiro quanto também em Brasília, no Distrito Federal. Em apenas 11 dias, esta é a segunda vez que a Polícia Federal bate na porta de Cláudio Castro.

A primeira vez foi na operação sem refino, quando o ex-governador foi acusado de usar a máquina estadual para beneficiar a maior devedora de impostos do país, com dívidas que chegam a 52 bilhões de reais.

A Polícia Federal afirmou que o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, direcionou o governo do Estado para proteger e atender aos interesses de um grupo empresarial, a EFIT, que é comandada por Ricardo Magro. O ex-governador Cláudio Castro está entre dois ministros. Não tem aquele negócio entre dois amores? No caso, entre dois ministros. Porque a operação sem refino foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, 11 dias atrás. A operação é pelo ministro André Mendonça e é essa a questão do Master.

Agora, a investigação acusa Cláudio Castro de facilitar aportes da ordem de R$ 3 bilhões para o Banco Master. O investimento bilionário teria saído do Rio Previdência, o fundo público que gere o dinheiro de 235 mil aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro.

O estado do Rio de Janeiro quebrado, ou pelo menos com um histórico de déficit, e não quaisquer déficit. Rio de Janeiro, na lei do orçamento deste ano, com déficit previsto, claro, se confirmar receitas e despesas, 16, 17 bilhões de déficit. E aí, tem esses 3 bilhões só da Rio Previdência, aportados em letras financeiras do Banco Master, um dinheiro que não voltará.

Cláudio Castro já tinha sido condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e, por conta disso, estava inelegível. Como ainda cabe recurso, ele anunciava que seria candidato ao Senado e com o apoio de Flávio Bolsonaro, que é senador pelo mesmo partido e pelo mesmo Estado. Agora, emparedado por mais duas investigações, Cláudio Castro está cada dia mais isolado dentro do PL.

oficialmente o discurso é de que a candidatura de Cláudio Castro ao Senado está mantida. Reservadamente, eles dizem, olha, naufragou de vez, acabou, não tem mais nenhuma chance.

Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é Cláudio Castro e o dinheiro dos aposentados no Banco Master. Neste episódio, eu converso com Otávio Guedes, comentarista da Globo News e colunista do G1. Quarta-feira, 27 de maio.

Otávio, antes da gente começar a nossa conversa, acho que vale a pena a gente fazer um recuo no tempo para localizar todo mundo, situar todo mundo quanto às fases dessas operações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master. Então, na primeira fase, em novembro de 2025, você tem Vorcaro preso.

E aí, da primeira até a quarta fase, outros personagens presos muito próximos a Vorcaro, uma elucidação maior da fraude financeira sem precedentes que ele operou junto ao Master.

Só que chega na quinta fase, a política começa a entrar pela porta da investigação. De que forma? Na quinta fase entra um personagem que é central na história da política brasileira, que é o líder do Centrão, o senador Ciro Nogueira, alvo de busca e apreensão.

E aí a gente salta para essa oitava fase com mais um personagem da política brasileira local, o governador Cláudio Castro. Mas não é só no mundo da investigação que as coisas se movimentam. Fora da investigação, lá atrás, outros personagens apareceram.

Dois ministros do Supremo, um diretamente de Astófoli e o outro por meio da esposa, Alexandre de Moraes, em razão daquele contrato qual a gente já falou bastante. E ainda fora do âmbito da investigação, o mais recente, Flávio Bolsonaro com o escândalo do Dark Horse.

Bom, feita essa digressão, para que todo mundo tenha ideia da extensão do caso Master, eu te pergunto, olhando agora especificamente para a operação de terça-feira, a Polícia Federal mirou nos aportes do Rio Previdência em fundos ligados ao Banco Master.

A história não é nova, mas a operação traz mais luz para essa irregularidade segundo a PF. E na prática, de acordo com a investigação, eu quero te perguntar como é que funcionava esse esquema desde a sua origem do dinheiro até a autorização dos investimentos e dos beneficiados.

Primeira explicação que Rio Previdência é dinheiro público e dinheiro de aposentado e pensionista. É pensão e aposentadoria de servidor público. Então, esse dinheiro que deveria ser tratado ali com maior cuidado, foi despejado para salvar, ou pelo menos tentar salvar a Vorcaro. Vamos lá, Natuza, são três ondas.

A primeira onda é o Rio Previdência bota um bilhão em letras financeiras do Master. Letra financeira não é coberto pelo fundo garantidor. Perdeu, perdeu. Então já tinha um bilhão. Aí aparece a CEDAI.

da empresa de água e esgoto e bota 280 milhões em CDBs. Esse CDB tem uma garantia de 250 mil, ou seja, a empresa de água do governo Cláudio Castro trocou 280 milhões por 250 mil, porque todo mundo já sabia naquele momento que era muito temerário aplicar qualquer coisa no Master. Quem tinha investimento acima de 250 mil está sentado na calçada porque não está vendo esse dinheiro chegar, né?

aqui no Rio de Janeiro, nem sentado na calçada, que é provável que tenham roubado a calçada. Mas vamos lá, enfim, tem esta terceira onda que se refere a esta operação de hoje. Então tinha letra financeira, tinha CDB. Era preciso descobrir uma nova forma de escoar dinheiro para o Vorcaro. Então falaram o seguinte, e se a gente aplicar num fundo?

O Banco Master agia como uma rede de fundos e toda a ilegalidade dele passava por esses fundos. Era fundo que comprava de outro fundo, que comprava de outro fundo e fazia uma teia. Esses fundos são uma roubada completa. O Fundo de Previdência do Rio investiu quase um bilhão de reais em letras financeiras do Banco Master. São títulos de investimento de alto risco que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

As investigações se concentram em nove aplicações no Master entre 2023 e 2024, que, segundo a PF, colocaram em risco o dinheiro das aposentadorias e pensões de 235 mil servidores públicos do estado do Rio. Mas para isso era tão escandaloso que era necessário trocar a cúpula do Rio Previdência, desse instituto que paga aposentados e pensionistas.

Porque senão a cúpula não ia querer assinar essa cúpula antiga. A cúpula antiga que já tinha investido, mas isso era tão escandaloso, porque esse fundo é um fundo podre. Ele era constituído quase 90% de ações de uma mesma empresa, a Ambipar, que é um fundo podre. Um dos acionistas era o Nelson Taduri.

Tanuri é apontado pela PF como sócio oculto do Banco Master. O bloqueio de bens foi feito pela Polícia Federal por determinação do Supremo. Não há informações específicas sobre o valor dos bens bloqueados de Tanuri. Há apenas o total do bloqueio de 42 investigados, que dá R$ 5,7 bilhões.

Então, assim, como é que vão botar 2 bilhões num fundo podre? Mas foi isso que fizeram. E o Cláudio Castro, segundo a Polícia Federal, troca mensagens com o Vorcaro, e essas mensagens são para acertar esses aportes.

inclusive essa mudança da cúpula da Rio Previdência para fazer esse aporte de 2 bilhões que renderia uma comissão de 22 milhões. Comissão é, diga-se, que a Polícia Federal trata como propina. Bom, e aí tem algumas coincidências nesse processo, né? Porque, segundo ali o despacho do ministro André Mendonça, o Cláudio Castro tinha encontros privados no Brasil e no exterior 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7

pagos por Daniel Vorcaro, justamente quando o Rio Previdência fazia aportes no banco de Daniel Vorcaro. Olha, Natuz, eu revelei que o governador Cláudio Castro tinha ido para a final da taça Libertadores num avião daquela empresa que o Vorcaro tinha uma participação. Era uma prova indireta, não era tão batom na cueca, mas ele ficou muito nervoso com essa revelação.

Castro viajou ao Peru com a família e convidados para assistir a final da Libertadores em novembro de 2025 num avião da empresa Prime, que, segundo relatórios da Polícia Federal, faz parte da teia de corrupção de Daniel Vorcaro.

Naquela época ele me disse o seguinte, conheço o Vorcaro apenas de encontros internacionais. Segundo a Polícia Federal, mentira. Vínculo pessoal estreito, inclusive com encontros em ambientes privados, no Brasil e no exterior, em datas que coincidem com os aportes.

Antes da gente avançar, quem é que controlava as decisões dentro do Rio Previdência e qual é o grau de influência de Cláudio Castro segundo a Polícia Federal? Bom, a história é o seguinte, sem o Cláudio Castro, a Polícia Federal diz que não haveria esses aportes.

Houve, após a troca da Cúpula do Rio Previdência, um credenciamento Celery do Banco Master. Aplicações realizadas sem análise técnica, sem comparação com alternativas de mercado, sem avaliação de risco.

Em outubro de 2024, o Conselho Fiscal do Fundo Previdenciário dos Servidores do Estado do Rio emitiu uma deliberação, manifestando profunda preocupação com as aplicações em letras financeiras do Banco Master. Por unanimidade, os conselheiros recomendaram ao Rio Previdência a revisão das aplicações e que não fossem feitos novos aportes na instituição financeira. Os avisos vieram também do Legislativo.

Ainda em outubro de 2024, o deputado Luiz Paulo, do PSD, fez uma denúncia ao TCE sobre os aportes no Master e apontou risco às finanças futuras do Rio Previdência no banco. Naquele mesmo mês, o corpo técnico do Tribunal de Contas do Estado recomendou que não houvesse novos investimentos, mas os aportes continuaram. O Rio Previdência investiu também em outros fundos ligados ao Master.

Um caso que chamou a atenção do Tribunal de Contas foi uma aplicação de mais de R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, administrado pela Master SA Corretora. O fundo iniciou as operações em 18 de dezembro de 2024. E já no dia seguinte, o Rio Previdência fez o primeiro aporte, R$ 50 milhões.

Ou seja, nem a gente, quando tem dois reais no bolso, aplica esse dinheiro com tanta facilidade, com tanta falta de controle, do que dois bilhões. Imagina você aplicar dois bilhões sem comparar alternativas de mercado, sem fazer uma análise de risco. Então foi tão escandaloso que não é que nem tenha chamado a atenção. A corrupção no Rio de Janeiro está estarrecedora.

Diante disso, Otávio, eu preciso te perguntar, a Operação Compliance Zero, cuja oitava fase foi essa, envolvendo Cláudio Castro, já prendeu bastante gente. Inclusive o presidente da Rio Previdência está preso. Exato.

Agora, no mundo político, até agora nada. Diante desse grau de deterioração de instituições públicas, inclusive essa, Rio Previdência, que mexe com o dinheiro dos aposentados e pensionistas, Cláudio Castro corre algum risco nesse sentido, porque até agora só foi alvo de busca e apreensão.

Olha, ele corre risco nessa investigação do Banco Master, ele corre risco na investigação sobre a refit, a refinaria fantasma, em que o governo do Estado teria sido leniente com o maior devedor do próprio Estado e do país, é Ricardo Magro, ele corre risco.

também por conta de uma investigação antiga em que ele é acusado de levar dinheiro de um operador que ele carregava numa mochilinha. Ele vai a um shopping, até perguntei, mano, o que o senhor foi fazendo no shopping? Ele falou, não, fui consertar a alça da mochila que estava arrebentada. A loja do sapateiro estava fechada, eu subi, e ele subiu para conversar com um amigo, mas que era operador de um esquema de corrupção que desviava dinheiro de um programa para dar óculos para mendigo.

então roubavam óculos de mendigo. Essa gravação é de uma câmera de segurança de um shopping na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, dia 29 de julho de 2019. O homem de camisa branca que carrega uma mochila é Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro. Na época, vice-governador do Estado. Ao lado dele está o empresário Flávio Chadu, dono da Servilog.

A empresa tinha contratos milionários com a Fundação Leão 13, que era subordinada a Cláudio Castro. Essa fundação é responsável por projetos de assistência social do governo do Estado. Esse encontro aconteceu um dia antes de Flávio Chadu ser preso na primeira fase da Operação Catarata, que investigou justamente fraudes em contratos da Fundação Leão 13.

Um funcionário de Flávio Chadu, na Servilog, contou ao Ministério Público do Rio que, naquele dia, Cláudio Castro recebeu do empresário 100 mil reais em propina, em dinheiro vivo. Então, tem esse da mochilinha também. Ele foi pegar dinheiro desse esquema de corrupção da mochilinha? Ele já assumiu o governo com essa suspeita, porque ele foi supostamente consertar a mochilinha quando já era vice-governador.

Bom, já que você falou no caso da Refit, que é um outro caso em que Cláudio Castro está enrolado, eu convido a quem nos ouve a ouvir o episódio de 19 de maio, chamado Refit, a fraude bilionária que nasceu no Rio e se espalhou pelo país. É um episódio como esse absolutamente ilustrativo de como uma empresa conseguiu fazer o diabo, contando com a leniência.

dos três poderes no Rio de Janeiro. Espera um pouquinho que eu já volto para falar com Otávio Guedes.

Mas voltando aqui, Otávio, a gente sabe que o Rio Previdência não foi o único fundo que colocou dinheiro em títulos podres do Banco Master, como você já citou. A operação de terça também mirou o fundo do estado do Amapá e de mais duas cidades do interior paulista. E aí um levantamento realizado pelo G1 aponta que há pelo menos 18 institutos de previdência, tanto estaduais quanto municipais, envolvidos nessa treta.

O que isso revela sobre a fragilidade da fiscalização do dinheiro público? E mais, o que isso revela sobre o engajamento de políticos com o caso Master abaixo do que pega o radar normalmente?

O estado do Rio de Janeiro lidera a lista de quem mais deu dinheiro público a Forcaro. Logo em seguida vem o estado do Amapá, com 400 milhões. Em terceiro, a prefeitura de Maceió, com 97 milhões. Aí começam a aparecer prefeituras. São Roque de São Paulo, Cajamar de São Paulo, Itaguaí, aqui no Rio de Janeiro. Aliás, uma...

das pessoas que foram alvo de medidas cautelares, gestora do Rio Previdência, sai da Rio Previdência, vai para Itaguaí e aplica 59 milhões. Ou seja, na Tuzuma, coisa me chama atenção. Por que o mercado privado não investiu tanto no Master? Era só dinheiro público. Não é um espanto? Então será que esses gestores eram gênios? O mercado privado perdeu a concorrência para o setor público de gênios que farejavam dinheiro? Não, né?

É porque tínhamos treta aí, como a gente está vendo. A gente viu num primeiro momento do escândalo Master uma ideia de que havia algo econômico tanto da direita quanto da esquerda. Essa ideia foi mudando de tom a partir das últimas novidades. Agora a gente consegue dizer o que em termos de direita e de esquerda, Otávio?

Olha, como sempre, o Centrão domina o espetáculo com mais prefeituras, mas, de uma certa maneira, tem mais gestores à direita do que à esquerda, ressalvando que à direita também tem mais governos, mais prefeituras.

do que a esquerda. Mas o que mais me chama a atenção é que o Rio de Janeiro é um ponto fora da curva. O Rio de Janeiro é PL, partido do Flávio Bolsonaro. O Rio de Janeiro tinha como governador Cláudio Castro. E a gente está falando de Rio de Janeiro, Estado do Flávio Bolsonaro.

E esse aporte de 2 bilhões num fundo podre, ele acontece em dezembro de 2024. Por coincidência, é o mês que o Flávio Bolsonaro diz ter ido ao encontro de Vorcaro, ou seja, que conheceu o Vorcaro. No mesmo mês em que...

O PL do Rio de Janeiro, repito, do Cláudio Castro, todos aliados do Flávio Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro é desse estado, foi da LERJ há muito tempo, botou 2 bilhões. O Flávio Bolsonaro não é investigado no escândalo da Rio Previdência, nem a Polícia Federal trata financiamento do filme como causa e efeito desse dinheiro dado, esse de 2 bilhões dados de bandeja para o Vorcaro. Mas veja bem.

O Flávio Bolsonaro tinha pleno conhecimento que tinha dinheiro público na mão do Vorcaro, aposentados e pensionistas do Estado que ele representa, do Estado governado por um aliado do Flávio Bolsonaro, do partido dele. Então não dá para dizer, porque eles usam como marco temporal novembro de 2025. Novembro de 2025 foi quando o Banco Central falou assim, desligou os aparelhos.

Mas esse doente já estava há muito tempo no hospital e todo mundo sabia. Quando entrou na enfermaria, todo mundo sabia que a saúde do Banco Master era precário. Aliás, dois meses antes do Flávio Bolsonaro bater a porta do Vorcaro, o Tribunal de Contas do Estado já tinha oficiado, tanto ao Banco do Vorcaro quanto ao governador Cláudio Castro, pedindo explicações sobre esses investimentos.

temerários, era conhecimento público. Na Tusa, todo mundo aqui no Rio de Janeiro sabia dessa história da Rio Previdência, como o Flávio Bolsonaro não sabia. E o mercado todo sabia que Vorcaro era um banqueiro enrolado há muito tempo. Então, essa coincidência de datas do Rio Previdência dá 2 bilhões numa mão para o Vorcaro.

E Flávio Bolsonaro, e tomar 61 milhões da outra mão do Vorcaro, indica que ele sabia que tinha dinheiro público. E sabia também que o Vorcaro não era santo. Não foi só quando o Banco Central determina o fim das atividades do Banco Master que o país descobre que Vorcaro era um trambiqueiro.

A gente não sabe ainda qual vai ser o destino de Flávio Bolsonaro nessa história. A gente não sabe se ele vai ser investigado, qual vai ser o desfecho desse caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e pré-candidato à presidência da República.

Mas e em relação a Castro? Isso já fica mais claro? Lembrando que ele já tinha sofrido uma condenação pelo TSE por abuso de poder político e econômico. Como é que fica a situação dele? Olha, ele está inelegível e o PL fez essa semana...

o que ele estava doido para fazer há muito tempo, enterrar as pretensões de Cláudio Castro de ser senador. Então, ele hoje já é uma carta fora do baralho. O próprio Valdemar falou que se ele... Porque ele está inelegível, né? Então, se tiver que recorrer, se tiver sob júdice, ele não concorre. Mas isso aí, o PL já queria há muito tempo rifar o Cláudio Castro, porque, segundo me falou o integrante da cúpula do PL, é muito enrolado ele, né?

Bom, e só para não deixar de mencionar, a proposta de delação premiada feita por Daniel Vorcaro foi recusada pela Polícia Federal e agora é a PGR, a Procuradoria-Geral da República, quem está tocando isso. Quanto mais os fatos se tornam públicos, mais fica exposta a primeira versão da delação de Daniel Vorcaro, caso ele não tenha exposto os eventos descobertos pela Polícia Federal. Como é que está a situação da segunda versão da delação de Daniel Vorcaro?

Natuza, a gente na cobertura sempre faz uma leitura. Ora a Polícia Federal é o obstáculo para a delação, ora o Ministério Público, ora são alguns ministros. O maior inimigo da delação de Vorcaro é o celular dele. Com o celular dele, não precisa delatar. Quem precisa delatar é o Vorcaro, não é a Polícia Federal para descobrir as mutretas dele. Sabe como é que foram descobertas?

Essas revelações sobre o Cláudio Castro, eu vou ler aqui o despacho do ministro André Mendonça. Houve encontro fortuito de prova obtida a partir da análise do aparelho celular apreendido com Daniel Bueno Vorcaro. Estava tudo no celular. Quem tem um celular como Vorcaro não precisa falar. A Polícia Federal sabe tudo.

Otávio Guedes, muito obrigada por ter topado conversar com a gente. Espero contar com você em muitas outras oportunidades, porque o noticiário está exigindo isso. Com o maior prazer, Natuza. Chamou, falou.

Este foi o Assunto Podcast Diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelã, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natuzaneri e fico por aqui. Até o próximo assunto.

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