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A corrida pela Presidência: Ratinho Junior fora e a terceira via

25 de março de 202625min
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Convidado: Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Na lista de três “pré-pré-candidatos” do PSD à Presidência da República, Ratinho Junior era considerado aquele com maior viabilidade eleitoral. Mas, nesta segunda-feira (23), o governador do Paraná desistiu da disputa e ficará no cargo até o fim do ano, quando termina seu mandato. Agora, o partido chefiado por Gilberto Kassab ainda tem dois quadros à disposição: Ronaldo Caiado, governador de Goiás e nome mais cotado para ficar com a vaga, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. O candidato que sair da disputa interna do PSD tentará se posicionar como representante da direita moderada e vai buscar o espaço que vem sendo chamado de terceira via – ou seja, conseguir os votos de quem rejeita Lula ou Flávio Bolsonaro. Na corrida para ocupar essa posição está também Romeu Zema, do partido Novo, que neste domingo (22) renunciou ao governo de Minas Gerais para concorrer ao Palácio do Planalto. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, para analisar se há espaço para uma terceira via nas eleições presidenciais. Bernardo explica também por que Ratinho – assim como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, mas com motivos diferentes – renunciou à candidatura.
Assuntos11
  • Terceira via nas eleições presidenciaisViabilidade política · Espaço eleitoral reduzido · Polarização Lula vs Flávio · Força da candidatura de direita · Voto útil antecipado
  • Saída de Ratinho JúniorRazões da saída · Pesquisas e queda de votos · Pressão de Flávio Bolsonaro · Caso Mastercard e investigações · Sucessão no Paraná
  • BolsonaroConsolidação nas pesquisas · Herança do sobrenome Bolsonaro · Força eleitoral direita · Bloqueio a outros candidatos conservadores · Negociações para vice
  • Disputa Presidencial PSDRonaldo Caiado · Eduardo Leite · Perfil ideológico do partido · Risco de cristianização · Processo de escolha interna
  • Pesquisa eleitoralDatafolha março 2026 · Consolidação da polarização · Percentuais de candidatos · Dinâmica primeiro turno
  • Romeu Zema como candidatoTrajetória política · Negociações com PSD e PL · Projeto como vice · Discurso anti-sistema
  • Tarcisio de FreitasIndicação de Jair Bolsonaro · Apoio a Flávio Bolsonaro · Capital político · Plano B eleitoral
  • Impacto da saída de Ratinho no tabuleiro eleitoralDistribuição de votos · Facilidade para infidelidade partidária · Mudanças no apoio empresarial · Benefício para Flávio Bolsonaro
  • Dinâmica do PSDIdentidade ideológica do partido · Gilberto Kassab liderança · Posicionamento regional · Bancada parlamentar · Alianças estaduais
  • Histórico de polarização presidencial brasileiraEleições com terceira via competitiva · Leonel Brizola 1989 · Marina Silva 2010 2014 · Mudança padrão recente · Tendência 2026
  • Caso Mastercard PoliticosInvestigações da PF · Delação de Daniel Vorcaro · Privatização da Copel · Nelson Tanuri investigado · Impacto em decisões eleitorais
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Na corrida eleitoral pela presidência, o Marraia sempre pertenceu ao atual ocupante do cargo, o presidente Lula. No final de 2025, um novo concorrente assumiu o outro lado da pista, Flávio Bolsonaro. E assim que o filho 01 do ex-presidente se apresentou como pré-candidato, um nome que estava no aquecimento abandonou a prova. Tarcísio de Freitas voltou a dizer que disputará a reeleição em São Paulo e indicou apoio ao senador Flávio Bolsonaro.

Até aquele momento, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, era considerado o favorito para unir o espólio da direita sem Jair Bolsonaro e os eleitores que desejam candidatos da chamada terceira via. Então os olhos se voltaram para a raia seguinte. E lá estava Ratinho Júnior.

O governador era um dos três possíveis candidatos à presidência pelo PSD e o que estava melhor colocado nas pesquisas. Acontece que, para surpresa de muita gente, Ratinho Júnior também desistiu. Há poucos dias do prazo final para a desincompatibilização de quem quer concorrer, o governador do Paraná, Ratinho Júnior,

anunciou que ficará no cargo até o final do mandato em dezembro. Ele opta por permanecer no mandato até para que possa permanecer na máquina e assim ser a única possibilidade dele fazer o seu sucessor no Paraná. Então foi um olhar para dentro do Paraná para não perder a continuidade da sua gestão. E a vaga para a chamada terceira via nesta pista está aberta novamente. Na lista do PSD, há nomes para ocupá-la. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Mas a candidatura dele ganha força no partido a partir de agora. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que a escolha do candidato do partido deve ser definida até o fim deste mês. O vento está soprando mais a favor da oposição do que do governo. E por que isso? Porque Ratinho Júnior, sendo substituído por Caiado, tem um candidato mais à direita e, portanto, mais inclinado a mais adiante na disputa, vinha a ser uma espécie de linha auxiliar de Flávio Bolsonaro.

E Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul e terceiro presidenciável do PSD, diz que segue no páreo. Do meu lado, eu sigo firme com uma pré-candidatura à presidência da República pelo PSD. Mais do que isso, estou com energia, disposição e verdadeiramente interessado em liderar um projeto que ajude a despolarizar o país. Há também outros nomes de outros partidos. Nenhum deles chega sequer a pontuar dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto.

O padrão é muito parecido. O Lula, o melhor número dele é 39. No caso de Flávio Bolsonaro, a gente vai ver, são vários cenários. 35 é o melhor dele. O que chama a atenção? Os dois muito sedimentados na disputa desse primeiro turno. Os outros nomes. Ratinho Júnior tem 7% em dois diferentes cenários. Ronaldo Caiado tem 4% nos diferentes cenários em que ele é testado.

Renan, um ou dois pontos. Ou seja, o que a gente está mostrando aqui assinante, no primeiro turno, o quadro é de bastante consolidação da polarização entre Lula e entre Flávio Bolsonaro. Fica a pergunta, tem espaço nessa corrida para alcançar Lula e Flávio Bolsonaro na preferência dos eleitores? Está caindo um a um. O cenário estava difícil para a chamada terceira via, né? Para o candidato que não está relacionado nem a governo, nem a oposição.

E o assunto hoje com Vitor Boedian é... A corrida pela presidência. Ratinho Júnior fora e terceira via em Apuros. Neste episódio, eu converso com Bernardo Melo Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Quarta-feira, 25 de março. Bernardo, a impressão que está dando é que não é um bom negócio ser candidato à presidência. A gente está conversando aqui depois da segunda desistência de concorrer ao Palácio do Planalto nas próximas eleições.

Estou falando de Tarcísio de Freitas, a primeira desistência, depois da ascensão de Flávio Bolsonaro, e agora Ratinho Júnior, que sempre foi considerado um nome mais competitivo dentro do PSD para uma disputa nacional. Então, eu quero começar te perguntando, o que explica a desistência de Ratinho Júnior desse páreo? Pois é, Vitor, mas acho que são casos diferentes. O Tarcísio de Freitas, ele não desistiu, ele foi desistido. Queria ser candidato a presidente da República, estava se movimentando para isso, tinha promessas de apoio.

Mas faltou o principal, que era a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro. No momento que o Bolsonaro escolheu lançar o filho, Tarcísio foi descartado, teve que voltar para o plano B, que era o plano da reeleição em São Paulo. O Bolsonaro e o seu entorno precisam de Tarcísio, porque São Paulo é o maior colégio eleitoral e Tarcísio tem hoje um capital político, não tinha, mas hoje tem dele, 60% de aprovação. O martelo, então, está batido com Flávio Bolsonaro, candidato à presidência. Sim, com certeza, consolidado.

O mesmo que eu tive em 2022. Me elegei em São Paulo e ia ajudar o nosso candidato presidencial. O caso do Ratinho Júnior é diferente, porque, de fato, ele queria ser candidato a presidente da República, ele também estava se movimentando para isso e ele próprio tomou a decisão. Mas tomou a decisão de sair em razão de uma conjuntura que ele fez uma análise de cenário e viu que o espaço dele para o Palácio Penal estava bloqueado. Talvez por duas razões. A gente pode especular sobre essas razões.

A principal, acho que está nas pesquisas. Se a gente olhar o retrato da eleição agora, dessa rodada de pesquisas em março, o Ratinho Júnior aparecia ali com 7% no Datafolha, muito, muito atrás dos favoritos Lula e Flávio Bolsonaro. E se a gente olhar na última rodada, penúltima rodada, em dezembro, ele aparecia com 12, 13, às vezes até 14 pontos. Ou seja, qual foi o movimento que aconteceu nos últimos meses na eleição presidencial? O Flávio subiu, o Flávio Bolsonaro,

se consolidou num patamar mais competitivo, se aproximou do presidente Lula. E quem é que perdeu pontos com esse crescimento dele? Foi justamente esse ensaio de candidatura do PSD, que tinha o Ratinho Júnior como seu mais bem cotado nas pesquisas. Então, era uma candidatura que estava no movimento descendente, estava com o caminho bloqueado pela frente, e aí soma isso à questão regional. O Ratinho é um governador do Paraná em segundo mandato, tem um índice de aprovação alto,

mas não tem um candidato forte nas pesquisas da sua própria sucessão. E ele recebeu uma espécie de um checkmate da campanha do Flávio Bolsonaro. Vamos lembrar que, há pouco mais de dez dias, o coordenador da campanha do Flávio Bolsonaro, que é o senador Rogério Marim, deu um ultimato público para que o Ratinho Júnior saísse da disputa. Ele disse, não vou sair. Dez dias depois, ele saiu. O que aconteceu entre uma coisa e outra? O Flávio Bolsonaro articulou a filiação do Sérgio Moro ao PL

lançou como candidato a governador do Paraná. Um comunicado oficial do governador do Paraná, Ratinho Júnior, decide concluir o mandato no Paraná. Isso significa que ele não vai disputar a presidência. E ao encerrar em dezembro essa fase da sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o grupo de comunicação ao qual o seu pai está ligado. Muita gente diz que Ratinho Júnior ficou de fora porque não queria perder o controle da sucessão no estado do Paraná.

mas também é sintoma que o possível arranjo no Paraná possa virar ser uma composição dele com Sérgio Moro, do PL, que foi apoiado por Flávio Bolsonaro e pode haver uma composição entre esses dois grupos. A gente sabe que o Moro já larga bem na frente das pesquisas. O Ratinho percebeu que ele ia ficar certamente sem a presidência e podia ficar também sem o governo do Paraná para o seu grupo político. Então, entra em um projeto nacional muito incerto, em um projeto regional,

em risco, ele preferiu voltar para a província, preferiu defender a base dele. Nós falamos agora no dia 24 de março, em que há muitas dúvidas a respeito da extensão do caso Master. E eu queria um pouco da tua experiência para entender, comparado a outras eleições, em que muitos candidatos saíam a público, muitos partidos tinham pretensões eleitorais. A gente vê aí uma névoa, parece, nas pretensões eleitorais de alguns políticos,

até mesmo de alguns partidos, União Brasil, progressistas, que estavam pensando até em se juntar, não se falam mais para que lado eles vão. Eu queria te perguntar, nessas eleições, nesse ano, o risco master está gerando um pouco de ruído nas decisões eleitorais? Olha, sem dúvida, o caso master é um caso que veio para ficar. Ainda vai dominar o noticiário por bastante tempo e que pode fazer uma série de baixas, tanto na campanha presidencial quanto nas campanhas regionais. O caso do Ratinho Júnior,

talvez seja um desses casos. Se a gente olhar, no Paraná, a oposição ao governo dele tem se esforçado bastante para colar o governador a esse escândalo, e com dois argumentos. Primeiro, com o fato de muitos aposentados, servidores, pensionistas do Paraná, terem feito concato com crédito sexta, que era o braço dos descontos aposentados do grupo do Master. E o segundo ponto é que o Ratinho Júnior comandou a privatização da Copel, que é a distribuidora,

de energia do Paraná, e o comprador principal foi o empresário Nelson Tanuri, que está sendo investigado, no caso Master, foi alvo de uma operação da PF, e sobre quem pai era suspeita de ser um sócio oculto do Daniel Vorcaro. Então, claro, com essa perspectiva da delação do Vorcaro vindo aí, já sendo negociada com o PF, com o PGR, muitos políticos estão reavaliando os seus planos eleitorais, pode ter sido também o caso do Ratinho Júnior. Lembrando que até aqui o governador do Paraná

ainda não foi veiculado diretamente a esse escândalo. Mas, claro que ele pode saber de algo que esteja por vir ao longo dessas investigações. Agora, se a gente for retirar o caso Master da sala e colocar em condições normais de pressão e temperatura, parece que reiteradamente as eleições presidenciais se dividem em duas figuras apenas, o que atualmente a gente tem chamado de polarização. Você acha que isso tem sido uma característica marcante do processo eleitoral à presidência da República no Brasil?

Depende, Vitor. Essa vai ser a décima eleição presidencial desde o final da ditadura. E a gente teve eleições em que o terceiro elemento, o terceiro colocado, teve uma presença relevante, foi competitivo. O caso, por exemplo, de Leonel Brizola em 1989, do Antônio Garotinho em 2002, da Marina Silva em 2010 e 2014. Agora, a última eleição, a eleição de 2022, ela já foi bastante polarizada entre dois candidatos desde o início, Lula e Bolsonaro.

E ao que tudo indica, o que as pesquisas estão apontando, a eleição de 2026 tende a repetir esse padrão. A única diferença é que, no lugar do Jair Bolsonaro, vai aparecer o Flávio Bolsonaro. Mas se a gente olha, por exemplo, para o Datafolha, agora do início de março, o Flávio Bolsonaro e o presidente Lula, eles juntos somam 70% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Todos os outros candidatos somam 14% no cenário que estava o Ratinho Júnior.

claro, nulo, branco, indeciso. Então, o que está aparecendo é que essa é uma eleição em que a dinâmica do segundo turno vai ser antecipada para o primeiro. Ou seja, você tem dois candidatos muito fortes, muito competitivos, e todos os outros candidatos ou aspirantes a candidatos estão lá atrás comendo poeira. Isso pode, de certa forma, forçar o eleitor, mesmo o eleitor que pensava em escolher outro candidato, a já antecipar essa decisão, uma espécie de um voto útil já no começo da largada.

Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com o Bernardo. Se você ainda usa toner para imprimir, está na hora de você saber que o principal componente é o plástico. Um ano de impressão com toner em todo o mundo equivale a 20 bilhões de sacolas plásticas. É muito plástico, não é? Chegou a hora de reduzir o plástico nas suas impressões e ainda diminuir também o consumo de energia. Mude para uma impressão toner free, escolhendo as impressoras empresariais de jato de tinta Epson Workforce, com a tecnologia Precision Core. Você não vai querer continuar usando impressoras com toner, vai?

Pois é, então eu queria tocar de volta na questão projeto PSD para as eleições presidenciais. Estão aí na mesa os nomes, então, até onde se sabe, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, sendo Caiado talvez o favorito de Kassab nesse momento. O quanto do projeto PSD é algo que seja relacionado à venda do apoio no segundo turno, algo relacionado às pretensões no Congresso,

nacional de Gilberto Kassab, ou de fato ter um candidato viável para a terceira via? Olha, quem tem três candidatos, em geral, não tem nenhum. E essa talvez seja a situação em que o PSD entrou esse ano eleitoral. Quer dizer, é um partido que está em ascensão, que tem hoje muitos governos estaduais, tem centenas de prefeituras só no estado de São Paulo, mas é um partido sem uma cara, sem uma definição, sem um projeto ideológico claro. Aliás, o próprio Kassab, quando fundou o PSD lá atrás,

ser um partido nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Ou seja, não é nada e é tudo ao mesmo tempo. O PSD não é um partido de direita. É um partido que tem o Otto Alencar, que tem o Antônio Brito, que tem o Omar Aziz. Não é um partido de direita. O PSD é um partido de centro. E nesse partido tem liderança de centro-esquerda, centro-direita, de centro. Então, a nossa candidatura vai ocupar esse espaço. E se a gente olha para o PSD nos estados,

é que não tem ninguém esperando pela definição do candidato presidencial. A maior parte das lideranças já fez uma escolha, seja por Lula ou por Flávio Bolsonaro. Em geral, a região Nordeste, para cima, está toda comprometida já com o presidente Lula e Sul-Sudeste com Flávio Bolsonaro, a exceção aqui no Rio de Janeiro, onde o ex-prefeito Eduardo Paes promete montar o palanque do Lula na eleição fluminense. Agora, o que o Kassab quer? É difícil responder essa pergunta.

um dos políticos mais habilidosos que estão aí na praça hoje, pode ser acusado de muitas coisas, menos de não ser um personagem esperto. Ele certamente tem motivos para sustentar esse plano ou esse discurso de candidatura. Mas, ao mesmo tempo, a gente sabe que o PSB é um partido do centrão e que se move muito em busca da formação de bancada parlamentar. Ou seja, para ele é mais relevante ter uma bancada grande no Congresso do que apresentar um candidato ao presidente da República

Claro, se ele tiver um peso suficiente para influenciar no segundo turno, para, como você disse, vender esse apoio, isso é positivo. Mas, tirando essa hipótese, não me parece ser muito ganho para o PSD ter um candidato que termine a eleição com 3%, 4%, 5%. Pelo contrário, ele pode até tirar recursos dessa campanha proporcional. Ele só manifestou a sua disposição, a sua motivação em ser candidato, o que é muito bom, uma pessoa muito qualificada, muito experiente,

Teve várias oportunidades ao longo da sua vida e tê-lo como presidente da República seria um privilégio muito grande para o Brasil. E amanhã eu vou estar com o governador Eduardo Leite. Conversando com parlamentares também mais ligados a Jair Bolsonaro, a torcida agora é de que a escolha seja por Ronaldo Caiado. Porque na avaliação deles, Eduardo Leite tem um discurso também antibolsonarista. Então ele é anti-Lula e anti-Bolsonaro. Ronaldo Caiado, na avaliação desses bolsonaristas, ele é mais antipetista

segurança pública. O que significa? Sai Ratinho Júnior, entra Caiado, como é que fica? O que muda com isso? Do ponto de vista eleitoral, não muda muita coisa. Um outro fator importante, Vitor, é o seguinte, o candidato do PSD, seja quem for, Ratinho Júnior, Caiado, Eduardo Leite, é um candidato que já sai, já parte com um grande risco de ser cristianizado, ou seja, de ser abandonado pelo próprio partido ao longo da campanha. E é curioso, quem gosta de estudar

história política brasileira, deve saber que em 1950, na eleição presidencial de 1950, o antigo PSD, que era lá o partido do Juscelino Kubitschek, lançou um candidato chamado Cristiano Machado, lançou e abandonou. O Cristiano Machado foi deixado de lado porque os seus próprios aliados aderiram à candidatura do Getúlio Varda. Então, por isso veio esse termo para a política brasileira, da cristianização. Qualquer que seja o candidato do PSD, se é que ele vai existir,

ele corre forte risco de ser cristianizado até o dia do primeiro tempo. Vamos ver, então, se é um karma ligado ao nome do partido. Agora, eu queria também tocar no projeto Romeu Zema, que se desincompatibilizou do governo de Minas Gerais nesse fim de semana. Qual é o desenho do projeto Zema? Porque ele já foi cotado para ser vice na chapa com Flávio Bolsonaro e também é um potencial pré-candidato à terceira via. Como ler Romeu Zema no atual contexto?

curioso. Ele surgiu em 2018 como um azarão, surfou aquela onda bolsonarista com o discurso de antipolítica, um empresário de sucesso que dizia que não era político. Bem, está no poder há oito anos e até hoje está fazendo esse mesmo discurso. Ele tem, de fato, o poder político peso no segundo maior colégio eleitoral, que é Minas Gerais, mas ele é uma figura que não conseguiu se nacionalizar e está, inclusive, a bordo de um partido que ainda é um partido pequeno, o Partido Novo. Há vários dias, Zema,

vem conversando com Gilberto Kassab e a negociação hoje é Zema ir para o PSD. Ele seria mais um candidato. A gente precisa lembrar aqui que o PL de Flávio Bolsonaro está tentando colocar o próprio Zema no novo como vice de Flávio Bolsonaro. É um nome que está em negociação. Na posse do novo governador estava Gilberto Kassab em Minas Gerais,

não estava a Nicolas Ferreira do PL, grandes lideranças do Novo não estavam, o governador, claro, agora de Minas Gerais é do PSD, e Zema ficou sem grupo. Por mais que ele diga que o projeto dele é presidencial, os seus aliados mais próximos, inclusive o atual governador de Minas, Matheus Simões, que assumiu o cargo há poucos dias, abertamente diz que o projeto é fazer do Zema um vice, seja vice do Caiado, seja vice do Flávio Bolsonaro.

costuma dizer que não existe candidato a vice, mas talvez a gente esteja diante do primeiro exemplar dessa espécie, sendo ele o Romeu Zema. O Romeu Zema, ele vinha investindo também num figurino de candidato anti-sistema, anti-STF. Ele foi à Brasília outro dia pedir impeachment de ministro supremo, está dizendo que tem coragem de mexer nesse assunto, porque o Flávio Bolsonaro não teria mais, mas me parece muito mais nesse sentido, de alguém que tenta se cacifar e tenta atingir um patamar mínimo de votos

poder negociar esse apoio a um outro candidato. Bernardo, e Flávio Bolsonaro, é viável pensar em uma alternativa que desbanque Flávio Bolsonaro? Lembrando que, quando ele se anunciou como candidato indicado pelo PAI, foi bastante desacreditado, mas o que as pesquisas mostram cada vez mais é que ele, de fato, tem força nas urnas. Sem dúvida. Agora, é importante dizer que também foi o Flávio Bolsonaro quem colaborou para o descrédito da candidatura dele no primeiro momento.

Porque no dia que ele se apresentou como candidato, ele já deixou claro que ele poderia

a retirada dessa candidatura em troca do acordo para tirar o pai da cadeia. Agora, o que está acontecendo no voto da direita? A gente sabe que o Jair Bolsonaro, mesmo preso, condenado pela tentativa de golpe, ele ainda é um político muito forte junto ao eleitorado. Ele lidera uma corrente de opinião e ele tem o eleitorado muito fiel e muito mobilizado. E ele resolveu indicar o filho como seu sucessor, quer dizer, manter a franquia familiar aberta, manter o projeto de poder fechado

investido ao sobrenome Bolsonaro. E aí, o que está acontecendo é que as pesquisas estão mostrando que esse eleitor de direita, que mesmo chegou a flertar com outros candidatos, com o Ratinho Júnior, com o Caiado, esse eleitor se moveu na direção do Flávio e tornou o Flávio Bolsonaro, de fato, um candidato competitivo. Então, nas condições atuais de temperatura e pressão, parece muito improvável, não impossível, mas improvável, que apareça um outro candidato, também com discurso de direita,

plataforma conservadora, que seja capaz de passar o Flávio Bolsonaro na disputa para uma vaga no segundo turno. Ele, de certa forma, tamponou, bloqueou esse caminho para um outro candidato da linha mais conservadora. E aí, talvez, o eleitor também esteja se fazendo a seguinte pergunta, o eleitor do Bolsonaro. Se eu posso votar no original, para que eu vou votar no genérico? Essa parece ser a lógica, por causa desse apoio tão rápido à candidatura do Flávio Bolsonaro. Não é pelas características pessoais dele, pelo que ele fez,

ou deixou de fazer como senador pelo estado do Rio de Janeiro. É porque ele carrega o sobrenome Bolsonaro e esse sobrenome é uma marca muito forte ainda nas unhas. Então, para a gente fechar essa conversa, quero de você uma projeção do cenário eleitoral diante da desistência de Ratinho, da atual conjuntura. Quem ganha, quem perde entre Lula e Flávio Bolsonaro, na sua opinião? Você falou em projeção eleitoral, já fiquei com medo de você me pedir para dizer o resultado da eleição. Não, essa é de um milhão de dólares.

A saída do Ratinho Júnior, claro que ela mexe com o tabuleiro, mas mexe menos do que pode parecer à primeira vista. Por que eu estou dizendo isso? Porque a gente está falando de um candidato que estava com um dígito nas pesquisas. Um contingente de votos que ele mobilizava era um contingente muito pequeno, 6%, 7%, a depender do Instituto. Então, claro, a gente vai precisar esperar uma nova rodada de pesquisas para ver se essa saída dele vai, de certa forma,

candidatos que estão na frente, ou se vai, eventualmente, abrir caminho para um outro terceiro colocado que fique um pouco mais relevante. Agora, a gente pode apontar algumas consequências imediatas da saída dele. A primeira é que, no caso do PSD, dos governadores, senadores, deputados, fica ainda mais fácil agora trair o partido, porque se eles já estavam se sentindo pouco obrigados a apoiar um candidato com 7%, imagina um candidato que agora entre com 3%, com 2% nas pesquisas.

Um segundo ponto é que, de fato, a presença de muitos candidatos é um fator que pode atrapalhar o presidente Lula candidato à reeleição. Quanto mais candidatos e candidatos com perfil mais à direita, pior para ele, primeiro porque pulveriza as intenções de voto no primeiro turno e reduz uma chance que já é muito pequena dessa eleição ser concluída no primeiro turno, e segundo, que cria aquela atmosfera do todos contra um no segundo.

estava diante do Senado, que praticamente todos os outros candidatos, muito certamente, apoiariam Flávio Bolsonaro no segundo turno. Para o Flávio Bolsonaro, me parece que essa saída do Ratinho pode ser, de certa forma, proveitosa, porque o Ratinho já vinha angariando apoios na elite econômica, no empresariado, dentro dos grandes bancos, naquilo que se convencionou a chamar de Afaria Lima. E agora, esses personagens, esses atores políticos e econômicos,

compelido a já aderir ao Flávio Bolsonaro já a partir do primeiro turno. Tudo vai depender, claro, de como é que esses outros candidatos de direita vão se desempenhar nas próximas pesquisas. Mas, ao que tudo indica, Vitor, a gente está diante de um cenário, como eu falei no começo da nossa conversa, de um segundo turno já no primeiro. Muito bem. Bernardo Melo Franco, muito obrigado pelas suas informações, pelas suas análises. A gente te espera outras vezes aqui no assunto. Eu que agradeço. Um abraço para você e para os ouvintes.

foi o assunto podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco e Juliene Moretti. Colaboraram neste episódio Nayara Felizardo e Rafaela Zem. Eu sou Vitor Boiadian e fico por aqui até o próximo assunto. Se você ainda usa toner para imprimir, está na hora de você saber que o principal componente é o plástico. Um ano de impressão com toner em todo o mundo equivale a

20 bilhões de sacolas plásticas. É muito plástico, não é? Chegou a hora de reduzir o plástico nas suas impressões e ainda diminuir também o consumo de energia. Mude para uma impressão toner free, escolhendo as impressoras empresariais de jato de tinta Epson Workforce, com a tecnologia Precision Core. Você não vai querer continuar usando impressoras com toner, vai? Saiba mais em epson.com.br barra toner free. As estimativas da Epson são baseadas em dados internos e de terceiros.

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