A direita e o bolsonarismo diante do abalo na candidatura de Flávio
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- Cenário eleitoral em São PauloSíndrome de Estocolmo da direita · Candidatos da direita não-bolsonarista · Antipetismo · Primeiro turno vs. segundo turno · Maurício Moura · Fernando Abrucio · Lula · Flávio Bolsonaro · Bolsonaro · Caiado · Zema · Renan Santos
- BolsonarismoCríticas à candidatura de Flávio · Estratégias da direita não-bolsonarista · O papel de Jair Bolsonaro · Possibilidade de candidatura de Michelle Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Bolsonaro · Michelle Bolsonaro · Lula · Zema · Caiado
O senador Flávio Bolsonaro foi às redes sociais dizer que, segundo informações do senador, ele e o pai fecharam ali, o pai indicou o senador para ser o candidato à presidência da República.
Foi assim, nas redes sociais, que em 5 de dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro anunciou que seria ele o candidato do pai. À época, Jair estava preso na superintendência da PF em Brasília. O filho 01 de Bolsonaro contou ao país inteiro que ele foi o nome ungido pelo ex-presidente. A aposta no senador surpreendeu, inclusive, os próprios aliados.
Desde o anúncio que pegou toda a política de surpresa, Flávio Bolsonaro, apontado por Jair Bolsonaro como candidato da família Bolsonaro, o que o centro e a direita estão me dizendo nos bastidores é que, deixa eu decantar, vamos ver se é para valer essa candidatura de Flávio, se ele aguenta disputar. O que esses líderes de centro e direita estão me dizendo nos bastidores é que a lealdade deles é a Jair Bolsonaro. Eles não têm compromisso nenhum com Flávio Bolsonaro.
Acontece que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se mostrou muito competitiva, muito rapidamente. Para você ter uma ideia, em abril, ele chegou a tomar a dianteira nas pesquisas de opinião. Pesquisa Quest mostrando pela primeira vez Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula na simulação de segundo turno. Mas no meio do caminho tinha o caso Master.
Irmão, preferiria te mandar o áudio aqui para o senhor vir com calma. Bom, aqui a gente está passando... O senador Flávio Bolsonaro, ele negociou um repasse de cerca de 134 milhões de reais diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para que seria esse dinheiro? Para ajudar a financiar um filme que estava sendo rodado ainda no ano passado, nessa altura que esse dinheiro teria sido solicitado, em setembro, um filme sobre a história de Jair Bolsonaro.
A revelação criou profundas rachaduras na imagem do filho 01 de Bolsonaro. Uma relação que envolve centenas de milhões de reais. Um dinheiro que, é preciso dizer, tem origem na maior fraude bancária da história do país.
Os sinais vitais da campanha de Flávio Bolsonaro são, no momento, os piores possíveis. Já era sintoma disso que outros dois candidatos da direita, Caiado e Zema, tenham entrado em modo de afastamento explícito. Na sexta-feira, a primeira pesquisa da Tafolha realizada integralmente após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro mostrou que o escândalo já começou a pesar diante de parte dos eleitores bolsonaristas.
O presidente Lula, nessa pesquisa data-folha, após o Dark Horse, todo esse escândalo em torno de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro para o filme para Daniel Vorcaro, que houve uma vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. A distância no primeiro turno, segundo data-folha, sobe de 3 para 9 pontos entre os dois. No segundo turno, Lula agora supera Flávio Bolsonaro por 47 a 43. A crise alcança até a lealdade daqueles que sempre estiveram ao lado do bolsonarismo.
Flávio Bolsonaro é hoje um candidato tóxico. É assim que setores dos pilares do bolsonarismo avariam a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Ele também está tendo problemas na sua base de apoio com esses pilares do bolsonarismo. Ou seja, com o agro, evangélicos, mercado financeiro e os políticos, os políticos que formam essa base de apoio do Flávio Bolsonaro.
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é o abalo na campanha de Flávio Bolsonaro e o futuro da direita que depende do bolsonarismo. Neste episódio, eu converso com Maurício Moura, fundador do Instituto de Pesquisa e Ideia, professor da Universidade George Washington e colunista do jornal O Globo. E com Fernando Abrúcio, cientista político, professor da FGV São Paulo, comentarista da Globo News e colunista do Valor Econômico. Segunda-feira, 25 de maio.
Bom, Maurício, na última sexta-feira saiu o primeiro Datafolha pós descobrimento do áudio, das relações entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. O que os números das pesquisas, e aí eu não falo só do Datafolha, você fez pesquisa, outros institutos fizeram, que sumo a gente pode tirar dos dados de sondagens eleitorais acerca do Flávio Bolsonaro neste momento?
Acho que tem três elementos que foram importantes sobre esse tema. O primeiro, Natuz, acho que todas as pesquisas captaram, que foi o alto grau de conhecimento que a opinião pública teve sobre esse episódio. Então foi um episódio que foi amplamente conhecido, disseminado na maioria da opinião pública.
crise envolvendo o pedido de dinheiro do pré-candidato Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, para em tese financiar o filme sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro, impacta a eleição segundo o Datafolha. O primeiro efeito foi um distanciamento entre a intenção de voto do presidente Lula e do Flávio Bolsonaro no segundo turno. O Datafolha trouxe isso, outras pesquisas públicas trouxeram isso, as pesquisas internas nossas também trouxeram a mesma diferença.
Então a gente tinha até o evento do áudio um empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio, agora tem uma diferença positiva para o presidente. Outro efeito importante a ser mencionado é que esses votos não foram direcionados especialmente aos votos que saíram do Flávio, e aí isso é muito mais legível na intenção de voto do primeiro turno, eles não foram necessariamente para um outro candidato ou para uma outra alternativa. Nesse cenário de primeiro turno acabou.
Na nossa análise, esses votos acabaram indo para branco, nulo e até mesmo para pessoas que não sabem ainda se vão votar ou não. Isso quer dizer o quê, Maurício? Porque eu li semanas atrás um artigo teu falando da possibilidade de a corrida se encerrar no primeiro turno.
Lá atrás, quando você escreveu, isso parecia mais distante. E agora, como é que está essa conta? Porque se não forem para os outros candidatos, aumentam as chances de uma definição de primeiro turno, embora esse cenário ainda seja um cenário distante?
Natuzel, acho que eu estou meio contra a corrente dos analistas em relação à questão do primeiro turno. Para mim, o primeiro turno é uma chance bastante real. Um dos motivos está do lado do próprio presidente Lula. Pela primeira vez, o PT não tem uma competição relevante e direta no voto da esquerda.
todas as eleições, inclusive as eleições que o PT ganhou, uma das coisas que inviabilizou a vitória no primeiro turno, além da abstenção, que sempre toca mais o PT, afeta mais o PT que os candidatos do outro campo político, foi a questão de ter alguém disputando voto com o PT. Se houver um segundo turno, a votação dele do primeiro e segundo turno tende a ser bastante similar, porque não tem muito mercado para o presidente no eventual segundo turno.
Eu acho que do lado do Lula tem uma chance alta de acabar no primeiro turno. Do lado da oposição, eu continuo acreditando na Tusa, que independente do que aconteceu com o Flávio agora nesse evento, eu continuo acreditando num fenômeno chamado antipetismo de chegada. É um fenômeno onde se aglutina votos no candidato, na reta final do primeiro turno, no candidato que tem maior chance de ganhar do PT. Esse efeito foi muito forte com o Aécio em 2014 e com o Bolsonaro em 2018 e 2022. Eu acho que isso vai...
se repetir esse ano. E aí você tocou no ponto que uma eleição que tende a desestimular o eleitor, isso tem um efeito em brancos e nulos e até em abstenção. E você sabe que branco, nulo e abstenção eles saem da equação de voto válido. Eu estou monitorando e eu acho que a gente tem esse ano características que levam a possibilidade de primeiro turno muito maior do que a gente tinha nos anteriores.
Todo analista que mexe com o número diz que o bolsonarismo tem um piso de pelo menos 20% no eleitorado. Considerando os seus cálculos políticos, os seus dados de pesquisa e incluindo a diferença de nove pontos no Datafolha na última sexta-feira, como é que você avalia hoje a posição do Flávio Bolsonaro?
Todo mundo que votou no Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, em nenhum momento aprovou o governo Lula. Então o governo vai enfrentar um paredão de votos, que é basicamente o mesmo paredão que ele saiu da eleição de 2022. E aí a eleição vai ser decidida, como eu sempre defendi aqui, na casa de dois, três pontos percentuais.
E nesse aspecto, para o presidente Lula, obviamente, para esses dois, três pontos percentuais que vão decidir a eleição, para o presidente Lula é muito melhor enfrentar um potencial adversário com uma rejeição mais elevada, que é o caso do Flávio Bolsonaro. Além dele carregar a rejeição do pai, que é a rejeição do governo do Jair Bolsonaro, esse evento agora dos áudios...
esse evento do Daniel Vorcaro ele também pode ter um efeito na rejeição da própria figura do Flávio, porque a figura do Flávio, Natuz, é uma figura desconhecida da opinião pública, ela é conhecida o sobrenome dele, num momento que ele deveria estar se apresentando, o cartão de visita C, essa potencial relação aí próxima com o Daniel Vorcaro, obviamente que tem um impacto negativo na rejeição e num governo que tem um paredão de popularidade que...
Hoje, inclusive, em todas as pesquisas na TUR, ainda é um governo mais desaprovado que é aprovado. O melhor cenário possível é enfrentar um candidato que carrega uma rejeição elevada. A rejeição dele já chegou a ser maior do que a de Lula, mas vinha caindo e passou a ficar abaixo da de Lula. Ela volta a superar a de Lula. Significa que todo aquele trabalho que ele fez, que ele era um candidato moderado, começa a ser minado. Porque agora esse escândalo faz a sua rejeição subir.
E como é que fica o argumento daqueles nomes do campo da direita bolsonarista que acham que Flávio, depois de Dark Horse, deve sair do páreo de qualquer forma? Como é que fica o discurso deles? Fica mais forte depois de Datafolha e de outras pesquisas ou as pesquisas ainda não dão força para essa defesa que esse entorno faz?
Até aqui a gente não tem nenhum elemento dizendo que a candidatura do Flávio desintegrou ou ela não é competitiva. Por outro lado, é importante dizer que você, numa estratégia de vencer a eleição presidencial, a melhor coisa possível seria ter um candidato que fosse ao segundo turno com o mínimo de rejeição possível. Porque essa é uma eleição, até agora, uma eleição que os dados são muito contra o governo. Ninguém que votou no Jair Bolsonaro em 2022 aprovou esse governo.
Esse paredão de votos coloca o Flávio como competitivo. A questão é a segunda derivada.
A segunda derivada é uma rejeição alta no segundo turno favorece o Lula. E eu acho que a grande pergunta, olhando para frente, é se for só esse evento dessa semana, a candidatura do Flávio segue competitiva, os números mostram isso. Mas se houver mais eventos desses e isso será uma coisa recorrente, aí a gente vai ter que fazer uma outra avaliação. Mas hoje a gente não tem o argumento que ele não é competitivo, a gente tem o argumento de que o perfil dele no segundo turno torna o Lula mais competitivo também.
Ou seja, a candidatura do Flávio fica meio que pendente de potenciais novidades do caso. Não, totalmente. A questão aqui agora é qual vai ser o fluxo de eventos. Se for um fluxo recorrente de eventos desse tipo, obviamente que a candidatura dele vai se fragilizar semana a semana. Agora, eventualmente, se for isso, ela segue competitiva. Mas a grande ponto de interrogação para quem quer fazer um argumento de tirar ou não o Flávio é a partir de agora isso é recorrente ou foi ser um evento único e isolado?
O que as pesquisas dizem sobre os demais candidatos da direita? Pesquisas têm uma semelhança muito importante, que são candidatos muito desconhecidos. Inclusive, é muito interessante ver o desempenho dos candidatos.
à direita, com o presidente Lula no segundo turno, nas simulações, eles não estão muito distantes do Flávio, mas o que faz o Flávio ter uma performance melhor na simulação em segundo turno justamente é o nível de conhecimento. O nível de conhecimento do sobrenome Bolsonaro, especificamente, é muito maior que dos governadores Ema, Caiado, eventualmente de Renan Santos. Então, nesse momento, é desproporcional o nível de conhecimento de um sobrenome Bolsonaro com os outros candidatos.
E lembrando, Natuza, que eu sempre repito isso, uma das coisas muito importantes para um candidato da oposição é a força, a probabilidade de competir contra o PT.
E hoje, o sobrenome Bolsonaro tem um piso maior para essa competição com o PT do que os outros candidatos à presidência. Maurício Moura, sempre bom te ouvir. Bom trabalho para você. Obrigado. Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Fernando Abrúcio.
Abruça, eu conversei bastante com Maurício Moura sobre o que as pesquisas dizem acerca da candidatura de Flávio Bolsonaro, do primeiro turno, dos candidatos da direita, e eu queria entrar mais nesse tópico contigo, desse segundo pelotão composto pela direita não-bolsonarista.
A Andréa Sadina, sexta-feira, antes da pesquisa Datafolha, conversou com aliados de Flávio Bolsonaro, dizendo que ele havia virado uma espécie de ativo tóxico para os pilares do bolsonarismo em razão das relações com o Vorcaro. Com você, a partir da sua coluna No Valor...
Eu quero falar da direita não-bolsonarista para entender o que aconteceu com ela ao longo dos últimos anos de ascensão do bolsonarismo e qual é o futuro dela nesta eleição. Matuzel, a direita não-bolsonarista sofre hoje de uma síndrome de Estocolmo. Para quem não sabe, é um famoso sequestro da década de 70 na Suécia, em que os sequestrados ganharam uma simpatia enorme pelos sequestradores.
E o fato é que a direita não diretamente ligada aos bolsonaristas raiz é uma direita hoje que foi sequestrada pelo bolsonarismo. Sequestrada de tal modo que não é capaz de fazer uma crítica forte a Bolsonaro. E não é só agora, Natuza. Nos últimos quatro anos, essa direita não conseguiu se separar. E acho que, portanto, esse episódio do Flávio Bolsonaro mostra como o sequestro foi muito forte.
Por que ocorreu esse sequestro, essa síndrome de Estocolmo? Primeiro porque Bolsonaro, na verdade, foi o primeiro, desde a redemocratização, a dizer claramente que era de direita ganhar apoio popular e ganhar a eleição. A direita brasileira sempre foi muito envergonhada, sobretudo no plano nacional.
E Bolsonaro deu nome aos bois. Com isso, ele ganhou uma liderança política que é efetiva, sobretudo é popular, tem voto. Há uma segunda razão que o bolsonarismo tem um piso muito alto. Piso que vai de 20% a 30%, dependendo do desempenho do candidato do bolsonarismo.
O que significa que mesmo com muita crise, uma direita não bolsonarista dividida não ultrapassa o bolsonarismo, seja ele Flávio ou Jair Bolsonaro. Terceiro, a forma como o bolsonarismo lida com os adversários do seu próprio campo.
Se a gente lembrar os políticos que brigaram com o bolsonarismo, a grande maioria deles, Natuza, está hoje no ostracismo. O bolsonarismo tem um poder de dissuasão a partir das redes sociais que, de fato, nenhum desses candidatos que aparecem agora...
teve coragem de enfrentar. E, por fim, há uma discussão importante em toda a direita, que é o inimigo comum. O inimigo comum é Lula. E o bolsonarismo sempre disse que o único que tinha chances de derrotar Lula era o bolsonarismo.
E essa direita toda acreditou até o fim. Claro, agora com a crise do Flávio Bolsonaro, começa-se a ter alguma visão, digamos, mais crítica. Mas pensando bem, olhando o que aconteceu na semana passada com o Flávio Bolsonaro, as críticas foram muito suaves.
O Zeme entrou no primeiro momento de sola, ele fez uma crítica forte a Flávio Bolsonaro, mas depois ele amenizou. O Ronaldo Caiado já chegou amenizado nesse jogo, nesse game. E aí me vem sempre essa dúvida.
Se você é da direita não bolsonarista, ou se você hoje é da direita não bolsonarista, mas você precisa dos votos bolsonaristas, do eleitor bolsonarista, qual é a melhor estratégia? É você criticar o bolsonarismo ou você não criticar o bolsonarismo e esperar que alguma hecatombe aconteça para ver se você erda os votos?
Eu vou falar, vale para essa direita, mas também vale para uma parte do centro, Natuz. A melhor estratégia seria, há quatro anos, quando acabou a eleição, criar uma raia própria. Mas não tiveram coragem. Todos eles foram nos comícios da Paulista defender o Bolsonaro, a anistia, e tudo que o Jair Bolsonaro pediu, eles fizeram.
Então, agora é tarde. Na minha opinião, agora é muito tarde. Porque construir uma imagem com o eleitor é um processo. O lulismo e o PT construíram a imagem durante anos. O PSDB, no seu auge, não na sua crise atual, construiu durante anos.
Bolsonaro fez campanha durante anos antes de ser candidato a presidente, com quatro anos rodando o país, afora ter passado por vários anos em programas populares da TV, e assim construiu sua imagem. Esses candidatos agora dizerem que estão contra o bolsonarismo é muito difícil.
Por isso eles estão atacando a figura do Flávio especificamente. Mas Flávio é Jair. Não existe uma separação entre os dois. Jair Bolsonaro não vai admitir que seu filho saia humilhado da campanha, destruído da campanha, para apoiar com outro candidato. Se fosse para fazer isso, Natuza tinha apoiado o Tarcísio antes.
Então, acho que a estratégia agora de bater vai ter o troco. Veja, o caso do Zema, o próprio partido dele está criticando o Zema, porque o partido dele, em vários lugares do país, Paraná, por exemplo, tem uma aliança muito forte com o bolsonarismo. Então, há uma dificuldade de sair dessa síndrome de Estocolmo, porque está muito próximo da eleição. Não por acaso, o candidato mais à direita, que critica mais fortemente o Flávio Bolsonaro e o bolsonarismo,
é o candidato do Missão, é o Renan. Ele está criticando de uma forma que nem o PT está fazendo na internet. Uma candidatura presidencial envolve um recall muito alto. Às vezes a pesquisa diz, olha, o recall é baixo, portanto tem chance de crescer. Numa eleição nacional, recall baixo, quase em junho, é muito difícil ganhar a eleição, muito difícil.
Mas Bolsonaro ganhou. O Bolsonaro, na verdade, quando começa a campanha, já tinha um recall maior do que Zema ou Caiado. Porque ele ficou quatro anos fazendo campanha durante o país. Talvez, digamos, a opinião pública não acompanhou isso e depois a gente descobriu com livros escritos sobre isso. Ele estava pelos aeroportos, rodoviárias pelo país, junto a militares, tanto da Polícia Militar contra as Forças Armadas, fazendo comícios em várias cidades do país. Ele fez campanha durante quatro anos.
Esse é um fato importante. Zema não fez campanha durante quatro anos. Caiado, que fez um bom governo em Goiás, não fez campanha durante quatro anos por todo o país. Mesmo Tarcísio, que é o nome mais aceitável, digamos, por uma direita não bolsonarista, não fez campanha e esperava, se fosse candidato, o apoio de quem? Jair Bolsonaro, para o nome dele nacionalizar. Se a gente olhar o Datafolha, esse último Datafolha...
A queda do Flávio Bolsonaro não trouxe o crescimento do Zema, do Caiado e nem do Renan. Essa queda se diluiu um parte um pouquinho para o Lula, mas, na verdade, se transformou em voto de descrédito. Ou seja, se é isso, talvez seja melhor votar em ninguém.
Eu acho que vai ficar até o final assim, uma parte dessas pessoas vai votar no Zema, ou no Caiado, ou em alguém que apareça. Na minha visão, não o suficiente para derrubar Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro está um pouco naquela situação, digamos, que Jair Bolsonaro já teve, de ter um piso tão alto de gente que, mesmo que, lembrando a frase do Trump, se ele matasse alguém na Sétima Avenida em Nova York, mesmo assim ele manteria esse eleitorado. Eu acho que é um piso.
que é a barreira de entrada para esses candidatos da direita não bolsonarista. Para derrubá-la, é preciso fazer campanha por muito tempo e começar a criticar o bolsonarismo no dia seguinte da eleição. E um fato novo nessa história, que tentando entender um cenário de queda mais acentuada de Flávio nas próximas pesquisas...
E a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, como é que você enxerga o nome dela dentro de todas essas confabulações?
Eu não acho impossível que ela seja candidata, mas acho muito difícil. A gente tem que saber que a decisão não está nas pesquisas de opinião. A decisão está em alguém que hoje é preso e se chama Jair Bolsonaro. Acho muito difícil que o Jair Bolsonaro, que já tem um filho exilado, terá outro filho que provavelmente vai perder a eleição em Santa Catarina, vá rifar o terceiro, o 01, porque colocar a Michele é rifá-lo. É óbvio, não estou quer dizer, ele é corrupto.
Não acho que vai fazer isso. E talvez, no fundo, o grande objetivo do patriarca da família seja mostrar que eles são os mais fortes na oposição, levar um segundo turno, e isso tem grande chance de conseguir, perder, mas perder com hegemonia e, quem sabe, em 2030, ele ser o candidato diante de várias pressões. Nós não acreditávamos que haveria algum tipo de anistiamento no Congresso.
Então acho que essa é a aposta maior do patriarca, do Jair Bolsonaro. E colocar a Michele, que não tem boa relação com nenhum dos três filhos do Jair Bolsonaro, é uma guerra em família, e neste caso o bolsonarismo, a família acima de tudo, e o resto abaixo. Esse é o grande lema do bolsonarismo.
E mesmo eles não se entendendo, você enxerga a possibilidade de Michele topar ser a vice de Flávio Bolsonaro? Você enxerga o cálculo de Michele se juntando à chapa de Flávio Bolsonaro?
Eu acho essa decisão mais provável do ponto de vista do Jair Bolsonaro do que ele tirar o Flávio e colocar a Michele. Agora, é uma decisão difícil. É perder uma vaga no Senado. Eu acho muito difícil que Michele perca essa vaga no Tito Federal. Hoje, o Flávio Bolsonaro, eu chamo de candidato ponto e vírgula. A cada escândalo ele responde, mas tem uma vírgula, porque vai continuar.
Então, com esse perfil, isso afeta não só o próprio Flávio Bolsonaro, mas esse eleitorado se torna descrente, na verdade, de alguma candidatura, digamos, de bolsonarismo moderado. Então, me parece que colocar a Michele junto com o Flávio Bolsonaro é contaminá-la.
E isso perde o eleitorado de centro, para usar uma das nomenclaturas, e de uma direita não bolsonarista, pode perder aí uns 8, 10 pontos. O que significa que pode haver segundo turno, mas que fica mais difícil de ganhar o segundo turno do Lula.
Você disse, inclusive, que a relação entre eles não é boa. Michelle foi recentemente questionada sobre a situação do Flávio e ela deu uma resposta assim, ele fala sobre ele, alguma coisa na linha que foi interpretada por muitos como isso não é problema meu, isso é problema dele. Foi um sintoma dessa relação, é bom lembrar esse episódio. Então fala pra gente sobre o caso do Flávio, da campanha do Flávio, se a senhora puder.
A nossa cultura é da Maria Amélia, gente. A nossa cultura é da Filipe Geral. Só comentar um pouco. O Flávio é tão querido. O Flávio tem que perguntar para ele. Claro que podem surgir fatos novos para todos os lados. Mas olhando para o cenário de hoje, me parece que o cenário mais provável é um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Um Flávio Bolsonaro mais desidratado do que há um mês. Um Flávio Bolsonaro mais fraco. O que significa mais chances de Lula ganhar.
E, portanto, talvez o grande sonho mesmo do Jair Bolsonaro é que o filho leve ao segundo turno, mostre a força do bolsonarismo, mas não vença a eleição. Porque quem quer vencer a eleição, quem quer votar a presidência, se chama Jair Bolsonaro. Abrúcio, meu amigo, muito obrigada pela entrevista e bom trabalho para você. Para você também, Natuso. Este episódio usou áudio do jornal Estado de São Paulo.
Este foi o Assunto Podcast Diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelã, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natuzaneri, fico por aqui. Até o próximo assunto.