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A rede criminosa de Vorcaro e o dinheiro para o filme sobre Bolsonaro

15 de maio de 202626min
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Convidada: Camila Bomfim, apresentadora da GloboNews e colunista do g1. Na manhã dessa quinta-feira (14), a Polícia Federal realizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Os agentes prenderam o pai de Daniel, Henrique Moura Vorcaro, acusado de operar uma estrutura criminosa dedicada à vigilância ilegal e intimidação de desafetos. Além dele, mais seis suspeitos foram alvos de mandados de prisão preventiva – entre eles dois agentes da PF. A investigação revela a infiltração da quadrilha na própria corporação e as conexões de Vorcaro com o jogo do bicho e com a milícia no Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi revelado que a PF também apura o destino do dinheiro que o dono do Banco Master colocou para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro – há a suspeita de que tenha sido usado para bancar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde mora há mais de um ano. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Camila Bomfim. A jornalista detalha as conexões criminosas de Vorcaro reveladas pela operação da PF e explica quais são as suspeitas que pairam sobre o dinheiro que liga do dono do Master ao filme.
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  • Operação Compliance ZeroDaniel Vorcaro · Henrique Vorcaro · Operação Compliance Zero · Banco Master · Vigilância ilegal e intimidação · Infiltração na Polícia Federal · Jogo do bicho · Milícia no Rio de Janeiro · A Turma · Os Meninos · Valéria Pereira da Silva · Francisco José Pereira da Silva
  • Financiamento de filme sobre BolsonaroDaniel Vorcaro · Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · Filme "Dark Horse" · Financiamento de filme · Despesas nos EUA
  • Análise de gestão do Banco CentralDaniel Vorcaro · Banco Central · Paulo Souza · Bellini Santana · Supervisão bancária
  • Indícios contra Ciro NogueiraCiro Nogueira · Mesada · Progressistas
  • Caixa e fluxo financeiroDaniel Vorcaro · Entre Investimentos · COAF · Sefer Investimentos · Gold Style · REAG · Lavagem de dinheiro · Método Borcaro de pagamentos
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Nesta semana, o Brasil conheceu mais dois capítulos do caso Master. O primeiro deles, revelado na quarta-feira, implicou a família que lidera o principal movimento político de oposição ao governo federal.

A campanha eleitoral foi sacudida nesta quarta-feira pela revelação de que Flávio Bolsonaro pediu 134 milhões de reais a Daniel Vorcaro, supostamente para concluir um filme sobre o pai. O áudio e as mensagens trocadas mostram a proximidade do senador com um personagem que, até outro dia, ele dizia ser problema de Lula e do PT.

O segundo capítulo veio menos de 24 horas depois da revelação da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Na manhã desta quinta-feira, os agentes da Polícia Federal prenderam o pai do banqueiro Daniel Vorcaro. Henrique Vorcaro é de fato o principal alvo da investigação deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal. Nova fase da compliance zero. Henrique Vorcaro é apontado como um operador do filho.

Esta sexta fase da Operação Compliance Zero revelou a existência de duas estruturas de intimidação e vigilância. Um deles se chama A Turma. É um grupo acusado de ameaçar desafetos de Vorcaro, de obter dados sigilosos do governo e de demandar ações do outro grupo. Este é chamado de Os Meninos, um conjunto de hackers responsáveis por derrubar perfis e invadir sistemas. E mais, a investigação encontrou até infiltração na própria Polícia Federal.

A Polícia Federal prendeu também um agente da ativa da corporação, um hacker e um investigado apontado como bicheiro. Outras três pessoas seguem foragidas. O Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento da delegada federal Valéria Pereira da Silva e impôs medidas cautelares contra o marido dela, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva. Eles são acusados de vazarem informações de investigações para o grupo.

Em paralelo à operação desta quinta-feira, a Polícia Federal entra em jogo também para apurar as relações de Vorcaro com a família Bolsonaro. Em seu blog no G1, a jornalista Andréa Sadi informou que a polícia quer saber o destino do dinheiro que o dono do Banco Master colocou para financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A suspeita é que tenha sido usado para bancar as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-deputado mora há mais de um ano.

Eu não vou tratar isso como pedido de empréstimo, de financiamento, nada. Isso é tomação de grana. Se houve um golpe no golpista, se o dinheiro foi parar no Texas, não foi para financiar só o Eduardo Bolsonaro, não. Porque naquele momento, o Eduardo Bolsonaro estava fazendo uma campanha pelas sanções contra o país. Isso tem que ser investigado.

Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje com Vitor Boedian é... A rede criminosa de Daniel Vorcaro e o dinheiro para o filme de Jair Bolsonaro. Neste episódio, eu converso com Camila Bonfim, jornalista e apresentadora da Globo News e colunista do G1. Sexta-feira, 15 de maio.

Camila, tivemos nessa quinta-feira a sexta fase da Operação Compliance Zero, que revelou um alcance ainda maior da quadrilha chefiada por Daniel Vorcaro, de acordo com as investigações da Polícia Federal, tanto em número de integrantes quanto em capacidade de atuação. Eu quero te pedir para você explicar um pouco como que era essa estrutura da organização criminosa, que pouco a pouco vai sendo...

revelada pela Polícia Federal para promover vigilância, é ilegal, intimidação, atrapalhar as investigações do caso Master e, claro, a operação que traz como principal nome hoje o pai de Daniel Vorcaro. É isso, Vitor, e numa situação muito delicada, porque a operação de hoje basicamente mostra o seguinte, o sicário morreu, a versão oficial da Polícia Federal sobre a morte dele, é que ele deu fim à própria vida.

A Polícia Federal de Minas Gerais concluiu a investigação sobre a morte do Luiz Felipe Mourão, aquele que era conhecido como o sicário, ou seja, o braço direito ali para execuções de determinadas medidas do Daniel Vorcaro. A conclusão é de que, de fato, esse sicário morreu por suicídio.

Mas se ele não está aqui para contar essa história, hoje a Polícia Federal chegou ao grupo que ele comandava. Então, cai o grupo comandado pelo sicário e chega-se, então, a esses dois núcleos principais, que são a turma e os meninos, basicamente. Quem ali buscava informação de forma sigilosa e ilegal, informação dentro de sistema da Polícia Federal.

quem também tinha uma rede de hackers para invadir sistemas e obter até monitoramento de mensagens de e-mail e de celulares, e também quem fazia a parte, assim, no português mais claro, de ameaça de porradaria mesmo, de agressividade física, que inclusive tinha até integrantes do jogo do bicho, segundo as investigações. Então o que a gente vê hoje é...

A rede que, ao mesmo tempo, fazia contra a inteligência, pegava informação de governo, de polícia, para estar um passo à frente da investigação, também era aquela que intimidava e coagia pessoas para atender os interesses de Daniel Vorcaro. E onde é que o pai dele está localizado nesse contexto? Era quem fazia o fluxo financeiro, quem pagava essa rede e se beneficiava dela, porque ela atendia interesses do Daniel Vorcaro, da família do Vorcaro e de aliados do Vorcaro.

Da turma fazia parte Marilson Roseno da Silva, que é policial federal aposentado, também foi preso na terceira fase em março. Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Manuel Rodrigues, que é bicheiro. Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado. E Anderson Vander da Silva Lima, que é policial federal. E do grupo Os Meninos faziam parte Davi Henrique Alves, que era chefe do núcleo hacker, responsável pela condução operacional, identificado também na terceira fase, mas preso nesta fase agora.

Rodrigo Pimenta Campos, operador técnico, um dos hackers também. Vitor Lima, Sede Lammer, operador técnico.

e outro hacker, Icaterine Venâncio Pélez, que era tipo ali um apoio logístico. Sobre essa fase da operação, o que a polícia descobriu com relação ao envolvimento do esquema de Daniel Forcaro com milícias e com o jogo do bicho?

A Polícia Federal descobriu que no núcleo que o Daniel Vorcaro comandava e pagava pessoas como uma organização de funcionários privados para crimes, basicamente tinha, inclusive, um empresário do jogo do bicho. E esse empresário, segundo os relatos de vítimas que foram alvo dessa coação, dessa intimidação que esse núcleo promovia, ele foi presencialmente, num grupo de sete pessoas contando com ele, fazer essa intimidação numa embarcação onde estava uma dessas vítimas.

Esse núcleo que foi pego hoje, ele basicamente intimidava pessoas das mais variadas profissões e dos mais variados interesses do Daniel Vorcaro. Então tinha chefe de cozinha, tinha inclusive a citação que a gente já deu em operações anteriores da intenção de tentar intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal Globo, nosso colega. Cara escroto, diz o Mourão. Daniel Vorcaro responde.

Tinha que colocar gente seguindo esse cara para pegar tudo dele, conforme já confirmado pela polícia, Lauro Jardim, colunista do Globo e da rádio CBN. Mourão, vou fazer isso. Em outra troca de mensagens entre Vorcaro e Mourão, o tema alusivo ao mesmo jornalista se repete. Daniel Vorcaro, esse quero mandar dar um pau nele, quebrar todos os dentes num assalto.

Então esse núcleo era responsável por essa coação criminosa e que envolvia esse potencial de agressividade. E é nesse contexto que está aí o jogo do bicho, a milícia, todo esse movimento que o Daniel Borcaro pagava para chegar junto da pior forma possível e conseguir ou informação, ou favores, ou cobrar algo que já estava planejado, ilegal.

com essas pessoas. E muita gente, obviamente, estava sendo vítima daquilo sem ter nenhum tipo de combinado com Daniel Vorcaro, basicamente porque ele tinha esses capangas, digamos assim, para poder fazer valer alguma vontade que ele tinha ali de momento. Então, é um núcleo muito perigoso e é interessante como é primitivo. Em que sentido?

Ao passo que o Daniel Vorcaro tinha uma atuação muito refinada, sofisticada em termos de invasão de sistema, acesso ilegal a operações, acesso ilegal a investigação, chegando antes mesmo da investigação, sabendo das diligências que estavam por vir, que é uma coisa difícil de rastrear, inclusive mais sofisticada.

Por outro lado, ele também tinha, ao mesmo tempo, uma coação que é mais rastreável e considerada mais primitiva, digamos assim, que é fazer uma coação, chamar um grupo e ir na pessoa que ele tem algum interesse de tirar alguma informação e gerar esse tipo de cena. Por que eu estou falando isso? Porque essa coisa da coação, ela geralmente deixa mais rastro. Há uma série de vítimas citadas na decisão do ministro André Mendonça contando como acontecia essa coação, essa inclusive que eu estou contando aqui do empresário do Jogo do Bicho do Rio de Janeiro.

Aí você mencionou algumas das atividades desses grupos. A gente teve, então, a primeira vez, um envolvimento do esquema de Daniel Vorcaro com o jogo do bicho, com a milícia, mas o mais grave, com integrantes da Polícia Federal. O que se sabe dessas revelações e dessas relações de infiltrados da PF no esquema de Daniel Vorcaro?

O Vitor, isso é gravíssimo, né? A primeira coisa que eu acho que a gente tem que pontuar é que são pessoas isoladas, não a corporação. Isso está muito posto, mas não tira a gravidade de tudo isso. A Polícia Federal, de fato, conseguiu cortar na própria carne, mas ter pelo menos três integrantes da Polícia Federal, ou que estão nativa, ou aposentados, que têm acesso ao...

EPOL, que é o Sistema Interno da Polícia Federal, informando a Daniel Vorcaro quais eram os passos que ainda seriam dados em uma investigação é uma coisa gravíssima e uma inversão da lógica porque hoje, para você pegar alguém, a investigação tem que estar um passo à frente do investigado. O Daniel Vorcaro montou um esquema de máfia tão grande que ele ficava um passo à frente da investigação.

A diferença do que acontecia de vazamento até aqui, até o caso Master, e o que o Daniel Vorcaro fazia é imensa. Antigamente a gente noticiava a operação em que havia obstrução de justiça porque, olha, o investigado ficou sabendo que ia ter operação. Fez um limpa na casa, tirou umas caixas, uns notebooks. O Daniel Vorcaro, ele sabia o que ia acontecer. E dessa forma, com esse acesso totalmente ilegal contra a inteligência, invadindo o sistema de governo para atender interesse dele contra o governo, contra o Estado, ele conseguia...

sair das situações por muito tempo, por muitos anos, com a ajuda de policial federal aposentado, delegado, com a ajuda de agente, com a ajuda de mais uma delegada também, que conseguiam dar para ele uma estrutura que ele acreditava ser o sistema perfeito. Porque imagina, ele tinha blindagem no Banco Central, ele tinha blindagem na Polícia Federal, que podia chegar até ele e prendê-lo, ele tinha blindagem em relação aos seus próprios aliados, que eram ameaçados, coagidos, tinha questão ali de agressão, ou de pelo menos colocar esse medo de que isso acontecesse.

ele acreditava que tinha formado um esquema perfeito. Então, com uma blindagem que não seria alcançada. Ainda bem a polícia alcançou e que também nos mostra algo que eu acho gravíssimo. O que a gente vê esses policiais fazendo? Eles estão cometendo o crime de peculato, que é um nome que a gente fala pouco, mas basicamente é usar o Estado contra o Estado.

É você pegar um servidor público, não atender interesses públicos, passar a atender interesses privados. Então, a inversão da lógica e que coloca o Estado contra ele mesmo em nome de uma pessoa que quer se beneficiar e quer ficar acima da lei. Nesse caso, o Daniel Forcaro. E uma pessoa que tem uma rede de outras tantas ao redor. Então, que dá mais gravidade ainda esse caso. Ainda bem que a Polícia Federal agiu, cortou na própria carne, prendeu esses policiais. Mas é muito grave que um investigado consiga avançar a...

tal ponto de estar à frente da investigação, contando com um policial federal ajudando, invadindo o sistema interno da polícia, que é de altíssima restrição e sigilo, e conseguir ficar tanto tempo fora do radar das autoridades. Ainda bem que esse jogo virou.

Da mesma forma, como você mencionou, algo parecido aconteceu no Banco Central, com diretores lá infiltrados, sendo pagos por Daniel Vorcaro, segundo as investigações. Paulo Souza, que foi diretor de supervisão bancária, e Bellini Santana, eles são funcionários há 28 anos do Banco Central, sempre foram funcionários queridos na casa, há um ambiente de luto, mas ao mesmo tempo de respeito às instituições e à investigação, porque o próprio Banco Central...

Assim que percebeu alguma suspeita em relação a eles, tirou-os dos seus cargos, eles foram afastados em janeiro e já desde então não tem mais acesso ao sistema do Banco Central.

Eu queria fazer um 360 com você, Camila, porque a gente está na sexta fase da operação. Sobre esse ecossistema que foi criado por Daniel Vorcaro, Banco Central, Polícia Federal, a política brasileira, com gente apresentando projetos de lei e emendas para os interesses de Vorcaro, o que a gente já sabe do que a gente chama de tentáculos, mas um ecossistema que está estruturado pelo banqueiro.

Um ecossistema muito amplo. O que a gente já tem até agora? Já chegamos no braço financeiro, que são os próprios sócios do Daniel Vorcário e ele próprio, ainda ali na ação do Master, que praticamente tentou quebrar o FGC para fazer método de negócio. Você tem um esquema de pirâmide cujo prejuízo é pago pelo FGC e não por quem causou prejuízo. Então a frente financeira já foi pega, inclusive o próprio Daniel Vorcário.

A gente tem o braço familiar dele sendo pego hoje, mas começando lá no passado também com o primo, o Felipe Cansado Vorcaro, que já foi alvo da operação, hoje o pai do Vorcaro, alvo da operação. A gente também já tem um núcleo operacional claramente pego, que é o núcleo que hackeava, invadia sistema.

e também ameaçava pessoas. O núcleo político também já começou, porque o Ciro Nogueira foi alvo da última fase da operação. Um eixo político de altíssima relevância, um dos líderes mais importantes do Centrão, presidente de partido, no caso o Progressistas, e que está não só como o primeiro político de uma rede maior que foi atingido pela operação da Polícia Federal,

como também com o caso de suspeita de corrupção na política, ou seja, receber mesada de 300 a 500 mil, que, na verdade, era uma forma de esconder todo o esquema que estava rolando. Então, tem muita coisa que a Polícia Federal já chegou, e é exatamente por isso também que a delação do Daniel Vorcaro está muito frágil em termos de conteúdo, porque o que foi analisado até agora...

não alcança o que a Polícia Federal já descobriu até agora e que já chegou a todos nós em fases da Operação Compliance Zero. Então a gente já tem a Polícia Federal descobrindo o núcleo familiar, núcleo financeiro, núcleo tecnológico, o início de um núcleo político e nada disso estava na proposta da delação do Daniel Vorcaro. Delações, quando elas geram algo mais produtivo para a investigação, elas tendem a...

interromper temporariamente operações para que aquele assunto seja trabalhado, periciado, e aí sim, lá na frente, gere operações. Aqui a gente vê o contrário. As fases da Compliance Zero estão a todo vapor, uma atrás da outra, porque a Polícia Federal já tem o material, a PGR também já tem o material, e aí é muito claro que a investigação está à frente da delação e o Daniel Vorcado está sendo cobrado por essa memória seletiva. Espera um pouquinho que eu já volto para falar com Camila Bonfim.

Camila, então vamos sair um pouco do que foi operação para o que foi apuração nessa semana. Revelações importantes graças ao trabalho do jornalismo profissional, a revelação do Intercept, que trouxe diversos desdobramentos de outras apurações jornalísticas. A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcar para financiar o filme sobre a vida do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Acontece que a...

empresa, produtora do filme e o produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias, agora negam terem recebido um único centavo de Vorkaro. E nessa quinta-feira, a nossa colega André Sadi revelando que a Polícia Federal agora investiga se esse dinheiro, na verdade, não foi para financiar Eduardo Bolsonaro e sua vida lá nos Estados Unidos. O que nós avançamos nessas suspeitas?

É tudo muito grave, né? E são várias frentes. E tem uma questão que é muito importante, que é a seguinte. O Fábio Bolsonaro, que é o personagem dessa notícia, ele basicamente deu sinais trocados, o que dificulta a defesa jurídica dele quando, eventualmente, isso virá uma investigação. E dificulta também...

também a defesa política dele já com essa pré-campanha na rua. A defesa jurídica por quê? Porque, primeiro, ao Intercept, quando ele foi perguntado, antes da matéria sair para todo mundo, se ele tinha pedido dinheiro do Vorcaro para o filme, ele ri, diz que não, chama o repórter do Intercept de militante, ou seja, tenta ofendê-lo, e aí, no sentido profissional, querendo dizer que ele não era alguém que queria apurar, e sim tinha interesses políticos. Então ele faz essa depreciação, esse ataque ao jornalista.

para depois, no fim dessa mesma fala, dizer não, mas é dinheiro privado e tal, você vê ali uma confusão que não agrega. E logo depois ele faz um vídeo dizendo não, não, eu realmente pedi para o Daniel Vurcaro, é dinheiro privado e vamos ter a CPI do Master. Então, de forma objetiva, juridicamente, ele tem duas versões.

De forma política, péssimo para ele, porque mostra insegurança, não demonstra confiança. Ele tentou limitar o debate à questão de ser dinheiro privado, mas nem isso ele sabe, se é mesmo ou não. Primeiro, porque a fonte desse dinheiro, segundo a apuração que a gente tem em Brasília, do Vinícius Cassela, tem uma empresa ligada ao filme, uma empresa intermediária, que diz que recebeu 159 milhões associados à Vorka.

ou seja, de fundos. A origem desse dinheiro, em muitos casos, como a gente viu já na investigação do Márcia, é a origem de dinheiro público. A gente tem fundo de previdência, os aposentados do Rio de Janeiro, no Amapá, tem dinheiro do BRB, que a maior parte tem como acionista o governo do Distrito Federal. Então não dá para cavar.

que é um dinheiro particular e é um dinheiro privado. Então, já começa daí a questão política e isso explica também o desgaste. A segunda questão, o que se fala na política que é uma máxima, é você não mente para o seu advogado e você também não mente para o seu QG político e para os seus aliados.

Como os aliados, principalmente do PL, do partido do Flávio, não sabiam o que estava acontecendo, já vieram, inclusive, publicamente dizer ó, a gente não sabe, ou ele não fez da forma correta, ou ele deveria ter falado para a gente. Então, ele pegou todo o entorno dele de surpresa, esse entorno está...

colocando essa sustentabilidade de apoio também às claras, que foi um grande problema. O QG da campanha não tem como se defender direito porque é uma coisa que eles estão fazendo no improviso, dada a diferença de versões. Então, politicamente, ele perde muito. Juridicamente, ele está com duas versões. E agora tem uma série de frentes de perguntas.

E toda vez que a gente tem dúvida, a gente nunca tem dúvida se algo foi feito da maneira certa. A gente tem dúvida se foi feito da maneira errada. A nebulosidade nunca é para deixar algo assim positivo. Os parlamentares do PL nos bastidores também ficaram muito incomodados com o que aconteceu. Por exemplo, o deputado Alberto Fraga, ele disse que Flávio Bolsonaro errou ao não avisar a bancada do partido.

sobre essa relação com Daniel Vorcaro. Teve uma reunião com integrantes do PL e com o senador Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, que é senador e também é coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, ele cobrou transparência e disse que ao menos os mais próximos deveriam saber dessa relação com Daniel Vorcaro. Então, por exemplo, a dúvida é, como a André Sagi estava falando, esse dinheiro foi para bancar o Eduardo Bolsonaro? Porque é um dinheiro de uma margem muito maior do que filmes hollywoodianos que foram indicados ao Oscar.

que venceram o Oscar. Então, a gente está falando de mais de 100 milhões, que o Vorcaro teria repassado pelo menos mais de 60 milhões, e isso é duas, três, quatro, cinco vezes maior do que várias produções internacionais de filmes conhecidíssimos, de elenco, assim, de primeira linha. Então, tem que explicar por que essa diferença. Sem contar a diferença em relação aos filmes brasileiros que estão aí na vitrine internacional, como ainda estou aqui, por exemplo.

E a segunda questão é, esse dinheiro todo, a maior, foi para Eduardo Bolsonaro? Foi algum tipo de dinheiro que pode ir para a campanha do Flávio Bolsonaro? É algum tipo de margem que vai ser usada de que forma? Ele consegue explicar por que o filme de Jair Bolsonaro tem que ter tanto dinheiro a mais do que a média? Que tipo de tecnologia, que tipo de história, que tipo de alcance bancaria esse dinheiro? Tem emenda também do Mário Frias, que é um dos chefes, digamos assim, da cúpula do filme.

que é dinheiro de emenda para uma ONG ligada ao filme de Bolsonaro, que tem que explicar por que esse dinheiro público está indo para lá, qual seria o ganho público com isso, porque dinheiro de emenda é um dinheiro que você tem que explicar, você tem que justificar para você poder usar. O que é essa produção, o que é esse dinheiro, o que é essa relação?

Na produção executiva do tal do Dark Horse estão a empresária Karina Ferreira e o deputado federal super aliado dos Bolsonaros, Mário Frias, ele que já foi ator e secretário de Cultura no governo Bolsonaro. Karina, além de produzir a cinebiografia de Bolsonaro, ela é sócia da Go Up e presidente de um instituto.

Conhecer Brasil. Então, a Goa é uma produtora e o Instituto Conhecer Brasil é um outro braço que ela tem, mas que precisa ter os dois aí em mente para entender, porque é tudo que nem mundo vorcaro, tudo ali misturado. O nome de Mário Frias também aparece ligado a essa ONG dela, porque o deputado destinou uma emenda de dois milhões de reais para esse instituto, presidido por Carina. O Supremo Tribunal Federal tenta, há mais de um mês,

intimar o deputado do PL para que ele preste informações sobre possíveis irregularidades na execução dessas emendas que ele mandou para o Instituto Conhecer Brasil. Então tem uma série de dúvidas de frentes, possivelmente ilegais, que o Flávio tem que explicar. Como ele não explicou, o mundo político está colocando em jogo isso e essas dúvidas vão minando a credibilidade dele.

Sabe o Siga, o dinheiro, follow the money? Então, é com isso que a Polícia Federal trabalha neste momento, seguir o fluxo desse dinheiro. O órgão do Ministério da Fazenda, responsável por combater crimes financeiros, identificou que a empresa Entre Investimentos recebeu 160 milhões de reais de fundos ligados ao Banco Master. A empresa foi a intermediária nos repasses de Forcaro para o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A informação está em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o COAF, sobre empresas ligadas ao Banco Master e que tiveram algum tipo de relação com a entre investimentos e participações. Quase 140 milhões de reais veio da Sefer Investimentos, alvo na segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro, por ter relações com o Vorcaro.

Outros 20 milhões de reais, de acordo com os dados, vieram do fundo Gold Style, administrado pela REAG, também ligada a Daniel Vorcaro. Esse fundo movimentou quase um bilhão de reais de empresas apontadas pela Polícia Federal como parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro. A entre é considerada pelos investigadores da Polícia Federal uma peça fundamental na engrenagem financeira montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre as origens desses fundos, a gente tem a REAG, empresa que já foi também alvo de outras operações, até mesmo por ter fundos ligados à gestão do primeiro comando da capital. Como é que isso se relaciona? Olha, ainda não está claro na investigação, mas o fato de conseguir pelo menos fazer o caminho do dinheiro, saber que ele passa por alguns fundos, reforça suspeitas. Por exemplo, a REAG era a grande gestora dos fundos do caso Master e tem o Mansur como um dos seus principais investigados. O Mansur...

ele aparece junto com o Daniel Vorcaro nas maiores e principais e mais valorosas operações do Caso Master. Então, estou falando de fundos, de compra e venda de fundos, de compra e venda de ações do BRB. Então, os grandes saltos de negócios bilionários...

tem ali na assinatura de sociedade ou o Daniel Vorcaro, ou o Mansur, ou outros aliados também. Então isso só reforça que esse dinheiro, pelo menos no caminho dele, ele tem ali o rastro dos maiores negócios e dos principais investigados no caso Mastri. As mensagens da matéria do Intercept Brasil mencionam a negociação para o envio de recursos do Daniel Vorcaro e da Entre Investimentos.

para uma conta do advogado do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, advogado de imigração. Esse dinheiro foi para o Eduardo Bolsonaro ou não foi? Não foi, Malu. Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção deste filme, eles foram utilizados intelectualmente.

Oi? De qual fundo? O Heaven Gate? Não sei exatamente qual é o nome do fundo. Esse fundo está no nome do advogado do Eduardo Bolsonaro, advogado de imigração. Ele vai para o fundo. Esse dinheiro é integralmente utilizado para fazer o filme. Qual é a participação do Eduardo? Ele também é captador no filme? Não, não tem jeito. O advogado, ele é advogado e é gestor do fundo também.

Mas ele pagava a Go Up, é isso? Qual é a necessidade? Os detalhes, olha só, a minha participação nisso, mano, foi buscar investidores. O que tem que esclarecer? Por que esse dinheiro foi pago dessa forma com intermediários? Qual é a origem dele de uma forma muito clara? A origem é o definidor, se tem crime ou não.

E por que se fez, mais uma vez, o método Borcaro de pagamentos? Que é um dinheiro que anda meio torto. Em vez de A para B, ele vai para A, A1, A2, A3, A10, até chegar em B. A gente já sabe, desde o início da operação, que o Daniel Borcaro tem esse método de pagamentos para dificultar rastreamento.

Até para comprar ações do BRB, ele usava esse tipo de método. Então, o que a gente tem que saber nesse caso específico do filme é se também foi para dificultar rastreamento e por que ele quer dificultar rastreamento. O que se está tentando esconder na origem do dinheiro e no caminho desse dinheiro, principalmente no valor. Porque ele chegou a dizer, os aliados chegaram a dizer também, que pode haver outras fontes de financiamento. Então, a gente tem que saber exatamente o tamanho disso.

Camila Bonfim, é muito bom contar com o seu poder de síntese e a sua clareza mental aqui para conseguir explicar tudo isso que está vindo aos montes aqui de informação, de revelação sobre os esquemas do caso Master. Muito obrigado e um grande trabalho para você. Obrigada, Vitor. Muito bom estar com vocês.

Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelã, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stephanie Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Vitor Boiadian e fico por aqui até o próximo Assunto.

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