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A tragédia humanitária no Líbano e o cessar-fogo com Israel

17 de abril de 202637min
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Convidados: Gabriel Chaim, fotógrafo, cinegrafista independente e correspondente de guerra, e Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo. O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo costurado entre os líderes de Líbano e Israel. Durante dez dias não haverá ataques – o grupo extremista Hezbollah, que não integrou as negociações, confirmou que irá suspender os bombardeios, com a condição de que Israel também interrompa sua ofensiva. É um alívio para a população libanesa: desde o início de março, os ataques israelenses já mataram mais de 2 mil pessoas e deixaram milhares de feridos; 1 milhão de pessoas abandonaram suas casas e os serviços essenciais, como os hospitais, estão colapsando. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados. Primeiro, ela conversa com Gabriel Chain, correspondente de guerra que está em Beirute. Ele conta a história por trás da foto da menina de 7 anos enfaixada e ensanguentada que chamou a atenção de todo o mundo e relata o clima que se espalhou pelo país durante o conflito. Depois, Natuza conversa com Guga Chacra para analisar a viabilidade real do cessar-fogo e explicar a intrincada política libanesa, que coloca em lados opostos o governo central e o Hezbollah.
Participantes neste episódio3
N

Natuza Nery

HostJornalista
G

Gabriel Chaim

ConvidadoFotógrafo e correspondente de guerra
G

Guga Chacra

ConvidadoComentarista
Assuntos2
  • Conflito Irã-EUAAcordo de cessar-fogo · Pressão americana · Reação do Hezbollah
  • Justificativas da GuerraExperiência de Gabriel Chaim · Desafios da imprensa
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Durante os próximos 10 dias, não haverá ataques ao Líbano. Esse é o acordo que o presidente americano Donald Trump costurou com líderes do Líbano e de Israel. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nas redes sociais um acordo costurado após conversas diretas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente do Líbano, Joseph Aoun. Com intermediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio,

se encontraram no Departamento de Estado os embaixadores de Israel e Líbano. Os dois governos têm um inimigo em comum, o grupo terrorista Hezbollah. A promessa traz um alívio para a população libanesa. Desde o início da ofensiva israelense, no dia 2 de março, os ataques já mataram mais de duas mil pessoas e deixaram milhares de feridos. Beirute, a capital, virou alvo de bombas e mísseis. Até mesmo em áreas civis.

As forças israelenses informaram que fizeram um maior bombardeio no Líbano desde o início da guerra. Mais de 100 alvos ligados ao Hezbollah foram atingidos num intervalo de 10 minutos em todo o país, inclusive na capital Beirute.

Na cidade de Tiro, no sul do país, uma explosão foi registrada depois de alertas de retirada dos moradores emitidos por Israel.

Na fronteira entre Israel e Líbano, novas explosões e nuvens de fumaça subindo pelo céu. Durante todos esses dias, mais de um milhão de libaneses já deixaram as suas casas. A população convive com um colapso de serviços essenciais. E até mesmo hospitais estão ficando sem suprimentos básicos.

Eu já passei por várias guerras aqui, mas essa é a pior. Todo lugar está em risco, eles não têm lugar específico, está no país inteiro. Resultado de uma guerra que os libaneses não começaram. Eles foram tragados para dentro do conflito entre Israel e Irã e também pelo Hezbollah, o grupo extremista que é aliado do regime iraniano e que não responde pelo governo do país.

Um porta-voz do Hezbollah disse que a trégua não deve permitir que Israel tenha liberdade de movimentação dentro do Líbano e que a presença do exército israelense no sul do país dá ao Líbano e ao povo libanês o direito de resistir. Benjamin Netanyahu diz que não vai retirar as tropas.

Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é a tragédia humanitária no Líbano, o Hezbollah e o cessar fogo com Israel. Neste episódio, eu converso com Gabriel Chaim, fotógrafo, cinegrafista independente e correspondente de guerra. Chaim fala diretamente de Beirute. E com Guga Chakra, comentarista da Globo, da Globo News e da CBN e colunista do jornal O Globo. Sexta-feira, 17 de abril.

Chaim, eu estou vendo na tua imagem, de noite, você estar numa espécie de terraço, atrás de você, às luzes de uma cidade. Onde é que você está? Em Beirute, agora no bairro de Acharafie, que é um bairro cristão aqui da capital libanesa. Um terraço e um apartamento é o terraço. Sempre alugo esse lugar, esse lugar todas as vezes que eu volto ao Líbano, por conta do terraço. Essa paisagem atrás de mim, que é o Monte Líbano.

Agora vocês não conseguem ver direito, eu acho, mas é uma paisagem linda. Na quarta-feira passada, no dia 8 de abril, Israel promoveu o maior ataque de todos ao Líbano, isso nos últimos dois anos. Era o dia seguinte ao anúncio de cessar-fogo entre israelenses e iranianos.

Pois bem, durante o velório de um homem que é apontado como sendo um integrante do Hezbollah, houve mais um ataque. E aí muita gente civil foi atingida. Inclusive a mulher desse integrante, as filhas desse integrante. Uma das crianças morreu e Aline, uma menina de sete anos, sobreviveu.

Você foi ao hospital onde ela estava, conversou com um médico que a atendia e também falou com a própria Aline. O que você ouviu? A Aline, a casa dela foi bombardeada, aconteceu aquele grande ataque jahelense em todo o Líbano, que foram mais de 160 mísseis em 10 minutos. Aproximadamente 360 pessoas perdendo suas vidas durante esse ataque.

Mas a família dela foi uma das vítimas. E elas, na casa dela, dessa família, ao sul do Líbano, eles receberam um bombardeio que matou a tia, o tio, a irmãzinha de três anos de idade e a mãe dela que está hospitalizada em estado grave, no mesmo hospital do que a Aline. A menina...

Ela não sabe do que aconteceu. Eu acho importante isso, porque as pessoas geralmente elas veem aquele profissional que está trabalhando no mar em conflito. Até como a nossa profissão, os médicos e tantos outros profissionais que atuam nesse tipo de situação.

As pessoas nos veem como uma máquina, talvez sem muitos sentimentos, mas são muitas as imagens que acabam nos caçando, nos perseguindo para o resto da vida. Uma das perguntas que eu fiz ao médico foi como é que ele consegue lidar. Eu perguntei primeiramente se ele tinha família, ele disse que sim, uma esposa, uma menina recém-nascida e um filho de 4 anos.

E eu perguntei como é que ele consegue lidar com essa questão de estar num hospital de fronte, porque o hospital dele fica na cidade de Tiro, no sul, e é uma cidade que faz parte dos bombardeios israelenses. É uma cidade praticamente de fronte, que acontece bombardeios todos os dias. Os ataques israelenses de quarta-feira causaram mais de 300 mortes no balanço mais recente.

A ofensiva continuou em várias cidades do sul do Líbano, incluindo áreas próximas à cidade de Tiro. Os bombardeios atingiram um prédio do governo em Nabatie e mataram 13 membros da agência de segurança.

Quando ele recebe crianças, ele automaticamente lembra das suas próprias crianças e tal, dos seus filhos. E ele ficou muito emocionado nesse momento, porque é uma situação bem complicada para poder criar esse muro que separa a sua própria realidade da realidade das outras pessoas que você acaba estando conectado naquele momento, que pode durar segundos, minutos ou uma hora.

É impossível não se enxergar numa tragédia como essa. E tem nome para isso, né, Chaim? O nome é empatia. Eu imagino que essa conversa com o médico tenha te marcado e ele tenha te levado a conversar com a Aline. Você falou com ela. Ela é uma menina que pode ficar órfã, né? Se a mãe vier a morrer. E eu queria muito que você nos contasse o que você ouviu dela.

Eu te digo, Natuza, já cobri muito a questão de crianças e situação em guerras e crianças em hospitais. Eu acho que é importante, quando vai conversar com uma criança, para se conversar sobre tudo, menos sobre o que ela passou. Mas o médico acabou fazendo uma pergunta para ela, sem que eu tenha feito essa pergunta ao médico, mas perguntando o que ela lembra. Ela lembra de fumaça, ela lembra...

de alguém estar carregando ela no colo e só isso. Daí a gente mudou o assunto e eu perguntei o que ela gostava de fazer, o que ela estava fazendo. Ela estava com o celular mexendo nos reels, na internet. Logo depois foi a hora que eu perguntei para o médico, somente para ele, claro, se ela sabia de alguma coisa. E perguntei para ele se ela sabia da história da família dela. Ele falou que não, que ela não sabia. Tinha um tio com ela no hospital, a acompanhando. Agora é importante frisar uma coisa, Natuza. Tchau.

O pai dela pertencia ao resbolar. Para mim, pouco importa, porque eu acho que quando se fala de vidas de civis, principalmente de criança, ela teve a irmã dela de três anos morta. A irmã dela é uma vida que foi perdida, assim, em um segundo.

As crianças não têm culpa nem podem ser punidas pelos erros de um pai, né? Absolutamente. A agência da ONU, gente, para a infância, o Unicef, relatou que quase 600 crianças foram mortas ou feridas no Líbano nos ataques de Israel do início de março para cá. 600 crianças. Israel vem dizendo que os alvos são infraestruturas do grupo extremista Hezbollah.

Hoje a gente vê as guerras acontecendo, principalmente aqui no Oriente Médio. Eu acho que depois de Gaza, o que aconteceu em Gaza, esse banimento da imprensa internacional de mostrar o que está acontecendo em Gaza, evidentemente tem a imprensa local mostrando 24 horas por dia o que acontece. Mas a gente está no Líbano e o Líbano não é Gaza. Aqui a imprensa está livre para trabalhar.

A gente tem imprensa de todo mundo, vários veículos de comunicação grandes, do mundo inteiro aqui atuando hoje no Líbano. Então, o que se faz aqui, vai ter alguém que vai estar fazendo essa cobertura. Então, crimes, vai ter um jornalista cobrindo isso.

todos os dias. Então, aquele método que foi usado em Gaza não vai ficar escondido ou não vai ter alguém de algum veículo de comunicação sério fazendo essa cobertura, porque vai, assim, vai. Aqui está todo mundo focado nisso. E essa tática que foi usada lá e que está sendo usada aqui, de certa forma, ela não vai ficar impune. Não pode ficar impune. Não tem que ficar.

Eu digo de alguém que faz cobertura de guerra há quase 15 anos, que já cobriu guerra em vários locais do mundo, guerras que quase me tirou a vida, desde homens, bombas que se explodiram na minha frente, de bombas que quase tiraram a minha vida, de tiros e tudo isso. E eu digo, eu nunca vi nada em outras guerras.

do que acontece aqui hoje. Assim, a gente está falando de um alvo, como o Israel chama, terroristas do Hezbollah. Israel, evidentemente, eles têm o direito de se defender. A gente não pode esquecer também que o norte de Israel é atacado, pessoas estão sem morar nas suas casas, perderam suas casas, como também o Líbano acontece isso. Mas não é certo que você destrua um quarteirão para matar uma pessoa.

Como se todo mundo que morasse nesse quarteirão tivesse sido julgado e condenado à morte em 30 segundos, que é o tempo que um míssel sai de um caça militar e atinge o solo. Esse é o tempo de condenação que Israel dá para os seus inimigos, mas que não são somente os seus inimigos, são pessoas que moram naquele bairro. Eu presenciei isso agora na quarta-feira passada.

Eu quero que você me leve para esse dia, que é o dia 8 de abril, na quarta-feira passada. O que você viu?

Eu não ia trabalhar esse dia. Aí eu chegando aqui próximo do apartamento que eu moro, eu comecei a escutar consecutivas explosões. Assim, uma explosão aqui, uma ali, tudo bem. Eles estão bombardeando Daria, que é o bairro, o reduto do Rezbolá, o bairro Chiita. Vinha sendo bombardeado diariamente, várias vezes por dia. E a gente não tem acesso a lá, não tem acesso a esse bairro, porque o Rezbolá não deixa a imprensa internacional adentrar nessa localidade. Então, tipo, se explodisse uma bomba...

Eu, mesmo querendo ir, eu já sabia que eu não poderia ir porque não tenho acesso. Aí eu comecei a escutar. E não foi só uma explosão, foram dezenas de explosões consecutivas. Aí eu pensei, isso não é Dária mais, isso não está certo. E algumas explosões foram muito próximas.

Aí eu já peguei o celular, comecei a ver e eu percebi que estava rolando alguma coisa diferente. Eu já contactei o produtor local, o Ralf, e falei, o que está rolando? Ele falou, eu só estou escutando as explosões, mas eu também não sei. Mas logo depois de alguns minutos, já começou a sair as notícias nas mídias sociais, lugares que estavam sendo bombardeados. E um desses lugares era um lugar que não era tão longe daqui. Para você entender o que eu vou falar logo após, é preciso você entender uma coisa antes sobre a cobertura aqui em Beirute.

No Líbano em geral. A gente não pode, como imprensa internacional, depois que acontece um bombardeio, ir para o local imediatamente. Não pode. O Hezbollah não deixa. São vários colegas que eu tenho da imprensa internacional que foram brutalmente espancados pelos apoiadores do Hezbollah que moram naquelas localidades. Porque...

Eles acabaram de perder tudo que eles têm. Chega um cara estrangeiro com uma câmera, eles já pensam que é alguém passando informação para Israel, que é por isso que eles bombardearam. Isso acontece muito aqui, aconteceu várias vezes, com vários colegas da imprensa internacional. Eu posso dizer alguma coisa? Não posso. Os caras acabaram de perder toda a casa, o seu quarteirão, tudo que eles tinham, familiares.

Eles têm aquela emoção, está à flor da pele, e eu preciso respeitar. Então, é uma regra que nós temos entre a imprensa internacional aqui de não seguir esses bombardeios logo após. Então, a gente sempre espera, tipo, uma hora. A gente tem que pedir autorização para alguém... A gente está falando de Beirute, controlada pelo governo libanês. A gente tem que pedir autorização para alguém do Hezbollah, que está lá naquela localidade.

Que provavelmente quem tem contato é o teu guia, né? Vocês jornalistas sempre contam com alguém local que os guiam, né? Que a gente chama tecnicamente de fixer. Sempre ele que entra em contato, ele manda já o nome do veículo de comunicação, o meu nome, passaporte e, claro, as cópias dos documentos oficiais que nós pegamos aqui para trabalhar como jornalistas aqui. O Ministério da Informação, do Exército Libanês e da Inteligência, que chama Muhabarat. Em árabe, Muhabarat, mas é a Inteligência.

Então ele manda já essa sequência de documentos via WhatsApp pra esse cara local do Hezbollah, que vai falar tá ok, vocês podem vir pra cá. Então, em outras guerras, Síria, Ucrânia, acontecia um bombardeio, a gente corria pro lugar. Com fogo, as pessoas fugindo, a gente tava lá. Mas é que não dá pra fazer isso. É impossível, impossível. Então...

Quando aconteceu esse nessa quarta-feira, eu tive esse gap pra poder esperar, entender o que tava acontecendo, mas a gente teve esse momento de espera, de uma hora, uma hora e pouquinho, pra poder chegar até o local. Eu fui um dos primeiros a chegar, porque eu tava próximo. Eu vou te confessar uma coisa, por ser brasileiro, Natuza, isso ajuda muito. A gente tem a maior população libanesa fora do Líbano no Brasil, então...

É muito normal que você vá conversar com um libanês e ele conheça alguém que mora no Brasil, ou ele tem um parente que mora no Brasil, ou ele tem um amigo que mora no Brasil, ou ele já morou no Brasil. Isso te dá um pouco mais de acesso. Isso nos aproxima muito aos libaneses. E por conta disso ajuda bastante. Eu digo bastante. Tenho colegas de grandes jornais, mas que têm a nacionalidade americana, europeia, que não têm o mesmo acesso do que eu tenho.

Mas talvez eles cheguem, eles conversem, as pessoas vejam, assim, aí já muda um pouco. Mas aquele primeiro contato, quando eu digo que sou brasileiro, isso já abre várias portas. Vou ser bem sincero em relação a isso. Isso é um relato muito comum de correspondentes de guerra que eu já entrevistei, amigos que já cobriram guerras, falando o fato do Brasil ser uma espécie de soft power, né? E como isso acaba contribuindo com as coberturas. Agora, depois que você dá esse tempo, que o seu fixer...

Consegue autorização para você entrar na área que foi atingida, uma área dominada pelo Hezbollah. O que você vê? A área não era uma área controlada pelo Hezbollah, mas tinha Hezbollah lá naquela região, naquele prédio que foi atingido.

Como é que você sabe? Eles estavam armados? Isso é uma coisa muito interessante. Eu jamais vi uma arma aqui. Eu jamais vi uma arma aqui. Já encontrei com vários caras do Hezbollah. Talvez não sejam os combatentes, mas que fazem parte da organização, dessa mesma organização. Mas eu nunca vi uma Kalashnikov na mão de ninguém.

E como é que você sabe que eles são do Hezbollah? A gente sabe, o fixer sabe quem é Hezbollah e quem não é. Geralmente, os lugares que a gente vai, já tem alguém do Hezbollah nos esperando, esperando a imprensa. Pra falar, olha, você pode gravar aqui, você não pode gravar ali. Agora você para de gravar, agora você tem que ir embora.

Basicamente é assim. Quando eu cheguei lá nesse bairro de Maezer, estava um caos. Fumaça, fogo, muita gente pelas calçadas, pessoas que tinham acabado de fugir. Um bairro muito residencial, mas com muita gente morando, que eram vários prédios na mesma área. Prédios altos, de 10 andares, 8 andares. Então, esse ataque aéreo de Israel foi num prédio que ficava no meio desses 8 prédios, 7, 8 prédios que ficavam em volta.

A onda dessa explosão afetando todos os prédios à volta. Então ali era um cenário apocalíptico. Ali era uma área comercial, então muitas lojas próximas. Então tinham muitos carros ali. Então a cena apocalíptica daqueles carros tipo carbonizados, virados de ponta cabeça, todos amontoados, os bombeiros tentando entrar num buraco causado por alguma explosão.

para ver se tinha alguém ainda com vida. Eu tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas. O que elas te disseram? O que elas falam sobre esses ataques? É muito importante isso porque esse foi um dos primeiros ataques que Israel fez aqui no Líbano, em grande escala, que não teve essas mensagens.

de evacuação. Porque Israel vem soltando algumas mensagens de evacuação para determinadas localidades, tipo, eles querem bombardear um determinado prédio. Então, eles mandam uma mensagem, geralmente pelo X, o antigo Twitter, eles mandam uma mensagem, tem um porta-voz israelense que fala árabe fluentemente. Então, ele é o responsável por publicar essas mensagens, essas ordens de evacuação.

Então eles mandam essas horas de evacuação com o mapa do local que eles vão bombardear. Esse prédio está em vermelho e pedindo para que a população deixe essa localidade assim por 500 metros. Pode ser até mais. Geralmente 500 metros. Então esse ataque dessa quarta-feira foram 160 ataques sem nenhum tipo de ordem de evacuação. Então as pessoas na Atuzia, elas estavam almoçando. Era o horário do almoço. Elas estavam almoçando em suas casas. E aconteceu esse ataque. Imagina.

160 ataques de mísseis em 10 minutos, em bairros completamente lotados de pessoas, em seus apartamentos. Então foi um choque para todo mundo isso, porque todo mundo sabe que está em guerra, mas todo mundo espera que vá acontecer uma ordem de evacuação, que eles vão deixar suas casas, ou que aquele lugar, aquele bairro não é o reduto do Hezbollah, então eles estão tranquilos.

Não tem problema, eles vão continuar. Como eu estou morando aqui agora nesse local, que é um bairro cristão, mas eu recebi uma bomba agora, do nada. Porque talvez eu não sei quem está morando aqui no andar de baixo. Talvez seja um cara do Hezbollah que esteja morando aqui no andar de baixo, que seja altamente procurado por Israel. E Israel não vai pensar duas vezes antes de atingir esse cara, se for um big fish, né? Que é um cara que eles não podem perder.

Um alvo muito importante. Um alvo muito importante, que eles não podem perder, eles não vão mandar recado de evacuação, como foi o caso do Nassaralá, entre tantos outros. Eles preferem, tipo, tirar vidas de todo mundo que mora nesse prédio, até nesse quarteirão, para eliminar uma pessoa que, para eles, é extremamente importante.

E sobre o cessar fogo, o que a população, as pessoas com quem você conversa, o que elas dizem? Eu estava conversando com as pessoas que moram, esses deslocados que moram nessas barracas, que vieram desse bairro Reduto do Resbolá, aqui em Beirute, que é o bairro...

de Darya, o Israel pediu a evacuação do bairro inteiro, então todo mundo que morava ali, hoje mora espalhado pelo país, mas uma boa parte em barracas pela cidade, pela capital libanesa. E eu fui conversar com algumas pessoas hoje, perguntar justamente o que eles acham desse...

cessar fogo aqui no Líbano. Assim, todo mundo está meio desconfiado que vai acontecer realmente se cessar fogo, porque o que eles falam é que o governo libanês foi fazer um acordo com Israel, mas a guerra não é contra o governo libanês, a guerra é contra o Hezbollah, e o Hezbollah não teve voz ativa alguma nesse acordo de cessar fogo. Então, como é que pode o grupo que está em guerra com outro país...

não ter voz ativa nesse acordo. Foi o que eles me relataram. Então, basicamente, é isso.

Bom, a gente sabe que o Líbano é uma sociedade complexa, dividida entre sunitas, xiitas, cristãos, por exemplo. Como é que essas fatias da população enxergam o Hezbollah? Evidentemente, eu não posso generalizar, mas pelo que eu pude coletar de informação durante as minhas gravações e se eu puder fazer uma comparação com 2024, que como eu estava aqui também, a gente gravou um documentário na Globo News. E isso...

Se fizer uma comparação de 2024 para agora, para essa guerra de agora de 2026, eu acho que o grupo resbolar está muito menos popular do que ele era antes. Inclusive em meio à própria comunidade xiita. Não que eles não deixaram de gostar.

dessa ideologia do Hezbollah. Tem um ponto importante, argumentando com alguns chiitas, perguntando, mas o que te faz gostar tanto do Hezbollah? Não foi só uma pessoa, mas várias pessoas, eles me falaram assim, nós, chiitas, a gente vive em meio ao perigo. O grupo Hezbollah é o único grupo que nos defende como comunidade chiita.

Então, eles falam muito sobre isso, mas o que eu percebi, principalmente com a câmera desligada, é que esse fascínio todo pelo Hezbollah diminuiu muito por conta dessa dificuldade de vida aqui no Líbano agora. As pessoas querem somente sobreviver, viver, terem suas vidas normais. Todo mundo está muito cansado de guerra, muito cansado.

Isso de um lado do cheito. Agora, se eu for pra comunidade cristã, aí já é uma maioria que publicamente hoje, Natuza, eu digo publicamente porque eu consegui captar isso em câmera. Coisa que eu nunca consegui fazer, que eu não consegui fazer da vez passada. Eu consegui captar em câmera as pessoas criticando publicamente o Hezbollah. Culpando o Hezbollah por essa guerra. Assim, literalmente, culpando o Hezbollah por essa guerra.

Para a gente terminar, por que você continua cobrindo guerra? Eu acho que essa pergunta surgiu na cabeça de muita gente que nos ouve neste momento. Porque você claramente diz que as imagens de uma tragédia como essa e como tantas outras que você já testemunhou, elas nunca mais vão sair da sua cabeça. O que te faz continuar?

Bom, eu acho que o que me faz continuar cobrindo guerra, colocando minha vida em risco, eu acho que... Eu tenho até uma tatuagem aqui dizendo que se eu não for, ninguém sabe. Eu acho que é importante, Natuza, as pessoas, profissionais da imprensa, contarem sobre histórias que eles tentam nos esconder. Assim, histórias de vida que são apagadas.

por conta de conflitos ao redor do mundo. Eu acho que essas histórias mostram realmente que o mundo não é tão colorido como a gente pensa. Eu acho que quando a gente começa a pensar mais profundamente sobre a natureza do ser humano, a essência do ser humano, eu acho que a gente começa a descobrir realmente que o mundo não é...

Não é assim como a gente vê nas mídias, nas redes sociais. Essas pessoas aqui agora, as pessoas que vivem em zonas de conflito, acabam vivendo em um mundo paralelo, esquecido pela maioria das pessoas que vivem suas vidas normais.

Porque é muito complexo quando você realmente quer entender sobre a profundeza do ser humano. Quando você vai querer entender isso, entender principalmente o motivo de muita coisa estar acontecendo, eu acho que acaba sendo complexo. Então as pessoas acabam tentando ter um pensamento bem raso em relação à vida humana.

Quando a gente abre os olhos pra esse tipo de situação e vê realmente a vida verdadeira correndo em frente aos nossos olhos, isso traz um despertar, assim, que eu não sei te descrever como seria, assim, mas eu acho que é isso, eu acho que é contar histórias sobre vidas que estão sendo caladas, de certa forma.

E no meio de tudo isso, no meio de tanta morte, Shain, a sua tatuagem, ela diz tudo. Se eu não for, ninguém sabe. Eu tenho uma tatuagem aqui dizendo nobody goes, nobody knows. Eu fiz depois que eu fui preso pela Turquia, enviado à prisão e tal, quando eu estava cobrindo a guerra da Síria. Quando eu saí da prisão, eu fiz essa tatuagem, nobody goes, nobody knows.

Eu te agradeço imensamente por você ter topado contar um pouco da história do que você testemunha. Muito obrigada, Shain. Muito obrigada pelo seu jornalismo e muito obrigada por parar um tempinho para conversar com a gente.

Obrigado eu, Natuza. É um privilégio falar com você. São muitas histórias e queria ter mais tempo para te contar mais coisas, mas muito obrigado e estou à disposição. Então a gente vai voltar a se falar muito em breve. Muito obrigada, Chaim, de novo. Obrigado eu. Tchau, tchau. Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Guga Chakra.

Guga, o Trump costurou esse acordo de um cessar-fogo, é até difícil dizer, né, cessar-fogo entre Israel e Líbano, mas o Líbano não faz parte da guerra. É o Hezbollah que é o centro ou alvo dos ataques israelenses. Só que o Hezbollah não se sentou à mesa para negociar com o Trump.

Como é que fica essa história? Dá para a gente acreditar, diante dessas dificuldades todas, que esse cessar-fogo é para valer? Sim, o cessar-fogo é para valer, porque os dois lados disseram que vão respeitar Israel e o Hezbollah. Israel, o governo Netanyahu, não queria um cessar-fogo nesse momento.

foi forçado pelo governo Trump, que não quer que a guerra no Líbano atrapalhe as negociações para um cessar-fogo definitivo com o Irã. Então foi uma pressão americana. Netanyahu queria prosseguir com as ações militares no Líbano até, segundo ele, conseguir desarmar o Hezbollah.

Benjamin Netanyahu reafirmou que o desarmamento do Hezbollah é fundamental para uma paz duradoura e diz que, por enquanto, as tropas israelenses vão permanecer no controle de uma zona de segurança no sul do Líbano. O Hezbollah, como você colocou, não participou das negociações, foi o governo libanês. E sequer o Hezbollah deu aval para o governo libanês negociar. Em 2024, por exemplo, eles deram. Dessa vez, eles não deram. O governo libanês negociou, mas...

posteriormente o Hezbollah disse o seguinte, que se Israel parar de atacar, eles também param. Então, na prática, o Hezbollah aceitou esse sarfogo por dois motivos, eu diria. Em primeiro lugar, por pressão iraniana, que assim como Trump, o Irã não quer que a guerra no Líbano atrapalhe as negociações com os Estados Unidos. E existe uma pressão da sociedade libanesa sobre o Hezbollah para acabar com o conflito.

Agora, o cessar-fogo não acaba com as grandes disputas envolvendo essa guerra entre Israel e Hezbollah. Em primeiro lugar, o Hezbollah segue armado, não irá se desarmar como pretendia Israel. Em segundo lugar, Israel seguirá ocupando o sul do Líbano, seguirá com aquela faixa de cerca de 8 ou 10 quilômetros.

próxima à fronteira que eles estão destruindo absolutamente tudo e ordenando a evacuação, a expulsão dos libaneses na faixa que vai até 30 quilômetros, que Israel teria ampliado até 40. Segundo o jornal libanês Lohian Lejur, houve uma determinação agora que até ampliaria essa faixa.

E essa área a que você se refere, Israel quer ocupar, exemplo da Cisjordânia com os palestinos, ou tem uma diferença aí? Tem uma diferença. Israel não pretende, pelo menos até esse momento, colonizar o sul do Líbano. Israel já ocupou o sul do Líbano de 82 ao ano 2000 e não colonizou naquela época, não construiu assentamentos no sul do Líbano. É diferente do que eles fizeram, por exemplo, nas colinas do Golã, que é um território sírio.

que Israel ocupou e anexou depois da Guerra dos Seis Dias, em 67. A Cisjordânia é um território que, segundo a legislação internacional, seria parte de um Estado palestino, mas que Israel diz que somente, mediante um acordo final entre os dois lados, vai ter uma definição do status final da Cisjordânia. Enquanto isso, eles seguem colonizando e construindo.

assentamentos na Cisjordânia, onde vivem cerca de 700 mil israelenses em assentamentos ilegais. Então tem uma diferença. É mais parecido com o que ocorre em Gaza, embora haja uma série de nuances, onde Israel segue ocupando 58% do território da faixa de Gaza.

Os outros 42% estão com Hamas, mas dos 58% que Israel ocupa, eles destruíram tudo e expulsaram na prática quase toda a população palestina daquele território. Na prática, quem é que manda no Líbano? É o governo ou é o Hezbollah?

Depende de onde. O governo do Líbano manda no Líbano, no sentido de que é quem administra o Estado libanês, tem controle sobre a maior parte do território do Líbano, sobre as grandes cidades libanesas, sobre todo o norte do Líbano, sobre praticamente todo o Vale do Beká, não sei, uma área próxima a Baalbek. Ele não tem um controle muito forte do sul do Líbano. Por que não tem um controle muito forte do sul do Líbano?

Porque como houve ocupação de Israel de 82 ao ano 2000, inicialmente para combater milícias palestinas e posteriormente contra o Hezbollah, que surgiu durante esse período de ocupação, quando Israel saiu no ano 2000, o Estado libanês estava ausente do sul do Líbano e o Hezbollah presente. Então o Hezbollah sempre teve uma força muito grande no sul do Líbano, mas também existe o Estado libanês. O Estado libanês é um Estado fraco, mas é democrático, que muitas vezes a gente ouve falar que Israel é a única democracia no Oriente Médio.

Na verdade, o Líbano e o Iraque também têm sistemas democráticos com problemas, mas são democracias, não tem ditador no Líbano. Tanto o presidente quanto o primeiro-ministro, o presidente José Faun como primeiro-ministro na Uaf Salam, foram democraticamente eleitos. E o Líbano tem toda aquela divisão sectária. Esse presidente José Faun é cristão maronita, o primeiro-ministro é muçulmano sunita.

O presidente do parlamento é o muçulmano-chita, Nabil Berri, que não é do Hezbollah, é da Mal, é outro partido político. Então, tem essas nuances. Se você vai para uma área cristã ou sunita do Líbano ou drusa, ali o Hezbollah não controla nada. Mas aí se uma pessoa, por exemplo, chegar com uma camiseta ou uma bandeira do Hezbollah, mesmo em Beirute, no bairro de Ashrafi, ou cidades como Bichari, que são bastiões cristãos, Brumana...

a pessoa tende a ser linchada se isso acontecer. Então, depende de qual lugar do Líbano a gente está falando. Há um censo oficialmente com os números da população. Mais ou menos um terço da população, um pouco mais, seria muçulmano-xiíta.

ali ao redor de um terço também sunita, um terço cristã das mais variadas denominações. O resto ali se divide entre drusos e muçulmanos alauítas. E o poder é dividido dessa forma. Como eu falei, o presidente sempre cristão maronita, não pode ser cristão greco-ortodoxo.

Primeiro-ministro sempre muçulmano sunita, presidente do parlamento muçulmano xiita. O parlamento tem 128 cadeiras, 64 para os cristãos, 34 para os maronitas, acho que 14 para greco-ortodoxo, e aí se divide entre as outras determinações, e 64 para os muçulmanos, sendo que 27 são para os xiitas, 27 para os sunitas. Dessas 27 dos xiitas, acho que 12 mais ou menos são do partido político resbolar.

O Hezbollah é um exército dentro do Líbano e também exerce uma função política de um Estado dentro do Estado, em regiões xiitas, fornecendo serviços públicos como escolas, saúde. Então ele está muito impregnado dentro da sociedade libanesa. E o Líbano é um país que já sofreu durante muitos anos uma guerra civil e esse é sempre o temor.

tudo lá é um sistema sectário que se fala para a divisão do poder para tentar manter um equilíbrio. O argumento dos cristãos é que na diáspora, se você levar em consideração os cristãos na diáspora, o total de cristãos, independentemente da denominação, chegaria mais ou menos à metade da população. Eu sou considerado um cristão da diáspora, por exemplo. Então você tem muitos ibaneses ao redor do mundo, não é só no Brasil, é no mundo inteiro.

E o volume maior da diáspora é de cristãos, embora haja também bastante muçulmanos, especialmente ali na África. E para terminar, Guga, quem é o Hezbollah? Quando ele surge, o poder que ele tem e as práticas? Por que o Hezbollah é chamado de grupo terrorista, de grupo extremista?

O Hezbollah surgiu durante a ocupação israelense do sul do Líbano, pouco depois da Revolução Islâmica no Irã. É por três motivos que existe o Hezbollah. Ocupação israelense do sul do Líbano, Revolução Islâmica, chiita, no Irã, que buscou aliados ao redor do Oriente Médio e acabou encontrando ali no sul do Líbano os chiitas do sul do Líbano, formando o Hezbollah.

e a marginalização dos tiítas dentro da sociedade libanesa, historicamente dominada pelos cristãos e em menor escala pelos sunitas. O Hezbollah é uma das milícias mais poderosas de todo o mundo.

extremamente bem armada, treinada, já guerreou contra Israel entre 82 e 2000, de novo em 2006, de novo em 2023, 2024 e mais uma vez agora. É um grupo xiita, os seus membros são todos xiitas, são libaneses, mas totalmente alinhados com os iranianos, que são persas, os libaneses são árabes.

Os iranianos são persas, mas têm essa ligação muito forte pela religião, então eles são muito ligados à guarda revolucionária. Eles também têm partido político, citei agora os deputados que eles têm, também realizam ações sociais dentro do Líbano.

Eles são considerados terroristas porque sofrem acusação de envolvimento no atentado terrorista contra a Embaixada de Israel em 1992 em Buenos Aires e em 1994 contra a AMI, uma entidade judaica também em Buenos Aires. São acusados de tentarem realizar outros ataques contra alvos israelenses judaicos.

Contra Israel, formalmente, as ações do Hezbollah são mais de milícia mesmo. Dentro do Líbano, eles são acusados de terem cometido atentados contra figuras que não têm ligação nenhuma contra Israel. Já é importante deixar isso claro. Inclusive, figuras muito pró-Palestina. Eu vi agora uma declaração da Paula Yacoubian, que é uma deputada armênia-libanesa, que ela fala o seguinte, os libaneses não são nem sionistas e nem iranianos.

Eles querem ser libaneses, é Líbano em primeiro lugar. Isso é uma parcela grande. Tem aqueles que apoiam o Hezbollah, sem dúvida alguma, e tem uma minoria bem pequena que gosta de Israel. Mas, no geral, a imensa maioria dos libaneses é contra o Hezbollah, contra a interferência iraniana no país, como no passado eles foram contra a interferência da Síria no país, que acabou se desocupando o Líbano em 2005, e eles são também...

contra Israel, contra os bombardeios israelenses ao Líbano, contra a ocupação israelense do sul do Líbano, e em geral os libaneses têm um sentimento pró-Palestina, mas eles querem ser como a Jordânia na prática, tendo paz ali, boas relações com todo mundo, tendo uma independência, inclusive, tendo relações com Israel, tendo uma independência, mas carregando, sim.

o sentimento de o direito de os palestinos terem um Estado independente, o sentimento da causa palestina, vivendo em paz e segurança ao lado de Israel. É basicamente, o Líbano quer ser um país normal e não esse país que é destruído de tempos em tempos em mais uma guerra.

Luga Chacra, eu sempre me impressiono com o seu conhecimento. Muito obrigada por dividir um pedacinho dele aqui com a gente. Obrigado, Natuzi. Uma honra estar nesse podcast junto com Gabriel Chahim, o maior correspondente de guerra brasileiro, mais uma vez fazendo excelente trabalho lá no sul do Líbano.

Este foi o Assunto Podcast Diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti e Stephanie Nascimento. Eu sou Natuzaneri, fico por aqui. Até o próximo assunto.

A tragédia humanitária no Líbano e o cessar-fogo com Israel | Castnews Index — Castnews Index