Ronaldo Caiado e suas chances na corrida presidencial
- Ronaldo CaiadoCandidatura presidencial de 1989 · Governador de Goiás · Mudança de partido para PSD · Desafios eleitorais · Relação com o bolsonarismo
- Democracia Brasileira - Desconfiança InstitucionalPolarização política · Anistia aos envolvidos em atos golpistas
- Desafios para campanha presidencial de CaiadoViabilidade eleitoral · Recursos para campanha · Nacionalização da imagem
Venho para despolarizar o Brasil. O Brasil não tem esse traço de polarização.
Esse discurso não vem de hoje. A cada eleição, um candidato ou uma candidata reivindica a missão de unir o país. O nome da vez é Ronaldo Caiado. Caiado não tem nada de novato na política brasileira. Em 1989, o médico goiano tentou pela primeira vez chegar à presidência da República. Fez menos de 1% dos votos numa eleição que teve mais de 20 nomes na urna.
Agora, aos 76 anos e diante de um Brasil totalmente diferente, ele tentará a presidência uma segunda vez. Me colocar aqui neste desafio que sei da importância do momento.
Herdeiro de uma tradição ligada ao agronegócio, Caiado atravessou cinco mandatos como deputado federal, passou pelo Senado e chegou ao governo de Goiás em 2018. Foi reeleito em 2022. Uma trajetória longa, mas concentrada, forte no Centro-Oeste, mas ainda limitada fora dele. Mas, para aqueles que não me conhecem, eu quero aqui me apresentar.
Seu discurso é de direita desde sempre. Conservador nos costumes, ruralista e crítico ao PT. Nesta eleição, Ronaldo Caiado tem o desafio de desobstruir uma via bastante ocupada pelo bolsonarismo. Ele busca um equilíbrio delicado com esse campo político. Em 2018, foi entusiasta de Bolsonaro. Em 2020, se afastou do então presidente por causa da pandemia.
E em 2022, retomou o apoio a Jair contra Lula. Agora ele faz um novo aceno aos extremistas. Promete que se eleito for, vai dar anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e restrita. Eu vim com esse objetivo, é de realmente pacificar o Brasil. Ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente.
Caiado passou mais de 30 anos na mesma legenda. Era PFL, depois Democratas e, por último, União Brasil. Em janeiro deste ano, trocou o partido dele pelo PSD de Gilberto Kassab e ali encontrou outros pré-candidatos à presidência da República. O primeiro e considerado favorito deles era Ratinho Júnior, governador do Paraná, mas este desistiu da disputa. E aí a vaga de candidato ficou entre ele, Caiado, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Foi um grande encontro. Recebi a carta do nosso governador Eduardo Leite. Conversamos bastante. Posso garantir a vocês que prevaleceram os pontos de concórdia.
o governador de Goiás levou a melhor. Ultrapassar o bolsonarismo não é nem o seu desafio mais imediato. Antes disso, ele precisa mostrar aos atores políticos de que ele é viável do ponto de vista eleitoral. E viabilidade em ano de eleição se traduz por alcançar dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto nos próximos meses.
Dentro do PSD, o que a turma estava me dizendo é que o Caiado, obviamente, ganha força. Eles acham que é um candidato que, de uma certa forma, já é conhecido. Apesar de a gente ver nas pesquisas que é muito diferente você estar dentro de uma disputa nacional, mas que é o nome que dá para trabalhar dessa forma presidencial.
Da redação do G1, eu sou Natuza Neri e o assunto hoje é Ronaldo Caiado e suas chances na corrida presidencial. Neste episódio, eu converso com o jornalista Tiago Prado, editor de política e Brasil do jornal O Globo e responsável pela newsletter Jogo Político. Segunda-feira, 13 de abril.
Conta um pouco das posições ideológicas e da trajetória de Ronaldo Caiado para a gente, por favor. Já foi candidato a presidente da República em 89, deputado federal, senador, governador de Goiás e agora candidato a presidente de novo.
Olha, Natuz, eu acho que o Caiado a gente pode colocar como aquele tradicional político de direita mesmo, desde um tempo em que até muita gente se dizia com vergonha de se dizer de direita. Toda a trajetória dele no Congresso, os cinco mandatos como deputados...
Sempre ligado à bancada ruralista, é uma área que inclusive tem negócios com gado. O Caedra é muito rico, a última declaração de bens dele declarou ter 24 milhões em bens. Sempre ligado à área da segurança pública. Então esses cinco mandatos como deputado pelo PFL, ele trafegou demais nessas áreas, defendendo os interesses tanto do agro quanto da segurança pública. Depois...
No Senado a mesma coisa. E quando ele vira governador a partir de 2018, esse discurso da segurança acaba sendo muito forte no governo dele, nos dois mandatos. Também é um governador que acabou apoiando o Jair Bolsonaro. Eles acabam simplesmente tendo um início de rompimento justamente na pandemia. Mas acho que é uma trajetória clássica de um político de direita com uma trajetória bastante longa.
Você citou uma sigla chamada PFL e, para muita gente, essa sigla pode parecer obscura. Vamos fazer aqui aquele carbono 14 para a gente achar os fósseis do PFL, um partido que está na história da política brasileira. Conta um pouquinho dessa trajetória partidária dele que passa pelo PFL, pelo extinto PFL.
A gente fala do PFL, que foi um partido relevante da direita brasileira, base de sustentação do governo Fernando Henrique durante os anos 90. O Caiado foi um membro relevante desse partido durante muito tempo, que depois virou DEM e que depois acabou virando União Brasil com uma fusão com o PSL, que foi o partido que justamente fez com que o Bolsonaro se elegesse em 2018.
O Tribunal Superior Eleitoral aprovou por unanimidade o registro do partido União Brasil, resultado da fusão do Democratas, o DEM, com o PSL. E o Caiado ficou muito tempo nesse partido, o União Brasil. Ele, inclusive, lançou essa candidatura presidencial pelo União Brasil lá atrás, só que ele acabou tendo que migrar para o PSD.
porque com o tempo ele foi entendendo que o Antônio Rueda não daria legenda para ele. Mais do que isso, o União Brasil fez um movimento de fazer uma federação com o PP, que acabou sendo um partido que ficou muito vinculado ao governo Bolsonaro, tendo o Ciro Nogueira ali como presidente, que virou o chefe da Casa Civil.
Do Centrão, portanto, né? PP do Centrão. Exatamente. Então, o Caiado teve que fazer esse movimento ali, a carreira política dele, depois de muito tempo fiel a uma sigla, que foi mudando de nome, que foi mudando de determinadas alianças, mas ele acabou indo para o PSD do Gilberto Kassab, mas ainda mantendo esse perfil ali de direita.
Ronaldo Caiado, político ligado ao agro, muito rico como você nos descrevia, é médico por formação. Ele é eleito governador de Goiás em 2018, mesma eleição que consagrou Bolsonaro presidente da República, e eles sempre foram políticos bastante próximos, até que chegou a pandemia e algo aconteceu. Rememora para a gente esse momento, por favor.
ali, durante a pandemia, ele era muito ouvido por nós da imprensa, foi um governador que adotou a política que foi a recomendada, quer dizer, de distanciamento social, de todas as precauções ali, algo muito diferente do que o próprio Jair Bolsonaro fez ali durante o governo dele. Cabe decidir isso? Não é o presidente da República que muito menos está prescrevendo cloroquina na porta de palácio.
Isso gerou um claro contraponto do Caiado a tudo que a gente viu ali de estratégia sanitária do governo Bolsonaro. Mas que, mesmo assim, na campanha de 22, a gente teve esse movimento que, a despeito desse afastamento que aconteceu do Bolsonaro, em 22 ele acabou apoiando o Bolsonaro, ele acabou se elegendo governador novamente. E aí esse afastamento deu lugar depois.
ao Caiado começando a defender algumas coisas que os Bolsonaro defendiam. O 8 de janeiro acho que é um marco importante para a gente falar aqui dessa relação com o bolsonarismo do Caiado. O Caiado, num primeiro momento, condena os ataques que acontecem em Brasília, mas depois ele entra um pouco na onda da...
turma que começa a defender a anistia para os condenados do 8 de janeiro, ao próprio Jair Bolsonaro, que ficou muito marcado essa fala dele, assim que ele é lançado candidato a presidente, que um dos primeiros atos dele na presidência da república seria o de anistiar todo mundo envolvido no 8 de janeiro. Então é uma relação de idas e vindas essa relação com o bolsonarismo, Renato.
É curioso esse movimento de ir e de vir como se fosse uma sanfona, porque nos momentos em que ele parecia se distanciar de Bolsonaro, ele teve uma cobrança muito forte do seu eleitorado, um eleitorado conservador.
Sobretudo, então quando ele diz Por exemplo, na pandemia, dá uma indireta Para Bolsonaro, dizendo em 2020 Que na política e na vida Ignorância não é uma virtude Falando das medidas negacionistas Ali da pandemia De dizer que ser um resfriadinho É uma gripezinha Respeite, ninguém definiu Melhor do que Obama Na política e na vida A ignorância não é uma virtude
ele sofre muitas críticas da sua própria base. Isso faz com que ele volte às boas com Bolsonaro. E no caso dos atentados de 8 de janeiro, a mesma coisa. E ali, Caiado já tinha uma ambição de ser candidato à presidência da República.
E no cálculo que ele sempre fez, ele só conseguiria ir percorrer, melhor dizendo, alguma distância do ponto de vista de intenção de voto se conseguisse herdar os votos bolsonaristas. Então, essa sanfona, nos momentos em que eles estavam distantes, ele se reaproximou de Bolsonaro por um cálculo muito claro.
o que é convicção do Caiado e o que é estratégia do Caiado. Acho que é isso que você coloca aqui. Então, eu acho que em algumas áreas, por exemplo, a segurança pública, que é uma área que o discurso do Caiado conversa demais com o do Bolsonaro, me parece que tem muito de convicção aí mesmo. Parece que tudo que envolve ali... Não se importar muito, por exemplo, com os altos índices de autos de resistência, a morte em confronto de policiais com bandidos.
Esse é um índice que Goiás tem muito grande. Caiado nunca se importou muito com isso. Eu acho que isso conversa muito com a agenda bolsonarista de segurança pública. Na questão da anistia, isso virou um valor muito caro para os bolsonaristas, essa luta política.
No entanto, eu não vejo o Caiado também indo para um extremo dessa agenda, que é o extremo do impeachment de ministros do Supremo. Provavelmente num cálculo também de relações institucionais que ele tem. Na pandemia, por exemplo, ele foi contra...
O bolsonarismo, acho que tem dois momentos da pandemia. Existe um momento em que o Bolsonaro até cresce na popularidade dele, numa estratégia de dizer que o fique em casa era um problema ali, é um início também que ele começa a injetar dinheiro na economia,
Mas depois da loucura, com a demora da vacina, com outras coisas, o Bolsonaro perde muito apoio popular. Então, nesse momento, o Caiado se distancia dele. Então, eu acho que tem as duas histórias para contar aqui do Caiado. Acho que há momentos em que ele se aproxima do discurso bolsonarista, afinado mesmo, e acho que tem momento puramente de cálculo. Acho que nesse momento eleitoral, ele está calculando bastante quando ele fala de anistia, quando ele está se lançando candidato a presidente. Espera um pouquinho que eu já volto para falar com o Tiago Prado.
E ao pesquisar a vida dele, perfilar Ronaldo Caiado, você citou segurança pública, você falou que a polícia de Goiás é uma polícia que mata muito. Ele sustenta dados bastante relevantes na segurança pública. Você entrou um pouco nesse universo? Ele tem uma aprovação bastante alta. De onde é que vem essa aprovação e como é que é a segurança pública lá?
A gente já faz matéria há alguns anos aqui sobre a polícia de Goiás, que mata muito. Diga-se de passagem, isso não é uma coisa só da polícia de Goiás. Estamos aqui no Rio de Janeiro, que a polícia mata muito. A polícia da Bahia é de um governo de esquerda do PT, também mata muito. Mas fato é que ele tem índices de criminalidade para mostrar números.
Caiado também sustenta muito quando conversa comigo outras coisas como se nós da imprensa ignorássemos, o investimento em inteligência que ele faz. De fato, há números a apresentar nessa área de inteligência, números a apresentar do ponto de vista de operações que combatem o crime organizado não só do ponto de vista da rua, como do ponto de vista financeiro também.
O problema de combate ao crime organizado, às facções, não é problema de constituição, é problema de gestão. Aqui todas as forças estão integradas. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal, Polícia Civil e Polícia Militar. Então isso aí, essa cooperação nossa, já está prevista numa lei federal.
Caiado também mostra números positivos na educação, até para não ficar apenas nessa agenda da segurança pública. Caiado também tem ali uma agenda muito forte ali na área de privatizações, enfim, uma das coisas até que ele está tentando nacionalizar o discurso dele é em cima de como ele combateu a Enel em Goiás.
A Enel que está tendo esse super problema ali em São Paulo, já há de anos que o governador Tarcísio e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reclamam pra caramba. A Enel começou aí um processo pra talvez cancelar o contrato ali da Enel. Aconteceu isso em Goiás. A Enel tinha concessão, o Caiado também fez uma campanha clara contra a Enel.
E a Enel acabou saindo de Goiás. É uma forma também que ele tem ali de tentar nacionalizar um pouco essas virtudes que ele costuma cantar do governo dele ali. Quer dizer, essa questão dos serviços, segurança, educação, na própria energia ali, são os ativos que ele tem apresentado do governo dele. Eu acho que o Caiado, além de querer fazer uma campanha se colocando como um candidato anti-Lula de direita...
O marqueteiro dele, o Paulo Vasconcelos, claramente quer fazer uma campanha de um governador, de um político que tem entregas para mostrar. Então, acho que são nessas áreas aí que ele aposta bastante. A gente ainda vai fazer mais adiante uma radiografia de todos os candidatos à presidência da República em termos de realização, fraquezas, forças.
Agora eu queria mais focar mesmo no perfil de Ronaldo Caiado, nesse momento em que ele começa a se apresentar para o eleitorado nacional. Você cita esses dois pontos que são pontos recorrentes no discurso dele. Mas antes, Tiago, que Caiado vai ser o Caiado que a gente vai ver ao longo dos próximos meses, se é que é possível sondar isso?
A gente até parou um pouco de chamar de terceira via esses terceiros colocados, porque não se trata disso. Por que não se trata disso? Só para explicar para quem nos acompanha. Desenhar do quadro atual, Onatuza, vamos falar aqui, Lula candidato, Flávio, Zema, Ronaldo Caiado.
Aí você tem outros nomes ali colocados, tem o Renan Santos do Missão. Você não tem o tradicional candidato de centro, vamos dizer assim, do que eu ia te descrever aqui. Quer dizer, a gente teve ali em 2010 a Marina ocupando esse papel, em 2014 também.
Em 2018, na verdade, você teve ali o boom Jair Bolsonaro, mas você tinha Alckmin, você tinha o próprio Ciro Gomes. Em 1922, Simone Tebet e Ciro Gomes. Então, pela primeira vez, a gente está falando de uma terceira força que se apresenta muito claramente no campo da direita. Dito isso...
Eu acho que está posta aqui a seguinte questão. O Caiado, então, ele se apresenta como um candidato que vai tentar roubar os votos do Flávio e aí se consolidar nesse lugar? Ou ele vai tentar se apresentar, como eu tenho visto os candidatos se apresentarem nos outros anos, como eu não sou nem Lula e nem a direita? Ou seja, uma coisa mais ao centro.
Mas aí não faz sentido, né? Porque ele sempre foi de direita. Não vai colar ele e dizer que ele não é de direita. Ele pode dizer, eu não sou nem Lula nem Bolsonaro. Mas isso só não me parece bastar para o eleitorado se parar para ouvi-lo. A questão é que a gente precisa entender o que o Kassab e o próprio Caiado querem com essa campanha. Eles querem tentar ganhar ou eles querem tentar fazer os tais 15%, que foi o que o Kassab falou ali essa semana.
Eles querem só fazer bonito ou eles querem tentar realmente tirar esse lugar do Flávio?
O Kassab eu não sei, mas o Caiado eu acho que quer. É, exatamente. E aí eu acho que assim, voltando à sua pergunta, a gente tem um início de campanha do Caiado que não é de confronto ao Flávio. O que o Caiado fez na primeira entrevista dele? Ele apenas ponderou uma diferença do Flávio.
ele ponderou que ele é mais experiente que o filho do ex-presidente, que ele é um cara mais vivido. Ele fala essa frase não dá pra aprender a governar no executivo na cadeira. É uma coisa muito sutil por hora. Ele, por hora, está dizendo que é a favor da anistia, está apostando em entregas e faz um discurso bastante oposicionista ao Lula. Então, nesse momento, por mais que o Caiado seja um claro candidato de direita...
Mas ele ainda não foi para um caminho em que ele realmente confronta o Flávio. Eu acho que isso daí é que é, para mim, a grande incógnita dessa eleição. O que ele vai se apresentar como um candidato que pensa muito claramente de direita na área da segurança, acho que isso está claro.
que ele vai ser anti-PT, anti-Lula, acho que isso está claro. Agora, qual é a estratégia para se diferenciar do Flávio para roubar o lugar do Flávio nesse segundo turno? É isso que está exatamente em debate ali na campanha. Como é que ele se diferencia? É apenas pela experiência? Ele espera, por acaso, esse tal derretimento do Flávio? Há uma expectativa muito grande, que agora, terminado o prazo de desincompatibilização, que o PT vai começar...
a soltar o seu arsenal contra o Flávio. O PT tem muita experiência nesses períodos de campanha de fazer desconstrução de adversários. Então é isso que vai fazer o Caiado subir? Eu acho que essas dúvidas que você me colocou, já dá para responder claramente que Caiado é esse que se apresenta? Eu só consigo ver do ponto de vista programático. Um político com entregas...
um político com uma agenda clara, antipetista de segurança. Agora, com relação ao Flávio, por que para o eleitor de direita ele é melhor que o Flávio? Isso não me parece claro ainda na estratégia do Caiado e não está definido ainda lá dentro como é que ele vai fazer. Se tradicionalmente, até hoje, esse terceiro ou terceira colocada nunca teve espaço em eleição, o que pode fazer de Caiado um nome viável nessa? Há alguma diferença em relação às outras?
Olha, eu acho que, se você perguntar aqui para mim, claro que é difícil projetar o futuro aqui, eu acho muito difícil a situação do Caiado. Acho que as pesquisas estão mostrando claramente uma consolidação dessa polarização Lula e Flávio. Agora, eu tenho descrença um pouco na viabilidade do Caiado, não só pelo cenário polarizado, mas também por outros dois fatores que eu vou te apontar aqui. O primeiro deles, eu acho que o Caiado vai ter uma dificuldade de fazer uma campanha competitiva. E aí, falando de recursos...
pelo partido onde ele está, que tem muitas outras prioridades na eleição desse ano. O PSD hoje é um partido de 47 deputados, é um partido que claramente quer eleger mais deputados. Com a Federação União Brasil, ela é a quarta força só do Congresso, então há uma prioridade, certamente haverá uma prioridade grande.
no envio de recursos para deputados, para campanhas de deputados. E, paralelo a isso, o PSD tem muitas candidaturas a governador para bancar. Candidaturas com reais chances de ganhar, ao contrário do Caiado, neste primeiro momento. Você está aqui algumas. Eduardo Paes, no Rio de Janeiro.
Matheus Simões, em Minas Gerais. Ratinho Júnior ficou no Paraná para justamente eleger os seus sucessores. Zé Roberto Arruda, no Distrito Federal. E Raquel Lira, em Pernambuco. São cinco candidaturas que o PSD tem chance de vencer e que vai colocar recursos. Então, eu acho que o Caiado tem essa dificuldade.
de conseguir ter recurso para fazer uma campanha competitiva, o Caiado hoje, se você olhar as redes sociais dele, e até o Felipe Nunes fala isso nas pesquisas qualitativas dele, ele precisa nacionalizar a sua imagem. Ele está muito ainda ligado a Goiás. Você nacionaliza imagem com visibilidade, portanto, com investimento.
Então, a gente vai precisar ver ao longo desses meses se o Kassab vai dar essa estrutura para ele. E outra coisa, esses palantes que eu falei por aqui, Onatuza, são palantes que já estão negociados para apoiar outros presidenciáveis. Eduardo Paes terá que apoiar Lula no Rio. Matheus Simões, Romeu Zema, se ele mantiver a candidatura. E por aí vai em outros estados. Então, eu acho que o Caiado tem muitas dificuldades aqui. Acho que ele tem aqui uma necessidade de conseguir chegar ali em julho e agosto, pelo menos já performando...
dois dígitos nas pesquisas. Hoje ele é um candidato ainda que não faz dois dígitos em pesquisa. Eu vejo mais dificuldades do que facilidade para ele romper essa barreira a despeito de ser um terceiro colocado diferente dos outros anos. No fim das contas...
Eu estou achando que, nesse momento, o cenário é de, por mais que ele tenha um perfil ideológico diferente dessas terceiras forças dos últimos anos, me parece que o resultado, por enquanto, está sendo o mesmo. Essa é uma contradição da política brasileira, o cansaço com o que está aí, mas a gente sempre vai tendo a escolha nos mesmos nomes. De fato, é um paradoxo mesmo que a gente vive, curioso.
Tiago, muito obrigada por ter topado conversar com a gente. Foi muito bom te receber aqui. Valeu, Natuza. Obrigado o convite. Abração. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Sara Rezende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliane Moretti e Stephanie Nascimento. Eu sou Natuza Nery, fico por aqui. Até o próximo Assunto.