Episódios de Economia dia a dia

Depois das tempestades do início do ano, o que é o PTRR e que mudanças promete para o país?

02 de maio de 202612min
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Depois das tempestades que atingiram Portugal no início de 2026 e causaram milhares de milhões de euros em prejuízos, o Governo apresentou um novo plano que junta reconstrução, prevenção e resposta a futuras crises. Mas afinal, o que está previsto e o que muda na prática? A análise deste tema foi feita pelo jornalista da secção de Economia do Expresso Pedro Carreira Garcia

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Participantes neste episódio2
J

Juliana Simões

HostJornalista
P

Pedro Carrera Garcia

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Plano de Transformação, Recuperação e Resiliênciamedidas de apoio imediato · investimentos de longo prazo · autonomia energética · seguro obrigatório
  • Impacto da pandemia e desastres naturaisdanos em infraestruturas · impacto orçamental
  • Campanhas de Conscientização e Prevençãoreforma de portos · construção de barragens · acesso à tecnologia Starlink
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Olá, eu sou a Juliana Simões e está a ouvir o Economia Dia a Dia, o podcast que lhe dá respostas simples e resumidas para os principais temas da economia nacional e internacional. Todos os sábados lançamos um episódio que explora um tema económico em destaque durante a semana. Desta vez olhamos para o novo plano do Governo para responder às tempestades que atingiram Portugal no início de 2026, o chamado PTRR, Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência.

Depois de uma sucessão de fenómenos extremos que causaram danos avultados a infraestruturas, empresas e habitações, o Governo avançou com um pacote de medidas que combina apoios imediatos com investimentos de longo prazo. Em causa estão mais de 20 mil milhões de euros e uma estratégia que se estende até 2034. Para falar sobre este tema, convidámos o jornalista da secção de Economia do Expresso, Pedro Carrera Garcia. Pedro, olá, obrigada por estais connosco. Olá, obrigado pelo convite.

Olá, eu sou a Cátia Mateus e este é o Céu é o Limite, um podcast onde os líderes das empresas portuguesas conversam sobre o seu percurso profissional, os altos e baixos que enfrentaram ao longo do caminho, as ideias mais ousadas, mas também os erros e fracassos, sempre com uma boa dose de gargalhadas pelo caminho. Junte-se a mim nestas conversas, ouça o Céu é o Limite em Expresso.pt ou na sua app de podcasts preferida e deixe-se inspirar.

Pedro, para começo de conversa, eu perguntava-te o que é exatamente este novo PTRR e porquê é que surge agora? O PTRR é um programa que foi criado e concebido em resposta ao comboio de tempestades do final de janeiro e do início de fevereiro, que afetou principalmente a zona centro do país. Ao início, inclui, e de acordo com o plano apresentado esta semana na...

pelo Primeiro-Ministro, inclui as medidas que serviram para acudir as populações que, naquela altura e ainda hoje, ainda sentem os efeitos dessas tempestades. Não só particulares, as famílias que viram património afetado.

como empresas que, simplesmente, viram a sua capacidade de laborar severamente comprometida. Portanto, o BTRR inclui essas medidas de apoio que tentam mitigar o efeito das intempéries do final de janeiro e do início de fevereiro.

Agora, o PTRR já tem outras duas componentes que têm uma ambição mais de longo prazo e essas componentes visam dotar o país de melhores condições para conseguir aguentar este tipo de eventos extremos.

O PTR é bastante abrangente no seu âmbito, porque quer preparar o país em termos de infraestruturas e em termos de capacitação das populações e do próprio Estado, munir a sociedade civil e o Estado de ferramentas que permitam enfrentar ameaças desde cibernéticas a climáticas.

ou de qualquer tipo de ameaça que possa provocar um evento extremo ou uma calamidade. Portanto, o PTR tem essa ambição e o seu horizonte até 2034 vai até ao final desse horizonte de aplicação. Vão ser executados diversos investimentos e diversas reformas, segundo o programa apresentado pelo governo, que irão permitir preparar o país para essas eventualidades.

Antes de irmos às medidas, eu perguntava-te qual é que será o impacto económico provocado pelas tempestades no início do ano? O impacto económico, à data que nós estamos a gravar o episódio, ainda não saíram os dados da estimativa do Instituto Nacional de Estatística relativamente ao PIB do primeiro trimestre. O impacto económico, saber se há à data que este episódio for...

publicado e divulgado, já se vai saber qual foi o impacto económico comparando essa estimativa com as previsões do governo e de outras instituições. Mas o governo, entretanto, já tem uma estimativa para impacto orçamental e o impacto orçamental será de... o Estado vai mobilizar este ano, ou pelo menos para as medidas de apoio imediato de curto prazo, a dimensão de curto prazo do PTRR.

terá um impacto orçamental, vai mobilizar 2,5 mil milhões de euros de financiamento do Estado, não só do Estado central, mas também do Estado local. Recorde-se que o Governo apresentou uma estimativa dos danos criados pelas tempestades.

a meio de abril, portanto essa estimativa a Bruxelas, que avaliava os danos em 5,3 mil milhões de euros. Portanto, o resto deste montante será coberto pelo setor privado, através de seguros ou de outro tipo de mecanismos.

mas o Estado, nas medidas de curto prazo, e o PTRR inclui esse montante, vai pretendo despender cerca de 2,5 mil milhões de euros num conjunto de medidas, não só a recuperação das infraestruturas, mas também nos apoios que têm sido dados às populações e às empresas. Sim, agora sim, perguntava-te aqui de uma forma sucinta de que medidas é que estamos a falar, quais é que são aqui no fundo as áreas mais abrangidas?

Além de medidas para ajudar e acudir as pessoas, as populações e as empresas no curto prazo, perante os danos e o estrago que as tempestades fizeram à vida das populações,

Além disso, o PTRR prevê medidas de médio e longo prazo e passam por várias áreas, de acordo com o programa que foi apresentado pelo governo, como investimento em redes, telecomunicações, a nível das telecomunicações, por exemplo, as juntas de Fregsia vão passar a ter acesso.

e vão passar a ter cada uma telefones satélite e acesso à tecnologia Starlink para que, em caso de uma calamidade, possam manter ali um ponto permanente de contato. Claro, isso é até um dos grandes problemas. Exato.

Exato, no final de janeiro, em que houve um apagão completo nas telecomunicações naquela região. E outro tipo de medidas vai passar pelo reforço da capacidade da autonomia alimentar, por exemplo, a construção de silos ou a reformulação de portos. Outras medidas também passam, previstas no PTR, passam pelo reforço de outro tipo de autonomia, autonomia energética, que há um ano tivemos um...

um apagão e diria que essas lições terão orientado ou inspirado o Executivo a pensar em medidas que evitem que instituições ou instituições chave do Estado.

fiquem sem energia elétrica. Portanto, diria que uma parte importante do PTRR diz respeito a esse tipo de reforço da autonomia energética em instituições do Estado que não podem simplesmente ficar sem energia.

O PTR prevê a construção de barragens, também há uma série de medidas previstas para intervenção em rios e aproveitamento de água para a agricultura. Há uma série de medidas que o governo prevê para implementação nos próximos nove anos para preparar o país para este tipo de eventos extremos.

que já temos vivido nos últimos anos, mas que com grande probabilidade podemos voltar a viver nos próximos anos. Exatamente, como tens vindo a referir ao longo desta conversa, o PTRR também não é só reconstrução, também falamos da aposta na prevenção. O que é que vai mudar na forma como o país se prepara para futuras crises?

Uma das medidas anunciadas no PTRR passa precisamente pela obrigatoriedade de seguros com cobertura sísmica para quem tiver uma casa, por exemplo. Esse tipo de seguros, quando passarem a ser obrigatórios e para as famílias que não tenham capacidade de arcar com esse custo, o governo prevê também um mecanismo de...

que financie o pagamento desses recursos para essa faixa da população. Mas essa pergunta leva a uma declaração do Primeiro-Ministro na apresentação do PTRR em que ele advoga uma mudança de paradigma, mudando de um paradigma que o Estado acude do seu próprio bolso, recorrendo aos seus próprios fundos, que são os fundos de todos nós.

passando para um contexto em que os cidadãos e outro tipo de instituições, não só o Estado, através de, por exemplo, seguradoras, passam a ter de arcar com as consequências de calamidades futuras. Portanto, os cidadãos, neste momento, o que isto quer dizer é que a capacidade do Estado não é financiar a recuperação face a...

a eventos catastróficos não é ilimitada, aliás está bastante pressionada, tendo em conta vários fatores que vão fazer com que o Estado gaste mais dinheiro no futuro, o que o Primeiro-Ministro...

sugeriu ou indiciou no seu discurso na apresentação do PTRR é que iremos ter a necessidade de nos precavermos através dos nossos próprios mães e os seguros, por exemplo e esta medida do seguro obrigatório

É uma dessas formas dos cidadãos se anteciparem ao risco sem esperar que no futuro o Estado possa arcar com todas as despesas que poderão restituir a vida normal às pessoas.

Tendo em conta as pressões orçamentais de médio prazo, num mundo que está a mudar, numa estrutura populacional que está a mudar, é esta a filosofia, é esta a postura, pelo menos que o Primeiro-Ministro deixou antever no seu discurso de apresentação.

Fica aqui uma breve análise. Pedro, muito obrigada. Esta semana é tudo no Economia Dia a Dia. Convido ainda a ouvir o último episódio do podcast Lei da Paridade, que nos fala da tentativa de assassinato contra Donald Trump e outros membros da administração norte-americana.

A sonoblastia deste episódio foi de Tomás Delfim. Muito obrigada. E assim obrigada por estar desse lado. Se tem questões ou dúvidas que gostaria de ver explicadas na economia e dia-a-dia, envie um e-mail para jsimões.expresso.empresa.pt Voltamos já na segunda com mais novidades económicas.