Episódios de Vozes da Vez

Núbia: “Sou uma mulher LGBTQIAPN+ fazendo reggae e isso é muito político”

02 de maio de 202624min
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O Vozes da Vez desta semana recebe uma artista que carrega no som a força do reggae brasileiro e a beleza cultural do Maranhão. Cantora e compositora, Núbia é uma das vozes mais marcantes da nova geração do reggae nacional e uma representante poderosa da cena musical que há décadas transforma São Luís na chamada Jamaica Brasileira. Com uma musicalidade que mistura reggae roots, poesia e identidade nordestina, Núbia canta sobre amor, espiritualidade, resistência, negritude e pertencimento. Sua voz doce e potente conduz canções que convidam à reflexão e também ao balanço.
Assuntos7
  • Direitos LGBTQIA+Reggae como ferramenta de denúncia e informação · Corpo político: mulher preta e LGBTQIAPN+ · Desconstrução de narrativas no reggae · Diversidade e inclusão na cena reggae
  • Música Cristã BrasileiraImportância do edital para novos artistas · Olhar diverso e inclusivo da Natura Musical · Legado para a música maranhense e feminina
  • Núbia e a cena reggae maranhenseInfluência cultural do Maranhão no reggae · São Luís como a Jamaica Brasileira · Música autoral de Núbia
  • Trajetoria MusicalInício com o violão aos 15 anos · Influência familiar na música · Contato com a Banda Guedes e Célia Sampaio · Composição e poesia melódica
  • Novo EP da bandaPeso da Ilha como trabalho inicial · Sabores: liberdade, negritude e autoconhecimento · Significado dos 'sabores' no álbum
  • Reggae jamaicanoOrigem e características do One Drop · Temáticas sociais e religiosas · Música de protesto
  • Sonhos e Aspiracoes PessoaisTurnê Sabores e circulação pelo Brasil · Álbum para 2027 e incubadora do Prêmio da Música Brasileira · Circulação internacional: América Latina, Jamaica e Europa
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Está começando Vozes da Vez, com Fabiane Pereira. Oferecimento Natura Musical. Nos encontramos na música.

Oi, oi! Eu sou Fabiane Pereira e este é o Vozes da Vez, o talk radio show da Nova Brasil FM. Neste podcast, você vai ouvir o que está sendo feito hoje na música brasileira. São entrevistas que informam e aprofundam conversas que nos ajudam a entender o Brasil contemporâneo. Toda semana, um novo encontro com gente interessante e interessada.

em compartilhar boas histórias, ideias e experiências, sempre com o compromisso de democratizar o acesso à informação e valorizar a diversidade da nossa música. O Vozes desta semana recebe uma artista que carrega no som a força do reggae brasileiro e a beleza cultural do Maranhão. Cantora e compositora, Núbia é uma das vozes mais marcantes da nova safra do reggae nacional.

e uma representante poderosa da cena musical que há décadas transforma São Luís, capital do Maranhão, na chamada Jamaica brasileira. Com uma musicalidade que mistura reggae roots, poesia e identidade nordestina, Nubia canta sobre amor, espiritualidade, resistência, negritude e pertencimento.

Sua voz é doce, mas muito potente. E conduz as canções que convidam à reflexão e também ao balanço. Antes da gente ouvi-la, eu quero lembrar você que o Vozes da Vez vai ao ar todo sábado, às 8 da manhã, pela rede de rádios Nova Brasil FM. Por aqui, neste formato podcast, você pode ouvir sempre, quando, onde e a hora que quiser na sua plataforma de streaming de áudio preferida.

E se você é daqueles que prefere assistir a entrevista, me encontra no YouTube da Nova Brasil. E pra gente continuar conectado, manda um salve no meu perfil do Instagram, arroba a Fabiane Pereira.

Vozes da Vez. Vozes da Vez. Com Fabiane Pereira. Núbia, direto de São Luís do Maranhão. Essa cidade que me deu o grande amor da minha vida. Quer dizer, o segundo grande amor. Vai, meu primeiro grande amor, meu filhote. Mas enfim, Núbia, direto de São Luís do Maranhão. Seja muito bem-vinda ao Vozes da Vez. Tudo bem? Tudo bem, Fabi. Beleza?

Eu quero saber tudo de você. Quero saber tudo sobre você, tudo a seu respeito. Como é que você se tornou um dos novos nomes mais aclamados do reggae nacional? Conta tudo. Então, Fabi, eu já tenho mais de 10 anos aí de carreira, né? Tenho um projeto de músicas autorais e trago essa... ...

cultura do nosso estado, através da minha perspectiva, como é que eu me coloco aqui, vivendo nesse frição que eu falo que é a capital do reggae, do mundo, pode-se dizer, mas capital do reggae no Brasil, a gente está na Jamaica brasileira, eu venho desse lugar.

E eu trago essa influência cultural no meu trabalho. Então, começo ali meu projeto, juntar com uma banda ali em 2015. Aos 15 anos eu começo a ter essa relação com a música, ganho meu primeiro violão. E aí vou ter direto contato com um dos fundadores da principal banda, uma das principais bandas daqui do Maranhão de Reggae. E aí Nubia vai se formando.

nesse meio tempo, nesse lugar. Então, eu começo a participar de culturais, de movimentos sociais aqui no meu território, culturais das universidades. E aí, começo a sair para alguns festivais, inclusive o que tu falou aí, o BR-135, foi um dos primeiros festivais que eu participei na vida e que me abriu portas também para ter esse contato com o mercado da música.

com esse movimento do pitch, acho que de alguma forma trazer um pouco mais essa profissionalização em relação à minha carreira. E aí eu começo a transitar nesse lugar da música autoral, da música maranhense, da música, pode-se dizer, porque eu faço reggae, mas aí eu gosto de trazer para o meu reggae outras influências da música negra.

E da música regional que a gente tem aqui, né? Algumas influências ali da nossa cultura popular também. A gente vai estar encontrando dentro dessa sonoridade que eu tô levando. Você disse que você ganhou seu violão com 15 anos, é isso? Exatamente, exatamente. 15 anos. Ah, quer de presente o quê e tal? Pô, quero um violão. Acho que eu tive essa influência dentro de casa, né? Outro dia que eu vim legitimar essa relação.

Com a minha mãe e com a minha irmã, que elas já tinham essa questão do canto. Minha irmã, eu lembro que me influenciou muito a assistir programas de TV, de música. E ela estava sempre cantando. Inclusive, no começo da minha banda, ela era a backing vocal do projeto. E minha mãe também sempre teve aquele lugar de estar ali na porta de casa, na calçada.

fim de festa, um amigo pegava ali o violão e aí ela já ia cantando junto. Então, eu tive essa influência dentro de casa, apesar de elas não levarem isso mais para frente, não levarem isso enquanto profissão, enquanto ofício mesmo. Mas eu acho que isso me influenciou bastante e eu estou levando adiante. Tive essa influência de ouvir reggae.

desde cedo, com meu pai também, acho que ele sempre trazia vários sons, mas dentro dessas sonoridades o reggae sempre estava presente ali no que ele ouvia. Eu tive esse contato com o reggae cedo também, só que aí eu acho que eu só fui, como é que eu posso dizer, foi um processo por osmose de ouvir o reggae desde cedo, mas acho que eu só fui mesmo conceber essa relação com o reggae, toda a força dessa sonoridade.

como que isso foi me atravessando, já foi quando eu fiz 15 anos que ganhei o violão, e aí teve essa relação muito forte, eu digo que é uma coincidência, né? Ou não, coisas do universo.

que eu fui parar na casa de um dos cofundadores da Banda Guedes, que é uma das bandas que fez grande história aqui no Maranhão, é uma das grandes referências que a gente tem. Inclusive, de lá saiu a Dama do Reggae, que é a Célia Sampaio, que é uma grande referência para mim hoje também. E está nessa caminhada com a gente, a gente tem fint juntos, temos shows, fizemos shows já em alguns festivais durante esse ano, fizemos Casa Natura.

Então, é uma mulher muito potente, assim, da cena feminina do reggae, não à toa. É intitulada enquanto a dama do reggae, né? A primeira mulher a gravar um álbum de reggae no nosso país. E aí eu fui parar nesse lugar, né? Da banda Guetos. Isso me influenciou muito enquanto reggae também. Principalmente enquanto...

Fazer música autoral. Porque esse meu professor, toda aula no final, ele, pô, Nubia, tem uma música aqui, vou te mostrar. Algumas eram reggae, outras não, mas sempre ele tava ali, acho que incitando esse lugar do compor, sabe? Sim, sim. Do compor, do apresentar, do se ouvir, entendeu? Tirar uma ideia da caixinha, assim, e colocar, transpor isso pra uma música, sabe? Levar enquanto uma poesia melódica, assim.

Aos 15 anos, quando você ganhou esse violão, você automaticamente também já começou a escrever as suas canções? Ou a autoralidade, a escrita veio depois, veio antes? Me conta. Não, a escrita veio depois. A escrita veio depois. Eu comecei ali aprendendo algumas músicas, aprendendo um pouco da teoria, teoria musical. E aí acredito que ali...

Como eu te falei, esse universo dele também, de alguma forma de ficar incitando ali, e a todo momento, eu tenho uma música nova, eu tenho uma música assim, eu estou cantando e compondo. E o que eu fui vivendo também, enquanto juventude, fui encontrando amigos, outras pessoas que traziam essa musicalidade também, de escrever, de compor. Acho que tudo aquilo ali foi me atravessando, e aí eu fui começando a colocar para fora algumas ideias, e não quero só cantar, eu acho que eu tenho muita coisa aqui para falar.

gostava, assim, de alguma forma de escrever, né, em relação à escola, assim, tipo, redação, não sei o quê. Sempre eu gostava de ter ideias metafóricas, assim, então, gostava de viajar mesmo, e aí isso já foi começando, já fui trazendo isso pro universo da música, né, trazendo isso pra uma parada melódica. E é isso, o reggae também foi me atravessando muito enquanto identidade musical, né, enquanto o que o reggae trazia no momento, o que eu tava vivendo no momento,

entrei na universidade, então tudo isso foi me influenciando pra trazer essa identidade sonora que eu tenho hoje. Então já fui trazendo aquele viés ali de música política, sabe? De denúncia, de...

Trazer ali perspectivas que falam já da negritude, sabe? Sim. De temáticas sociais. Sim. Me conta uma coisa. Foi assim que eu fui trazendo isso pra minha música. Quando o Sudeste fala do Maranhão, a gente sempre lembra de Alcione. A gente lembra de Zeca Baleiro. Pouca gente sabe que o Maranhão é, como você citou, a Jamaica brasileira, né? São Luís é um dos maiores polos de reggae fora da Jamaica.

E você falou muito sobre isso, falou que o seu pai te incentivou a ouvir reggae, mas foi na faculdade que você começou a ter essa leitura da realidade. E hoje você se coloca como uma artista política. Eu queria que você explicasse para os nossos ouvintes qual é o significado disso. O que é ser uma artista política? Vindo de onde você veio, qual a origem que você tem, com a cor da sua pele. Conta pra gente.

Então, é isso, né? Como eu mencionei, o Hegel me trouxe, ele vai trazendo para a gente, ele me formou, ele forjou essa identidade sonora que eu tenho hoje, mas também ele traz essa consciência. O Hegel vai trazendo, vai levando a gente para esse lugar da consciência racial, da consciência social. Então, eu sempre, desde que eu comecei, eu sempre abordei isso.

Eu acho que o meu corpo, por si só já é político, eu sou uma mulher preta e venho do Maranhão, trago toda essa territorialidade, esse fissom amazônico, sabe? E sou uma mulher LGBT também. Então, só de eu estar ocupando esse lugar, fazendo arte no nosso país, sabe? Que tem tantas questões, é um país racista, né?

Infelizmente. É um dos países que mais mata mulheres no mundo. É um país homofóbico. Homofóbico. Então, o fato de eu fazer o meu som levar a identidade que eu levo e estar ocupando diversos espaços mesmo, eu acho que isso por si só é político.

Aquele dito que cada vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar. E nesse sentido, sai muito do lugar mesmo, sabe? Porque essa é a ideia, né? Da gente... Cada passo que a gente vai dando, a gente mudar ali a estrutura, sabe? Claro, né? Não é sozinha, isso é feito em coletivo. Só que eu acredito que a minha música, ela tem esse viés. Ela tem esse viés de alguns dedos na ferida. Ela tem... Na ferida que eu digo, né? Social, assim.

Ela tem esse viés de informação também, sabe? Ela tem esse viés de autoconhecimento para mim também, sabe? Enquanto pessoa, enquanto artista. Ela tem esse viés de falar.

das nossas realidades, de trazer outras narrativas, acho que é principalmente isso, trazer outras narrativas também para o reggae, porque o meu trabalho, ele tem isso, como eu falei, eu sou uma mulher LGBT fazendo reggae, sabe? E aí eu tenho trazido temas diversos, e temas que falam dessa diversidade também. Eu acho que é importante, eu tenho falado muito nos meus shows sobre a necessidade da gente ter esse olhar no reggae também, de não deixar...

essas outras estruturas abalarem esse meio que é tão consciente politicamente falando, sabe?

Então se o reggae é amor, é paz, é união, o reggae também tem que ser diversidade. O fato dele ser amor traz isso. Claro, claro. Então eu trago muito isso nas minhas músicas. Eu tenho uma música, um videoclipe ali, que é um reggae roots, em que eu trago mulheres, mulheres dançando juntas, mulheres se amando, se paquerando. Explica para os nossos ouvintes, Onúbia, o que é um reggae roots? Então, um reggae roots é esse reggae que a gente traz Nós vamos querer muito tarde,

ali o One Drop, acho que é um dos regues feitos ali na Jamaica, nessa década de 70, 80, que é o que a gente, o que aportou aqui no Maranhão e é o que o público mais aceitou, assim pode-se dizer, é a vertente do reggae mais forte que a gente tem aqui, é esse reggae roots da Jamaica, que veio nesse tempo.

que traz o One Drop, é um reggae que tem um BPM mais lento, é um reggae que vem ali já depois do Rocksteady, sabe? Então, é esse reggae que a gente tem aqui na Jamaica e que traz, enquanto temática, é um reggae que está muito ligado à religião deles, ao rastafarianismo, espiritualidade.

Tá muito ligado à temática social, a denúncias, sabe? Música de protesto. Esse é o reggae. Muito bem. Ô Núbia, você lançou em 2021 um EP chamado Peso da Ilha. Eu queria que você falasse um pouco sobre esse trabalho antes da gente entrar no seu disco Sabores.

O Presa da Ilha é o nosso primeiro trabalho enquanto EP, é o nosso primeiro EP. E é um trabalho que eu já vinha construindo desde que eu comecei, desde 2015, quando eu entro na cena mesmo e formo uma banda. E demorei até um tempo para concluir esse lançamento. Mas é isso, é o meu trabalho inicial. As músicas que eu trago ali de 2015, tanto é que algumas músicas que eu cantava nem entraram nesse...

esse primeiro projeto. E é um projeto em que eu me coloco, assim, né? Enquanto uma artista, enquanto uma cantora de reggae, vai trazendo, assim, já essas sonoridades. É um trabalho que eu já vou misturando um pouco do que a gente tem enquanto música feita no nosso território, enquanto música regional, sabe? Que é uma música do mundo também.

mas as influências que a gente tem aqui de cultura, acho que isso já vai entrando um pouco em peso da ilha, até na própria letra, e aí depois eu sigo para sabores, eu demorei um tempo também, acho que eu falo que existiu um hiato, porque passei por alguns processos e fiquei um tempo sem cantar também, acho que um ano mais ou menos, e aí veio pandemia, então tudo isso me atravessou bastante, e...

Sabores veio desse tempo, né? Sabores e as músicas, elas são de 2022. As composições, elas começaram a se construir dessa forma. E em 2023, eu faço esse trabalho de pré-produção e lanço o trabalho em 2024, né? É um álbum visual.

em sete faixas, aparentemente um álbum pequeno, mas eu acredito que é um álbum bem denso, assim, sabe? Fala muito sobre liberdade, né? Também, e fala enquanto o meu corpo na procura dessa liberdade também, sabe? Com as coisas que vão atravessando a gente dentro desse lugar.

Então, eu acho que é um álbum que fala muito sobre negritude, traz uma perspectiva individual, só que também coletiva. É um álbum que fala sobre descobertas, sobre autoconhecimento. É um álbum que fala sobre o meu território. É um álbum que fala sobre festa.

Então, álbum que traz tudo isso, eu costumo dizer que são os atravessamentos que eu fui passando ao longo da minha carreira, principalmente ao longo desse processo que eu fiquei sem cantar, pandemia, etc. E aí eu vou transformando tudo isso em melodia. Eu falo que é sabores porque são todas essas sensações, foram todos esses processos que eu fui passando e cada processo desse foi deixando...

gostinho assim, sabe? Na vida. Então sabores por isso. Porque nem tudo é tão bom, sabe? Também tem sabores muito bons dentro do disco, mas tem sabores amargos, sabores difíceis de digerir também, sabe? E aí eu vou levando tudo isso.

Pra poesia. Logicamente eu vou cantando ali essas coisas. Me conta como foi ser contemplada no maior edital que nós temos no país de promoção da música independente, especialmente, de promoção de artistas que estão construindo e perpetuando o legado da música brasileira. Como é que foi pra você ser contemplada no edital Natura Musical? Então, Fabi, foi uma honra gigantesca, né?

Porque, como tu falou, acho que o Editar da Natura tem um viés muito importante quanto a formação da nova música brasileira. Acho que eles estão nesse lugar de fomentar artistas que estão nesse processo e que precisam desse incentivo. Desse incentivo...

financeiro, mas acho que não só financeiro, precisam dessa plataforma, de alguma forma, para amplificar o seu trabalho, né? Então, assim, eu vindo de uma região de onde eu venho, do meu território, eu venho do Maranhão, eu acredito, a gente meio que fez uma pesquisa, eu acredito que a gente não tinha nenhum trabalho, assim, contemplado por esse edital, sabe?

sempre a gente ficava muito puta, tipo, pô, como é que a gente faz uma música massa e tal, e ainda não foi contemplado. Mas eu acho que é isso, eu gostei porque eu acho que a Natura teve esse olhar, a Natura já está tendo esse olhar diverso, sabe? De sair um pouco mais desse eixo sul-sudeste.

Trazer esse olhar pra música que tá sendo feita no Brasil, pra além desse eixo, sabe? A música no território amazônico, a música feita no Nordeste, a música que tem falado de outras coisas, que tem trazido outros aspectos. Então, tipo assim, eu fiquei muito feliz, muito honrada, como tu falou, é um legado pra música brasileira, mas é um legado pra mim também, e pra música maranhense como um todo, sabe? Acho que foi uma conquista gigantesca.

E a gente tem feito essa circulação no intuito de dar prosseguimento ao meu trabalho, mas também de levantar de alguma forma o reggae feminino, o reggae feito por mulheres. Eu tenho levantado muito essa bandeira mesmo. E o reggae que é feito também no meu estado, o reggae feito pela nossa juventude, o reggae autoral, o reggae nacional que existe aqui.

São Luís, no Maranhão, na capital, na Senado Reg, na Jamaica Brasileira. Aqui a gente também tem som autoral, também tem música feita falando sobre a gente, falando sobre o nosso território. E é isso. Muito, muito feliz mesmo de ter sido contemplada.

Tenham levado junto comigo algumas mulheres de muita força que também estão nessa luta de levantar a cena feminina do reggae, de levantar a música autoral feita no nosso estado, sabe? Muito bem, muito bem. Você é uma baita representante feminina e eu vou fazer das palavras da Ebony. A Ebony é uma rapper.

maravilhosa, que fez um discurso maravilhoso falando, se eu sou rap feminina, se o rap que eu faço é um rap feminino, eu vou chamar o rap dos manos de rap masculino. E eu acho que é mais ou menos isso. Masculino, exatamente. É mais ou menos isso que você tá falando. Você faz reggae. Você é mulher e faz reggae. Exatamente. Assim como muitos homens fazem reggae também. E pra encerrar, Nubia, eu quero saber quais são seus próximos passos.

O que você vai fazer com esse edital? Com esse fomento? Você vai rodar o Brasil? O que você pretende fazer? Quais são os próximos projetos? Exatamente. A gente está nesse intuito, né? Já estamos com a Natura aí. Temos a nossa turnê Sabores. Foi recentemente contemplada pelo Prêmio da Música Brasileira, uma incubadora que eu estava participando. Foi contemplada um álbum. Um álbum para 2027, primeiro trimestre. Então...

Já tem álbum vindo aí, já tem coisa sendo ali maturada para a gente ter esse lançamento em 2027. Tem uma outra circulação também para fazer ainda esse ano, um outro edital que a gente foi contemplado, uma circulação pelo Nordeste. Tem apresentação ainda em alguns festivais. Então é isso, esse ano eu acredito que a gente vai circular bastante, vai levar bastante nosso som, Brasil afora, vai botar nosso som para a rua. Eu tenho uma...

Um sonho grande também, que é de circular com o meu som pra fora do Brasil, sabe? América Latina. Jamaica. E a Europa também, sabe?

Jamaica, pô, Jamaica, imagina, conseguir ir na Jamaica fazendo o nosso som, né, conectar a Jamaica brasileira com a própria Jamaica, sabe, seria tudo mágico. É isso, conectar essas ilhas, conectar todo o frisson que ecoa dessas ilhas, conectar isso seria perfeito, seria muito lindo, é um sonho também, sabe. Então é isso, esse é o momento que a gente está no nosso trabalho.

E dia 18 agora temos show em Floripa pela circulação da Casa Natura. Nosso segundo show. Então é isso. Estamos chegando. Núbia, muito obrigada. Muito obrigada pelo seu tempo. Valeu. Eu espero que o seu trabalho chegue. Eu que agradeço. Doi a poca ao Chuí. Que todo mundo ouça o seu trabalho. Sabores é uma delícia. É um disco que realmente dá vontade de degustar faixa a faixa. Que você tenha muito sucesso.

Valeu, muito obrigada. Valeu por estar aqui, gente. Boa vez da vez. Obrigada pelo acolhimento aí. Obrigada por receber a gente também. À distância, né? Online. Mas é isso, rolou. Valeuzão. Obrigada. Até breve. Até.

Se você nos ouviu até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo da Nova Brasil no seu celular. Por lá, você pode ouvir o Vozes da Vez e acompanhar as principais notícias culturais do país. Além disso, eu peço a você que avalie o nosso podcast neste tocador de áudio para que o algoritmo entenda que este é um conteúdo de qualidade e o apresente para mais gente. Este foi o Vozes da Vez, podcast semanal da Nova Brasil. Disponível de graça no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida.

Comigo na equipe do Vozes da Vez estão Nicole Carça na montagem e mixagem e Nilson Pazinha na plástica. Eu sou Fabiane Pereira e fico por aqui. Até a próxima semana. Tchau, tchau!