Episódios de MRT News

A dor de cabeça de Lula: Brasil cada vez mais endividado

05 de maio de 202614min
0:00 / 14:01

Nesta segunda-feira o presidente Luís Inácio Lula da Silva, juntamente com a sua equipe econômica, anunciaram o Desenrola 2.0 - medida que busca frear o endividamento recorde das famílias brasileiras. Em ano eleitoral, um número na máxima chama atenção, ainda mais se ele for negativo. E tanto esse como muitas outras projeções relacionadas ao comprometimento da renda das famílias estão em patamares elevadíssimos.

Mas o que esquenta a cabeça do petista vai esquentar ainda mais o debate presidencial deste ano. Ainda mais que a corrida, e as críticas, já começou! Vem entender mais sobre o impacto do número no bolso dos brasileiros e a luta do governo contra essa situação no mais novo episódio do Cenário Base! Dá o play e entenda mais sobre o assunto.

Participantes neste episódio4
M

Mariana Bruno

HostApresentadora
C

Caterine Rennes

ConvidadoPesquisadora associada
E

Eduardo

ConvidadoJornalista
R

Rafael Fischmann

Convidado
Assuntos5
  • Endividamento das famílias brasileirasNível recorde de endividamento · Comprometimento da renda com dívidas · Crédito sem garantia · Inadimplência e atrasos em pagamentos · Cartão de crédito rotativo e cheque especial
  • Impacto das crises na campanha eleitoral 2026Endividamento como tema de campanha · Críticas de Flávio Bolsonaro a Lula · Percepção econômica dos eleitores
  • Responsabilidade FinanceiraBaixa renda e necessidade de acesso a bens · Crédito como antecipação de renda · Taxa Selic como resultado, não causa · Educação financeira
  • Programa DesenrolaMedida para frear endividamento · Luta do governo contra o endividamento
  • Organização de contas e dívidasConcentração em faixas de renda mais baixas · Aumento da inadimplência em todas as faixas
Transcrição37 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Em ano eleitoral, existem temas que podem derrubar ou impulsionar a candidatura de um candidato à presidência. E em 2026, talvez nós já tenhamos o veredito, o endividamento das famílias.

A crise é grave. Metade da população adulta no Brasil está com o nome sujo na praça. Isso não é pouca coisa. É o governo do PT te deixando no vermelho. Neste ano, o percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4% no mês de março, o maior nível da série histórica iniciada em 2015, de acordo com os dados da PIC.

E da CNC. E é exatamente esse número que vem causando pesadelos do governo Lula que busca a reeleição. Hoje eu estou com uma preocupação, que você deve saber, Eduardo. Eu estou com uma preocupação com o endividamento do povo brasileiro. Uma das razões do endividamento é que o povo ganha pouco. Então, quando ele ganha pouco, ele fica com dívida mais rápido. Mas a outra é a necessidade do povo ter acesso às coisas.

Como forma de apaziguar o estrago em ano de disputa à presidência, o governo petista vem lutando para definir novos programas. Mas a briga sobre o bolso do cidadão brasileiro rende. E a situação já chama muita atenção.

Tanto o Banco Central brasileiro quanto instituições financeiras já alertam sobre a alta taxa do endividamento e apontam para um problema estrutural do país. Mas quem é o vilão de fato dessa história e quais consequências isso pode trazer em ano eleitoral é o que este episódio vai te falar a partir de agora. Eu sou Mariana Bruno e atenção eleitor e investidor, está começando mais um Cenário Base.

Os brasileiros estão sentindo cada vez mais o peso dos preços no bolso. Para entender um pouco melhor como o cenário chegou a este ponto, é bom trazer dois paralelos para você. O primeiro é que o comprometimento da renda é a relação entre o valor previsto aos pagamentos de dívida com a renda mensal das famílias. Neste caso, o Banco Central estima que o comprometimento da renda total com o pagamento de dívidas rompe a marca dos 29,3%. E aí

um recorde para a série histórica iniciada em 2005. Já o endividamento está relacionado ao valor atual das dívidas das famílias e a renda acumulada nos últimos 12 meses, ou seja, a renda do ano.

E é este último que vem chamando a atenção de diversas entidades, como o Banco Central, instituições financeiras e o próprio governo federal. Bom, para destrinchar um pouco mais sobre esse tema, eu convidei a pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da FGV e analista da BRCG Consultoria, Caterine Rennes, que vai nos ajudar a entender melhor as implicações e os efeitos do endividamento das famílias.

No caso do endividamento, houve diversos estímulos pelas quais as pessoas buscassem atender a uma demanda muito emergencial por diversos produtos e bem-estar, e aí elas foram além da renda que elas têm. Então, o que é o crédito? É entendido por um determinado grupo como uma forma de aumentar a renda naquele mês.

Só que é naquele mês. O crédito não é um aumento de renda permanente, porque ele é uma antecipação de uma renda futura. Mas em alguns momentos...

a uma demanda grande por crédito que pode esticar muito a corda. E esse comportamento dos consumidores preocupa. Apesar das dívidas, os brasileiros tendem a buscar mais empréstimos para quitar um anterior. Mas o que deveria ser uma solução se tornou uma dor de cabeça a mais. E essa situação não é de hoje.

Eu já tinha uma apresentação de dois, três anos atrás, e aí eu olhei e as conclusões eram as mesmas, que a gente já está acompanhando isso, só que agora chegou num nível 29,3% do comprometimento médio das famílias, que daí pega e diz assim, opa, quando está perto dos 20 já é bastante, mas 20 ainda é um quinto, né? Quando chega perto dos 30 e as pessoas associam a um terço.

E aí, diz assim, um terço está comprometido com pagamentos de operações junto ao sistema financeiro. Fora isso, as pessoas têm que pagar luz, têm que pagar água, têm que pagar escola, ou explicadora, ou transporte e tal. Então, de repente, deu-se a luz para mais pessoas, embora nós já vínhamos falando sobre isso há algum tempo, de que talvez essa proporção fosse muito grande.

Caterine, você é responsável por um estudo recente da FGV que analisa as camadas deste nível de endividamento. Tem uma concentração deste endividamento em alguma camada da população? O que nós observamos é assim, primeiro que você tem, nós nos grupos de faixa de renda mais baixa, e eu estou falando faixa de renda mais baixa, é até dois salários mínimos.

e o grupo até dois salários mínimos corresponde a 70% da população com renda na PNAD, da população ocupada da PNAD. Então, é um grupo de renda razoavelmente baixo, mas é um contingente grande de pessoas. Mas nós vimos que esses dois grupos de faixa de renda mais baixos, eles têm uma concentração maior em modalidades de crédito sem garantia.

E uma das características quando você toma recurso sem garantia, é sem garantia para quem te deu o recurso. Essa falta de garantia acabou virando um alerta para diversas instituições. De acordo com a Associação Brasileira de Bancos, os atrasos nos pagamentos de dívidas apresentaram alta, enquanto a qualidade de crédito está piorando.

A inadimplência, ao longo do tempo, a taxa de inadimplência, ela aumentou para todas as faixas de renda e ela aumentou para todas as modalidades de crédito. Significa que você tem um fenômeno de endividamento que está se espalhando pela sociedade toda. Mas aquelas faixas de renda mais baixas, em modalidades mais caras, aumentou mais. E é bem alta.

E quais são os vilões por trás deste monstro financeiro? Bom, eles são vários. Nós temos o cartão de crédito rotativo, cheque especial e o crédito não consignado como os destaques negativos dessa história. Segundo os dados da pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor,

A proporção de brasileiros que se consideram muito endividados passou de 16,1% em fevereiro para 16% em março. Já a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu de 29,7% em fevereiro para 29,6% em março.

Em relação às famílias inadimplentes, houve uma estabilidade em 29,6%. Mas a fatia de famílias brasileiras que afirma que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso ficou em 12,3% no mês de março. Uma queda em relação ao mês anterior, mas acima dos 12,2% reportados no mesmo período do ano passado. Tem uma preocupação macroeconômica muito séria.

Se as famílias se comprometerem muito e acontecer alguma coisa que a economia não evolua tão positivamente, e o emprego não fique mais no recorde de alta e a renda não cresça mais no nível que ela está crescendo,

é de se imaginar que as pessoas vão encontrar mais dificuldades para pagar as dívidas que elas já contraíram. No que elas tiverem mais dificuldade para pagar porque elas estão mais alavancadas, elas não vão poder contribuir para não ocorrer a desaceleração da economia que estaria começando a ocorrer.

Não tem como eu não te perguntar, Caterine, sobre a atual taxa Selic. Ela agrava esse cenário? Algumas pessoas têm dito que a taxa Selic é responsável pelo endividamento. Tem que ter em mente que a taxa Selic, a taxa básica, as taxas de mercado, elas são resultado, elas não são causa.

A taxa está alta porque a demanda está muito alta. E, lógico, ela vai penalizar quem já está endividado. E a ideia é que ela desestimule as pessoas a se endividarem. Ela deve estimular as pessoas a se desalavancarem. Então, ela não é uma causa do endividamento. Ela causa do endividamento depois que a pessoa já está endividada. Só que mais uma coisa esquenta o debate do endividamento. A disputa presidencial deste ano.

E o peso do tema na política já começou nas redes sociais. O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, criticou a alta na taxa para atacar Lula. Para uma parcela gigante desses 80 milhões de brasileiros, isso representa comer menos. Significa panela vazia.

Porém, as imagens utilizadas no vídeo do pré-candidato eram, na verdade, do governo do próprio pai, Jair Bolsonaro. Então houve uma réplica. E é exatamente sobre política que a gente vai falar a partir de agora.

A eleição de 2026 deve ser definida ao longo da campanha. Entre os temas que vão dar destaque na campanha é sempre aquela combinação entre temas econômicos, que é basicamente uma agenda que define o nível de bem-estar e o nível de segurança que o eleitor tem.

em 2026. Questões como inflação, mercado de trabalho. O segundo grupo de questões tem a ver com o campo político, e aí estão mais associadas à imagem particular.

tanto do presidente Lula quanto do principal nome da oposição, o Flávio Bolsonaro. Bom, se o endividamento das famílias será o tema do ano, nós não sabemos. Mas que já movimentou partidos inteiros, já. E não é para menos. O levantamento da Genial com a Este, divulgada no dia 15 de abril, apontou que 50% dos entrevistados acreditam que a economia do país piorou nos últimos 12 meses.

Além disso, o estudo mostrou que 71% dos entrevistados consideram que o poder de compra diminuiu em relação com o ano anterior. Resumindo, não é um cenário fácil para o governo petista. Mas, Rafael, o senhor enxerga que esse cenário recorde tem potencial para atrapalhar uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva? Enxergo, porque em alguma medida a gente precisa entender uma espécie de enigma.

da percepção econômica que os eleitores vão fazer em ano de eleição presidencial. Se a gente pega as medidas mais tradicionais, que traduzem o voto econômico, renda, mercado de trabalho, a despeito das dificuldades da conjuntura, os resultados têm sido positivos. Então, isso deveria trazer um alívio.

para a campanha de reeleição do presidente Lula. Não é isso que as pesquisas estão mostrando. A despeito desses indicadores, há uma percepção de que o Brasil está no caminho errado, há uma percepção de que a economia brasileira está piorando, de alguma insegurança econômica. E um dos candidatíssimos a responder...

por essa insegurança econômica, tem a ver com o nível de endividamento. Vendo sua popularidade diminuir, o governo Lula resolveu agir. O petista mandou a equipe econômica trabalhar na elaboração de um novo programa para barrar o aumento do endividamento das famílias.

Para Lula, o endividamento é considerado um tema central do governo por conta do ano eleitoral. Mas enquanto analistas como a própria Caterine apontam para a junção de vários fatores para este cenário de endividamento nas máximas, Lula reforça um inimigo específico, as Betis. Se as Betis causam o mal que a gente acha que causa, por que a gente não acaba com a Betis?

Em abril, o Banco Central mostrou preocupação com o superendividamento das famílias brasileiras e classificou a situação como um problema crescente no país. Na avaliação da autarquia, a facilidade de acesso ao crédito junto à falta de educação financeira leva muitos brasileiros a contraírem dívidas que não conseguem pagar. E isso, de fato, é o que devemos discutir aqui. A importância da educação financeira.

O crédito aqui não é o vilão da história, mas a forma com que os brasileiros tomam e se comprometem a partir dele é. É claro que nós não podemos deixar de citar aqui o impacto da inflação nas contas da população. Aliás, nós não podemos deixar de citar muitos agravantes aqui. Bets, juros altos, crédito caro, incerteza econômica e demais fatores. No final, um ciclo sem fim, mas que pode ser menor com o letramento financeiro.

O cenário base é um videocast da TC News. A nossa missão é trazer para você, investidor, os assuntos mais relevantes no Brasil e no mundo que podem impactar o seu bolso. Se quiser ouvir e ver mais episódios, procure por TC News nas principais plataformas de podcast ou acesse pelo nosso canal no YouTube.

Anunciantes1

The News

Videocast Cenário Base
self
A dor de cabeça de Lula: Brasil cada vez mais endividado | Castnews Index — Castnews Index