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#308 - Bruna Lombardi

07 de maio de 202650min
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Bruna Lombardi é a convidada do Provoca em uma conversa sobre política, escrita e afetos. Ao lado de Marcelo Tas, a atriz e escritora relembra momentos marcantes da carreira, como sua entrevista com Donald Trump antes de sua entrada na política, e reflete sobre poder e comportamento.

No programa, Bruna também fala sobre seu processo criativo, a influência da literatura em sua trajetória e como experiências intensas deram origem a seus livros. Ao abordar temas como racismo, misoginia e injustiça, ela destaca a sensibilidade como motor de sua obra.

Para a artista, o amor surge como resposta e resistência: um caminho possível diante de tempos difíceis, conectando arte, escuta e transformação.

Assuntos8
  • Mansplaining e patronizingDefinição de mansplaining · Definição de patronizing · A importância de se posicionar · A força da união feminina
  • Processo criativo e livros recentesRomance 'Mulheres que Sentem os Espíritos' · Odisseia feminina · Diário do Grande Sertão · Experiência no sertão · Relançamento de 'Filmes Proibidos'
  • O poder do amor e da sensibilidadeAmor como resposta e resistência · Encontro libertador entre seres humanos · Sensibilidade como força motriz · Violência como resultado da repressão de sentimentos
  • Início da carreira literáriaPrefácio de Chico Buarque · Reconhecimento de grandes escritores · Feira do Livro em Porto Alegre · Amizade com Mário Quintana
  • Ser mulher no mundo atualMulheres trabalham mais que homens · A força e generosidade feminina · Educação e saúde como pilares de um país
  • A inteligência e o sucessoValorização da inteligência na década de 80/90 · Encontros em cineclubes e livrarias · Coerência como valor
  • Manual de Corações MachucadosAbrace os problemas como desafios · Dor como catalisador de crescimento
  • Entrevista com Donald TrumpImpressão inicial sobre Trump · Pergunta sobre presidência dos EUA · Trump como figura de poder
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Alô, alô, aqui Marcelo Tasco, o ProvoCast, o podcast do Provoca. Você também pode ver esse programa no YouTube e em cortes pelas redes. O episódio de hoje é uma conversa deliciosa com uma mulher corajosa. Donald Trump e Bon Jovi tentaram se engraçar para ela e foram devidamente enquadrados. Constrangimento pedagógico é que chama.

Levaram cada uma a chapuletar de perder o rumo de casa. Escute aí a bela e...

Mais uma vez, eu trago Mário Quintana para a roda do Provoca porque não é todo dia que eu recebo uma amiga dele. No olhar do poeta, a esperança não é a última que morre. Ela é uma menina de olhos claros que se renova o tempo todo. Quando alguém se surpreende ao dar de cara com a esperança, Quintana diz que acontece assim.

Ela lhes dirá bem devagarinho para que não se esqueçam, o meu nome é Esperança. A minha convidada, amiga do poeta, é menina de olhos claros que se renova o tempo todo, bem-vinda ao Provoca, Bruna Lombardi. Menina Esperança. Oh, que adorei, adorei, adorei a introdução, lindo. Estou adorando você aqui. Eu também.

Este é o provoca no ar para todo o Brasil pela TV Cultura, emissoras afiliadas nas plataformas em versão podcast no seu tocador preferido. O povo vai achar que eu estou inventando esse negócio de você ser amigo do Quintana. Conta como vocês se conheceram. Olha, eu lancei meu primeiro livro, era garota. Eu comecei, pouca gente sabe que eu comecei na literatura, eu não comecei na televisão. Primeira expressão artística foi um livro.

Meu livro de poesia. Isso. No ritmo dessa festa. No ritmo dessa festa. Você estava lançando o livro. E eu era adolescente e eu tinha um ídolo. Ídolo, assim, de ter um pôster na porta do meu quarto. Mas, assim, eu nunca imaginei na vida que eu fosse conhecer, porque era super distante de mim, que era o Chico Buarque. Eu era muito, muito fã. E das letras, das músicas dele, tudo.

E aí, um dia, um amigo meu e dele em comum, ele viu minhas poesias, ainda não tinha saído o livro, ia sair pela editora Símbolo, e ele mandou para o Chico, sem me falar nada. O Chico nem sabia quem eu era, óbvio. E ele mandou...

me ligou dizendo, eu tenho uma surpresa para você, o Chico Buarque fez o seu prefácio. E a partir de então, o que aconteceu também com isso? Além do prefácio dele ser muito legal, toda uma leva, aquela leva intelectual...

que comandava os jornais, desde Drummond, Vinícius, Clarice Lispector, Rubem Fonseca, Ferreira Goulart, essas grandes figuras, grandes figuras da literatura, todos os caras que eu lia. Eu era muito devota de ler essas pessoas.

começaram a elogiar meu livro. E aquilo me surpreendeu de uma tal maneira, e eu fui convidada, eu era a única mascote de primeiro livro, que foi para a Feira do Livro em Porto Alegre. O que aconteceu nessa Feira do Livro? Eu conheci todas essas pessoas, a Clarice Lispector me convidou para ir para a casa dela várias vezes, Lígia Fagundes Teles, Bom, Mário Quintana, de repente, estava na fila com o livro. Na fila.

Quando eu vi o Mário, eu pirei. Na fila do seu lançamento. Na fila dos meus autógrafos, teoricamente. Então, aí eu chamei ele imediatamente, falei, imagina você ficar na fila e tal. Daquele dia em diante...

Ele, como outros daquela circunstância, Caio Fernando Abreu, tem muita, muita gente. Eu não vou citar todo mundo, senão a gente fica o programa inteiro falando disso. Mas a gente ficou muito amigo. E aí eu falei, olha, a partir de hoje, todos os anos nós vamos nos encontrar pelo menos uma vez por ano.

Eu vim a Porto Alegre te ver e a gente vai tomar um café. E, de fato, ele brinca e ele fala assim, ela veio todos os anos, todos os anos, exceto quando ela ficou grávida. E aí eu ia e a gente ficava passeando, almoçava, passeava, ficava falando da vida, falando mal dos outros, aquela bobagem deliciosa.

Bruna, eu tenho que falar para ele, você está numa fase de reinvenção de novo, de renovação, com vários livros, por onde que a gente vai começar?

Ai, não sei, vamos começar por um lugar qualquer, assim, no imprevisto, na surpresa. Mas eu estou lançando um livro novo daqui a pouquinho. Isso. Aliás, estou lançando dois. Dois, é. É. O romance é um novo romance. Mulheres. Chama Mulheres que Sentem os Espíritos. Os Espíritos. Mulheres que Sentem os Espíritos. Que fala de mulheres, fala da intuição, fala da nossa ancestralidade.

Fala da união, fala da amizade, fala dessa única coisa que importa na vida, que é a solidariedade, que é estar ali pelo outro na hora que precisa, da confiança. Ele foi definido por algumas pessoas que leram como uma odisseia feminina.

A Djamila Ribeiro fez a Orelha e ela fala o seguinte, escrever uma odisseia feminina sem ter homens protagonistas é um feito admirável. Na verdade, tem muito homem no livro, mas as mulheres são as que sustentam esse livro. Pai, tem uma coisa que eu queria dizer para você. Pois, fala. Nos últimos tempos.

As ideias da gente andou muito escompassada, surda. Um do outro, a gente muito desregulado, demais. Foi ou não foi? E foi.

E o outro, eu tenho que falar para eles, o Diário do Grande Sertão, que é outra experiência sua de mergulho absoluto num personagem masculino, o Diadorim, que você está fazendo o quê com ele? Você está atualizando? Não, foi assim.

Sim, também. Foi muito de repente, como as coisas acontecem muito inesperadamente, uma surpresa. Quer dizer, eu sabia que esse ano seriam 70 anos do Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa, meu ídolo absoluto. E enquanto eu estava no sertão, fiquei muito tempo no sertão, vivendo... Você vai ler no diário.

de uma maneira da mais precária que existe no mundo. Assim como um jagunço, a Vansini que você conheceu, a Vansini era uma pessoa insana, delirante, assim, Herzog, quando fez Piscarraldo, não é nada, provavelmente eles tinham trailer, a gente dormia assim de qualquer... Era uma loucura, era uma loucura, eu passava horas, 15 horas, 8 horas em cima do cavalo.

Mesmo. Mesmo, mesmo, não tinha refresco. Você e o personagem eram a mesma coisa. Era a mesma coisa, era a vida. Com os adultos. E era isso que ele queria. E era isso que era necessário mesmo para encarar aquela aventura. E eu começo o livro dizendo que não existe coisa mais bonita no mundo.

A mais bela das aventuras é você ir em busca do desconhecido. E aí, como era muito forte a experiência, muito, muito intensa, para não enlouquecer, literalmente, eu comecei a fazer um diário.

E ficou muito interessante, porque ficou um olhar dessa saga que nunca mais vai acontecer no mundo, uma coisa tão enlouquecedora, entendeu? Eu conheci o Manuelão, que é um personagem do livro do Guimarães Rosa, entendeu? Ele falava assim que ele tinha 162 anos.

Ele pedia toda hora um beijinho, sabe? Uma maravilha de ser humano. E aí a gente, esse diário agora, me pediram por homenagem ao Guimarães Rosa para reeditar. Sim.

Seu nome é esquecido nas quebradas do sertão.

De um livro menorzinho, ele ficou um livro grande, grande não, mas enfim, um livro, né? Um grande livro. E atenção, pessoal, porque é difícil acompanhar essa mulher. Já vou dizendo. Porque ela está relançando Filmes Proibidos, que é um livro dos anos 90, 80 para 90. Exatamente. Na virada. Na virada. E agora é uma edição nova.

que tem um delicioso abre ali, falando das coisas que não existiam naquela época. É, exatamente. Não tinha essa tecnologia. Para situar, né? Como é que a gente se encontrava? E a gente se encontrava, e a gente fazia tudo muito, né? A gente se encontrava. E eu lendo aqui, eu lembro que a gente se encontrou uma vez no Cineclube Bixiga, né? Porque você fala aqui, como é que a gente se encontrava? Nas videolocadoras, nos cineclubes, nas livrarias.

Todo mundo frequentava os mesmos lugares, mas não era nem uma questão da cidade ser obviamente mais provinciana, mas é que as pessoas daquele grupo de pessoas que se interessavam por arte, por leitura, por cinema, por teatro, por artes plásticas e por aí fora, a gente frequentava os mesmos lugares.

Tinha um filme do Wim Wenders, estava todo mundo... Você sabia que... Aí a gente se encontrava depois no bar e falava sobre o filme do Wim Wenders. Isso era muito vital, entendeu? Era muito bom. E uma das frases que eu abro é falando esse o que era e o que é, né? Aquela época a inteligência estava de moda e não o sucesso. A inteligência estava de moda. Será que você não está passando pano para essa época?

se mexeu se mexeu se mexeu Obrigado.

Quando você olha esse arco de três décadas desse livro, o que esse tempo te diz mais? O que você enxerga nesse arco? Você sabe uma coisa linda que meu filho falou antes ontem para mim? Ele falou, até a gente estava fazendo uma live juntos, e o Kim falou assim para mim, uma das coisas que ele ficava impressionado e que ele admirava muito, que para ele era um lugar para alcançar...

era a minha coerência. Então, o que eu sempre, o que eu pensava, você vai olhar as entrevistas do meu comecinho, claro, a gente vai se ampliando, vai ficar mais abrangente, vai se sofisticando, enfim, ou vai se simplificando, vai ficando mais complexo, mais louco. Vai largando umas coisas, vai encontrando a essência. É, exatamente. Tem uma excentricidade na vida. Mas...

A coerência não é da superfície, pelo contrário, a nossa superfície é contraditória. Sei, fica mudando. A gente se contradiz, um dia faz uma coisa, não sabe se quer aquilo. Então, eu dei o exemplo para o Kim, eu falei, olha, Kim, pensa num oceano.

Pensa no mar, aquela profundidade, aquela que ninguém vai, que poucas pessoas hoje no mundo conseguiram alcançar, aquele lugar é quieto, ele é parado, ele tem a força de estar ali na sua interesa de ser oceano. As superfícies do oceano, ou seja, léguas acima, literalmente léguas submarinas,

ele fica borbulhando, morando. Uma hora onda, uma hora palma. A maré sobe, a maré desce. É uma loucura, entendeu? Obedece todas as atrações da natureza. Sim, sim, sim. Então, eu acho que a gente é um pouco isso. E essa coerência, ela está lá naquele fundo, sabe? As duas coisas. Aquilo não muda.

E eu quero falar também de Manual de Corações Machucados. Ótimo. Que título é esse? Que título. A gente precisa desse manual, né? Totalmente. Fala de um machucado que te estimulou a escrever. Olha, é engraçado que eu sou muito do aqui agora mesmo, né? E hoje eu tive uma conversa no telefone, porque todo mundo tem desafios.

Eu não acredito numa vida que diga assim, cheguei aqui sem desafio nenhum, fui indo, está tudo bacana, todo dia. Não, todo dia intempéria, desafio, vento forte, loucura. É o que for, você encara todas. E aí eu estava falando que, no fundo...

Essas coisas são ótimas, a gente deveria abraçar os problemas, porque são eles que fazem a gente pensar, crescer, mudar, enfrentar batalhas. As dores nos apontam de alguma maneira uma saúde.

Totalmente, sem a dor você não chega no oposto dela, você entende? Então, assim, a gente tinha mesmo que abraçar o problema e a capacidade que a gente desenvolve a partir do problema de resolvê-lo. Então me fala um problema seu bem ardido mesmo. Um problema meu bem ardido agora, assim? Ah, primeiro tem pavio curto.

Você está brincando. Eu tenho, não parece que eu tenho, porque eu sou calma, assim, né? Você está ali. Mas eu sou aquela calma de... Aquela calma que está pronta para agir. Então, eu tenho uma coisa que é o seguinte, aquilo que eu sinto e que eu penso, eu já falei. Você já jogou. Isso mesmo se eu não falei, todo mundo sacou. Eu sou muito, muito transparente e...

Eu tinha uma coisa que eu falava antes de pensar. Com o tempo, eu aprendi a pensar um minutinho antes de falar, mas é muito rápido esse minutinho, às vezes escapa. Tem uma coisa que eu preciso te falar. Está valendo a pena ser mulher em 2026?

Bom, eu acho que ser mulher é uma bênção. Embora eu fale para as mulheres, você é mulher, parabéns, você nasceu para a luta, para a batalha. Porque não é uma coisa assim que vem rápida, gostosa. Ah, olha aqui, está aqui para você, venha e tal. É uma árdua... É um mundo bruto, né? É, é um mundo brutal. E assim, todas, qualquer mulher do planeta... É um mundo bruto, né?

Você me desculpe, os homens aqui presentes me desculpem, mas elas trabalham muito mais que vocês. Ah, mas isso... Mas muito mais legal. Eu acho que isso está ficando evidente. Elas trabalham em silêncio. Sim. Elas não ficam, fiz acontecer. A mulher, ela é...

A mulher é espetacular. É preciso estudar essas criaturas, entendeu? O que elas são doadoras, o que elas são generosas, o que elas cuidam de uma cria, o que elas... De uma casa, de um bairro, de um país, né? É magnífico. E isso sem chance nenhuma. Imagina quando derem possibilidades, chances, sabe?

É como dar estudo para as pessoas. Eu acho que dois pilares de um país, não existe uma nação, um país que possa ser chamada de nação, se não tem educação e saúde fortes. Gente, vocês estão percebendo que Bruna é uma figura com autoridade? Nenhuma. Para falar de várias coisas, principalmente de mulher. Só que ela vai ter mais autoridade para falar do assuntinho do próximo bloco.

O homem. Opa! Você já deve ter ouvido falar de mansplaining. É um termo em inglês que junta duas palavras man, homem, e explaining, explicação. É aquela cena manjada onde um homem explica algo de um jeito assim condescendente a uma mulher.

É patético, mas acontece muito, viu? Esse termo surgiu com a viralização de um texto da escritora Rebeca Sounik, em 2008. Nele, a Rebeca relata uma festa onde ficou um homem ali tentando explicar para ela um livro do qual a autora era ela mesma.

Ô, Bruna, eu acho que você já encarou muito o mansplaining. Mas antes eu quero que você me diga o seguinte, o que eu fiz agora, explicar mansplaining.

É mansplaining? Não, não é, porque é um anglicismo que as pessoas podem não conhecer. Pois bem. Agora, existe nos Estados Unidos, há muitos e muitos anos, isso se chama patronizing. Patronizing. Assim, don't patronize me. Isso, diga o que é. É o cara, e não é apenas o homem.

É uma situação em que alguém, de uma forma condescendente, te coloca numa posição como se ele estivesse compreendendo que ele precisa te explicar melhor o que você ainda não... Enfim.

Ele é tão legal. É essa coisa que faz uns... Dá uns nós, assim. No fundo, é um cara querendo ter o poder. É um paternalismo brutal. É isso mesmo. E eu acho o seguinte, o legal, uma das coisas que eu, inclusive, prego muito nas minhas redes...

É que a mulher aprenda a se posicionar. Como? Dizendo não, aprender a dizer não é uma grande arte. Fala o quê? Não, espera aí. Não, você fala assim, não, eu não gostei do jeito que você falou comigo. Ou, não, eu não concordo com você. Não, eu não aceito a sua crítica, revido com isso. E você não precisa ser indelicado, você não precisa sair brigando. Porque outra coisa que eu acho que o machismo fez muito...

É dividir as mulheres, dividir para governar. Como que é? Porque assim, o que acontece? Se as mulheres se unem, que é o meu tema, um dos meus temas, mulheres, vamos nos unir, vamos gostar umas das outras, vamos juntar forças, que a nossa união a gente fica imbatível. Todo mundo sobe, uma sobe, sobe em todas.

E sem competição, sem inveja, sem esse tipo de coisa. Por quê? Porque esses valores são valores que a sociedade masculina impingiu às mulheres.

Todo tempo era novo, jovem. Hoje eu digo, e precisamos todos, reivindicar.

Como se libertar dessa maldição? Primeiro, tem uma coisa muito legal que é um encontro. Pode ser homem e mulher, homem com homem, independente de gênero, porque gênero é uma coisa do passado, sabe? O mundo é fluido, o mundo é o que é. Então, a gente tem que ter abertura e compreensão. Seres humanos, o encontro de seres humanos...

com confiança, com verdade, com boas intenções, com amor. Sobretudo com amor, simples assim. Esse encontro, ele é libertador. Porque você, na hora que você ama, você quebra o julgamento. Portanto, eu gosto de uma pessoa, eu não estou julgando aquela pessoa. Você entende? Começa, inclusive, no amor próprio.

você não tem que ficar se julgando o tempo todo. Se você se julga, se você se critica, você cerceia a tua própria liberdade. Mas me conte sinceramente, você às vezes se julga. Nossa, muitas vezes, é claro. E aí o que você faz? Mas aí também você supera, você fala assim...

Não é por aí. É, não é por aí. Você entende? Tenho mais do que isso para dizer, tenho mais do que isso para dar. Mas qual é a... E quando você não se julga, os outros também param de se julgar. É um ciclo visível. Sabe aquele, o infinito, aquele oito, deitado?

Porque essa é a energia do mundo. É uma proteção que se cria. Aquilo que vai e volta. Então, esse encontro que seria libertador, é o encontro onde duas pessoas, independente do século, elas conversam, elas se abrem, elas perdem o medo. Portanto, elas vão chegar num novo lugar. Pensa que o homem foi condicionado a não analisar os próprios sentimentos.

Tem prisão maior para você se compreender. A dar nome, inclusive, aos sentimentos. Então, você não sabe o que está acontecendo com você e você teme esse mergulho, porque você acha esse mergulho uma fraqueza. E aí, o que você perde? Você perde você mesmo. Perde, né?

E fica violento, né? Claro. A violência vem daí? Vem daí. Tudo que o homem não consegue resolver, ele transforma em violência. Por isso que ele é bruto. Meu Deus. Você entende? Eu estou começando a ver alguns na minha frente. Mas olha, pensa no seguinte, o homem...

Eles, assim, os brutos, esses pobres coitados desses brutos, eles acreditam que a sensibilidade é uma fraqueza. Quando é exatamente o oposto, é uma inversão de valores, é uma distorção social. A sensibilidade é a grande força, é a movedora do mundo, é o que marca a história da humanidade.

Você esteve diante de um homem muito poderoso, que eu quero saber a sua primeira impressão dele, aquele sujeito Donald Trump. Qual foi a sua primeira impressão na entrevista que você fez com ele? A primeira impressão dele é que ele adorava o poder e que ele se sentia dono da sua ação. Já naquela época? Imediatamente. Que ele era só um cara rico, famoso da televisão e tal. E aí, como é que foi? E aí eu fiquei...

educada, porque eu tenho que fazer uma entrevista, você não vai ser contrário disso, jamais. E fui fazendo algumas perguntas do que eu ia sentindo, do que eu tinha anotado, mas mais do que eu ia sentindo. Fui para alguns lugares, hoje talvez eu teria ido para outros, mas enfim... E eu me lembro da pergunta absurda que eu fiz, que eu perguntei para ele.

Você gostaria de ser presidente dos Estados Unidos? E ele falou assim, não, nunca pensei nisso. Amigos meus me ligam até hoje dizendo, bela ideia que você foi dar. Você foi dar essa... Falei, não, a culpa não tem nada a ver.

Eu sempre pensei sobre isso, eu sempre me pedi para o trabalho, até agora eu declinhei. Você sabe, se o mundo continua a ir tão ruim, talvez algum dia, mas eu não tenho planos disso agora. Você nunca pensou de ser o presidente dos Estados Unidos? Bem, eu já pensava sobre o conceito do trabalho, mas é algo que me intrigou até agora. Mas teve um que mereceu uma lição.

Bom jovem. Não, coitado. Coitado. Não, mas, sinceramente, ele foi meio infeliz, ele escutou, porque eu sou pavio curto, como eu te falei. Mas conta, então. Mas depois ele foi super gentil, ele pediu desculpa, ele falou, não era isso que eu quis dizer, eu falei tudo certo. Mas ele, a atitude dele tem a ver com aquilo que a gente estava falando, né? Uma autoridade imensa para ser meio... É uma coisa assim que muitas vezes o homem acha que...

Ele prometeu uma vida boa para uma mulher é uma coisa muito atraente. Sim. E eu falo assim, você não pode me oferecer uma coisa que eu vou conquistar sozinha.

Você entende? Para mim esse é um princípio de vida.

Não, não, não. Eu tenho dinheiro suficiente. Eu não preciso de dinheiro de nenhum homem. Não de homem, claro que não. Eu faço minha própria carreira. Você é muito forte. Be sure de isso. Você pode ser certeza.

Vamos ver o que os seus súditos ou, sei lá, seguidores, que nome querem te perguntar. Pathy, aqui você atribui a força e segurança que tem desde muito nova, ela diz. Por exemplo, reagir a gracinhas de entrevistados influentes sem se intimidar. Eu acho que a força todos nós temos. Aquela coisa, eu tenho a força, todos temos.

O grande desafio, a grande dificuldade é você entrar em contato com ela, é você ter esse mergulho, porque acontece o seguinte, a gente vai engolindo coisas e escondendo coisas nos nossos sótãos, nos nossos subterrâneos.

que muitas vezes a gente não quer mexer, ou que quando aconteceram, a gente não tinha ferramentas para lidar com aquilo, e aquilo fica ali acumulado. Mas aí você tem que ir. Você tem que ir devagar, você tem que ir com amor a você mesma, com cuidado, sem autocrítica, sem se penalizar, sem se...

Sem dizer que louca, que burra fiz isso. Sem arrependimentos. Sem querer voltar atrás. Você tem que limpar. Você tem que limpar a sua área. Botar a mão. Botar a mão na massa. A hora que você põe a mão na massa. Mas pelo contrário, você tem que olhar o positivo daquilo. Ah, falhei aqui, caí ali, errei lá, que bom. Sabe, que legal. Olha que tanto que me ensinou. Não chega nada para a gente que não seja lição ou bênção.

Como que nós devemos criar os nossos filhos, Bruna Lombardi? Só tem uma palavra para responder isso. Amor. Não depende do que eles são, fazem ou querem. Depende de você mostrar que você está lá para eles e, obviamente, você dizer que eles não devem fazer mal a ninguém. Que eles só devem fazer o bem. Porque fazer o bem é um...

Abre bons caminhos. Sabe, a vida fica muito bonita. E eu nem preciso dizer, né? O mundo está muito bruto, embrutecido. Demais, demais. Por isso mesmo que tudo isso... E tem gente que acredita o contrário do que você está falando. Mas você sabe que isso que a gente está falando é resistência, é antídoto. Tem um veneno? Este é o antídoto.

Não tem outro, você entende? Não tem. Não tem outro. Porque se vier violência e você for na violência... Se você for num sistema de segurança, não dá o carro... Não, e aquela coisa, olho por olho, ficamos todos cegos, ok, entendeu? A única coisa que é antídoto é o amor, a compreensão, a escuta, a arte.

Essas são as coisas, esses são os elementos capazes de combater o embrutecimento. A gente não veio aqui para ser embrutecido. A gente veio aqui...

para compreender mais em busca do conhecimento, em busca da luz, em busca de coisas superiores, do nosso ser superior, não afundar no nosso ser inferior. Todos temos o ser inferior, mas a escolha é nossa. Eis o livre-arbítrio.

Eu creio que muita gente quer sentir essa segurança, quer sentir que essa postura não vai deixar mais frágil diante de um companheiro ou companheira, ou do mundo, ou do bairro, ou da rua. Não, o que te deixa a injustiça do mundo deixa você muito impotente.

quando você vê que existe tanta dor e tanta miséria e tanto sofrimento e tanta coisa errada e tudo e você...

por mais que você haja, é uma gota num oceano de coisas, dá uma impotência muito grande. Você se sente tão ínfimo. É, sozinho. Não, a gente não é sozinho, nós somos muitas gotas nesse oceano. É o que nos salva. Mas mesmo assim, é dificultoso, como diria o Guimarães Rosa. Porque assim...

Não há a quem recorrer. Chega uma hora que a coisa domina tanto, a corrupção invade tantos territórios... Os pensamentos, né? De tantas pessoas, né? Que você não acha mais brecha para a verdade. E aí, o que você faz? E aí, talvez você vai ter que se acostumar com uma...

com um novo caos da verdade que já está acontecendo, você não vai mais saber quem disse o quê, que vídeo é o certo, que vídeo é o outro. As pessoas vão para um fanatismo absoluto e incontestável. De acreditar. Onde não existe mais raciocínio. Tem uma frase que eu adoro, que diz o bom senso existia, mas estava escondido por medo do senso comum.

Isso diz muito da nossa situação, do nosso momento. Isso diz muito sobre ouvir, que você estava falando antes. Mas eu sou otimista mesmo nessas circunstâncias, porque eu acho que já estivemos pior. A pressão popular hoje não está permitindo falar coisas erradas. Não está permitindo... Eu nunca... Você sabe que...

Desde sempre, eu acho que eu... As pessoas falam assim, é meio na frente do tempo, mas eu acho que nesse ponto eu era mesmo. Eu nunca ri de piada que...

tivesse ridicularizando o ser humano. Sim. Sabe? Nunca ri de piada de gay. Eu achava um absurdo de mulher feia. Não te pegava. Tinha televisão, tinha piada de mulher feia. Eu achava um absurdo, um absurdo. Eu ficava indignada. Eu era uma criança e eu me lembro que eu ficava indignada. Sim, sim, sim. Sabe? Porque eu sentia tão ofensivo. Não tenho gay na família.

Não me toca pessoalmente, nunca me chamaram de feia, mas eu ficava indignada pelo sofrimento alheio, entendeu? Eu acho que isso chama empatia. O que está faltando no mundo é empatia. Empatia só vem com a consciência do amor.

Na última parte do Provoca, eu quero buscar novos encaixes neste quebra-cabeça chamado Bruna Lombardi. Não se perca aí, não. Até logo.

Hoje em dia, seguir e ser seguido nas redes sociais tem muito valor, muitas vezes um valor totalmente ilusório. Basta olhar um poema escrito há 100 anos pelo português José Régio, que fala das virtudes de trilhar um caminho próprio. Ele diz assim...

Ninguém me diga, vem por aqui. A minha vida é um vendaval que se soltou, é uma onda que se levantou. Não sei por onde vou, não sei para onde vou, eu sei que não vou por aí. Olha, eu duvido que alguém tenha coragem de dizer, a Bruna Lombardi, a minha convidada, por onde ela deve ir? Alguém já teve essa coragem, Bruna?

Quando eu era criança, bem criança mesmo, eu vi um filme que a protagonista escolhe entre duas ervilhas. São duas coisas idênticas. E ela fala, não, eu prefiro essa. E eu falei assim, nossa, tudo a gente dá para escolher. Pensei comigo. E a partir de então eu entendi...

que tudo que a gente faz nessa vida é uma escolha. A maneira como você reage a uma coisa, a maneira como você não aceita uma imposição, a maneira como você se posiciona, a maneira como você busca...

compreender e expor, expressar a sua voz, que é uma coisa que facilmente pode ser tolhida pela sociedade. Ou por você mesmo. Ou por você mesmo, mas em decorrência da sociedade. De uma pressão. Em decorrência de uma pressão social.

Agora, Bruna, você já nasceu assim?

Eu nasci assim. Eu acho que eu nasci numa família muito interessante. Incrível. Vamos falar deles? Eu nasci numa família muito, muito interessante. Pai cineasta, mãe atriz, não é isso? Gente muito inteligente, muito sábia. Meu pai muito culto. Como é que era essa casa? Era muito legal. Era uma casa assim. Meus pais...

Trabalhavam com arte, sempre e tal. E quando a gente veio para o Brasil, meu pai veio por causa de um filme. Ele nasceu em Roma. E aí eu nem existia ainda. E ele veio assim, cidadão, primeira classe, sabe? Bacana, convidado, saiu na capa do Globo, sabe esse tipo? Claro. A gente não é uma família italiana imigrante, daqueles que foram batalhar pela vida. Artista convidado. É, de ser convidado.

Então, assim, minha casa era muito frequentada por artistas, né? Por escritores, escultores, artes plásticas, assim, pessoal da televisão. Eu me lembro o Jô Soares, que a gente citou, ele ia em casa, ele me conheceu pequenininha, ele até, uma vez na entrevista dele, falou, eu punha você no colo, sabe aquelas coisas? Claro. Mas, então, assim, eu tinha esse convívio. E eu...

Quando eu era muito pequena, obviamente, eu tinha que dormir, oito da noite eu não podia estar na sala. Não participava da gandaia com os adultos. Mas eu fazia o seguinte, eu ficava na beira da escada, escuro, na pontinha de cima, minha casa tinha uma escada, ficava na escada, eles ficavam ali embaixo na sala. E as conversas eram sempre muito interessantes sobre a coisa, assim...

buscando a vida, a arte, conversas de pessoas interessantes, inteligentes, mas eu não entendia nada, na verdade. Mas ficava lá ouvindo. Mas eu ficava ouvindo. Aí, como eu não entendia nada, mas eu ficava falando assim como se eu estivesse participando daquela conversa.

Sabe criança quando fica assim... Sim, sim. E eu me sentia parte daquilo. E eu continuei um pouco com essa mania, porque meus pais eram muito ocupados e não é que eles me davam muita bola. Eu não fui uma criança mimada, sabe? Não fui. Então, assim, eu estava no carro com eles, no banco de trás, os dois conversando entre eles, esquecendo que eu estava ali, inclusive.

Aí parava o carro do lado, na época não existia a vida do fumeiro, tudo claro. Parava o carro do lado, o cara olhava para o meu carro, via os dois falando, eu ficava assim, como se eu estivesse... Eu também estou conversando com essa família, eu faço parte. Você entrava na cena. É, estou na cena. Uma busca sempre de pertencer àquilo. Que interessante. Porque eu achava aquilo interessante. Claro.

Como que eles receberam a sua decisão de ser modelo na adolescência? Olha, nem foi minha decisão, porque se você acreditar nisso, talvez você não acredite, mas eu acredito nos opostos, então todo mundo tem um oposto dentro de si e tal. Eu era muito...

Para fora, extrovertida, sempre fui, mas também era muito recolhida e vivo assim até hoje. Eu tenho um lado fora, expansivo, que não para de falar, mas eu tenho um lado interno, quieto, recolhido, que eu passo parte do meu tempo escrevendo sozinha. Então eu tenho essas duas formas de vida.

E eu, quando começaram a me chamar para ser modelo, eu não queria muito. Mas assim que eu vi grana, eu falei, é comigo mesma. Como assim? Isso para mim é importante. Porque meus pais estavam passando exatamente uma crise com o cinema. Veio o cinema novo, outro mundo, não tinha dinheiro no cinema. Então, meu pai, que veio fundar a Veracruz e que sempre ganhou bem, de repente se viu.

Com coisas escassas ali. Escassas, coisas escassas, né? E a gente morava nos jardins, na Alameda Jaú. Estudava no Dante. Então, eu falei, puxa, ganha dinheiro. Vou resolver esse problema. Vou resolver esse problema. Então, eu comecei... E eu ganhava muito bem. É mesmo? Ganhava muito bem. Já pequenininha. Já comprei meu... Com 18 anos, eu comprei o meu carro zero. Com o meu dinheiro. Meu Deus. Então, você acha que alguém pode me oferecer alguma coisa que eu não possa conquistar sozinha?

Tem uma frase da Clarice Lispector, que eu gosto muito, que diz, eu sou mais forte do que eu.

Essa frase é uma frase que bate fundo. Quando surge a escrita? A escrita surge muito antes. A escrita surge com a escrita, praticamente. Eu, por exemplo, estava na escola, aí tinha aquela coisa de redação, aí eu me lembro um dia uma professora, estou falando de ensino fundamental, primário, na época. Ela falou assim, quem escreveu isso para você?

Eu falei, ninguém. Ela falou, você que escreveu? Eu falei, é. Mas quem te ajudou? Eu falei, ninguém. Como assim? Do Dante? Do Dante. Só fiz o Dante, só fiz uma escola na vida. E faculdade depois. E aí ela falou, ok, então você senta aí, eu vou te dar um tema, você vai escrever. Vamos ver. Ela me deu um tema, eu escrevi, a partir daquele dia...

Eu era a criatura mais respeitada da escola em termos de redação. Eu ia em todas as classes, ler o que eu tinha escrito e...

Encontrei um comércio paralelo. Eu escrevia para as crianças da escola, para a minha classe. Você começou a trabalhar para quem não queria escrever. Todo mundo chegava para mim e dizia assim, faz minha redação. Falo fácil. Quanto você cobrava? Eu não cobrava, mas eu ganhava lanche, chocolate. Muita regalia, entendeu? Então, o que aconteceu? Mas isso significa reconhecimento. Muito. Eu ia para a escola, a escola tinha concurso de poesia. Bruna.

Eu era a única Bruna da escola, eu era a única Bruna do país, ninguém entendia meu nome, eu morria de vergonha de chamar Bruna. Olha, porque era uma coisa exótica, né? Porque ninguém chamava Bruna, você não tem outro pai nesse mundo. E aí depois você influenciou milhões de pais, né? Não sei, é verdade, porque hoje tem Bruna pra danar, né? Hoje tem até hoje. Chove, Bruna. Ô, Bruna, o quê? Acabou o papel. Problema seu, tam, tam, tam, tam, tam, tam, tam, tam, não me responde, guri.

Agora, vamos lá. O Fábio Júnior já se casou sete vezes. Eu estou falando do Fábio Júnior porque no mesmo ano que você se casou, 1978, você se casou com a mesma pessoa. Que ele?

Não, não, creio que não. Creio que o Rick Chellis nunca casou com o Fábio Jr. Vamos refazer essa frase. A frase é o seguinte. Em 1978, até hoje, o Fábio Jr. casou com sete, você com um. Certo. Por quê?

Eu não posso responder pelo Fábio Júnior, tá? Não tenho a menor ideia porque ele casou com o Sete. Mas eu encontrei o cara que eu amava e amo. E eu, assim...

Quando eu conheci o Ri, eu já conheci uma coisa meio paradisíaca, que é o Xingu. Mas conte, porque eu assisti, eu estava assistindo a essa novela. Milhões de borboletas. Aristana. Nós dois no meio de uma aldeia, só indígenas maravilhosos. Era TV Tupi. É, mas o Xingu era a coisa mais apaixonante. Jardim do Éder. Não, assim...

Fui para o paraíso, morri e fui para o paraíso. E tem esse cara do meu lado dando mole, entendeu? E era o índio, né? E era o índio, aquela coisa generosa, verdadeira. Te ouvindo. É, lindo, né? E era uma locação que vocês ficaram quanto tempo?

Um mês e pouco, uma água quente, transparente dentro da lagoa. E eu, assim, me fazendo o possível para me encostar nele, me esfregar nele, fazer o que eu podia, entendeu? E ele mais tímido do que eu, se deve ser honesta.

Quem foi mais assim, pouco, na verdade, fui eu. E para deixar também ele mais à vontade, né? Mas assim, mas aí o que era legal é que depois do paraíso e tal, a gente veio para uma praticidade da vida, quando a gente começou a ficar junto mesmo, que a gente foi direto para a loja de material de construção. Sério? Vamos escolher, prego, madeira, marcar.

O que é isso? Não teve dúvida. A vida foi muito assim, fantasia e coisa muito prática. E realidade. E tinha uma coisa linda que quando a gente começou a morar junto, a gente já sabia, porque a gente já tinha conversado para caramba. Mas a gente tinha lido os mesmos livros, visto os mesmos filmes. Então...

Você vai com uma pessoa que você tem todas as referências. E então você começa... Ele é muito diferente de mim em muitos aspectos. Mas em outros, a gente pensa tão parecido que não precisa nem falar. A gente não precisa nem se olhar em um lugar que, assim, mesmo sem olhar, ele sabe o que eu estou pensando, eu sei o que está pensando. E essa cumplicidade segura, esse lugar de confiança, esse lugar de calor humano, assim, de... Olha...

Não existe amor mais legal que o amor incondicional. Meu Deus, que que é isso? Que declaração é essa, Richelle? Aritana, teu tio mandou dizer que é pra você se vestir. Assim todo mundo vê você de outro jeito. Caraíba, Urué. Hã? Caraíba mentiu.

Quem mentiu? Esse amigo, meu pai. O Bruna, olha aqui.

NMG, Bruna, somos mães de apenas um filho. No meu caso, filha, essa questão do filho único te aflige muito ou já afligiu e não mais? Nunca me afligiu e foi uma escolha deliberada. Eu sempre quis essa coisa assim da trindade, sabe? Eu sempre quis isso. Eu sabia que eu ia dar conta de um filho... Tá.

Não sabia se era homem ou mulher, porque na época eu nem quis saber. Nem tinha como, né? É, mas também, enfim, mas eu sabia que eu ia dar conta bem, que eu ia cuidar muito bem de um. Que eu não ia ser capaz, sei lá, de ter mais, não ia conseguir, é muita coisa para mim.

Então me diga, Bruna, Patrícia, Romilda, Maria, Tereza, Lombardi.

O que é a vida? A vida é isso tudo e mais um pouco, né, que a gente falou e muito mais, né? Mas a vida é essa coisa extraordinariamente complexa, interessante, deslumbrante, estimulante, que precisa ser descoberta dia a dia. Eu acho que a nossa grande busca é entender isso que nos cerca e começa por entender isso dentro de nós.

Porque a gente só vai entender o fora entendendo o dentro. Se você não se conhecer e não entender, você não vai entender nada. Não tem como, você vai ser um sem noção permanente. Porque é isso, né? O Bruno, acho que está na hora de você escrever aquele manual.

de vida do homem contemporâneo. Nossa, que missão impossível. Você topa? Topa essa missão? Sei lá, vamos ver. Vamos ver o que a vida, que surpresa que a vida traz. Eu topo, dar uma, assim, uma atrapalhada, talvez. Gente, adorei, Tabiê. Gostei muito. Obrigado, meu amor. Obrigado pela visita. Obrigada a você.

O que é isso, né? A gente foi para tantos lugares. Foi mesmo, a gente falou bastante coisa, né? Vocês gostaram? Quanta gente importante.

#308 - Bruna Lombardi | Castnews Index — Castnews Index