Episódios de Saúde Mental Vivências - Cristina Oliveira

206 - Cuidado, cidadania e voz- Mulheres Cuidadoras

08 de maio de 2026
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‍Compartilho o impacto de um encontro com o Movimento Mulheres Cuidadoras
que me fez refletir sobre os sentimentos, desafios e potências das mulheres
que sustentam o cuidado em saúde mental.

‍ A partir das experiências do Coletivo Mulheres Cuidadoras e do trabalho
desenvolvido na Comunidade de Fala Brasil, faço uma reflexão sobre
narrativas em primeira pessoa, cidadania, participação social e a pergunta
que permanece necessária: quem cuida de quem cuida?

‍O Canal Saúde Mental Vivências está em sua sexta temporada. Todos os
episódios estão disponíveis em www.cristinaoliveira.org, no Spotify e Apple
Podcast

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Participantes neste episódio1
C

Cristina Oliveira

Host
Assuntos2
  • Empoderamento FemininoImpacto emocional do cuidado · Rotinas e sobrecargas · Ações de autocuidado e economia solidária · Participação em políticas públicas · Movimento Mulheres Cuidadoras
  • Neuromitos e Saúde MentalDimensão afetiva, política e social do cuidado · Transformação da experiência em voz e escuta · Saúde mental coletiva
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá pessoal, no episódio de hoje do Saúde Mental Vivências, eu faço um convite diferenciado, que a gente inicie o mês de maio por um outro caminho, pois em maio a gente costuma lembrar como o mês das mães, um tempo socialmente dedicado às mulheres, aos vínculos familiares e às homenagens.

Mas eu acho que para além das datas comemorativas, existe um território emocional pouco nomeado, os dos sentimentos que transpassam as mulheres que cuidam. Cuidar é uma palavra bonita, mas também pode ser uma palavra silenciosa, cansada, invisível. Eu participei recentemente de um encontro de associações e movimentos de saúde mental. E foi ali que eu conheci...

um pessoal do movimento Mulheres Cuidadores. Gente, eu preciso dizer, foi um conto que me impactou profundamente. Assim que a gente trocou experiências, conversou, algo aconteceu de uma forma imediata. Eu me reconheci naquelas mulheres. Não apenas nas histórias narradas, mas naquilo que muitas vezes não aparece nas estatísticas nem nos relatórios. O peso emocional do cuidado cotidiano.

Mulheres que acompanham filhos, companheiros, irmãos, mães, pais ou familiares em sofrimento psíquico. Mulheres que sustentam rotinas, enfrentam serviços de saúde, atravessam crises, organizam a vida doméstica e muitas vezes fazem tudo isso sem que alguém pergunte, quem cuida de quem cuida?

Aí eu corri lá para acessar o material desse coletivo de mulheres cuidadoras. E foi ali que eu compreendi melhor a dimensão desse trabalho.

O projeto nasce no Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas de Saúde Mental do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a partir de ações de promoção da saúde e participação social voltadas às cuidadoras familiares de pessoas usuárias dos serviços públicos de saúde mental. Foi durante a pandemia de Covid-19

quando o isolamento ampliou sofrimentos e sobrecargas, é que foi criado encontros remotos de acolhimento para familiares. E essa experiência revelou algo fundamental, como eu estava lendo. Daqueles encontros nasceu o coletivo Mulheres Cuidadoras, reunindo mulheres de diferentes regiões do Brasil, que passaram a compartilhar experiências, produzir apoio mútuo e construir novas formas de participação social. Então, vamos lá.

O trabalho não ficou restrito ao acolhimento, ele se expandiu. Hoje, o coletivo desenvolve ações presenciais e remotas voltadas ao autocuidado, à educação continuada, à economia solidária e ao fortalecimento do controle social e saúde mental. São redes que conectam familiares, profissionais, estudantes e pesquisadoras ampliando linhas de cuidado de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indústria de indú

e produzindo conhecimento a partir da experiência vivida. As mulheres cuidadoras, gente, elas passaram a ocupar também espaços estratégicos na construção de políticas públicas, participando de audiências públicas, seminários internacionais e debates nacionais sobre a política do cuidado no Brasil.

Aí eu fui lá percorrer o índice de atividades e produção desse coletivo que está lá no site. Encontros de acolhimento, narrativas do cuidado, podcasts, cursos, articulações institucionais. Fica evidente que não se trata apenas de um projeto acadêmico assistencial. Trata-se de um movimento vivo que transforma experiência em conhecimento e cuidado em participação social.

E talvez tenha sido exatamente isso que mais me impactou naquele encontro. Perceber que aquilo que tantas mulheres viveram de forma solitária começa a ganhar nome, espaço e conhecimento coletivo. Isso é muito potente, gente. Falar de saúde mental é também falar de quem sustenta o cuidado quando os serviços se encerram, quando a crise acontece dentro de casa.

quando o sofrimento não cabe nos horários institucionais, o que se faz? Existe aí uma dimensão afetiva, política e social do cuidado que historicamente tem rosto de mulher. E o que acontece quando as cuidadoras passam a se encontrar? Quando podem falar, ser escutadas e construir redes? Com certeza algo muda.

O cuidado deixa de ser destino individual e passa a ser experiência compartilhada. A sobrecarga começa a se transformar em participação. O silêncio começa a se transformar em fala. Talvez a saúde mental coletiva comece exatamente aí, quando quem cuida também encontra lugar para existir, descansar, aprender e ser cuidada.

Ao viver esse encontro, olha que foi rápido. Mas ainda assim eu pude reconhecer algo muito próximo do trabalho que desenvolvemos na comunidade de fala. Assim como acontece entre as mulheres cuidadoras, também ali as narrativas surgem na primeira pessoa. São histórias contadas por quem vive e sente a experiência da saúde mental. Não como objeto de estudo, mas como sujeito da própria história.

Esse rico conhecimento entre iguais cria pertencimento. A fala deixa sim de ser relato isolado e passa a ser exercício de cidadania. Pessoal, narrar a própria trajetória torna-se um gesto político, uma afirmação de direitos e uma forma de participação nas lutas por uma sociedade mais justa, mais inclusiva e mais igualitária.

Eu percebo cada vez mais porque diferentes iniciativas em diferentes lugares do Brasil vem tecendo o mesmo fio, transformar a experiência em voz, voz em escuta, e a escuta em transformação coletiva, em transformação social. Nesse início de maio, mês simbolicamente associado às mulheres, fica o convite para ampliarmos o olhar.

Não apenas celebrar, mas reconhecer. Não apenas homenajar, mas escutar. Porque cuidar não deveria ser um ato solitário. E talvez uma das perguntas mais importantes para a saúde mental contemporânea continue sendo esta. Quem cuida de quem cuida? Eu confesso que eu fiquei emocionada nessa fala de hoje.

Acompanhe o canal Saúde Mental Vivências pelo site cristinoliveira.org. Lá vocês encontram a forma de achar as mulheres cuidadoras. Tem também o canal no Spotify e no Apple Podcast. Pessoal, até o próximo episódio.

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