Episódios de VERBORRAGIA

Domingo Chuvoso

11 de maio de 202636min
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Dias assim me mantem vivo!

Assuntos5
  • Clima chuvoso e reflexõesSensação do clima chuvoso · Saudade de domingos chuvosos · Atividades em dias chuvosos
  • Tomada de decisões e responsabilidadeInfluência do meio · Liberdade de escolha · Consequências das escolhas
  • Amadurecimento e perspectiva de vidaDiferença entre envelhecer e amadurecer · Gratidão pelas experiências · A influência do meio na formação do indivíduo
  • Superando Padrões de RelacionamentoAmizades de longa data · Dificuldade em manter contato · Obrigações familiares e profissionais
  • A vida como um processo de aprendizadoPercalços e imprevistos · Limitações financeiras · A importância de se adaptar
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Essa é a quarta vez que eu tô tentando gravar isso num período de... Não, vem pra cá, vem pra cá, não sei o que já não. De quatro dias, o que é o que acontece?

Sossega cara, só porque eu comecei a gravar, você tá agitado, pelo amor de Deus Ele tá vendo cavalo, não consegue ficar em paz, tô fazendo cavalo E outra também, quem que foi o filho da puta que colocou um cavalo na chuva cara Cara, cara, desgraçado, tem que morrer cara Tem que amarrar ele de quatro assim ó, botar de ponta cabeça, deixar ele um dia inteiro no sol Caralho mano, pra que deixar o coitado do cavalo na chuva mano Tá frio ainda, bichinho sente frio, não sente? Fala aí cachorro Você que é animal, você que entende mais

Com certeza o bicho deve sentir um frio E ta frio hoje Pera ai, ta sem desligar Caralho, que merda

Perdão aí, pelos 30 segundos piores da sua vida Hoje tá um clima chuvoso, tá bem frio, tá parecendo meio escócia aqui, sabe? Chuva pra caralho, frio Deve estar a 17 graus, 18 graus aqui pra nós, aqui do interior Isso aí é a mesma coisa que GA, né? Então, é um clima agradável, é um clima gostoso Aí tive que trazer o outro pra passear também, ele já se esmolhou inteiro

Não consegue ficar 10 segundos sem querer se molhar. Por que eu trouxe? Vem pra cá, vem pra cá, isso. Espera um pouquinho a chuva passar, depois não é volta. Tá chovendo, sabe? Aquela... Como que chama? Quando a chuva é bem ralinha, mas ao mesmo tempo ela parece que molha mais do que uma chuva comum. Garoa, garoa, é essa a palavra.

Ela vem bem condensadinha, bem espessa. É bem estranho. Aí parece que ela te molha mais que uma chuva normal. E dá uma sensação de tipo, nossa, cara, realmente tá molhando. Mas eu sinto falta desse tempo, do domingo chuvoso. Quem que volta pra pelo menos ter uns 10 domingos chuvosos no ano?

Pelo menos uma vez por mês, uma vez por semana, assim. Uma vez por mês, né? Uma vez por semana. Não vai ter mais domingo solarado. Pega aquele... Aquele último domingo do mês que você tá sem dinheiro. Pera aí, cachorro.

Ou lá pro meio do mês, lá pros meados de dia 15 ali, que você não tem muito o que fazer também, você não tem muita grana, você só tem uma Netflix ou uma Prime Video ali pra assinar, e vai pra cima, cara, e vai pra cima. Liga seu Playstation aí, seu Xbox, ou faz assim nem eu, ficou ouvindo música, ficou ouvindo um podcast enquanto mexe no computador, eu gosto aí.

Falta... Me falta ter momentos contemplativos, sabe? De olhar pras coisas e falar Caralho, isso é da hora Sabe aquele momento que você pega, passa um cafezinho Você entra no computador Toma um cafezinho É que eu não tô tomando tanto café que nem antes, né? Agora eu tô tomando uma estrelilê Que é uma bebida muito agradável também, ao meu ver Gosto de tomar Tipo, ah, pega ali, toma, pá Nossa Nossa

contempla os momentos. Uma coisa que tem bastante aqui no interior, de sexta a gente se reúne para jogar basquete ali no ginásio, né? E o interessante é que o único intruso ali, entre aspas, é eu, né? Porque faz pouco tempo que eu moro aqui na cidade. Vai fazer dois anos agora, né?

E é engraçado que os caras se conhecem uma vida inteira, mano, literalmente. Tipo, dos 10 anos, os caras estão com 40 hoje, seus 30, seus 30 e pouco, os caras se conhecem a todo esse tempo, sabe?

E não é só se conhecer, é manter o contato. Ah, cachorro não chora não, tem que esperar passar, ué. Eu acho muito legal esse negócio de manter o contato. Mesmo depois de velho, sabe? Ah, vamos marcar um churrasco, vamos marcar um negócio. É claro que a periodicidade, ela se mantém maior, né? Porque quando você fica mais velho, você tem obrigações fiscais ali.

Obrigado, obrigações para a sua família, sei lá. Não, na terra não, pelo amor de Deus, vai sujar mais. Depois você vai entrar em casa. E... nossa, pera aí, preciso fechar minha boca com fio. Agora melhorou um pouco. E você vai tornando isso... vai fazendo menos vezes, né?

E é legal porque você acompanha a trajetória da vida da pessoa. Eu acho muito bacana isso. Vou ver se eu acho uma capa de chuva para o cachorro. Que legal, tem uma capa de chuva. Olha cachorro, vou comprar uma capa de chuva para você. Vermelho ainda.

Bem maneira. Ele não liga de se molhar, ele gosta de água. O problema é que ele vai entrar dentro de casa depois e vai molhar a casa inteira, né? Vai ficar lá molhado, fedido, cachorro molhado. Nossa, pensa no fedor que dá. Não, no barro não. E a casa fica totalmente fedida, né? Enfim, eu tava falando sobre esse negócio de manter o contato. Mesmo depois de anos, né?

Eu tenho um pouco de dificuldade disso, tipo, porque... Isso requer que a outra pessoa tenha o mesmo... Desejo que o seu, né, velho? Ou pelo menos a mesma vontade. Vamos ver se dá pra ir agora, vai. É, tá chovendo ainda, mas dá tempo de dar uma volta.

Então por que eu digo isso? Porque a pessoa precisa estar engajada ali. Você acha que se a gente não trabalhasse num lugar... Deixa o cavalo lá. Já está sofrendo muito na chuva, coitado. Você acha que a gente não trabalhasse num lugar e tivesse que manter relações com certas pessoas? Você manteria isso na vida?

Na sua vida pessoal? Cara, eu acho bem difícil Bem difícil A não ser que seu trabalho Fora muito específico Que seja um produtor de conteúdo Sei lá, alguma coisa do gênero Se sua vida fosse mais solta Mais livre, sabe? Porque aí requer criação Requer Contato ali com coisas O tempo todo

Principalmente se a sua equipe for reduzida, né? Eu acho que quando você trabalha num lugar com poucas pessoas assim, a intimidade gera uma conexão a ponto de chegar a ser uma família. Querendo ou não, o trabalho é a periodicidade do trampo.

Não, pelo amor de Deus, aí não, tá só barro A periodicidade do trampo é... É legal Em certo aspecto, né É... Por quê? Porque você tem que estar ali, né, mano Vai fazer um xixi aqui Obrigatoriamente você tem que estar ali pelo menos seis vezes por semana, cinco vezes Não sei lá qual que é a sua escala de... De serviço, né

Aí você meio que tá... Você se coloca na posição de... De obrigado. Ai, cachorro, você vai se matar, cara. Olha ele. Ele dando um nó com a própria garganta na coleira. Você se vê preso ali, né? Ou não também, né? Eu acho que...

Que horror! Eu acho que a gente... Tem que saber se pontuar nos lugares, sabe? Que a gente tá. E no final, às vezes, o que consta mesmo é aquela frase clichêzona. Você não tá feliz nesse lugar? Suma daí, saia fora. Mas eu tenho conta pra pagar, eu tenho família. O cara vai começar a falar isso, né?

Obviamente, você tem isso, obviamente você se colocou nessa posição. Mas pensa num ponto que pra sair dessa posição requer táticas. Pense como uma luta de jiu-jitsu. O cara subiu nas suas costas, ou o cara passou a sua guarda, o que você precisa fazer? Cara, eu preciso montar nele, eu preciso, sei lá, evitar que ele...

Que ele faça mais outro golpe né, porque só dele passar a minha guarda ele já ganhou um ponto ali, já ganhou alguns pontos, eu não lembro mano, faz muito tempo que eu não luto, então eu não lembro quantos pontos são, enfim. Tipo, a cargada já tá feita, entendeu? O que eu posso fazer pra amenizar isso? Ou desacelerar ela? Cara, eu tenho...

Tem um LinkedIn bom, tem um negócio bom. Mandando currículos ali. Fazendo entrevistas e quando me chamar pra um lugar da hora, quem sabe eu consiga... me realinhar ali com os astros. Foi o que aconteceu comigo, cara. E eu sou muito grato a Deus, principalmente a Deus, né? Porque...

Eu sei que é meio enorme falar isso, mas... Eu acredito que essa força, que nem vocês jovens gostam de falar, esse sentido para a vida, ele se faz presente quando você agradece pelas coisas que você tem. Até pelas cagadas que você sofre. E uma coisa que você entende quando vai amadurecendo...

Acho que nem envelhecendo, amadurecendo. Porque tem pessoas que envelhecem e não amadurecem, né? Vamos, cachorro? Você não quer andar? Vamos andar. Você vai amadurecendo e tal, você vai entendendo que tudo que você se propõe a fazer, ou todo lugar que você se propõe a estar, é basicamente porque você quis estar lá, sabe? Quis estar ali naquele local.

Cara, ninguém mandou você se colocar nessa posição, a não ser você mesmo que quis. É claro, eu acredito também que o meio nos influencia. Se você viver numa casa que todo mundo é adicto, é drogado, a chance e a probabilidade de você ser o próximo é bem grande. Mas você não precisa ser, sabe?

Você não precisa estar lá naquele lugar, você não precisa se colocar nessa posição. Por quê? Porque eu não sei, mano. É você quem vai decidir isso. Ah, mas eu quero ser drogado, eu quero ser um desgraçado aí. Enfiar minha vida no lixo. Ah, então tá tudo bem, ok, vai lá, boa sorte.

Mas eu... Peraí, peraí, vou soltar o C pra vocês... Andar um pouco, vai... Peraí... Caralho, esse negócio tá... Peraí, peraí! Meu Deus, vai, vai! Nossa, quanto... Quanto pelo, cachorro, pelo amor de Deus! Mas aí, tipo, você tá ali naquela situação... É... Buscando...

Certas coisas que as vezes não é essa situação que vai te mostrar, sabe? Caralho, cara, o cachorro me sujou todo De pelo Ai, eu vou nem pago aqui na poça mesmo e foda-se E pra gente entender isso, é um processo meio complicado

Pensa num relacionamento, vai, pra ficar mais fácil Olha onde vai tem pelo desse cachorro Caralho, cachorro lazarento, cara Você é bem safado, viu? Pensa numa relação de amor e ódio Vai mais fácil Muitas pessoas se envolvem emocionalmente Ou sexualmente com alguém

Porque por alguma coisa, alguma razão Ela... Ela se atraiu por essa pessoa, né? Às vezes até pelo lado negativo Pensa num... Sai, sai, sai! Mexe não, vai, vai, vai! Olha o cachorro querendo mexer na macumba aqui, rapaz Seu folgado

Cachão safado, deixa o trabalho quieto aí Não sei porque o pessoal vem fazer trabalho de macumba aqui, porque é... Vocês que são do gênero, eu ia falar Vocês que são da linha aí, umbandista, sei lá, candomblé, não sei qual que é Não me culpa, porque eu não fico estudando isso Enfim, por que que vem aqui nesses lugares meio afastados fazer, tem algum significado? É porque tem que estar perto da natureza, é? É isso?

Seria legal, com certeza deve ter um cara que fez isso Um desavisado, sabe? O cara no meio do centro ali da Avenida Paulista de São Paulo O GCEM ali, o guarda municipal para ele Fala, ô, não pode fazer essas coisas aqui não, viu amigo? Não, só fazer um trabalho aqui rapidinho, coisa rápida Fazer o despacho aqui, eu já caio fora aí Viu irmão? Que não pode não, hein?

Vai ser muito engraçado isso, cara. Não por causa da religião sua, né? Não me entenda mal. Não, não. Você quer tomar banho ou não na posse de água? Vamos. Vem.

Mas pelo meme mesmo, sabe? Tipo aqueles caras que param no meio da rua e começam a gritar. Não sei se você já viu esses vídeos no TikTok. Eu adoro ver isso, cara. É uma coisa que me causa muito prazer, não sei porquê. Aqueles pastor do centro de São Paulo que eles ficam gritando. E agora você fica com roupa de puta! Essa cara de chupeteira!

Elas gritam, elas xingam, tudo quanto é nome, mano, é muito da hora isso. Ah, mas isso aí é intolerância religiosa. É o caralho, mano. Deixa o cara fazer os bagulhos dele lá. Só um velho doidão, deixa o velho. Deixa o velho viver. Esse é o slogan do meu partido. Deixe o velho viver. Deixa o... Qual que foi? O 17 de janeiro? Não sei como chama aquela porra lá que as pessoas foram presas. Deixa o velho viver, caralho. Deixa ele brincar.

Deixa os garotos brincar, caralho Porra, tão difícil assim Pior que quando a gente é criança

A gente tem uma noção, um pensamento de falar Ah não, o cara ali é, porra, o tio de Zão é posturado, né? Meu pai é foda Aí depois você chega na adolescência, a barra adultização ali, nessa fase Você começa a pensar, fala Mano, meu pai não é tão inteligente quanto eu pensava, não Na verdade ele até é porque é muito de um burro Minha mãe nem se fala, olha as coisas que ela atura Do meu pai, ou dela mesma Porra, meio burro Obrigado

Meu burricezinho, hein? Caralho, você é muito burra Porra, como vocês fizeram isso? Tipo Aí você entra naquela fase de Sabe chão, né? Tipo, ah não, como assim? Pelo amor de Deus, cara, não sei o que lá Você começa a inventar Desculpas pra Vem pra cá, ali tá tudo sujo de barro Não vai lá não, se você fala chujo Eu ia falar

Mas você vai começando a ficar adulto, passa dos 20 e pouco, 25 anos ali, você fala, porra, não é tão fácil não. Não é tão fácil ter um Veloster quanto eu achei que seria ter. Eu achei que era só fazer o financiamento ali.

Vem pra cá, vem! Vem! Vem aqui! É, eu achei que seria só fazer o financiamento ali, pagar umas parcelinhas de R$1.100,00, ia ganhar R$2.000,00 e me sobrar R$900,00. Aí tem que colocar gasolina, já morre R$400,00, sobrar R$500,00. Ah, eu tenho que comer também, né? Tenho que comprar roupa, tenho que pagar um plano de internet de celular, porque eu não posso viver só de ficar roubando Wi-Fi dos outros.

Ah não, lanterna do carro pifou, porra mano. Vai eu lá comprar uma lanterna nova pro carro. Quanto que é? 800 reais. Nossa, 800, mas me sobrou 500 só. Caralho mano. O que que eu faço? Vou a parcela, né? Faz em 10 vezes 80 então. Aí você vai lá e parcela. Te sobra 420 agora. Porque você tem a parcela comprometida.

Aí você olha, nossa, o mecânico viu? A embreagem aqui tava pra dar pau, hein? Ah, quanto que é pra arrumar? 4,500. Um de obra, tudo, fazer um precinho bom pra você porra. Aí vai lá o parcelar, faz em 10. 10 dá 450, caralho, mano. Vai faltar 30 conto.

Ou seja, eu vou ter que andar menos com o carro porque eu me... Como que é o nome desse pássaro aí? Viu? Dá licença aqui que eu tô gravando, vai. Isso aqui é sério, é importante pra sociedade. Atrapalhando aqui o falar. Aí vocês já entenderam a cagada, né? Então, tipo, não é tão fácil quanto parece ser. Porque sempre tem um percalço no caminho, cara. Nunca a Havaiana que você vai comprar na vida vai lhe servir.

Leve isso como um ditado pra sempre, sabe? Ad eternum, ad infinitum. A vida, às vezes você consegue comprar uma Havaiana maior. Pô, com as 44, mano. Achei uma 46, 45. Pô, ficou meio folgada, mas dá pra rolar, sabe? Tá bom? Ah, mas uma 39, 40 não serve, né, mano? É apertado pra caralho.

Mas é o que temos aqui, senhor. É o que o seu limite pode pagar, sabe? É o que o seu plano cobre. Puta, tem essa ainda, né? Ah, vai, né? Fazer o quê? Vou ficar andando descalço. Pode ser, né? Fazer o quê? Então, cada coisa, cada vida tem uma Havaiana que lhe cabe.

Pera aí Que bosta né mano, começou a chover de novo aqui Ô cachorro, vamos ficar agora no coberto Vem aqui ó, pra cá, por favor Nossa, tá chovendo grosso ainda

Vou ficar um pouco aqui pra poder passar a chuva, tá? E... E é isso, cara. Cada um tem a... O calçado que ele melhor serve, né? E o que fazer em relação a isso? Não sei. Olha que lugar daorinha. Aqui, eu tô num... É Silo que fala, né? Olha, tá tudo sujo já. Caralho.

E é foda cara, porque as vezes a gente quer usar outros tipos de calçados né Quero um Vans Mas meu limite de crédito social da vida que me deram, não me dá pra comprar o Vans, sabe? Vem, vem pra cá, vem!

Tá moeado, cara. Tá chovendo. Vamos esperar um pouquinho, hein, vai. Olha que legal esse lugar que você tá. Vocês viram que eu mudei o nome do podcast? Agora chama-se verborragia. Por quê? Não sei, mano. Deu vontade. Pronto. Foda-se. É isso aí. Acho que se a gente ficar explicando demais as coisas, teorizando, que é o que eu faço aqui, às vezes complica, sabe?

A vida você tem que ser tipo um servente de pedreiro, você só faz. Ah, mas por que o tijolo é deitado em nome de pé? Eu tô mandando você botar o tijolo deitado, cara. Coloca o tijolo deitado, por favor. Vem aqui. Vem, tá chovendo, espera um pouco, vem.

Vem aqui! Ah, mesma coisa que eu falava, não venha! Cara do céu! Ah, sujei meu tênis ainda pra ajudar Acho que passou, vamos, vem! Hoje vai ser o dia inteiro assim, pelo jeito Chove, para, chove, para Não toma essa água não, cara, é água de guia Se bem que não deve ter nada, né?

E o circo foi embora definitivamente, não tem mais nada aqui no semato. Onde que será que eles estão, né? O pessoal do circo. Se um dia... Eu viver da comunicação, eu viver desse esporte que eu falo aqui, eu queria ter a experiência de...

De viver pelo menos um mês, sabe? Conviver com esse pessoal do circo. Tá ali, fazer os negócios junto, tá? Eu garanto que eu vou subverter totalmente a imagem que eu tenho do negócio, né? Mas vai ser bom. Quando tiver com 70 anos, eu vou falar pro meu sobrinho, pro meu filho. Uma vez.

Eu fiquei um mês com os caras do circo. Um mês, cara. Eu vi as coisas mais horríveis que vocês podem imaginar. Não vi nada, né? Mas eu vou dar aquela enfeitadinha. Eu vou dar aquele charme, sabe? E...

E eu quero isso, eu quero ser aquele tio que fala que já trocou tiro com alguém Que já pegou uma cana, mesmo que não foi, sabe? Mas a mentira ela tem um glamour tão grande cara A mentira ela tem um poder tão magnífico que eu acho que mesmo o cara sabendo que você tá mentindo Eu sou um desses cara, vem aqui O que você tá lambendo aí?

Parado, parado. Ai, caralho. Aí, ó, não falei? Tá cheio de espinho já. Eu gosto de dar pau pra maluco. Eu tenho... Quando eu morava na minha outra cidade... Vamos, vamos. At home.

Quando eu morava na minha outra cidade, eu tinha uns vizinhos, sabe? Os doidos do bairro, eu gostava de parar pra conversar com eles. Ninguém parava, mas eu vou parar. Eu vou trocar ideia com você, cara. Vamos lá, o que você tem pra falar? Perdão, hein? Vamos ver o que você tem pra falar.

Aí ele começava uma vez, eu comi uma mulher E o marido dela me pagou 200 reais pra ver comendo ela Aí eu fiquei lá duas horas Mentei da rola, né, não sei o que lá Aí você olha a história e fala Caramba, que fascínio Incrível ouvir isso de você, cara Eu tô falando ironicamente, não É da hora mesmo Mesmo que for uma mentira Eu tô afim de ouvir sua mentira bem contada, sabe?

Eu tô afim, é bom, mano, é satisfatório ouvir aquilo entrando na sua cabeça, sabe, passando pelo seu canal auditivo. É bom saber que você tá com tempo pra ouvir aquilo, sabe? Seis horas da tarde, cheguei do trampo, vou lá pegar um pãozinho pra comer, tomar um cafezinho. Aí, inevitavelmente, eu tenho que passar por onde ele mora e ele tá lá sentado, fumando um beck.

Todo mundo tem, né, velho? É incrível isso. Todo bairro, você que tá ouvindo isso aí, me corrija se eu tiver errado. Mas todo bairro tem um encostado. Tem aquele cara que... Ele nunca fez nada. Ele sempre tá atrás de algum trampo. Ele não. Tá pra pintar um bagulho aí. Tá pra pintar um negócio, não sei o que lá. Sempre tá pra pintar alguma coisa. Mas ele nunca tá trabalhando.

Às vezes ele tá, mas ele fica tipo uma semana, um mês ali no máximo, levanta uma grana e volta a vida. Porque a vida dele requer pouco dinheiro. Ele deve gastar seus 200, 100 reais por mês ali. E ele não é um cara consumista que precisa comprar um Nike Dunk todo mês, precisa pagar um plano controle da Vivo, precisa estar todo mês no barbeiro fazendo degradê e barba. Não precisa, mano. Ele vai se virando ali, sabe? Com o que tá, com o que tem, com o que dá.

E ele tem aquela maquininha de dragão, ele faz o corte dele mesmo, porque ele aprendeu isso na cadeia. Quando ele foi preso. Pela febenha ali, sabe? Aí ele faz o corte ali na cabeça dele mesmo. Manda um parente fazer o pezinho atrás. E ele raspa na três, assim, a cabeça. E mantém o corte. As roupas ele vai no bazar da igreja, ou ele escola de alguém, porque ele sempre tem um parceiro que é my boy.

Você tem um parceiro boyzão ali, pá, que vai conseguir dar uma moral pra ele ali. E vai dar uns shortinhos da Nike, umas regatinhas da Growth. Falar, ó, mano, ó. Para lá lá em casa aí, eu pego aí pra você. Ô, valeu, parceiro. Valeu, valeu. Ele vai ter experiências luxuosas na vida dele. Luxuosas pra ele, que eu digo no caso. Às vezes o pai dele vai emprestar o carro e falar, viu?

Vai lá no Sidão, lá no sítio dele, pega a serramenta pra mim Aí ele fala, opa, demorou, pai Aí ele vai lá, pega o carro, bota um Racionais Bota um... Um DMX ali e tal Uma Negrali pra tocar Chama o irmão também, um irmão vagabundo ali, alguém conhecido, né?

Falou, mano, vou fazer um corre lá comigo, lá, pá, uma missão Aí você pensa, nossa, é bagulho de droga, né, mano? É fita louca, hein? Caralho, velho É envolvido, hein? Não, não, é só pra pegar uma escavadeira e uma vanga lá No sítio do Sidão Mas eles vão na missão como se fosse pra roubar um banco, cara Não, não, o bagulho aqui é louco, é... É papo de bandido mesmo, caralho Não se assustar, não Não pia, não, porque aqui é só os guris

Aí vai lá dar um rolezinho com o cara, pá. Essa sensação de estar presente é coisa que poucas pessoas têm. Principalmente se você conhece alguém que é muito rico ou deriva de uma família muito rica.

para perceber isso ou se você for essa pessoa também a maioria desses caras eles eles vêm à vida como se fosse um retoque um quadro perfeito sabe eles eles mastigam a vida eles degustam ela eles sentem o dia passar

Eles não dão dias aos dias, sabe? Que a maioria de nós, principalmente quando você é... Do corre, né? Vamos falar assim, né? Do corre não entende droga, não. Pelo amor de Deus, é... Do corre é tipo trabalhar. Você tem sidequests ali no seu dia que você tem que cumprir, mano.

A segunda, o que tem que fazer? Ah, tem que levar meninas na escola, tem que ir reunião de pais, tem que fazer despesa, comprar sabão que acabou Tem que resolver o BO lá da sexta, lá que ficou do seu Zé lá, papapá Aí quando você vê, é 10 horas da noite já

Não que você não aproveitou o dia ali Você deve ter visto um vídeo do Nando Moura Você deve ter visto um rio engraçado ali Que te Prendeu por uns 5 minutos ali Mas a vida é isso, né, cara? O cara que tem Que sabe como viver Que ele é um bom vivant Ele tem, nos momentos da vida dele Uma curva de aprendizado Que é sempre Atenuante, sabe? Sempre tá pra cima Não, não, não

Quando você dá ralé, quando você dá um queixada, uma plebe, você não tem muito... Ai, nossa, as pôr-do-sol, gente, que maravilha. Olha essa árvore. Quantas vezes você parou pra observar uma árvore, cara? Aqui deve ter alguma muito foda, tipo aquela ali, ó. Que...

O tronco dela mede uns... 8 metros. Ah, 6 metros, né? Vamos botar aí, olhando aqui. Achei que era maior, mas não era. E eu penso, quanto tempo essa árvore tá aqui? Essa aqui mesmo, ó. Essa árvore... Ela tem um significado muito...

Diferente, sabe por quê? Porque ela se fundiu a cerca, velho. Olha só que foda isso. A árvore se fundiu com a cerca, mano. Caralho, mano, agora que eu percebi. Olha isso, eu não tinha... Se eu não tivesse um olhar clínico agora pras coisas, eu não teria visto isso. Mas a árvore se fundiu a cerca. Ou seja, ela foi crescendo ao ponto de que a cerca e ela se tornaram só. Um arame fundiu numa árvore, caralho. Isso é muito foda, velho.

Por que eu percebi isso? Porque eu estava falando sobre um assunto e comecei a discorrer sobre isso até chegar nesse ponto. E agora percebendo, eu vejo como que isso é bonito, como isso é lindo. Porra, que foda, velho. Agora imagina quantas outras coisas...

Ah, voltou aqui, tava tendendo o celular Quantas outras coisas não deve ter Tipo, pra gente observar E interpretar, sabe É que é É que a nossa vida não deixa a gente fazer isso Aliás, nós não deixamos Nós mesmos Nossa, agora conjugar isso aqui é foda Observar, observarmos Sei lá, foda-se também

Você tá preocupado com... Com conta, cara. Tá preocupado com o almoço que você tem que fazer, com tudo. Milhares de outras coisas, sabe? E... E agora... Um silêncio tão constrangedor aqui na rua que me dá até vontade de parar de gravar. E admirar um pouco isso. Então, é isso aí, meus queridos. Fique com Deus.

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