#96 - É bloqueio emocional ou amor próprio em dia?
Bloqueio emocional nem sempre é um problema a ser resolvido, mas uma fase necessária de ser vivida!
- Afastamento e controle emocionalMaturidade emocional · Dependência emocional · Solidão e solitude · Autoconhecimento
Bloqueio emocional é ou não é um problema? Talvez não seja. Talvez, ao invés de ser um problema, seja uma experiência que precisa ser vivida, necessária. Vamos falar sobre isso? Vamos falar, inclusive, sobre a confusão que muitas vezes a gente faz. Porque nem sempre é bloqueio. Às vezes é maturidade emocional por discernimento. Não é maravilhoso, maravilhoso? Vamos falar sobre isso, sim. Inclusive, eu gravei um vídeo que...
deu uma boa, enfim, o pessoal gostou bastante sobre esse assunto, por isso que eu decidi trazer aqui, aprofundar um pouquinho, não é mesmo? E no vídeo eu faço uma brincadeira, uma ironia, que na verdade é muito real, que um dos melhores presentes que eu já recebi na vida foi da pessoa que mais me decepcionou, porque foi a pessoa que me bloqueou emocionalmente, né? E por que eu digo isso?
Porque naquela época eu estava vivendo um ciclo repetitivo de frustração. Não necessariamente em sequência, assim, de acabava um e começava o outro, mas quando eu me abria para conhecer uma pessoa e criava-se aquela expectativa toda...
jovens, jovens, né menina? Eu acabava, enfim, me enfiando de cabeça, me perdendo muito no outro também. Tinha uma facilidade muito grande de me abandonar, de desequilibrar a balança, de dar mais do que eu estava recebendo, era um padrão, assim. E eu estava vivendo um ciclo após o outro de uma história que se repetia. Eram pessoas diferentes, mas como se estivessem fazendo o mesmo papel, o mesmo personagem, no enredo da minha vida. E essa pessoa...
Ela foi uma pessoa que me decepcionou muito. Então foi uma sequência de frustrações e uma pessoa que eu depositei muita expectativa, porque, enfim, acho que não precisa de detalhes, mas o contexto em si me fez acreditar que ela não faria aquilo, que ela não repetiria aquelas coisas que, enfim, tinham acontecido. Mas, pra minha surpresa, não é mesmo? Ela fez. Foi só mais uma pessoa fazendo exatamente a mesma coisa. E ali eu senti, pela primeira vez...
eu ia dizer em muito tempo, mas acho que naquele momento foi realmente pela primeira vez, que eu não queria mais, de jeito nenhum, me relacionar. Que eu queria focar toda a minha energia em mim. Na época, eu estava já com alguns projetos, enfim, ali meio que encaminhado, meio paralisado também naquele momento, porque eu comecei a conhecer essa pessoa e a minha energia começou a ficar muito pra pessoa, porque era um padrão.
O padrão da dependência emocional. Pegou ansioso, aquela coisa começa a se relacionar, já começa a bater as inseguranças, a ansiedade, o medo. E aí, minha filha, quando tu vê, tua vida tá ali, ó. A pessoa tá no centro, né? A vida acontecendo e você aqui, ó, foco só. Enfim. Então aqueles projetos meio que ficaram ali parados. Eu comecei a me sentir muito ansiosa, com muito medo o tempo todo. Sentindo aquela inconstância que começou a surgir depois de uma intensidade muito grande no início, porque é o padrão, não é mesmo?
comecei a perder muito o meu brilho, um brilho que eu tinha demorado bastante tempo para reconquistar. Eu estava há um tempinho sozinha já naquela época e eu estava numa fase muito boa, muito próspera, me sentindo muito bem, cuidando muito de mim e aí, enfim, conheci essa pessoa e tal e o brilho começou a se apagar.
o foco começou a se perder um pouco, e quando essa pessoa me decepcionou, eu tive esse impulso de me movimentar na direção de dar andamento naqueles projetos, de focar mais ainda, mais do que eu já estava, em mim, cuidar de mim, ir para a academia, cuidar da minha alimentação, focar na minha carreira, em voltar a ver os meus amigos, aproximar essa relação com eles.
Porque até aquele momento eu ainda via os relacionamentos amorosos como algo extremamente importante. No sentido de não ter como viver uma vida sem isso. Em algum momento vai acontecer. Por mais que eu não estivesse na dependência emocional naquela época, no sentido de eu preciso de um relacionamento, isso já não acontecia mais, ainda assim era um espaço muito grande que eu reservava para um relacionamento amoroso.
Então quando aquela pessoa me bloqueou, eu meio que entendi finalmente que eu precisava cultivar outras relações da minha vida, porque não existiriam outros tipos de relações, porque no caso, naquele momento, eu não queria mais saber de relacionamento amoroso. E aí eu me aproximei mais dos meus amigos, recuperei contato, inclusive, com pessoas que eu já não falava há muito tempo. Eu comecei a me reconstruir e me reconhecer como uma mulher muito mais forte do que eu já fui em qualquer outro momento da minha vida.
E ali tudo mudou. Então eu tive esse fechamento emocional que eu precisava para realmente parar. Parar as máquinas, organizar a minha vida, organizar as minhas gavetas, como a minha melhor amiga me disse na época. Porque ela falou para mim, eu estava conversando com ela, enfim, desabafando sobre a decepção, e ela disse, amiga, quem sabe para um pouquinho para organizar as tuas gavetas. E eu acho lindo isso, eu sempre, inclusive, eu já gravei, não sei se para o canal, enfim, para o YouTube, enfim.
E eu entendi exatamente o que ela quis dizer naquele momento, porque era exatamente o eu preciso parar e me reorganizar internamente, eu preciso entender por que eu tô repetindo esse padrão, por que eu tenho essa tendência de me perder, de dar mais do que eu recebo, de me apagar numa relação, mesmo sendo uma relação que não necessariamente seja tóxica, às vezes a pessoa nem tava exigindo aquilo de mim, mas eu estava ali, enfim.
Então foi um momento que eu consegui entender que eu deveria ser o centro da minha vida, porque por mais que...
Em muitos momentos antes disso, eu já tinha entendido que relacionamento amoroso não poderia ser a coisa mais importante. Ainda assim, sem perceber, eu colocava um peso muito grande naquilo a ponto de, não, um dia isso tem que acontecer. Quando eu senti aquele bloqueio, que era uma sensação de, cara, eu não quero nem chegar perto. Se chegar algum homem perto de mim, eu vou começar a rosnar, vou começar a latir até essa pessoa sair correndo. Eu estava nesse nível.
E aquilo ali me deu a sensação de eu preciso estar no centro da minha vida. Como é que eu vou explicar isso pra vocês, gente? Porque por mais que a gente entenda as coisas de uma forma racional, consciente, ainda assim fica muito difícil de aplicar na vida prática. A gente sabe disso. E naquele momento ficou muito óbvio que eu deveria ser a pessoa mais importante da minha vida porque não existiria outra pra ser esse personagem principal.
O personagem principal seria eu e sempre eu. Então, como eu falei, eu botei muito foco no meu trabalho, nos meus projetos, em me aproximar dos meus amigos. E aos poucos, sem perceber, eu fui me tornando essa pessoa que realmente assume o papel de protagonista da sua vida. Que começou a expandir, a florescer em todas as áreas. Eu comecei a criar uma relação muito mais saudável com os meus amigos, não me sentia mais sozinha. Coisa que acontecia em muitos momentos, que eu ficava...
negligenciando quem nunca, né? Completamente errado, obviamente, as minhas amizades quando eu estava me relacionando com alguém, o meu trabalho, eu comecei a colher frutos disso, resultados, comecei a cuidar muito mais de mim, então a minha autoestima, a minha autoconfiança começou a florescer, e a partir daquele momento, as coisas nunca mais foram as mesmas. E por bastante tempo eu até achei que eu estava realmente bloqueada emocionalmente ainda, porque eu não estava me conectando facilmente mais com as pessoas como era antigamente.
Eu tinha a sensação de, meu Deus, cadê as pessoas interessantes? Porque antes tinham tantas. Antes era tão difícil eu ficar 100% sozinha, assim, no sentido de sempre tinha pelo menos alguém que eu tinha algum certo interesse, ou tinha alguma conversa ali rolando vez ou outra. Mas isso pelo menos tinha. E naquele momento eu não conseguia me conectar mais como era antigamente, assim. Eu até tentava, mas não fluía. Ai, não, tô tão bem aqui, sabe? Mas eu parei pra pensar.
Cara, será que realmente não existem mais pessoas interessantes ou eu não me interesso mais por qualquer pessoa? Ou eu que finalmente entendi o valor da minha energia, o meu valor, o valor do meu tempo, a ponto de não querer entregar isso facilmente para qualquer pessoa? E realmente, é uma coisa que eu sempre falo, pessoas interessantes são muito mais difíceis de encontrar. Interessantes e disponíveis.
interessadas. É assim, um combo né minha filha? É uma coisa assim, dificilmente, é uma questão de sorte. E era muito mais fácil antigamente, por quê? Porque naquela época meio que bastava ser uma pessoa disponível e que se mostrava interessada. Se era interessante ou não, eu tornava às vezes interessante uma pessoa nada a ver, mas eu me convencia de que não, essa pessoa é uma pessoa incrível. Aquela coisa assim, era incrível mesmo ou só estava me dando o mínimo?
era uma pessoa muito maravilhosa, ou eu estava idealizando, projetando as minhas necessidades nela, sem nem parar para observar se realmente era tudo aquilo, se realmente aquela pessoa estava demonstrando tudo aquilo, ou se eu não estava enxergando ela como um projeto, não é mesmo? Um potencial a se desenvolver. Quando a gente vai estudar dentro da psicologia conceitos do apego adulto, a gente...
entende que experiências negativas, uma sequência de experiências negativas ou uma muito marcante, acaba sim, naturalmente, fazendo com que a gente desenvolva uma certa seletividade emocional. Então é uma tendência natural, inclusive necessário. E esse é um ponto muito importante de se entender. As pessoas têm essa tendência de patologizar tudo. Ah, então eu estou bloqueada emocionalmente, eu preciso resolver. Eu preciso resolver. Será que precisa?
Será que essa não é justamente uma grande oportunidade de você parar um pouco e focar em você? Focar nos teus sonhos, na tua carreira, nos teus objetivos, em se reencontrar, daqui a pouco você nunca se encontrou, sempre foi uma pessoa que precisava da validação dos outros, que precisava estar com alguém na sua vida, nunca conseguiu ficar sozinha.
Aí pelo medo da solidão, acaba entrando num ciclo vicioso, numa bola de neve de frustração, porque pelo medo de ficar sozinha, acaba se conectando com qualquer coisa, essa qualquer coisa te decepciona, te machuca, te frustra, enfim, e aí você fica pulando de problema em problema. E isso tudo vai solidificando as crenças que a gente tem sobre abandono, rejeição, sobre o nosso merecimento. Então, de repente, maravilhoso, se você está sentindo esse estou fechado emocionalmente...
cara, não luta contra isso. É claro que existe um ponto que o bloqueio emocional precisa ser trabalhado, que é aquele ponto onde já está se estendendo demais e de uma forma que você não consegue direcionar para algo positivo. Porque o bloqueio emocional, do ponto de vista...
Se é saudável ou não, não é sobre tempo, porque não existe um tempo universal em que as pessoas processam, elaboram as suas dores e emoções, enfim. Mas sobre a qualidade desse tempo. Então, o que você consegue fazer nesse intervalo? Se é um bloqueio que você, inicialmente, sente mais esse fechamento, essa retração emocional de querer realmente ficar sozinha, e de sentir essa dor, de sofrer um pouquinho ali, tal, luto, normal, necessário, tudo bem. Mas isso tem que ter um prazo.
Se a coisa está se estendendo demais e é um congelamento, então você não consegue transformar isso em algo positivo, por exemplo, como eu fiz. Eu tive ali, obviamente, meu momento de dor e de luto, mas em seguida, sim, que aquilo... Eu sempre fui uma pessoa que eu não arrasto isso por muito tempo.
É uma coisa minha, assim. Até eu posso fazer um vídeo sobre isso pra vocês. Como eu faço pra desapegar e superar as coisas assim de uma maneira. Porque é óbvio que existem ali formas de pensar que me ajudam nesse ponto. Mas enfim, voltando. Só que eu peguei aquela dor, aquela raiva que eu tava sentindo e eu canalizei aquilo para mim. Pra me movimentar. Usar a raiva como combustível sempre foi uma coisa que eu fiz. Inclusive os meus maiores projetos, os meus maiores saltos.
profissionais, em todos os sentidos, foram depois de frustrações e decepções, porque essa energia da raiva, ela movimenta muito, e eu sempre soube direcionar isso. Eu me lembro uma vez, há muito tempo atrás, que eu estava com um projeto meio que empacado, assim, só no papel, e aí eu compartilhei com uma pessoa essa minha ideia.
E ela achou muito legal. Não façam isso. Não compartilhem ideias antes de materializar aquilo. Principalmente para pessoas que a gente não tem muita intimidade. E eu compartilhei com ela a minha ideia. Ela trabalhava mais ou menos no mesmo nicho que eu na época. Isso foi em 2020, 2021.
E eu percebi movimentos na rede social dela, que ela estava fazendo a mesma coisa, que ela ia dar início a um projeto muito semelhante. Eu pensei, cara, essa filha vai fazer primeiro e eu vou sair de plágio. Minha filha, eu peguei aquela raiva que eu senti dela e botei em movimento. Em três dias eu lancei o projeto e fiz em três dias, sei lá, talvez eu estava programando para fazer em três meses, porque eu peguei aquela raiva como movimento mesmo, para impulso. Então isso é uma coisa que eu sempre fiz.
Parei pra olhar as minhas feridas, identificar aqueles padrões, aqueles comportamentos sabotadores e também direcionar aquela energia pra mim, como eu falei pra vocês, porque foi basicamente um não tem escolha porque vai ser eu por mim mesma pelo resto da vida, pois não quero mais saber de relacionamento nunca mais. Então, de novo, quando acontece uma decepção muito grande ou uma sequência de decepções, é normal essa retração emocional por um tempo.
E uma retração emocional que sim, para algumas pessoas, no início, vai ser algo bem mais fundão do poço. Só que isso tem que ter uma evolução. A gente precisa ter a capacidade de, pelo menos, elaborar aquilo internamente, começar a fazer movimentos, a mudar a nossa rotina, a iniciar alguma coisa que a gente tinha muita vontade, enfim.
nos movimentar, sair daquele lugar. Então a gente precisa ver uma evolução, as coisas precisam mudar gradativamente. Agora, se você sente um congelamento, uma desconexão total com o mundo e com você, então você fica naquele fundo do poço e se martirizando, e se culpando, e arrastando corrente, sofrendo pela pessoa, sabe? Naquele lugar de acorrentada, aí sim é um bloqueio que a gente precisa trabalhar.
Se é uma coisa que está se arrastando por muito tempo, que traz uma sensação de medo, então você não se relaciona com ninguém por medo. É diferente de você não estar se relacionando com ninguém porque você decidiu, é uma escolha consciente, botar todo o seu foco em você. Você não quer. Mesmo que... O que é que entra? Às vezes não é o bloqueio. Às vezes é...
Você desenvolvendo maturidade emocional para poder fazer escolhas conscientes. Escolher não estar num relacionamento, inclusive. Porque sim, é uma escolha. Não somente é uma escolha, como tem que ser uma escolha. Não pode ser uma necessidade. Senão é dependência emocional. Também tem uma coisa muito importante. E uma seguidora minha me mandou. Quando eu estava falando sobre esse assunto também lá no Instagram. Inclusive, se não me segue, segue lá.
Obrigada. Que a terapeuta dela, a psicóloga dela, não estava respeitando a vontade dela de não se relacionar mais. Então, o que ela disse para mim? Que ela estava muito bem, que ela estava focando nela, no trabalho dela, curtindo a vida, mas ela não...
queria um relacionamento amoroso naquele momento. E a psicóloga dela estava dizendo que ela deveria. Que ela tinha que se abrir, sim, pra procurar uma pessoa. E eu falei pra ela, cara, reveja isso. Porque assim, não, nós não temos que querer um relacionamento. É óbvio que se eu estou conhecendo uma pessoa e eu não estou conseguindo me conectar, eu gostaria de me conectar.
Ou isso está me prejudicando de outras formas. Porque o bloqueio não é somente não consigo me conectar. Às vezes o bloqueio é uma auto-sabotagem do estou conhecendo uma pessoa muito incrível, mas eu estou achando problema de não ter, estou sabotando, estou arrumando briga, confusão. Isso também é um bloqueio. Você está emocionalmente fechada para não conseguir receber o amor e ser amada. Então você não valida isso, você sabota, enfim.
Aí sim é um problema que a gente tem que resolver. Agora, uma decisão consciente de não querer se preocupar com isso agora porque você está focada em você, gente, pelo amor de Deus, isso não é um problema. Então cuidado com isso. Se não está prejudicando a tua vida...
Gente, a nossa paz é a coisa mais importante. Se onde eu estou existe paz, esse é o meu sinal de que eu estou no caminho certo. Isso é uma frase minha que eu já falei também. A paz é a bússola que nos mantém nos trilhos nos caminhos certos pra gente. Vou repetir. A paz é a bússola que nos mantém nos trilhos nos caminhos certos pra gente. O que é isso?
Em muitos momentos a gente vai ter dúvida, a gente vai ter medo, principalmente quando envolve escolhas de finalizar ciclo, por exemplo, começar algo novo, a gente vai sentir aquele medo, a gente vai se colocar em dúvida. Será que é saudade porque aquele era o meu lugar? Será que isso que eu tô sentindo é porque aquela pessoa era uma pessoa incrível? Porque aquele trabalho ia dar certo? Ou esse medo é um sinal de que aqui não é pra mim?
Enfim, nesses momentos a gente tem que parar e observar se a paz está no cantinho da sala.
Porque nessas situações vai existir, além do medo, além da saudade, além da dor, vai ter aquela paz de aqui eu me sinto bem. Aqui eu não tenho motivo para ser inseguro o tempo todo. Aqui eu não tenho motivo para ser hipervigilante o tempo todo.
Aqui não tem aquela ansiedade, aquela preocupação de como é que ia ser, sabe? Então se lá, abafadinha no cantinho, estiver a paz, você está no caminho certo. Sustenta essa escolha. Então se você está, no momento da sua vida, focada em você e existe paz nesse lugar, foda-se o que a sociedade, o que a psicóloga, o que a terapeuta, o que o sei lá é o que, diga em relação a isso.
Você estar em paz é o caminho certo para você. E se em algum momento aparecer uma pessoa bacana e você sentir que não está conseguindo se abrir e isso te incomodar, bom, aí a gente olha para isso. Ou você está bloqueado emocionalmente e não está sentindo paz, vamos olhar para isso também.
Só que o ponto é, dentro desse padrão de estar assim, não querendo conhecer ninguém, e tá querendo resolver, não porque não tá em paz, mas porque tá desconfortável com a paz, é o famoso medo de não querer. Eu me identifico muito com isso. Porque eu até fiz no vídeo que eu falo sobre aprender a ficar sozinha, aprender a ser sozinha, que eu tinha muito medo de não querer mais um relacionamento.
Eu tinha medo de não precisar disso, porque era a minha identidade. Eu estava tão acostumada com achar que isso um dia ia acontecer. E de certa forma era uma anestesia muito gostosa imaginar que o meu feliz para sempre me aguardava em algum momento. Que eu tive que deixar morrer essa versão que queria que aquilo acontecesse. Então eu tinha medo de não querer mais. Eu tinha medo de não precisar mais. Eu tinha medo da paz que eu sentiria nesse lugar. Medo de querer ficar sozinho.
E isso fala do quê? Não fala do bloqueio em si, mas fala sobre uma dependência emocional. Fala sobre a nossa incapacidade de conhecer a nossa identidade sem ser dentro de uma relação. Quem é você quando você não está num relacionamento?
E isso era uma coisa que eu tinha muito. Eu começava um relacionamento, eu começava a adotar os gostos dessa pessoa. Eu começava a montar uma personagem pra me adequar no universo da pessoa, pra pessoa gostar de mim, pra pessoa... Enfim. E isso, naquela época, eu mostrava isso. O quanto eu era... Eu não reconhecia... Toma no sininho, tá caindo minha luz aqui.
De fato, como eu tinha essa coisa do medo da solidão, que vinha das minhas feridas emocionais, do padrão de apego ansioso, porque quem tem apego ansioso é isso, é uma necessidade de que exista alguém para suprir essa sensação de segurança. Então, nós não conseguimos encontrar segurança na solitude.
Então a gente acredita que tem alguém aí fora que precisa fazer isso, e a gente vai se conectar com aquilo que é o familiar. Mas aí tem muitos vídeos da loba, não é mesmo? Falando sobre esses assuntos, enfim, de forma mais aprofundada. Mas isso estava conversando com o meu apego ansioso, essa minha busca por validação de autoafirmação, eu tinha medo de ficar sozinha, eu pulava de relacionamento em relacionamento, ou estava sempre procurando estar em um, e eu realmente não tinha um senso de identidade.
Por isso que eu digo pra vocês, eu não falo tudo que eu falo que pra mim é fácil, mas porque eu vivi tudo isso, principalmente. Eu sou a prova viva de que a gente pode mudar absolutamente qualquer padrão. Eu vivi essa realidade por muito tempo. Então esse meu medo de nunca mais querer nascia dessa dificuldade que eu tinha de me encontrar fora de uma relação. Eu não sabia quem eu era sendo sozinha, precisando ser sozinha. E quando eu vivi aquele bloqueio, eu não tive outra escolha, a não ser me conhecer.
A não ser me encontrar. E quando eu me encontrei, quando eu me conheci, quando eu entendi o meu valor, aí veio o famoso critério. Se não for para me fazer mais feliz do que eu já me faço, eu não preciso. E eu sei me fazer muito feliz. Então tem que valer muito a pena.
Pra eu tirar a minha energia, que eu sei o valor que tem, o meu tempo, e doar para um relacionamento, porque inevitavelmente a gente tira da gente pra dar pro outro, um relacionamento saudável também vai exigir que você direcione foco e energia. Vai precisar de ajustes, vai ter aquela coisa, altos e baixos, nenhum relacionamento é perfeito. Enfim, demanda, demanda.
A preguiça, a preguiça que a Lopes está demonstrando estar sentindo. Aquilo vai exigir. Então, para isso, tem que valer muito a pena, porque essa energia, quando eu direciono 100% para mim, para o meu trabalho, para os meus projetos, minha filha, ninguém me para. E eu estou num momento da minha vida que eu não sinto bloqueio emocional. Eu só sinto a mínima vontade.
Então, eu brinco isso, o dia que aparecer alguém do meu lado, minha filha, o Paul manda fazer uma estátua de ouro, cravejado de diamantes. Porque essa criatura, realmente, não mais do que eu, no caso.
Minha filha, do meu pedestal, eu sou dona e proprietária e ninguém vai. É eu primeiro, é o segundo, é o terceiro, no quarto lugar eu coloco alguém. É o tipo de coisa que eu nem penso. Então não é um bloqueio do, ai meu Deus, eu não posso conhecer uma pessoa porque a pessoa vai me machucar, vai me abandonar. Não. É um, estou muito bem obrigada. Se um dia aparecer alguém que vale a pena, maravilha, vamos ver qual é que é. Mas até lá, estou ótima.
Estou inteira? Estou aproveitando esse tempo muito bem? Então a minha sugestão é essa, maravilhosa, que você aproveite esse tempo muito bem. E ao invés de patologizar esse bloqueio emocional, de achar que é um problema ser resolvido, de repente é uma experiência, um tempo necessário a ser vivido e muito mais do que isso.
Estar te incomodando pode ser um reflexo do quanto você realmente precisa desse tempo, o quanto você realmente precisa se encontrar. Porque não é normal sentir desconforto na paz, na solitude. É claro que entra também a pressão social, que não podemos ignorar. Existe essa pressão do coletivo.
de que precisamos estar em um relacionamento, principalmente para nós mulheres, sabemos muito bem disso, a coisa vai ficar para a titia, vai virar a tia dos gatos, e isso e aquilo, ai, está solteira, nossa, logo ela solteira, inclusive, acabei de, faz pouco tempo que eu vi uma notícia de uma, não vou dizer quem é, obviamente, mas é uma pessoa bem influente, e ela fala muito de relacionamento, ela estava num relacionamento, acho que há não muito tempo, talvez uns cinco meses, enfim, e...
terminou o relacionamento. E as pessoas começaram a... Ah, logo ela! Nossa! Como se fosse um problema as pessoas terem total capacidade emocional para sair de um relacionamento quando ele não está mais funcionando. Porque é muito viver na fantasia e achar que todo relacionamento tem que funcionar. Todo relacionamento tem que durar para sempre. Minha filha, relacionamento são duas pessoas precisando fazer dar certo. Não depende de uma só.
E aí a pessoa fica solteira, termina o relacionamento, tá lidando com aquilo muito bem, obrigada, tá lá, continua vivendo a vida dela, trabalhando, assim como eu fiz, mas sempre tem um imbecil pra achar que, não, tá fingindo, deve tá assim, arrastando corrente, é uma farsa, porque diz que é isso, diz que é aquilo e tá solteira, mas vai pra... sabe? Eu realmente fico triste por mulheres que realmente acreditam que é impossível ser feliz sem ser validada por um homem, por um relacionamento.
Homens, meus lobos, vocês são maravilhosos, tá? Eu não falo isso de forma pejorativa. É que é uma pressão muito grande pra nós mulheres realmente estarmos em um relacionamento para sermos alguém, pra sermos validadas. A gente cresce aprendendo a ser coadjuvante da vida dos outros. Ser uma boa mulher, ser uma boa mãe, ser uma boa dona de casa, ser a melhor profissional, tem que ser a melhor em tudo, né? Mesmo que isso custe você. Você precisa se sacrificar para manter tudo, enfim.
Nós mulheres sabemos bem, né? Então existe essa pressão social e eu por muito tempo também fui vítima disso, desse medo do julgamento das pessoas. Ah, o que as pessoas vão pensar? Ah, o que as pessoas vão dizer? Minha filha, um grande foda-se. Hoje em dia eu penso assim, graças a Deus, né? A gente evolui, um grande foda-se. Então tem esse peso que não dá pra ser ignorado. Pode ser isso também que esteja deixando você desconfortável, talvez, com a ideia de não querer mais um relacionamento, mas muito mais...
Essa questão de talvez eu ainda não me conheça o suficiente para sentir conforto na solidão. E, gente, solidão é uma palavra tão... Eu falei sobre isso, acho que no vídeo do Sozinha. Ai, enfim, é tanto vídeo que ela faz. Assiste todos que tu vai me ouvir falando.
sobre isso. A gente demoniza tanto a palavra solidão que a gente criou a palavra solitude. Não, não é solidão, é solitude. É porque solidão é uma coisa que apavora as pessoas. Claro que a palavra solitude realmente existe, significa você estar sozinha por escolha, enfim. Mas eu faço questão de falar solidão que é justamente para desmistificar um pouco isso, como se fosse um problema. Solidão é um problema que a gente tem que resolver. Será que é?
Será que é um problema sentir paz na solidão? Se você é capaz de sentir paz estando na sua própria companhia, por que isso é um problema? Entende? E é claro que somos seres sociais, então a gente tem que cultivar essa troca, mas gente, pelo amor de Deus, amigos, família, vivemos em comunidade. Achar que isso significa preciso de um relacionamento para... Ah, me poupe, me poupe.
Então o medo da solidão vai existir quando você ainda não enfrentou. Porque o medo não necessariamente significa que você vai viver algo ruim. Porque, ah, eu estou sentindo medo daquilo, então tem algo ruim ali. Quando você entra num quarto escuro...
e a luz está apagada, e você sente medo, você não está sentindo medo porque você sabe que tem algo ruim ali. Você está sentindo medo porque você não está enxergando o que tem ali. Se você acender a luz, pode ser que não tenha absolutamente nada de ruim. Mas o medo esteve lá de qualquer jeito, até você enxergar o que realmente tinha.
Esse é o medo. O medo vai existir no desconhecido, no desbravado. Agora imagina você não acende a luz pelo medo, vira as costas e vai embora. E se você acender esse, você teria visto uma caixa, um tesouro, um baú repleto de joias e diamantes e um iPhone 17 Max Plus e sei lá o que que tu tem vontade de ter na tua vida, passagens pra Europa.
Mas eu não vou acender essa luz, eu tô com medo. Vou embora desse quarto. No não desbravado que existem as possibilidades de viver aquilo que a gente ainda não viveu, mas sonha em viver. Só que na vida real você não vai entrar no quarto, acender a luz e ó, tá aqui, que delícia. Ai menina, foram cinco segundos de preocupação e olha aí. Não. A vida real vai exigir que você entre no quarto escuro, feche a porta e fique um tempinho ali. Ai que desconfortável, é?
Bem-vindo à realidade. Tudo que é novo vai ser desconfortável, até deixar de ser. E deixa de ser quando você persiste no desconforto, quando você escolhe o desconforto. E pra mim foi assim. O bloqueio emocional não significa que foi 100% confortável ficar sozinha.
Eu tive que vencer esses medos, esse medo de nunca mais querer. Tudo isso eu enfrentei. E aí eu fui lamber minhas feridas. Por isso que eu tô dizendo, eu aproveitei aquele momento para me conhecer, não para me anestesiar, não para me enfiar no trabalho e fingir que nada estava acontecendo, não olhar para as minhas feridas, para o padrão de apego ansioso. Não, senhora. Eu olhei para tudo isso, eu me comprometi a me trabalhar. A gente vai precisar sim enfrentar o desconforto da solidão, até que ela se torne solitude.
E se você sentir medo da solidão, eu sei que você não viveu ainda. Talvez tenha vivido não tempo suficiente ou não soube viver direito. Viveu procurando e aplicativo e isso desesperadamente, porque eu preciso achar, porque não sei o quê. Aí é muito auto-explicativo porque você tem tanto medo.
E eu não estou falando sobre ser errado, você ter um aplicativo, você querer conhecer uma pessoa, se você está muito bem resolvida com você. Tua vida está andando, os projetos, as tuas amizades, e você não tem a tendência de abandonar tudo isso, consegue entrar numa relação sem se perder, sem ficar automaticamente insegura e ansiosa o tempo todo, está tudo certo. Agora, opa, estou vendo o padrão se repetir.
Então, de repente, essa retração emocional não durou tempo suficiente. Talvez eu ainda precise de mais tempo para me reconstruir. E é claro que eu também preciso dizer aqui que a gente nunca vai estar 100% pronto. Nós nunca vamos estar 100% curados antes de entrar num relacionamento. Até porque muita coisa a gente cura no relacionamento. Para desarmar o nosso sistema nervoso, por exemplo, quando a gente vive...
uma série de decepções ou um relacionamento tóxico, a gente vai precisar estar em um ambiente que parece uma ameaça, mas com o tempo a gente vê que não é. É mais ou menos aquela coisa assim, o cachorrinho, que foi vítima de maus tratos, ele vai ter muito medo de carinho, muito medo de qualquer pessoa que chegue perto, vai ser adotado por uma família maravilhosa que vai querer dar amor pra ele, e ainda assim vai se acuar, vai querer morder, vai chorar, até ele...
perceber que, opa, não, aqui é seguro, aqui eu posso me vulnerabilizar. Então, sim, muita coisa a gente trabalha dentro de uma relação. A gente só não pode entrar numa relação com essa energia de eu preciso que isso aqui funcione, eu preciso que isso aqui dê certo, porque se isso aqui não der certo, minha vida não tem mais sentido, eu não sei quem eu sou.
Então aproveita esse período sozinha, querendo ou não viver um relacionamento um dia, para cuidar de você. Para ser uma oportunidade de reconstrução interna. Para que você garanta que quando for para entrar num relacionamento, você entre de um lugar saudável. Não perfeito e 100% curado, mas de uma forma que você não se destrua. Ou que você consiga reconhecer o que precisa ser reconhecido para trabalhar isso sem ser um desastre e uma destruição, uma autodestruição.
E se você continuar a sua vida muito bem obrigada, decidida a realmente não quero mais saber de relacionamento, estou muito bem assim, seja feliz e foda-se o que os outros pensam. E caso você esteja na dúvida se é um bloqueio ou não, e você só está realmente vivendo a sua vida e tudo certo, minha filha, talvez não seja bloqueio. Talvez você só aprendeu finalmente a não se perder no outro.
Espero que esse vídeo tenha ajudado vocês, minhas lobas, meus lobos maravilhosos. Um beijo no coração e até o nosso próximo vídeo.