Honrar pai e mãe Carla Stumpf
Assunto: Honrar pai e mãe
Expositor: Carla Stumpf - SapirangaQuarta, 06/05 - 20 horas
Carla Stumpf
- Honrar pai e mãeMandamento espiritual · Pais como instrumentos de Deus · Família como campo de reparação · Propósito divino nos vínculos familiares · Compreensão, perdão e amor · Valores morais e religiosos · Dificuldades na continuidade familiar · Criação no passado vs. presente · Individualidade e doação · Ausência física vs. ausência de amor · Reencarnação e débitos familiares · Perdão como ferramenta de libertação · Aceitação e humildade · Lei do retorno · O presente como oportunidade
Boa noite a todos. Agradecendo sempre a Deus pela nossa vida. Agradecendo a Jesus esta amada e santa doutrina que abre o nosso entendimento e que nos une como irmãos. Agradecendo aos mentores da casa, a fé à luz, aos dirigentes.
As pessoas queridas que sorrim, me abraçam e me fazem tanto bem. Muito obrigada. E ao meu amado marido, né? Que me trouxe até aqui para poder, junto com vocês, pensarmos e meditarmos um pouco sobre esse tema forte e tão importante. Precisamos ouvir Deus.
Precisamos aprender a ver Deus. Precisamos sentir Deus. Deus é o grande Criador. É a energia suprema do amor que nos fez um universo que não cabe no nosso entendimento de tão imenso.
Esta energia criadora que através de Moisés nos deu os dez mandamentos, imutáveis como Deus o é. E no quarto mandamento, vamos encontrar, honrar pai e mãe. Como já nos diz o Evangelho, pelo fato de estarmos aqui.
Já basta para honrar o pai e a mãe que nos deram a vida. O mandamento honrar pai e mãe não é apenas moral, é espiritual. Na visão espírita, os pais são instrumentos de Deus para a nossa reencarnação.
A família é um campo de reparação, aprendizado e evolução. E muitas vezes, reencontramos desafetos do passado.
quando nós temos a noção exata de que a vida continua, de que esta é mais uma experiência de tantas vidas que já tivemos, de tantos pais e mães que já tivemos, de tantas vezes que fomos pais e mães, e de que nada é por acaso.
Estamos na família que precisamos estar, ou aqueles que estão casando, vão casar, ou recém-casar. Estamos formando a família que precisamos formar, porque é esta a nossa evolução. O embate, a presença constante, família, pai e mãe, filho, para o nosso crescimento.
Quando fala que é espiritual, porque antes de reencarnar, todos aceitamos. O pai, a mãe, os irmãos, os avós. Tudo nos foi proposto e aceitamos. Então, muito mais que físico, a nossa ligação é espiritual.
No planeta Terra, que é um planeta de provas e expiações, as famílias não são perfeitas, os pais não são perfeitos, nós não somos perfeitos. Mas sempre desejamos o melhor para nós. Muitas vezes nem sendo o melhor para os outros.
Então, não escolhemos por acaso os pais que temos. Há sempre um propósito divino em cada vínculo. Honrar pai e mãe vai muito além da obediência. É sentir o pai e a mãe. É um ato de compreensão ao perdão e ao amor verdadeiro.
Atualmente, estamos percebendo no planeta valores perdidos. Muitos não estão dando a importância à família, à criação dos filhos, à importância dos valores reais e morais, religiosos. E é planetário o problema.
E muitos lares não prosperam o amor, a convivência fraterna, principalmente porque não tem amor, religião, fraternidade entre a família. Será que estamos realmente honrando nossos pais ou apenas convivendo com eles?
Como os valores estão muito supérfluos, muitos jovens não querem casar, não querem constituir família, percebemos a dificuldade desta continuidade, voltando ao passado. Nossos avós, nossos bisavós, na minha geração posso dizer os meus pais, foram criados de uma maneira difícil.
uma criação onde os seus pais tinham uma vida de sacrifício. Olha os nossos avós, gente. Ontem até, eu estava em uma outra casa espírita dando palestra, ainda dei o exemplo. A nossa vida é maravilhosa. Olha os nossos pais, os nossos avós, a vida deles. Pelo menos as que moravam mais no interior. Não tinha máquina de lavar roupa. Não tinha, muitas vezes, nem água encanada. A minha avó não tinha água encanada.
Tinha que ir num rio perto, buscar água, lavar roupa lá, trazer em balde para lavar roupa. Roupa à mão. Doze filhos. Tinha que fazer comida. Tinha que passar a roupa com aquele ferro que botava brasa do fogão à lenha para esquentar o ferro e passar a roupa. Os tecidos eram difíceis de se passar. A vida é difícil. Tinha que comer uma coisa, tinha que fazer.
Não tinha como nós, que vamos no mercado e tem uma quantidade absurda. Então, os nossos passados, pais, avós e bisavós, passaram muito trabalho. Criaram os filhos assim, meio que de rondão.
Falta de ter tempo de sentar, que nem hoje a gente já consegue perceber que nós temos muito mais condições do que esse passado. De sentar com o filho, de perguntar da aula, de fazer o tema, de ter paciência. Então, às vezes, nós notamos que nós somos frutos de uma criação mais rude, mais pesada. Por isso que muitos filhos se revoltavam contra os pais. Sentiam que os pais...
que desejavam pais mais amorosos, mas a realidade era nua e crua. Mas a doutrina mostra que a gente nasceu no tempo certo. Então, se os meus bisavós, tataravós, meus avós, meus pais eram difíceis,
É porque quem nasceu ali precisava daquela vida dura e difícil. Já nós notamos que já temos uma vida mais tranquila, mais farta, mais fácil, mas também falhamos. Falhamos porque hoje existe uma necessidade de uma individualidade, a gente vê que a maior parte das pessoas...
são carentes de individualidade, só que a individualidade faz com que tu não te doe, que tu não tenha tempo para sentar, para conversar, para amar. Honrar pai e mãe, eu falo no sentido geral, porque hoje, se eu sou filha, serei mãe um dia. Só que eu já sou avó, mas eu estou falando de jovens. Então, como cobrar de alguém que não teve?
Então, como é que eu vou cobrar do meu pai algo que ele não sabe o que é uma mãe que pudesse sentar, conversar, dar amor? Eu sou daquela geração que quanto mais apanhasse, melhor se tornaria. Na minha geração, a maior parte das pessoas que eu falo dizem que era assim. Ah, qualquer coisinha errada a gente apanhava, por quê?
Porque a ideia de todos na época era que se batesse, a criança ia se tornar uma pessoa boa. Hoje a gente sabe que não é por aí. Mas então o que eu quero dizer é que no passado, os pais talvez fossem mais ausentes do que nos dias de hoje. Só que nos dias de hoje...
a ausência talvez não física, mas de amor, seja tanto quanto. Porque a gente tem os concorrentes, que são as mídias, que são as ideias de que a gente precisa ter o tempo da gente, e os nossos filhos crescem e muitas vezes se revoltam contra essa verdadeira realidade que eles vivem. E aí é um efeito dominó.
Mas o que nós vamos ver aqui é que a doutrina pode mudar toda essa realidade dentro do coração de cada um de nós. Quando a gente reconhece que a nossa vida é uma consequência do nosso passado, se os meus pais...
que não são perfeitos, porque eu também não sou, são como são, porque são frutos de uma educação, são frutos de uma época, de um conceito de educação, nós podemos hoje olhar sobre esse prisma.
Amá-los, aceitá-los. Ah, nem todos os pais, nem todos os pais são pais presentes. Tem aqueles pais com desvio de conduta, tem pais...
Alcoólatras, tem pais viciados, tem pais ausentes completamente, tem pais rígidos demais, austeros demais, cobradores demais. Todos nós somos um pouquinho de cada coisa, mas quando eu como filha entendo a história daqueles que me geraram, a minha mãe.
Quando eu falo pai, eu falo mãe também. A minha mãe, o meu pai, o histórico, as dificuldades, o passado difícil. Eu preciso hoje mudar o meu olhar. E me preparar para que eu seja melhor. Sem a cobrança daquilo que eu imagino como sendo sempre o ideal. Então, o pai e mãe...
São pais difíceis, pais ausentes, pais rígidos, imperfeitos, pais com vícios, pais que trazem mágoas, dificuldades de aceitação, culpa. E muitas vezes nós, filhos,
Não entendemos isso, e às vezes notamos que os filhos se revoltam, e podemos dizer, que nem passa no Evangelho, uma passagem muito bonita, que são filhos que não só se revoltam, como são ingratos aos pais. A palestra de hoje tem a intenção de pedir a todos as pequenas reflexões.
de que se é possível honrar o meu pai e a minha mãe, mesmo com as dificuldades de relacionamento, com as dificuldades de postura, com os traumas de infância, com as dificuldades de carinho, de afeto, eu sei de paz.
que não abraçam. Eu sei de pais que expulsam os filhos. Eu sei de pais que humilham. Mas aí vem a doutrina e nos diz e no passado?
Que pai e mãe eu fui? Sabe lá, se eu fui mãe da minha mãe e fui uma má mãe, ausente, péssima, egoísta, se nessa vida meus pais são pais difíceis, é porque eu preciso ter o relacionamento com esses pais difíceis. E só a doutrina...
faz com que eu entenda o processo. Então, se os pais já vêm de educação, lá de trás, difícil, dura, doída, de sacrifício.
Se pegarmos o relato de pessoas que nasceram em 1900, por exemplo, era uma vida muito cruel. 1950? A nossa vida hoje é uma vida que nós teríamos condições de amar profundamente. Se não fosse os descaminhos que se apresentam diante de nós.
Conta a espiritualidade que muitos espíritos, antes de reencarnar, reconhecem débitos profundos ligados à própria família. Um espírito profundamente arrependido por haver desprezado seus pais em uma existência anterior, pediu nova oportunidade, suplicou por uma chance de reparar os seus erros, reencarnou então,
Em um lar muito difícil, encontrou pais severos, limitações, desafios e dores. Durante anos, ele perguntou, porque Deus me deu esses pais? Até que compreendeu mais tarde que não era punição, era misericórdia.
com a graça do esquecimento das nossas reencarnações passadas, nós hoje não sabemos o que fizemos, qual é a herança que temos que superar do passado, espiar nosso passado e o porquê das relações familiares. Então, às vezes...
Nascem aqueles nenenzinhos, os pais criam com todo amor, com todo amor, e chega uma certa idade, na adolescência, os filhos se revoltam e parece que são outras crianças. E é exatamente quando a reencarnação se constitui como um todo, e aí vem todo o histórico passado. Então, o que se faz? Se entende...
E se compreende que se ali naquela família os pais e os filhos têm dificuldade, porque muitos se devem um ao outro. E temos que aprender a perdoar. Independente do que foi feito, independente do passado delituoso que trazemos conosco, o perdão é fundamental. Deus lhe concedera exatamente...
o exemplo anterior que eu estava lendo, Deus conceder exatamente o ambiente necessário para aprender. Esse espírito que pediu para reencarnar em uma família difícil e depois não entendia o porquê. Então, Deus nos dá a oportunidade de aprendermos a ter respeito. Eu não posso falar porque, quando eu era jovem, o respeito era o chinelo, né? Porque se eu fazia uma coisa errada, o pai dizia, escolhe como tu quer apanhar, eu e meu irmão.
Então a gente engolia seco e o respeito vinha do medo, né? Mas por inquieto que pareça, eu amo ele até hoje. Não caiu um dedo, de tanto que nós apanhávamos, não caiu um dedo. Porque era a maneira que eles tinham, o conceito que eles tinham de criar os filhos.
A gente aprende a ser humilde. Sim, senhor, meu pai. Sim, senhor, minha mãe. Quando o pai é rígido.
Não vamos entrar aqui em muitos aspectos paralelos, senão o nosso tempo é pouco. Mas vamos falar, sim, de uma família difícil, rígida, de uma família que cobra e a gente às vezes se revolta. Mas aí a gente tem que entender o processo e aprender a aceitar, a se resignar, a ser humilde e entender que pai e mãe mandam, mesmo que o pai não tenha razão.
aprender a perdoar, que é a grande arma nos dias de hoje, para que a gente possa amar verdadeiramente. A gente aprende a amar. Seus pais não eram um acaso, nossos pais não são um acaso. Na realidade, são instrumentos da nossa evolução.
E mesmo os pais que não têm aquela conduta perfeita, que são, como eu falei anteriormente, alguns que são alcoólatras, viciados, com problemas de postura moral, com problemas de dívidas, muitos com problemas que são presos, que são, enfim, mas são pais.
São pais e precisam que a família ajude, ampare e faça com que eles consigam alavancar uma vida moral. E é muito difícil se a família não ama.
É fácil? Não. Planeta Terra aqui, nada é fácil. Uma doença grave não é fácil. Relacionamento com pai e mãe não é fácil. Relacionamento homem, mulher, família não é fácil. Relacionamento com filhos não é fácil. Relacionamento com dinheiro não é fácil. Patrão e empregado não é fácil. Por quê? Somos espíritos todos muito, muito, muito ainda.
principiantes na conduta moral e amorosa. Então, a gente ainda é muito egoísta, a visão é muito curta, a gente sofre por qualquer coisa, tudo nos magoa, tudo nos dói. E não pode ser assim. A gente tem que entender que nós somos do processo, nós somos todos filhos de um processo evolutivo.
Onde a gente tem que entender as coisas, entender o momento, entender o companheiro, a companheira. Ninguém é igual. Ah, eu queria tanto que o meu pai fosse assim, assim. Ele não é como eu quero, ele é como é. Assim como o meu pai poderia dizer, como eu queria que a minha filha fosse assim, assim, assim.
Eu não sou, eu sou como sou, somos indivíduos. Então o mandamento honrar pai e mãe diz que não é mera obrigação social, é um compromisso espiritual, é um reconhecimento pela vida recebida. Quando a gente fica sabendo que tem mais de nove...
para cada um de nós, aguardando reencarnar. Gente, que loucura! Nós estamos aqui e nove entraram na nossa frente, ficaram atrás de nós, perdão. Nove! E nós fomos escolhidos. Então, só isso é um motivo de muita gratidão.
Allan Kardec fala que a família é uma oficina de redenção. E é verdade. Onde a gente tem que olhar as pessoas, reconhecer os defeitos, aceitar e amar. Assim como eles olham para nós, nos veem os defeitos e nos amam. E nos amam.
E eu falo de pai e mãe, não só pai e mãe que é família. Por exemplo, às vezes a mãe fica grávida e tem vidas individuais, o pai tem de um lado, a mãe do outro, que é mãe sozinha. Às vezes são filhos adotados, às vezes são... Não importa a maneira como a gente veio ao mundo, alguém nos fez.
Então, nós encontramos no nosso lar afetos, que às vezes na família a gente tem aquele irmão ou aquela irmã, que é tudo de bom, parceirão. E tem aquele outro, que qualquer coisa que tu fala, e ele já se uriça, e já começa a discussão. Tem aqueles que na hora da herança...
querem passar perna um no outro, porque não acreditam que a vida continua, acham que a vida é só essa aqui, então todo o dinheiro que eu puder pegar para mim, só que nós não vamos levar nada.
Porque a gente tirar indevido, nós não vamos levar. Nem o corpo a gente leva. Então, existem relações familiares complicadíssimas. O que se faz? Tudo está escrito nas estrelas. Tudo. Se alguém tirar de ti algo indevido...
Acalma, porque a vida traz de volta. E se você tirar algo de alguém que não é teu direito, espera, porque a vida vai te tirar e levar de volta. E essa é a lei. Por isso, tão importante ouvir Deus.
Ver Deus e sentir Deus. Porque essa justiça divina vem dele. Não é o caso aqui. Poderia dar muitos exemplos disso. O que eu, que me tirarem, que é meu e me tirarem, a vida me traz.
E o que eu tirar, a vida me tira. Essa é a lei. Continuando. Os pais podem ser imperfeitos, mas a oportunidade espiritual é perfeita. Então, a nossa vida aqui é perfeita.
Se os meus pais já não estão aqui, oremos. Eles não estão aqui, mas estão ali. Estão ali, lá. É só uma dimensão que nos divide. Eles nos escutam.
Se pedirmos perdão pelo abraço que não demos, eles nos escutam. Se pedir perdão porque julgamos errado, eles nos escutam. Se eu disser em prece, Pai, eu te amo, recebe meu abraço, eles escutam.
Tudo é crescimento. A gente não pode pensar, meu Deus, se eu pensar no passado, quanta coisa errada eu fiz para o meu pai, quanta discussão. Faz parte do aprendizado. Sem culpa. Como é que a gente cresce? Tentando, errando, recomeçando. Mas o perdão é fundamental. Honrar pai e mãe.
Pergunta. Somos gratos aos pais? Temos valorizado o nosso pai e a nossa mãe? Temos paciência com o nosso pai e a nossa mãe?
Quais são as mágoas que nós guardamos? Está na hora de depurar. O perdão, imagina se eu estou com uma mochila enorme aqui nas minhas costas. O perdão, a mágoa, a tristeza do pai, da mãe que fizeram isso, fizeram aquilo, é uma mochila pesada, pesada, pesada. O que é o perdão? Tira a mochila.
E segue, leve, perdoa, faz sua parte. Segue leve. Estamos adiando reconciliações. Sei de muitos que têm dificuldade de chegar para o pai, orgulho, às vezes dói. E dizer, olha, o passado passou, eu te amo.
Quem tem pai, que faça. Quando a gente não tem mais, é só com oração. Porque a gente sempre acha que merecia pai melhor, mãe melhor. O dia que a gente não estiver mais aqui, a gente vai ver que os pais eram exatamente o que nós precisávamos. Ah, Carla, mas agora meu pai já está bem velhinho. Aí é que eles precisam de amor.
O meu não está mais aqui. Mas a minha mãezinha, sim. E com idade, não é fácil. Quem tem pais idosos aqui sabe, não é fácil. Como nós ficaremos idosos também. Nós também vamos perder a audição, o entendimento, a cognição. Nós também vamos caminhar devagar. Nós também vamos ficar lento. Nós também vamos ficar com a visão turva. Nós vamos ficar como eles.
E a gente está preparado para não receber amor, para não receber abraço? Respira, respira e ama. Aproveita enquanto se está aqui.
Honrar pai e mãe não significa que a gente vá concordar com os erros. Por exemplo, se uma mãe ou um pai tem uma conduta que a gente não acha correta. A gente pode não concordar e deve não concordar se não é correto. Mas cada um tem o seu grau de despertar. Eu não posso chacoalhar a pessoa e dizer, tu não pode fazer isso, não pode fazer isso. A pessoa, o ser humano tem que chegar a esse nível de entendimento.
Então, posso não concordar com os erros. Devo não aceitar os abusos? Devo não aceitar. Mas, preciso amar. Achar uma maneira de dizer, olha, eu não gosto, não entendo, não é assim, mas eu sou grato porque tu me fez e eu te amo.
Honrar é respeitar, reconhecer o lado bom. Todos nós temos o lado bom. Nossos pais têm o lado bom. Vamos exaltar o lado bom. Vai chegar o dia em que a gente vai estar no lugarzinho deles. Com bastante idade. Como é bom quando chega um filho, um neto e diz Ai, avô, ai, avó, que legal que tu fez isso. Que bacana, muito obrigada. Dá um abraço.
Orar. Orar por eles. Orar por nós, pedindo a Deus que sejamos bons filhos. Que possamos olhar para eles, acima de tudo, com aquele amor que quando a gente nasceu, a gente foi tomado no colo. Mesmo que tenhamos pais que nunca nos colocaram no colo.
Vamos rever os conceitos do passado. Trazemos dentro de nós ainda um resquício dessa educação dura. Oremos por nós, para que possamos aceitá-los. Aproveitar os minutinhos que ainda temos. Perdoar sempre.
libertar-se de ressentimentos, porque nós somos um pocinho de ressentimentos. Se cada um aqui sentar e começar a pensar, de cada pessoa da família, a gente tem um monte de coisa que a gente não gosta. Meu irmão, eu não gosto disso, disso, disso, disso da minha irmã, da minha cunhada, do meu cunhado, do meu avô, da minha mãe, do meu pai. A gente tem listas. Imagina quando a gente olhar a lista que eles têm de nós. Também não vai ser fácil.
porque ninguém é perfeito. A gente não consegue, por incrível que pareça, a gente não consegue perceber que às vezes o nosso tom de voz é austero, que às vezes a gente não consegue ser amorosa, que às vezes a gente não dá nem bom dia, nem boa tarde, a gente já chega dando ordens, e que a gente às vezes não consegue fazer as coisas de uma maneira mais suave, a gente às vezes é bruto, é grossíssimo.
A gente é de tudo um pouco, né? Mesmo quando os pais falham, o filho pode escolher honrar sua própria consciência através do perdão. Então, as feridas familiares. O meu marido tem uma frase que ele diz assim, toda família tem o seu segredinho. Essas feridinhas que ninguém gosta de falar.
esquece. Por que adianta ressentimento, mágoa? Aí fica dois, três anos sem falar, daqui a pouquinho a pessoa desencarna e aí cai a ficha. Daí vem culpa. Daí vem culpa. Meu Deus, eu podia ter me reconciliado. Esquece as feridas. Na próxima vida,
A lei do retorno. Então, se eu continuar com dores, magas, ressentimentos, vergonha, enfim, tudo isso vai comigo. Desencarno, quando eu reencarnar, vou trazer comigo. E como é que vai ser a minha próxima família, né? Se eu já vier com a minha herança de feridas, magas e ressentimentos. Então, perdoa.
Quem é perfeito? Por que a gente tem que ser perfeito? Não somos perfeitos. Descarta. Se meu pai é ausente, eu seja presente. Que eu seja presente. Vou dar um exemplo, que não é bom em palestras dar exemplos particulares, mas o meu pai, o amor da minha vida...
Quando eu era jovem, adolescente, ele foi criado assim, que nem no interior mesmo, sem ganhar abraços, só apanhando, fazendo desde criança um trabalho duro, ardo. Naquela época, criança tinha que trabalhar. Ele não gostava de abraço. Então, eu tinha meus 13, 14 anos, ele dizia, não, não, não.
Não, não, não, não, ele era assim. Não, não, não, não, não, não, pai não gosta de abraço, pai não gosta de abraço. Era impressionante. Daí, na época, eu era muito católica, muito católica. Eu fui catequista desde... Na minha cidade não tinha catequista, eu era criança, o padre já tinha me ensinado a ser professora de catequese. E aí eu aprendi um dia, numa homilia,
que a gente deveria forçar o amor. E aquilo, naquele... Eu acho que eu devia ter uns 14 anos. Aquilo entrou dentro de mim, mas tão profundo, sabe? Que eu pensei, ah, eu vou fazer isso. E daí eu chegava para dar um abraço para o pai. Eu digo, não, mas eu quero. E eu, né? E comecei. Abraçava, abraçava. Iria por trás, abraçava. E daqui a pouquinho começava a dar beijo. Ele, ujum, jum.
Não, não, não, pai não gosta de beijo. Me arrepia todo. Assim ele era. E fomos, e fomos. E a minha mãe daí começou a entender. E a gente foi. Resumo. Meu pai, depois de um bom tempo, Deus me livre chegar na casa dele e não abraçar e não beijar. Ele era um beijoqueiro.
Ele amava abraços netos, né? Minha filha, então, meu filho, tinha que chegar e abraçar. Cadê o abraço do vô? Cadê o abraço do vô? Cadê? Deus me livre, nós, adultos e as crianças, chegarem na casa do pai e não abraçar e beijar ele. Água mole em pedra dura, tanto bate até que for. Então, aquilo foi uma frase. E aquilo parece que a espiritualidade e a doutrina, gente, amansou ele.
Que nem ele brincava, um cavalo chucro, chegou a doutrina e...
Educou ele. A doutrina é maravilhosa. Faz da gente um verdadeiro ser de amor. Então, paz de ausentes, culpa, reconciliação urgente, sem culpa. Esquece o passado. O que dizer? Passado? Passou. O futuro? A Deus pertence. E o que é nós? O presente. E é esse presente que eu tenho que aproveitar.
para botar a limpo os meus sentimentos com relação ao meu pai, à minha mãe e à família como um todo.
Então o perdão não apaga o passado, não ajusta os erros. Não tem como apagar o passado. O passado existe. Não ajusta erros. Errou, errou. Mas nos liberta a alma. Liberta a nossa alma dos julgamentos, das comparações. E respeita a individualidade de cada um. Cada um é como é.
aceitemos. O que fazer? Podemos telefonar, abraçar, escutar com paciência, se tem mais idade, fazer visita, sempre que possível agradecer, dar beijo, dar abraço, pedir perdão, se tivermos oportunidade. E para aqueles que não estão mais aqui, as preces, a oração pelos pais.
Gente, nós estamos correndo. Nosso tempo está chegado, que pena. Honrar é libertar o coração. Não aprisioná-lo ao passado. Libertar o nosso coração das mágoas, das dores, dos assentimentos, do mau comportamento. Liberta. Ama. Aceita. Ajuda. Abraça.
E uma pequena prece que nós podemos fazer. Porque a espiritualidade amorosa está aqui do nosso lado, nos ajudando. A gente só precisa pedir ajuda. Senhor da vida.
Agradeço pelos pais que recebi, pelos ensinamentos, pelas provas e pelas oportunidades. Dá-nos sabedoria para compreender, humildade para perdoar e amor para valorizar aqueles que participaram desta nossa existência.
Abençoa nossos pais, estejam onde estiverem, que possamos honrá-los não apenas em palavras, mas em atitudes, respeito e oração. Que a paz do Cristo permaneça em nossos corações. Que assim seja.
Uma pequena prece para que a gente supere as nossas dores e que consiga libertar o amor pelo pai e pela mãe que nos deram a vida. Muito obrigada.