FRANCISCO ABENÇOADO, OU, O GÓTICO BRASILEIRO[ APRESENTAÇÃO] (2026)- EDITORES DO HORROR - PARTE 02
Esses locais são chamadas de bocarra, catacumbas ou cavernas, onde o acesso ao “inframundo” originário (conhecido também como “inferno” pelos cristãos) citado no pensamento medieval e cristão (ROQUE, 2014, p. 220) se dá. Num local análogo, Dona Goiabeira apresenta algo semelhante à Teoria Gaia a Chico Bento.
Para as referências acesse: https://medium.com/@sombrionauta/francisco-aben%C3%A7oado-ou-o-g%C3%B3tico-brasileiro-apresenta%C3%A7%C3%A3o-2026-editores-do-horror-parte-02-acabed013d89
Chico Bento
- A cultura popular transformada em horror para as crianças odiarem seus paisFrancisco Abençoado ou o Gótico Brasileiro·observações sobre cultura popular no filme Chico Bento e a Goiabeira Maravilhosa
- A importância da goiabeira para Chico Bento e a luta contra o progresso falsoescola fundamental e a identidade de Chico Bento·asfalto em Vila Bobrinha e a ameaça à goiabeira·goiabeira plantada pela vó Dita
- A teoria Gaia e a fusão das pessoas com o ambienteKrenak e a teoria Gaia·corpo planetário como uma coisa só·pessoas se fundindo aos ambientes
- A jornada de Chico Bento ao inframundo e o amadurecimento aos 7 anosChico Bento dorme na goiabeira e desce ao subterrâneo·goiabeira fala e dota habilidades·descoberta da estrada falsa e o coronel
- A fusão do indivíduo com a cidade e a tradição japonesa do TetsuJunji Ito e a geração que volta a viver com os pais·Chen Xiao e a visão da cidade·Homem de Ferro e Tetsu no Japão
- A hibridização e a adaptação aos ambientes de vivêncianoivados como adaptação aos ambientes·ciência maluca e visão curta·Gilberto Freyre e as três raças
Então é uma tradição no qual quando você discute cultura popular transformar ela em horror, porque é para as crianças filhas dessa cultura odiarem seus pequenos pais, não é? Sombreonauta apresenta Francisco Abençoado ou o Gótico Brasileiro, algumas observações sobre cultura popular no filme Chico Bento e a Goiabeira Maravilhosa de 2024. Apresentação feita nas 10ª Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da ECA, no dia 21/08/2026.
Editores do Horror, parte 2, final. Antes de continuar, agradeço se puder compartilhar, curtir e se inscrever no canal deste podcast. Isso tá tudo alicerçado numa ideia do Krenak. Eu gosto do Krenak, ele é mal-humorado que nem meu pai. Todo mundo fala que o Krenak é mal-humorado, fui ler essa desgraça e fui ler, é meu pai. Isso se chama teoria Gaia, que basicamente todo corpo planetário é uma coisa só. Essa subdivisão foi dada pelo cartesianismo e não é funcional.
Então quando você tá dentro desses ambientes, as pessoas vão se fundindo a esses ambientes, sejam eles natureza ou não. Pode continuar porque deve estar acabando mesmo. E vocês conhecem isso, ou vocês não perceberam que ele se funde com o ente da natureza. Tem uma tradição disso, o leador se funde com o negócio. No Japão isso é um retorno, tá? Foi o que foi discutido lá com o Junji Ito. Junji Ito percebeu a geração que não tá conseguindo pagar as contas tá voltando a viver com os pais, né?
Viver com os pais é um terror, não é? Quando a gente vai pegar Chen Xiao, né, que eu nunca vou pronunciar certo, ele não tem esse terror. Ele só vê a cidade. Aqui eu tenho bastante coisa para comer. Tem um termo quando você se funde à cidade, você é chamado de Homem de Ferro. Já viram isso? Ah, do japonês quer dizer Tetsu. Toda vez que vocês veem um personagem chamado Tetsu, ele é um híbrido com a cidade. Assistam filmes de industrial chamado Tetsu the Bullet Man, porque a proposta dele é continuar essa tradição.
Então toda vez que vocês veem um personagem chamado Tetsu, ele tá fundido à cidade. Em 2 minutos eu vou terminar isso de algum jeito. Então o que acontece? O que a gente sabe? Esses noivados que eu tô falando são basicamente pessoas que estão se adaptando aos seus ambientes de vivência, com qualquer um. Na academia a gente muda. Por exemplo, as costas doem pra Dedéu, você começa a não enxergar nada por causa do computador. Em compensação, você tem uma tolerância altíssima a discursos de gente dizendo que existe terror na academia.
Então, quando a gente vai assistir isso, é essa ciência maluca que eu falei. Só que a gente tem uma visão muito curta, que é a visão que foi criada pelo Gilberto Freyre. Existem 3 raças, e essas 3 raças são a mesma coisa: os brancos, os indígenas e os negros. Tem uma diversidade lá que muda de acordo com a geografia. Essa hibridização, você tem que olhar o local. Quem discutiu isso? Pega as histórias do Leonard Eles só discutem isso.
Cada autor tem uma palavra-chave. Alan Moore: classe trabalhadora. Foram duas. Maurício de Souza: assimilação. Grant Morrison: desemprego. Todas as histórias deles são visões sobre desemprego. Presta atenção que vocês conseguem ver. Só que no Brasil isso é diferente. O cara do interior, ele tem um medo que é muito diferente de ser atacado pelo pessoal da capital. Se chama arrivismo isso. A escola é fundamental. Só que a escola onde o Chico Bento tá não nega o que ele é.
Se vocês assistirem o filme A Goiabada Maravilhosa, existe um pessoal que vai asfaltar Vila Bobrinha, que é onde o Chico Bento vive. E Chico Bento diz, cara, como eu vou resolver isso? Porque vão derrubar a goiabeira. Essa goiabeira, quem fundiu ele foi a vó Dita. Quando Chico nasceu, pediu para o pai plantar ali a goiabeira. Os dois estão fundidos. Matar a goiabeira é derrubar o Chico Bento. Então, para ele, é uma questão fundamental de sobrevivência.
E essa história é recorrente no Chico Bento. Essa história de 1982 se chama Chico Bento, Chico 7 Anos. É, para mim, se vocês assistirem o filme, o que acontece? Chico Bento não sabe o que fazer, dorme em cima da goiabeira, ele acorda e desce com subterrâneo e lá a goiabeira começa a falar com ele e dotar ele de habilidades. Aí ele, combinado com a escola, ele descobre: mas essa estrada só dá volta sobre volta, então não tem sentido essa estrada tá aqui.
É só uma estrada criada por um coronel para ganhar dinheiro, falso progresso. Ele combina a escola com a capacidade dele acessar essa entidade. Nessa história, Chico, 7 anos, essa cara vocês entenderam, porque 7 anos pode andar. Chico, 10, vai para um local, ele desce, isso chama bocarra, a boca do inferno, que aqui a gente chama de inframundo. Ele desce e diz: Ele entra aqui dentro dessa maravilha, ele começa a andar lá dentro, e aí ele encontra com os bisavós mortos, encontra com o cachorro dele morto, encontra com coisa ruim, anjinhos e coisas estranhas, e essas coisas tão conversando com ele.
E o avô dele— eu tô mudando a voz porque geralmente ninguém que é mesmo baiano fala com vocês nessa voz, porque vocês não merecem. Geralmente a gente usa essa voz porque essa voz é para parecer engraçado, para a gente conseguir ser aceito. Entre os nossos nós só falamos dessa Foi uma boa me botar numa mesa de tradução. O que acontece? Chico Bento tá andando e ele repara uma coisa estranha. As coisas estão ficando grandes pra ele.
E a avó dele diz: vai fazer uma viagem. Ele anda, anda e ele sai. Quando ele sai, ele esqueceu as coisas do submundo. Ele tenta voltar, só que ele não pode. É aniversário dele, 7 anos. O que acontece aos 7 anos no Brasil com uma criança? Chico Bento abandonará tudo isso. Não pode mais voltar ao submundo. Ele termina dizendo: ajudar pai, entrar na escola, virar médico, crescer. E aí? Isso aí vocês vão ver onde? Em Guimarães, que vocês viram.
Pessoal lê errado demais. Quando vocês forem ler o Guimarães, vocês têm que ler com essa voz. Esse negócio de falar com essa voz não é verdade, isso é só taca-útil. Geralmente a gente fala com essa voz, e principalmente se tiver— então nosso querido Maurício de Souza compreendeu. As histórias do Chico Bento sempre vão nesse local, elas fazem muito sucesso, principalmente na Alemanha. E aí a gente compreende uma coisa simples: Mas não compreendemos nada, certo?
E aí eu termino isso dizendo: se o Chico Bento é de fato o nosso monstro do pântano— mas eu mudei de opinião, eu desconfio que aí é o João Constantino. Um monte de referências que não dá para ver nada. Obrigado por seu tempo. Agradecemos a todos que participam do nosso Apoia.se por meio do apoia.se/orçamentossomosumos. Sombrio e do Pix sombrenauta@gmail.com. Graças a vocês esse programa pode melhorar cada vez mais. Se você apreciou, siga, curta e compartilhe nas suas redes sociais e se inscreva em nosso canal no YouTube, no Facebook, no Instagram, no Medium, no Substack, no TikTok e no Kwai. Até mais!
Apoia.se
Pix