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PROFISSIONALISMO CRISTÃO NÃO GOSTA DE GROOVE LATINO - KORN [SHOW] (16/05/2026)

13 de agosto de 20266min
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Fui até o show recente do Korn no Allianz Park, numa posição que me desagrada, a das cadeiras.


(A VIDA ANDA DIFÍCIL, TAMBÉM POR CAUSA DOS MEUS COLEGAS)
Porém, tal qual aquele bom personagem paranoico , que atualmente é um budista morto, o Questão, minha curiosidade geralmente me impede de ficar entediado, aliás, ele foi criado por uma das grandes influências do 

Alan Moore (o Steranko)


SOFRAM, INIMIGOS.


Então eu percebi quem era o público do Korn de fato, e quem era esse tipo de público antes.


GENTE GORDA CRISTÃ, ATUALMENTE

Assuntos3
  • Korn e o Nu Metal· CulturaEvolução do público do Korn·Mudança no mercado da música·O fim da era do groove·Nu metal e a influência religiosa
  • Show do Korn· CulturaSetlist do show·Público do show·Performance da banda
  • Música e Dança· CulturaDança de combate (pogo, mosh pit)·Música como união social·Restrições religiosas à dança
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Sombreonauta julga Korn show, 16/05/2026. Fui até o show recente do Korn no Allianz Parque numa posição que me desagrada, a das cadeiras. A vida anda difícil também por causa dos meus colegas, porém, tal qual aquele bom personagem paranoico que atualmente é um budista morto, o Questão, minha curiosidade geralmente me impede de ficar entediado. Aliás, ele foi criado por uma das grandes influências do Alan Moore, o Steranko. Então eu percebi quem era o público do Korn de fato e quem era esse tipo de público antes.

Cristã atualmente, gente como eu antes. Ao meu ver, isso aconteceu no decorrer dos álbuns do Korn, que junto com Deftones e o Limp Bizkit sobreviveram à sua última grande onda. O Deftones foi o que melhor se entendeu sabendo que seu público era de pessoas que iriam ficar velhas e gostariam ainda de fazer sexo. Tudo neles parece uma lounge de uma ópera acontecendo a dois. O Limp Bizkit aceitou ser uma versão estranha do Iron Maiden, só que mais divertida do que assustadora.

E o Korn? O Korn vive de não saber viver. Todos eles fazem ótimos shows e apreciam tocar, porém o gerenciamento feito pelo Korn por seus dois donos, Head e Monkey— não, o Jonathan Davis é mais um contratado do que membro de fato. Ele era de uma banda chamada Sex Art, que depois viria a se tornar o Orgy. Monkey Head viram uma apresentação deles e trouxeram o Cabra para tocar. O outro dono era o Fieldy. A saída dele é a base da minha explicação do que deu ruim no nu metal.

Uma coisa fascinante na escolha do Korn em seu set foi fazer uma mescla de seu primeiro álbum com os seus sons mais tocados no Spotify. Se não acredita, vai lá e veja. Blind, Twist, Here to Stay, God's Life, Claw, Did My Time, Shoots and Louders com trechos de One do Metallica, Coming Undone, You Are Too Scared, Cold, Twisted Transistor, Dirt, Sunburst Samba, Ball Tongue, The Owl single, O You, Running Away from Me, Adidas. Em Freak on the Lake.

Se você perceber bem, esse set é um anti-set de rock, com seu grande hit logo no início. Se os shows de rock tentavam emular o ápice sexual, o deste show emula muito do que é o ritmo de prazer dessa nova geração segundo uma banda de mais de 20 anos. Ou seja, eles têm que ganhar o público no começo porque tanto esse público quanto os músicos não aguentam um show muito prolongado. Sim, é isso mesmo, os jovens não aguentam 90 minutos de show.

Tudo isso é índice e evidência de que houve uma mudança no mercado da música. A era do groove morreu. Quando falo de groove, falo de ir a show para dançar. Alguns chamam de pogar, outros de bate-cabeça, e tem gente que chama de mosh pit. É basicamente dança de combate. Aparece desde o mundo antigo, inclusive pode ser conferida em versões do Carnaval na Bahia com o termo de holodum. Não, o grupo que tomou essa cunha. Assim como tem gente que tomou Ubuntu para contextos evangélicos.

Neste contexto, ao som de timbres elétricos, homens, mas não só eles, praticam essa dança de contato agressiva, lembrando também o jogar da capoeira. Tem várias funções, desde a terapêutica, onde todo mundo se bate e ninguém se ofende, pois estão apenas descarregando o que sentem. Um dos problemas que se deu no nu metal é que sua qualidade andrógina atraiu muita gente com visuais carregados e cheios de acessórios. Eu, por exemplo.

E isso atrapalha na hora da dança. Também atraiu nerds e moças de igreja com estética gótica. Aí está um dos problemas. O Korn, de fato, assim como Creedence, certamente Queens of the Stone Age e Kings of Leon, são bandas de dissidentes de igreja. Assim, quando o Head se reconverteu e deixou temporariamente o Korn, tive certeza de que ele voltaria. Não foi assim com o Rodolfo, do Rodoks? Essas igrejas e seus cultos é que organiza o rock nos Estados Unidos da América.

E igrejas não gostam de gente que dança, com uma exceção. Música não une as pessoas, dança une as pessoas, literalmente. Então a era dos anos 90 foi uma década de protestos e dança animada por música negra, o rap, oriundo de igrejas e mesquitas negras. O Korn é a resposta das igrejas brancas a isso. Num primeiro momento, quem era aceito nesse meio do rap eram brancos de etnias muito específicas: irlandeses, House of Pain, e trabalhadores pobres brancos identificados com latinos, eventualmente white trash descendentes de franceses e escoceses.

Entenderam finalmente a gaita de Follies, não é? A música branca sempre preferiu aparência a talento musical, o famoso racismo estrutural que tanta gente fala e não explica. Melhor dar poder a incompetentes do que gente talentosa pobre, pois eles podem explodir e tentar algo. É o esperto estar aí para vocês aceitarem isso. Em certa medida, o Eminem e o Beast Boy vivem. Logo, a banda tem agora um público de mulheres dessas igrejas na puberdade, revoltadas, mas não o suficiente para fugirem dessas igrejas.

Frequentemente vão a shows do Korn e outros, apreciando as letras tristes e dançantes, a atenção de jovem na puberdade, mas não apreciam bate-cabeça e não gostam que seus parceiros masculinos também participem. Misoginia, pensar assim? Não, apenas entendimento. Já vi e participei de bate-cabeças com mulheres. Aliás, uma deslocou o meu queixo. O problema é o que falei acima: dançar une as pessoas, e nenhuma matona de igreja aprecia isso, jovem ou não.

Então o Korn está cada vez mais envolvido com esse público, que não é bem o dele, mas se identifica em parte. Isso fez com que eles abandonassem todo o Globo e qualquer coisa que os aproximasse até esteticamente disso. Creio que Theodore percebeu essa questão. Aprendam o que ele aprendeu: latino, cristão ou não, é sempre latino, pelo menos nos Estados Unidos.