Delação premiada de Daniel Vorcaro / Governo mira em inadimplentes
Veja no Linha de Frente deste sábado (09):
O vice-presidente Geraldo Alckmin lamentou a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal e afirmou que o presidente Lula já trabalha na definição de uma nova indicação para a Corte. Outro tema que movimenta Brasília é o Caso Banco Master: a defesa de Daniel Vorcaro concluiu os anexos da delação premiada, etapa considerada decisiva para o avanço das investigações.
Na disputa pelo governo de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas decidiu manter Felício Ramuth como vice em uma eventual candidatura à reeleição em 2026, reforçando a atual composição política do estado.
Na economia, o governo federal lançou o Desenrola 2.0, nova fase do programa voltado à renegociação de dívidas. A medida tenta enfrentar um cenário preocupante: mais de 82 milhões de brasileiros estão endividados, segundo dados recentes.
A violência contra a mulher também segue no centro das atenções. Os casos de feminicídio cresceram 7,5% no primeiro trimestre, aumentando a pressão por medidas mais eficazes de proteção e prevenção. Já no comportamento social, uma mudança de hábito chama atenção: o consumo de álcool entre jovens está em queda no Brasil, apontando transformações culturais entre as novas gerações.
Confira as análises da bancada feminina do Linha de Frente.
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Beatriz Manfredini
Ellen Brown
Karina Calandrin
Nathalie Wendel
- Decisão judicial sobre CPI do Banco MasterDelação premiada de Daniel Vorcaro · Análise pela Polícia Federal e PGR · Impacto na imagem internacional do Brasil · Grau de investimento do Brasil · Risco Brasil · Emenda Master e FGC · Criminalização do mercado financeiro
- Programa DesenrolaRenegociação de dívidas · Endividamento de brasileiros · Crítica ao cunho eleitoral · Educação financeira · Modelo de crescimento baseado em consumo · Apostas esportivas (bets)
- Decisões do STFRejeição de Jorge Messias · Nova indicação de Lula · Indicação de mulher negra · Relação entre Congresso e Governo · Judicialização da política
- Viradouro Campeã 2026Chapa de Tarcísio de Freitas · Felício Ramuth como vice · Candidatura de Fernando Haddad · Perfil do eleitor paulista · Estratégias políticas de Tarcísio
- Violência contra a mulherAumento de feminicídios · Tipificação de misoginia · Crise da masculinidade tradicional · Perda de poder econômico e autoridade masculina · Papel do homem na sociedade
- Consumo de ÁlcoolGeração Z e consumo de álcool · Busca por opções mais saudáveis · Impacto em empresas de bebidas · Responsabilidade financeira da juventude
Linha de Frente Olá, está começando agora mais um Linha de Frente nesse fim de semana. Seja muito bem-vindo, muito bem-vinda. Eu sou Beatriz Manfredini e agradeço a todos a companhia desde já. No programa de hoje nós vamos debater alguns dos assuntos que agitaram o Brasil e o mundo na semana.
Com destaque, olha só, para o fim ou o início das análises da delação de Daniel Vorcaro, a tentativa do governo federal de tirar os brasileiros das dívidas e também o alto número de feminicídios nos primeiros três meses de 2026.
Como a gente tem um compromisso toda semana, vocês já sabem, tem bancada feminina me acompanhando nesse debate. Hoje a gente recebe a jornalista Ellen Brown, também a professora de relações internacionais, Karina Calandrin, e a economista Nathalie Wendel. A gente começa essa edição, então, claro, agradecendo mais uma vez a presença aqui das meninas. Boa tarde, como sempre, muito bom recebê-las. E sempre, então, às seis horas da tarde, esse é o nosso encontro marcado.
Como sempre, a gente gosta de começar falando de Brasil, de Brasília. E vamos falar, claro, do Supremo Tribunal Federal também, que tem sido assunto recorrente por aqui. Durante essa semana, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, lamentou a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga ao Supremo Tribunal Federal. E disse que Lula está pensando numa nova indicação. A gente até separou um trechinho dessa fala do vice-presidente. Vamos acompanhar.
Primeiro quero lamentar a não eleição do Jorge Messias, porque é uma pessoa preparada, jurista, com experiência, com espírito público, uma vida dedicada ao serviço público.
Mas, enfim, isso compete ao Congresso Nacional. Ruim, porque você vai ficar com um ministro a menos, dez, um Supremo já sobrecarregado de processos. Eu acho que o presidente Lula está definindo a sua nova indicação.
Pois é, então a gente debateu muito isso aqui no Linha de Frente na época, inclusive da indicação, sobre inclusive a falta da indicação de uma mulher ou não e quero trazer de volta esse debate. Helen, vou começar com você então. O que está faltando, será para uma nova indicação? Será que vem novo nome por aí?
Olha, tem algumas linhas diferentes sobre uma nova indicação. Existe uma linha mais à esquerda, eu diria assim, mais radicalizada, que defende que Lula deveria dobrar a aposta, indicar alguém agora, o nome de uma mulher, se for uma mulher negra, melhor ainda, vamos dobrar a aposta, e que isso colocaria na conta do Congresso, uma rejeição de um nome assim, colocaria na conta do Congresso, digamos, a rejeição a este perfil para o Supremo.
Há uma outra linha que diz o seguinte, depois dessa derrota e desse claro recado do Congresso de que muda a participação de cada ator no jogo, só resta a Lula esperar passar as eleições, esfriar as águas e aí então indicar alguém. Independentemente da linha que venha a prevalecer, Bia, é muito importante a gente colocar dois sentimentos claros neste momento. O primeiro institucional. O Congresso é um Congresso...
As pessoas não pensam sobre os dados, elas não pensam sobre as informações de fato, elas pensam sobre as narrativas dessas informações. E diante deste cenário, o Congresso hoje é um Congresso que não quer só disputar espaço, pedir espaço para o governo. Ele é um Congresso que quer o direito, inclusive, de vetar as linhas narrativas e os símbolos de um governo.
E isso, o veto, é tão importante quanto você ter espaço como foi anos atrás, quando a gente estava ali acostumado com o tradicional presidencialismo de coalizão. Isso mudou radicalmente. E seja quem for que for indicado daqui para frente, tem que entender que o Congresso agora...
Quer dizer o seguinte, olha, se eu não estou indo bem com esse governo, eu vou vetar e inviabilizar os símbolos deste governo. E o segundo recado a esse mais das ruas é que não são mais só os bolsonaristas que estão cansados do excesso de judicialização da política.
Esse veto também mostra que esse cansaço da judicialização excessiva da política está muito enraizado na população, aumentando a desconfiança quando tem algum tipo de proximidade, por exemplo, entre o Executivo e o Poder Judiciário. E isso precisa ser levado em conta quando a gente tem um presidente que quer concorrer a uma reeleição, o quanto isso pode, de fato, respingar numa imagem negativa para esse governo.
Agora, Karina, tem gente dizendo, inclusive, que pode ser que o presidente Lula espere após a eleição, como dizia a Ellen, mas tente indicar de novo Jorge Messias, uma estratégia ali de tentar apaziguar os ânimos por agora. Parece desconectado com a população também, puxando um pouquinho do gancho da Ellen? Eu concordo com a análise da Ellen, eu acho que seria um erro, inclusive, indicar novamente o Messias. Isso porque...
Essas são, como a Ellen pontuou, tem duas formas agora que o governo poderia agir. Dobrar a aposta, que seria então movimentar e indicar uma pessoa que estaria ligada a uma linha ideológica do governo e aí indicar uma mulher, uma mulher negra, pontuaria essa linha ideológica, o que já era cobrado pelas bases eleitorais do presidente Lula desde a primeira indicação ao Supremo Tribunal.
Então, isso não seria uma novidade. Até mesmo essa última indicação foi a que menos teve pressão dessas bases por uma mulher negra, até porque estamos em período eleitoral. Então, há uma crença de que este momento não é um momento para tantas críticas ao governo, não é um momento para tantas críticas ao presidente Lula, por conta da proximidade com a eleição.
Mas sim, nas duas outras indicações que o presidente Lula fez, a própria base eleitoral já pontuava que uma mulher negra deveria ser indicada. É o momento, só tem uma mulher hoje no Supremo Tribunal Federal que também vai se aposentar agora no próximo mandato presidencial, seja Lula ou outro candidato que vença. Não teremos mais mulheres no STF caso não seja indicada uma mulher nos próximos tempos.
Só que, provavelmente, essa dobra de aposta, essa estratégia seria muito arriscada. Porque o Congresso mandou, o Senado, principalmente, mandou um recado claro. A rejeição de Messias não foi uma rejeição do ponto de vista técnico, jurídico, do contexto, da ideologia do Messias, ele mesmo em toda essa batina.
ressaltou que era evangélico, ressaltou suas posições conservadoras do ponto de vista moral. Então, para, inclusive, agradar essa bancada que é forte no Congresso, que é forte na sociedade brasileira, não foi por esse aspecto, foi uma questão política.
Foi um recado do Senado para o governo do ponto de vista político. Então, se o governo quer aprovar um novo candidato, ele tem que indicar um candidato que seja palatável para o Senado, principalmente. Então, um candidato que o Senado já indique que possa aceitar. Isso tem que ser mapeado pelo governo, tem que ser feita uma estratégia nesse sentido.
O que indicando o Messias de novo, que já foi rejeitado, seria uma estratégia no mínimo arriscada usando o eufemismo. Para não dizer uma estratégia fracassada logo do início. Se Lula esperar até depois das eleições, ele pode realmente esperar a poeira baixar e indicar uma outra pessoa que mesmo dobrando a aposta que pode ser rejeitada, eu acredito que tem uma chance maior de rejeição, mesmo sendo uma mulher, ele pode usar esse timing aí a seu favor.
Porém, temos que considerar, caso ele perca as eleições, vai abrir a possibilidade do próximo presidente indicar quatro nomes ao Supremo Tribunal Federal.
Bom, e para a Nátaly, quero saber um pouco desse tempo também, que a gente já falou disso outras vezes, né, Nátaly? Mas agora com a rejeição, a gente até ouviu na fala do Geraldo Alckmin, mais tempo para escolher alguém, ele cita ali um Supremo já sobrecarregado, mas a gente também tem que pensar em perdas financeiras nesse tempo, nesse vácuo, né?
E esse vácuo, Bia, está ficando cada vez maior. O tempo está se alongando e a gente está chegando a uma condição que a gente chama de longo prazo. Quem nos falava que longo prazo todos estaremos mortos. E de fato a gente está caminhando literalmente para essa situação. Não vai ter mais país, não vai ter mais orçamento, não vai ter mais responsabilidade fiscal, que já não tem. E cada vez mais que a gente vai dificultando, criando ali mecanismos de coalizão dificultadas, a gente perdeu o presidencialismo de coalizão, bem a Ellen colocou aqui.
Tudo vai ser um entrave para o governo, sempre a gente vai acirrar a competição política, propostas que demandam ali o ajuste fiscal, a reforma tributária para conduzir, ter os custos de conformidade reduzidos, a parte previdenciária. Canso de falar, não só o ajuste no regime geral de previdência, mas o regime próprio de previdência que a gente precisa fazer. Tudo isso vai ficando em segundo plano, vai jogando governo a governo e a gente não muda a estrutura brasileira, uma estrutura...
falida de crescimento e que a gente precisa cada vez mais repensar o modelo de crescimento e a gente não consegue justamente por conta dessa dificuldade de um empurrar para o outro o governo e a gente chegar finalmente e infelizmente nesse longo prazo. Agora, eu queria pontuar uma coisa antes da gente...
pensar em mudar de assunto. A gente está falando um pouco de indicação de mulheres e me parece que esse também vai ser um tema bastante eleitoral. Enquanto o Flávio, por exemplo, Bolsonaro procura mulheres ali para vice, eu tive nessa semana mesmo um evento com o ex-ministro Fernando Haddad, que vai concorrer aqui em São Paulo ao governo, e ele deu uma cutucada no opositor, que é o governador Tarcísio de Freitas, que vai tentar a reeleição, dizendo que, olha, depois que Tarcísio firmou a chapa, algo que a gente ainda vai falar,
ele não firmou ainda, mas ele vai ter uma chapa com mulheres. Então esse é um jogo ali, né, meninas, que deve ser usado, Ellen? Deve ser usado, mas eu acredito que ele tem que ser usado com uma certa cautela, porque isso é outro tema que a gente vê que tem provocado um cansaço na população.
quando você, em detrimento do tema em si, ou seja, quais são as qualificações para o ministro no Supremo Tribunal Federal, você levanta essa questão mais de perfil ideológico, né, enfim. Porque isso é uma coisa que, por exemplo, muitos críticos dentro da própria esquerda têm feito, né, olha...
Parte do que minou a esquerda foi se distanciar da vida real das pessoas para tentar tratar de pautas deste fundo. Então, sim, é importante ainda. Veja bem, a gente está aqui numa bancada feminista, a gente sabe de mulheres e a gente sabe a importância de ter uma bancada de mulheres. Mas é um tema que...
Eu acredito que deva aparecer talvez de uma forma mais sutil, que é assim, eu não preciso dizer que a minha chapa, como o Haddad vem aí ressaltando, a minha chapa vai ter mulheres. A gente já sabe que, por exemplo, no Senado ele vai estar com duas mulheres aqui no Estado de São Paulo. Não é uma coisa que necessariamente você precisa explicitar. Ela tem que estar presente, ela é simbólica. O explicitar muitas vezes gera um certo desgaste.
Bom, meninas querem complementar falando das mulheres? Quer, Karina? Sim, eu gostaria de complementar que eu acho que gera esse desgaste, também concordo com a Ellen, porque parece algo forçado e deveria ser algo natural. As mulheres são maioria na população, então elas não deveriam forçar esse espaço, elas deveriam simplesmente aparecer. E vamos lembrar que essa, do que a gente vê agora dos pré-candidatos à presidência da República, é a primeira eleição que eu me lembre das eleições recentes que não tem nenhuma candidata mulher.
Então a gente não verá nos debates, por exemplo, nenhuma candidata mulher. Nas últimas eleições, em 2022, 2018, 2014, todas tivemos mulheres ali disputando, dialogando, colocando suas posições à direita e à esquerda. Então, é muito triste que a gente veja uma situação dessa e aí os candidatos têm que dizer, não, nós vamos colocar uma vice-mulher.
Não precisa dizer isso, deveria ser algo natural, deveria compor o espaço político, porque as mulheres têm a mesma capacidade dos homens. Então, deveria ser algo que não devia ser nem pensado, devia apenas acontecer. E, infelizmente, aparece esse discurso e, de fato, a população não quer ficar ouvindo sobre isso o tempo todo, né? E ficar, parece que é uma forçação de barra que não tem que acontecer.
Nathalie, mais alguma coisa antes da próxima página, que é uma página, uma novela longa aqui também no Brasil? Eu acho que tanto a Ellen quanto a Karina, né, Karina? Falaram direitinho aqui, explicaram, porque a gente tem uma grande população, mais de 50% da população brasileira.
São mulheres. E a gente não vai ter uma representação. A gente começa a ter um déficit democrático nas representações ali, em todas as esferas. Então, onde a gente está? As mulheres também têm que ter essa responsabilidade no voto. Votar para aquilo, para aquela pauta que a gente defende, para a gente ser representada em todas as esferas. Acho que esse é o recado principal e não precisa, como elas bem disseram, a gente forçar isso. Nós somos a maioria.
Bom, a gente ainda vai falar bastante de mulheres hoje ao longo desse programa. Quero falar de violência, como vocês sabem, a gente gosta de dedicar um bom bloco a esse tema. Afinal, bancada feminina, programa só com mulheres. Mas antes quero pegar então um pedacinho ainda na carona dessa novela que eu comentava agora há pouco.
que é a novela, a gente sabe, do Banco Master. A defesa de Daniel Vorcaro finalizou os anexos da delação premiada do banqueiro agora, nessa semana. O conteúdo vai ser analisado tanto pela Polícia Federal como pela Procuradoria Geral da República. E a previsão é que todo o processo, entre negociações, checagem de informações e eventual homologação, possa levar mais ou menos dois meses. Depois disso tudo, o ministro André Mendonça, que é relator do caso no Supremo Tribunal Federal,
tem que validar ou não essa delação. Enquanto isso, ele pode solicitar mais informações, entender que o que foi fornecido não é suficiente, que a Polícia Federal está mais avançada. Enfim, tem muita água ainda para rolar nesse sentido. Vou começar essa rodada com a Karina, para a gente também pensar um pouco sobre isso. Karina, claro, onde tem fumaça tem fogo. A gente sabe que essa história está cada vez maior, mas uma delação pode mudar os rumos da investigação.
Pode. E eu quero trazer, como minha especialidade é em relações internacionais, eu quero trazer algo que eu acho que está sendo pouco discutido nesse aspecto, que é o que todo esse caso do Banco Master afeta a nossa imagem no exterior e afeta...
o grau de investimento do Brasil. A gente está em um momento, a gente vai falar sobre isso ainda, da questão econômica, a Nátaly falou sobre isso, é um momento de eleição, então todos os candidatos, eles vão discutir, obviamente, os temas econômicos, o governo vai tentar defender o seu projeto.
E o grande problema do Brasil, se tornar um melhor, atrair mais investimentos, se tornar um espaço melhor para os investidores, é também o aspecto político e o aspecto das instituições formais e informais.
O Brasil está sempre aberto, está sempre surgindo escândalos, um escândalo atrás do outro. E esse caso do Banco Master, parece que quanto mais a gente vai observando, quanto mais a gente vai olhando para esse caso, mais coisas aparecem. Mais pessoas estão envolvidas, do governo, do executivo, do judiciário, pessoas de alto nível político e isso prejudica muito o nosso grau de investimento.
Então, o que acontece? A gente perde possíveis investidores, investidores que estão aqui saem do Brasil, e aí vem uma discussão. Aí o governo, por exemplo, quer que o Banco Central abaixe os juros. Mas não tem como abaixar os juros nesse cenário.
Não é só o combate à inflação. Acho que a Nátaly pode até explicar melhor do que eu isso, que ela é economista. Mas assim, os juros, eles obviamente são uma baliza para controlar a inflação, mas não servem só para isso. É também uma tentativa de balizar o nosso risco em comparação ao retorno que o investidor vai receber investindo aqui.
E esse cenário prejudica muito, não bastam só os dados macroeconômicos, não basta a gente ter um aumento do PIB, a gente melhorar a nossa taxa de desemprego, não basta isso. Se o governo cada vez mais se envolve em escândalos, cada vez mais não evita que esses escândalos se tornem o que está se tornando agora o caso do Banco Master, e essa delação pode trazer cenários ainda inimagináveis, a gente pode acabar descobrindo outras coisas que não vieram à luz.
E a imagem do Brasil pode ser ainda pior e em um ano eleitoral, o resultado pode ser catastrófico. Nátaly, quando a gente pensa nas consequências financeiras, a gente sabe que é um embrólio enorme. A cada etapa também a gente sabe de vantagens, de desvios, de pontos ali. A delação também vem no sentido de tentar chegar a um... Tentar entender o montante todo, né? Porque até agora vem pipocando as informações aos poucos.
E é difícil a gente fechar esse quebra-cabeça, né, Bia? O que chamou muito a atenção foi justamente que a gente tem uma extrapolação dessa situação. Passando do mercado financeiro, como bem a Karina trouxe aqui, a questão dos outros mercados, os agentes políticos, está todo mundo envolvido nessa entranha, e a gente começa a ter praticamente uma captura ali das regras públicas por entes privados. Então isso começa a preocupar muito. O que mais chamou a atenção, principalmente, é a questão da emenda master.
Então, a gente tinha uma proposta ali do FGC para aumentar de 250 mil para 1 milhão por CPF. Para se ter noção, a gente teve um impacto, só com os 250 mil que foram ali utilizados, hoje a gente teve um impacto de 40, praticamente 40 bilhões.
Bi, não é nem mi, é bilhões de reais por conta do FGC. Então, os bancos vão começar a aumentar esse prédio, os bancos vão começar a ter que já aportar um dinheiro para poder cobrir esses 40 bi. E se essa emenda tivesse sido aprovada, a gente faz uma estimativa que o impacto financeiro e econômico seria de 200 bilhões. É uma verdadeira hecatombe, como foi dito ali pelo ministro... É...
o nosso ministro André Mendonça. E quero parabenizá-lo, Bia, é muito importante dizer ali que no despacho ele foi muito firme, muito técnico, e trouxe para a população um entendimento muito simplificado do que está acontecendo ali justamente nesse caso Master. E ele foi firme no sentido de aguentar ali a pressão, de se opor de fato.
E provavelmente ele vai enfrentar ainda muita discussão, né? Ele mostrou de fato nessa delação, né? Essa suposta delação que ainda tem muita coisa para acontecer e precisam de documentos adicionais, que ele já sabe de muita coisa e ainda tem muito mais por vir. Então não é só o impacto econômico, mas essa sensibilidade, né? Política, muito bem, é que a Karina também trouxe os impactos internacionais. E com toda essa pressão de spread, toda essa pressão que a gente tem justamente.
Para tentar contornar essa situação e projeções cada vez mais catastróficas, a gente não consegue justamente o quê? Baixar os juros. Juros vai ser a temperatura ali para a gente poder segurar e amarrar o mercado financeiro. Então o nosso Banco Central está verdadeiramente com uma bomba nas mãos. Período eleitoral.
Bomba do Banco Master e toda essa entranha aqui que a gente vai ter ainda. A gente tem investimento na estrangeira vindo para cá, mas o pior, o investimento externo, que ele não consegue sustentar e que a gente precisa, investimentos produtivos no país para a gente poder sair dessa condição. Então, isso que é o mais perigoso, é isso que está mais chamando a atenção e o mercado está muito atento a isso, principalmente o mercado nacional.
A Nathalie citou o ministro André Mendonça e aí, Ellen, é importante a gente frisar isso, né? Precisa ter elementos novos, precisa ir além do que eles já sabem, o que até agora aparentemente não aconteceu. Exato, inclusive essa já é a segunda, é bom lembrar, né? Já é a segunda tentativa de negociação da delação. Houve uma primeira que já foi barrada ali na Polícia Federal porque não tinha elementos suficientes.
Foi para uma segunda tentativa de homologação de uma delação. Uma delação demora muito e sobre a ótica da política, é importante dizer que o ministro André Mendonça entende o impacto de uma delação dessas dentro de um ano eleitoral. E ele tem muita preocupação em mitigar esses impactos. Então, essa delação...
por questões técnicas, ainda tem um processo que demora, e eu tenho dúvidas de que ela venha a público antes da eleição, porque há, de fato, essa preocupação institucional em relação à delação. Aí, ainda sobre o aspecto da política, tá? A gente tem que entender que hoje...
A delação do caso Mastro, embora pegue todo mundo, de todos os espectros políticos, não tem ali nenhum espectro que foi privilegiado nessa história, todos são afetados, mas hoje, hoje, esse caso respinga mais especificamente no governo em exercício.
E por que isso? Porque a população tem uma visão muito borrada de corrupção. E tem um recall de que corrupção é uma coisa que está muito atrelada ao Partido dos Trabalhadores. Então, quando você fala, teve corrupção, tem político no meio, não interessa que estejam lá nomes da direita, do centrão.
a associação de um ambiente, de uma atmosfera de corrupção respinga no governo, que vai ser um grande trabalho da campanha e de quem foi fazer a campanha para o PT. Já sob a ótica institucional, eu só quero pegar aqui o gancho do ambiente de negócios, porque já estão surgindo duas narrativas muito distintas nesse caso.
Uma primeira narrativa que vai ser o combate à corrupção no mercado financeiro. Essa vai ter uma força, vai ser trabalhada politicamente. E de um outro lado, um grupo de pessoas falando sobre o excesso de criminalização do ambiente de negócios no país.
Não quer dizer que uma está certa, outra está errada, as duas coexistem. Essas duas narrativas vão se disputar ao longo deste ano. A gente vai vê-las disputando espaços ao longo deste ano. E o que está se desenhando neste momento é um cenário para o mercado financeiro brasileiro muito semelhante ao que foi o cenário para as empreiteiras durante a Lava Jato. Uma certa criminalização do mercado financeiro brasileiro, que não é bom para ninguém no ambiente de negócios, é muito importante falar.
De fato, a gente tem essa dificuldade e você prejudica tanto a parte externa quanto os mercados aqui nacionais. A gente perde essa relação. Então você começa a ter uma dificuldade, uma incerteza e você não toca para frente, incentivo produtivo.
toda a parte do mercado você não consegue, você não consegue fazer o país girar. Então a gente fica num procedimento travado e a gente não sabe para onde vai ir, né, Helen? Esse que é o problema. Então cada vez mais a gente está tendo dificuldade de atrair capital, de manter uma estrutura produtiva e essa incerteza o mercado vai mensurando e a gente não consegue ter de fato ali uma...
Uma solução, nem do ponto de vista econômico, nem do ponto de vista político. Então, acaba as coisas se distorcendo muito por aí. E a gente sempre teve, sempre vai ter o que a gente chama que é a economia do crime, a economia oculta, isso sempre vai existir. E uma maneira de fazer isso é o combate, não é um combate simples, é um combate muito complexo, porque envolve todas as amarras, desde o executivo, o legislativo e o judiciário.
É muito complexo, Helen, muito bem apontado. Isso respinga na imagem do país para fora também, né, Karina? E aí
Eu queria reiterar dois pontos que a Ellen e a Nathalie trouxeram. Primeiro, a questão das empreiteiras. O que aconteceu durante a Lava Jato, é claro, o crime tem que ser combatido. Ninguém aqui está negando isso. Mas as empreiteiras foram destruídas. As empreiteiras deixaram de existir no Brasil. E é um setor extremamente importante, que é um setor produtivo.
gera empregos, a gente não tem mais esse tipo de empresa agora no Brasil para fazer as obras, que era um setor que fazia inclusive obras no exterior, que construía, que junto com o BNDES levava desenvolvimento para fora do Brasil e nós não temos mais esse tipo de empresa agora.
Não temos mais desde a Lava Jato, porque a Lava Jato criminalizou esse tipo de empresa, esse tipo de negócio no Brasil. Então, é muito grave que isso ocorra também no mercado financeiro. Então, é uma coisa é punir os responsáveis por esse caso, agora no caso Master, outra coisa é punir o setor inteiro. Então, isso é muito grave. E o que a Nathalie disse sobre o investimento no setor produtivo de fato, porque hoje a gente tem muito investimento especulativo. Perfeito.
que é o que acontece por conta dos juros altos. Então, o investidor vem para o Brasil, investe aqui, mas no setor especulativo. E a gente precisa de investimento de base. A gente precisa de investimento que gere emprego, que gera recursos no Brasil, para que o Brasil se desenvolva, que a gente tenha desenvolvimento econômico, de fato, e não só um capital que vem aqui, gera rendimento e depois sai. Pesquisa, desenvolvimento, educação, tanta coisa que a gente ficaria aqui o dia inteiro. Não é mais uma jabuticaba, é quase uma bola de boliche brasileira, né?
Agora, só para a gente fechar, além que a nossa garota das pesquisas, isso tem a ver com o fato da corrupção ter subido bastante? Em várias pesquisas, de quais são os principais problemas do país? Antes a gente estava com muita segurança, porque ainda está, né? Mas corrupção subiu, se eu não me engano. É, isso. A corrupção, esse sentimento de corrupção, veja bem, é porque a gente veio em duas ondas, né? Veio primeiro, a gente tem que lembrar, e uma está ligada à outra, ao INSS, o rombo do INSS.
E aí do rombo do INSS a gente passa para o escândalo do caso Master, que teve desdobramentos antes de estourar o Banco Master mesmo, a gente teve desdobramentos aqui em São Paulo, com uma operação que teve até uma disputa ali entre a Polícia de São Paulo e a Polícia Federal, quem é que estava combatendo ali o crime organizado no setor financeiro brasileiro. Então, esses dois escândalos se uniram e isso...
Porque as pessoas, obviamente, elas têm vida, né? Então elas não são que nem um agente jornalista que fica ali assim. Não, mas esse aqui, o careca do INSS que estava ligado. A gente não grava o nome, a gente não grava o dado, o tanto de bilhão que foi desviado. O que a gente entende, o que a gente percebe é estar tendo muita corrupção.
É isso que as pessoas... E se está tendo muita corrupção? E o governo que está lá é o PT, e eu já lembro que teve um mensalão e que teve um petrolão, então está tudo ligado com isso, né? E não conseguem fazer essa distinção. É esse o grande embrólio que tem aparecido e a preocupação com a corrupção vem aí.
E que vai ser um embrólio muito mais pesado, acredito eu, para a campanha do governo incumbente, para quem está em exercício hoje, do que para o outro lado. Até porque as pessoas fazem comparações. Por exemplo, eu ouço, já vi alguns pesquisadores também falando que têm ouvido muito assim. Quando você fala, pega os dois principais ali, Flávio e Lula, né? Aí, lá pelas tantas, alguém fala, mas o Flávio, o Rachadinha, não sei o que. É, mas tem a Rachadinha, mas o Lula tem o Petrolão.
Então as pessoas comparam e elas entendem assim, está tudo meio corrupto. Quem é o menos corrupto aqui? É mais ou menos assim que hoje o debate está acontecendo.
Ó, análises interessantíssimas aqui das meninas pra gente pensar e muita água pra rolar, né, na eleição. A gente tá ainda no comecinho de maio, a coisa vai começar a esquentar mesmo em agosto, quando a campanha efetivamente comece, aí tudo isso será usado, até por isso esse cuidado eleitoral também com esse caso, porque com certeza, inclusive...
Tem matéria minha aqui, até com o editor-chefe do site da Jovem Pan, Matheus Aleoni, vou puxar a nossa sardinha aqui para conferir lá no site da Jovem Pan. Contando um pouco das estratégias da esquerda, da direita e do centro, o Banco Master aparece, um tentando colar o Banco Master no outro, além de outras coisas mais importantes. É importante a gente pensar sobre isso quando a gente assiste um vídeo, quando a gente vê uma postagem de algum político, alguma coisa nesse sentido.
Ainda falando de eleição, quero focar agora aqui em São Paulo, porque o governador Tarcísio de Freitas confirmou oficialmente, pela primeira vez nessa semana, a chapa dele, a reeleição. Então, como a gente já vinha antecipando aqui na Jovem Pan, ele vai continuar com o atual vice, que é o Felício Ramut, além do ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derriti, e do presidente da Assembleia Legislativa aqui do Estado, André do Prado.
que serão candidatos ao Senado. Demorou para sair isso, principalmente porque essa segunda vaga de André do Prado foi ali um embrólio, André do Prado é do PL, então tinha uma tentativa de definição de quem seria essa pessoa, tinha muitos candidatos possíveis, mas Tarcísio trabalhou bastante, conseguiu escolher André do Prado, assim como também bateu o pé quando escolheu Felício Ramut, tem até um sentimento ali no Palácio dos Bandeirantes de que ele saiu vitorioso.
mostrando ali que consegue escolher quem ele quer mesmo, sem depender muito de muita gente. Karina, vou começar essa com você. Você acha que sai na frente o governador Tarcísio que escolheu a chapa primeiro? Por exemplo, o Fernando Haddad, a gente falava até no começo do programa que é opositor, ainda não tem os candidatos ao Senado firmados, mesmo o Simone Tebet, ex-ministra, já falando que é pré-candidato, ele mesmo ainda recuou, não escolheu definitivamente, nem a vice, ou que tem tempo.
Eu acho que sim, o Tarcísio sai na frente e não só por esse aspecto. A definição da chapa é importante, primeiro porque já demonstra uma definição maior do programa político, qual é a linha que eles pretendem seguir, já demonstra o programa de governo mesmo, que eles pretendem dar continuidade aqui em São Paulo, mas o Tarcísio já sai na frente porque ele tem a máquina do governo.
Então, assim, todo candidato da situação, ele tem vantagens. E Tarcísio tem vantagens nesse aspecto. Ele é o candidato da vez, ele está no governo, então ele tem toda a máquina pública a seu favor e isso o favorece. Do outro lado, o Fernando Haddad tem sérios problemas. Primeiro porque aqui em São Paulo, a gente tem que lembrar que o estado de São Paulo só elege pessoas de centro-direita, direita. Algumas pessoas têm problema em dizer que o PSDB é de direita, mas esquerda não é.
Eu sinto muito. Mas assim, né? Então, sempre elegeu o PSDB, agora veio o Tarcísio. Então, assim, o governo aqui de São Paulo, a gente não... O paulista, ele não elege, em geral, pessoas de esquerda. Então, já tem um problema aí com a idade de conquistar esse espaço. Ele foi prefeito aqui de São Paulo. Muitas pessoas criticam a prefeitura dele. Já faz mais de 10 anos isso.
Tem gente que não lembra, mas muita gente critica a prefeitura dele aqui em São Paulo. Então vai ser difícil ele trabalhar nesse espaço eleitoral. E ainda mais não ter definido a chapa para começar uma pré-campanha, para começar a se demonstrar nas redes sociais, principalmente, que hoje é muito importante, com um eleitorado mais jovem, com as próprias mulheres que têm definido eleições dentro das divisões dos eleitores.
Então, eu acho que o Tarcísio sai na frente não só por definir a chapa, mas também por estar hoje no governo e por esse perfil do eleitor paulista que prefere esse candidato mais do perfil que o Tarcísio tem. Helen, será que essa fala de que o Tarcísio realmente conseguiu bater o pé ali, escolher quem ele queria, faz sentido? Ele está jogando sem precisar tanto, conseguiu capital político para se fazer sozinho? É sobre isso.
isso, viu, Bia? Exatamente sobre isso. Essa antecipação, porque são dois timings distintos, tá? O Haddad não ter ainda anunciado uma composição de chapa, neste momento, eu não vejo como tão prejudicial ainda. O Tarcísio precisou fazer esse movimento e veja que ele fez uma coalizão de constância, ele manteve tudo como está, justamente para tentar...
acalmar ânimos de uma turma assanhada ali, que vinha querendo disputar protagonismo com ele. E o Tarcísio começou a entender que gestão técnica, ela pode trazer boas aprovações, ele está bem aprovado aqui no estado de São Paulo, mas que se ele quer chegar à Brasília, ele precisa de coalizão política. E é isso que ele está desenhando aqui no estado de São Paulo agora. Ele está mostrando que ele é muito mais político.
do que muitos pensam que ele é. As pessoas muitas vezes tiram o Tarcísio por um cara exclusivamente técnico. Não, ele é bem político, ele é bem articulado. E a prova disso é a tríade. Quando ele pega o Felício Ramut, que garante a ele a municipalidade, o interior de São Paulo, a conversa com o prefeito, é isso que ele faz. Quando ele pega o Derrite e conversa com a segurança pública.
o bolsonarismo, e quando ele pega o André do Prado e conversa com os deputados, o legislativo e o agronegócio. Então ele sustenta três bases fundamentais do Estado de São Paulo e mostra que ele tem vontade política e sabe fazer articulação política sim.
Agora, essa vaga do André do Prado era uma vaga até então bolsonarista também, até porque o dono, digamos assim, conhecido como dono da vaga, era o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. E o Tarcísio acabou jogando, defendia um homem ao centro para bater com os nomes dos ministros da esquerda.
Nathalie, será que Tarcísio tenta aos poucos se descolar de um bolsonarismo mais forte? Se bem que temos Eduardo como suplente nessa vaga, é importante frisar. Ele vai tentar ali pelo menos alcançar um pouco mais do centro, um pouquinho mais ali localizado à direita, como bem a Karina trouxe aqui para a gente, que é a votação, o público paulista no geral tem esse tipo de comportamento.
Então ele vai tentar ali fazer uma colisão e muito bem a Ellen trouxe aqui. Ele já trouxe uma atria de que é muito importante para tratar ali com uma articulação dentro da LESP, a questão de infraestrutura, a principal pauta dele que é a questão da segurança pública. E aí faltam alguns outros detalhes ali que ele vai começar, acredito eu, a contemplar. Então toda a parte econômica, a gestão aqui de São Paulo. Tinha a questão do projeto ali da Times Square aqui em São Paulo.
E vai trazendo esses elementos aqui e vai tentando apaziguar alguns outros ânimos, né? E algumas outras necessidades que ainda ele precisa articular, Bia. Ô Ellen, mas você vê muito problema com outros candidatos ao Senado da direita que despontaram, como Ricardo Salles, que é bastante ligado a essa ideologia bolsonarista e que não deve, pelo menos não tão cedo, desistir. Tem muita gente batendo nessa tecla.
Olha, quando você está numa campanha, você sabe que o maior inimigo não é o seu adversário. O maior inimigo é quem está dentro daquela campanha. Muita gente que está dentro daquela campanha. No caso do Tarcísio, quando ele faz a opção por André do Prado e não pelo Salles, o que ele está dizendo é o seguinte, eu estou caminhando para o centro.
Eu estou indo para um bolsonarismo mais moderado. Eu não estou... Ele tem o derrite, ele garante ali a parcela dele bolsonarista, dá a mãozinha para essa parcela, mas ele resolve fazer um diálogo ali mais ao centro, conversando com o parlamento.
o André, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. Então, ele faz um outro diálogo aqui. Agora, a gente sabe que essa radicalização, ela segue e ela vai continuar ali dentro da campanha. Então, muitas vezes, você sabe bem isso, que você cobre o bastidor, a fofoca, o ataque, ele vem de dentro de casa, entendeu? Muito mais do que do adversário. E aí, sim, Tarcísio tem ali essas arestas para parar ao longo da campanha.
Pois é, a gente tem até uma figurinha de jornalistas que fala, não é fofoca, é conversa de bastidor.
Mas olha, a gente vai analisar ainda e esperar o que vai acontecer. A Tarcísio pode, pelo menos os aliados esperam, atuar para tentar tirar alguns desses pré-candidatos ao Senado também da direita para fortalecer, não dividir votos a ver. Enquanto isso, a esquerda também tenta se desenrolar aqui em São Paulo. Tem como prioridade decidir primeiro o Senado antes da vaga de vice do ex-ministro Fernando Haddad.
E por falar em enrolar e desenrolar, na última semana o governo federal lançou o programa Desenrola 2.0, a segunda edição, voltado aos brasileiros endividados com o sistema bancário que tem renda mensal de até 5 salários mínimos. O objetivo do programa é enfrentar o endividamento das famílias no Brasil, que agora, hoje, tem mais de 82 milhões de pessoas nessa situação.
Segundo o Serasa, 50,5% da população adulta do país enfrenta problemas financeiros. Papo para a gente chamar a Nátaly para começar essa rodada. Nátaly, tem muita gente falando que é um programa de cunho eleitoral, muita gente defendendo porque a dívida realmente está alta. O desenrola é um programa que funciona, por isso está na segunda edição.
Bia, ele tem um cunho eleitoral muito forte. A principal crítica aqui é que a gente não pode deixar de ser o país da responsabilidade, que a gente está cada vez mais longe disso e passar ao seu país o perdão. Então, precisa ter muita responsabilidade, precisa ter muita educação financeira que falta nesse país. Essa é a base. Investimento em educação, pesquisa, tecnologia, investimento produtivo que a gente está falando, é isso que está faltando.
Só que não. Quando a gente vê justamente ali a divulgação do programa Desenrola, o próprio presidente Lula deixou muito claro. É importante que a população brasileira se endivide. Só que com responsabilidade. Mas como que a população brasileira vai ter responsabilidade se ela não tem educação para poder fazer esse tipo de gestão?
A gente não pode esquecer que a população brasileira sempre está ali parcelando, usando várias parcelas do cartão de crédito e não tem uma responsabilidade porque não sabe fazer a gestão das suas contas. Não sabe ali literalmente colocar no papel e entender o quanto ela pode se endividar. Endividar realmente não é o problema, mas ela não sabe fazer essa gestão. Qual é o problema?
As pessoas entram na condição de inadimplência, que é a famosa bola de neve. E aí o governo vem com a segunda reedição, 2.0, para dar o perdão a essas pessoas, até porque a gente tem um cenário de juros elevado. E justamente essa fala do presidente Lula alimenta esse modelo de crescimento falido que eu mencionei, que é justamente o seguinte, toda a população brasileira é estimulada a consumir. Então como que a gente faz o PIB crescer?
A partir do consumo. Poderia muito bem ser feito a partir de um investimento privado, por exemplo. Então a gente estimula o consumo, gastos do governo extremamente elevados, a dívida rolando a longo prazo, porque não se sabe se você terá a reeleição ou se será uma outra pessoa que vai arcar com esta bomba.
Então as pessoas simplesmente recebem o perdão sem nenhum tipo de educação. É claro que dentro da proposta do Desenrola, a gente tem ali um item de educação financeira que vai ser necessário poder abarcar para poder conseguir um juros de 1,99 ou o perdão da dívida de 100 reais. Poxa, a média das pessoas, por exemplo, para ir no mercado é de 2 mil, de 1.500 a 2 mil reais para poder fazer uma compra no supermercado.
O IPCA de 0,88%, extremamente pressionado em todos os relatórios do Focus. E principalmente os juros mantendo em 2026 e 2027 em torno de 13%. Esse sistema não dá mais. A gente cada vez mais vai ter um aumento de juros, um aumento da dívida. A gente já está com o déficit primário. Então a gente não tem mais por onde fugir.
Não tem o que fazer. A gente vai ter que reconduzir toda essa rota e precisa principalmente de credibilidade. A questão das bets, Bi, é importante também trazer aqui uma das outras propostas, além dessa educação financeira muito ali ampassante, a gente pode dizer que não tem uma profundidade no programa, é a questão das bets. A gente teve um desvio de praticamente 420 bilhões do varejo e por isso incomoda o presidente Lula em termos de consumo, porque é justamente um motor de crescimento, que foi desviado para...
Basicamente utilizar como especulação, como as bets. Então se perdeu 420 bilhões de reais do varejo para poder destinar as bets. É um outro problema gravíssimo de saúde pública. Só se combate as bets se a gente fizer um programa de educação, um programa de saúde pública.
E que tire as pessoas dessa condição. Então, é um programa que, na verdade, ele não desenrola. Ele só enrola. A gente torna o país do perdão e cada vez mais longe de uma responsabilidade, longe de uma responsabilidade fiscal e de um modelo de crescimento extremamente farido nesse país.
Karina, pensando em nível global, tem situações parecidas em outros países que dê para a gente citar? É algo comum o endividamento desse tipo, programas desse tipo? Ou a gente puxa, como diz a Nátaly, para uma situação complicada, algo ali de cunho mais eleitoral?
Assim, exemplos nós temos, mas todos também que não são bem-sucedidos, né? Também usando o eufemismo, só para não usar uma palavra mais forte, tá? Não são bem-sucedidos. E assim, também concordando com o que a Nathalie disse, essa é uma estratégia de política macroeconômica, né? Que não é novidade, ela não é novidade no Brasil. Se a gente lembrar lá, nos primeiros, no segundo governo Lula...
nos anos 2000, quando a gente teve a crise global em 2008, como que o Brasil, entre aspas, porque eu não acho que o Brasil evitou aquela crise, ele postergou aquela crise. Como que, a marolinha, como que o Brasil postergou aquela crise? Apostando no consumo. Então eles foram lá e jogaram para a população, vamos consumir. Então reduziram impostos, reduziu o IPI, reduziu nos carros, linha branca, liberalizou o crédito, e a gente estava em um momento global de...
o boom das commodities. Então, os preços das commodities estavam lá em cima, o dólar estava abaixo por conta também da crise de 2008, que o epicentro foram os Estados Unidos. Então, todo esse cenário possibilitou que, naquele momento, 2008, 2009, o Brasil não sentisse as consequências daquela crise. Mas qual foi o efeito disso?
2013, 2014, onde que estava o Brasil? Aquela crise econômica enorme que nós vivemos, brasileiros endividados, porque também, até quando o brasileiro vai consumir? Quantos carros ele vai comprar? Quantas geladeiras ele vai comprar? Quantas TVs ele vai comprar? Tudo isso parcelado a perder de vista. Não sei se vocês vão se lembrar, se os nossos aqui espectadores lembram, mas você podia comprar um carro sem entrada, parcelado em 60 vezes.
com o IPI zero. Então, assim, era esse o modelo que o governo adotava na época. Então, é um modus operandi de política macroeconômica. Não foi o Brasil que inventou essa política, tá? Deixando claro, não é... Não foi inventado aqui. Temos outros exemplos ao redor do mundo.
mas que é demonstrado internacionalmente que não funciona. Tanto que a Europa viveu uma crise muito intensa naquela época, mas a recuperação veio posteriormente. O Brasil teve uma década perdida de crescimento econômico, que foram os anos 2010, porque a gente entrou nesse endividamento, altos gastos públicos. Quando veio o governo, depois o governo Temer, que tentou um arrocho fiscal, foi um governo curto também, que também não conseguiu dar vazão a isso. Então...
Eu concordo com a Nathalie completamente. A gente precisa de uma política macroeconômica, uma política de Estado, que não vise o crescimento econômico baseado no consumo pelo consumo, mas vise um crescimento econômico baseado no investimento. E eu vou dizer, não é um problema só do PT. Nenhum candidato hoje à presidência, os pré-candidatos, falam de industrialização no Brasil.
Então a gente não tem uma política industrial. Quando a gente fala de renda, os empregos que mais pagam, que pagam melhor, são os empregos industriais. É o que os Estados Unidos estão tentando fazer. Os Estados Unidos hoje, com o Donald Trump, estão tentando reindustrializar os Estados Unidos. É que lá eles tiveram um outro problema, eles se desindustrializaram por outras questões. A gente teve uma desindustrialização precoce, reprimarizou a nossa economia.
Mas ninguém está falando de industrialização brasileira. E a gente precisa disso, vendo do investimento estrangeiro.
E também fomentando aqui o empreendedorismo, a industrialização aqui dentro. Então, ninguém está falando disso, nenhum candidato fala disso. E a política do governo de propor endividamento e depois perdoar esse endividuamento, reduzir juros, não vai funcionar. E o governo depois culpa o Banco Central de que os juros estão altos. Então, a culpa é depois do Banco Central.
que na verdade não tem como, porque esse aumento do consumo também pressiona a inflação. A gente tem um risco Brasil enorme, que não consegue trazer investimentos com juros baixos. O governo Bolsonaro tentou colocar os juros a 2%. O que aconteceu? Explodiu, o dólar subiu, também com a pandemia, estourou o dólar.
É uma situação que, infelizmente, já é comprovado internacionalmente, já é comprovado na literatura, que não funciona, mas o governo continua tentando essa engenharia econômica que já se provou ineficiente. Ellen, concorda com as meninas, discorda, tem a ver com...
Lula, 2026 e tentativa de reeleição. Eu fiquei, enquanto elas falavam, me lembrei de uma frase que eu ouvi essa semana, que foi muito interessante, numa pesquisa qualitativa. Era uma pessoa ali, de uns seus 40 e tantos anos, que me disse assim, em 2006, eu comprei meu primeiro carro e imobilei meu apartamento. Em 2026, eu não consigo nem pagar direito a minha Netflix e o Disney Plus da minha filha.
E isso traduz o que as minhas duas colegas de mesa estão colocando aqui numa frase que eu acho genial, eu achei genial. Porque quando a gente fala de endividamento, é bom a gente lembrar, a renda média do brasileiro aumentou nesse governo Lula, ela aumentou. E ninguém sentiu isso, ninguém sentiu.
Isso. Por quê? Porque as pessoas estão endividadas, porque o consumo mudou. Antes você comprava o seu carro, a sua casa. Hoje você tem que pagar a dívida do cartão de crédito, os aplicativos, você paga as apostas, os jogos de bete e de repente quando você vê não sobrou dinheiro. Não sobrou dinheiro. Então houve uma mudança no perfil do consumo.
que parece que nenhum candidato ainda conseguiu captar completamente e entender. E o brasileiro hoje vive de uma economia de subsistência. É isso que ele está fazendo. Ele está tentando subsistir. Quando a dívida era uma questão pontual das famílias, de algumas famílias, hoje a gente está numa experiência coletiva de dívida, que não faz com que você consiga sentir um ganho real. Por exemplo, a leitura que a gente vem fazendo é que o maior competidor de Lula 2026 é que o país...
é o Lula lá de 2002, 2003, 2004 e 2005, sabe? Porque as pessoas estão fazendo essa comparação. E não é uma... Que não é de toda justa com o governo, porque é uma comparação de um mundo que mudou. A gente está falando de um mundo que...
São os aplicativos, é um outro tipo de economia, é um mundo que mudou, mas que, é claro, gera essa sensação de mal-estar, de perda de poder aquisitivo, de eu estar trabalhando para poder pagar as contas, porque não sobra para um lazer, para um algo mais, porque eu não enxergo aquela Netflix e aquela Bet como um lazer, eu enxergo aquilo.
com uma coisa que está dada no meu dia a dia e que eu preciso ter. Então, muda esse padrão de consumo, muda a perspectiva que a gente tem sobre o nosso bem-estar e isso, é claro, respinga claramente no cansaço e no mau humor do eleitor esse ano.
É claro, Nath. Só um detalhe, né? Foi importante você mencionar também, a Karina citou aqui pra gente, quando a gente compara com o Lula 2002, 2003, a gente só pode esquecer da herança maldita, né? Que não foi uma herança maldita. Ele pôde fazer o que ele fez justamente pela responsabilidade fiscal que ele herdou.
Fruto do plano real, fundamental da gente dizer aqui, a tentativa era para a gente sustentar esse plano real por um bom tempo. Só que se a gente se lembrar em 2015, o que a gente teve? Nova matriz macroeconômica. E aí, muito bem como a Karina disse aqui para a gente.
esgotou a questão de responsabilidade fiscal, acabamos com uma coisa chamada de teto de gastos, se é que existiu teto de gastos, criamos um arcabouço fiscal que cresce ali com base na inflação, se cresce o gasto, então vai virando uma bola de neve dentro do governo, o governo não consegue sustentar os gastos, população forçadamente aqui, como bem a Ellen trouxe, sustentando o país via consumo.
e para a gente equalizar tudo isso somente aumentando os juros. Então tudo isso se combina para a gente chegar nessa situação que a gente está. Então independentemente de quem estiver no governo nessas próximas eleições, a gente precisa pensar em um novo modelo de crescimento, uma nova estrutura para o Brasil. Ou melhor, tentar retomar pelo menos a responsabilidade fiscal. Sem isso...
independentemente do que a gente tem aqui, o comportamento da população, a gente não vai conseguir crescer e não vai ter um governo no amanhã. A gente tributa o ausente. Fora toda a reforma tributária que a gente está tendo, uma baita complexidade em termos de custos, de conformidade, tudo isso para a gente poder se readequar e o governo não tem a responsabilidade de parar de gastar. Ele cobra...
cada vez mais o pobre a partir de um sistema tributário extremamente regressivo e não repensa esse modelo tributário. Então tem muita coisa para ser feita.
reta final do Linha de Frente, quero seguir a página e falar um pouquinho sobre feminicídios. A gente falou que ia entrar nesse assunto das mulheres e, olha, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos, no primeiro trimestre agora deste ano. Esses dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A conta é de 399 vítimas entre janeiro e março, uma alta de 7,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, ou seja, os três primeiros meses de 2025. Nos últimos 10 anos, o número de vítimas de feminicídio por ano saltou, de 125 para os atuais 399. E tem mais, olha, nesse recorte de primeiro trimestre, 2026 é o ano mais letal para mulheres até agora. Amém.
Sempre, eu já falei isso aqui outras vezes, como a gente traz sempre esses números, fica até difícil para mim de fazer uma pergunta, porque a gente parece que não chega a uma conclusão ou uma melhoria, né, Karina? Eu queria perguntar um pouco, assim, será que a gente ainda está falando de aumento de mulheres conseguindo notificar, ou agora que a gente tem o nome, feminicídio, isso aumentou? A gente tem mesmo sofrido uma alta de violência contra a mulher.
Sim, há um aumento. Então, claro que a gente tem uma tipificação agora, inclusive tem agora um novo projeto de lei sobre misoginia. Então, há tentativas de melhorar a tipificação,
de melhorar a forma como as mulheres buscam ajuda, a forma como as mulheres denunciam essas tentativas de homicídio, essas tentativas de violência, a própria violência que elas sofrem. Mas, sim, temos um aumento objetivo comparando os números anteriores aos números atuais.
Em números recentes, né? Então a gente vê um aumento recente disso. Não é só um aumento dos anos 2000, como estávamos falando agora há pouco, para agora. É um aumento recente. Estamos falando de cinco anos para cá, de seis anos para cá. Então é um aumento recente. E isso demonstra o quanto a nossa sociedade ainda precisa de mecanismos. Tanto práticos, mecanismos punitivos, mecanismos que levem a, de fato, um...
mecanismos para punir essas pessoas, principalmente homens, que cometem esses crimes de violência contra a mulher, de fato feminicídio contra, muitas vezes, parceiras, com pessoas que convivem, são do convívio desses homens, e também de uma educação mais ampla da sociedade.
De onde vem esse sentimento de que esses homens podem causar mal a essas mulheres? De onde vem esse sentimento da liberdade que eles podem fazer isso? Vem de algo anterior. Não vem só de um sentimento de impunidade, de que eles podem fazer isso.
porque não serão punidos, mas de algo que é um sentimento de posse, é um sentimento de que aquelas mulheres são propriedade deles. Então, é algo muito mais amplo que deve ser resolvido pela sociedade. E como estávamos falando até agora, que este é um ano de eleição, este deve ser um tema que, pelo menos eu espero, que seja abordado pelos candidatos.
Não é porque estão todos candidatos homens que esse tema não deve ser abordado nas eleições. Até porque, também comentamos, o eleitorado feminino é a maioria. E é um tema que já vem aparecendo em pesquisas, como o da Atlas Intel, pesquisas do Instituto IDEA, que o eleitorado feminino cada vez se preocupa mais com esse tema.
Porque está à mercê, não só a si mesmo, mas também amigas, parentes, que podem ser vítimas desse tipo de violência. Então, o que os candidatos, hoje pré-candidatos, estão, tanto no nível do governo, tanto no nível federal, estão pensando em fazer em relação a isso nos próximos quatro anos? É isso que nós queremos ouvir sobre o tema.
Ellen, ouvir e propor rapidamente no caso das eleições e também depois as mulheres precisam conseguir fazer esse exercício de ver quem está efetivamente fazendo algo. Fazendo algo efetivo, porque veja bem, a gente endureceu as leis em relação a isso.
A gente passou a falar mais sobre isso, né? E o número continua crescendo. O que isso mostra? Mostra que só jogar luz da visibilidade não é suficiente, não faz uma mudança cultural imediata. Então a gente precisa entender o fenômeno, como ele é de fato, e o que ele traz para a gente nesse aumento de feminicídio, mesmo com endurecimento de penas, com mais leis, com mais repressão. Isso nos mostra uma crise muito grave da masculinidade tradicional.
Está muito ligado com o tema anterior do endividamento. Os homens estão perdendo o poder econômico, perdendo a autoridade que tinham. Quando que esse feminicídio acontece? Numa separação. Quando uma mulher começa a ter autonomia financeira dentro de casa. Numa disputa de guarda. Ou seja, ele não é fruto de um ódio imediato. Ele é fruto do sentimento de uma certa parcela de homens.
De ter perdido o poder sobre a vida da mulher, o controle sobre a vida da mulher. É sobre isso que a gente está falando. E é isso que tem que ser atacado, né? Porque a gente vai lá e diz, não, põe lá 50 anos na cadeia e tal. A pessoa que matou a companheira...
Ela não vai pensar na hora que mata a companheira que vai ficar 50 anos na cadeia, entendeu? Isso não vai passar na cabeça dela. Agora, o cara que era provedor, pai de família, tinha ali sua autoridade, de repente fica desempregado, a mulher começa a ganhar mais que ele, daqui a pouco ela quer se separar.
Tudo isso é muito afetado. E é isso que eu tenho ouvido cada vez mais. É o homem que diz que não sabe qual é meu papel hoje. Qual é a minha importância dentro da minha casa, dentro do meu grupo de amigos, dentro do meu trabalho. Onde é esse papel? E essa masculinidade fragilizada, atacada, nos traz então para esse número.
alarmante de feminicídios. Então, para falar da violência contra a mulher, a gente precisa olhar muito seriamente para o que está acontecendo dentro do espírito do homem hoje. Olha, e para encerrar, eu quero falar um pouquinho da geração Z, que é uma geração que mudou um pouco de hábitos. Eu quero saber, vocês acham, meninas, rapidamente, estou agora no finzinho, mudaram os hábitos de bebida? Vocês percebem de quando vocês bebiam mais jovens ou agora pela galera atual? Karina, sim ou não? Não.
Não percebe, Nathalie? Muito. Percebe muito? Acha que o pessoal bebe menos ou mais agora? Eu acho que eles bebem menos e não fazem nada, Bia. Bebem menos e não fazem nada. Ela, hein? Tô com a Nathalie. Tô com a Nathalie. Acho que a gente tá vendo uma geração que não sabe se divertir muito, não.
Olha, então a gente está com uma situação aqui polêmica, dividindo algumas opiniões, só que o jeito de consumir bebidas alcoólicas está mudando e isso já começou a impactar, inclusive, planos de investimentos das grandes empresas do setor. Com jovens bebendo agora menos álcool e buscando opções mais saudáveis, a indústria tem apostado em novos produtos para tentar manter ali um ritmo de crescimento. Essa é uma pesquisa que vem sendo feita no país de mudanças de hábitos.
e que a gente vem acompanhando, então, por aqui. Então, só para dar essa pimentinha no final aqui do Linha de Frente, que a gente costuma falar mesmo para vocês, Nathalie, então, rapidinho, tem que ficar de olho financeiramente em empresas de bebidas com a galera jovem e saudável.
É, e tomar cuidado porque justamente o soft drinks foi ali, né, o motim ali que a gente teve do imposto do pecado, né. Então os jovens também tiveram uma grande participação ali pra ter vários vetos nesse tipo de proposta. Mas os jovens são muito mudados, principalmente quando eu tô dentro da sala de aula, a gente vê que é uma realidade completamente diferente, a gente precisa entender pra onde que de fato eles querem ir. E eles, Bia, vão ter que ter muita responsabilidade financeira, que é uma coisa que eles não têm e dependem cada vez mais dos pais.
É interessante o ponto de vista aqui da Nathalie. Bom, eu também percebi aí nos últimos tempos que o pessoal está mais saudável, eu acho. Karina dessa vez ficou na minoria, né Karina? Mas depois conta pra gente nas nossas redes sociais, arroba Jovem Pan News, comenta sobre o Linha de Frente, diz o que vocês acharam então sobre...
Essa discussão, acho que o pessoal tá bebendo mais, tá bebendo menos, a geração tá fitness, acordando, indo pra academia cedo no sábado, em vez de ir pra balada, eu não fazia isso, mas agora tem muita gente que faz. A gente quer muito saber a opinião de vocês, então. E já relembro, na semana que vem, 6 horas da tarde, tem encontro marcado aqui também no Linha de Frente. Aí dá pra preparar uma bebida, um vinhozinho, pegar uma cervejinha pra assistir. Ou não, pode ser chá também, pode ser uma aguinha com gás.
Não tem problema. Meninas, obrigada demais pela companhia de novo de vocês. Voltem sempre. E para a nossa audiência também agradeço bastante a companhia. E como vocês já ouviram, espero vocês, hein? Semana que vem. A gente se vê aqui na programação da Jovem Pan. Até mais. Obrigada. Tchau, tchau. A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
Realização Jovem Pan.
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