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PF aponta esquema no Master / Prisão de Daniel Vorcaro pode abalar Brasília

05 de março de 20261h59min
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Confira os destaques de Os Pingos nos Is desta quarta-feira (04):

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master revelou uma estrutura criminosa com diferentes núcleos de atuação. Segundo a apuração, o esquema incluía departamentos voltados à cooptação de autoridades, lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça e operações financeiras. As investigações também apontam que Daniel Vorcaro teria acessado indevidamente sistemas internos de órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, FBI e Interpol.

A prisão de Daniel Vorcaro, no âmbito da investigação sobre o Banco Master, reacendeu a expectativa de uma possível delação premiada. A medida foi determinada após decisão do ministro André Mendonça e cumprida pela Polícia Federal. Nos bastidores de Brasília, cresce a preocupação de que um eventual acordo possa atingir autoridades e revelar novos desdobramentos do caso.

O posicionamento do governo brasileiro sobre o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel gerou reação no Congresso. Parlamentares convocaram o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre a posição adotada pelo Brasil. A convocação ocorre após notas do Itamaraty condenando ataques militares e defendendo solução diplomática para a crise no Oriente Médio.

As investigações da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master revelaram novas suspeitas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a apuração, ele teria pago cerca de R$ 1 milhão por mês para monitorar e intimidar críticos, incluindo ameaças contra jornalistas que divulgaram informações sobre o caso. A defesa nega qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que anulou a quebra de sigilo de uma empresária investigada pela CPMI do INSS, pode abrir precedente para suspender outras medidas semelhantes. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, já pediu ao Judiciário a suspensão da quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

Após pressão do governo e acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, a votação da PEC da Segurança Pública ocorre sem a proposta de redução da maioridade penal. O relator Mendonça Filho afirmou que a medida teria apoio para ser aprovada na Câmara, mas poderia enfrentar resistência no Senado.

Você confere essas e outras notícias em Os Pingos nos Is.

Assuntos11
  • Banco MasterEstrutura criminosa com núcleos especializados · Corrupção de servidores públicos · Acesso indevido a sistemas de órgãos federais · Lavagem de Dinheiro · Obstrução de justiça
  • Daniel VorcaroDeterminação de prisão preventiva · Possível delação premiada · Preocupação de autoridades em Brasília · Transferência para presídio · Impactos políticos
  • Crimes Banco MasterNúcleo de propina e corrupção · Gabinete do ódio privatizado · Milícia digital · Compra de matérias favoráveis na mídia · Uso de documentos pagos em ações judiciais
  • Violencia contra JornalistasMonitoramento de críticos · Planos para agressão física · Intimidação de jornalista Laura Jardim · Núcleo de obstrução de justiça · Tentativa de remover reportagens
  • Impunidade e CondenacoesAnulação de provas por firulas jurídicas · Reversão de decisões judiciais · Falta de consequências para poderosos · Precedentes sem coerência · Seletividade na aplicação da lei
  • CorrupçãoEstrutura de corrupção paralela · Magnitude dos esquemas · Contexto político diferente · Indignação e cansaço público · Eficiência relativa dos esquemas
  • Servidores públicos corruptíveis do Banco CentralCooptação de funcionários · Recebimento de propinas · Orientação sobre documentos · Presentes e viagens internacionais · Comportamento em reuniões
  • Posicionamento Brasil conflito Irã-IsraelCondenação de ataques militares · Defesa de solução diplomática · Convocação de Mauro Vieira ao Congresso · Críticas parlamentares · Possível impacto em relações diplomáticas
  • Crítica a instituições e sistemasFalta de estratégia técnica · Posicionamento sem ser chamado · Impacto em relações comerciais · Apoio a regime teocrático · Contradição com valores democráticos
  • STF Setor PrivadoAnulação de quebra de sigilo de empresária · Possível precedente para Lulinha · Pedido de suspensão de sigilos · Questões de insegurança jurídica
  • Relacoes EUA-IraAtaque submarino norte-americano · Primeiro torpedo desde Segunda Guerra Mundial · Vítimas e desaparecidos · Contexto do conflito Oriente Médio
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Os Pingos nos Is, Jovem Pan. Olá, tudo bem com você? Seja bem-vindo começando mais uma edição do programa Os Pingos nos Is, reunindo os assuntos, os temas, as notícias mais importantes, sempre contando com a análise Jovem Pan. A investigação da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master revelou um esquema parecido com a Lava Jato, ou para muitos até maior, né? Segundo essa apuração, o banco possuía quatro departamentos para manter essa estrutura

criminosa, inclusive o da propina, voltada a cooptar autoridades para atuar em favor dos interesses da empresa, sendo alguns deles servidores do Banco Central. Eles já foram afastados. A corporação também revelou que o Master possuía o núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, intimidação e obstrução de justiça, além do núcleo financeiro. Por fim, essas investigações mostraram que Daniel Vorcaro

sistemas internos da Polícia Federal, do Ministério Público, do FBI e até da Interpol. Tudo para manter o seu esquema e conseguir as informações privilegiadas sobre tudo o que acontecia nestas operações e nestas articulações. Bem, vamos chamar os nossos comentaristas. São várias notícias importantes relacionadas ao Banco Master, relacionadas a essa operação da Polícia Federal. Vamos ao Rio de Janeiro. O Roberto Mota está ao vivo já com a gente, vai trazer suas análises.

impressões e projeções sobre o que deve acontecer. Mota, seja bem-vindo. Ótima noite a você. A revelação desses núcleos do Banco Master, que inclusive tinha um específico pra propina e obstrução de justiça, Mota. Mais um capítulo da novela Banco Master. Aliás, a cada nova fase da investigação, esse escândalo fica com menos cara de novela e mais cara de filme. O filme, no caso,

é o poderoso chefão. Boa noite, Caniato. Boa noite, meus colegas de bancada. Boa noite a você, caro espectador, caro ouvinte, que nos dá a honra de entrar na sua casa e no seu carro. Há algumas semanas, eu comentei aqui que a única coisa que faltava nesse banco era ter departamentos especializados em corrupção, que nem um outro caso que a gente ouviu falar há algum tempo. Aparentemente,

não falta mais. Causa indignação muito especial a cooptação de servidores públicos que deveriam ser encarregados de fiscalizar o banco, mas que estavam trabalhando como se fossem funcionários dele. Pois é, a gente vai trazer, esmiuçar essas informações que foram reveladas no dia de hoje. Chama o Luiz Felipe Dávila. O Dávila também está acompanhando a divulgação dessas informações, a deflagração,

da operação, a determinação de prisão preventiva de Daniel Vorcaro, ele estava em domiciliar. Você, Dávila, as informações relacionadas à atuação do Banco Master, uma operação criminosa, inclusive com núcleos determinados. Tinha um núcleo da propina, obstrução de justiça, tinha um outro núcleo que intimidava pessoas. A gente até vai trazer a informação a respeito de um jornalista, enfim. Quais são suas impressões a respeito dessas informações que foram divulgadas?

Boa noite Caniato, Mota, boa noite Musa e boa noite a nossa querida audiência. Caniato, o que está sendo revelado é o que todos nós já suspeitávamos. O Banco Master não é só o maior escândalo financeiro da história do Brasil, mas é também o maior escândalo de corrupção, propina e aparelhamento do Estado.

cada dia. Funcionários recebendo dinheiro, juízes que tinham uma ligação extremamente íntima com negócios do Banco Master, políticos que acabavam se beneficiando desse relacionamento para liberar dinheiro de precatórios, fraudes da previdência em estados, ou seja, era uma máquina de fazer dinheiro às custas

de compra de influência e apoio no Estado brasileiro. Cada dia que passa, essa novela retrata que o Banco Master é, na verdade, um sintoma. Um sintoma de uma sociedade doente de instituições que deixaram de funcionar do desrespeito à Constituição, ao Estado Democrático e Direito, às regras do jogo.

do Estado, é também uma fotografia da maneira pela qual o Estado, políticos e os donos do poder podem ser manipulados para beneficiar uma instituição. As revelações são apenas a ponta do iceberg. A cada dia que passar, e agora, sob a investigação específica da Polícia Federal, em parceria com o juiz André Mendonça,

coisas que estavam sendo varridas para debaixo do tapete virão à tona. E como bem disse um jornalista, a República não deve estar dormindo e pode cair a qualquer momento. Pois é, daqui a pouco a gente vai trazer informações sobre a possibilidade de fechamento de uma delação premiada. E há informações de bastidores que indicam que muitas autoridades ou muitas seguras importantes estariam preocupadas com essa possibilidade.

Uma vez que Daniel Vorcaro fecha uma delação, ele teria que entregar muita coisa, entregar muitas pessoas, dar muitos nomes. E aí, por isso, a informação indica que parte de Brasília estaria preocupada. Deixa eu passar para o Bruno Musso. O Bruno está ao vivo acompanhando, desde as primeiras horas do dia, os desdobramentos dessa operação da Polícia Federal. Só para atualizar nossa audiência, depois da deflagração e a conversão de domiciliar em preventiva,

Daniel Vorcaro e o cunhado passaram por audiência de custódia. A justiça manteve a prisão dos dois e determinou a transferência para um presídio estadual, inclusive, Daniel Vorcaro. Os dois foram levados para o centro de detenção provisória aqui em Guarulhos, que é uma cidade da grande São Paulo, fica colada aqui com a capital paulista. Você, Musa, quais aspectos dessa operação lhe chamaram a atenção? E essa comparação que muitos veículos estão fazendo com a operação Lava Jato, né?

a Operação Fraudolenta, mas esses núcleos muito bem definidos para ajudarem nessa operação ilegal. Bem-vindo. Boa noite, Caniato, Davi, Lamota, todos que nos escutam. Bom, realmente eu concordo muito que isso é um sintoma. É um sintoma de uma sociedade onde os freios e contrapesos não foram apenas colocados em prática, como muito bem permitiram e até mesmo participaram desse crescimento

corrupção brasileira que veio se aperfeiçoando. O Estado brasileiro é tão grande, tão inchado, tão ineficiente que ele não permite que a inovação tome conta de um mercado aberto. Empresas verdadeiramente honestas não podem inovar. Você compete com empresas que fazem parte desse monopólio da corrupção. Empresas novas têm dificuldade de entrar, contratos caríssimos, contratação dificílima e uma barreira intransponível, por assim dizer, que é a corrupção da máquina do Estado.

Mas a corrupção no Brasil não cansa de inovar. Essa sim tem um espaço amplo, aberto, em que ela simplesmente navega sozinha. E ela não para de crescer. A gente vê que o crescimento veio acontecendo ao longo do tempo. O Mensalão, que segundo algumas estimativas principais, foi da ordem de 100, 150 milhões de reais. Depois nós vimos o Petrolão e a Lava Jato com mais 50 bilhões de reais. Isso em vários anos de atuação.

e muito, os 50 bilhões de reais, 50 bi foi só do Fundo Garantidor de Crédito, com uma máquina pública de todos os poderes arquitetados, muito bem arquitetados ali entre eles, que movimentou muito mais de 50 bilhões de reais em pouquíssimo tempo. Ou seja, sob o ponto de vista da corrupção e da imoralidade, ele foi muito mais eficiente do que todo e qualquer outro esquema de corrupção. Mas tem um ponto em comum. E aí eu vou deixar isso aqui no ar. Talvez seja, e contei uma certa ironia,

que haja uma coincidência que todos esses escândalos mencionados, quem comanda o executivo é o mesmo partido? Quem permite a corrupção e que tem essa pista livre é o mesmo partido? Deixemos a reflexão para todo mundo. Pois é, deixa eu retomar com o Mota, só para a gente tratar desse aspecto. Até quero destacar para a nossa audiência um título que a nossa produção colocou, porque isso vem sendo tratado entre os muitos veículos de comunicação,

um paralelo entre o caso do Banco Master e a Operação Lava Jato. E o Mota até mencionou os tais núcleos, o departamento disso, o departamento daquilo. Mota, são situações distintas, mas eu acho que há uma intersecção. A gente consegue traçar um paralelo entre os dois episódios, os dois casos. Ainda que nós estejamos tratando de figuras diferentes e talvez uma operação que também seja bem distinta,

Quais são as similaridades entre o caso do Banco Master e a Operação Lava Jato? O que mais lhe chama a atenção quando a gente coloca esses dois casos um do lado do outro? Eu acho que a principal semelhança é a ousadia, a certeza da impunidade. É você estruturar uma operação de fraude, de corrupção, de roubo, em plena luz do dia.

com troca de mensagens por plataformas, com o uso de senhas obtidas ilegalmente para acesso a sistemas oficiais, você percebe que as pessoas que estavam envolvidas nisso tinham certeza de que não ia dar em nada, de que isso não criaria problema nenhum. Agora, há uma grande diferença, me parece, Cariato, me corrija se eu estiver errado,

É o contexto do país. A Lava Jato aconteceu no momento em que o Brasil acreditava estar se reinventando, começando uma nova página, purificando a política, começando um novo período. Não existe essa esperança hoje no Brasil. A maioria das pessoas que olha para as investigações do Banco Master, investigações que são de difícil compreensão,

param, voltam, que envolvem pessoas que não deveriam estar investigando, né? Muita gente diz que essas pessoas deveriam estar sendo investigadas e não investigando. Então as pessoas olham pro escândalo do Banco Master com a costumeira indignação, mas com cansaço, com profundo cansaço. E quando eu digo as pessoas, eu digo não só o cidadão comum, mas também profissionais da justiça, do sistema de justiça criminal. Eu acho que há muito pouca gente hoje no Brasil que acredita

que esse escândalo vai efetivamente resultar em punição de alguém. O que não impede que a gente tome um susto, porque só essas notícias de hoje, a variedade de absurdos que eu acredito que a gente vai comentar ao longo de todo o programa, o escândalo do Banco Master está conseguindo o prodígio de tomar o lugar da guerra contra o Irã. É uma coisa, é um feito inacreditável. Então, permanece o espanto, permanece a indignação.

de tudo com a ousadia dessas pessoas. Elas fazerem as mesmas coisas, das mesmas formas. Daqui a pouco eu vou dizer isso aqui porque vai acabar acontecendo. Daqui a pouco vão descobrir aí, igual descobriram na investigação da Lava Jato, uma lista aí de apelidos curiosos das autoridades. É a única coisa que falta. Pois é, desde até audiência rotativa, muita gente chegando agora na programação. Dávila, estamos falando de uma operação que se dividia em quatro núcleos.

núcleo financeiro, que estruturava as fraudes contra o sistema financeiro. O de corrupção institucional fazia a cooptação dos servidores públicos do Banco Central. Esse é um ponto, inclusive, que a gente precisa analisar em separado. Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. Usava outras empresas, outras companhias para cometer os crimes. E aí também a gente vai tratar em separado o núcleo de intimidação e obstrução de justiça. Fazia o monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e também

Agora, nesse núcleo de corrupção institucional, fazer a cooptação de servidores públicos do Banco Central. E quem tiver curiosidade e fizer uma rápida pesquisa na internet, tem uma ampla cobertura específica dessa atuação do Banco Master e de Daniel Vorcar, junto a autoridades ou principalmente a servidores do Banco Central. Então, ele corrompia servidores que faziam a supervisão de alguns processos.

eles prestavam essa consultoria ao Banco Master e recebiam uma mesada da Ávila. Inclusive, um funcionário, um servidor do Banco Central chegou até a receber com um presente uma viagem a Disney World da Ávila. Isso tudo mostra como o sistema está bichado, está viciado, está sendo facilmente cooptado. Por que isso é ser facilmente cooptado? Um banqueiro chega, começa a oferecer viagem, festinha,

dinheiro e funcionários graduados do Estado brasileiro começam a se render a isso. Aliás, inclusive pessoas sendo contratadas, são familiares ligados a membros do Supremo Tribunal Federal. Tudo isso mostra o grau de vício que existe nesse sistema. E esse sistema, Caniato, não surgiu da noite por dia. O Vorcaro jamais apareceria com essa história de Banco Master num país sério.

porque as condições dessa degeneração institucional permitiram aparecer o Master. E se nós formos olhar com retrospectiva, isso você pode dizer que começa lá atrás, em 2019. Sabe com o tal do inquérito de fake news? Começa com essa história de que qualquer ataque à conduta de alguém que exerce o poder é um ataque à instituição, é ataque à Constituição.

lembra, Caniato, um rei francês no século XVII que chamava Luiz XIV, que diz que o Estado sou eu. Quando você começa a dizer que o Estado sou eu, a coisa começa a ficar complicada. Não é mais a Constituição, não é mais o indivíduo, não é mais a liberdade, não é mais a democracia. O Estado sou eu. Se eu me sinto ofendido, logo é um ataque à instituição. Esta banalização do Estado de Direito,

o processo legal, começa a corroer a credibilidade das instituições. Começa a criar este estado paralelo que se for capturado, você está protegido. Afinal de contas, se fizer um ataque a alguém, você está atacando a instituição, a democracia. É aí que morre o perigo. É aí que começa a corrupção de valores. Acima de tudo de valores. Porque primeiro precisa corromper os valores pra começar a ter a corrupção

fato, em dinheiro. Interessante que essa história do Estado Sou Eu terminou de maneira trágica na França. Terminou com a Revolução Francesa. Um momento em que as instituições não eram mais capazes de se reformar e aí houve o estouro da Revolução Francesa em 1789. Então, esperemos que o Brasil não chega a este ponto, que ainda há uma última porta para tentar salvar as instituições

de uma degeneração total e de um final infeliz. Por isso, é hora da sociedade civil começar a reagir como está reagindo as instituições, a imprensa livre, todo mundo colocando a boca no trombone e não deixando que esse escândalo será varrido para debaixo do tapete. Porque é isto que todos esses que estão envolvidos no telefone de Vorkaro querem. Esquecer isso, virar a página

continuar a vida como ela era antes. Isso não pode acontecer, porque se acontecer, o Brasil vai entrar num caminho muito perigoso. Pois é, eu me lembro que há algumas semanas, quando o caso do Banco Master estourou, quando a primeira operação foi deflagrada, enfim, muitas informações vieram à tona, eu perguntei e questionei o Bruno Musa a respeito do Banco Central, do papel do Banco Central, se já daria para afirmar que erros haviam sido cometidos, ou por má fé,

por incompetência, enfim. Fizemos uma série de exercícios aqui, até projetando, talvez, alterações nos processos adotados pelo Banco Central. E aí, hoje, a informação desses servidores que atuavam na prática como consultores de Daniel Vorcaro, inclusive um desses servidores já afastados, em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, e isso foi anexado aos autos, ele aparece orientando Daniel Vorcaro sobre

que tipo de documento deveria enviar para o Banco Central, a maneira como o documento deveria ser redigido, organizado, e até tinha uma orientação muito curiosa, como Daniel Vorcaro deveria se comportar na tal reunião com os representantes do Banco Central. Enfim, isso é só para ilustrar para a nossa audiência compreender um pouco do que se tratava esse relacionamento entre Daniel Vorcaro e esses servidores. Daniel Vorcaro também remunerava essas pessoas,

partir disso, qual é o exercício que a gente deve fazer e qual é o questionamento e o olhar que a gente deve ter para o Banco Central a partir de agora? E, novamente, a gente precisa olhar a instituição, quem são as pessoas que formam cada uma das instituições. A gente não pode condenar toda e qualquer instituição por um grupo de pessoas. São alguns poucos aqui, que é pelo menos até o momento, que foram corrompidos ao longo do tempo.

Difícil é quando nós falamos num judiciário onde uma cúpula tem indícios que pode estar envolvida e são números

menores. O Banco Central são pessoas, são várias pessoas, é uma autarquia técnica que supostamente tem algum tipo de independência não financeira, infelizmente ainda, mas tem algum tipo de independência do próprio governo. Então, no meu entender, não é apenas a instituição, mas sim, como muito bem foi colocado pelo Dávila, isso é uma resposta a um sistema que permite e faz parte e incentiva até todo tipo de corrupção e falta

falta de visibilidade seletiva para alguns, Caniato. Porque se qualquer um dos meros mortais tentemos criar algum tipo de instituição financeira e a gente não faz parte do tal grupinho seleto que a gente está vendo, pode ter certeza que os olhos dessas autarquias estariam todos carregados em cima de você. Então me parece que há uma seletividade natural com relação a quem participa de cada um dos esquemas.

muito bem os principais cabeças de cada uma das instituições e soube muito bem colocar todos pra dentro de casa e fazer parte dessa festa, que muitas vezes foi uma festa literal mesmo. A gente viu a respeito até de garotas de programas vindo por Brasil que não falavam português, que eram da Dinamarca, da Suécia, estrategicamente, porque não conheciam os rostos e não falavam português. Consequentemente, se tornava, digamos, mais difícil delas mostrarem ou gravarem qualquer tipo de coisa. Então, foi tudo

Muito bem colocado e arquitetado em uma república onde grande parte das pessoas conhecem a impunidade. Sabe que o Brasil é reconhecido, principalmente internamente, pela impunidade. Nós somos grandes de determinadas instituições, tranquilo, com a gente não acontece absolutamente nada. E aqui eu deixo a pergunta, será que eles não têm razão? Quando a gente vê realmente os sigilos sendo quebrados e voltados atrás um dia depois...

Será que eles realmente não têm razão que a impunidade é uma realidade no Brasil e que eles se acham semideuses, uma vez que com eles nada acontece? Pois é, eu vou trazer uma outra parte da notícia, porque a prisão de Daniel Vorcaro, que aconteceu hoje, depois da ordem, a determinação de André Mendonça, ministro da Suprema Corte, foi cumprida pela Polícia Federal. Isso reacendeu as expectativas de uma delação premiada, que poderia atingir em cheio várias autoridades da República.

ainda era considerada mais tranquila para Vorcaro, a defesa do banqueiro debateu uma oferta de delação. Essa possibilidade causa medo em vários nomes poderosos de Brasília. Políticos já afirmaram publicamente que, se Vorcaro abrir a boca, metade da República cai. Começar com o Mota. Mota, autoridades temem delação de Vorcaro após nova prisão. Pois bem, acho que foi anteontem.

Inclusive, uma aspas de presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que disse justamente isso que eu mencionei há pouco. Se muita gente estaria comprometida ou teria algum tipo de envolvimento com o Daniel Vorcaro. E uma vez que a delação fosse fechada, aí sim ele poderia dar com a língua nos dentes e entregar muitas pessoas. Enfim, com uma delação no horizonte, o que a gente pode prever?

Nada, Caniato. Qualquer previsão hoje é muito arriscada. Agora, eu fico me perguntando até que ponto, e isso é uma dúvida legítima mesmo, não é ironia, não, até que ponto delação ainda vale para alguma coisa, a partir do momento em que as delações podem ser anuladas sem que a gente entenda muito bem qual é o critério. Então, eu não sei se, tirando a questão do escândalo,

Ainda afeta algumas pessoas, porque há pessoas no país que ainda tentam manter uma fachada de honestidade, de pessoa séria, mesmo fazendo coisas por trás. Então, para essas pessoas, pode ser um prejuízo muito maior ter a sua vida exposta do que a possibilidade remota de virem a sofrer alguma punição de caráter penal.

falar o que sabe, né? Se ele der os detalhes dos seus negócios, metade da república vem abaixo. O problema é que metade é essa, né? Ninguém sabe, todo mundo que acha que é a outra metade, não é a metade onde ele está. E eu acho que se metade da república tem que vir abaixo, ia ser um ano bom pra isso acontecer, né? Porque afinal, nós temos eleições, dá pra gente aproveitar as eleições e colocar essa metade da república que virá abaixo.

e talvez esteja mesmo na hora de renovar a metade dessa república, porque é uma república que está muito a dever ao cidadão. Uma república que nasceu de um golpe de Estado e que vem pulando de crise em crise. Basta dar uma lida rápida na história do Brasil. O que eu acho que a gente pode dizer com certeza é que tudo indica que esse banqueiro foi longe demais na sua ousadia.

a tudo e a todos. Agora, que consequências ele vai sofrer realmente no final? A gente tem que aguardar pra saber. Pois é, são bons exercícios que vêm sendo feitos pelos nossos comentaristas, mas se você, que nos acompanha, puder, vote na enquete do dia que a gente trata justamente disso. Com a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, determinada por André Mendonça, o que você acha que vai acontecer? Nós listamos quatro possibilidades. A gente gostaria que você se manifestasse.

No final do programa a gente traz aqui as respostas, os posicionamentos mais votados. Agora você, Dávila, antes do Dávila trazer a reflexão dele, preciso dividir a rede, uma rápida parada para você que nos acompanha pela rede de rádios. A gente segue aqui nas outras plataformas com os nossos comentaristas. Você, Dávila, há uma grande chance do banqueiro fechar uma delação premiada e colocar a boca no trombone ou há outras opções antes?

do PL, Valdemar Costa Neto, precisa ser destrinchada com certo cuidado, porque ela dá uma boa pista do que pode acontecer com essa queda da metade da república, como ele mesmo falou. Porque se ele está dizendo isso, pode até ser que algum vai perder alguns membros do PL nessa história. Mas tem peixe muito mais graúdo que vai aparecer. Por isso que ele estava com aquele ar até meio sereno, falou, olha, pode acontecer e se tiver a delação vai cair

da República. Quase como se ele sabe que vai perder alguns dedos, mas não perde a mão. Mas que alguns poderes vão chacoalhar e muito grave. Por isso, eu tenho a impressão que ele ou alguém em seu entorno já sabe mais ou menos que tipo de conteúdo pode vir à tona com as revelações. E vem mostrando de pouquinho em pouquinho que ele pode ter razão.

E ele não usou a palavra república à toa. Porque se o receio dele fosse com deputados e senadores, ele diria, vai cair metade do Congresso. Mas não, ele usou a palavra república. Então, podemos compreender exatamente do que se trata. E aí também é preciso olhar para a troca de relatoria. Um relator tomava algumas decisões, o outro relator acaba adotando outras posturas. A gente vai aguardar o avanço dessas investigações. Daqui a pouco a rede chega, mas eu vou passar para o Bruno Musa também trazer as suas impressões.

e que é possível imaginar com uma delação premiada fechada. Há quem entenda que tanta gente seria implicada em um processo como esse, Musa, que no meio do processo haveria muitas reflexões por parte de Daniel Vorcaro e ele poderia inclusive ser convencido por advogados a pegar um outro caminho que não da delação premiada. Afinal, tantos erros podem ser cometidos ao longo do processo.

A gente está vendo que qualquer coisa no Brasil pode ser revertida, independente se isso é legal ou não. Nós estamos vendo, por exemplo, o esvaziamento do relator do processo, o André Mendoza, com outras relatorias que vão sendo criadas, puxadas para outros ministros, que acabam anulando determinadas ações por quem tem a legitimidade para fazer isso, por exemplo, a quebra do sigilo. Então, no Brasil nós temos sempre a sensação de que estamos pisando em um terreno desconhecido

absolutamente tudo pode mudar. Ah, mas a legislação não permite. E daí? Ah, mas isso aqui está escrito na Constituição que só pode ser feito de tal forma. E daí? Ah, qual é a punição de quem não faz isso? Quais caminhos e quantos caminhos nós conseguimos ver ao longo dos últimos tempos que detentores do poder conseguem seguir para mudar as regras e definir as suas próprias regras porque lhes interessa. Porque tem muito mais interesse para eles, para o poder e não para a população.

que assistimos atônitos com relação a isso e lembre-se sempre, somos obrigados a financiar. Ai de você se questionar esse tipo de financiamento. Ai de você. Então, o que eu acho é que essa turma que se organizava nessas festas e eram muito amigas, entre aspas, deixa de ser amiga do dia para a noite. E nós estamos vendo, ao menos no meu entender, um conhecimento leigo. Rapidamente, só deixa eu receber a rede Jovem Pan, todos agora aqui em

pingos nos is, os nossos comentaristas fazem análises e reflexões sobre a possibilidade de Daniel Vorcaro fechar uma delação premiada. E segundo informações, meio mundo em Brasília estaria com uma pulga atrás da orelha com essa possibilidade. E o Musa entra na parte final do seu comentário. Vai lá, Musa, à vontade. Exato. O meu ponto é que a delação dele, as amizades, elas acabam do dia pra noite e me parece que

os detentores desse poder começam a entrar em choque, seja o STF com o Senado, com o Legislativo no geral, com a CPMI e inclusive entre os próprios ministros do STF, uma vez que essas relatorias vão sendo criadas e puxando para si a responsabilidade nas mudanças das regras. Pois é, deixa eu passar também para o Mota, trazer as reflexões e análises a partir dessas muitas possibilidades e eu pude acompanhar

manifestações nas redes sociais, Malta, quando se fala em delação, poxa, o Vorcaro vai colocar a boca no trombone, vai entregar todo mundo. Nossa, já surgiram informações de nomes que foram citados ou conversas que teriam sido monitoradas no WhatsApp dele, com aqueles celulares que foram apreendidos. E aí, levantam mil possibilidades. Mas, ah, quem entende o seguinte, que o caminho seria mais ou menos algo parecido com o que a gente já viu no passado. Não, ele vai ser julgado, vai ser condenado.

Mas talvez, ao longo do processo, identifiquem que alguma coisa foi feita fora do prazo. Um monitoramento de uma conversa foi feita sem autorização judicial, sei lá. E aí, lá na frente, identificam que o procedimento que foi adotado teria sido ilegal. E aí, o Castelo de Cartas acaba caindo e o processo todo é anulado. Parece que eu estou falando uma ficção, um filme, um seriado. Mas não, isso já aconteceu. Então, não dá para falar, ah, não, isso é impossível.

uma vez, poderia acontecer uma segunda vez, não? Vai acontecer uma segunda vez, Caneto. Não poderia. Isso é certeza absoluta. Se no Brasil tivesse aquele site de aposta dos Estados Unidos em que você aposta em tudo, com certeza já teria sido aberta uma aposta como essa. Aliás, talvez até seja, porque esses sites americanos, eles têm uma sessão dedicada ao exterior e lá tem política brasileira. Você pode apostar em quem serão os candidatos. Eu não duvido

que esteja lá já aberta uma aposta sobre a impunidade dos atores do Banco Master. Eu só queria, eu acho que a gente ainda vai falar mais sobre isso, mas pelo que a gente já viu, pelas notícias que surgiram no dia de hoje, o que que ficou claro? Ali nesse escândalo do Banco Master tinha sido criado, eu vou usar aqui uma expressão que foi muito usada no Brasil nos últimos anos, um verdadeiro gabinete

do ódio. Era isso, um gabinete do ódio privatizado. Um gabinete do ódio dedicado a atacar, difamar e eliminar adversários. Ou então, Caniato, outra expressão que foi muito usada, inclusive em investigações e processos, uma verdadeira milícia digital, não é isso? É com muito dinheiro, conseguindo senhas pelas informações até de sistemas do FBI. Veja você, isso aí vai gerar

Uma investigação internacional. Agora, gabinete do ódio, milícia digital, mas quem oferece perigo à democracia são as tias do zap. Essas são o perigo. Nesse escândalo, nas notícias de hoje, a gente viu aí tentativa de intimidar, através de violência, jornalistas. Usar a violência para intimidar alguns e usar muito dinheiro para comprar os outros.

no Estado de Direito, é o tiozão do churrasco, que bota a camiseta dele verde e amarela e vai pra rua. É uma vergonha. E pra completar isso tudo, toda essa organização, que tinha gabinete do ódio e milícia digital, tinha vínculos diretos, e mais ou menos diretos, vínculos contratuais, com um monte de gente do Estado, que são justamente as pessoas que se colocam como deficiador,

defensores da democracia, do Estado de Direito e vivem denunciando gabinetes do ódio e milícias digitais. Pois é, daqui a pouco o nosso repórter inclusive trará as informações relacionadas a essa outra atuação do Banco Master, né? Os núcleos que eram formados e determinados por Daniel Vorcaro e tinha um em especial que tinha essa responsabilidade de ameaçar, pressionar jornalistas e também obstruir investigações.

aspecto, você gostaria de destacar aqui, hein, Dávila? Lembrando que essa é uma investigação que ocorre em várias frentes, né? Justiça, Polícia Federal, órgãos de controle, Banco Central, Legislativo deve avançar também com essas investigações, ou seja, cada um puxa pra si os holofotes e, de alguma maneira, os benefícios de você estar na mídia dizendo, olha, estamos avançando com essa investigação,

é preciso descobrir isso, isso, mais aquilo ou outro, tais pessoas vão ser chamadas. Corre-se o risco de avançar com muitas investigações, mas não chegar naquilo que é realmente importante, hein, Dávila? É verdade, Caniato. E uma pergunta que realmente intriga a cada dia que passa essas revelações assustadoras do Banco Master é por que, quando esse caso começou a ser investigado no Supremo pelo ministro Dias Toffoli,

foi colocado sob sigilo. Por quê? Cada dia que passa, esse escândalo é mais escabroso, mostra como a República está contaminada, pode cair metade da República, como o presidente do PL disse, que esse caso estava sob sigilo. Imagine se não tivesse acontecido nada, o que ia acontecer? Ia ser varrido para debaixo do tapete. Este é um episódio que entristece um país que já teve,

No passado, instituições confiáveis. Daqui a pouco a gente vai voltar a tratar do caso do Banco Master. Inclusive, o nosso repórter vai destacar as informações relacionadas às conversas que indicavam uma armação para agredir um jornalista, para pressionar um jornalista. A gente vai trazer isso em detalhes daqui a pouquinho. O apoio do governo brasileiro ao Irã gerou revolta em parte do Congresso

Júlia Firmino chega ao vivo aqui em Os Pingos nos Is, vai trazer detalhes dessa cobrança por parte dos parlamentares. Júlia, seja bem-vinda. Seus destaques, por favor.

questionamento aqui no Congresso do país. Por isso, então, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, como você bem disse, Caniato, foi convocado pela Câmara dos Deputados a prestar esclarecimentos em relação à posição do Brasil sobre esse conflito. A convocação foi feita por deputados da oposição na Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional, que é dominada por eles, vale a gente destacar. Só que essa reunião ainda não está,

Não tem uma data exata, mas fato é que Mauro Vieira deve estar presente, deve prestar esses esclarecimentos, porque é obrigado, né? E tudo isso vem, Caniato, por conta do posicionamento do governo brasileiro em relação ao conflito. O governo já expressou, né, em notas anteriores, em outros posicionamentos, preocupação com a expansão desse conflito, justamente agora para o Líbano, por causa do confronto entre Israel e o grupo Hezbollah, que é aliado do Irã, né?

Então, a terceira nota do país que emitiu esse alerta, essa preocupação, nota divulgada, inclusive, pelo Itamaraty. E nas notas anteriores, como eu havia dito, o Brasil já tinha condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, dizendo que ocorreram diante de negociações diplomáticas, ou seja, de conversas entre os dois países. E expressou também uma preocupação com a escalada da hostilidade na região do Golfo.

ações militares ali na região. E tudo isso, Caniato, a gente precisa destacar que pode gerar um impacto na geopolítica de outros países, como, por exemplo, a do Brasil. Justamente porque o governo brasileiro já tinha uma conversa alinhada ali, marcada para acontecer ainda esse mês com os Estados Unidos, mas já reavalia essa possibilidade desse encontro justamente por conta dessa posição toda. A gente continua acompanhando tudo isso por aqui, traz mais informações

ao longo da programação da Jovem Pan. Volto com você. Pois é, esse aspecto trazido pela Júlia é muito importante, né? Será que o posicionamento vai interferir ou terá como consequência, por exemplo, um adiamento até o cancelamento do encontro com Donald Trump? Vamos aguardar. Obrigado, viu, Júlia? Bom trabalho pra você. A gente segue em contato. Passar pros nossos comentaristas, chamar o Bruno Musa, analisar essa situação, a comissão aprova essa convocação de Mauro Vieira pra explicar a postura, o posicionamento do Brasil

em relação ao Irã, nesse conflito, o apoio. A gente nitidamente percebe, a partir dessa manifestação, a maneira como o país se coloca. E aí tem também a avaliação de quais poderiam ser os impactos, a partir de um entendimento de outros países, principalmente dos Estados Unidos, de que o Brasil estaria, sim, ao lado do Irã. Enfim, Musa, papel do Congresso Nacional nesse momento, possíveis implicações a partir desse posicionamento que devemos considerar?

Eu continuo achando que o posicionamento do Brasil é pouquíssimo ou nada estratégico. Isso significa que você pode ter a sua própria opinião, mas não necessariamente você precisa dar a sua opinião sem sequer ser chamado. A gente deve mensurar aqui as implicações disso. Quais serão os benefícios de eu me posicionar do jeito que venho me posicionando versus o retorno que essas ações podem dar? Por exemplo, pegando uma fala por cima que eu vi hoje do Lula, ele mencionando que o Trump gosta de falar

fortes, que ele fica ameaçando todo mundo. De fato, isso pode ser uma verdade, mas ele não tem as armas mais fortes. Ele mencionou alguma coisa a respeito do Brasil. O que nós podemos perder nessa eventual relação? A gente está vendo, por exemplo, as implicações que o Trump está ameaçando a gerar embargos com a Espanha, por conta de falas do Pedro Sanches, que realmente é um partido do Partido Socialista Obrero Espanhol, que é um partido de extrema esquerda, que é o primeiro-ministro espanhol numa coalizão de partidos de esquerda e de extrema esquerda hoje que comanda a Espanha,

e também vê sua popularidade caindo. O meu ponto aqui é, o que o Brasil tem a ganhar falando sem ser chamado ou sem precisar ter opinião declarada a respeito disso? Quais são as consequências que nós teremos na nossa relação com os Estados Unidos, que está entre os principais países que nós intercambiamos? Então, eu vejo uma falta de posicionamento técnico e um posicionamento claro e ideológico. Veja, eu discordo com veemência de toda e qualquer posicionamento

do Executivo, do Itamaraty e das principais instituições brasileiras. Mas as pessoas lá têm o direito de ter as opiniões delas. Só que enquanto representantes de um país, eles precisam entender que as consequências das ações deles fazem com que o país inteiro sofra uma consequência. Depois não adianta sair gritando a quatro mundos, ah, o Trump fez isso, o Trump fez aquilo. A gente já está claro, concorde ou não, que ele faz isso. Ele muda de opinião, ele vai, ele volta, mas ele é mais forte.

Quais são as responsabilidades nessas falas frente ao que pode acontecer com o Brasil? De novo, eu continuo achando que esse lado ideológico revolucionário que comanda o Brasil hoje fala muito mais por ideologia do que técnica pensando no país. Acho completamente desastrosa se não é uma posição onde sequer somos chamados. Pois é, você, Mota, qual é o exercício que a gente deve fazer a partir dessa posição do Congresso Nacional, cobrando uma explicação,

de Mauro Vieira. Foi aprovada, inclusive, a convocação. Não há data confirmada ainda. A gente segue aguardando qual será o dia em que Mauro Vieira poderá prestar esses esclarecimentos aos congressistas. Mas, a partir disso, dá para a gente imaginar possíveis consequências? Os Estados Unidos poderiam cancelar algum encontro por conta disso? Você acha que o Donald Trump está prestando atenção nisso, Caniato? Ele deve estar rindo. Para ele,

não faz diferença nenhuma. Para ninguém faz diferença nenhuma o que o governo brasileiro está dizendo ou deixando de fazer. Na verdade, o que o atual governo brasileiro está fazendo é escrevendo mais um capítulo da sua vergonhosa história. Os responsáveis pela política externa do Brasil vão ser lembrados durante muitos anos pela obtusidade e pelo sectarismo das suas posições. Alguém deve estar levando alguma vantagem com isso. Essa é a única explicação. Respondendo

A pergunta do Bruno, eu também tenho essa dúvida, né? Não é possível. O que eles ganham com isso? Olha, eu acho que alguém deve estar ganhando alguma coisa. Porque o Irã, deixa eu lembrar aqui o que o Marco Rubio explicou numa entrevista ontem ou hoje, né? O Irã, gente, pra quem não está prestando atenção, ele é governado por lunáticos religiosos que querem a bomba atômica. O regime iraniano hoje é responsável pela maior parte do terrorismo mundial.

Ele é financiado e armado pelo Irã. O Irã tem um arsenal de aproximadamente 10 mil mísseis, alguns com capacidade de chegar até a Europa. Apesar disso, o governo do PT e a sua área de relações exteriores insiste em fazer uma equivalência moral. Eles tratam o regime terrorista iraniano da mesma forma que tratam nações democráticas,

Israel e os Estados Unidos. Eu queria lembrar que essa é exatamente a mesma tática usada na segurança pública, quando o governo insiste na equivalência moral entre criminosos e policiais. Vocês têm que se entender, você tem que chegar ao meio termo, encontrar um diálogo. É um discurso infantil e que vai ficar registrado na galeria da

infâmia, mais um capítulo da ideologia marxista convertida em política externa. Antes de passar para o Dávila, deixa eu só trazer um destaque, talvez uma notícia uma das mais importantes quando a gente fala de guerra no dia de hoje. Uma operação militar dos Estados Unidos resultou no afundamento de um navio de guerra do Irã em águas internacionais. Esse ataque foi realizado por um submarino norte-americano na costa do Sri Lanka e representa

segundo o Pentágono, o primeiro uso de torpedo contra uma embarcação inimiga desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a Marinha e o Ministério de Defesa do Sri Lanka, esse ataque deixou 87 mortos. Mais de 100 desaparecidos e 32 pessoas foram resgatadas com vida e estão recebendo tratamento no hospital. As pessoas que nos acompanham pela TV e também pelas plataformas digitais podem acompanhar as imagens, as imagens noturnas

do ataque realizado pelos Estados Unidos contra o navio iraniano. 87 pessoas morreram até a divulgação do último balanço. Deixa eu passar para o Dávila, só para a gente fechar essa discussão. Dávila, enfim, o avanço dos ataques norte-americanos, em destaque essa operação contra o navio iraniano na costa do Sri Lanka, mas queria que você também trouxesse a análise a respeito do posicionamento do governo brasileiro,

o avanço do Congresso, pedindo explicações a Mauro Vieira. É preciso olhar para a estratégia da diplomacia brasileira, né, Dávila? Tem estratégia? Tem estratégia, baseada nos princípios ideológicos da esquerda, da militância petista, que prefere se aliar a ditadores do tal do sul global e sempre fazer desaforo para as grandes potências.

Apoiar um regime, como bem lembrou Motto, uma ditadura, uma tirania teocrática, que vem financiando o terrorismo no mundo, que é responsável pela morte de milhares de vítimas desse terrorismo, que vem buscando construir uma bomba atômica e desestabilizar o Oriente Médio, e pior, que vem matando os seus próprios cidadãos, como ocorreu no mês passado.

mais de 3 mil pessoas foram mortas pelo próprio regime. Por isso, o Brasil está alinhado com esta tirania, ao invés de respeitar a democracia, a liberdade, a soberania do povo iraniano, das costas para os princípios que a nossa diplomacia sempre defendeu, para abraçar mais um ditador do mundo emergente,

E se entregou a cartilha.

esquerdista, ideológica e militante que hoje ditam as relações internacionais no país. A gente segue monitorando o que acontece na guerra no Oriente Médio, no conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos. Qualquer novidade a gente traz aqui na programação. Quero voltar a trazer as informações e os destaques em relação ao caso do Banco Master. As investigações da Polícia Federal também revelaram que Daniel Vorcaro continuou a cometer

crimes, mesmo depois de ganhar liberdade provisória em novembro do ano passado. Além da ocultação de recursos bilionários, o banqueiro também pagava um milhão por mês para um homem monitorar e ameaçar críticos. Vamos conversar com a nossa reportagem. O Matheus Dias está em frente ao CDP, o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, onde o Vorcaro está preso e vai trazer todos os detalhes para a gente. Bem-vindo, Matheus. Boa noite. Seus detalhes, suas informações. Por favor, amigo.

a você, ótima noite a quem nos acompanha, estamos sim aqui agora na frente do Centro de Detenção Provisória 2, em Guarulhos, local onde Daniel Vorcaro está preso, ele que foi trazido hoje junto do cunhado Fabiano Zettel, foi preso de manhã pela Polícia Federal, ele que estava em casa, foi levado primeiro à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde ficou lá durante algumas horas pela manhã, depois levado à Justiça Federal em Pinheiros, onde fez exame de corpo de delito,

Passou por audiência de custódia e tanto ele quanto o cunhado tiveram as prisões mantidas. Depois trazidos aqui, temos imagens do momento em que ele chega aqui no CDP2 de Guarulhos. Ele chega em uma viatura caracterizada da Polícia Federal na parte de trás, no famoso chiqueirinho, como chamam no jargão policial. Ele chega aqui no presídio de Guarulhos, no CDP2, onde vai permanecer pelo menos até o fim das decisões do Supremo Tribunal Federal.

a segunda turma do STF, que vai continuar julgando esse caso e deve, pelas próximas semanas, até o fim de março, ter a resolução do caso. Bora com a relatoria do ministro André Mendonça. E no caso, então, sei que aqui na Jovem Pan, desde amanhã a gente comenta esse caso, todas as informações já foram trazidas, mas um breve resumo, caniato. Hoje foi, então, trazida a Operação Compliance Zero na terceira fase, essa fase que não investigava necessariamente

as fraudes bancárias de Daniel Vorcaro, fraudes milionárias, cujo essa investigação acontece desde o fim do ano passado. Hoje a investigação apontava um outro crime, o crime de ameaça que o banqueiro poderia estar cometendo. Informações apontaram que tanto Daniel Vorcaro como outras pessoas ligadas, o cunhado dele, Luciano Zeta, mas também outras pessoas presas. Hoje, no caso, o Luiz Felipe Mourão tinha como apelido sicário. Ele que seria, num jargão popular,

até como vulgo dele, o matador de aluguel da gangue, já que sicário em espanhol significa matador de aluguel, assim como o policial federal Marilson Roseno da Silva, também presos na operação de hoje, sicário que foi preso em Belo Horizonte. Essas informações apontavam ameaças a pessoas que seriam consideradas rivais ou adversários de Daniel Vorcaro, que estariam vazando informações referentes ao Banco Master, jornalistas, como o caso do jornalista Lauro Jardim,

ameaças claras que foram tidas por informações da Polícia Federal, graças a essa investigação de ameaça e que não constava nos autos das outras investigações da Polícia Federal, em outras operações, agora Daniel Vorcaro então foi preso novamente. Esse presídio dá pra dizer que já é conhecido do banqueiro, viu Caniato? Isso porque em novembro ele passou 11 dias preso aqui, até ter o regime mudado pra liberdade provisória, mas com tornozeleira eletrônica, ele que estava na casa dele, com medidas cautelares aqui em São Paulo,

A defesa de Daniel Vorcaro, assim como a defesa de Fabiano Zettel, ele que se entregou hoje à sede da Polícia Federal, negam quaisquer cometimentos de crimes de ameaças ou de violências. Daniel Vorcaro diz por meio da defesa que jamais teria, de uma certa forma, ameaçado jornalistas ou tentando omitir informações. Disse que se em algum momento se estressou, foi apenas em tom de desabafo.

das autoridades e vai continuar estando. Mas a gente lembra, Caniato, que no ano passado, preso em novembro, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para um voo à Europa. Na visão da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal na época, era uma clara tentativa de fuga durante as investigações. Ele preso naquela época, teve depois a liberdade provisória concedida e agora preso novamente. Permanece aqui, meu amigo, no CDP2 de Guarulhos, pelo menos até a segunda turma do STF, relatado pelo ministro André Mendonça,

terminarem essa investigação, esse julgamento que vai definir o que vai acontecer com Daniel Vorcaro e os outros integrantes desse grupo, cujas informações apontavam que eles se autodenominavam de A Turma. Caniato? Isso, a gente vai seguir acompanhando. O Matheus está lá em Guarulhos, do lado do CDP2. Qualquer novidade, viu, Matheus? Prioridade pra você. Bom, a gente segue aqui com os nossos comentaristas, mas agora, neste momento, eu preciso me despedir de parte da rede que ficará agora com a sua

local. Mas eu sigo aqui nas demais plataformas com os nossos comentaristas, enfim, o Matheus Dias traz uma informação importante sobre a atuação desse outro núcleo de atuação criminosa do Banco Master, inclusive um monitoramento de adversários, jornalistas e também uma atuação de obstrução de justiça. E aí, nas redações de jornalismo, acabou rodando um trecho do documento da Polícia Federal em que trata

essa conversa entre Daniel Vorcaro e essa figura, o tal matador de aluguel, né? Essa figura de sobrenome Mourão. E aí, deixa eu até passar pro Bruno Musa. Musa, em dado momento, o capanga de Daniel Vorcaro. Esse Lauro bate cartão todo domingo, hein? Lança uma nova sua? Daniel Vorcaro, sim. O capanga, cara escroto. Tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar ele. E aí, lá na frente, falam até na possibilidade

uma situação para bater no Lauro Jardim, inclusive quebrar os dentes. Uma situação muito delicada e isso deve agravar ainda mais a situação de Daniel Vorcaro, não, Musa? Caniato, se você tivesse, se nós estivéssemos falando de outra matéria, por exemplo, de um crime organizado e você estivesse lendo essas mesmas, a mesma forma como está escrito, talvez não tivesse diferença nenhuma. Ou seja, nós estamos falando de um banqueiro que era uma pessoa que esbanjava tudo, essa vida na babesca e assumiu

indo forjar um assalto para quebrar os dentes de um jornalista que era chamado de escroto porque ele noticiava as falcatruas que estavam acontecendo. Veja realmente toda a inversão que a gente vê nesse caso. Nós vimos outra frase dele a respeito de uma funcionária do grupo em que ele falava, abre aspas, vamos moer essa vagabunda.

não é simplesmente alguém que praticou um ato aqui. Não, nós estamos falando realmente de uma organização que, como nós falamos no primeiro tema, era uma organização criminosa que passava por uma organização criminosa também cibernética. Podemos falar disso depois. Eu passei um pouco por isso. E a gente entender que há uma quadrilha gigantesca por trás que ameaçava pessoas da sua própria liberdade de exercer o direito de profissão.

Ou seja, de noticiar alguma coisa. E aqui vale muito do que a gente veio defendendo nos últimos anos. Que aqueles que achavam que o Brasil tem uma liberdade completa de expressão, liberdade completa de se posicionar, isso volta contra essas pessoas, porque não há. E no sentido não é por conta do juiz A ou juiz B. Nós estamos falando de uma organização agora que estava ameaçando a pessoa de fingir ou de forjar um assalto

porque ele estava descobrindo coisas do banco, que tem grande parte da República envolvida. Como ele mesmo falou, metade da República cai. Então, é uma prática criminosa por completo. É uma estrutura criminosa que precisa ser dissolvida e volto sempre nesse tema. Não foi um roubo de celular, gente. São 50 bilhões de reais com o Fundo Garantidor de Crédito. E esse valor ultrapassa talvez os 100 bilhões se envolvermos todos os fundos de previdência,

tudo que passou pelos fundos da REAG, de lavagem de dinheiro, enfim, é uma organização criminosa que atuou de maneira muito rápida no Brasil, cresceu muito rápida, comprou o Meia República, como falou, e agora a gente vê ameaças explícitas dessas pessoas. Então, eu espero que o Brasil seja um pouquinho mais sério do que vem sendo nos últimos anos e siga com esse caso.

uma conversa entre Daniel Vorcaro e uma pessoa que trabalhava para ele, em que eles mencionam a possibilidade de forjarem um assalto para agredirem um jornalista que publicava reportagens ou textos questionando a atuação do Banco Master ou até divulgando informações ou indícios de fraudes na gestão do Banco Master. Em dado momento, Daniel Vorcaro envia uma mensagem via WhatsApp para essa figura.

dele, esse Lauro quero mandar dar um pau nele, quero quebrar todos os dentes, num assalto, e aí o Capanga coloca um joia, um sinal de positivo, e aí o Capanga responde, estamos em cima de todos os links negativos, os links das notícias, que o Lauro Jardim publicava, vamos derrubar todos, querendo dizer que eles conseguiriam de alguma maneira retirar do ar aqueles links, e vamos soltar positivos, enfim, e aí eles seguem aqui nessa

e aí o Capanga, respondendo aquela ideia de Mourão de bater em Lau Jardim, ele perguntou, pode? Interrogação. Vou olhar isso. Depois, mais tarde, ele responde, sim. Dávila, para além de um gestor pouco ortodoxo de questões financeiras ou de administração de empresas, isso, na verdade, parece um diálogo de um mafioso, não?

Era uma organização mafiosa, que utilizava as duas estratégias comuns em máfia. Ou seduz, comprando, aliciando, oferecendo benefícios, ou ameaça. É assim que a máfia funciona. E no caso de Vorcar é igual. Ou tenta se seduzir, esparramar dinheiro, festas, jatinhos, e aí co-opta pessoas do sistema.

retratar a realidade, são ameaçadas, intimidadas, para que não possam fazer o seu trabalho. Trata-se de uma organização mafiosa, é isso que é, no fundo. Apenas tem uma fachada de banco. Por isso, essa investigação tem que continuar. E hoje, ela está em boas mãos. O ministro André Mendonça está tratando com a seriedade devida. Agora, ele precisa se cuidar,

mira desse mafioso. Pois é, e há informações também da possibilidade de pagamento de cachês ou de vantagens a sites, né? Blogs menores, mas que tratavam de política que em algum momento publicaram notícias que beneficiavam o Banco Master. Você, Mota, quais aspectos dessa informação, dessa faceta da atuação do Banco Master lhe chama atenção? Que é preciso considerar a partir dessas ameaças ou a

de agredir um jornalista que publicava coisas negativas sobre o banco. É assustador. Como eu disse no meu outro comentário, é a mistura de um gabinete do ódio com uma verdadeira milícia digital. Ameaçando agredir um jornalista e tendo acesso a sistemas confidenciais. A gente viu esse tipo de coisa gerando consequências gravíssimas. Hackear,

sistemas do Estado. É lógico, a gente precisa aguardar o avanço das investigações. Mas pelo que foi divulgado, parece que esse esquema do Banco Master tinha pelo menos três braços importantes. Um cuidava da corrupção de autoridades e servidores, outro era um serviço de inteligência. Fazia levantamento de informações, monitoramento sobre quem está dizendo o quê, e o outro ameaçava,

críticos, opositores e parece até que funcionários do próprio banqueiro foram alvo de ameaças. Isso é um panorama de uma organização mafiosa que operou durante muito tempo debaixo das vistas do Estado brasileiro. Inclusive, tudo indica que operava com a ajuda direta ou indireta de braços do próprio Estado. Agora, o mais assustador, Caniato, o mais assustador não,

assustadores, é que parece que o banqueiro também comprou matérias favoráveis a ele na mídia. E pelas informações que eu vi aqui, o banqueiro comprou essas matérias. Depois que as matérias eram publicadas, a consultoria jurídica, os advogados do banqueiro usavam essas matérias publicadas pela imprensa, pagas pelo banqueiro, como argumento em ações judiciais, pedindo decisões

favoráveis ao banqueiro. Ou seja, é o cachorro correndo atrás do próprio rabo. É um ciclo vicioso aí em que você compra cobertura favorável e usa essa cobertura pra justificar decisões judiciais ao seu favor. Vamos pegar essa peça do quebra-cabeça que apareceu hoje e encaixá-la nas outras peças que a gente já conhece. E o panorama que vai

se formando, é cada vez mais assustador. Pois é, inclusive, lá o Jardim, que é um jornalista bem conhecido, trabalhando no jornal O Globo, ele fez uma série de publicações a respeito de detalhes da administração do Banco Master, também a vida peculiar do banqueiro, aquelas informações que nós até chegamos a tratar, a viagem a Trancoso, ou os gastos dele em um bar aqui no bairro dos Jardins, em São Paulo,

que teria sido comprado por uma amiga, uma namorada de Daniel Vorcaro. Muitas dessas informações foram publicadas inicialmente na coluna de Lauro Jardim. Agora, Bruno, eu queria que você discorresse um pouco sobre a maneira como o Daniel Vorcaro atuava nos bastidores para, de alguma maneira, dar legitimidade à sua atuação como o cabeça do Banco Master. Porque você, por diversas vezes,

Chegou a mencionar aqui no nosso programa que havia uma desconfiança entre as pessoas que trabalham nos bancos maiores, principalmente nas corretoras que oferecem fundos de outros bancos. Havia uma certa desconfiança que tinha alguma coisa de errado. Parecia impossível o banco ter solidez e conseguir oferecer um CDB que pagasse tão mais do que os demais bancos. Isso é uma coisa.

a comparação do banqueiro com o chefe de uma máfia. Se sabia, se comentava isso nos bastidores do mercado, entre vocês que atuam em corretoras, em consultorias? Não, de forma alguma. Com essa extensão, de forma alguma. Vamos lá, você descreveu muito bem a forma como ele atuava na parte técnica da coisa. Oferecia taxas de juros mais altas. Ao mesmo tempo, para aqueles produtos que não iam para o mercado de investimento convencional, como CDB, LCA e LCA,

como nós vimos, Rio Previdência, Amapá, Conchal, aqui uma cidade de 25 mil habitantes no interior de São Paulo, enfim, e várias outras que ele captava os fundos de pensão e girava o dinheiro lá dentro. Para as pessoas físicas do varejo, o CDB, que é o mais conhecido, como você muito bem falou, ele amparava em uma instituição que tem legitimidade, que é o Fundo Garantidor de Crédito, ou seja, ele repassou o custo aos bancos grandes, que são os que mais, pela regra do FGC, contribuem com a geração de caixa do próprio fundo.

que é um fundo privado. Esse é o primeiro ponto. Então, gerou-se ali uma suspeita. Poxa, mas pera lá. Se você tem um custo de capital tão alto no Brasil, impostos altíssimos, custo de distribuição tão alto, como é que esse banco consegue oferecer produtos que rentabilizam tão a mais do que os seus pares concorrentes quando nós conhecemos esse custo de captação, custo de distribuição e tudo mais? Algo não fecha a conta. Parava por aí e discutia-se. O que está acontecendo?

Algo estranho tem. Afinal de contas, não é o primeiro banco que fazia isso. Vamos lembrar, eu lembrei já em vários outros casos, por exemplo, o BVA, que aconteceu ali em 2009, 2010, 2011. Por outro lado, a gente poderia imaginar que havia algo muito estranho, mas jamais imaginar que se tornaria, de repente, o maior escândalo da República Brasileira nos últimos anos. Isso significa que a forma como ele dava legitimidade para isso é mais ou menos como nós vimos já.

que se transformaram em filmes. O Dávila mencionou o Epstein, por exemplo, que tinha, não estou comparando os crimes que um e outro estão sendo, um foi condenado e o outro agora também está sendo. Não, mas a forma, a comprar pessoas à sua volta, mostrar para a sociedade que você é uma pessoa muito bem sucedida, que transita com os melhores nomes, que transita com as melhores instituições, participava de fóruns, organizava, financiava os principais fóruns,

para vários lugares, Londres, Lisboa, Nova York, pagava hotéis para eles, como está na grande mídia colocado, aglomerava os principais empresários do Brasil numa sala para fazer um evento realmente estrondoso que era colocado para todo o Brasil em meios de comunicação, festas glamurosas, enfim, tudo isso que dá legitimidade falando quem é essa nova celebridade que, pelo visto, tem uma altíssima capacidade financeira? Ah, é o novo banqueiro, portanto, o Banco

dele passa algum tipo de confiança. Essa, na minha opinião, era o que ele dava legitimidade. Mas eu acho que ele passou muito do ponto e, obviamente, quando você compra muita gente, a coisa começa a degringolar. Afinal de contas, você começa a ficar numa estrutura extremamente cara e cada vez precisa de mais capital pra financiar esse castelo de carta. Quando um cai, a coisa começa a desmoronar. E aí, estamos hoje no dia 4 de março.

Tá certo. A gente vai seguir acompanhando qualquer novidade, qualquer atualização,

Sobre o caso do Banco Master, a gente traz aqui, discute e analisa com os nossos comentaristas. O relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar, ele fez críticas à anulação da quebra de sigilo bancário e fiscal da empresária Roberta Luxinger, feito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Ele acredita que essa decisão deverá abrir precedentes que podem levar até mesmo à anulação da quebra de sigilo de Fábio Luiz Lula da Silva,

conhecido como Lulinha. Ontem, o líder do Congresso, Davi Alcolumbre, ele rejeitou o pedido feito pela base governista e manteve essa investigação. Nesse sentido, a defesa de Lulinha já protocolou no judiciário o pedido de suspensão da quebra de sigilos. Começa essa com o Luiz Felipe Dávila. Você Dávila, decisão tomada pelo ministro da Suprema Corte e o entendimento de alguns que isso poderia abrir um precedente, abrir margem para que

o filho do presidente também solicite a suspensão da quebra de sigilo. Vai que... Nós já vimos esse filme antes, Caniato. Descobrir firulas jurídicas para anular provas e encobertar crimes cometidos no país. Nós já vimos esse filme antes. E desta vez, coincidentemente, trata-se do filho do presidente da República que está sendo recebido com muito boa vontade

por um ex-ministro do governo, que agora é ministro do Supremo. Tudo isso mostra a que grau chegou a, vamos dizer com sutileza, que grau chegou a degeneração institucional no Brasil. Um poder não respeita mais o outro. E tudo é motivo para se levar ao Supremo e tentar, ali, ser não o cumpridor da Constituição, mas o abafador,

de casos que incomodam a República. Pois é, essa é uma notícia que inclusive repercutiu bastante o ministro da Suprema Corte suspendendo a quebra de sigilo de uma figura muito próxima. E muitos veículos chamam de amiga de Lulinha, que tinha sido aprovada inclusive pela CPI do INSS. E o temor é que isso abra um precedente para que a defesa de Lulinha também solicite a suspensão da quebra de sigilo. Como disse o Davi,

Mota, não seria nenhum absurdo, né? Afinal, já vimos coisas parecidas acontecerem. Não, não é nenhum absurdo. Nunca foi fácil pro cidadão leigo entender certas decisões judiciais. A gente tem que admitir isso. Isso é normal e acontece em todos os países. Agora, a situação aqui do Brasil, ela pertence a uma categoria completamente diferente. Porque aqui há decisões judiciais que não só fogem a lógica, mas também não

guardo nenhuma conexão com outras decisões anteriores tomadas em contextos similares. Ou seja, o precedente não quer dizer nada. O que se pode dizer sobre essas decisões é que geralmente há sempre um fator em comum, que é a ideia da supremacia da Corte Suprema sobre os outros dois poderes. Ou seja, a Corte Suprema é sempre quem tem a última palavra sobre

qualquer assunto. E quando você soma isso ao ativismo judicial, ativismo judicial é quando os magistrados acham que cabe a eles fazer políticas públicas. Então, se eu acho que deveria existir uma lei sobre alguma coisa e não existe, então eu vou tomar uma decisão com caráter de lei. Quando você soma essas duas coisas, o resultado é uma insegurança jurídica de grau

tão elevado que ela torna quase impossível uma vida normal nesse país. Pois é, qual é a justificativa para a suspensão da quebra de sigilo da amiga de Luguinha? O ministro Musa disse que a CPI acabou aprovando 87 requerimentos sem a fundamentação individualizada. Ou seja, tratando de algo bem específico do regimento,

do Congresso Nacional, ou seja, é o detalhe do detalhe do detalhe, porque muitas vezes a aprovação acontece em bloco, né? Bom, eles vão aprovar os 87 requerimentos, se ninguém tiver nada contra essa aprovação, permaneçam como estão. Se ninguém falar nada, aí o presidente da comissão fala, aprovado. E aí o que o ministro diz? Bom, teria que ser feita a leitura de requerimento por requerimento, 87,

para o requerimento e aí faria abertura para que cada integrante da comissão fizesse a sua manifestação. Ou seja, eu fico imaginando, tem o regimento e aí os parlamentares, os congressistas, presumo, devem respeitar o regimento, as regras para a realização daquela comissão. Mas aí houve a judicialização e o entendimento do representante do judiciário de que não houve respeito à legislação. A análise deveria ser feita de maneira

detalhada, requerimento por requerimento. É aquela história da vírgula, né, Musa? A história da vírgula é a história do vamos dificultar ao máximo para que isso não aconteça da forma como nós não queremos, que sai exatamente como busca os detentores desse poder. Então, aqui, claramente, o que eu vejo é um choque entre os poderes, mas aqui a coisa começa a ficar bastante delicada, porque nós estamos falando de uma CPMI, você está falando de um legislativo,

que cada vez tem um poder maior por conta das emendas, que a gente já discutiu várias vezes aqui, outra obscenidade no Brasil com mais de 60 bilhões de reais. Ao mesmo tempo, é um Senado que é o único que pode pautar impeachment de juízes da Suprema Corte e esse judiciário peitando e batendo de frente agora com o Legislativo que, supostamente, é o representante do povo lá dentro e não decisões monocráticas,

principalmente aquelas que dificultam, burocratizam todo um processo para que saiam exatamente como eles querem e dificultem que as informações sejam públicas, né? E haja cada vez mais pressão em um judiciário onde realmente a população não tem como estar favorável. E aí as narrativas começam, ah, o judiciário não tem uma boa imagem porque determinada mídia ou a extrema-direita, enfim, aquele jogo que a gente consegue ver claramente cada dia,

que trabalham no espelho para perceber que a responsabilidade está dentro deles mesmo. Então, essas pequenas manobras que se tornam gigantes são aquelas coisas inesperadas de Brasil que tornam tão grande a insegurança jurídica que nós vivemos aqui. Afinal de contas, dá a impressão que toda e qualquer decisão que seja tomada abre uma margem para pensar espera um pouco. A gente pode ter uma decisão completamente contrária de alguém que a gente não está nem imaginando

imaginar vir. E essas pessoas surgem do absolutamente nada, com ideias tão estapafúrdias, fora de uma regra, que mudam por completo o jogo. Agora, imagina você tomar decisões de mais longo prazo num país desse. E aí, a gente vive nessa completa insegurança jurídica. Pois é, e aí, assim, pro grande público, Davila, aquele que não é bacharel em direito, ou aquele que não tem uma formação que deu a ele informações em relação ao trâmite,

no Legislativo Federal, qual é a impressão que fica? Que, assim, muitas cartas estariam sendo usadas pra evitar que o filho do presidente seja exposto. E aí aquela história que lá atrás vocês disseram, não sobre esse caso, mas eu poderia tratar disso também aqui. Pode parecer pra muita gente que estamos caminhando pra um processo de pizza, sabe aquela história? Poxa, os parlamentares se envolveram numa briga, numa briga, numa sessão, teve um barraco terrível, soco na

empurrão. Isso é uma coisa horrível. Uma imagem que não combina com uma sessão no Congresso Nacional ou não deveria combinar. Agora, uma situação que dá a impressão para boa parte do público, da nossa audiência, de que isso acontece para proteger lá na frente também essa figura. E aí começa-se a desenhar um cenário que no Brasil é muito comum. Será que isso vai dar em pista? Muita gente se pergunta.

Vai dar em pizza, nós já sabemos, por uma razão muito simples. O que a nossa audiência precisa saber é o seguinte, a Constituição brasileira tem que ser encarada com o rigor dos seus valores e princípios. A função de um juiz é interpretar a Constituição, é fazer cumprir o que está na Constituição. E toda Constituição, em todos os países democráticos, ela tem um papel fundamental, Caniato, que é justo,

limitar o poder do Estado. Dizer que o Estado pode fazer isso, mas não pode fazer aquilo. Por que isso existe nas democracias? Justamente pra preservar o maior grau de liberdade possível ao cidadão, aos indivíduos, pra que cada um tome a decisão que acha melhor pra ele. O Estado tem que se conter a limitar o seu poder de acordo com o que diz a Constituição. Quando no Brasil você deixa de respeitar

rigorosamente o que está na Constituição e começa a interpretar a Constituição de acordo com a sua visão ideológica, sua preferência política, seu voluntarismo pessoal, o direito entra no campo do que nós chamamos da subjetividade. E essa subjetividade, o Mota, que é o nosso engenheiro do time, sabe disso. Cada dia ela diverge um grau.

é de muitos graus. É isso que está acontecendo no Brasil. E quando isso acontece, a lei perde o sentido e a única coisa que faz sentido é a interpretação individual do juiz sobre o que é justo, o que é injusto, o que é verdade, o que é mentira. E isto gera insegurança jurídica, imprevisibilidade das regras do jogo e impunidade. Esse é o estado lamentável que o Brasil se encontra hoje.

porque aqueles que deveriam zelar pela lei esqueceram a lei e passaram a fazer uma leitura da lei de acordo com a sua ideologia e suas preferências políticas. A imprensa foi condescendente com isso durante muito tempo. Felizmente, agora parece que abriu os olhos. Parece São Paulo no caminho de Damasco. Caiu as escamas do olho e agora estou enxergando as coisas como elas são. Então, isto é uma sociedade que durante muito tempo

e esses abusos se tornaram o novo normal. Por isso, é hora de retomarmos a rédea, a consciência, o senso crítico e resgatar esse espírito da Constituição. Caso contrário, o Brasil vai entrar numa encrenca que nós, há muitos anos, não vimos. Tem vários assuntos importantes ainda nesta edição de Os Pingos nos Is. Faremos um rápido intervalo, muito rápido mesmo, um minuto e vinte. Eu conto com você.

aí, até já.

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Os Pingos nos Is. Jovem Pan. Estamos de volta com o programa Os Pingos nos Is. Inclusive, se você puder, vote na nossa enquete do dia no portal da Jovem Pan e também no canal do programa no YouTube. Conto com você, daqui a pouco a gente traz o resultado. Após pressão do governo e acordo com Hugo Mota, a Câmara vota hoje a PEC da Segurança Pública, mas sem a redução da maioridade penal. Para convencer o relator, deputado Mendonça Filho,

Segundo Mendonça, a redução da maioridade seria aprovada facilmente na Câmara, apesar da reclamação dos parlamentares da esquerda. Vamos trazer os nossos comentaristas para entender um pouco dessa votação. A PEC da Segurança Pública, várias mudanças, várias alterações foram promovidas ao longo desse processo legislativo durante a tramitação.

Recebendo a rede Jovem Pan, todos conectados aqui em Os Pingos nos Is, a PEC da Segurança Pública deverá ser votada em breve e o governo conseguiu barrar a votação de um item que tratava da redução da maioridade penal. Apesar do relator ter mencionado para o presidente da Câmara que isso passaria tranquilamente, que há inclusive maioria para promover essa mudança.

a PEC da Segurança, muitos ajustes que foram promovidos pelo relator Mendonça Filho. Né, Marta? Você gostou do resultado até aqui dessa proposta de emenda à Constituição? Esse trabalho feito pelo relator Mendonça Filho é a melhor notícia que nós recebemos do Estado brasileiro em muitas décadas. Esse texto, originalmente, ele era chamado de PEC da Segurança Pública, um texto horroroso,

que foi apresentado pelo ex-ministro Lewandowski em agosto do ano passado. Esse texto foi totalmente reformado. Inclusive mudou de nome da PEC da Segurança Pública, ele virou a PEC da Reforma da Segurança, que é uma reivindicação de quem trabalha com o combate ao crime no Brasil há muito tempo. Há inúmeras inovações, por exemplo, essa PEC agora cria um regime especial

contra o crime organizado e contra o criminoso violento. O criminoso que usa de violência, a partir dessa PEC, ele será tratado de uma forma diferente. Então, por exemplo, é o caso do ladrão que vai roubar um celular, mas ele mata a vítima. A partir de agora, esse texto, se aprovado, presta atenção nisso, no tamanho dessa vitória.

pena pra esses crimes. Então, o sujeito que matou pra roubar o celular não vai ter mais direito ao absurdo do regime semiaberto, ao regime aberto, é cadeia por toda a sentença. Isso é um progresso gigantesco. Esse novo texto também, entre outras coisas, autoriza o cumprimento da pena em presídio de segurança máxima desde a prisão provisória, antes mesmo da sentença

Em definitiva, ele também amplia as hipóteses de apreensão de bens do crime, mas acima de tudo, Caniato, e aqui está a grande mudança que nós todos hoje, todos os brasileiros, nós estamos tão cansados desses absurdos todos que a gente vê todos os dias, mas hoje, hoje, o brasileiro pode ir dormir, se sentindo um pouco melhor,

homens públicos que entendem o que está acontecendo no Brasil e o texto dessa PEC, totalmente modificado, introduz na justiça o conceito de direito das vítimas e direito da sociedade à proteção. Isso vai ser introduzido no artigo quinto da Constituição, aquele que fala sobre os direitos fundamentais. Pela primeira vez explicitamente em uma legislação, em uma emenda

constitucional, o direito das vítimas à justiça e o direito da sociedade à proteção, eles vão ser contrapostos ao direito dos criminosos, que até hoje era o único foco do sistema de justiça do Brasil. Pois é, eu estou inclusive olhando aqui no meu monitor o sinal da TV Câmara, os deputados na tribuna trazendo informações, criticando ou sugerindo alterações

porque teve, mais ou menos há uma hora, a leitura do relatório, os deputados apresentando, enfim, teses, argumentos e sugestões para algumas alterações no texto. E agora os deputados aprovaram um requerimento para finalizar justamente a discussão dessa pauta. Deixa eu passar para o Dávila, porque o Dávila também, no programa dele, de entrevistas aqui da Jovem Pan, chegou a conversar com o Mendonça Filho, não foi o Dávila.

Enfim, a principal notícia, aquilo que ganhou as manchetes, foi a retirada da redução da maioridade penal. Isso diminui a importância do texto, Dávila?

E aí também merece não só o aplauso o relator da matéria, deputado Mendonça Filho, mas o trabalho que ele fez para costurar este texto final que irá à votação. Quanto à maioridade penal, às vezes, Caniato, é preciso bancar o blefe, porque eu duvido que no ano eleitoral alguém vai se opor a essa medida, tanto na Câmara quanto no Senado. Se tem uma hora que vale a pena correr um risco,

Para aprovar esta matéria da maioridade penal, este momento é agora. Véspera de eleição, um povo cansado do número de homicídios, roubos e furtos que existem no país e apoiando o endurecimento de pena, como aconteceu com esta PEC da Segurança Pública. Por isso, a medida de Mendonça Filho é extraordinária para aqueles que defendem penas mais rigorosas.

Mas, ao meu ver, deveriam ter mantido esta maioridade penal para votar na Câmara porque eu tenho certeza que ela não seria derrubada no Senado. Principalmente por se tratar de ano eleitoral e se tratar de um assunto que hoje é um dos prioritários na visão do brasileiro. Antes de passar para o Musa, só para ratificar essa informação.

poderia inviabilizar o avanço dessa PEC. Porque na visão dele, o Senado poderia rejeitar e aí a proposta não conseguiria avançar. O seu palpite vai na contramão. Você acha que o Senado aprovaria justamente para o Senado Eleitoral? Porque isso está no imaginário da população. É preciso fazer alguma coisa? É isso? Exatamente. Eu acho que o Senado aprovaria e não derrubaria como o presidente da Câmara vem cogitando. Pois é.

Inclusive trouxemos ontem um caso escabroso, quatro jovens, maiores de idade, mais um adolescente, participaram de um ato terrível, violência sexual contra uma garota, uma adolescente de 17 anos. Enfim, há inúmeros casos que poderiam ser usados como exemplo, debatidos e trazidos em uma análise e reflexão por parte dos congressistas.

quais são suas impressões, também olhando para essa retirada, né? Defendida a redução da maioridade penal. A gente já vem falando dela aqui bastante tempo, né, Caniato? Tivemos a oportunidade, inclusive, de falar com o Guilherme de Ritchie a respeito de pautas importantes e do avanço que ela teve com relação àquele primeiro desenho que foi e que era desenhar, que era defendido pelo próprio governo, onde centralizava muito ali na mão deles, obviamente, com o meu próprio DNA do executivo e do próprio partido hoje,

que comanda o executivo, o PT. Então tivemos um avanço importante, hoje é uma das grandes pautas que conduzem o debate público no Brasil. É impossível você sair nas ruas das grandes capitais e não vir as pessoas falando a respeito disso, a respeito da violência. Cenas que tomaram conta do nosso cotidiano, que chegam a ser impressionantes, mas nós simplesmente normalizamos. Ontem, por exemplo, eu estava andando ali pela Juscelino Kubitschek, onde fica o meu escritório, eu encontrei um amigo, de longe eu vi ele entrou num bar.

nada no bar, ele tava respondendo uma mensagem, eu olhei pra ele e falei, ei, o que você tá fazendo? Respondendo a mensagem, aí me cumprimentou, colocou no bolso, saiu andando, ou seja, nós naturalizamos que não se tira mais o celular do bolso numa zona onde as pessoas são pegas eventualmente, um em cada cem são pegos quando roubam o celular, mas em cinco minutos essa pessoa tá na rua. Isso casos simples, entre aspas, tivemos o caso muito bem colocado, escabroso, como você falou, do abuso a respeito da

adolescente ontem, que eu acho que podemos dizer assim, né? Então eu acho um tema extremamente sensível que eu já não tenho tanta convicção e nesse ponto não sou otimista como o Dávila, que o Senado não derrubaria isso uma vez que fica muito claro que ele tem ali certos conchavos com o próprio governo. Mas eu acho que é uma narrativa muito ruim para o governo não defender esse tipo de coisa quando é a principal pauta nas eleições para 2026. Está na boca do povo, as pessoas

estão sentindo, nós sentimos isso no dia a dia aqui no Brasil, em qualquer uma das capitais, então eu acho que o governo não defender isso é realmente uma bola que joga contra eles mesmos. Deixa eu trazer aqui algumas manifestações, inclusive eu não vou mencionar o parlamentar, mas eu vou passar o tema pro Mota, porque há um entendimento de, entre alguns parlamentares da esquerda, Mota, que seria uma decisão negativa autorizar a criação das polícias

municipais. Teve, inclusive, um parlamentar do Rio de Janeiro que disse que teme que a criação dessas polícias saia do controle. E aí eu abro aspas pra esse parlamentar. Lembra um pouco a Guarda Municipal do Brasil Império, em que cada coronel e fazendeiro tinha sua trupe pra assassinar e matar. Fecho aspas. Enfim, é uma distorção de uma discussão que vem acontecendo já há bastante tempo no Congresso Nacional de permitir que os municípios tenham também uma força policial,

para ajudar no enfrentamento à criminalidade. Por que causa tanto incômodo para alguns a possibilidade de uma cidade ter a sua própria polícia, hein, Mota? Por duas razões. A primeira é uma razão ideológica e isso não faz parte da cestinha ideológica deles. Então, quando eles comparecem lá à sede do partido para receber a cestinha de ideologia deles, está lá, olha, tem que defender o aborto, você tem que dizer que o criminoso é vítima da sociedade,

E sempre que possível, critique a polícia. Faça a equivalência entre criminosos e polícia. Então, o que acontece com eles, primeiro a questão ideológica, depois uma profunda ignorância. Porque é lógico que, para qualquer força policial, existe um desafio da gestão e do controle. É óbvio, isso se aplica a qualquer força policial.

muito curiosa, Caniato, porque durante muito tempo nós defendemos isso aqui no Brasil. O modelo mais eficiente de polícia é o municipal, é o que existe nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos existem 16 mil forças policiais, mas aquele policial que a gente está acostumado a ver nos filmes, aquela roupa azul, é um policial municipal. A polícia de Nova York, ela é municipal, ela responde ao prefeito de Nova York. As polícias estaduais, é o que se chama de State Troopers,

são aquelas que você vê nas rodovias, quando às vezes você é parado por excesso de velocidade, e é uma polícia que é especializada. Também tem polícias federais. Mas a polícia municipal é a essência da polícia cidadã. Existem diversas barreiras culturais, legais no Brasil, que foram colocadas ao longo do tempo, que tornam a discussão desse assunto muito difícil. Mas já se está evoluindo muito.

O texto original da PEC da Segurança Pública, mal fadada, PEC da Segurança Pública, o texto que foi enviado pelo governo, ele previa a possibilidade de que as guardas municipais fossem chamadas de polícia municipal. Ora, aí você vai perguntar, mas Mota não faz sentido, né? Os políticos de esquerda criticando isso, e o governo colocou isso na PEC. Bom, as pessoas que eu considero importantes nesse debate me dizem que isso foi uma pegadinha.

que o governo colocou lá, para provocar um conflito com as polícias militares. Então, você permite que a polícia municipal seja chamada, que a guarda municipal seja chamada de polícia e trabalha para criar um conflito com a polícia militar. Todo mundo sabe que a esquerda odeia a polícia militar. Uma das bandeiras da esquerda é a desmilitarização da polícia militar, porque a hierarquia militar

É uma vacina contra a infiltração ideológica. E aí, o que acontece? Mais um ponto para o trabalho do relator Mendonça Filho, que está fazendo um trabalho de verdadeiro estadista. Essa possibilidade das guardas virarem polícia municipal está mantida no texto do relator Mendonça Filho, mas com a obrigatoriedade de ser realizado

modelo de pactuação entre a Polícia Municipal e a Polícia Militar, para que cada um fique na sua área de atuação. Então, foi retirado do texto esse cavalo de Troia que a esquerda tinha colocado para usar a Polícia Municipal como uma forma de enfraquecer as polícias militares. Mais uma vez, elogio para o deputado Mendonça Filhos,

todo mundo com quem eu conversei, Caniato, o relator, deputado Mendonça Filho, fez um trabalho brilhante, mostrou que é um bom negociador, que sabe negociar sob pressão, que sabe conversar com o governo sobre esse assunto, sabe compor, recuar e está conseguindo, com a aprovação dessa PEC agora, um feito histórico para a segurança pública do país. Pois é, uma rápida parada para você que nos acompanha pela rede.

Seguimos aqui com os nossos comentaristas. Deixa eu passar para o Bruno Musa, porque é preciso também olhar para a situação que envolve a redução da maioridade penal, porque quando a gente fala disso aqui, é preciso olhar para vizinhos, para outros países, o que tem acontecido ao redor do planeta. Mas eu só quero, inclusive, Musa, antes de passar para você, que eu sei que é preciso, por exemplo, trazer para a nossa audiência o que aconteceu na Argentina, o que acontece em outros países. Você já mencionou aqui o exemplo da Suécia.

nossa, reduzir de 18 para 16, pô, na Suécia reduziram para 13, não estamos falando de qualquer crime, para alguns casos é preciso, não, na Suécia 13, na Argentina 14, então é preciso olhar para essas situações que acontecem em outros países. Agora eu quero, antes de passar para o Musa, trazer a aspas do Chico Alencar, deputado do PSOL do Rio de Janeiro, porque tem muito a ver com coisas que a gente debate e analisa aqui, e ele faz uma análise completamente distorcida daquilo

que muitos especialistas de segurança falam. Olha o que ele disse, abrindo aspas, o sistema penal e penitenciário tem sim o objetivo de ressocializar, embora hoje ele seja basicamente uma escola superior de criminalidade. Nós vemos com preocupação as restrições de institutos como progressão de regime e liberdade provisória. E aí ele disse que tem muita preocupação que as mudanças na PEC levem a um regime prisional muito rigoroso, como o de El Salvador.

Engraçado, porque está completamente na contramão do que os especialistas de segurança pública defendem, né Bruno Musa? E aí eu queria que você lembrasse também do que tem acontecido ao redor do mundo quando a gente fala de redução da maioridade penal.