Como Vorcaro invadiu sistemas da PF e da PGR e descobriu investigações sobre Master
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- Segurança OperacionalAcesso privilegiado ao sistema da Polícia Federal · Acesso a procedimentos da PGR · Compra de senhas de ex-escrivão · Phishing e engenharia social · Descoberta de inquérito sigiloso
- Fraudes em carteiras de crédito do BRBCarteiras vendidas ao Banco de Brasília · Inquéritos na Polícia Federal · Procedimentos na PGR · Investigações sigilosas
- Ministro Alexandre de MoraesContrato de 130 milhões de reais · Controle do inquérito de fake news · Influência sobre investigações
- CorrupçãoFuncionários do BC pagos · Comprometimento institucional · Primeiro caso desta magnitude no BC
- Violencia contra JornalistasAmeaças contra repórteres · Coação de profissionais · Adversários intimidados
- Combate à Desinformação e Fake NewsAmeaça de inclusion de sites · Sigilo e falta de transparência · Designação sem sorteio · Controle por Alexandre de Moraes
- Tecnologia e InovacaoNotícias pagas pelo Banco Master · Influenciadores contratados · Manipulação da informação · Cobertura favorável comprada
- Operações da PF e revelações recentesOperação contra Vorcaro · Novas frentes investigativas · Material apreendido · Investigação e Delação
- Pagamento a sites de notícias para cobertura favorávelNegociação com Diário do Centro do Mundo · Oferta de 50 mil reais · Silenciamento de críticas ao Master
- Ciberseguranca e Protecao DigitalEnvio de links maliciosos · Fake pages de troca de senha · Redirecionamento para software da quadrilha · Engenharia social
- Vazamento de DadosPublicação de inquérito sigiloso · Site de notícias recebendo informações · Tentativa de obstrução de justiça
- Tentativa de fuga e movimento de VorcaroReunião urgente com Banco Central · Saída precipitada · Indicativos de fuga planejada
Conversa de bastidor com Malu Gaspar. Pra você, Malu Gaspar. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia pra todos os nossos ouvintes. Bom dia, Malu. Hoje você resolveu vir até no formato vídeo, né? Pra conversar conosco. Até porque, Malu, esse caso do Vorcaro abriu uma série de novas frentes, né? E as revelações de ontem, me parece, ainda não foram totalmente absorvidas. Porque surgiram fatos estarecedores, informações,
que ainda precisam ser encaixadas dentro desse contexto. São tantos dados. Eu quero até que você me ajude aqui nesse momento a identificar o que você vê como importante nesse instante aqui, nessa curadoria que se faz em tudo aquilo que surgiu. É, Milton Cássio, a gente trabalhou bastante ontem para poder entender e destrinchar e, como você falou, hierarquizar tudo o que aconteceu, tudo o que a gente descobriu com essa operação.
de ontem, da terceira fase da Operação Compliance Zero. Você tem, por um lado, um esquema de intimidação de concorrentes, de funcionários, de adversários, de jornalistas, como a gente viu esse caso escabroso da ameaça ao nosso colega Lauro Jardim. Mas você também tem um ramo de corrupção com funcionários do Banco Central, que é uma coisa bastante séria e impressionante.
nunca tinha tido um caso assim dessa forma, então realmente espanta, porque é uma instituição que vinha sendo preservada desse tipo de lama ultimamente. A gente tem acessos ilegais com hackeamento de sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Banco Central, do Banco Central, desculpa, da Procuradoria Geral da República, até do FBI, e a gente tem ainda um ramo pouco explorado de altas autoridades,
que vão certamente surgir nesse caldo aí como possibilitadores dessa ação do Vorkar. Então, o que eu acho importante a gente... Ah, e tem também os jornalistas pagos pelo Vorkar para divulgar notícias do interesse dele. A gente falou muito há um tempo atrás aqui sobre o esquema de influenciadores, que também é citado pelo ministro André Mendonça, mas tem muita gente que difundiu notícias,
a favor do Volcaro e ataques ao jornalismo profissional, que hoje a gente sabe que eram pagas, estavam no bolso do Daniel Volcaro. Então, tudo isso forma um caldo, Milton, que eu classifico como mafioso mesmo. As máfias têm braços e elas pagam gente e elas se infiltram e tomam conta do Estado para poder continuar cometendo crimes. No geral, foi isso que a gente viu.
agindo como um grande mafioso contra o Estado, contra a mídia profissional, contra qualquer um que se interposesse no caminho dele. Mafiosos agem assim. E aí, para detalhar um pouco com as novidades que a gente está dando hoje no blog, foram várias matérias, a gente trabalhou muito para poder entregar o máximo que a gente conseguisse de clareza para quem está olhando para esse cenário
não consegue entender direito. Então, se nosso ouvinte quiser entender mais, vai lá o blog no site do Globo, tem muita matéria lá. Mas eu acho que tem dois destaques importantes para as pessoas entenderem não só as novidades, mas como que o Vocar operava. Então, primeiro é como que ele invadiu os sistemas da Polícia Federal e da PGR, do Ministério Público, e como isso ficou sabendo das investigações que o atingiu. Ele comprou,
Ele tinha uma das pessoas que foi presa ontem, um ex-escrivão da polícia, de sobrenome Rosendo, não estou me lembrando o primeiro nome dele agora, era um ex-escrivão da polícia que comprou senhas, funcionou como intermediário para comprar senhas de acesso, senhas exclusivas, privilegiadas de acesso aos sistemas da Polícia Federal, e com isso ele descobriu que havia um inquérito sigiloso sobre as fraudes
créditos vendidas ao BRB. O que eles fizeram com isso? Só um parênteses, o policial federal aposentado era o Marilson Roseno. Marilson Roseno. Exatamente, eu não lembrava o primeiro nome dele. Cássia, obrigada. O acesso à Polícia Federal foi feito assim e serviu para ele saber que tinha um inquérito contra ele. O acesso à PGR foi feito a partir de um esquema chamado Spare Phishing. Você envia por e-mail aleatórios a servidores que
tem e-mails na página do Ministério Público, e-mails conhecidos, você envia e-mails de troca de senha, com telas que vão cair diretamente num software da quadrilha, em que o cara não percebe que está se trocando, que aquilo é fake, é tudo feito para não deixar rastro, aí o servidor entra lá, troca a sua senha, fornece uma senha, e a partir daí também o Vocaro acessou dois procedimentos sigilosos,
do Ministério Público sobre o Banco Master, também em relação às fraudes nas carteiras vendidas para o BRB. Aí, o que ele fez com isso, Milton Cássia? Ele descobriu que o inquérito estava na vara federal de Brasília, só que para poder entrar com uma petição, um processo para tentar interromper a prisão dele, que era eminente, ele plantou mesmo num site de notícias,
essa informação, um site de notícias que, segundo a Polícia Federal, recebia dinheiro do Vorcário, eles botam ali prints com o dono do site, que é o Diego Scosteg, cobrando pagamentos ao Vorcário. E aí, essa notícia publicada, de posse da notícia, eles falam, olha, juiz, fiquei sabendo que meu inquérito está aí, quero dizer que não precisa me prender, que eu estou à disposição. Isso chamou a atenção da Polícia Federal, como eles tinham ficado sabendo desse caso.
havia todo um movimento ali do vocário de fazer uma reunião urgente com o Banco Central, com os dois chefes de supervisão que ele pagava também, e aí ele disse, vou viajar para Dubai, e saiu às pressas num movimento que a Polícia Federal entende como uma tentativa de fuga. Isso ainda está por ser 100% comprovado, mas os indícios são realmente muito fortes. E aí tem um outro ponto que eu acho importante, já que a gente está falando,
em altas autoridades, que emerge dos diálogos do Vorcário com o tal do Sicário, que era quem pagava essa gente toda, quem resolvia, operacionalizava todo esse método, que é uma mensagem trocada com ele sobre o pagamento a outro site de notícias, que é o Diário do Centro do Mundo, que fez realmente muitos ataques ao jornalismo profissional, depois que foram publicadas as informações do Alexandre de Moraes, mas que naquele momento
em negociação com o Volcaro para uma, entre aspas, parceria. O Volcaro ofereceu 50 mil reais para o site não falar mal dele, para não falar nada negativo sobre o Master. Aí o Sicário diz que o site pediu o dobro e enquanto eles estão ali naquela negociação, não sabem se vai fechar ou não vai fechar, o site dá uma notícia que o Volcaro não gosta sobre o Master. E aí o Volcaro diz uma coisa muito sintomática que me chamou a atenção quando a gente teve
acesso ao material sigiloso da Polícia Federal. Dessa vez não hackeei ninguém, tá, gente? Foi por fonte mesmo. Trabalho de jornalista raiz, normal. Mas aí está lá na representação, nos diálogos descritos pela Polícia Federal, que o vocário fica bravo, não gosta da publicação da matéria e fala que esses caras não são sérios e que ele vai botar os caras no processo das fake news.
Vou botar no processo das fake news. Vou fechar esse site, ele fala para o Sicaro. Como se ele fosse dona do processo das fake news, que afinal de contas é comandado por quem? Alexandre de Moraes. Alexandre de Moraes, ministro, cuja mulher fez um contrato com Daniel Rocaro de 130 milhões de reais para prestar serviços que até hoje a gente não sabe exatamente quais são. Então, Milton, quando a gente começa a olhar o quadro geral dessa dinâmica,
mafiosa e corrupta do Daniel Volcaro, o que a gente entende? Que ele tinha motivos para achar que podia mandar em todo mundo, passar por cima da lei, quebrar dente de jornalista, morrer funcionário e botar site de notícia no inquérito das fake news. Eu achei que esse inquérito das fake news era um inquérito comandado pelo Supremo Tribunal Federal que por muito tempo se disse que serviu para salvar a democracia. Está parecendo que não era exatamente... Há sete anos aberto.
Designado de ofício, sem sorteio, o relator Alexandre de Moraes, movido em sigilo. Cada hora ele serve para uma coisa e, ultimamente, serviu para tentar apurar como se deram vazamentos de informações de declaração de imposto de renda de parentes dos ministros do Supremo. E a gente descobriu que eram a própria Viviane de Moraes e um filho do ministro Luiz Fux. Agora, só para concluir, Cássia Milton,
que a gente acompanhou dessas declarações, que eu até mostrei no Globo, que as declarações foram vendidas por um vigilante da Receita e mais um atendente terceirizado por 250 reais. Olhando esse esquema do Volcaro, hackeamento, compra de senha, tudo isso, compra de jornalista, compra de funcionário do BC, a gente olha para esse esquema que o fake news estava investigando e percebe que era fichinha. Tinha uma coisa muito mais grave,
acontecendo, é muito mais ameaçadora a democracia e as instituições, bem do lado do ministro Alexandre de Moraes. E com muita gente ainda precisando da explicação sobre tudo isso que está sendo levantado nesse momento. Mas as explicações estão vindo. A gente vai descobrir. Malu, muito obrigado. Bom dia. Valeu, gente. Bom trabalho para todo mundo. Até mais, Malu.
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