Episódios de Malu Gaspar - Conversa de Bastidor

Troca no comando da comunicação expõe desgaste da campanha de Flávio Bolsonaro após crise Master

21 de maio de 20268min
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Segundo Malu Gaspar, saída do marqueteiro Marcelo Lopes reflete impacto político e financeiro das revelações sobre o caso Vorcaro, que deve continuar influenciando a disputa eleitoral nos próximos meses.

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Participantes neste episódio3
M

Malu Gaspar

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Caso Vorcaro e LulinhaDelação premiada · Procuradoria Geral da República · Polícia Federal · Daniel Vorcaro · Paulo Henrique Costa
  • Estratégias de Flávio BolsonaroCrise Master · Marcelo Lopes · Eduardo Fischer · Caso Vorcaro
  • Contratos suspeitos com autoridades públicasGoverno Federal · Governo Lula · Senado Federal · Governo de São Paulo · Tarcísio de Freitas
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia para todo mundo que está ouvindo a gente. Bom dia, Malu. Malu, Flávio Bolsonaro trocou a coordenação da comunicação após a crise master que atingiu a campanha eleitoral dele. Fala para nós sobre esse tema.

Pois é, Milton, Cássio, ouvintes, aparentemente a campanha do Flávio Bolsonaro decidiu dar um freio de arrumação nessa situação que estava muito descontrolada, a maior crítica dos aliados do Flávio Bolsonaro em relação a essa crise, fora o fato de que o próprio Flávio escondeu informações da cúpula da campanha e não deu a eles a noção de tudo que estava por vir.

é também a questão da gestão da crise, né? Porque a resposta que o Flávio vem dando a essas revelações que começaram ali com o Intercept Brasil e a cada dia surge uma nova, seja pelo próprio Intercept, seja por outros veículos da imprensa, a avaliação é de que essa reação é muito ruim, ele vem dando respostas vagas.

ele vem mentindo, primeiro ele sempre fala, sempre que ele dá uma versão, depois vem uma revelação que desmente ele, até combinar com essa última reunião que ele fez com o PL, para dizer, o senhor é obrigado a dizer que esteve na casa do Vorkar, entre a primeira e a segunda prisão, para supostamente terminar o relacionamento, aquela coisa, né Milton, a gente não é feio terminar por mensagem, então fui lá falar com ele.

Então, ficou muito feio. Então, por causa disso, a própria cúpula da campanha já vinha procurando outro marqueteiro, negociando com o Eduardo Fischer, que acabou assumindo agora, mas o Marcelo Lopes, que era o publicitário que assumiu a campanha, não só como marqueteiro, mas como coordenador em geral, conhecido como Marcelão, decidiu se antecipar.

Ele estava na Disney, veja só, ele comandou a gestão da crise da Disney, onde estava com férias da família, por isso que provavelmente não funcionou, como é que você comanda essa tal entre o Mickey e o Pateta.

e a pau comendo no Brasil e você lá, remotamente, gerindo uma crise desse tamanho. Ele veio para o Brasil, conversou com o Flávio Bolsonaro e pediu para sair. E as duas razões que ele mesmo tem alegado para os aliados, conversou com o Flávio, são, primeiro, essa questão da gestão da crise, ficou muito desgastado.

toda a culpa pelo problema, pela falta de resposta, pela reação desastrada.

do Flávio Bolsonaro às revelações do Intercept, caiu no colo dele, isso estaria prejudicando muito a própria carreira dele como publicitário, vai ficar marcado para sempre como uma pessoa que reagiu mal, que fez toda essa resposta ruim nessa situação difícil do Flávio Bolsonaro, embora a gente saiba que sempre tem a responsabilidade do próprio candidato.

E a segunda coisa é a questão dos contratos que ele tem com o governo federal. Para além da campanha do Flávio Bolsonaro, o Marcelo Lopes tem uma agência de publicidade, a Calix, que ganhou vários contratos no governo federal na gestão.

do G.I. Bolsonaro, manteve esses contratos no governo Lula e estava recebendo 70 milhões por ano, mais ou menos, em pagamentos por contratos de campanhas publicitárias. Também tem a comunicação do Senado Federal, que ganhou agora, em maio, uma concorrência para fazer a comunicação do Senado por 90 milhões de reais anuais.

aí isso acendeu o alerta, eles tinham ficado em primeiro lugar entre as empresas habilitadas na disputa por um contrato de 300 milhões no governo de São Paulo, do Tarcísio de Freitas. E isso chamou atenção imediatamente, né? Quem é o marqueteiro do Flávio Bolsonaro? É esse que acabou de ganhar uma concorrência de 300 milhões na gestão Tarcísio. Opa!

E aí o que aconteceu? Eles que tinham ganhado foram desclassificados pelo governo no dia 15, no meio da confusão da campanha do Flávio Bolsonaro. O governo paulista disse, não, olha, foram, descumpriu o edital e tal, mas o Marcelão e todo mundo entendeu que se tratava de uma questão preventiva ali do governo Tarcísio para não ser contaminado.

por essa crise aí do Flávio. Então ele está perdendo dinheiro e isso fez ele pensar duas vezes em tocar a campanha. Agora, quem assume é o Eduardo Fischer, publicitário também. Agora tem que ver, né? Acabou o publicitário, o escudo do publicitário saiu da frente. Agora nós temos que ver.

Se a crise, se a ideia deles é virar a página, acabar com esse assunto, mas isso não depende tanto assim deles. Agora, Malu, todo dia tem um desdobramento novo dessa história. Até que ponto e até quando o caso Master ainda vai interferir na eleição?

O Cássia, eu tenho para mim que ainda vai interferir muito, nós vamos passar toda a eleição falando de reflexos do caso Márcia na campanha, pelo seguinte, bom, você está vendo aí, a Miriam estava contando para a gente sobre as razões pelas quais a delação do Vocarro foi rejeitada, né? Mas, até onde eu sei, até mesmo pelo que ela está dizendo, a PGR, a Procuradoria Geral da República,

não descartou que as negociações continuem, e pela experiência que eu tenho de cobrir esses casos, Cássia, Milton, ouvintes, isso ainda vai continuar, porque primeiro você tem uma rejeição, aí o réu, o cara que está preso, vai pensar duas vezes, se deixou de contar alguma coisa, a gente sabe que deixou, o que mais ele poderia fazer para melhorar a sua situação, ele está preso, o pai está preso, os negócios foram para o buraco.

ele tem que salvar alguma coisa para poder vida, um sujeito de 40 e poucos anos, não é assim uma pessoa que não tem nada para resolver da vida, né? Então isso vai acontecer, eu vi isso na relação da Odebrecht, foi uma das principais, mas é muito comum que a primeira versão seja rejeitada, e aí o sujeito vai melhorando, vai lembrando, né, gente, de coisas.

E a negociação continua. Fora isso, você tem a própria investigação, que está rodando. E nós estamos em maio, quer dizer, você não termina sem investigação em menos de seis meses. É impossível estudar o tamanho do esquema. Tem outra delação vinda à tona ainda também.

em fase de preparação, que é a do Paulo Henrique Costa, que é o ex-presidente do BRB, que tem um pedaço da novela. Então eu acredito que tudo isso, fora a própria imprensa investigando, muita coisa que foge ao controle, tanto dos investigados como dos próprios investigadores, da Polícia Federal, da PGR. Nessa altura, não dá para dizer que uma única pessoa, entidade ou força política...

tem o controle do que vai se passar daqui para frente, né? Tem muito interesse em jogo e em choque. Então eu acredito que esse caso, assim como aconteceu no caso da Lava Jato lá em 2014, como acontece nesses escândalos muito grandes, ele vai continuar tendo reflexos até o dia da eleição. E isso não depende do Flávio, não depende do Daniel Vocaro, não depende da PGR, não depende da PF. É o caos da política brasileira.

Muito obrigado, Malu Gaspar, pela sua análise aqui no Jornal da CBN. Bom dia. Valeu, gente. Bom trabalho para todo mundo. Até mais, Malu.

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