#223 - Marca Diabo - Crônica
Profa Ju chegando.
Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do nosso podcast Falar Português Brasileiro o podcast que ensina português contando histórias. O podcast existe porque você está aqui comigo semanalmente! Mais uma vez, desejo uma boa semana!
Hoje é um episódio especial. Hoje, a gente encerra um ciclo. Deve estar se perguntando qual, né?
Encerramos o estudo dos verbos no pretérito perfeito e imperfeito do modo indicativo, também, mais do que isso, encerramos uma forma de olhar para o tempo.
Porque o passado, em português, não é só aquilo que aconteceu. O passado… é aquilo que terminou e aquilo que permanecia.
Farei a leitura de um texto.
A título de contextualização, na segunda edição do exame Celpe-bras de 2025 foi solicitado como produção escrita que o candidato fizesse uma crônica.
A orientação era a seguinte:
Imagine que você seja o vendedor retratado na crônica abaixo, publicada no jornal Zero Hora. Escreva uma outra crônica, para ser publicada no mesmo jornal, narrando, do ponto de vista do vendedor, a sua versão dos fatos e se posicionando a respeito deles.
Bom ... eu vou ler o meu texto para você.
Já peguei o seu papel e a sua caneta para as anotações.
Profaju
- Crônica "Marca Diabo"A história do vendedor e a cliente · A importância da honestidade · O conceito de "marca diabo"
- Verbos irregulares no pretérito imperfeitoPretérito perfeito e imperfeito · Continuidade vs. Conclusão · Verbos regulares e irregulares
- Preparação para ProvasProdução escrita com crônica · Orientação para o candidato
Profaju chegando, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um episódio do nosso podcast Falar Português Brasileiro. O podcast que ensina português contando histórias. O podcast que existe porque você está aqui comigo semanalmente. Mais uma vez, desejo uma boa semana para você.
Hoje é um episódio especial. Hoje a gente encerra um ciclo. Deve estar aí se perguntando qual será o ciclo que vamos encerrar. Encerramos o estudo dos verbos no pretérito perfeito e imperfeito do modo indicativo. Também, mais do que isso, encerramos uma forma de olhar para o tempo.
Porque o passado em português não é só aquilo que aconteceu. O passado é aquilo que terminou e aquilo que permanecia. Farei a leitura de um texto. E a título de contextualização, na segunda edição do Exame Celpe Brás, de 2025, foi solicitado como produção escrita que o candidato fizesse uma crônica. A orientação era a seguinte.
Imagine que você seja o vendedor retratado na crônica abaixo, publicada no jornal Zero Hora. Escreva uma outra crônica para ser publicada no mesmo jornal, narrando, do ponto de vista do vendedor, a sua versão dos fatos e se posicionando a respeito deles. Bom, eu vou ler o meu texto para você.
Já pegue o seu papel e a sua caneta para as anotações. Primeiro título, Marca Diabo. Marca Diabo são estas marcas que realmente não tem nenhuma tradição de nada e ninguém conhece. Vocês vão entender o que é uma marca Diabo durante o texto. Marca Diabo.
Domingo, naquela loja, sempre parecia maior do que realmente era. O tempo não passava e se arrastava entre as prateleiras cheias de objetos que ninguém precisava. Eu ficava ali, de pé, alternando entre, observar o vazio e jogar no celular. Tentando ocupar a mente e o tempo, assim eu conseguia suportar o silêncio.
De repente, ouvi alguém me chamar. Levei alguns segundos para reagir, pois já não esperava mais nem uma mosca naquele fim de tarde. Levantei a cabeça e vi a cliente parada no balcão, esperando. Havia ali uma mistura de expectativa e pressa no olhar dela.
Eu me aproximei, tentando retomar o papel de vendedor que a situação exigia. Ela disse que precisava de um fone de ouvido. Olhei para os produtos disponíveis e senti um desconforto imediato.
Eu conhecia bem aquela mercadoria e sabia que não era boa. Naquele instante, tive uma escolha simples, que poderia ser a de repetir o discurso pronto ou dizer o que eu realmente pensava. Talvez por cansaço, pelo calor ou pela honestidade.
Escolhi a segunda opção. Perguntei se ela conhecia a marca e não esperei muito pela resposta. Disse quase sem rodeios que o produto não duraria três dias. Foi automático, como se aquela verdade estivesse presa há muito tempo e finalmente tivesse encontrado saída. Eu mesmo me surpreendi com a forma direta como falei.
Ela não reagiu como eu esperava, ou seja, não reclamou, não fez cara de reprovação, nem virou as costas. E ainda continuou ali, me olhando com uma atenção diferente. Perguntou se havia algum melhor, e eu respondi que não. Enfatizei que a marca Diabo era a única opção. Ainda assim, ela decidiu comprar. Não só o fone, mas também um pano de prato.
Observei tudo com certa estranheza. Quando ela saiu, a loja voltou ao silêncio de sempre. Fiquei pensando naquela situação por um tempo e me condenando mentalmente. Eu não tinha sido o vendedor ideal, pelo menos não dentro do que esperam de alguém naquela função.
Mesmo assim, a venda aconteceu. Seria apressa ou a necessidade imediata da cliente? Fiquei pensativo por alguns instantes. Alguns dias depois, soube que ela tinha deixado um elogio para mim. Disseram que ela destacou justamente a minha sinceridade. Aquilo me causou um certo desconcerto.
Eu não tinha feito nada extraordinário. Apenas disse o que era verdade. Ainda assim, aquilo ganhou importância.
Talvez porque as pessoas estejam cansadas de ouvir promessas líquidas. Talvez porque em meio a tantos discursos prontos, a verdade tenha se tornado algo raro. Fiquei pensando nisso por um bom tempo, tentando entender o motivo daquele reconhecimento inesperado. Bom!
Naquele domingo, eu não fui um vendedor exemplar. Fiz algo mais simples, quase banal. Falei com honestidade e percebi, depois que isso foi suficiente para impressionar alguém. No futuro, se eu tiver que escolher novamente entre vender mais ou ser sincero, ainda não sei qual será sempre a decisão.
Mas naquele domingo, pelo menos, eu escolhi não mentir. E eu gostei do texto. Ficou muito claro.
Óbvio que eu não escrevi em 35 minutos. Levei muito mais tempo e ainda pude fazer a revisão. Agora, preste atenção nisso. Esse texto, ele é perfeito para entender o passado em português e, na minha opinião, encerrarmos este ciclo. Principalmente porque ele mistura os dois tempos.
Vamos falar sobre o pretérito imperfeito. Pretérito imperfeito é para a sensação de continuidade. O tempo que continua. Por exemplo, parecia, não passava, se arrastava, ficava, conseguia. Estes verbos no pretérito imperfeito não mostram ações concluídas.
eles foram utilizados para criar o ambiente. É o tempo da rotina, da descrição, da sensação, dos relatos, mostrando como era. Já o pretérito perfeito, a ação que começa e termina. Ouvi, levantei, vi, disse, escolhi, respondi, decidiu.
Aqui, nos tempos, as ações concluídas. O pretérito perfeito mostra a decisão, a ação, a consequência. Quando eu falo, eu ficava ali, a ação tem uma continuidade. Já quando eu digo, eu ouvi alguém me chamar, é um evento pontual. Bom, lembrando que...
Os verbos regulares seguem padrão. Por exemplo, verbo falar. No pretérito imperfeito, eu falava, ele falava, nós falávamos, eles falavam. No pretérito perfeito, eu falei, ele falou, nós falamos, eles falaram. Outro exemplo, verbo vender.
Eu vendia, ele vendia, nós vendíamos, eles vendiam. Eu vendi, ele vendeu, nós vendemos, eles venderam. Verbo abrir. Eu abria, ele abria, nós abríamos, eles abriam. Eu abri, ele abriu, nós abrimos, eles abriram.
Percebe aí que existe uma regularidade? Agora, os verbos irregulares. Bom, os verbos irregulares devemos estudar as particularidades de cada um. Por exemplo, o verbo ver. Eu via, ele via, nós víamos, eles viam.
Eu vi, ele viu, nós vimos, eles viram. Verbo dizer, no pretérito perfeito, é irregular. Eu disse, ele disse, nós dissemos, eles disseram. E eu acho que eu já falei isso aqui. Vou repetir. Para você não esquecer, você não precisa decorar as listas.
Você precisa aprender, praticar e entender que pretérito imperfeito é o cenário. Já o pretérito perfeito é a ação. O pretérito imperfeito é a duração. O pretérito perfeito é a conclusão. O pretérito imperfeito é o fundo. Já o pretérito perfeito é o acontecimento.
Quero que você pense comigo. Vamos ver o que realmente muda no seu aprendizado. Esse texto foi uma tarefa do Exame Celpe Brás. Contudo, não é apenas uma história, é uma construção de tempo. Entenda que o pretérito imperfeito cria ali o vazio da loja. O pretérito perfeito quebra esse vazio com a ação.
O pretérito imperfeito mostra o cansaço. Já o pretérito perfeito mostra a escolha. E é isso que a gente precisa fazer. Usar a gramática para contar o que viveu. Usar a gramática para a vida.
E talvez o mais interessante de tudo isso não seja nem o verbo, mas aquela decisão. Porque naquele domingo ele não vendeu só um produto. Ele escolheu ali um posicionamento. E o posicionamento de falar a verdade no tempo certo. No tempo que termina e no tempo que permanece. No futuro...
Bom, aí a gente deixa para uma próxima. Se nem o vendedor sabe sobre as suas ações, que saiu uma pobre narradora das histórias alheias e quase ficção neste podcast.
Eu sou a Ju, este é o nosso podcast Falar Português Brasileiro. Para conhecer os nossos serviços, acesse falarportuguesbrasileiro.com E eu vou ficando por aqui, até o próximo. Tchau, tchau! Esse episódio foi editado por Ricardo Gomes, da Apomorfia Podcast.
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