Episódios de Falar Português Brasileiro

#222 - Pretérito imperfeito

04 de maio de 202616min
0:00 / 16:59

Profa Ju chegando. e este é o seu podcast 100% em português chegando para desejar uma ótima semana! Uma ótima semana para todos vocês que escutam o Podcast Falar Português Brasileiro. Nós, você e eu, somos o podcast Falar Português Brasileiro.

Lembre-se: sem luta, não há vitória! Nada cai do céu! Nem a sua fluência em português!

Hoje eu quero te convidar para um tipo de experiência diferente. Vou contar duas histórias, com o mesmo personagens, com as mesmas ações, mas em tempos diferentes.

Este episódio será sobre o pretérito perfeito e o imperfeito juntos. Espero que dê certo!

Lembrando que os tempos verbais explicam ações… constroem mundos.

Então, eu te faço um convite agora.

Se você puder, diminua o ritmo.
Se você estiver caminhando, caminhe um pouco mais devagar.
Se estiver em casa, apenas escute.

Porque na minha história…ninguém tem pressa e estamos em construção.

Participantes neste episódio1
P

Profaju

HostProfessora de português
Assuntos4
  • Pretérito Imperfeito vs. PerfeitoDiferença entre tempos verbais para descrever ações pontuais e contínuas · Uso do pretérito perfeito para eventos específicos e concluídos · Uso do pretérito imperfeito para descrever rotinas, hábitos e atmosferas
  • Storytelling Desastres PessoaisUso do pretérito imperfeito para criar contextos e descrever hábitos · A língua como ferramenta de expressão pessoal · Vivenciando o idioma através da própria história
  • Verbos irregulares no pretérito imperfeitoVerbos regulares em -ar, -er, -ir · Verbos irregulares essenciais: ser, ir, ter, fazer, dizer, ver, vir, saber, dar, pôr · Importância da familiaridade e uso contextual dos verbos irregulares
  • Exercício prático de conjugação verbalIdentificação e separação de verbos regulares e irregulares · Lista de verbos para prática: Ser, Parecer, Sentir, Querer, Perguntar, insistir, repetir, abrir, ir, viver, ter, dizer, precisar, chamar, adorar, Fazer, sentar, conversar, rir, discutir, achar, saber, dar, ouvir, escutar, haver, ver, por.
Transcrição39 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E aí, tudo bem por aqui? Profaju chegando, sejam todos bem-vindos, bem-vindas. Semana começando e mais um episódio do nosso podcast Falar Português Brasileiro para você aproveitar mais um pouquinho de português.

O Falar Português Brasileiro é o podcast que te acompanha enquanto você caminha, lava a louça, dirige, passeia com o cachorro, organiza a casa ou simplesmente tira alguns minutos do dia para estudar português.

Também há o seu conteúdo para ouvir enquanto estiver no metrô indo para a academia. Preciso dizer também que falar português brasileiro não é somente ouvir um conteúdo em português. Falar português brasileiro permite que você atravesse tempos que não podem ser medidos em relógios.

mas em sensações e experiências. Um tempo que não marca acontecimentos pontuais, mas constrói atmosferas, rotinas, lembranças. Um tempo que, quando bem compreendido, transforma completamente a forma como você fala português.

Esse tempo é o pretérito imperfeito do indicativo, aqui no seu podcast preferido. Mas não vamos tratá-lo como uma regra. Não hoje. Hoje nós vamos contar história. Afinal, todo mundo gosta de ficção ou não ficção.

Bom, queremos ressaltar aqui que não vamos começar o episódio falando sobre as regras gramaticais referente ao pretérito imperfeito. Porque na verdade é que ele é bem simples e talvez um pouco até desconfortável.

pois ninguém aprende a usar o pretérito imperfeito decorando tabelas. A gente aprende vivendo histórias. E mais do que isso, aprendendo a contá-las. Pense comigo, quando você tenta lembrar de um momento específico, como o primeiro dia em que jogou futebol, ou a primeira vez que conheceu alguém importante.

Você provavelmente usou o pretérito perfeito. Algo começou, aconteceu e terminou. Mas quando você entra no terreno da memória mais profunda, tudo muda. Você não fala de um único dia, você fala de uma fase. Você não diz, eu fui para o futebol. Você diz, eu ia para o futebol.

Você não diz, ela falou sobre o tratamento. Você diz, ela dizia sobre o tratamento. Ou, ela falava sobre o tratamento. O pretérito imperfeito não aponta para um ponto específico no tempo. Ele desenha um cenário, uma paisagem, um momento em que se repetia na sua vida.

E é exatamente isso que vamos construir agora. Quando eu era criança, tudo parecia mais lento. Não porque o mundo realmente era mais devagar, mas porque eu ainda não sentia a urgência das coisas. Eu era curiosa e queria entender tudo ao mesmo tempo.

Eu perguntava, insistia, repetia perguntas, como se cada resposta abrisse uma nova porta. Todos os dias eu ia até a casa da minha avó. Nós vivíamos na mesma propriedade rural que meus avós.

Foi uma infância muito rica e ir à casa dela não era uma visita ocasional. Era parte da minha rotina e da rotina dos outros netos. Quase como um ritual silencioso. Ela tinha sempre um bolo pronto, daqueles simples, mas que pareciam ter algo a mais. E ela dizia, com aquela voz calma, que eu precisava comer mais. Crescer forte, aproveitar a infância.

Aos finais de semana, sempre tinha um copo americano com vinho tinto, água e açúcar para as crianças. Ela chamava de suco de vinho. Nós adorávamos. Nós fazíamos tudo junto. Sentávamos à mesa, conversávamos por horas. Ríamos de coisas pequenas. Às vezes, discutíamos também. Eu tinha as minhas certezas. Ela tinha as dela.

E naquele tempo eu achava que sabia mais do que realmente sabia. Ela me dava conselhos com frequência. Conselhos que, naquela época, pareciam simples demais, óbvios demais. Eu ouvia, mas nem sempre escutava de verdade. Havia momentos em que eu não via sentido no que ela dizia.

Outros em que eu não sabia como reagia. E muitas vezes eu ponho aquelas palavras de lado, como se pudesse voltar a elas depois. Mas o tempo, o tempo transforma tudo. Hoje, quando olho para trás, percebo que aquelas conversas, aquelas repetições, aquelas pequenas cenas, tudo isso construía quem eu estava me tornando.

E é exatamente aí que o pretérito imperfeito revela a sua força. Ele não fala do evento isolado, como o pretérito perfeito. Ele, o pretérito imperfeito, fala do processo. Não fala daquilo que aconteceu uma vez. Ele mostra o que acontecia sempre.

No português brasileiro, esse tempo verbal é profundamente ligado à forma como contamos histórias. Ele aparece quando queremos criar contextos, quando queremos descrever hábitos, quando queremos levar o outro para dentro da nossa experiência. Se eu digo, eu fui à casa da minha avó, você imagina um dia.

Se eu digo eu ia à casa da minha avó, você entra na minha rotina. Percebe essa diferença? Agora vamos aprofundar um pouco mais. Muitos verbos no pretérito imperfeito seguem padrões previsíveis. Verbos terminados em ar. Viram, falava, estudava, trabalhava, sentava.

Verbos em er e ir, viram, comia, partia, vivia, discutia. Mas é claro que existem verbos que não seguem esse padrão. E curiosamente, são exatamente os verbos mais usados no idioma. São os verbos que estruturam a comunicação do dia a dia. São eles que dão vida ao discurso.

Quando você diz eu era, você está usando o verbo ser. Quando diz eu ia, está usando o verbo ir. Quando diz eu tinha, está usando o verbo ter. Quando diz eu fazia, eu dizia, eu via, eu vinha, eu sabia, eu dava, eu punha. Você está entrando no território dos verbos irregulares.

Ai, o verbo por é horrível! Uma informação importante. Esses verbos não são difíceis porque são irregulares. Eles são difíceis porque aparecem o tempo todo. E por isso exigem familiaridade, não apenas conhecimento.

Você precisa ouvi-los, usá-los, reconhecê-los em contexto. Vamos trazer isso para as situações reais. Quando alguém diz, eu adorava jogar futebol, jogava quase todos os dias. Quando eu era criança, eu tinha medo do escuro. Esses dois exemplos não são apenas para conjugar dois ou mais verbos.

Os dois exemplos constroem uma memória de alguém que fazia essas coisas com frequência. Quando alguém diz, a gente ia à praia todos os verões, está mostrando um padrão de vida. Quando diz, ela dizia que tudo ia dar certo, está revelando uma voz constante, quase como um eco no passado.

Agora, eu quero que você comece a observar como esses verbos aparecem no cotidiano, porque aí...

que a aprendizagem ganha força e começa a fazer sentido. No dia a dia, você vai ouvir frases como Eu tinha muito trabalho naquela época. A gente ia sempre no mesmo restaurante. Eu dizia isso toda vez. Eu não sabia o que fazer. Ela vinha aqui quase todos os dias. Nós fazíamos tudo junto.

Minha mãe me dava muitos conselhos. Eu via ele passando na rua. Eu punha muita expectativa nas coisas. Ai, o verbo pôr. Perceba que todas essas frases têm algo em comum. Elas descrevem continuidade, repetição, estado.

Agora, eu quero ir além. Quero que você comece a sentir esses verbos dentro da sua própria história. Porque a língua não se aprende apenas olhando para fora e estudando tabelas. Ela se consolida quando você olha para dentro e realiza ações. Então, pense. Como era sua rotina há alguns anos?

O que você fazia com frequência? Quem estava presente na sua vida? O que estas pessoas diziam para você? Para onde você ia sem pensar muito? Pense e responda. Talvez você diga, eu era mais tímida. Eu tinha mais tempo livre. Eu ia para a escola todos os dias.

Eu fazia meus trabalhos à noite. Minha mãe sempre me dizia para estudar. Eu não via o tempo passar. Eu não sabia o que queria ainda. Eu vinha de uma rotina muito corrida. Eu me dava pouco descanso. Eu punha muita pressão em mim mesma. Percebe o que está acontecendo aqui?

Você não está apenas conjugando os verbos, você está contando a sua história em português. É exatamente aí que a língua deixa de ser conteúdo e passa a ser ferramenta de expressão. E você fará com que tenha ou ganhe sentido. Vamos para mais uma parte prática. Eu retirei do texto os verbos no pretérito imperfeito.

utilizados lá durante a minha narrativa. Você deverá conjugá-los e separá-los em dois grupos, sendo um grupo para os regulares e o outro grupo para os irregulares.

Lembre-se de que aqueles que apresentam regularidades na conjugação são os regulares. E os que apresentarem irregularidades são os irregulares. Certo? Vamos lá! Continue as suas anotações. Ser Parecer Sentir Querer Sentir

Perguntar, insistir, repetir, abrir, ir, viver, ter, parecer, dizer, precisar, chamar, adorar,

Fazer, sentar, conversar, rir, discutir, achar, saber, dar, ouvir, escutar, haver, ver, por.

Agora, para fechar esse episódio, vamos deixar uma sequência de frases que representam o uso real, cotidiano, natural desses verbos irregulares no pretérito imperfeito. Escute com atenção. Se possível, repita em voz alta. Sinta o ritmo. Eu era muito curiosa quando era mais nova.

Eu ia trabalhar todos os dias no mesmo horário. Eu tinha muitos planos, mas não sabia por onde começar. Eu fazia o que podia com o que eu tinha. Eu dizia para mim mesma que tudo ia dar certo. Eu via oportunidades, mas às vezes não aproveitava. Eu vinha tentando melhorar, pouco a pouco.

Eu dava o meu melhor, mesmo quando era difícil. Eu sabia que precisava continuar. Eu punha energia em tudo que eu acreditava, até hoje. E agora eu te faço um convite. Não como professora, mas como alguém que também vive a língua. Comece a observar a sua própria história em português.

Porque quando você começa a falar sobre o que você era, o que você fazia, o que você sentia, você deixa de estudar o idioma e começa, finalmente, a viver nele. E para saber sobre as nossas aulas, os nossos serviços,

Caso queira entrar em contato com a gente, contato arroba falarportuguesbrasileiro.com Eu sou a Profaju e este é o nosso podcast Falar Português Brasileiro. Pense em tudo que falei aqui e até o próximo. Tchau, tchau! Esse episódio foi editado por Ricardo Gomes, da Apomorfia Podcast.

Anunciantes2

Apomorfia Podcast

Edição de áudio
external

Você Português

Podcast
self