CC 90: A Crise do Mercado Livre de Energia Elétrica
A crise do mercado livre de energia elétrica é o tema desse Curto-Circuito 90. O programa é apresentado por Clarice Ferraz e Ronaldo Bicalho. Clarice é professora da Escola de Química da UFRJ e Ronaldo é pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ. Ambos são pesquisadores do Grupo de Economia da Energia do IE/UFRJ e diretores do Instituto Ilumina.
- Crise no Mercado Livre de EnergiaInadimplências e recuperação judicial · Disputas contratuais e decisões judiciais · Desligamento de agentes do mercado · Crise de liquidez e risco de crédito · Escassez de oferta e curtailment · Mudanças nos modelos computacionais e formação de preços · Abertura completa do mercado elétrico brasileiro
- Energia BrasilManifestações da crise maior · Leilão de reserva de capacidade · Proposta de usar fundos do BNDES para postergar reajustes tarifários · Garantia do acesso à energia para desenvolvimento
- Crise de liquidez do BRBCrise de confiança e risco de crédito · Aumento da exigência de garantias · Dificuldade de efetivar transações · Encurtamento do prazo dos contratos · Falta de prudência e supridor de última instância
- Mentalidade de EscassezHidraulicidade pior em 2025 comparada a 2024 · Redução na geração de energias renováveis (curtailment) · Geradores renováveis trocando posição de ofertantes para demandantes · Recusa de grandes geradoras em estabelecer contratos de longo prazo · Acusações de especulação e retenção de energia
- Mercado de EnergiaAumento do preço da energia elétrica no mercado livre (longo e curto prazo) · Comparativo com a inflação · Diferença entre preço no mercado regulado e livre · PLD médio e sua evolução
- Modelos de IA
Meus amigos e minhas amigas, bem-vindos a todos e a todas ao Curto Circuito, um programa do Grupo de Economia da Energia, do Instituto de Economia da UFRJ. Eu me chamo Ronaldo Bicalho e estou aqui com a professora Clarice Ferraz para conversar com vocês sobre as grandes questões do setor elétrico aqui no Brasil e no mundo. No programa de hoje, nós vamos abordar a crise do mercado livre de energia elétrica.
Uma crise marcada por inadimplências, pedidos de recuperação judicial, disputas contratuais, decisões judiciais, desligamento de agentes do mercado. Uma crise que alcança comercializadoras grandes e tradicionais.
Crise de liquidez, risco de crédito, escassez de oferta, mudanças nos modelos computacionais, problemas na formação de preços, curtailment, tudo isso compõe o sopão de explicações dos agentes envolvidos na crise do mercado elétrico. Uma crise que acontece justamente na boca da abertura completa do mercado elétrico brasileiro, que deve se dar no final de 2021.
quando então todos os consumidores poderão escolher livremente de quem eles vão comprar a energia elétrica que eles consomem. Justamente no limiar do paraíso da competição, do direito à escolha do fornecedor, a maionese do mercado livre dará uma tremenda de uma desandada. É evidente que isso gera uma enorme preocupação sobre o processo de liberalização do mercado.
Cabe lembrar que 42% da energia elétrica consumida no país hoje vem do mercado livre, sendo que 95% do consumo industrial e 47% do consumo do comércio estão pendurados nesse mercado.
Então, o que acontece nesse mercado tem implicações sérias sobre a economia. Daí a grita generalizada que começa em torno do tema. O que nós queríamos conversar com vocês hoje é justamente sobre essa crise, e em particular sobre uma questão que é...
Em que medida, mais do que uma crise específica do mercado livre de energia elétrica, essa crise representa, de fato, mais uma face de uma crise maior que a crise do próprio setor elétrico brasileiro?
Nesse sentido, esse programa é uma continuação natural do programa anterior, no qual nós discutimos o leilão de reserva de capacidade e a proposta de usar fundos do BNDES para postergar os reajustes tarifários. Eventos que eram, na verdade, manifestações justamente dessa crise maior do nosso setor elétrico. Enfim.
O que nós gostaríamos de fazer hoje com vocês é analisar a crise do mercado livre de energia elétrica sob uma perspectiva mais ampla que nos ajude a entender melhor essa crise, as suas razões e as suas consequências, procurando ir mais além das agendas individuais.
e de curto prazo, que caracterizam as análises dos agentes e do mercado, e procurando incorporar os interesses mais amplos e de longo prazo da sociedade brasileira, que é a garantia do acesso à energia necessária para o desenvolvimento econômico e social dessa sociedade.
Por isso, nós contamos mais uma vez com a ajuda preciosa da nossa parceira de curto-circuito, que é a professora Clarice Ferraz. Bem-vindo, Clarice, para mais um Curto Circuito. Obrigada, Bicário. É um prazer. A gente está no olho do furacão. Acho que é uma boa ideia trazer os temas da atualidade, porque realmente ela tem se imposto nesses últimos dias.
E a gente vê, na verdade, uma materialização de coisas que a gente vem falando há anos, né, Bicalho? Então, nesse sentido, acho que a gente vai relembrar algumas coisas que a gente já disse.
É, Clarice, então vamos ver se a gente consegue descascar esse abacaxi. E antes de a gente partir para os finalmentes, cabe lembrar rapidamente que se você quiser ouvir esse programa no formato de podcast, basta você procurar nos tocadores de podcast por canal.ie-ufrj ou então por...
curto-circuito, que você vai poder ouvir o curto-circuito à vontade, quando você desejar e onde você quiser. Agora, se você quer mais coisas sobre o setor elétrico, eu sugiro que você visite o canal Curto Circuito, que reúne todos os nossos programas que foram ao ar nos últimos cinco anos aqui no canal do Instituto de Economia da UFRJ. Basta você procurar por canal curto-circuito que você encontra.
Por último, meus amigos, minhas amigas, se vocês gostam desse conteúdo, por favor, assine o canal do Instituto, assine o canal do Curto Circuito, dê um like e nos ajudem a levar esse conteúdo para mais gente. Vamos então começar com a crise do mercado livre de energia elétrica.
Que crise é essa? Qual é a explicação dos agentes do mercado para essa crise? Em seguida, discutir qual é a nossa visão, minha, da Clarice, sobre essa crise. Vamos lá, então.
De janeiro de 2024 até março de 2026, o preço da energia elétrica no mercado livre para contratos de longo prazo, que são contratos de quatro anos, esse preço aumentou 59%. Enquanto que para os contratos de curto prazo, que são contratos de três meses, o aumento foi de 120%. O monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte e o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte e o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte e o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte, o monte é o monte
A inflação no mesmo período foi de 5%. Nesse período, a energia de longo prazo saiu de R$ 147,00 por megawatt para R$ 233,00 por megawatt-hora. Ao passo que a energia de curto prazo saiu de R$ 143,00 por megawatt para R$ 317,00 por megawatt-hora.
O PLD médio, o PLD é o preço de referência para o mercado livre, o PLD médio no mesmo período aumentou 84%, saindo de R$ 129,00 por MWh para R$ 236,00 por MWh. A diferença entre o preço praticado no mercado regulado é o preço pratica, o preço pratica, o preço pratica, o preço pratica, o preço pratica,
E no mercado livre, que em 2024 era da ordem de 30%, hoje não ultrapassa 5%. Ou seja, em 2024, quando você passava do mercado regulado para o mercado livre, você economizava 30% na sua conta. Hoje, você não economiza nem 4%, nem 5%. Segundo os analistas,
O mercado livre atravessa uma crise de liquidez muito forte, causada basicamente por três fatores. O primeiro deles é uma crise de confiança, associada à elevação do chamado risco de crédito.
o risco do não cumprimento do contrato pelas contrapartes, a inadimplência velha de guerra. Não vou vender energia para você porque eu acho que você não vai me pagar. Aumenta a desconfiança, aumenta a exigência de garantias. Trocando em miúdos, fica mais difícil você efetivar as transações. Fica mais difícil comprar e vender energia nesse mercado.
E essa dificuldade se traduz no aumento de preços e no encurtamento do prazo dos contratos. Ou seja, só rola contrato de curto prazo e com energia cara. Sempre...
houve críticas a uma certa falta de preocupação por parte do mercado, com a prudência em relação aos compromissos assumidos, com a falta de garantias, com a falta de um supridor de última instância para cobrir as falhas no cumprimento dos contratos. Enfim, a chamada questão prudencial.
O problema é que aumentar a segurança dos contratos envolvia custos. Custos que seriam pagos pelos consumidores e pelas comercializadoras, mediante um preço maior de energia para o consumidor e uma margem menor para a comercializadora. Optou-se por quê? Por um preço menor para o consumidor, por uma margem maior para a comercializadora.
mesmo que isso significasse um risco maior. Enfim, assumiu-se esse risco. Uma outra questão apontada pelos analistas é a escassez de oferta.
Em primeiro lugar, uma hidraulicidade muito pior do que aquela que você tinha em 2024. Digamos assim, entre aspas, que energia sobrava em 2024 a partir de reservatórios cheios, uma hidraulicidade muito favorável. Isso não está acontecendo em 2025. Uma outra coisa muito importante é a redução na geração causada...
pelos cortes forçados das energias renováveis, o famoso curtailment, que fez com que esses geradores de renováveis trocassem a sua posição de ofertantes para demandantes, justamente para conseguir aquela energia, para cobrir a energia cortada e honrar os seus compromissos contratuais. Ou seja, você tem um contrato de fornecimento e você tem um contrato de fornecimento.
você não gera a energia correspondente àquele contrato porque você sofreu o curtailment, e aí você tem que honrar esse contrato. Então você vai no mercado, compra energia para justamente honrar os seus compromissos. Lembrando que o curtailment vem atingindo...
20% dessa geração é louvável. Então, é um valor significativo. Por outro lado, as grandes geradoras têm se recusado a estabelecer contratos de longo prazo, vendendo apenas no curto prazo, o que torna a vida...
do consumidor que tem os seus contratos justamente vencendo agora, muito, mas muito difícil, porque ficam completamente expostos à volatilidade dos preços de curto prazo. Inclusive, existem acusações de que as grandes geradoras estão sentando em cima da energia para reduzir a oferta e aumentar o preço. Enfim, especulação brava no curto prazo.
O terceiro item diz respeito a mudanças na formação de preços relacionadas a mudanças no modelo computacional, que passou a incorporar uma versão ao risco mais elevada. Essa versão de risco maior implicou em um maior despacho de térmicas, justamente para poupar água, o que elevou o custo e de tabela o PLD.
Maior a versão ao risco, eu seguro mais a água. Se eu seguro mais a água, as térmicas têm que entrar. E se as térmicas entram, a geração fica mais cara e isso bate no preço de liquidação de diferença. Enfim, esse aumento de aversão ao risco...
em conjunto com alterações em alguns elementos que compõem a representação da realidade no modelo de otimização, geraram um aumento de volatilidade muito grande. E com isso se aumentou muito a imprevisibilidade acerca do comportamento futuro dos preços. Trocando em miúdos, os agentes alegam que perderam a referência de preços e sem essa referência não tem negócio.
não tem venda e compra de energia. O resultado de tudo isso é que o mercado foi travando. Com isso, as comercializadoras começaram a perder fôlego rapidamente e recorreram ao judiciário em busca de um fôlego judicial para contrabalançar a perda de fôlego comercial e financeiro que elas estavam tendo.
É evidente que se 95% da indústria e quase metade do comércio estão pendurados no mercado livre, essa história acabou batendo em cheio na economia. Aumento de custos, aumento de preços, inflação, e aí você passou a ter um baita de um problema. Pois bem.
Claricinha, esse é o tamanho do abacaxi. E aí? É isso. E aí que está só começando, né? E aí que está só começando. Porque se a gente vai ver a ordem das coisas, né, Bicali? Essa questão da confiança, né? E essa última agora, as duas estão...
tudo está interligado, realmente policrise, cada um dos fatores se retroalimenta, alimenta o outro, porque tudo isso se baseia na escassez de oferta física, da falta de energia justamente para a gente estabilizar o nosso sistema. Então, quando chega a noite, como é que a gente vai conseguir honrar esses contratos, como é que a gente vai conseguir fazer com que o consumidor final tenha energia? Se a gente estivesse com os reservatórios cheios.
Se a gente tivesse o controle da Eletrobras, certamente essa questão, tanto da confiança como da escassez de oferta, estaria sendo endereçada de outra forma. Mas é isso. No quadro atual, a gente está vendo se desenrolar o filme que a gente comentou que ia passar. Esse mercado tem um problema de liquidez por natureza. É da natureza dele.
Então não adianta que ele não vai desaparecer com essas coisas que as pessoas estão falando, nem fazendo red, nem nada disso. Porque ao fim e ao cabo você tem que ter energia para entregar. Então aqui é diferente. O pessoal fica mimetizando muito o setor elétrico, mercados elétricos, ainda não tem esse nome.
Com um mercado financeiro como outro qualquer, com um produto como outro qualquer, como se você pudesse fazer um derivativo, como se você não estivesse falando de natureza, e de tantas outras questões que vão interferir na demanda e na oferta, questões geopolíticas seríssimas ocorrendo agora. Então, na verdade, Vicalho, o que a gente está vendo é o começo. E essa crise aqui, se não entra o Estado para moderar, para arbitrar...
ela explode, porque o mecanismo já foi lançado. Então agora o que você vai ter? São mecanismos de feedback, de reforço, porque essa crise de confiança, o contrato cada vez mais curto, cada vez mais caro, isso aí só vai aprofundando o problema do comercializador que ficou sem margem, que já está exposto tendo que ir lá no mercado para honrar o contrato dele num preço que ele nunca imaginou que fosse ter que pagar.
Então, na verdade, essas coisas, agora é aquele momento que a gente fala em economia, tem que ter alguma coisa anticíclica, porque agora o negócio está solto. Então, se ninguém fizer nada, se não tiver política energética, se não tiver freio de arrumação, aí vai ser ver a quebradeira, aí como é que vai ser a indústria, então, como é que... Justamente nessa discussão, que nem marco regulatório está definido, quem é que vai suprir essa energia, quem é que vai assumir?
E essas coisas, quanto mais a gente deixa indefinido, pior. Porque isso aqui é uma questão de segurança nacional, inclusive. Então o Estado vai ter que entrar. Se vai entrar, vai entrar todo desarranjado? Vai entrar sem saber o que tem que fazer? Vai entrar para fazer o quê? Se vai entrar, é bom saber o que está fazendo, o que está acontecendo. E aí a gente fica... Estamos aqui.
Eu acho interessante, Clarice, que para a gente que acompanha essa discussão do setor elétrico há muito tempo, você vê certos temas voltarem à tona e muitas vezes com uma originalidade que eles não têm, como se fosse uma coisa nova e não é.
Você tocou num ponto que eu acho essencial, que é a questão da liquidez. Mercados elétricos, dados as suas características, dados as características do produto de energia elétrica, e dos processos que consomem, que produzem, transporte de energia elétrica, os mercados elétricos, isso é uma coisa clássica, as dificuldades de você injetar liquidez nesse mercado.
Isso ficou muito claro nas primeiras crises que a gente assistiu lá no início dos anos 2000, na Califórnia, no Brasil, em outros lugares, que é difícil. Inclusive, um dos grandes desafios da reforma inglesa, ali de 2013, era como é que você injetava liquidez. Então, isso é um problema. E o que eu acho interessante é que, portanto, nós estamos falando de um problema novo. A gente está falando de um problema antigo. E de um problema que lá, há 20 anos atrás,
dentro de uma situação, um contexto diferente daquele que nós temos hoje, se colocava da seguinte maneira, Clarice, para você ter liquidez, você precisava ter capacidade instalada excedente na geração, no transporte, de tal maneira que você não tivesse nenhum tipo de restrição de geração, de transporte.
a ação dos agentes. Então você tinha que construir uma capacidade de instalar de excedente para que você pudesse ter um mercado competitivo, para você pudesse ter um mercado líquido, e mais importante, a partir desse mercado, você pudesse construir derivativos de energia elétrica a partir desse mercado. Então, para você construir derivativos, para você utilizar derivativos...
utilizar a ciclização, enfim, para você molhar esse mercado via mecanismos financeiros, você precisa que esse mercado seja líquido. E é extremamente difícil garantir essa liquidez. Então, ali naquela época, a questão era colocada, era construir a capacidade instalada. Agora, até então você tinha construído capacidade instalada, margem de reserva, margem de segurança, para garantir segurança e confiabilidade do sistema, era uma coisa muito objetiva.
Construir margem excedente, pagar por isso, simplesmente para ter liquidez, para que o mercado funcionasse, era difícil passar isso dentro da sociedade. Então a gente ficou ali meio sem solução. A única coisa que eu gostaria de falar aqui ao final é o seguinte, é evidente que essa situação...
com a entrada das renováveis, ficou muito, mas muito, mas muito mais difícil do que era antes. Ficou uma coisa muito mais complicada, muito mais difícil. Então, nós estamos diante de um problema estrutural dos mercados elétricos, não tem nada de novo, isso aqui já apareceu muitas vezes.
E até a própria discussão, Clarice, de mercado de capacidade surgiu ali no início dos anos 2000, que era uma forma de garantir uma expansão mais segura, mais líquida, para que os agentes pudessem efetuar as suas medidas. Então, eu acho que esse é um dos pontos, a questão da liquidez. E eu gostei muito dessa questão que você colocou. E há uma expectativa, e eu tenho lido isso, de que você pode resolver isso.
através de mecanismos prudenciais, através de mecanismos financeiros. Não, vamos abandonar o lastro físico e vamos introduzir, então, o lastro financeiro. Gente, porque isso você fala, eu faço isso no mercado financeiro, eu faço isso em mercados de outras commodities, isso não tem nada de difícil, não tem nada de novidade. Gente, mas o mercado elétrico não é um mercado como outro qualquer e a energia elétrica não é uma commodity como outra.
E é claro que se a gente está fazendo isso, a gente está introduzindo novos serviços, novas complexidades que vão ter seus custos, custos de remuneração, custos de transação, tudo isso. Então são mercados cada vez mais complexos, cada vez mais difíceis de operar, cada vez menos transparentes. Então, na verdade, Bicalho, eu acho que essa crise deve ensinar é que, bom, isso aí já estava descrito na literatura, como o Bicalho está falando. Então quem não...
Quem não estava com medo que ela acontecesse é porque não entende muito do setor elétrico. A gente já está falando disso há bastante tempo. É, porque eu acho que tem duas questões aqui que eu acho que são interessantes. Uma é relativa ao próprio funcionamento do nosso mercado livre. Eu acho que você tinha aqui distorções estruturais. Porque você montou... O que acontece? Você montou um setor elétrico brasileiro em cima de um modelo centralizado, de otimização, etc., que você construiu...
onde desde as grandes barragens, as grandes linhas de transmissão, até o PLD, tudo isso gerava em torno de uma otimização, da otimização dos recursos que você tinha, principalmente dos recursos hidráulicos. Quando você coloca o mercado livre ali, você acopla uma coisa que é completamente diferente, que fica pendurada ali. E isso, como isso é mantido a partir de 2003, mesmo no governo do PT, se mantém a existência de dois mercados?
O Roberto Araújo, sempre do Instituto Ilumina, sempre chamou muito a atenção sobre as inconsistências que tinham em você manter esses dois mercados. Na verdade, você tinha um mercado que assumia o custo da expansão, assumia com segurança, custo de confiabilidade, custo do sistema.
da manutenção do equilíbrio do sistema, e você tinha um mercado que não assumia esses custos. E mais do que isso, como o Roberto chama a atenção, o próprio modelo que foi feito, ele foi feito um modelo para gerar um excedente.
em função da segurança que esse modelo procurava, e um excedente que justamente foi quem garantiu durante anos o mercado livre, que é o excesso de energia, que a gente chama de energia secundária, que é aquela energia que você obtém, que as hidrelétricas geram acima daquilo que estava previsto para elas gerarem. Então você tinha uma liquidez que a própria robustez do sistema garantia.
Agora, gente, o que aconteceu foi o seguinte, a partir do momento que o nosso modelo hidráulico foi se deteriorando em função da incapacidade dos reservatórios de garantir uma redução na exposição do risco hidrológico, enfim, esse tipo de coisa, é claro que esses excedentes foram desaparecendo. Essas coisas todas foram desaparecendo. Mas foram desaparecendo, claro, gente, a gente passou a ficar muito mais exposto ao risco hidrológico.
Então, se você está cada vez mais exposto ao risco hidrológico, é evidente que isso vai bater na comercialização, numa determinada hora. Uma comercialização que operava ali na arbitragem, de comprar, vender energia, ou então servir ali como fazer uma composição de portfólio com outras comercializadoras, de forma a você...
ter ganhos ali naquela arbitragem. Gente, volatilidade desse tamanho, tudo bem, dá para você gerenciar. Agora, quando vai para um tamanho deste tamanho, vai abrindo, as empresas vão abrir o bico. Então, tinha questões que eram, evidentemente, estruturais. Outra coisa, a partir do momento que as pessoas iam migrando para o mercado livre, você ia aumentando, Clarice, em 2024, quando você libera para alta tensão, você teve um aumento no mercado livre de 30%. E aí
de 30%, todo mundo foi para o mercado livre, aumentou 30% o mercado. Então você teve esses movimentos. É evidente que na medida em que esse pessoal também ia entrando no mercado, essas diferenças estruturais que você tinha no início vão desaparecendo, vão desaparecendo. Não vai ser 30%. A CIDADE NO BRASIL
Então, a única coisa que uma comercializadora tinha que fazer, 30% de diferença, eu tenho que arrumar alguém que compra. É energia, é arrumar cliente. Você não tinha que arbitrar entre o mercado livre e o mercado...
e o mercado regulado, com 30% de diferença. Então, eu acho que esse conjunto de questões era de se esperar que isso iria acontecer. Você ia ter esse tipo de situação. Então, eu sempre digo o seguinte, gente...
O mercado livre é aquele menino que cresceu, ele se formou, ele se formou em direito, ele virou juiz e mora com os pais. Entendeu, Clarence? Ele mora com os pais. Ele não paga a conta da casa, ele não paga a net, ele não paga a água, ele não paga a luz. Então, ele fica com uma grana que dá para ele viajar, dá para ele comprar um supercarro.
que era o mercado livre. O mercado livre era um mercado que vivia à discurso dos pais. Quem eram os pais? Nós, do mercado regulado, que pagávamos as contas. Uma conta que chegou, se você faz a conta, a mais de 400 bilhões de reais durante 20 anos, o que foi transferido do mercado regulado para o mercado livre. O que aconteceu? Papai morreu.
Pronto. Agora você tem que assumir as contas, cara. Agora tu vai ter que pagar a net, tu vai ter que pagar a água, vai ter que pagar a luz, vai ter que pagar tudo, vai ter que pagar a faxineira, etc, etc, etc. Então, essas distorções, que eram estruturais, elas acabaram, elas simplesmente acabaram, e você chegou nessa situação, né, Clarice? E um outro ponto que você chamou a atenção, que você tem toda a razão, é a concentração. É claro que vai ter uma concentração.
Então tem gente que está falando, ah, isso na verdade é um depuramento do mercado livre. Mas como depuramento? Gente, na Inglaterra, são seis grandes empresas que controlam o mercado elétrico inglês. Quantas empresas vão controlar o mercado elétrico brasileiro? Vocês acham que chegam até seis? Então a gente está tendo... É bem importante mesmo, Bicalho, esse movimento. Porque a gente só rebelando mesmo, fala assim, olha...
O que a gente está falando é que o mercado livre, ele tende justamente à concentração. Então, ao contrário do que se dizia e que estava sendo vendido, vocês vão para o mercado livre, porque no mercado livre é um ambiente de competição. Então, tem várias comercializadoras, elas vão disputar o cliente, portanto, elas vão jogar o preço para baixo. O que a gente está falando é...
Tinha vários comercializadores, vários comercializadores sem lastro adequado e que não suportaram justamente quando essa volatilidade se expandiu. E isso é natural desses mercados que já nascem com essa volatilidade, ainda mais tudo se agravando em função da crise hidrológica, do excesso de renováveis variáveis que não entregam potência nem outras coisas. Então, é isso, tende a concentração. Então, naturalmente, não é um ambiente de competição.
E aí a gente tem que zelar, então, pelo consumidor final, que lá no começo eu estava falando, né? Você tinha que ter abundância de energia, para possibilitar que as atividades econômicas se desenvolvam. E agora a gente está, assim, no inverso, né? No inverso. A gente está aí, realmente, flertando com a pagão o tempo inteiro. Tarifas que justamente não permitem que a indústria seja competitiva, nem que a própria população possa consumir.
Então, não, gente. O que a gente está dizendo é que, um, a estrutura de mercado livre não serviu para baixar a tarifa para todos, e nem mesmo quem está no mercado livre agora já está conseguindo, está ainda se beneficiando muito, porque quem não está quebrado, quem não está exposto, na verdade, está pegando uma diferença de preço muito pequeno do mercado regulado.
Porque é justamente como a gente estava falando, são os tempos que evoluem também. Então, a gente continua super penalizado, a gente aqui do mercado regulado. Porque só a gente paga CDE e eles não pagam. Então, Bicalho, essa parte da nossa conta, só a CDE, é 20% da nossa conta de luz na média. Em cima desses 20%, ainda vão incidir ICMS e outros impostos. Então, assim, uma porrada muito grande toma o consumidor residencial e o mercado livre realmente não toma.
Mas o mercado livre, ele rateia com a gente os custos de encargo de segurança, que justamente banca a potência, banca esse leilão bilionário que aconteceu agora. Então, naturalmente, também, esse spread iria diminuindo pelo aumento do tipo de encargo que está crescendo. Isso aqui está crescendo tanto, e eu não me lembro quem foi, foi um líder de uma associação dessas corporativas que veio falar.
Mas daqui a pouco isso vai estar do tamanho da CDE. Daqui a pouco a gente vai estar pagando a mesma coisa que vocês, ele muito preocupado. Com toda a razão, porque é verdade. Se a gente ficar despachando térmica dessa forma, se a gente não põe em freio a entrada indiscriminada de renováveis, onde quer que seja, e que, portanto, a gente tem que paliar a essa entrada sem planejamento, com mais termo elétrico, e rasgando a linha de transição para todo lado,
Não tem como, isso aqui custa. E aí as pessoas vão ter que começar a pagar. Então, assim, é o começo, na verdade. A gente está vendo mesmo o começo de uma crise. A gente espera que ela não exploda, né? E que alguma coisa seja feita para endereçar e tentar frear esse mecanismo de retroalimentação. Porque está partido por uma coisa muito ruim.
Essa questão da concentração que a gente está falando, então, não tem competição, tem concentração e tem um risco também muito elevado. O consumidor não é beneficiado em nenhum momento. E o Estado vai ter que dar conta, que é inclusive obrigação dele, por medida, pela previsão constitucional. Então, não sei. Agora é a gente torcer para que alguém faça a leitura de recentralização, botar a bola no chão.
É, porque você tem um grau de... Gente, olha só. Você está tendo... As comercializadoras, tem uma parte dos agentes do mercado que está começando a acusar as geradoras, as grandes geradoras. E aqui, lê-se. Antiga Eletrobras, Copéu.
Acho que um pouco a Neo Energia. É gente que tem geração, gente que tem hidrelétrica, enfim, gente que tem capacidade para gerar. E que, na verdade, haveria um abuso de poder de mercado. Haveria um abuso de poder de mercado e demandando que a ANEL e o Cade fizessem algum tipo de intervenção.
Eu acho muito essa questão de poder de mercado uma das coisas bastante complicadas. Mesmo quando você observa mercados de distribuição de GLP, posto de gasolina, o que você quiser. A questão que envolve um abuso de poder de mercado, cartel, enfim, essa coisa toda é sempre complicada. Então, eu não teria muitas expectativas de que as instituições vão dar um chega para lá na Eletrobras e vão dar uma chegada nessas grandes geradoras.
Eu acho que elas estão exercendo... Elas alegam que elas têm o direito de vender ou não vender. Cara, você tem o direito de vender ou não vender desde que você não tenha um mercado com esse grau de concentração. Se você tem esse grau de concentração, o regulador e o Estado intervêm. Você não está num mercado competitivo.
Eu achei muito interessante uma coisa que você colocou e você me lembrou também, que você lembra muito que nos anos 90 tinha muito essa questão de realmente de ser um mercado pulverizado, de você ter várias comercializadoras. É sempre que foi.
Lembra, a Tátira era isso, um monte de empresas, firmas, onde o cliente é o rei, etc. E isso efetivamente no mercado elétrico não aconteceu. Você observa a concentração. Na Inglaterra você concentrou, aqui você vai concentrar também. E principalmente no sistema hidráulico, onde você tem recurso de flexibilidade como um reservatório, é uma coisa que é uma questão que é fundamental.
Mas eu acredito que tem uma... Eu acho que essa discussão também tem outra perna, além dessa perna da concentração, essa perna que também era uma coisa esperada de se acontecer. Eu acho que a discussão sobre os modelos e sobre a formação de preços, essa discussão é que eu acho, Clarice, que ela demonstra muita coisa.
É claro, se você tem uma agenda de competição, de introduzir a competição, introduzir o mercado, introduzir a concorrência, introduzir mecanismos financeiros de gestão de risco, a sua discussão vai acabar em formação de preço. Porque não tem, é natural que você está discutindo isso. E aqui, gente, é que a gente entra numa questão, Clarice, que eu acho que é fundamental, que é a seguinte.
Essa é a agenda do setor elétrico brasileiro? A agenda do setor elétrico brasileiro é a competição, a concorrência, o mercado livre. Então o problema do setor elétrico brasileiro é não ter competição, é não ter concorrência. Então nós vamos escolher essa agenda. Então essa é a agenda. É evidente que essa é uma agenda complicada, porque não é esse o problema do setor elétrico brasileiro. Essa agenda é empurrada pelos bancos.
que querem financiar uma parte do mercado de energia, empurrada pelas comercializadoras, o que hoje é meio ridículo, porque elas estão aí abrindo o bico, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, que é a casa do mercado. Eu nunca vi uma instituição que fala assim, ah, eu sou a casa do mercado. Não, cara, você é uma instituição do setor elétrico, você não é casa de mercado, nem de coisa nenhuma. Você tem que garantir que esse...
que esse setor funcione. Que o serviço público funcione. Isso, que a sociedade tem acesso à energia, que a casa do mercado, aquele projeto meta, uma série de coisas que eu andei escutando e andei vendo seminários, mas uma discussão completamente surreal.
Porque você está discutindo, você tem um setor elétrico que hoje, essa crise do mercado, essa crise do mercado livre, é apenas uma face do desmanche do setor elétrico brasileiro, da desestruturação do setor elétrico. Então eu tenho um setor elétrico que está se desestruturando, eu tenho um setor elétrico que está se desmanchando, eu tenho um modelo tradicional que está simplesmente desaparecendo e eu tenho uma proposta de que eu vou resolver isso.
que você não resolveu lá atrás, há 20 anos atrás, 30 anos atrás, que você vai resolver isso através do mercado. Não vai resolver através do mercado. O mercado não tem a capacidade de resolver um problema desse tamanho. Então, toda discussão, aí começa dupla contabilidade, aí você começa uma série de discussão, vamos fazer um leilão, vamos fazer brilho. E principalmente, eu acho, Clarice, o que me preocupa realmente é o seguinte.
Eu acho que essa proposta não tem nada a ver com o que está acontecendo no setor elétrico brasileiro. Isso é para atender determinados interesses. O problema é que esses determinados interesses têm muito claro qual é o projeto deles.
Dentro desse jogo, onde ninguém tem projeto, não sei tirar o da reta, que é essa que é a questão essencial do setor elétrico, como é que eu tiro o da reta? O consumidor, o industrial, o caralho. Esses caras têm um projeto. O projeto é claro. O projeto é você implodir, implodir.
Todo o modelo tradicional, inclusive a otimização, de tal maneira que cada agente vai gerir o seu risco, vai gerir a água que tem no seu reservatório, enfim. E isso feito, além do mais complementar a isso, financeirização, você vendendo seguro. Clássico, o que os industriais estão propondo? O que a nota?
A nota que reuniu a Bracel, comercializadoras, industriais, autoprodutores. Qual é a proposta dos caras? Hoje, se você é um consumidor livre, você tem que estar 100% contratado. Você tem que ter lastro, lastro físico. Estou contratado 100%. Aí o que os caras falam? Não, esquece esse 100%.
Porque como é que a gente vai contratar nessa situação? Não, esquece isso. Então você trata. E se você ficar exposto lá, problema seu. Mas você pode resolver isso através de mecanismos financeiros. Aí tu vê aqui o cara, a mão que balança o berço. Vendendo uma solução. Não precisa lastro físico, não. Tem aqui um derivativo, tem aqui um produto que você garante. Aí lá vem o cabelô ali vendendo a parada dele.
E os caras estão topando isso. Estão topando porque estão desesperados. Estão topando qualquer coisa. Entendeu? Estão topando. Então, essa foi a única proposta que eu vi. Fizemos uma proposta, não tem que contratar. Ou seja, quando você colocou a contratação de lastro físico, é que naquele momento você tinha uma gigantesca preocupação com a segurança do abastecimento.
Até porque quem estava garantindo a tal da expansão, gente, era um mercado regulado. Era nós que estávamos contra... Aí você falou, já que você está no mercado livre, pelo menos você tem que ter um laço físico. Porque a preocupação era essa. Era uma preocupação com a segurança do abastecimento, etc. Agora não. Agora é tirada reta. Se você me desobriga, depois eu vejo como é que eu vou... Claro, acaba o mercado.
Eu não tenho lastro, eu vou ter que ir lá no mercado de curto prazo e vou ficar exposto. Não, mas isso vai reduzir a pressão sobre o mercado. Ou seja, é a lógica do desespero. E outra coisa também, Clarice, foi o seguinte. Foi a tal da questão da aversão ao risco.
Não, a gente aumentou a aversão ao risco. Gente, quando é que o setor aumenta a aversão ao risco? Ele bota isso na conta dele. É quando ele tem alguma experiência traumática. O racionamento de 2001. Ali, depois do racionamento de 2001, gente, que pela primeira vez eu ouvi curva de aversão ao risco, sabe? Nem sabia o que era uma curva de aversão ao risco. O sapo. É, o sapo pulando por necessidade, né? Então, ali e agora, 2013, que a gente teve... Vejo.
agora recentemente com o governo Bolsonaro 2021 2021 que a gente teve a crise hídrica então quando você tem crise hídrica e outra coisa, um sistema que está se desmanchando, evidentemente está se desmanchando aí o cara, peraí vamos segurar isso aqui aí qual é a proposta? gente, vamos reduzir a nossa versão risco
Porque aí a gente reduz a versão ao risco e o preço cai. Ou seja, você está trocando a sua sobrevivência nitidamente, não importa que é sem o lastro, que é essa cascata aí de mecanismo financeiro, para quem tem 40 anos de estrada, pelo amor de Deus, me poupa desse negócio que esse bolinho eu não vou comprar não. Esse aí é papo furado para quem quer vender produto financeiro. Abre mão do lastro e abre mão da versão ao risco.
Até o cara tem certeza que ele fala assim, não, a segurança está custando caro. Mas essa é a pior discussão que você tem no setor elétrico. A segurança custa muito caro. Clarice, sabe a primeira vez que eu ouvi que a segurança custava caro? Foi na discussão da privatização logo e das mudanças, a liberalização do mercado europeu, que o cara falava assim...
Ué, para que a gente tem que ter essa segurança toda? Por que a energia na Bélgica só pode faltar um dia? Por que não sei o quê? Não, isso aqui é muito caro. Aí o que aconteceu? Pegaram todo o excedente, toda a capacidade de excedente que te dava segurança, ó, foram para o osso. Aí bate nos racionamentos, bate nos negócios todos, essa brincadeirinha. Por quê? Foi a primeira vez que eu falei, não, a segurança é muito cara. Então agora também, qual é o papo? A segurança é muito cara.
Não, é isso, a gente já viu isso, né? Então, assim, o que não deu para apreender é pela evolução da tecnologia e de como a estruturação aqui foi se agravando no Brasil, mas a base, o fundo dessa crise, assim, ele já estava dado. E você falando dessa coisa da desconexão, né? O pessoal está falando de preço, né? O pessoal vai quebrar, e não é só uma questão de preço, o mercado livre não...
ele não vai substituir o papel do mercado regulado na questão justamente da expansão de quem cuida desse sistema e os custos do sistema aumentando cada vez mais. Então a gente tem que falar sobre essas coisas. E aí eu lembro que eu estava em Bruxelas, logo no começo da guerra.
E aí já estava tendo justamente crise de aumento de preço de combustível, né? Só que naquela época a Europa ainda falava, né? Não pode, o que pode dar como incentivo? O que os países membros vão poder... Não pode fazer competição entre eles, fiscal e tal? Então aí era o que que... E aí justamente do meu... Aí eu dei muita sorte. Fiquei sentada ao meu lado, estava uma...
uma inglesa, que sentava em Bruxelas, numa representação, e ela era também economista, como eu. E ela falando assim, eu não sei, faz tempo que eu não venho pra esse tipo de conferência, ela tinha um emprego mais de...
enfim, representação mesmo, e ela falando assim, mas como é que essas discussões estão descoladas da realidade? Porque a galera estava discutindo mecanismo de capacidade, estava falando de discussões assim também, sabe, de preço, as mesmas pessoas falando as mesmas coisas num contexto assim de eclosão de uma guerra e de tecnologias que emergiram e de tudo mudou, a gente não pode falar as mesmas coisas.
A gente tem que ter responsabilidade. Não fecha a conta. Esse setor tende à concentração. O Brasil é majoritariamente hidráulico. Não pode uma empresa só controlar isso, porque justamente ela vai extrair renda e ela vai fazer a coisa do monopólio. A gente não pode ficar dependendo desse tipo de organização. O setor elétrico se desmancha por isso.
Então, não adianta a gente discutir uma fórmula de preço quando você tem um agente que controla o armazenamento, quando você tem outros agentes aí decidindo quem é que expande, quem é que não expande, o que é geração distribuída, o que não é geração distribuída.
Fica difícil nessa bagunça de estruturar. Sintetizando essa nossa discussão, eu acho que, em primeiro lugar, a questão fundamental é que não são questões novas. Essas questões estão colocadas, essas questões fazem parte das dificuldades e dos desafios que você tem quando você adota uma agenda de liberalização, é isso mesmo, vai desde a questão de liquidez, vai a questão de como você lida com a concentração.
como é que você lida com o fato de ter agentes que estão na geração e na comercialização e operam verticalizado portanto, verticalizados eles têm vantagem sobre isso, você lembra que essa não é uma discussão enorme, que a gente assistiu, que era... Isso é um ponto importante Bicalho, acho que vale a pena a gente comentar posso?
Pode, claro, porque esse é um tema que sempre esteve presente, muito forte. Isso que o que o Ricardo está falando, gente, inclusive quando começa justamente, a gente deixa de ser monopólio público, então como é que a gente faz então? Então tem que segmentar as partes desse setor, porque antes era tudo integrado verticalmente, geração, transmissão, distribuição, então era tudo um bloco.
É falar, então, para evitar que grandes agentes se apossem, então a gente vai segmentar. Geração é só geração, transmissão é só transmissão, para não ter o quê? Um perigo de você querer beneficiar a transmissão, privilegiar a entrada da geração da empresa dele, garantir o livre acesso às redes. Então, teve essa proposta formal, e isso foi implementado no começo dos mercados, dessa segmentação.
Ora, eles falavam que isso, de novo, assim como ter muitos agentes, essa segmentação do mercado também evitaria poder de mercado e traria também mais concorrência. O que a gente vê? Uma enorme assimetria de informação, ninguém mais sabe de nada dos outros e não acontece nada do que é previsto.
A gente vê o que? Justamente Dessas comercializadoras pequenas Elas foram ou quebrando ou sendo Incorporadas Ou por comercializadoras muito grandes Que aí consegue tomar esse risco Ou por comercializadoras que tem geração Então o que a gente está vendo, gente?
Além da queda, da falácia de que as comercializadoras do mercado livre é um ambiente de competição, cai uma outra, que é essa aí. Na verdade, a gente não está desverticalizando, e a desverticalização, naturalmente, os agentes vão querendo fazer o quê? Integração para frente e para trás.
Porque você quer ter mais conhecimento, você quer ter mais controle, você quer segurar preço. É da natureza do negócio. Mas essa discussão aqui é mais velha do que... Também 30 anos atrás. É mais velha do que a sede braga, como diz os portugueses. Gente, olha só, essa, como a Clarice falou, é uma discussão... Se você olha o caso inglês...
O que acontece? Quando o Tony Blair... Porque, na verdade, a reforma inglesa não é uma reforma simplesmente da Thatcher. Ela é uma reforma da Thatcher, do Tony Blair, do Partido Conservador, do Partido Trabalhista. Enfim, é uma reforma que transcende os partidos e os governos. Quando o Tony Blair assume e ali eles fazem uma modificação e passam a ter um mercado de contratos, que eu não vou discutir isso agora, vocês dão uma olhada lá no curto-circuito sobre a reforma inglesa, onde tem tudo isso.
Então, o que acontece? É, está ótimo o programa. Está hiper, hiper, hiper detalhado. Se vocês quiserem saber encrencas da liberação de mercado, vamos lá. O que aconteceu? O mercado atacadista realmente passou a operar mil, sabe? Você passou a ter uma competição muito forte ali, o preço da energia elétrica no mercado atacadista, onde você só vende para grandes consumidores e para distribuidoras, né?
Quem compra, nós teríamos que comprar de uma distribuidora, então a gente não está no mercado da Tacadisa, a gente está no varejão. O que aconteceu? Mercado maravilhoso formando, funcionando, pá, energia, preço cai. Quebraram todas as empresas que não tinham comercialização, que não estavam operando de verticalização. Foi uma quebradeira, para vocês terem uma ideia do tamanho da quebradeira, o que aconteceu? Até a nuclear, a nuclear, que tinha acabado de ser privatizada.
ela também quebrou. E o governo inglês teve que entrar para segurar a porca do negócio nuclear. Quem é que sobreviveu? Sobreviveu quem tinha comercialização, quem gerava a sua própria energia e vendia a energia que ele produzia.
Então toda aquela coisa do capitalismo democrático, de vários brokings, de vários dealings, aí você chama do que você quiser, foi tudo pro vinagre. É o que está acontecendo agora. O que está acontecendo? Tem um filme, que é um filme muito bonito até, mas ele é muito triste, que chama A Dança dos Desesperados, no qual durante a recessão americana você tinha concursos de dança que ganhava quem sobrevivesse, quem ficasse em pé até o final.
É isso que vai acontecer com as distribuidoras. Isso é uma dança dos desesperados. Todo mundo vai abandonar o salão e vai ficar meia dúzia de caras que são ou o cara que tem geração, que fazem parte dos grandes grupos do setor elétrico, portanto tem capacidade, tem ativo de geração, etc. E quem está pendurado num banco, que tem garantias financeiras, que tem condições de bancar, é aquela brincadeira. O resto é que ele é dança dos desesperados, vai dançar todo mundo.
E não há o que você fazer para salvar isso, cara. Isso é do processo de concentração de competição, é do jogo que vocês escolheram jogar. E os industriais, meu amigo, os industriais sempre apostaram que eles vão ter poder de mercado.
Sempre tiveram interessado naquela energia mais barata que ia para a gente, do mercado regulado. Então tinha interesse em ter acesso à energia e que ia usar o seu poder de mercado, como grandes grupos, para fazer bons contratos. Só que do outro lado, você tem caras que têm poder de mercado maior do que o seu, garoto. Preste atenção.
Quem está lá do outro lado não está para brincar, não está para brincadeira. Então, o que a gente está tendo? A gente está vendo processos que eu e Clarice viemos acompanhando ao longo dos últimos 30 anos, que a gente vem acompanhando, porque a gente começou a carreira da gente ali no meio da liberalização do mercado. Eu um pouquinho antes, que eu comecei na crise do petróleo. Clarice já começou nos anos. Agora, então, qual é a questão aqui, gente? A questão é a seguinte.
Qual é a agenda nossa? Qual é a agenda nossa? Quais são os problemas que nós temos? Então, a gente tem que focar nesses problemas. Os problemas são relacionados à introdução das renováveis, fim do modelo hidroalto nosso, como é que a gente faz com esse negócio, como é que a gente constrói... Falta de planejamento, né?
É isso, discutir recursos de flexibilidade, gente, desculpe, é discutir se não é bateria, se não é bateria irreversível, como é que a gente faz isso, a gente tem os reservatórios, questões fundamentais, que são questões econômicas e institucionais.
Temos recursos de flexibilidade. São os reservatórios. Quem controla isso? O controle, esses reservatórios, tem que ser usado para especulação ou eles têm que usar a serviço da coletividade, etc., para reduzir o custo da transição, etc.? É esse o tipo de discussão que a gente vai ter. O que eu fiquei mais chocado assistindo a seminários e lendo sobre a discussão do mercado livre é a total descolamento completo.
Desculpamento. Os caras têm um projeto. Olha, eu quero... O projeto é incluir isso aqui. Aí depois eu vendo produtos financeiros. Quem tem reservatório vai ter um poder gigantesco dentro desse mercado. A gente forma a prensa. A gente ganha dinheiro pra caramba. E tudo vai pro vinagre. E tudo vai pro vinagre. Ou seja, a gente tem um projeto. A gente tem hoje um projeto de liberalização do mercado. Que é um projeto de concentração absurda. De financiarização absurda.
num contexto onde o preço da energia tudo indica que vai crescer cada vez mais, que é o processo da descarbonização, o processo da introdução da competição. Eu vou falar mais. Esse projetinho aí, todo financiarizado, que aí cada um administra o seu risco, e aí cada um opera o seu reservatório.
Ele é contrário a todas as evidências de mudanças climáticas e de vulnerabilidade hídrica que a gente tem. A gente tem, não tem nada de cada um gere seu risco quando o seu risco está associado ao uso do reservatório que pertence à população brasileira.
Sabe, presta atenção. Essa água é do povo brasileiro. Então esse risco individual não é individual, não. Essa água é da coletividade. E isso é uso de bem público. Não interessa. Essa argumentação, ela é fora da Constituição. É de ficar querendo botar nome, querendo enfeitar. Mas não pode fazer isso. E tem que parar já com isso. Porque a gente tá vendo os efeitos que três anos e meio de privatização já trouxeram. Tem que parar com isso.
A questão é que os caras vão colocando o gato no telhado, né? Ah, falando só de preço. Ah, não sei o que. Um mecanismo de oferta. Ah, não. Eu contratei aqui um projeto que tem uma baita de uma consultora que diz que isso é legal. Você começa nitidamente a ver os movimentos, né? Gente, esse movimento é uma porra louquice.
do início ao fim. Porque isso não tem nada de realidade. E é isso mesmo. Para mim, é dúvida de grandes geradores se locupletar, como vem fazendo já. Essa junção no qual você pega grandes geradores, tipo AXA, Eletrobras, etc. Junta com grandes bancos. Gente, isso não vai dar certo. Isso não vai dar certo. Isso não vai ser uma coisa boa. Então, o que acontece?
Sim, mas ninguém explicita esse projeto, tá certo? Ninguém coloca isso na mesa. E ninguém quer enfrentar, na verdade. É, fica todo mundo fazendo cara de paisagem, que na verdade isso não existe. Isso é a modernidade. A gente vai corrigir o preço e vai dar certo. É, a modernidade, o feiticho do preço. Ah, não, preço, tem que repredir o cu, não sei o que, ah, o importante é o direito da escolha, né? Eu achava que o importante era o direito de você ter acesso à energia, não escolher de quem eu compro energia a cara. Mas não, ou seja...
Eu acho que essa questão do mercado livre, isso eu estava aqui conversando com o Tali, se a gente queria conversar com vocês, é porque, na verdade, existem outras questões que são importantes. Primeiro, isso não é uma discussão nova, é uma discussão velha. Gente, é natural que seja uma discussão velha, porque essa agenda da liberação é uma agenda de 30 anos atrás. Tá bom? 30 anos atrás. É uma agenda que foi desenhada lá nos anos 70, nos anos 80, implementada nos anos 90.
para resolver os problemas de 70, de 80, que você achava que era falta de Estado, que era falta de competição, que era falta da presença da iniciativa privada, enfim, que era o regulador que intervia demais, era o Estado, etc. Então, era aquela ideia.
Cara, hoje, você acha que a agenda do setor elétrico no mundo hoje, quer dizer, tem algum idiota no mundo inteiro, uma besta que ache que o problema do setor elétrico no mundo hoje é falta competição, é um excesso de Estado, não sei o quê. Então, no amor de Deus, você tem que ser uma besta completa. Você tem que ser um idiota. Mas, na verdade, não é idiota. É muito esperto.
É a esperteza, gente. Muito antiético, né? Pra gente ser bem gentil, né? Exatamente. Os caras querem que a gente faça o papel de idiota. A gente faça o papel de idiota. E esse pessoal sabe muito bem o que é e fica ali mexendo, trazendo nessa razão. Então foi por isso que a gente queria fazer esse programa. Por quê? Porque essa questão vai crescer.
ela vai crescer, porque tem a indústria, tem o comércio, e tem a perspectiva de que há dois anos todo mundo vai poder participar. Então tem muitos interesses aqui, e eu sinceramente, pelo que estou vendo de solução colocada na mesa,
Não vejo, entendeu? Não vejo. Olha, mesmo dentro de uma perspectiva de liberalização, mesmo dentro da perspectiva dos caras, etc. Eu vou falar, gente, olha só. Não dá para vocês... A questão fundamental é que o setor está desmanchando. Esse que é o problema. Não tem como você colocar nada em cima de alguma coisa que está desmanchando. Esse setor está desmanchando, gente. Olha os vistos.
o curteio, a questão de geração distribuída, você vai pegando no que você quiser, a quantidade de... E como cada um desses problemas é de calhar, o curteio, ficou o gerador de renovável ficou exposto, ah, mas eu preciso de geração térmica, então... E aí o consumidor é duplamente penalizado, né? O leilão que a gente discutiu, né?
Eles querem que o consumidor pague pela renovável que não entrou, que pague pela termoelétrica despachada de última hora, porque tem um problema de segurança e tudo.
E para isso, e para essa renovável entrar e ser cortada, construindo linha de transmissão, quando a gente sabe que na ponta tem cada vez mais geração distribuída, então essa linha de transmissão vai ficar ociosa, porque na verdade lá na ponta, no consumo, tem geração distribuída. A energia sai de um lugar e tem que chegar no outro.
Então, assim, está tudo descasado, está tudo descasado. Então, essa crise, né, Bicalho, a gente traz o assunto para falar com vocês na hora que ela está nascendo. Como ela for sendo endereçada, a gente vai ver se também vão ser com respostas de 30 anos atrás que não resolveram nada. Porque quem não mudou a estrutura? A Europa está cada vez pior e com preços de energia cada vez piores também. Então, no mundo inteiro, o mercado livre não entregou.
sobretudo no mercado que tem as nossas características, gente. Olha o tamanho da nossa indústria, olha o tamanho do mercado residencial, olha quem está pagando as tarifas. Então, é como o Bicali estava falando, vamos voltar para a realidade, porque isso aí está fora da realidade, essa discussão de dupla contabilidade, não sei o que, não sei o que, não é isso que importa, pode até discutir se vocês quiserem, mas ao fim e ao cabo, na verdade, tudo tinha que mudar muito mais profundamente. É o controle do armazenamento, é justamente um planejamento, e aí de novo, né?
Quando a gente fala essas coisas, a gente só faz evidenciar que o mercado livre não é a solução, porque quem fornece planejamento, quem tem legitimidade democrática, política para fazer isso, é o Estado, representado pelos governos em exercício. Então não tem para onde correr.
Então a gente tem que ir aqui, não sei como, mas reclamar para que o Estado assuma suas funções de planejamento e de segurança de abastecimento, porque é uma obrigação, não é um favor.
Porque o que você tem hoje, gente, concretamente, é uma torre de Babel. É o clássico da torre de Babel. Cada um tem a sua linguagem, cada um fala de um lugar. Então, cada um tem a sua agenda, o comercializador tem a agenda dele, o grande consumidor tem a agenda, o cara da solar distribuída tem uma agenda que é diferente da agenda do cara da geração solar.
centralizada, eórica tem, quer dizer, todo mundo tem agenda para tudo quanto é lado. E isso vira uma torre de Babel, você não vai erguer nada, você não vai construir, você não vai fazer nada. Por quê? Porque cada um está muito na sua agenda e no curto.
prazo. A gente está falando disso há anos, há anos que isso está acontecendo. E essa crise do mercado de energia elétrica, do mercado livre, ela também é um momento dessa torre de Babel. E vai ficando cada vez mais. Quer dizer, e aí que a gente, para fechar...
Gente, você precisa do Estado, porque sem o Estado eu não consigo convergir expectativa, eu não consigo gerenciar conflitos, eu não consigo mobilizar os recursos no volume que eu preciso, eu preciso do Estado. Mas você falou assim, não, a gente simplesmente criminalizou o Estado, a presença do Estado, então tudo bem, pode ter, etc. Então você ficou sem instrumentos para enfrentar uma crise. Então é recém, né?
que vai ser cada vez maior, me desculpe. Então, é preciso abaixar a bola? É. É preciso discutir coisas que são coisas sérias, são coisas que estão acontecendo. Se quiser acelerar essa agenda liberal, de liberalização do mercado, vai ficar muito difícil. Vai aprofundar a crise. Vai aprofundar a crise. Não, aprofunda.
O problema agora é que qualquer um grande movimento que você faz... Ah, vou fazer um grande leilão de... Cara, um leilão que foi 500 bilhões, meu Deus, de custo para o consumidor. Quase meio trilhão no final das contas. É, eu acho importante a gente falar isso. 40 bi por ano, ao longo de 10 anos. A conta total era uma coisa de 500 e pouco bilhões de reais.
Entendeu? O governo, a gente falou tanto no último programa, não conseguiu implementar lá o esquema do BNDES para financiar de ferimento tarifário, porque você está realmente nessa situação. O setor está desmanchando. Gente, isso aqui é o templo de Salomão. Vai cair em cima da gente. Vai cair em cima da gente. Então a gente queria chamar a atenção disso. Olha.
a situação é grave. Quando a gente discutiu o leilão, o que a gente falou? O leilão é simplesmente uma manifestação dessa situação que é grave. Agora, quando a gente está discutindo hoje essa questão do mercado livre, a gente está falando, olha, isso aqui é uma manifestação de uma situação que é grave. A gente está aqui no curto-circuito, eu e Clarice, nessa nova fase. Sinceramente, gente, a gente já está aqui para chamar a atenção. Gente.
a situação está ficando mais grave. O setor elétrico brasileiro, Clarice, eu acho que ele é um setor que foi desenhado para ser muito robusto. Muito robusto, muito resistente. Tanto é que ele vem ouvindo desaforo aos 30 anos. Mas eu acho que a gente está chegando num turn point onde realmente essa robustez não segura mais, essa resiliência não segura mais. É resistência dos materiais, né?
Eu tenho um temor muito grande, Clorice, que a gente acelere esse processo de fragmentação, que a gente acelere esse processo de desestruturação. O setor foi resistindo, resistindo, resistindo, e eu acho que agora mais ele não tem mais resistência, ele não tem mais como resistir. Então eu acho que a gente corre o risco de ter um processo de deterioração muito rápido.
Está me entendendo? Muito rápido, uma fragmentação muito rápida, uma deterioração e a gente entra e acaba numa crise no setor elétrico, uma crise de energia elétrica, de abastecimento, de sublimento, preço, o que você quiser, uma crise muito grave, porque na verdade o que esse setor já aguentou de desaforo nos últimos 30 anos é muito, e agora parece que o desaforo aumenta, aumenta, aumenta, aumenta.
Então, cara, o que a gente pode chamar é, olha, a responsabilidade, essa é a nossa função. A gente está na universidade, a gente estuda esse negócio há uns 40 anos, a gente não está brincadeira, olha, não estou pendurado aí em nenhuma cavadinha, não estou aí em nenhum lobby de coisa nenhuma, estou falando. Gente, olha só, isso aqui...
está ficando muito, muito perigoso. E basta você ir olhando os sinais para você ver, olha só, isso aqui pode acabar muito mal. Enfim, é isso, né, Claricinha? Acho que a gente cumpriu a nossa obrigação aqui. Eu não sei se ficou um pouquinho confuso, mas estamos sempre aqui dispostos a conversar. É porque tem muitos lados, né, gente? Como a gente está falando de sistema, então é isso, você pode começar por qualquer um desses assuntos, porque tudo vai se desequilibrar.
Mas eu acho que sim, Ricardo. É, mas eu acho que foi... Espero que tenham gostado. É.
como a escolha da gente, eu e o Clarice, a gente conversa, nós conversamos muito sobre esse tema, muito, bastante, há muitos anos. Então, a gente fez mais ou menos isso. Clarice, vamos levar essas conversas, essas nossas preocupações que a gente tem. Eu e o Clarice ainda estamos aprendendo a fazer junto as coisas.
Que conversa, né, gente? Ah, não conhece o telefone. A gente vai toda a vida. Às vezes ficamos duas horas lá conversando, não tem problema. E aqui a gente está aprendendo. Então, desculpa qualquer coisa, né, que a gente ainda está no fato. Mas eu acho que ao longo dos programas a gente vai aprender a fazer esse negócio direito aqui. É isso. Mais alguma coisa, Claricinha?
Não, acho que tá bom. E amanhã, vai no show da Shakira, amanhã, em frente da sua casa. Não sei. É isso aí, gente. Muito, muito, queria agradecer muito aos nossos amigos, às nossas amigas por nos acompanhar aqui nesse debate, nessa conversa. Queria pedir um pouco de desculpa aqui por alguma coisa, né, que a gente ainda está tentando fazer, acertar. E...
E lembrando sempre, a nossa preocupação é chamar a atenção para a gravidade do momento. Eu acho que essa aqui é a nossa função. Nós conhecemos um pouquinho, então é isso que a gente queria falar. Um beijo enorme em todas e em todos. E a gente se encontra aqui, eu e Clarice, no próximo Curto Circuito. Vida que segue e meus amigos, minhas amigas, se cuidem.